segunda-feira, agosto 03, 2009
sexta-feira, julho 31, 2009
1000 KM DO ALGARVE
Este fim-de-semana há corridas a sério no Autódromo de Portimão. O programa completo inclui Fórmula Le Mans, Fórmula Renault 3.5, corridas da Seat Supercopa León e as tão aguardadas Le Mans Series. Vai ser a primeira corrida nocturna. Amanhã a partir das 19.15, com termo previsto para 6 horas depois. Entretanto, o melhor tempo nacional na categoria de LMP1, 3º da geral, é do Tiago Monteiro que faz equipa com o Bruno Senna, no Oreca AIM, que fez 1.32,844. Quem me quiser encontrar por estes dias é passar por lá. Algures entre as boxes e o paddock estarei visível. A não perder.BOBBY ROBSON
Morreu um homem que sabia de futebol. Um cavalheiro como poucos. Um amigo de Portugal e do Algarve. A gente séria do futebol vai sentir a sua falta. Em St. James Park pairará sempre a sua memória.
UM FARENSE DE GEMA
João Soares, um farense de gema, vai encabeçar a lista do PS por Faro. Não está em causa o mérito do escolhido, pessoa por quem nutro simpatia, amigo de amigos, homem sério, excelente autarca e pessoa de bom senso, mas apenas a forma como continuam a ser escolhidos os cabeças de lista do partido para as legislativas. Não tenho dúvidas de que ele tenha ligações à região. Ele e mais 10 milhões de portugueses.
COERÊNCIAS
Hoje as coerências passaram para aqui e são sobre a decisão do Tribunal Constitucional.
PACIÊNCIA
Ainda há duas semanas criticava Jorge Jesus dizendo entre um misto de inveja e acinte que na época passada o Braga podia ter ido mais longe. Ontem, ele próprio estreou-se na Liga Europa e fê-lo com uma derrota em casa por 2-1 frente a uns fraquíssimos suecos que, apesar de tudo, fizeram dois belos golos. Domingos Paciência é apenas mais uma daquelas personagens criadas no FC Porto de Pinto da Costa e a quem falta tudo. Não admira, pois, que o Braga tenha começado com o pé esquerdo.
quinta-feira, julho 30, 2009
GESTÃO À VISTA DA COSTA
Estamos a menos de dois meses das eleições legislativas, facto de que muitos, certamente, ainda não se deram conta. O estio e as suas elevadas temperaturas ajudam as pessoas a esquecer a realidade. Mesmo quando se fazem férias "cá dentro", o cansaço contribui para uma certa letargia, para um certo desprendimento. A crise trouxe consigo a dolência e torna-se demasiado pesado ouvir debates, ler programas eleitorais e acompanhar os sound bytes. Depois, casos como o do Avastin e dos doentes do Santa Maria acentuam o desinteresse pelo que se vai ouvindo. Talvez por isso mesmo é que o PSD tarde em apresentar o seu programa eleitoral. Pode ser que também faça parte da estratégia, mas para um partido que está na oposição e que há anos se prepara para ir a votos e tentar destronar o PS de José Sócrates, o normal era que tivesse posto cá fora antes de férias o seu programa. Mas não. Nada disso aconteceu. Em vez de apresentar um programa, o PSD desdobra-se em iniciativas avulsas, preferindo lançar frases inconsequentes, sem que se veja alguma coisa de consistente. Sabendo-se que Agosto é mês de férias, ou, pelo menos, que é aquele em que mais gente está fora dos seus locais habituais e pouco virada para a discussão política; sabendo-se, igualmente, que Agosto é o mês em que o futebol começa a mexer e que a seguir virá Setembro e a preparação do regresso às aulas para a maior parte das famílias; pergunta-se quando é que o PSD pretende tornar conhecido o seu programa e as ideias que defende? Quando estará a pensar debatê-las com os portugueses e os seus concorrentes? A "estratégia" que até agora tem sido seguida pelo PSD, onde se mistura o "rasganço" de tudo o que está para trás com o apoio ao carnaval jardinista, a crítica à coligação do PS em Lisboa ao mesmo tempo que se fazem mais de 60 coligações no resto do país, o elogio da política social do Governo e a defesa de uma menor tributação, sem que se explique ao país as contradições e a forma como tudo isso irá ser gerido por um hipotético futuro governo do PSD, demonstra bem que para o PSD é mais interessante manter a pressão mediática sem qualquer programa do que apresentar um programa e discuti-lo a tempo e horas. Um programa não rende votos. O carnaval mediático pode render. A poncha pode ser mais compensadora do que o vinho do porto. Sem propostas e sem ideias que se dêem a conhecer, o estilo Ferreira Leite começa a ser cada vez mais parecido ao estilo Santana Lopes. Aquilo que aparentemente os separava foi, afinal, aquilo que mais os aproximou: a gestão à vista da costa. Da costa, é certo, mas também do Costa. Do António, evidentemente, não vá o diabo tecê-las. quarta-feira, julho 29, 2009
SONHOS VERMELHOS

Esta é a nova berlina de Maranello, em exclusivo para os leitores d' O Bacteriófago. Será apresentada em Setembro no Salão de Frankfurt. Saído do traço de Pininfarina, beneficiou da experiência na F1. Tem 570 cavalos e vai dos 0km aos 100km em 3,4 segundos. Velocidade máxima: 325km/hora. Como afirmou Luca di Montezemolo, o Ferrari 458 é um tributo à Itália e às suas características únicas. Eu não duvido.segunda-feira, julho 27, 2009
AL DI MEOLA
Depois de um grande concerto só mesmo um grande disco para nos prolongar o prazer. Como não há rosa sem espinhos, só é pena que as casas de banho do Allgarve Jazz, colocadas pela Câmara Municipal de Loulé, não tenham luz, água ou sabão para lavar as mãos. Mas têm avisos por causa da gripe A e da necessidade de se lavar as mãos. Alguém entende isto? Notável. CRITÉRIOS
Li a notícia num jornal qualquer e depois confirmei-a aqui.Não sei qual foi o critério da escolha, mas depois de em tempos terem ido uns quantos a Bruxelas (conheço bem a cidade e o Parlamento Europeu e ainda lá estive há menos de um ano, por isso não precisava de lá voltar), mas gostava de percebê-lo. Quem escolheu quem?
sexta-feira, julho 24, 2009
COERÊNCIAS
Quando percebi que Miguel Vale de Almeida ia ser incluído nas listas do PS para as legislativas em lugar elegível, confesso que fiquei logo à espera que isto acontecesse. Não sei quem é tem mais culpa: se José Sócrates, se os seus leais e subservientes conselheiros ou se o Partido que silenciado atrás do líder permitiu que chegássemos até aqui. Só me admira não terem também incluído Joana Amaral Dias para que a novela fosse de estalo. É o que se chama uma lista fracturante. Vamos ver se em Setembro a fractura (talvez antes a factura) não será total. Nessa altura cá estarei.
quinta-feira, julho 23, 2009
LEMBRANÇAS DE MAZARIN
"Exclui da tua companhia os avaros, que são servis por natureza";"Nunca te armes em defensor de medidas demagógicas";
"Não convivas com tagarelas, essas calamidades que passam o tempo a repetir aos quatro ventos tudo o que se diz";
"Não imagines que foram as tuas qualidades pessoais e o teu talento que te conseguiram um cargo. Se julgas que vais obtê-lo pela simples razão de que és mais competente, não passas de um tolo. Pensa que se prefere sempre confiar um cargo importante a um incapaz a dá-lo a um homem que o merece";
"É difícil não perder a cabeça contra os que prometeram resolver um assunto importante dentro de um prazo fixo e são ultrapassados pelos imprevistos. De modo que o melhor é não exigir esse género de promessas".
A ARTE DE SER INDISPENSÁVEL
"A responsabilidade (accountability) não funciona através dos órgãos do partido, mas apenas através do juízo do eleitorado sobre a acção do primeiro-ministro. O partido, por isso, não parece existir como uma entidade autónoma, mas apenas como um instrumento ao serviço do líder, o qual pode recorrer aos laços directos com os filiados e com os eleitores para legitimar o seu controlo sobre a acção do governo". No dia em que Manuel Alegre se despede do parlamento, este livro do Marco é de leitura indispensável para quem queira conhecer um pouco melhor a minha agremiação e perceber esta agitação toda que anda no ar.
O MELHOR SOM DESTE VERÃO
Esta é uma das minhas propostas musicais para este Verão. O som aberto, melodioso e profundamente livre de Jason Mraz. Para ouvir ao final da tarde com a melhor das companhias. De antologia é esta versão de Lucky com Ximena Sariñana. quinta-feira, julho 16, 2009
ROMA
Homenagem a Roma, às suas mulheres, a Fellini e a um tipo que vai a caminho da Croácia e que ontem à noite teve o desplante de me telefonar para me dizer que as pedras da Fontana di Trevi estavam a ferver e ele não percebia porquê. Espero que agora perceba.
DISTRACÇÕES
"O PSD preparava-se para votar contra o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE) na reunião de ontem da Assembleia Municipal de Lisboa mas foi confrontado pela sua presidente com um facto surpreendente: afinal a votação já tinha decorrido há uma semana e o partido abstivera-se, permitindo a viabilização da proposta do vice-presidente da câmara.
