sexta-feira, outubro 31, 2008

LEITURA PARA SÁBADOS FRIOS

"Reconheço que a minha geração, bem como a anterior, deu imenso a Portugal desde 1974 e fez o país progredir em três décadas tanto como a generalidade dos países europeus só progrediu em cinco ou seis decénios. Mas falhámos, quase por completo, em três pontos essenciais: não conseguimos manter um crescimento económico acelerado; não melhorámos a qualidade e os conteúdos do ensino secundário; e, sobretudo, não fomos justos, nem eficazes, nem generosos, no combate à pobreza, na redução das desigualdades e na generalização da solidariedade social. Portugal é hoje o país da Europa ocidental com maiores desigualdades sociais, com maior percentagem de pessoas a viver abaixo dos mínimos internacionalmente aceites, com mais elevado grau de injustiça fiscal, com maior número de habitantes a viver em barracas, nomeadamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e com uma quase total desprotecção do Estado em relação às famílias afectadas pelo drama das doenças mentais incuráveis".

Tirando os exageros habituais, quer-me parecer que por uma vez viu a realidade. Nunca é tarde para nos reconciliarmos com a nossa consciência.

DIPLOMACIA ECONÓMICA

A leitura desta notícia do Público (cfr. a edição impressa tem mais desenvolvimentos) é fundamental para se continuar a perceber Angola e a "diplomacia económica" de alguns governos, incluindo o nosso. A forma como se silenciam e branqueiam esta situações espelha a alma que move alguns interesses. Curioso seria também ouvir José Saramago e o PCP sobre esta matéria. A não ser que este seja o preço da paz, e o silêncio o da compostura politicamente correcta.

JOSÉ VITORINO

O ex-presidente da Câmara Municipal de Faro e actual vereador ainda não reagiu a esta notícia, pela qual se ficou a saber que vamos todos, contribuintes e munícipes, ter de desembolsar, para já, mais de 400 mil euros para pagar os danos de uma expropriação mal conduzida. Provavelmente, depois, ainda teremos de desembolsar outro tanto, mas o senhor vereador vai atirar as culpas para quem veio a seguir, como aliás já se tornou habitual. De qualquer modo, sabendo-se que era ele o presidente da Câmara em 2002 e que a autarquia nem sequer constituiu mandatário para contestar a acção judicial, o que só por si revela a forma desleixada como a autarquia era governada, espera-se que agora, que a sentença vai transitar em julgado, o vereador José Vitorino ou PSD Algarve se cheguem à frente e contribuam para pagar os custos de mais esta irresponsabilidade política. Pelo menos desta vez não vão poder esconder-se atrás dos atrasos da regionalização, nem atirar as culpas para Lisboa.

quinta-feira, outubro 30, 2008

O REGRESSO DA PITONISA

Quem tivesse ouvido esta manhã as declarações do general Loureiro dos Santos certamente que concluiria estar o país à beira de um novo 25 de Abril. Todos sabemos que as primeiras e verdadeiras razões deste, independentemente das boas e generosas intenções de uns quantos, depois associadas a outros factores, foram problemas de carreira e de natureza salarial. Mais de 30 anos volvidos sobre a data da instauração da democracia, o general Loureiro dos Santos, que é uma figura respeitada e respeitável do meio castrense, veio lançar para os microfones da TSF um alerta perfeitamente despropositado. As suas declarações, mais do que chamarem a atenção do poder político para a situação nas Forças Armadas, constituem um tónico para todos aqueles que contam com a desestabilização das instituições e as dificuldades do país para obterem benefícios corporativos. Os problemas do país afectam a todos e os militares não podiam ficar imunes. Os portugueses não querem voltar a ter militares a desfilarem fardados no Rossio, mas a democracia e as instituições também não podem tolerar "avisos" ameaçadores da tropa, mesmo quando veiculados pela voz de um general. O general Loureiro dos Santos, no tom, na forma e no estilo que imprimiu às suas declarações, prestou um mau serviço ao país. Se amanhã houver jovens militares a fazer disparates, já se sabe a quem pedir responsabilidades: a quem não soube enquadrá-los nem comandá-los nos tempos de crise.

quarta-feira, outubro 29, 2008

IMBECILIDADE FRATERNAL

Enquanto houver católicos que admitem festejar o seu próprio aniversário na Capela Sistina gastando mais de 100.000 euros recolhidos através de donativos dos fiéis, não vale a pena pregar contra a pobreza. Já não chegava a voz de falsete de Bento XVI e o seu insuportável retrogradismo. Agora também temos que aturar a imbecilidade do mano Ratzinger.

