sexta-feira, abril 27, 2007

CALOU-SE O VIOLONCELO DA LIBERDADE


Nos olhos e nos ouvidos de quem acompanhou a queda do império soviético e a luta que foi travada durante anos a fio pela liberdade, contra os gulags e a ditadura moscovita, por homens como Rostropovich ou Soljenitsin, que com a sua coragem desfizeram a arrogância da nomenclatura autocrática e cleptocrática do Kremlin, ainda está a queda do Muro de Berlim. Um momento inolvidável nesse já longínquo mês de Novembro de 1989. Recordo-o como se fosse hoje. A melhor homenagem que lhe podemos prestar é escutar a sua obra. É que o vou fazer este fim-de-semana. É a única homenagem que lhe posso fazer e a minha maneira de agradecer a Deus por me ter dado a conhecer homens da craveira de Rostropovich. O mundo ficará mais pobre e mais triste, mas a nossa alma permanecerá rica e luminosa. Até mesmo quando ouvirmos o celo chorar.

Pequena biografia extraída do site da Sony Music:
"Born on 27 March 1927 in Baku, a city on the west shore of the Caspian Sea, Mstislav Rostropovich began musical studies in early childhood with his parents. His mother was an accomplished pianist, and his father a distinguished cellist who had studied with Pablo Casals. At the age of sixteen he entered the Moscow Conservatory where he studied composition with Prokofiev and Shostakovich. In 1945 he came to prominence overnight as a cellist when he won the gold medal in the first ever Soviet Union competition for young musicians. Thereafter, despite his continued battle with the communist authorities, he became one of the central figures of the music life there, for twenty five years inspiring Soviet cellists, composers and audiences alike.
Due to international recording contracts and foreign tours, Mstislav Rostropovich also came to the attention of the West. He recorded nearly the entire cello literature during this time and attracted an unprecedented large quantity of new repertoire for the instrument through his personal contact to composers such as Benjamin Britten, who wrote his Cello Symphony, his Sonata for Cello and Piano and the three Suites for Solo Cello especially with Rostropovich in mind. Other composers who have written for Rostropovich include Prokofiev, Shostakovich, Khachaturian, Boulez, Berio, Messiaen, Schnittke, Bernstein, Dutilleux and Lutoslawski.
Mstislav Rostropovich and his family departed from the Soviet Union in 1974 in the midst of a controversy that attracted international attention.
From 1969 until then Mr. Rostropovich and his wife the soprano Galina Vishnevskaya had supported the banned novelist Alexander Solzhenitsyn not only by allowing him to live in their dacha outside Moscow but by writing an open letter to Brezhnev protesting against Soviet restrictions on cultural freedom in 1970. These actions resulted in the cancellation of concerts and foreign tours for Rostropovich and Vishnevskaya, a Soviet media black-out and the cessation of all recording projects. In 1974 they were finally granted exit visas, effectively allowing them to go into exile. Four years later they were stripped of their Soviet citizenship, a decree which held until 1990.
Since 1974 Rostropovich has become one of the leading conductors in the West. He is Music Director of the National Symphony Orchestra, Washington and is a regular guest conductor of the Berlin Philharmonic, the Boston Symphony Orchestra, the
London Symphony Orchestra and the London Philharmonic. His recent recordings for Sony Classical include Schnittke´s Cello Concerto no. 2 and In Memoriam, and "Return to Russia", a unique audio and video documentation of Rostropovich´s tour of Russia in 1990 with the National Symphony Orchestra, Washington, his first visit there since his exile Other composers who have written for Rostropovich include Bernstein, Messiaen, Lutoslawski, Dutilleux, Ginastera and Benjamin Britten."

IBÉRIA




(fotos GQ)

Marta Nieto, Ariadne Artiles e Vanessa Lorenzo. Três estrelas que provam que a Península continua linda.

MADEIRA EM FESTA


A Madeira tem "um centro de saúde com médico em cada junta de freguesia", diz o incansável Alberto João, o homem que lidera a charanga insular. Só não diz quem paga a qualidade de vida dos madeirenses, nem como uma ilha com aquela dimensão faz o que faz e ainda lhe sobra para apoiar duas equipas recheadas de jogadores estrangeiros no campeonato de futebol da 1ª divisão. Agora que o deputado Bota anda por aí em grande alvoroço, "a liderar" um novo e "grande" movimento pela regionalização, eu sugiro que os partidários dessa ideia comecem por propor um referendo na Madeira. Não sobre a regionalização, mas sobre a sua independência. Estou farto da Madeira e de Alberto João e não vejo por que raio havemos de ser nós, "os cubanos", a continuar a pagar os charutos desta cambada de mal agradecidos.