"Houve um mal-entendido do PSD naquilo que foi posto à votação na semana passada", justificou aos jornalistas o líder da bancada social-democrata, admitindo que em '20 anos' de experiência na assembleia nunca lhe tinha acontecido algo semelhante (...)". - cfr. Público, 15/07/09, p. 27.
Esta curta transcrição do texto da jornalista Inês Boaventura diz bem da atenção com que a bancada do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa exerce as suas funções. Mas é natural que de tão preocupados que estão com as coligações que António Costa anda a fazer depois se distraiam com o seu próprio trabalho.
quarta-feira, julho 15, 2009
UMA CIDADE DE FUTURO

Por falar em Faro, estas são imagens do projecto promovido pela Câmara Municpal de Faro e produzido pela Parque Expo para requalificação da frente ribeirinha. Quem tiver dúvidas sobre o que está em marcha e se pretende fazer neste local pode fazer a comparação com o que lá está hoje. É, pois, natural que o Engº Macário Correia, que desde 1998 esteve à frente da Câmara de Tavira e não conseguiu fazer a marina que tanto prometeu, venha agora para Faro prometer aquilo que outros andaram a preparar. Na hora das fotografias todos se querem chegar à frente. BOM CINEMA EM FARO
Ao mesmo tempo que a iniciativa privada fecha 3 salas de cinema no centro da cidade, a Câmara Municipal de Faro prossegue a sua aposta na divulgação cultural. O pequeno auditório do Teatro das Figuras inaugurou ontem os seus ciclos temáticos. Até 17 de Julho decorrerá o ciclo de cinema asiático. A estreia foi com muito calor e sala cheia, sinal de que o público sabe distinguir um bom filme de uma pastelada. Começou com o imprescindível Dreams de Akira Kurosawa. Hoje, por apenas € 2,00, poderá ver Dolls de Takeshi Kitano, seguindo-se amanhã o 2046 de Wong Kar Wai e na sexta-feira, a encerrar o ciclo, Duelo sem fim, do coreano Lee Myung-se. Entretanto, nos claustros do Museu Municipal, numa organização conjunta do Cineclub de Faro e da C.M. Faro, decorre o ciclo de cinema ao ar livre dedicado aos "Amigos Americanos". A primeira película foi exibida no dia 13 e terá sequência todas as segundas-feiras, até 10 de Agosto, sempre às 22h. Entre as obras escolhidas vão estar algumas pérolas como Gran Torino (Clint Eastwood), A dúvida (John Patrick Shanley), O Leitor (Stephen Daldry) e Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen). Quem não via as diferenças entre José Apolinário e Macário Correia, tem agora mais uma oportunidade para perceber por que razão uma aposta cultural de qualidade e acessível a todos não se pode confundir com o mau gosto pimba e o oportunismo básico da mensagem jardinista.terça-feira, julho 14, 2009
JÁ JOGAM O DOBRO!
Quem o diz é A Bola, e eu que até vi o jogo de ontem não tenho razões para duvidar. Espero que o Quique Flores e o Miguel Sousa Tavares também tenham visto. O primeiro para ver se começa a conhecer melhor os jogadores e o segundo para perceber as palavras do Jorge Jesus. É que marcar dois ao Sion e mais dois secos ao detentor da taça UEFA não é propriamente o mesmo que marcar três ao... Tourizense.
sexta-feira, julho 10, 2009
ABSOLUTAMENTE IMPRESCINDÍVEL
"E quanto a personalidades susceptíveis de obrigar os partidos do centrão a repensarem-se, há muitas, na universidade, mas não só, na imprensa, na vida económica e na sociedade em geral; até nos partidos, mas fora das clientelas e do carreirismo partidário." A entrevista que este senhor deu ao i é absolutamente imprescindível. Convém ler, reler e meditar, mesmo quando se está em desacordo, porque este é um homem de esquerda que pensa pela sua cabeça. Ah!, e já me esquecia, cheguei até ela graças a um post de um tipo inteligente, assumidamente de direita e em cujos textos, na maior parte das vezes, não me revejo: o João Gonçalves, do Portugal dos Pequeninos. Aqui fica o agradecimento.
ESQUIRE
Uma boa revista, bem impressa, com bom papel e bem escrita, sempre foi uma das minhas perdições. A Esquire deste mês de Julho não foge à regra, mas para além disso o seu site está magnífico. Para além de óptimos artigos, da Drinks Database e dos melhores bares da América, tem ainda a Women We Love Gallery, um hino à beleza que é de cortar a respiração. Este mês também podemos aprender a fazer uma magnífica pie com a Mary-Louise Parker. Duvido que haja melhor maneira para começar um fim-de-semana à beira-mar e preparar a estreia do SLB em Sion.UMA AGULHA NO PALHEIRO
Isabel Meirelles, a candidata oficial do PSD designada para liderar a lista à Câmara Municipal de Oeiras, ao ser ontem entrevistada sobre a sua escolha, depois de múltiplas outras que vacilaram pelo caminho, esclareceu, assim justificando a decisão do partido depois de já haver cartazes a anunciarem outro nome, que "não se encontra um bom candidato à primeira". Pois não, às vezes até nunca se encontra. Desta vez, porém, pelo tom colorido do sorriso, parece que o PSD encontrou no seu palheiro a agulha que procurava. Pelo menos em simpatia Isaltino Morais vai ter uma adversária. Se não for possível dizer que é uma candidata à sua altura, ao menos será à sua largura.
quarta-feira, julho 08, 2009
EFEITOS COLATERAIS
Depois de ouvirmos os insultos dentro da Assembleia da República, era apenas uma questão de dias para que os ouvíssemos também do lado de fora. Se o deputado José Eduardo Martins pode mandar repetidas vezes um colega "pró c....", se um ministro pode oferecer um par de cornos a um deputado, se os professores insultam o primeiro-ministro, se os polícias fazem o mesmo, certamente que ninguém esperaria que o nível do discurso fosse elevado pelos estivadores. Prevejo agora que o PCP do camarada Jerónimo e a obediente CGTP venham manifestar a sua compreensão pelos insultos e, já agora, divulguem os salários dessa malta, o número de horas de trabalho e os demais elementos que permitirão o país aferir a respectiva produtividade e a razão de ser da sua indignação.
terça-feira, julho 07, 2009
RELATÓRIO BPN
Para quem se interessa por estas coisas e gosta de andar informado antes de botar opinião, pode ler aqui, na íntegra, o relatório preparado pela relatora da "Comissão de Inquérito sobre a situação que levou à nacionalização do BPN e sobre a supervisão bancária inerente" (só o nome da comissão já cansa) e que muito previsivelmente vai ser chumbado pela oposição. O normal.
BERLUSCONI SERVICES INC.
"Preparations for Wednesday's G8 summit in the Italian mountain town of L'Aquila have been so chaotic there is growing pressure from other member states to have Italy expelled from the group, according to senior western officials.". O resto do elucidativo artigo do Guardian pode ser lido aqui.
JÁ TOMOU POSSE
Seis. Era este o número de canais portugueses (RTP1, SIC, TVI, RTPN, SICN, TVI24), que ontem por volta das 20 horas transmitiu a tomada de posse de Cristiano Ronaldo. Perante estes números, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite deve ter percebido que o TGV se poderá pagar mais depressa do que ela supunha e que a venda de umas quantas acções da TVI à PT não deveria fazer grande mossa à liberdade de informação. À mesma hora a RTP2 dava um jogo de hóquei em patins. Assim vai o país.
segunda-feira, julho 06, 2009
REPORTAGENS PARA MENTECAPTOS
Quem veja e ouça as reportagens que as televisões - todos os canais sem excepção - têm realizado a anteceder a apresentação de Cristiano Ronaldo no Estádio Santiago Bernabéu não poderá deixar de ficar com a sensação de que elas se dirigem a mentecaptos. O nível das respostas tem acompanhado o nível das perguntas e estas dizem tudo sobre algum do mau jornalismo televisivo que se faz em Portugal. Perguntar a jovens adolescentes que passam horas a fio sentadas à porta de um estádio de futebol, num portunhol rasca, se querem casar com o seu ídolo, se o rapaz é bonito, qual o número que terá na camisola ou o que esperam dele, é pura inanidade. Quando esse exercício imbecil se prolonga durante dezenas de minutos, abre os noticiários e justifica a mobilização de múltiplos meios, como se a apresentação (nem sequer é um jogo) de um jogador de futebol o justificasse, talvez seja de começar a pensar que alguém enlouqueceu. Como da parte dos partidos políticos ninguém se manifestou até agora, presumo que estão todos de acordo com o espectáculo. Não sei se esta constatação não será bem mais gravosa para a saúde mental deste país do que o par de cornos, salvo seja, que Manuel Pinho ofereceu a Bernardino Soares na Assembleia da República e que tanta histeria provocou.
sexta-feira, julho 03, 2009
MEMÓRIA DE ELEFANTE
Não se trata do livro de António Lobo Antunes, mas do oportuno post que os Papéis de Alexandria, por compreensíveis razões, publicaram. Não subscrevo o texto e não concordo com o argumentário dele constante. Mas num país sem memória e sem coerência, seria bom que alguns responsáveis políticos o relessem.