NÃO PERCEBI

Confesso que não percebi esta notícia do Diário de Notícias. Parece-me bem que as trafulhices sejam devidamente esclarecidas e denunciadas se constituírem matéria do foro criminal. O que me faz espécie é que tudo isto seja encenado e o Ministério Público se preste a participar na pantomina propagandística do banco presidido pelo Dr. Miguel Cadilhe. Então agora "chama-se" o MP para ir receber as denúncias e as queixas? E o MP vai? Não existe outra forma de fazer estas coisas? O banco não tem advogados, computadores e papel? No meu tempo aprendi que estas coisas se faziam discretamente, pelos canais próprios, e que a discrição era apanágio dos banqueiros e da magistratura. Hoje em dia parece já não ser assim. Chama-se o MP e dá-se uma conferência de imprensa. Será que é esta a melhor via para aumentar o número de depositantes? Ou a confiança no sistema bancário?

DIZ-ME COMO CONTRATAS, DIR-TE-EI QUE EMPRESÁRIO ÉS

O anúncio feito pelo primeiro-ministro do aumento do salário mínimo nacional para 450 euros, já a partir do próximo ano, desencadeou de imediato uma onda de contestação por parte dos nossos distintos "empresários". Actualmente fixado em 426 euros, pelo menos desde 31 de Dezembro de 2007 (cfr. Decreto-Lei n.º 397/2007) que se sabia que em 2009 seria fixado em 450 euros. Sócrates limita-se a cumprir um objectivo anteriormente fixado pelo seu Governo e já anteriormente anunciado, como forma de atenuação das desigualdades. Bagão Félix foi uma das poucas vozes que à direita do espectro político aplaudiu a iniciativa. E fez bem. Quem tem preocupações de ordem social e conhece a miséria que ainda grassa por esse país fora não pode ficar indiferente à realidade que o rodeia. O problema dos senhores empresários que têm dificuldade em pagar salários decentes aos seus trabalhadores, porque se especializaram na contratação a prazo, impondo contratos leoninos e horários para pessoal indiferenciado com cláusulas de isenção de horário, e que resolvem os seus problemas jurídicos pedindo apoio a contabilistas e notários, para não gastarem dinheiro com advogados, é que por via da actualização do salário mínimo vão ser obrigados a rever os salários da grande maioria dos trabalhadores que recebem ligeiramente acima do mínimo. Estes são o grosso da coluna. Curiosamente, muitos dos que hoje se queixam, dizendo que as empresas não vão aguentar este aumento há muito anunciado, são os mesmos que não se incomodam em gastar um salário mínimo numa manhã de compras, num passeio de barco, numa refeição no Gigi ou na Penha Longa ou em conferências para desocupados com ex-presidentes, magnatas e políticos reformados. Sabendo-se das diferenças que existem entre Portugal e os seus parceiros europeus, mesmo os mais recentes, importa que também no combate à pobreza e à miséria disfarçada nos aproximemos dos países mais desenvolvidos. O combate à pobreza e às cada vez maiores desigualdades sociais é uma bandeira do desenvolvimento e uma conquista civilizacional, tão ou mais importante como o combate à corrupção ou ao clientelismo de Estado que tanto preocupa os senhores empresários. Qualquer nação que se preze fará disso um objectivo do século XXI. Um empresário que não perceba isto não percebe nada. E faria melhor em estar atrás de um balcão a vender chamuças. Sempre poderia ir contando os trocos.

segunda-feira, outubro 27, 2008

COERÊNCIA

O Presidente da República decidiu vetar, pela segunda vez, o novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores. As razões já eram conhecidas e foram agora reafirmadas; pese embora o facto do diploma ter sido expurgado de algumas das normas que estavam em causa. Contudo, o problema de base mantém-se. A mensagem divulgada espelha o entendimento que Cavaco Silva tem das suas funções. Quanto a isso e ao modo como as tem exercido julgo que não há nada a dizer. Concorde-se ou não, a posição é coerente e vem na linha daquilo que foi anteriormente explicado. Não há qualquer afrontamento, mas uma afirmação democrática de princípio. Tratando-se de matéria melindrosa e em que, até ver, me parece que o Presidente tem razão, talvez fosse mais avisado não insistir no erro. José Sócrates terá de agir com alguma prudência e distanciamento nesta matéria. Mas não deve ser fácil explicar aos senhores das ilhas que unanimidade nem sempre quer dizer razão. Espero que também a racionalidade não comece a faltar e que as declarações não violem patamares mínimos de urbanidade e respeito pelas instituições da República.

domingo, outubro 26, 2008

ALGUÉM PODE EXPLICÁ-LO?