É UMA FESTA PORTUGUESA COM CERTEZA

De cada vez que Marques Mendes e os seus acólitos falham nas falhas de carácter do primeiro-ministro não posso deixar de sorrir e de olhar com enlevo para a Câmara de Lisboa. Aquilo, meus senhores, não é uma autarquia, é uma escola de virtudes e os exemplos repetem-se. A grande dúvida neste momento já não é saber quando serão as eleições intercalares ou até se haverá eleições. A dúvida é mesmo saber quem será o próximo a ser constituído arguido. E a seguirmos a tese da actual presidente da Câmara de Setúbal, tudo é normal porque todos fazem. Da esquerda à direita é o poder local em força a mostrar os seus podres e a má qualidade do pessoal político. Regionalização? É para já! É que é mesmo mesmo para já!

GUERNICA

Passou ontem mais um aniversário sobre a fatídica data de 26/4/1937. A imagem da Guernica deveria ter entrado ontem, mas não foi possível. Aqui fica a recordação de umas das obras-primas de Pablo Picasso. Quer quiser vê-la pode ir até Madrid. Ela continuará por lá.

segunda-feira, abril 23, 2007

APRENDER COM QUEM SABE

O Algarve tem de tomar consciência que para criar valor em torno do produto não pode continuar a ter um ambiente do terceiro mundo. A estrada de acesso à Quinta do lago está cheia de “outdoors”, de sapatarias e bares de alterne, e isso tem um custo muito grande. O caminho entre Almancil e Quarteira está pior do que quando aqui cheguei, com obras abandonadas e bermas maltratadas. Não custa muito dinheiro atacar esses problemas. O Algarve também precisa de qualidade médica para fixar o turista residente. Dá-se um fenómeno aqui na Quinta do Lago: quando a pessoa tem problemas de saúde, vende a casa e vai embora. Isso tem sido sistemático” – André Jordan, Única, in Expresso, 21/4/2007.


E não sou daquelas pessoas que estão convencidas de que Portugal para ser um país próspero tem de acabar com as leis laborais. Penso que não é por aí. É pela iniciativa e pelo trabalho que se consegue desenvolvimento. Sempre estive ligado a empresas em crescimento e nunca tive o problema de mandar gente embora. Mesmo em Belas não despedi ninguém, porque não queria perder a equipa que esteve lá durante dez anos” – ibidem.


Este pequeno excerto da entrevista que André Jordan deu à Única é elucidativo sobre o espírito e a categoria do homem. Vale a pena ler a entrevista toda, com eu fiz de supetão, mas essas duas pequenas passagens suscitam-me, também, duas breves e rápidas reflexões.


Em relação à primeira citação, não posso deixar de concordar com o que André Jordan disse e não esquecer que a Câmara de Loulé, onde se integra Almancil e a Quinta do Lago, autarquia que já foi do Dr. Mendes Bota e é agora do Dr. Seruca Emídio, é a mais rica do país. Quem vai todos os dias à Câmara de Loulé ou tem processos naquela autarquia, naturalmente que não estranha o estado das vias de que se queixa o senhor André Jordan. E é bom que esse apelo contra o terceiro mundismo seja transmitido por quem investiu milhões na região, atraiu e criou riqueza e postos de trabalho, em suma, por quem fez pelo Algarve, mesmo com dois “ll” na versão do ministro Manuel Pinho, aquilo que muitos portugueses e locais, designadamente algarvios, como Sousa Cintra, não fazem, não fizeram, nem nunca irão fazer pela região. Por isso mesmo, quando ouço o apelo regionalista de alguns não posso deixar de pensar nas autarquias algarvias e naquilo que por algumas corre. Só visto. Contado ninguém acredita.