HÁ SEIS ANOS A FALAR PARA OS PEIXES
Já lá vão mais de 6 anos, mas por manter actualidade, por coincidir com a demissão de Manuel Pinho e com a comparação que Alberto João Jardim fez do Governo da República à Máfia, e visto que ainda hoje escrevi sobre isso no Delito de Opinião, aqui fica o que há mais de seis anos escrevi no semanário Ponto Final, expurgado das partes do texto que apenas diziam respeito a Macau e com a constatação de que alguns dos que então eu ainda considerava titulares de alguma dignidade retórica terem, entretanto, ficado pelo caminho:
A IMPORTÂNCIA DA CREDIBILIZAÇÃO DO DISCURSO POLÍTICO
Tenho observado, com um misto de incredulidade e estupor, a forma como alguns dos protagonistas da vida pública (...) se mimoseiam entre si no confronto cívico e político. Não raras vezes o discurso raia o insulto soez, talvez o reflexo de uma aprendizagem pouco comprometida com as regras da democracia.
De Dahl a Luhman, de Sartori a Juan Linz ou de Aron a David Held, têm sido inúmeros os politólogos que se têm ocupado da definição dos critérios mínimos da democracia. E se parece aceite que a competição entre diferentes propostas, partidos e candidatos é uma virtude única dos sistemas constitucionais democráticos, também se evidencia que a competição tem de obedecer a regras previamente definidas e aceites por todos dentro de um patamar de liberdade e respeito sem o qual a democracia não funciona.
Todavia, não basta que tal patamar de liberdade e respeito seja alcançado para a democracia se afirmar, se esse desenvolvimento não for acompanhado, concomitantemente, de uma elevação e credibilização do discurso político e da sua prática. Uma e outra coisa são indissociáveis.
A afirmação de um discurso político linear e coerente por parte dos actores políticos e de todos aqueles que aspiram a uma intervenção de cariz cívico é o primeiro passo para garantir uma maior participação dos cidadãos e a indispensável credibilização de um sistema político democrático. Mesmo em escalas quase microscópicas.
Raymond Aron ao alinhavar as virtudes modernas do funcionamento dos regimes constitucionais pluralistas elencou três: o respeito pelas leis, a existência de opiniões próprias e o sentido do compromisso. E esse mesmo autor recordou a lição de Platão, segundo a qual, muito embora seja por vezes difícil manter o equilíbrio em todos os momentos entre todas as componentes do sistema, era pelo menos fundamental que a democracia não se corrompesse, sendo que a degenerescência dos regimes começava quando os governantes se comportavam como governados e os governados como governantes. Por vezes é mais fácil do que parece chegar a esse ponto.
Um dos primeiros indicadores do nível de uma democracia é dado pelo discurso político. A sua análise e o resultado das percepções deste no conjunto dos cidadãos é susceptível de revelar o grau de preparação ou impreparação dos dirigentes, a natureza das preocupações destes e, ainda, o maior ou menor grau de aceitação do discurso pelos respectivos destinatários.
(...)
Em Portugal, é hoje indiscutível que o discurso político tem constituído, pese embora algumas excepções, um poderoso estímulo à não participação dos cidadãos na vida democrática e um factor de descredibilização dos políticos e do sistema. Basta atentar no discurso de homens como Guterres, Guilherme Silva, Alberto João Jardim, Carlos Carvalhas, Paulo Portas, Isaltino Morais, Santana Lopes, Freitas do Amaral ou Mário Soares, para já não falar de muitos dos autarcas ou até do próprio Jorge Sampaio, para se perceber algumas das razões por que os políticos estão tão mal cotados na bolsa das profissões. Um estudo recente colocava-os no fim da escala, sendo o primeiro lugar ocupado pelos... bombeiros. Nem mais. Antes bombeiro que político.
Para que melhor se perceba do que estamos a falar, podemos distinguir, fundamentalmente, quatro tipos de discurso. O discurso gongórico, redondo, que aparentando falar claro nada diz e cuja mensagem acaba por se perder nos seus rodriguinhos. São exemplos deste tipo os discursos de Sampaio ou Guterres. Um outro tipo de discurso é o discurso demagógico-incisivo, pleno de carga retórica, destinado a impressionar as audiências sem nada acrescentar. O discurso de Portas ou Santana Lopes é um exemplo deste. Em terceiro lugar temos o discurso panfletário, incoerente, destinado a confundir os auditórios e a corresponder, de acordo com o calendário político ou a evolução dos acontecimentos, à necessidade de intervenção e de protagonismo de um actor ou grupo, às exigências eleitorais dos partidos ou dos seus líderes. São exemplos deste tipo os discursos dos deputados Guilherme Silva, Francisco Louçã ou Odete Santos. Por fim, temos o discurso político por excelência. Este será o discurso ponderado, sensato, que obedece a uma linha de raciocínio lógico ao longo do tempo, solidamente estruturado em valores e que, por vezes, tem alguma dificuldade em atingir os seus destinatários. Constituem exemplos deste tipo de discurso as intervenções de Adriano Moreira, de Pacheco Pereira, de Paulo C. Rangel, de António Vitorino ou dos falecidos João Amaral e Luís Sá.
Naturalmente que existem vários factores que influem na aceitação da mensagem, nomeadamente o carisma do actor político, a sua capacidade de se fazer ouvir, a maior ou menor dificuldade de acesso aos media ou a difusão e tratamento que sejam dados à mensagem pelos jornalistas.
Há, contudo, uma personalidade na vida pública portuguesa, cujo nível e inteligência das suas intervenções, independentemente de se gostar ou não das ideias, que já constitui um modelo. Trata-se do actual cardeal patriarca de Lisboa que, não sendo um político, tem sido capaz de afirmar um modelo de intervenção pautado pelo rigor, pela simplicidade e pela elevação discursiva. Estou à-vontade para dizê-lo pois que não só não tenho especial apreço por padres, como não sou um seguidor acéfalo dos modelos do Vaticano.
Posto isto, gostaria de sublinhar a necessidade dos actores políticos, em especial em Macau, pela influência que esse tipo de intervenção pode ter numa vasta camada da população que desconhece os modelos e as regras por que se deve pautar a intervenção democrática, serem capazes de reger a sua acção por modelos discursivos claros, simples, sérios e elevados.
A veemência do discurso atabalhoado, a intervenção que revela ignorância ou o simples insulto, apenas têm como efeito afastar os cidadãos da participação. A comunidade portuguesa de Macau tem a obrigação de ser a primeira a dar um exemplo de participação democrática, assente em padrões de respeito, decência e elevação. E isso pode começar já pelo discurso. Afinal, é também por aqui que uma democracia se distingue de uma choldra.".
POIS NÃO
"Na Assembleia Regional da Madeira, faz-se humor e sátira mas sempre de uma maneira que não leva à demissão, seja de quem for", disse ontem Alberto João Jardim em Faro. E eu, por uma vez, tenho de estar de acordo com o presidente do Governo Regional da Madeira. Pois não, lá ninguém é levado à demissão. Só lhe faltou dizer que na Madeira os touros envelhecem na praça, com o bandulho cheio e inebriados pela poncha. Deve ser esse o projecto de Macário Correia para Faro.
quarta-feira, julho 01, 2009
DIA DE DELITO
Hoje também escrevi umas coisas no Delito de Opinião.
TUDO ENGATADO
A confirmar-se a notícia do Diário de Notícias de que Luís Filipe Vieira está impedido de se candidatar nas eleições marcadas para dia 3 de Julho, isto significa que a esperteza saloia não lhe serviu para nada. Pode ser que assim os seus peões percebam que o Benfica é um clube bem maior do que os mais de 100 anos que já leva de história e que merece outra gente, com outro nível, à frente dos seus destinos. Da mesma forma que ninguém perdoa ao macho que bate na mulher e que depois diz que o faz por amor, também neste caso as manifestações de amor à camisola não chegam. Quando a estupidez é confundida com saber e inteligência não há amor que se salve. O glorioso SLB há-de sobreviver a mais este mar encapelado de vaidades, de protagonismos e de oportunismos.
PARA LER E PENSAR
"En realidad, la cuestión de fondo estriba en la descomposición prolongada, desde hace casi 20 años, de las élites políticas y culturales italianas de derechas y de izquierdas. El berlusconismo se manifiesta ante todo como el síntoma de tal descomposición, pero como su base social es ampliamente popular, parece evidente que la responsabilidad de la izquierda italiana también es aplastante.