Aos 28 anos tem-se tudo, faz-se tudo, é-se imortal. Federico Luzzi, tenista profissional, estrela italiana da Taça Davis, antigo nº 92 mundial, morreu ontem. Leucemia fulminante. É nestas altura que me sinto minúsculo. A morte continua a ser aquela amante perversa que nos segue por todo o lado, temida, cujo encontro é evitado, adiado, e que quando menos esperamos abre a porta e nos leva. Assim, sem avisar, de um momento para o outro.

sábado, outubro 25, 2008

"NÓS SOMOS OS FILHOS DO DRAGÃO" (SALVO SEJA)

Há alturas em que a sangria não é estancável. Encaixar 3 (três) golos num estádio chamado de "Dragão" não é para todos. Presumo que em Dezembro um tal de Cristiano Rodriguez vai jogar no Vilanovense. Outros irão dar lições de ética... para Matosinhos. Mas antes é melhor lerem o "Tratado do Desespero" de Soren Kierkegaard. Foi ele que fez a síntese das existências breves. E das glórias efémeras, digo eu.

sexta-feira, outubro 24, 2008

EVOCAÇÃO DO JOSÉ

"Vivemos numa época em cada qual fala para si mesmo na companhia de muitos outros"
José Cardoso Pires, Anjo Ancorado, Lisboa, Fevereiro de 1958.

No dia 26 passará mais um aniversário sobre o desaparecimento do José Cardoso Pires. Como não sei se nesse dia poderei escrever alguma coisa neste espaço, deixo hoje aqui a sua recordação. Para que conste. Sei que também hoje passará um documentário na RTP sobre a sua vida e obra - finalmente serviço público no canal público! - e que será alvo de uma homenagem póstuma no CCB, no domingo. Certamente com menos gente do que a Avenida da Liberdade terá nesse mesmo dia. Em todo o caso, entendi ser oportuno aqui deixar estas linhas. Porque dele não ficou apenas a obra e a memória que os seus livros representam, os quais, infelizmente, continuam tão desconhecidos da maior parte da nossa classe política e da maioria dos cidadãos deste país. Pergunto quantos deputados já leram - e compreenderam - "O Delfim", "O Anjo Ancorado", "A Cartilha do Marialva" ou "O Hóspede de Job"? Isto para já não falar de outros pequenos contos menos conhecidos, onde corvos e gatos, alguns travestidos de engenheiros, como poderiam ser economistas, se misturavam com a realidade. O José será sempre neste país uma das suas almas inquietas e um exemplo da clareza, da lucidez, da intervenção cívica oportuna e da elegante classe de um escritor, contista ou romancista, como ele próprio se gostava de classificar. E como as minhas palavras serão sempre menores e não passarão de um miar destinado a integrar os recônditos arquivos da voracidade dos dias das novas tecnologias, deixo-vos com as sempre certeiras, e por uma vez consensuais (coisa horrível, em regra) palavras do Mário Dionísio, a ver se alguém as lê, as dele e as do José:

"Como alguns mais, Cardoso Pires lutou, sobretudo escrevendo. Teve a virtude e a coragem de não descurar as longas horas, longos anos, de oficina, de ouvido atento à crítica mas só dela retendo o que pudesse interessar à expressão da sua personalidade, buscando, ousando, arriscando, melhorando sempre, até se tornar no grande escritor hoje admirado aquém e além-fronteiras. Com uma obra que, pela qualidade intrinsecamente literária e pela coerência ideológica, lhe dá a autoridade de afirmar, como 'Entre irmãos', um dia fez: "Não participar (...) do debate activo do seu país corresponde a uma alienação do exercício de escritor e a um empobrecimento desse mesmo país" - Mário Dionísio, 1980.

quinta-feira, outubro 23, 2008

DEMITIA-O, OBVIAMENTE

A rocambolesca história da alteração a um dos artigos da Lei de Financimento dos Partidos Políticos, por via da Lei do Orçamento de Estado para 2009, é sintomática da forma como alguns querem fazer política neste país. Aquilo que era uma verdadeira conquista da democracia e que se traduzia na transparência da contabilidade partidária e na responsabilização dos dirigentes e dos financiadores, por via da obrigatoriedade do pagamento de quotas e entrega de donativos por cheques ou transferência bancária, foi, como que por artes mágicas, transformada numa idiotia. O CDS e o PCP, como grandes beneficiários da inexistência de controlo, que durante anos se financiaram por meios um tanto ou quanto pouco transparentes e que ultimamente têm tido dificuldades financeiras, pura e simpelsmente silenciaram. Do CDS, ainda envolvido numa série de processos sob investigação é normal que assim seja. Paulo Portas, é sabido, especializou-se na política em apontar aos outros os defeitos que em si próprio e na sua casa não reconhece. Quanto ao PCP, campeão da defesa dos trabalhadores e de um maior controlo fiscal das finanças dos outros, quando se tratou das suas próprias finanças fez de conta que não era consigo. É claro que dá imenso jeito receber uns donativos do tipo "óbulo" para financiar campanhas sem que esses cobres entrem nas contas do partido e sejam sujeitas ao escrutínio público. O PSD só descobriu o "gato" depois da imprensa ter feito o trabalho de casa que à oposição competia. E no meu partido apenas se ouviu, uma vez mais, a voz destoante de João Cravinho. Ora, é exactamente nestas pequenas coisas que o PS deve e tem de marcar a diferença. Pela cara de Teixeira dos Santos e de José Sócrates, ou não sabiam do que se estava a passar, e eu acredito que na aflição da preparação e apresentação da Orçamento houvesse coisas que lhes podiam ter escapado, ou então essa seria uma argolada monumental. Como não acredito que estivessem de má-fé ou que tivessem admitido uma alteração dessas por ingenuidade, só posso pensar que a inclusão da mesma, que pela sua gravidade a todos os partidos devia envergonhar, foi feita por alguém bem colocado dentro de um dos gabinetes, com acesso fácil ao documento e que, por servilismo e bacoquice, entendeu ser oportuno arranjar maneira de angariar mais uns cobres por baixo da mesa para financiar as campanhas que aí vêm. Quem o fez mal pensou e pior executou. Teixeira dos Santos devia ter logo verificado a imbecilidade e corrigido o "lapso" em vez de tentar justificá-lo. Era evidente. Mas se tal alteração foi feita sem o conhecimento do ministro, então só há um caminho: investigar. Investigar quem fez tal alteração e quem a incluiu num documento daquela importância por forma tão canhestra à revelia dos responsáveis. E, depois, como é óbvio, demitia-o rapidamente. Gente dessa não interessa à política e faz mal à democracia. É aqui, nestas pequenas coisas, que o PS não pode claudicar e tem de marcar a diferença. Não pode haver condescendência nem tolerância em matérias deste calibre. Não seria são.