Quanto à segunda citação, é bom recordá-la, em especial numa altura em que se começam a conhecer, com algum detalhe, os contornos da gestão do Grupo Prasa em Vilamoura. Os nossos amigos espanhóis, depois de adquirirem a empresa de André Jordan, têm-se dedicado, paulatinamente, a destruí-la. De tudo tem acontecido. Porto de abrigo para acolher infelizes que não tinham lugar noutro lado, nem em Espanha nem em Portugal, despedimentos sumários de pessoal técnico com muitos anos de casa, diminuição de regalias de trabalhadores ao serviço, falta de visão e de estratégia, enfim, tem sido um nunca mais acabar de disparates, petulância, sobranceria e castelhana arrogância. Sou insuspeito para dizê-lo, pois as minhas afinidades com Espanha são públicas e conhecidas - a começar por alguns textos deste blogue - e o meu círculo de amigos conta, há várias décadas, com um bom punhado de espanhóis. O Administrador- Delegado do Grupo Prasa em Portugal devia ler a entrevista de André Jordan. Mas não só ele. Os seus patrões em Espanha também. E mais alguns empresários. Podia ser que aprendessem alguma coisa. Bem sei que nem todos nascem com o mesmo grau de educação, de inteligência ou têm as mesmas oportunidades. Ou assessores à altura. Mas durante a vida sempre se pode aprender alguma coisa com quem sabe. É preciso é querer e ir à procura disso mesmo. O resto virá por arrastamento. Ás vezes até a boa educação. Embora esta, como todos sabem, seja mais volátil quando aprendida na idade adulta e mais difícil de apreender nos manuais ou em aulas de formação.

sexta-feira, abril 20, 2007

JÁ É FIM-DE-SEMANA OUTRA VEZ!


Volto para a semana, com mais tempo e melhor disposição. Ainda estou a recuperar do exame de inglês, da falta de representatividade do Gato Fedorento, do descaminho do livro de termos, da mortandade na Virgínia, dos excelentes resultados do Fernando Santos, das calinadas do Luís Filipe Vieira, da ausência da deputada Odete Santos em futuros debates parlamentares e das últimas manchetes do Público. Até lá, divirtam-se. E leiam muito.

sexta-feira, abril 13, 2007

BOM FIM DE SEMANA!

(Blanca Cuesta, o produto mais explosivo da família Thyssen, aqui fotografada para a GQ)

De preferência com muitos livros, jornais, sol, mar e, se possível, gente interessante!

NÃO É COXO NÃO SENHOR


O senhor da fotografia é conhecido por Mantorras. Já marcou alguns dos golos mais fantásticos que vi. Passou por uma lesão difícil e continua a marcar golos. Cria a oportunidade e galvaniza a equipa. Ontem, depois de uma noite miserável, em que o Benfica caiu aos pés de uma equipa de segundo nível, especializada em jogo faltoso e anti-jogo (seria das riscas azuis e brancas?), Mantorras veio dizer que não é coxo e que treinando duas horas e meia por dia, como todos os outros, não percebe por que não joga. Eu também não. E ainda menos perecebo que com tanto treino se percam infantilmente cantos e livres, se atirem bolas pela linha de fundo e se façam cruzamentos por alto para um ponta-de-lança com 1,69m que joga entre duas torres e com um guarda-redes que é tudo menos inseguro. Mas percebo que seja muito difícil ganhar qualquer coisa quando o engenheiro insiste em pôr a jogar nódoas que ganhando milhares de contos por mês nem um pontapé numa bola sabem dar. É o caso de Derlei. Pedro Mantorras pode ter o passaporte e a carta de condução caducados, mas de certeza que não é coxo. Nem gago. Ainda bem. Nunca é bom deixar os engenheiros a falar sozinhos. Já se sabe no que pode dar. Mesmo quando são do Benfica. Por isso, o melhor mesmo, quando eles começam a querer falar sozinhos, é ajudá-los a encontrar a porta da rua.

P.S. Aqui há uns meses atrás, quando as coisas já ameaçavam, Fernando Santos disse que a actual equipa do SLB iria dar muitas alegrias aos sócios do clube. Hoje, depois da eliminação na Taça de Portugal por um clube da Divisão de Honra, depois do empate com o Porto na Luz, do empate com sabor a derrota com o Beira-Mar, último classificado da Liga, e da eliminação pelo Español, tenho a certeza que as alegrias estarão a caminho. O engenheiro só não disse é que para lá chegarmos teríamos primeiro que enfrentar um mar de tristezas e preparar mais uma série de dispensas das contratações que ele, o senhor Vieira e o senhor Veiga fizeram.