La principal consecuencia de esta situación es más grave de lo que parece. La disgregación de la voluntad general mayoritaria, unida a la emergencia de la voluntad de poder berlusconiana, conduce de pleno a uno de los vicios más letales de la democracia, denunciado en la Antigüedad griega por Aristóteles: la transformación del sistema democrático en un sistema demagógico. Porque la demagogia, además de ser lo contrario a la ley democrática del término medio, es también la forma de expresión privilegiada de todos los populismos." - Sami Naïr, El Pais, 27/06/09
La principal consecuencia de esta situación es más grave de lo que parece. La disgregación de la voluntad general mayoritaria, unida a la emergencia de la voluntad de poder berlusconiana, conduce de pleno a uno de los vicios más letales de la democracia, denunciado en la Antigüedad griega por Aristóteles: la transformación del sistema democrático en un sistema demagógico. Porque la demagogia, además de ser lo contrario a la ley democrática del término medio, es también la forma de expresión privilegiada de todos los populismos." - Sami Naïr, El Pais, 27/06/09
"(...) la personalizzazione è un fenomeno inerente alla leadership: tanto più questa è autorevole e forte tanto più s’identifica inevitabilmente con la persona di chi l’esercita. Né tenevano conto del fatto che i regimi democratici, proprio per il pluralismo che caratterizza le loro società, hanno quanto mai bisogno di una leadership forte e unificatrice" - Ernesto Galli della Logia, Corriere della Sera, 25/06/09
"La migliore osservazione sul Partito democratico l'ha fatta Claudio Velardi, ex collaboratore di Massimo D'Alema: al Pd, dice Velardi, serve un «pazzo», nell'accezione positiva del termine, uno che si prenda il partito sparando sul quartier generale. Un leader che unisca estro, solidità culturale e credibilità. E la caparbietà necessaria per dedicarsi a un lungo lavoro di ricostruzione culturale e politica. Senza farsi condizionare troppo dai vecchi oligarchi del partito o da centri di potere esterni" - Angelo Panebianco, Corriere della Sera, 30/06/09
terça-feira, junho 30, 2009
DEBATE SUADO
O debate patrocinado pelo Observatório do Algarve que ontem à noite teve lugar, em Faro, entre José Apolinário e Macário Correia, constituiu a primeira amostra da renhida competição que aí vem. Pese embora os dichotes habituais de meia dúzia de tipos mal educados, mais interessados em dar nas vistas do que na discussão, o debate permitiu começar a perceber as diferenças entre os candidatos. Enquanto José Apolinário aposta na informação e na seriedade do trabalho realizado, Macário Correia apela ao marketing e ao sonho. Alguns ecos do debate podem ser encontrados também aqui. Aguardam-se os próximos encontros.
domingo, junho 28, 2009
SILÊNCIOS QUE FALAM POR SI
"Não façam promessas que não podem cumprir. Falem só a verdade às populações", recomendou Manuela Ferreira Leite aos candidatos a autarcas do seu partido na convenção regional autárquica do PSD/Algarve. De acordo com o relato do Observatório do Algarve "no final do seu discurso, Manuela Ferreira Leite abandonou a sala de congressos do Pavilhão do Arade, em Lagoa, sem falar aos jornalistas". Ou seja, deu o exemplo aos candidatos: começou a falar verdade.
quinta-feira, junho 25, 2009
PONTO FINAL
Depois de um longo interregno, o Ponto Final voltou às ondas da blogosfera. Hoje com o merecido destaque ao falecido Nuno Barreto.ELE É MAIS DAS BICICLETAS
"Entendo que a abrangência de vontades e de correntes de opinião não pode senão engrandecer a tarefa que nos propomos"
"Alargamos o leque de apoios porque é também da diversidade que vão surgir dinâmicas de crescimento"
"Os Farenses descobriram o caminho para o êxito da Cidade e do Concelho."
"Macário não esqueceu a Universidade, as colectividades de cultura e recreio. Os muitos públicos que se suscitam quando se pensa Faro neste âmbito."
"Urge pois, olhar para a Baixa e Centro Histórico com especial atenção antes de fazer estas zonas encarar, indefesas, mais um colossal empreendimento comercial."
"Importa pensar em articular o investimento em comércio que se vai fazer "em cima do relvado". Reflectir nas consequências de mais uma centralidade comercial (...)"
Estas frases, entre muitas outras de tarar, constam de um opúsculo colorido que me foi largado na caixa do correio pela gente do engenheiro Macário Correia. Não sei se foi o candidato quem escreveu os textos, mas pela amostra da prosa, se isto é assim em campanha quando ainda tem de convencer os eleitores para "refazer de Faro uma capital", imaginem agora os despachos que hão-de sair da Câmara se ele um dia lá chegar. Vai ser de gritos.
UM HOMEM À ALTURA
Não é por ter sido meu professor e eu ter uma estima muito particular por todos aqueles de quem um dia tive a sorte de aprender alguma coisa de útil para a vida e para a profissão, mas do professor Jorge Miranda retive sempre a ideia de que era um homem sábio e sério como poucos. Com a vantagem de ser educado e generoso para com todos, como só alguns eleitos conseguem. Ao ler hoje aqui que ele retirou, desiludido, a sua candidatura ao lugar de Provedor de Justiça, percebi que ele tomou a única decisão possível num homem decente. Aquilo que a candidata apoiada pelo PSD não foi capaz de fazer, fê-lo ele com toda a dignidade. Pena é que esta gente não aprenda nada. Quem fica a ganhar são os seus alunos.
ALGUMA VEZ HAVIAM DE REPARAR EM NÓS
O artigo de Don Tapscott no The Huffington Post era a ajuda que Sócrates precisava numa altura em quase tudo lhe corre mal. Quando Portugal é elogiado no Canadá por causa do programa tecnológico isso só pode servir para elevar a auto-estima nacional. Vamos aguardar a reacção da Dr.ª Manuela.
terça-feira, junho 23, 2009
À ATENÇÃO DA FERNANDA CÂNCIO...
... que ainda no sábado passado escreveu uma peça sobre o general Rocha Veira, na edição do Diário de Notícias, este pequeno mas bastante elucidativo texto do insuspeito Nuno Lima Bastos (PSD). Aqui. Há homens que nunca hão-de aprender nada, nem sequer com os próprios erros. Talvez por isso mesmo depois de serem quase tudo e terem quase tudo acabassem tristemente a subscrever anúncios para o BPP sobre a estratégia do retorno absoluto.
sexta-feira, junho 19, 2009
MOÇÃO DE CENSURA
O ressuscitado CDS/PP do Dr. Portas estava convencido de que apresentava uma moção de censura e voltava para as parangonas dos jornais. Quarenta e oito horas depois e uma ou duas frases bem colocadas do acossado Vítor Constâncio retiraram o CDS/PP dos jornais e bastaram para o fazerem voltar aos 3 ou 4% de importância que a comunicação social lhes reserva. Têm de treinar mais vezes.
ETA NO!
Uma vez mais a besta voltou a atacar. Agora em Arrigorriaga. Mais um dos nossos, como disse Patxi López, caiu. Aos 49 anos. Outra vida ceifada, mais uma viúva, mas dois órfãos. Não pode haver tréguas contra o terrorismo. A ETA não passará, os bascos e a democracia vencerão. SOMÁLIA? NÃO, NÁPOLES
A notícia de hoje do Corriere della Sera dando conta de mais um ataque de piratas ao jeito somali no mar de Posillipo, próximo da costa de Napóles, reacende o debate sobre a pirataria e as formas de melhor a combater. Desta vez foi às portas Europa, longe do corno de África. O incidente vem reavivar os ataques piratas de Agosto de 2005 em Ischia e Capri. Talvez por isso o melhor mesmo seja ficar por cá este Verão.
terça-feira, junho 16, 2009
CLARIFICAÇÃO DE CONCEITOS
Em dia de prova de Português, verifica-se que não sendo pedido ao Vitalino Canas, ao António Vitorino ou ao António Costa que façam a adequada clarificação de conceitos em sede de Direito Constitucional, acaba-se por recorrer a sociólogos de ocasião que fazem uma grande confusão entre uma maioria parlamentar e uma maioria absoluta. Enfim, coisas que a minoria absoluta tece.
segunda-feira, junho 15, 2009
DIREITO DE RESPOSTA
Hoje resolvi escrever nesta casa. Política é com eles.
sexta-feira, junho 12, 2009
TRANSUMÂNCIA AUTÁRQUICA
Macário Correia, candidato do PSD à Câmara de Faro, de acordo com o Jornal Região Sul, anunciou a formação de uma coligação pré-eleitoral com o CDS/PP, com o MPT (Movimento Partido da Terra) e o PM (Partido Monárquico). Aqui pude também confirmar a notícia. Só se esqueceram de nela incluir José Vitorino. Ainda há dias eu falava de falta de memória, de coerência e de equilíbrio, e logo me surge esta "coligação" no horizonte. Eu já sabia que o PSD/Algarve era uma espécie de girândola. O problema é que às vezes funciona mais como detector de cheiros e aí vira-se para onde vem o cheiro, o que nem sempre coincide com o local de onde sopra o vento, em especial se não houver vento. Não foi preciso muito para nova confirmação deste comportamento sui generis. Basta olharmos um pouco para trás para verificarmos, por exemplo, que o PSD/Faro só permitiu a aprovação do Programa Polis nesta cidade in extremis, engolindo um sapo para não ficar com o odioso de ter permitido o desperdício de alguns milhões. Fê-lo numa altura em que Tavira e Loulé já haviam aprovado o Polis e depois de se opor à demolição de casas nas ilhas-barreira. Ou seja, exactamente o oposto daquilo que Macário Correia sempre defendeu. Segue-se, pois, o apoio a um candidato que sempre pregou a favor dessa demolição, sem que primeiro se esclarecesse o eleitorado sobre a posição que a Câmara de Faro irá defender sobre esta matéria, caso o PSD vença as eleições autárquicas. Normal. Como normal foi inundar a cidade de cartazes e painéis com a figura alaranjada do inchado candidato, logo no dia seguinte às eleições europeias, esquecendo-se que antes o próprio candidato anunciara uma campanha contida, com poucos meios e sem espectáculo. A coligação que se anuncia é o corolário da "estratégia" do PSD/Faro. O cheiro do poder, mesmo breve, é o único factor de unificação. Nesta matéria, o PSD/Faro, com a benção do seu soba regional, sem memória e sem coerência, é exemplar. A transumância autárquica anuncia a antecipação da silly season.