quarta-feira, outubro 22, 2008

DESMENTIDO EM DIRECTO

Da entrevista de Manuela Ferreira Leite à TVI, entrevista em que a entrevistadora esteve bem pior do que a entrevistada, retive, entre outras coisas, o reconhecimento de que as diatribes internas do PSD o colocam ao seu melhor nível, segundo a líder do aprtido, e o desmentido em directo das declarações de Carlos Carreiras a propósito da escolha de Santana Lopes para as próximas autárquicas de Lisboa. Como até agora não se ouviu uma palavra do vice-presidente da Câmara de Cascais, concluo singelamente que Carreiras "meteu a viola no saco". Para quem tem aspirações a líder não podia ser pior, mas todos sabemos que há males que vêm por bem.

segunda-feira, outubro 20, 2008

DIÁLOGO IBÉRICO

Sem a divulgação que merecia, mas com participantes atentos e interessados, teve lugar no passado dia 18/10/2008, no Clube Farense, um colóquio subordinado ao tema "O 25 de Abril e a transição para a democracia em Espanha". Tratou-se de uma iniciativa da delegação do Algarve (fundamentalmente de João Martins e do contra-almirante Martins Guerreiro) da Associação 25 de Abril, dirigida pelo coronel Vasco Lourenço, que contou, entre outros apoios, com o contributo da CIVIS - Associação para o Aprofundamento da Cidadania. Entre os participantes registaram-se os nomes de Aniceto Afonso, Almeida Contreiras, Maria José Tiscar, Manuela Cruzeiro e os coronéis José Luís Diez Gimbernat e José Fortes Bouzan, o primeiro fundador e o segundo coordenador da UMD. Porém, aquilo que de verdadeiramente interessante registei foi a intervenção do coronel Gabriel Cardona, historiador e professor das Universidades de Barcelona e da Califórnia. Episódios desconhecidos do grande público e que marcaram de forma decisiva a evolução das democracias portuguesa e espanhola, casos vividos no pós-guerra civil e que antecederam a queda do franquismo, a influência norte-americana em Espanha e a inexistente descolonização do Sahara espanhol, serviram de pretexto para animadas discussões. De notar ainda a presença de Josep Sanchez-Cervelló, professor de História Contemporânea na Universidade de Tarragona e autor de uma famosa tese de doutoramento sobre a Revolução Portuguesa, que ao fim destes anos todos e depois de muito ler a sua obra, tive o privilégio de conhecer, graças a um amigo comum. Pena é que numa iniciativa desta envergadura a maioria dos participantes tenha mais de 50 anos e a sala estivesse meio-vazia. Oxalá que o afastamento das gerações mais novas destes eventos e o desconhecimento da história recente de Portugal e de Espanha por parte de camadas cada vez mais vastas da população não venha a sair-nos caro.

sexta-feira, outubro 17, 2008

O VOTO DE MANUEL ALEGRE

A abstenção de voto de Manuel Alegre em relação ao pacote de apoio à banca deveria ser explicada. Não sendo ele um meias-tintas, seria bom que isso fosse esclarecido para que pudéssemos todos perceber se para ele era mais importante deixar uns milhares de portugueses ainda mais pendurados - como pretendiam o PCP e os seus acólitos - ou dar confiança ao sistema bancário e financeiro, sossegando os espíritos. Ele poderá não saber, mas consta por aí que já há quem levante aos 500.000 euros para guardar debaixo do colchão. É claro que os bancos não podem confirmá-lo, mas seria bom que ele meditasse nisso. Há alturas, como ele bem sabe, em que é preciso tomar partido. Bem sei que não é fácil agradar a gregos e a troianos, mas a abstenção nunca foi solução de coisa alguma. A não ser que a sua atitude seja já um sintoma da indiferença de quem se aproxima da reforma e já não quer saber disto para nada, o que não deixaria de ser um péssimo sinal, mais a mais vindo de onde veio.