UMA FRASE QUE RESUME TUDO

A propósito da novela do canudo de Sócrates:


"Calculo que o que se passou estava dentro do normal inaceitável."
(Lutz Brückelmann no quase em português)

EFEMÉRIDE


Há 20 anos atrás era assinada em Pequim a Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a questão de Macau. Dos que lá estiveram alguns já nos deixaram, como foi o caso de Deng Xiao Ping, outros foram promovidos, cá e lá, e houve quem entretanto se reformasse. De todos eles apenas tenho saudades da Isabel, a loura da última fila. Perdi-lhe o rasto no início da década de noventa. Uma mulher lindíssima, cheia de charme, filha do então embaixador de Portugal em Pequim. Que será feito dela?

quinta-feira, abril 12, 2007

O BALANÇO


Da entrevista de José Sócrates, ontem à noite à RTP 1, há meia dúzia de coisas a reter, algumas das quais a exigirem novos esclarecimentos. O primeiro-ministro esteve bem, mas outra coisa não seria de esperar de quem sabia ao que ía e teve quase três semanas para se preparar. Por mim, não tenho dúvidas de que José Sócrates não pediu qualquer favor a Luís Arouca ou à Universidade Independente para obter a licenciatura. Que a Universidade e o reitor tenham "facilitado" por saberem quem ele era, já é outra questão.

As explicações quanto às razões de escolha da Universidade foram convincentes e aparentemente normais. O que foge de todo à normalidade é que ele pudesse ter sido admitido a frequentar as cadeiras que lhe faltavam, de acordo com o plano definido, sem que fosse feita qualquer prova do percurso anterior, sem a apresentação dos diplomas ou certificados necessários. Importante seria, pois, saber se em relação a todos os outros que recorreram à UNI para obterem a licenciatura, as equivalências, plano definido e documentos foram os mesmos. Isto é, os outros também foram dispensados da apresentação dos certificados e admitidos a frequentar as aulas e a fazer exames sem prévia apresentação dos certificados? Tenho sérias dúvidas.

Mas esse não é, efectivamente, um problema de José Sócrates, apenas revelando, se tal for verdade, que já nessa altura a Universidade Independente não oferecia garantias em matéria de rigor e de cumprimento das exigências da lei para poder funcionar. Normalmente, quando a esmola é grande o pobre desconfia. Neste caso, o estudante Joaé Sócrates não desconfiou de nada? Mas mesmo que tivesse desconfiado, enquanto estudante, ele "apenas" pretendia obter a licenciatura. O que lhe interessava era fazer os exames necessários e "despachar-se". Deste ponto de vista o estudante não poderá ser criticado. Mas o político pode e deve ser criticado. Exigia-se e impunha-se a este que tivesse dito ao reitor: "agradeço a sua atenção, mas primeiro vou obter os certificados e logo que os tenha na minha posse formalizarei o pedido". Isto é que seria normal.

Outra dúvida que ficou prende-se com o uso do título e o preenchimento da ficha biográfica do deputado no parlamento. É verdade que neste país qualquer borra-botas aceita ser tratado por engenheiro ou doutor mesmo que o não seja. Ainda me lembro de ouvir muita gente tratar Nuno Delerue, o ex-deputado do PSD e antigo secretário-adjunto do Governador de Macau, por "doutor". O que não é normal é que pessoas com formação deixem passar isso em branco sem nada dizer. Ou que um deputado, que à partida não será um ignaro, preencha uma ficha biográfica colocando no local destinada às habilitações "engenharia civil". Isto não é nada. Ou se tem um bacharelato, ou uma licenciatura, ou um mestrado, ou um doutoramento, ou outra coisa qualquer. É certo que depois veio a rasura, o acrescento..., mas concluir daqui por uma falha de carácter parece-me excessivo. O homem terá sido distraído, imponderado, mas isso não faz dele um trafulha nem um intrujão, nem o torna menos habilitado para desempenhar as suas funções, que é aquilo que o dr. Marques Mendes agora quer dizer quando vem pedir um inquérito.