FORÇA, LAMY!
Mais um fim-de-semana em Le Mans, mais uma grande prova em perspectiva com 6 portugueses em pista. Para já a pole position ficou com a marca do leão. Uma magnífica volta de Stéphane Sarrazin, feita quase à meia-noite de ontem e não obstante o muito tráfego em pista, atirou o Audi R15 com o n.º 1 para a segunda posição. Mas é do carro que fez o 3º tempo e que vai sair da 2ª linha da grelha que os portugueses mais esperam. Amanhã, a partir das 7h30m, será o warm up. A partida é às 14h. Para acompanhar no Eurosport durante todo o dia e toda a noite.BERARDO À PRESIDÊNCIA
Pois a mim parece-me que é altura de se acabar com a "desgraça". Que tal V. Ex.ª chegar-se à frente e encabeçar uma equipa para pôr as coisas na ordem? Não convém que se atrase e depois também será melhor não se chegar aos microfones. Contrate alguém que fale por si e verá como a coisa vai piar mais fino. Além de que não temos de ser dotados para tudo: basta arranjar as pessoas certas para os lugares certos. Não lhe parece?terça-feira, junho 09, 2009
POLÍCIAS SEM BONÉ OU SEM NORTE?
O triste espectáculo que ontem um grupo de polícias deu à porta da residência oficial do prinmeiro-ministro até podia ter, e acredito que tivesse, as mais nobres motivações, apesar de ser difícil acreditar que estando em jogo subsídios, folgas e promoções isso tenha alguma nobreza. Dignidade certamente que terá numa perspectiva profissional e de discussão pública de questões que a todos, e não apenas aos polícias, dizem respeito. Ou deviam dizer. Mas a forma desvairada como alguns se comportaram para as câmaras, o atirar do insulto gratuito ao primeiro-ministro, insulto do teor daqueles que em simples discussões de trânsito já deram lugar a processos por parte de polícias queixosos, e o arremeso indiscriminado de bonés e chapéus, não contribuiu em nada para a dignificação da sua luta e a conquista da opinião pública. Ninguém gosta de ver polícias descontrolados aos berros e aos insultos tomando atitudes de crianças de escola. Foi demasiado mau para ser verdade.
UM CHICO-ESPERTO NÃO FARIA MELHOR
A antecipação de eleições para os órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica peca por tardia. Porém, se levarmos em conta as declarações mais recentes do presidente do SLB e os comunicados da SAD relativamente à permanência de Quique Flores, percebe-se a razão da antecipação. Em causa não está a preparação da nova época, porque uma direcção que vai tomar posse depois de 3 de Julho já tem de ter a época planeada, o plantel minimamente consolidado e as dispensas e contratações finalizadas ou, pelo menos, em fase muito avançada. Como alguns sócios disseram, o que está em causa é uma "golpada" visando a recandidatura de um homem que a si próprio se considera um gestor magnânimo mas que anda há cinco épocas a contratar treinadores por dois anos e depois despede-os no final do primeiro ano pagando avultadas indemnizações. Antes de ter convocado eleições, Luís Filipe Vieira devia ter começado por dizer aos sócios quanto já pagou em indemnizações a treinadores pelo seu despedimento prematuro, se a mudança de treinador todos os anos faz parte do plano de estabilidade para o Benfica e se ao fim destes anos todos ter apenas um jogador na selecção nacional é o remate do plano que o levou à presidência. Os benfiquistas reconhecem e agradecem-lhe o esforço que fez para a consolidação financeira do clube e a construção do novo estádio, mas não têm agora de ficar eternamente a pagar-lhe o "empenho". Era só o que nos faltava.
segunda-feira, junho 08, 2009
VENCEDORES E DERROTADOS DE 7 DE JUNHO
OS VENCEDORES:
OS DERROTADOS:
1. José Sócrates e Vital Moreira: Ignoraram todos os sinais que vinham da sociedade, mantiveram um discurso para idiotas, convencidos de que a propaganda faria o resto. Esqueceram-se de que as pessoas têm sentimentos, pagam impostos e não suportam a teimosia arrogante. As declarações de ontem mostram que não querem entender o resultado. Insistem em fazer uma destrinça que o eleitorado não faz. Se o resultado não é um cartão rosa ao Governo é o quê? O resultado do mau desempenho dos parlamentares europeus do PS? Não sejamos ridículos.
1. Manuela Ferreira Leite, Paulo Rangel e o PSD: Conseguiram segurar o partido e levá-lo a um resultado eleitoral de excepção face às sondagens. Não responderam à letra aos dislates de Vital Moreira. Souberam ser pacientes, exploraram o descontentamento com conta, peso e medida e souberam centralizar o discurso, desvalorizando as intervenções pessimistas de alguns opositores internos. Foram os únicos que acreditaram e o eleitorado recompensou-os por isso.
2. Bloco de Esquerda: A agressividade discursiva continua a dar frutos em alturas de acentuada crise. O desacerto de algumas políticas socialistas, as intervenções infelizes de dois ou três ministros, a falta de resposta atempada aos problemas por parte do Governo, a forma como o grupo parlamentar do PS se tem comportado em questões decisivas para o interesse nacional (offshores, Europa, impostos, rendimentos do mercado de capitais, justiça, banca) e o modo como se lidou com Manuel Alegre e as críticas que vinham de dentro, deram-lhes a oportunidade de brilhar. Teve mérito indiscutível, mas contou com a ajuda da crise. No Algarve teve um resultado histórico. A crise instalou-se a Sul.
3. Paulo Portas e Nuno Melo: Contra ventos e marés seguraram o partido sozinho. No parlamento e fora dele mostraram serviço. Falam uma linguagem clara e directa, embora com laivos populistas e apoiada na ignorância de vastos sectores do eleitorado. O seu resultado vai moderar as expectativas do PSD para Outubro.
4. Manuel Alegre: Sem ir a votos, mostrou de que lado estava a razão dentro do partido. Manteve-se sereno e ontem quando foi ouvido pela comunicação social manteve a elevação não pedindo a cabeça do primeiro-ministro.
OS DERROTADOS:
1. José Sócrates e Vital Moreira: Ignoraram todos os sinais que vinham da sociedade, mantiveram um discurso para idiotas, convencidos de que a propaganda faria o resto. Esqueceram-se de que as pessoas têm sentimentos, pagam impostos e não suportam a teimosia arrogante. As declarações de ontem mostram que não querem entender o resultado. Insistem em fazer uma destrinça que o eleitorado não faz. Se o resultado não é um cartão rosa ao Governo é o quê? O resultado do mau desempenho dos parlamentares europeus do PS? Não sejamos ridículos.
2. Partido Socialista: Desconsiderou militantes, ostracizou os críticos, estalinizou-se. Os dirigentes continuam a falar sozinhos. A política de clã, o seguidismo militantemente acrítico e a aposta na infalibilidade dos dirigentes, trazida pelos ex-comunistas, foi agora posta a nu. A democracia e a renovação não se fazem com yes men, com as palmadinhas de Chávez ou o destrabelhamento discursivo de alguns ministros e dirigentes nacionais. Se depois do resultado de ontem tudo ficar na mesma até Outubro é sinal de que José Sócrates quer sair da política para descansar à sombra dos seus quatro anos de governação. Vara, Coelho e Gomes terão então o parceiro que lhes faltava para a sueca.
3. Jerónimo de Sousa e o PCP: Segurar o eleitorado pode parecer uma vitória. Mas quando se levou os últimos meses, oportunisticamente, à porta das fábricas e das escolas e a organizar manifestações contra o Governo, tentando comandar o descontentamento popular, para se acabar atrás do Bloco de Esquerda que há dez anos não tinha nem 2% dos votos, isso só pode ser visto como uma derrota. Se o PCP e os seus apêndices tivessem sido capazes de capitalizar as críticas ao Governo vindas dos sectores de esquerda descontentes com o PS poderia ter tido um resultado histórico. Como esses votos foram direitinhos para o Bloco de Esquerda, os dirigentes comunistas agora limitam-se a roer as unhas em silêncio e a fazer de conta que tiveram um grande resultado.
4. PSD Algarve: O PS perdeu no Algarve cerca de 30 mil votos, mas estes não foram para o PSD. É isto que os seus dirigentes não conseguem explicar quando proclamam vitória. E não conseguiram ganhar em Vila do Bispo, onde são poder, em Lagos e em Portimão.