PARA ONDE CORRE O PSD?

Num dia é Manuela Ferreira Leite a aplaudir as medidas tomadas pelo Governo de José Sócrates para fazer face à crise financeira. No outro são as críticas ao Orçamento de Estado, aparentemente sem sentido ante as declarações dos últimos meses em que sistematicamente se pedia, e com razão, uma maior atenção à classe média e aos mais desfavorecidos, um maior apoio às pequenas e médias empresas e um aliviar da carga fiscal. Se somarmos a isto as mais recentes intervenções de Marques Mendes a propósito do lançamento do seu livro, a forma como Pedro Santana Lopes foi de novo catapultado para a crista da onda, as declarações de Morais Sarmento - que se colocou na linha de partida da corrida à liderança a um ano das eleições - e, ainda ontem, as críticas excessivas, desajustadas e de sobremaneira deselegantes, de Carlos Carreiras a Pacheco Pereira, colocando o debate ao nível de um qualquer carroceiro, no que foi seguido nos Açores por Costa Neves, isto para já não falar dos interesses de deputados como Mendes Bota, que numa altura destas está preocupado com a obtenção do estatuto de utilidade pública para a associação empresarial de Almancil, uma das entidades em que faz assentar o seu poder cacical, fica-nos a sensação de que o PSD está de novo a caminho da estaca zero. A errância dos dirigentes, entrecortada pela vozearia desbragada e por silêncios intermináveis, os protagonismos pessoais, a regionalite aguda e o diletantismo, parecem ter minado de vez o partido. É impressão minha ou alguém falou num novo partido?

terça-feira, outubro 14, 2008

IMAGENS DE OUTRAS PARAGENS

Bela como sempre, a preparar a chegada do Natal, um canto da Grand Place, em Bruxelas.
Placa de homenagem aos soldados portugueses que combateram na I Grande Guerra. Descoberta graças aos bons ofícios de um flamengo, que referiu ser esse, para além de Michel Preud'homme, antigo guarda-redes do Benfica e actual treinador da equipa da terra, o único elo de ligação a Portugal em Gand.
Com um céu tipicamente flamengo, a inconfundível praça central de Bruges com as suas esplanadas ao fundo.

BRUXELAS, OPEN DAYS 2008

Bruxelas vestiu-se a rigor para receber os Open Days 2008. Dezenas de sessões de trabalho, centenas de comunicações sobre os mais variados temas. Pela minha parte, em resultado da participação num dos workshops do 3º Fórum da Sociedade Civil, retive uma palavra, da qual tenho feito um combate de há alguns anos a esta parte: transparência. Transparência na comunicação, transparência na vida pública, transparência nos procedimentos administrativos e judiciais. Este é o único caminho que pode conduzir a uma maior participação dos cidadãos, a um maior controlo dos actos discricionários e a uma melhor informação. E por essa via a um entrave efectivo às práticas clientelares e corruptivas. Fiquei reconfortado por saber que há mais gente a pensar assim por essa Europa fora. Mas é pena que Alberto João Jardim, Fernando Ruas e outros responsáveis regionais e autárquicos, que aproveitaram a semana das Regiões para reclamarem mais uns trocos, não tenham lá estado para ouvir o que se disse. De qualquer modo, sempre poderão ter acesso às comunicações no site dos Open Days. Para o ano, se Deus quiser, haverá mais.

A FORÇA DAS PALAVRAS

"La seule arme en laquelle nous devons croire,
c'est la force de la parole"


Bruxelas, 8 de Outubro de 2008, Ingrid Betancourt no Parlamento Europeu

8 de Outubro de 2008 ficará recordado na minha memória, por várias razões, como um dia especial. Nesse dia, Ingrid Betancourt esteve no Parlamento Europeu, onde proferiu um discurso genuíno, pleno de generosidade. Momentos depois dela sair ainda todos os que tiveram o privilégio de assistir à sua alocução estavam emocionados. Mais do que uma ex-candidata presidencial, ex-refém ou uma simples mulher, Ingrid tornou-se num símbolo da liberdade, da coragem e da dignidade. Mas também da tolerância, da generosidade sem limites e do amor. E os europeus só têm que lhe agradecer o exemplo. O seu discurso, magistral, pode e deve ser ouvido na íntegra aqui. Por todos os homens e mulheres de bem.

segunda-feira, outubro 13, 2008

MELHORES DIAS VIRÃO

Há dias em que nos sentimos desalentados. Esmagados pela máquina burocrática, pela morosidade administrativa, pela incompetência e irresponsabilidade de alguns dirigentes, pela ignorância, pelo desleixo e pela pesporrência de alguns funcionários públicos que só servem para dar mau nome à classe e prejudicar os contribuintes. Pode ser que amanhã ganhe ânimo e espírito para actualizar este blogue, para escrever alguma coisa de menos definitivo. Hoje estou impróprio para consumo e antes que "parta a louça" o melhor é ficar por aqui. Não há reforma nem simplex que consiga meter esta cambada na ordem.

sexta-feira, outubro 10, 2008

E DEPOIS?