5. PS Algarve: Miguel Freitas terá de rever estratégias. Perder 30 mil votos em quatro anos não é culpa do atraso na regionalização. A hecatombe nacional e a crise não explicam tudo.
sexta-feira, junho 05, 2009
CENÁRIOS PÓS-ELEITORAIS
Como amanhã é dia de reflexão este blogue também estará de pousio. Daí que, antes que outros o façam por mim e depois me acusem de plágio, quero aqui deixar as minhas perspectivas pós-eleitorais. O estado do país não permite imaginar muitos cenários. Com ou sem obras públicas, é certo e sabido que a crise está para continuar. Uma vitória do PS, ainda que tangencial, poderá constituir um novo fôlego para as autárquicas e as legislativas de Outubro, catapultando o PS para novas vitórias, sendo que as últimas sê-lo-ão sempre sem maioria absoluta. Mas ainda é possível dar a volta para se obter um resultado que não comprometa de vez as aspirações do partido. Bastará que o primeiro-ministro resolva acabar rapidamente com o filme em que tem apostado, se livre da tralha do socratismo e de alguns actores de série B que o têm exuberantemente acompanhado, e se decida a realizar uma curta-metragem de grande impacto. Eu recomendo uma coisa do género daquele filme português que ganhou este ano a Palma de Ouro em Cannes. Ou seja, terá de arranjar meia-dúzia de actores competentes, daqueles que só por si enchem a pantalha, um guião credível e um realizador à altura. Mesmo com meios limitados é possível fazer muito melhor. Não antevejo uma derrota do PS, em especial porque as pessoas já perceberam que uma vitória do PSD assumiria contornos de verdadeira catástrofe. Alguém imagina um parque aquático repleto de escorregas e de miudagem, sem guardas, com uma mãe que detesta confusões e que está permanentemente a mandá-los calar e a estarem quietos, enquanto os filhos (Rangel, Macário, Marques Mendes, Menezes, Passos Coelho, Morais Sarmento, Santana Lopes, Mendes Bota) não lhe ligam nenhuma, cada um a falar para o seu lado, a rirem-se, a comerem gelados, com todos a acotovelarem-se, batendo-se e discutindo para ver quem desce primeiro os escorregas, ao mesmo tempo que o filho mais velho (Rui Rio) diz que não é nada com ele e que não foi ele quem lhes comprou os bilhetes? Pois é, este é o cenário mais provável em caso de vitória do PSD no domingo. Arrepiante! Confesso que desta forma não me estou a ver chegar a Outubro inteiro. Por outro lado, qualquer que seja o vencedor no domingo, a irrelevância eleitoral da CDU manter-se-á. Não há votos de protesto úteis, embora por vezes, salvo o devido respeito, haja idiotas úteis. Já a influência do Bloco de Esquerda poderá vir a ser decisiva se o seu resultado eleitoral melhorar e se o partido conseguir meter mais um deputado em Bruxelas. Em tal hipótese, a possibilidade de haver um aumento de coligações pré-eleitorais disfarçadas nalgumas autarquias (PS/BE) não será de desdenhar. O Bloco também quer e gosta do poder. Quer para o PS quer para o Bloco é fundamental ganhar votos à CDU para chegarem aos próximos actos eleitorais com mais força. Um reforço da CDU não só não trará quaisquer benefícios para o país, aumentando a conflitualidade social e as lutas laborais, como reforçará nos portugueses a convicção de que este país não sairá da crise nos próximos anos. Para o CDS, apesar da boa campanha que tem feito, onde Nuno Melo é cada vez mais o homem na calha para substituir Portas em caso de débâcle, qualquer resultado que se traduza em menor número de votos - mesmo sem perder mandatos - será sempre um mau resultado. Como o CDS promete sempre mais do que aquilo que é capaz, ao contrário do que dizem os seus dirigentes e o partido sabe, o modelo Portas está esgotado. As perspectivas não são boas. A queda de Portas, a que se poderá seguir nova vitória interna, é só uma questão de meses. O partido não tem massa crítica, limita-se a seguir o líder e continuará a fazer o que este disser. Só os seus militantes poderão decidir se preferem manter um CDS/PP com Portas, com muito alarido e sem qualquer expressão eleitoral, ou se preferem um partido mais moderno, renovado, com outra gente e outro rumo. Quanto aos novos partidos/movimentos que se apresentam a estas eleições não faço qualquer previsão. Espantar-me-ia se algum deles elegesse um deputado. Mas na actual situação o desespero pode levar a tudo. Quem no meio disto tudo, depois de perder uma parte da poupanças e de se ver misturado nas confusões da SLN/BPN por causa de umas acções que já nem possui, será o Presidente da República. Só lhe restará pensar como irá desembrulhar-se deste atoleiro em que se meteu. Por mim, não deixarei de votar, mesmo contrariado. Domingo por esta hora já nos estaremos a preparar para saber alguma coisa de mais definitivo.
GOSTEI...
... de ouvir Miguel Portas, o Armani boy do Bloco de Esquerda, a explicar as razões para a sua equipa, em campanha eleitoral, ser obrigada a mudar o percurso previamente delineado para a Rua de Cedofeita (Porto). Dizia ele que como as comitivas dos outros partidos concorrentes se dirigiam para o mesmo local, não estava disposto a participar no "circo" (sic). Mas se não estava disposto a participar no circo, então para que raio levava ele na comitiva os bombos, os palhaços, os malabaristas, os ilusionistas e as majoretes do Bloco de Esquerda?
A IMPORTÂNCIA DO PORTUGAL-ALBÂNIA PARA AS EUROPEIAS
Lembraram-me há pouco que Portugal, leia-se a selecção portuguesa de futebol, joga amanhã com a Albânia. Nas palavras do seleccionador nacional é um jogo decisivo. Já Cristiano Ronaldo, a nossa prima donna mais conhecida depois da senhora D. Amália, afirmou com bastante lucidez que se não ganharmos na Albânia não merecemos ir à África do Sul. Confesso que partilho desta opinião. Para figuras tristes já bastaram as que o meu Benfica e Luís Filipe Vieira fizeram esta época. Dentro e fora de portas. O problema é que um resultado negativo não só nos atira para lá de Bagdad, em relação ao meridiano de Pretória e às odaliscas do presidente Madaíl, como pode levar a abstenção nas eleições europeias de domingo a resultados inimagináveis. Basta que os postes, as traves e o Ronaldo não colaborem com José Sócrates. Uma derrota na Albânia, na véspera das eleições, com um adversário tosco e sem currículo, que nos afaste do Mundial de futebol, só pode ter como consequência um aumento exponencial da desilusão nacional e, por essa via, da abstenção eleitoral. Aí, o tão propalado empate técnico virará vergonha nacional. Nenhum português se levantará no domingo de manhã para votar, ainda por cima com um tempo manhoso, depois de um empate ou de uma derrota pungente em Tirana. Vai estar tudo ressacado e preocupado a discutir o futuro... do Queirós e do Madaíl, obviamente. Até me admira como é que o PSD ainda não culpou o Governo, embora as eleições sejam marcadas pelo Presidente, para o descalabro que poderá acontecer. Não sei mesmo se algum dos nossos líderes já pensou nisto, mas se não quiserem que a abstenção bata todos os recordes possíveis e imaginários, talvez seja de mandar um recadinho aos foliões que partiram para a Albânia. Se eu fosse o primeiro-ministro pedia ao Laurentino Dias para lhes mandar a mensagem. Ele é o tipo certo para esta tarefa: tem a voz colocada, volume substancial e com dois berros dele aquela malta põe-se toda em sentido. Não convém é que tenha o José Lello por perto, senão ninguém o levará a sério e os miúdos vão logo perguntar se o major Valentim Loureiro é que vai pagar o prémio de jogo.
quinta-feira, junho 04, 2009
TRABALHAR PARA O BONECO
O Le Monde não é, nem nunca foi, um jornal de direita. Mais razão para nos espantarmos com que o hoje ali se escreveu. Não que não seja verdade, mas acima de tudo porque desfaz algumas ilusões. As campanhas internacionais do ministro Manuel Pinho e seus pares parece que só dão direito a medalhas em Loulé. Atribuídas pelos homens do PSD. A culpa não é das sondagens e estas coisas não ajudam. Seria bom que depois de 7 deJunho o PS e o seu líder se deixassem de diletâncias. Só confiança não chega. O António Vitorino que o diga.
A PARTIR DE HOJE
Continuo aqui, mas de quando em vez também irei andar por outra casa. Por uma casa com mais gente, mais debate e mais leitores. O Pedro Correia e o Delito de Opinião lembraram-se de mim. Fiquei sensibilizado e não podia fazer-lhes a desfeita.
20 ANOS DEPOIS
O manto de silêncio continua a cobrir tudo e todos. A revolta foi trocada pela inserção no sistema ou pelo exílio. Coincidência ou não, vinte anos depois de Tiananmen um ex-maoista apela ao voto democrático nas páginas do Público e este mesmo jornal recorda as eleições que na Polónia marcaram o fim do comunismo. Há 20 anos atrás, num hotel de Tóquio, sozinho, acompanhei os acontecimentos com ansiedade e emoção, enquanto do lado de fora um grupo de manifestantes apelava à desmilitarização da península coreana e se manifestava contra os Estados Unidos. As palavras de ordem não mudaram muito. O mundo também não está melhor. Está apenas mais comodista e mais silencioso.quarta-feira, junho 03, 2009
AS EUROPEIAS E A RECONDUÇÃO DE BARROSO
O Le Monde pergunta hoje se a divisão na esquerda europeia será suficiente para reconduzir Durão Barroso à frente da Comissão Europeia. A pergunta é oportuna e reflecte a incomodidade provocada pelo texto publicado no blogue Coulisses de Bruxelles que pôs em relevo o facto de 8 antigos dirigentes socialistas europeus (Mário Soares, Felipe Gonzalez, Lionel Jospin, Paavo Lipponen, Aleksander Kwasniewski, Gerard Schröder, Constantino Simitis e o austríaco Franz Vranitzky) terem subscrito um manifesto contra a reeleição de Barroso, colocando em xeque o apoio, prematuro na minha opinião, de Zapatero e José Sócrates à reeleição do nosso compatriota. Jean Quatremer enfatiza aliás, o desconchavo que é apoiar "sem vergonha" um candidato que mostrou sobejamente o seu apego à desregulamentação do mercado. É certo, como ali se sublinha, que Tony Blair não subscreveu esse manifesto, tanto mais que Barroso foi "invenção" sua. Mas nesta altura, pensando na Cimeira dos Açores, no Iraque, em Gordon Brown e nos sucessivos escândalos que abalam a democracia de Sua Majestade, será que ainda alguém está preocupado com o que Blair pode pensar? Neste momento temos 21 governos conservadores na Europa, não sendo neste momento seguro que o panorama se mantenha após 7 de Junho. De qualquer modo, parece-me já ser tarde para o PS se demarcar da posição de José Sócrates. E não será a catilinária eleitoral que o fará mudar de campo. Mas lá que é incómodo, lá isso é.
P.S. A penúria em que o PSD vive é tão grande que embora este partido pretenda reconduzir Barroso e explorar a óbvia divergência entre os discursos de José Sócrates e Vital Moreira, foi incapaz de dirigir ao cabeça de lista do PS a única pergunta cuja resposta poderia influenciar o eleitorado: É mais vantajoso para Portugal apoiar para próximo presidente da Comissão, como quer Vital Moreira, um candidato não-português saído da esquerda europeia, ou será melhor apoiar um português do campo liberal que, por acaso, é neste momento o presidente da Comissão Europeia? Não há milagres.
EXEMPLOS QUE VÊM DE CIMA
Fiquei hoje a saber pela imprensa estrangeira que Sofia, Rainha de Espanha, viajou na Ryanair num voo entre Madrid e Santander pela módica quatia de 13 libras esterlinas. Enquanto entre nós temos administradores de empresas públicas e banqueiros que embora manifestamente incompetentes exigem mordomias de estadão, aqui bem ao lado é-nos dado um exemplo de simplicidade e grandeza. Apesar de estarmos a travessar tempos de crise, acredito que não foi por avareza ou falta de meios que a soberana não viajou de Falcon ou na 1ª classe da Ibéria. Num país em que o estatuto é conferido pelo Mercedes e pelo BMW (comprados a crédito e pagos a prestações ao longo de anos), pelo cartão de crédito na marisqueira ou pela gravata berrante, é bom saber que de Espanha, ainda que haja quem pense que não vem bom vento nem bom casamento, sempre vão chegando bons exemplos.
terça-feira, junho 02, 2009
PROVEDOR
Parece que é amanhã que Nascimento Rodrigues porá termo à baixa definitivamente. Este imbróglio podia ao menos ter servido para pôr as meninges dos nossos deputados a funcionarem. Não sei como vão desta vez resolver o problema, mas eu sei como o resolveria para o futuro: anúncio da Assembleia da República a publicitar o concurso até 90 dias antes do termo do mandato daquele que estiver em exercício, apresentação de candidaturas nos 15 dias seguintes, selecção de três nomes pelo parlamento e envio destes ao Presidente da República para que proceda à escolha e marque a data da posse. Mais coisa menos coisa, e estava o assunto resolvido.
CADA VEZ MAIS PARECIDO
Com o Fernando. Na tristeza e no sonho. Mas também na pobreza e nos vícios. Mas há alturas em que o Alberto é que diz bem: "Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se abre a janela".
sexta-feira, maio 29, 2009
A CDU DO DR. RANGEL
Ainda não foi desta que Nascimento Rodrigues pôde conhecer o seu sucessor e fazer a mala. Os partidos voltaram a não se entender e nenhum dos candidatos a Provedor de Justiça conseguiu ser eleito à 2ª volta. A posição do PCP/CDU é a todos os títulos notável. Criticou os outros partidos, em especial PS e PSD, por não se entenderem, mas ele próprio foi incapaz de apresentar um nome que pudesse fazer o pleno. Vai daí resolveu inviabilizar a escolha de um provedor, mantendo-se "neutral". O PCP não vê o mal que isto faz à democracia, mas também não está preocupado com isso porque a sua democracia é de sentido único e usa palas. A sua teimosia só é comparável à do PSD, comportando-se neste caso como uma extensão do partido do Dr. Rangel. Se eu estivesse no lugar de Maria da Glória Garcia saía da corrida. Não só dava uma lição de humildade, como prestava um serviço à democracia e ao interesse público. A sua hora poderá chegar depois, tanto mais que ainda é nova e tem currículo para isso. Além de que o país poderia finalmente prestar tributo ao Prof. Jorge Miranda e a tudo aquilo que ele já fez, e continua, a fazer por nós. O que resta de são no regime ficar-lhe-ia grato.
POIS É, UM PARTIDO COM LELLOS A MAIS
É evidente que se tivesse que escolher entre Maria de Belém e José Lello não hesitaria um minuto a pensar. Entre a elegância e o bom senso dela e a esperteza carreirista dele, escolheria definitivamente a primeira. É aflitivo ver como perante a evidência do disparate aparece sempre um Lello pressuroso a defendê-lo. Não ao partido, está-se a ver, mas ao disparate. Por que será que só se ouve a voz de Lello quando vem a terreiro atacar os camaradas do partido que não pensam como ele, os que são capazes de pensar pela sua própria cabeça e que não dependem do partido e de José Sócrates para viver? Cada um à sua maneira, Dias Loureiro num lado, José Lello no outro, acabam ambos por ser uma imagem de marca do regime e daquilo que a partidocracia tem de mais deplorável. Para dar palco aos pequenos lellos, assim se vai esfumando a maioria absoluta e minguando o PS aos olhos dos cidadãos. Em classe e inteligência.
PARA QUANDO O DEBATE APOLINÁRIO/MACÁRIO?
Aqui há uma semanas foi divulgada a notícia de que Macário Correia desafiara José Apolinário para um debate em Faro, onde ambos são candidatos à Câmara, e que o segundo manifestara a sua aceitação. Entretanto, o tempo passou e nunca mais se ouviu falar no assunto. Terá caído no esquecimento? Arrependeram-se? Alguém me disse que o problema estaria com os assessores que José Apolinário queria levar para o debate. Confesso que não acreditei, mas ao fim deste tempo já começo a estranhar o silêncio. O povo não compreende. Ó Zé!, deixa-te de tretas e atira-te a ele. Põe-me gás, ruído e movimento nessa campanha e se quiseres uma ajuda para preparar o debate dá-me uma apitadela. O Macário é só tamanho e verborreia. Ele não tem gente. Não te acanhes, homem, mostra o que vales sem bigode!
OS CUSTOS DA POLÍTICA
Amy Diamond decidiu protestar de uma forma original contra o escândalo das despesas dos parlamentares britânicos pagas com dinheiros públicos. Poderá não conseguir uma maior transparência na vida política e nas despesas dos políticos, mas não deixa de ser original e refrescante. As fotos são da Reuters via Corriere della Sera.
Este blogue, onde também se luta por uma maior transparência e uma maior participação feminina na vida política e onde se cultiva, sempre que possível, a beleza, não poderia ficar indiferente à campanha e solidariza-se com Amy Diamond. Como se diria no Abrupto, clicando na fotografia fica na dimensão ideal. A SUBIR
Os dados divulgados relativos à última sondagem Expresso/SIC/Renascença indiciam uma subida nas intenções de voto favoráveis ao PS e à CDU. Se quanto a esta o resultado parece deitar alguma água na ebulição em que vive o Bloco de Esquerda ante a perspectiva de vir a ser a terceira força política nacional, já quanto ao PS a sondagem pode revelar-se enganadora. A sondagem realizou-se entre os dias 25 e 27, ou seja, ainda apanhou a intervenção de Oliveira e Costa na Assembleia, pelo que será legítimo pensar se não estaremos já perante o efeito Dias Loureiro/BPN.
quinta-feira, maio 28, 2009
UMA PERGUNTA INOCENTE
Depois de ver e ouvir uma reportagem em vários canais televisivos com o magistrado relator do acórdão que devolveu uma menor à Rússia, e sem pôr em causa ou sequer discutir as razões jurídicas que estão por detrás da decisão, apenas me ocorre perguntar se é legítimo que o titular de um órgão de soberania dê uma entrevista sem mostrar a cara? Admite-se como justificação para tal comportamento que um magistrado diga que não está para ser incomodado na sua vida privada pela decisão que subscreveu? Se agora os juízes se escondem para que a gente não lhes fixe o rosto, amanhã serão os procuradores a fazerem o mesmo em relação às acusações que subscrevem e não tardará estarão todos a fazer julgamentos encapuzados. Será isto digno de um Estado de Direito democrático e de uma magistratura corajosa? E os deputados passarão também a ser entrevistados de cara tapada? Que diz a isto a agremiação do Dr. Martins e o sindicato do Dr. Palma? E o Conselho Superior de Magistratura? É assim que a magistratura portuguesa se dignifica e se dá ao respeito aos olhos dos cidadãos? A não ser que o velho e muitas vezes citado brocardo latino ubi commoda ubi incommoda não se aplique à classe do Venerando Desembargador e aos seus pares da Relação de Guimarães. Mas se assim for, então a distância que nos separa da Birmânia ou da Venezuela começará a ser muito pequena.
quarta-feira, maio 27, 2009
E DEPOIS DA RENÚNCIA?