Bom, depois, nada melhor do que ir até à Flandres, à velha Bruges, seguir nos passos do velho Jacques, tomar uma refeição decente, beber um vinho honesto num local acolhedor, onde a alma possa sair aquecida de uma noite fria. Aqui fica a sugestão. E aproveitem quanto possam.

TRINTA ANOS DEPOIS

"C'est très difficile de dire aux gens qu'on les aime"
Jacques Brel, 1971

Fez ontem trinta anos sobre a data da morte de Jacques Brel. O homem que era a imagem da sua própria voz e que por ela ganhou a imortalidade e um lugar no Olimpo. Mais do que uma referência, ainda hoje pouco consensual num país cada vez mais dividido pela multiculturalidade e pelo radicalismo (como ele dizia, "a Bélgica vale mais que uma querela linguística"), que cometeu a proeza nas últimas eleições de ter demorado cerca de 200 dias a conseguir formar um governo, Brel permanece como um símbolo da revolta, da liberdade, da capacidade de sonhar, de lutar e de amar até à exaustão, sempre na procura de um ideal, na realização de uma convicção. Por todo o mundo, a sua poesia, o seu espírito, o seu olhar e as suas canções permancem vivas. O leilão que no dia 8 de Outubro teve lugar em Paris rendeu mais de 1 milhão de euros. O manuscrito de Amsterdam foi transaccionado pela bonita soma de 90.000 euros. As Éditions Jacques Brel, em boa hora, promoveram uma exposição comemorativa da data e um conjunto de DVD, livros e reedições discográficas, conheceu a luz do dia. A RTBF realizou um documentário, também já disponível em DVD (distribuído pela Universal) e os dois filmes realizados por Brel - Franz e Far-West - também foram editados. Eddy Przybylski, mais conhecido como Eddy Barsky, publicou nas edições Archipel "La valse à mille rêves" (766 páginas, € 24,95). As edições Casterman reeditaram o album Brel de Gabrielle Vincent. Serge Vaillant publicou "Jacques brel, l'éternel adolescent" (192 páginas, € 49,00) e a revista trimestral francesa Chorus, Les Cahiers de la Chanson publicou um número especial dedicado a Brel. Isto para já não falar da ultima edição da Paris Match e dos numerosos artigos que ontem foram publicados em jornais belgas, franceses e suiços, para só referir alguns. Ciente de que para manter viva a lição breliana não bastará dá-lo a conhecer às gerações mais novas, sendo preciso levá-lo até onde haja uma pequenina chama, um pouco de tendresse, limito-me a convidar todos aqueles que o possam fazer a irem até Bruxelas sonhar e bruxelar. A exposição está patente na Place de la Vieille Halle aux Blés, 1000 Bruxelas, entre as 10h e as 16h, com excepção das quintas-feiras, quando encerra às 19h.

segunda-feira, outubro 06, 2008

SHINE A LIGHT

Aqui está um filme e um DVD que, como alguém já disse antes, devia ser exibido em todas as escolas de cinema. Mais do que uma homenagem aos Stones é um tributo ao cinema e ao Beacon Theatre. Scorcese traz-nos a essência do espectáculo, a magia dos Stones. O DVD tem a vantagem de nos mostrar aquilo que no cinema não foi possível ver. Chamo em especial a atenção para o momento sublime que é a interpretação de "Pain it, Black". Deixo-vos um cheirinho de uma outra versão da mesma música.

NOTÁVEL

A capa do último número da revista Unibanco é um excelente trabalho. Tão bom como a qualidade gráfica nas páginas interiores da evocação de Robert Rauschenberg, falecido no passado mês de Maio, e da Arte Pop. A reprodução que aqui deixo aqui não faz justiça ao original, já que não permite que as pessoas se apercebam das diferentes tonalidades e texturas. O melhor mesmo é comprar a revista.

ALHOS POR BUGALHOS


Num artigo publicado no último sábado na REVISTA ÚNICA, a pretexto da defesa da vereadora Ana Sara Brito, Inês Pedrosa escreve um texto no qual coloca diversas questões incontornáveis e actuais. Pedrosa enaltece a eficiência, a honestidade e todas as demais capacidades da vereadora de Lisboa, para depois perguntar "como sobreviverão os políticos honrados aos ataques insidiosos dos corruptos?". O problema é que Inês Pedrosa não percebe que o esclarecimento de uma situação que interessa a toda a comunidade não tem nada a ver com qualquer ataque insidioso a quem tem servido a causa pública. Eu fico satisfeito por saber que a vereadora Ana Sara Brito é uma mulher de coragem, que não é maleável, fraca e corruptível. E concordo com Pedrosa quando diz que "os medíocres formam máfias transversais no espectro partidário" e que não se pode deixar que os medíocres continuem a arrastar pela lama o nome de gente séria e honrada que faz falta à causa pública. O problema é que nada disso é compatível com a falta de transparência ou com o aparente aproveitamento de situações menos claras. O facto da atribuição de casas em Lisboa, ou noutra autarquia qualquer, ser um "negócio pouco transparente" é que pode levar as pessoas a pensar que há algo que não está bem. O escrutínio de todas estas situações é fundamental para que a democracia melhore e as instituições e os titulares de cargos políticos se sintam mais confortáveis nas funções que exercem. Ora, a atribuição nepotista de casas não pode fazer parte do quadro de actuação de uma autarquia, por mais louváveis que sejam as intenções. E as práticas do passado não podem continuar a justificar situações que ofendem o sentimento dominante de justiça social. Isso não tem rigorosamente nada a ver com honra e é do interesse de todas as vereadoras Anas Saras que estas situações sejam devidamente clarificadas. O que não se pode é tomar alhos por bugalhos ou reduzir as exigências de rigor e transparência quando estão em causa os nossos amigos e companheiros só porque confiamos neles. À mulher de César não basta ser, também tem de parecer, em especial para aqueles que não a conhecem.

sexta-feira, outubro 03, 2008

MUNDAKA EUSKADI 2008

É aqui, em Mundaka, no País Basco, que decorre mais uma etapa do Mundial de Surf. Tiago Pires caiu na 3ª ronda, mas isso não retira interesse à prova. A fotografia que ilustra este post já foi tirada há dois meses atrás, mas quem quiser poderá ter imagens actuais no site da Billabong, onde também poderá ver os vídeos das provas.

NINGUÉM LHE DIZ NADA?

Alguém devia ter dito ao ministro Manuel Pinho que este aborto não podia ser inaugurado por ele. Se ele tivesse lido o que aqui e aqui foi escrito há uns meses atrás, ainda menos permitiria ser acompanhado pelo deputado do PSD que apadrinhou o empreendimento. A não ser que o seu objectivo seja dar uma ajuda (política, é claro) a quem já nem sequer é escutado dentro do seu próprio partido por não merecer qualquer credibilidade. Esta indigna promiscuidade tem muito pouco de socialista. Além de ser aviltante para as pessoas de bem.

BIDEN vs. PALIN

(foto El Pais)

Pelas últimas entrevistas, entre as quais esta, em que pôde esclarecer o seu entendimento sobre a "Bush Doctrine", cada vez me convenço mais que a senhora Palin, em matéria de política externa, tem mais jeito para "miss" do que para vice-presidente.


REACÇÕES EM ITÁLIA

Napoli, fine dei sogni
Al Benfica basta un tempo
(Título e foto da Gazzetta dello Sport)

PULSÃO TOTALITÁRIA

Depois de uma noite memorável, em que o Benfica eliminou das provas europeias o Nápoles, actual vice-comandante do campeonato italiano, que não perdia há 10 jogos, por uns concludentes 2-0, tive o azar de acordar esta manhã ouvindo Joana Amaral Dias aos microfones da TSF destilar o seu feminismo autoritário com o inconfundível timbre da sua arrogância. Há de factos maneiras mais agradáveis de despertar. Então não é que a moça está zangada com o facto do PS ter imposto disciplina de voto aos seus deputados sobre "a questão" do casamento homossexual? Eu também acho que seria mais avisado dar liberdade de voto aos deputados, mas compreendo perfeitamente, e nisso também estou de acordo com a direcção do partido, que este não tenha que embarcar nas prioridades do folclore bloquista. A sujeita, que é o melhor exemplo de um certo radicalismo diletante e sobranceiro, permite-se criticar um partido estruturante da democracia portuguesa, para acusá-lo de falta de liberdade, pela simples razão dos seus deputados terem acatado, livremente, um pedido da direcção e as regras, lá está, relativas ao funcionamento democrático do partido. Para o Bloco de Esquerda a democracia é a imposição na casa do vizinho das suas próprias regras, se possível ditando-as aos outros partidos. A pulsão totalitária do Bloco é nestas ocasiões que conhece a luz do dia. As minudências não enganam. Ainda bem que é assim.

quinta-feira, outubro 02, 2008

MÁQUINA TRITURADORA

Aí está a velha máquina em acção. Enquanto uns espalham glória por essa Europa fora, outros pastam nos campos da velha Albion.