Consumada a renúncia do senhor conselheiro, há cinco coisas que fico a aguardar:
1. A rápida conclusão da investigação parlamentar;
1. A rápida conclusão da investigação parlamentar;
2. Que o Ministério Público não fique a dormir na forma;
3. Que se apurem as verdadeiras razões que estão por detrás da nacionalização, isto é, se para além de se pretender acautelar o risco sistémico da falência do BPN e proteger os particulares se visou também proteger alguém e em caso afirmativo quem;
4. Esclarecimento das verdadeiras responsabilidades do Banco de Portugal e da sua supervisão na actual situação;
3. Que se apurem as verdadeiras razões que estão por detrás da nacionalização, isto é, se para além de se pretender acautelar o risco sistémico da falência do BPN e proteger os particulares se visou também proteger alguém e em caso afirmativo quem;
4. Esclarecimento das verdadeiras responsabilidades do Banco de Portugal e da sua supervisão na actual situação;
5. Que o Presidente da República não se lembre de nomear Miguel Cadilhe, outro banqueiro ou um velho companheiro de partido, para a vaga deixada por Dias Loureiro.
QUEIMAR A REELEIÇÃO EM LUME BRANDO
Têm sido vários os conselheiros de Estado que têm apelado à suspensão de funções de Dias Loureiro. O último foi um homem sério e lúcido e chama-se Lobo Antunes. Fala ele num "dever patriótico" para a cessação de funções do homem no centro do alvo. Espantar-me-ia que depois de se saber o que se sabe de Dias Loureiro este ainda tivesse algum sentir patriótico. As artes cénicas estarão mais de acordo com a sua natureza e se o fizer neste momento isso será sempre visto como mais um gesto encenado e carregado de dramatismo do que uma decisão em defesa do órgão e de quem o nomeou. Aliás, a confirmar-se esta notícia do Correio do Manhã, se o Presidente da República não tomar rapidamente uma posição que o distancie do atoleiro onde está o seu conselheiro, o país não se vai esquecer disso quando for a hora da reeleição. Seria deveras aborrecido que por um capricho se fosse queimando em lume brando o prestígio da Presidência da República e do Conselho de Estado. A defesa do interesse nacional e das instituições democráticas não pode continuar a ser permeável ao amiguismo, ao tráfico de influências e ao poder clientelar. Os portugueses não lhe perdoariam.
INTRIGANTE
Qualquer que seja o juízo que se faça da intervenção de Oliveira e Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito, aquilo que de mais intrigante e insultuoso se vê, é a forma como toda aquela gente se serviu da democracia, do Estado de direito e dos cargos que ocupa para se engrandecer, ignorando os interesses das sociedades e dos seus accionistas, o dinheiro dos depositantes, os partidos de que são militantes ou o país que lhes deu a identidade. É claro que ninguém vai sair limpo, a começar pelo Banco de Portugal, mas pelo exercício de ontem, talvez seja do Ministério Público instaurar desde já um inquérito às comissões pagas pela EDP em Marrocos. Daquilo que ainda se conseguiu ouvir, antes de por instantes desligarem o microfone do depoente, as tais comissões não passam de corrupção pura e simples para garantir a vitória em concursos. A comissão tem trabalhado bem, mas seria bom que agora começássemos a saber os nomes dos bois e dos comissionistas. Essa será a única forma de se apurar para onde foi o dinheiro e se poder fazer justiça. Este país já só vai à martelada. O polvo está em todo o lado.
terça-feira, maio 26, 2009
BPN, OLIVEIRA E COSTA E DIAS LOUREIRO
As declarações desta tarde de Oliveira e Costa, na Comissão Parlamentar da Assembleia da República que investiga os negócios do BPN, são a machadada final na credibilidade de muita gente, a começar na de um certo senhor Conselheiro de Estado que, como já se tinha visto, se considerava e considera na conta de quem não é. Se havia quem tivesse dúvidas sobre o papel desempenhado pelo sinistro conselheiro e a sua lábia, perdeu-as hoje. Espero que o Presidente da República esteja a acompanhar as declarações do seu ex-secretário de Estado com muita atenção.
MAS QUE ADVOGADOS SÃO ESSES?
Já dei a entender que não alinho no radicalismo do actual bastonário, mas também não subscrevo acriticamente o primeiro abaixo-assinado que me aparece. Mas esta notícia do Público ultrapassa todos os limites ao referir que o grupo de advogados que pretende convocar uma assembleia geral extraordinária para destituir Marinho e Pinto prefere "não dar a cara". Não sei com quem o Público falou, só que legitimamente duvido da seriedade dessa notícia. Se isso fosse verdade, então não estaríamos na presença de advogados, mas de seres desvertebrados. Advogado que se preze dá a cara e assina o nome. A coragem é o seu primeiro atributo e o anonimato não faz, nem nunca fez, parte do léxico da advocacia. Pobres dos cidadãos e das democracias que não podem contar com a frontalidade e a coragem da advocacia. Os que uns têm a mais em palavras têm outros a menos em atitude.
sábado, maio 23, 2009
DE VOLTA À 1ª LINHA DA GRELHA
Enquanto no Algarve se desespera por um pouco de sol, o Grande Prémio de Mónaco de F1 promete bastante apesar dos azares de ontem de Álvaro Parente. O regresso da Ferrari à primeira linha da grelha é um bom sinal.
sexta-feira, maio 22, 2009
CORREIO INTERNO
A continuar assim a "guerra" não tarda e esta respeitável e nobre instituição, que foi porto de abrigo de muitos cidadãos desprotegidos e de advogados perseguidos, vai entrar rapidamente em estado pré-demencial.
PATAMAR DA EXCELÊNCIA
(foto Luís Forra, Lusa, via CM)
Primeiro participou na inauguração de um dos mais abomináveis empreendimentos privados do concelho de Loulé (Dunas Douradas), apadrinhado pela nata local do Presidente do PSD/Algarve. Agora foi condecorado com a Medalha de Ouro da cidade de Loulé pelos magnânimos Patinha Antão e Seruca Emídio. E o próximo passo qual será? Participar na campanha do PSD? O ar enlevado do senhor ministro só pode ter uma explicação: atingiu o patamar da excelência!
quinta-feira, maio 21, 2009
NÃO CONTEM COMIGO

Várias pessoas amigas têm-me feito insistentemente chegar um convite, assinado pelo Presidente da Fundação Jorge Álvares, que reza o seguinte: "Neste ano de 2009 em que se assinala o 10º aniversário da transferência da Administração de Macau para a República Popular da China, no meu nome, no dos ex-Governadores Garcia Leandro, Melo Egídio, Almeida e Costa, Pinto Machado, Carlos Melancia e Rocha Vieira - e no da Fundação Jorge Álvares, venho convidá-lo a participar num Encontro de Macau, um almoço de convívio alargado das pessoas que nasceram, viveram ou trabalharam em Macau durante o período da Administração Portuguesa. Terá lugar já no dia 27 de Junho, um sábado, pelas 13H00, em Mafra. Queremos simultaneamente pedir-lhe que divulgue esta iniciativa pela Família que o acompanhou em Macau e pelos Amigos que lá fez. E, como temos que saber com quantas pessoas contamos, apenas lhe pedimos que se inscreva através do telefone 21 315 32 82, do fax 21 315 19 44, ou ainda do e-mail fundacao@jorgealvares.com".
É claro que quem manda um convite destes fá-lo por amizade e sem segundas intenções. Mas quem acompanhou os últimos anos da presença portuguesa em Macau, assistindo ao que eu assisti e escrevendo o que então escrevi e mantenho; tendo, por fim, acompanhado o parto da Fundação Jorge Álvares e o triste espectáculo que rodeou a forma quase sinistra como Rocha Vieira promoveu a sua constituição, escondendo-a das novas autoridades de Macau e do então Presidente da República Jorge Sampaio, não poderia certamente contar com a minha presença. Há espectáculos nos quais me recuso a participar. Por coerência com o meu passado e com aquilo que sempre defendi. Também por convicção. E com mais razão o faço se ainda por cima esses espectáculos são pagos ou comparticipados por uma fundação constituída com dinheiros públicos e que só serviu para deslustrar e envergonhar o nome de Portugal. Por mais anos que passem, há coisas que a memória não apaga. Retomando uma velha ideia de Malraux, um homem não se define por aquilo que é ou foi, mas por aquilo que os outros ainda podem esperar dele. Pode ser que esteja errado, que seja só convencimento, mas acredito que os meus amigos e os cidadãos de Macau que durante anos me acolheram e leram, ainda esperam de mim mais alguma coisa do que ver-me a almoçar ou a jantar com os senhores da Fundação Jorge Álvares com o pretexto de rever os amigos. Não critico quem vai, mas creio que Macau merecia mais dos seus ex-governadores. Fica assim explicada, para quem pensava que 10 anos é muito tempo, a razão da minha ausência.
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