O ESTRANHO CASO DAS CADEIRAS DO CONSERVATÓRIO

A melhor voz e os olhos mais expressivos da televisão portuguesa, os de Ana Ribeiro no Jornal da Noite da RTP2, entrevistaram ontem o responsável máximo pelo Conservatório Nacional, a propósito das notícias que foram divulgadas sobre os alunos que se sentavam no chão por falta de cadeiras. A ministra da Educação disse que iria averiguar o que se passava, uma vez que a escola tem um orçamento de 3 milhões de euros. Bastou-me ouvir a entrevista para ficar com a certeza de que a averiguação é mesmo imprescindível. O director do Conservatório confirmou que o orçamento é sensivelmente de 3 milhões de euros. Depois, esclareceu à entrevistadora que gastava 70% dessa verba a pagar salários e que ficava com 170.000 euros para a gestão da escola. Elencou então uma série de rubricas, como a electricidade, a água, etc. Qualquer pessoa com um mínimo de atenção repararia que se o Conservatório gasta 70% do orçamento em salários, então fica com 900.000 euros para as restantes despesas, e não com 170.000. Esta última verba representa apenas 5,6 % do orçamento. Pelo que, conclui-se, se o sujeito dos 3 milhões tira 70% e só fica com 170.000, isso quer dizer que não sabe onde andam 730.000 euros. O director do Conservtório pode perceber muito de música e ser uma pessoa adorável. Mas só por esta pequena amostra fiquei esclarecido. Ele de gestão não percebe nada. A Ana Ribeiro foi demasiado diplomática. A ministra da Educação tem razão. É preciso saber o que se passa.



CURIOSIDADES

O Governo será hoje interpelado na Assembleia da República, na adaptada e acanhada Sala do Senado, pelo CDS/PP sobre a política de segurança. O Público antecipa algumas das posições do CDS/PP. Se atentarmos nesse discurso e nas posições defendidas pelo PCP, verifica-se uma estranha convergência de posições. Ambos querem mais polícia nas ruas e nos bairros, estão os dois contra a política de segurança interna do Governo e querem mudanças ao nível das políticas sociais. Vamos aguardar pelas posições que as luminárias do Bloco de Esquerda vão avançar, mas quer-me parecer que o desajeitado Rui Pereira vai enfrentar esta tarde uma frente comum de "centro-extrema esquerda". No lugar do ministro eu deixava-os ir falando. A demagogia não tem cor e é reconhecível à légua. A imprensa fará o resto.

COBRANÇAS DIFÍCEIS, MORTES FÁCEIS

Desde que neste país, com a conivência do Estado e a ineficácia da máquina judicial, começaram a proliferar de há uns anos para cá as empresas de cobranças difíceis, verdadeiras máquinas de intimidação e agressão sobre devedores relapsos e sobre gente pobre e ignorante, a violência privada e o funcionamento de mecanismos "alternativos" de justiça aumentou. Algumas dessas entidades até se fazem passar por empresas sérias, disponibilizando também serviços financeiros e publicando anúncios a oferecer os seus serviços na imprensa de "referência", que hipocritamente recebe os seus réditos e vai dando notícia dos crimes que lhes estão associados. Com a crise a instalar-se e a quantidade de armas que por aí anda, o resultado começa a estar à vista: multiplicam-se os actos violentos. Já não contra os devedores, mas contra os cobradores. É uma nova forma de revolta dos humilhados.

GREVE

Ontem, a cidade estava impregnada de um intenso cheiro a lixo. À noite, pelas notícias, fiquei a saber que tinha havido greve geral. Percebi então o sentido da satisfação manifestada pela filha de uma vizinha que me dissera logo de manhã não ter tido escola. Não fossem esses pequenos pormenores não teria dado por nada. Carvalho da Silva, ufano, disse que não foi uma greve geral, mas sim uma "jornada de luta". Sempre a mania das grandezas. Ou seja: uns quantos mandriões que estão sempre pendurados nas tetas do Estado - Administração Pública e autarquias - e dos sindicatos, resolveram convocar uma greve. Numa altura de crise como esta, não só a nível interno como externo, os barões dos sindicatos entenderam, uma vez mais, sob a capa da luta e da defesa de direitos, ser este o momento apropriado para colocarem em causa os postos de trabalho dos seus associados. O sindicalismo em Portugal continua ser uma pequena coutada de meia dúzia de fulanos que irresponsavelmente põem e dispõem sobre greves e jornadas de luta. Para consumo interno e sua auto-satisfação, sem qualquer benefício visível para os trabalhadores.

INFORMAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO

Quem logo à noite quiser ver o Benfica-Nápoles, não tiver o MEO e não puder, por motivo de força maior, ir ao Estádio da Luz, poderá fazê-lo aqui, em exclusivo.

quarta-feira, outubro 01, 2008