Veja-se, por exemplo, a ficha de Hermínio Loureiro no site da Assembleia da República e o que está lá escrito: "Habilitações: Gestão de Empresas". Mas Hermínio é licenciado, é gestor, é bacharel? A dúvida é maior porque se diz que a profissão dele é "gestor" e na página do PSD de Oliveira de Azeméis, na parte realtiva ao percurso profissional, lê-se que o homem era responsável administrativo e financeiro de uma empresa chamada "Silva Brandão & Filhos, Ldª", depois foi técnico de seguros e coordenador comercial de uma seguradora. Aí se diz que tem como habilitações "gestão de empresas", no ISAG. Gestor? Quando? A dúvida permanece. Na página do Governo que integrou, referia-se apenas que Loureiro tinha a "frequência do curso de gestão de empresas". O que é isto? Frequência? No entanto, sempre ouvi os jornalistas chamarem a Hermínio Loureiro "doutor" e nunca o ouvi dizer que não o era. Até numa recente entrevista com Judite de Sousa isso aconteceu. O caso não é diferente do de Sócrates. Que pensa Marques Mendes disto? Isto torna Loureiro um desqualificado para o seu grupo parlamentar?

Quanto ao mais, a entrevista não trouxe nada de novo. Lugares comuns, chavões e conversa para tolos. O normal na política caseira.

(A fotografia é de André Kosters/Lusa, via site Portugal Diário)

quarta-feira, abril 11, 2007

A NÃO PERDER


Em Faro, no dia 5 de Maio, no Teatro Municipal: Ute Lemper. Bilhetes a € 35 e a € 40.

P.S. Por acaso já alguém reparou no estado de degradação do novo Teatro Municipal de Faro? O piso da entrada principal com as placas de pedra todas partidas, lascadas e levantadas, os estores caídos, papéis colados nos vidros dos gabinetes e nas salas das traseiras, a fazerem de guarda-sol... Para uma obra que custou milhões e deixou o Município empenhado não está nada mal, não senhor. No Algarve são todos ricos! E as Câmaras ainda mais! Nós é que ainda não nos apercebemos.

RIO DO CONTRA


Registo com natural agrado a oposição de Rui Rio à proposta de novo referendo sobre a regionalização protagonizada por alguns caciques locais do PSD. Rio pode ter muitos defeitos, o menor dos quais até nem será o da soberba. Mas pelo menos numa coisa ele tem razão: antes de um novo referendo convirá discutir seriamente o problema. Protagonismos regionais dificilmente colherão consenso nacional. Ou, parafraseando Pacheco Pereira, quem nasceu para lagartixa nunca chegará a jacaré.

SILÊNCIOS QUE DIZEM TUDO


Muita gente tem estranhado o silêncio do primeiro-ministro sobre as dúvidas levantadas pela obtenção da sua licenciatura. Mas eu também estranho o silêncio da oposição, que tirando um fogacho no dia da saída da primeira notícia, nunca mais abriu a boca sobre o assunto. Será que esse silêncio se explica pelo facto de Marques Mendes ter também dado aulas de “Direito da Comunicação” na Universidade Independente no ano lectivo em que Sócrates concluiu o curso? Não sei que especiais qualificações tinha Marques Mendes, nessa altura, que o habilitassem a dar aulas numa Universidade. Possuía um mestrado? Tinha um doutoramento? Tinha obra publicada e reconhecida? Ou o convite à leccionação foi mais um favor político?

Na minha vida profissional e académica registei numerosos exemplos de doutores que não o eram, de agentes técnicos agrícolas promovidos a “senhores engenheiros”, de simples desenhadores tratados como “senhores arquitectos”, de licenciados em Direito que se intitulavam “advogados”, de políticos analfabetos e medíocres rotulados como “estadistas” e até de professores primários que surgiam em listas do protocolo como “professores doutores”. Em Macau, até vi publicado em Boletim Oficial a elevação a licenciado de um tipo que, chegado semanas antes, era detentor de um curso que não conferia licenciatura. Outro, que era conhecido pelos calotes que dava, como fazia parte de uma clique, foi proposto para dar aulas de cidadania. E por aí fora. Nada disso é novo nem me espanta num país como o nosso em que o título na testa, mesmo que ninguém saiba como, onde e quando foi obtido, confere dignidade e honra a qualquer escroque.

Sei, todavia, que há silêncios particularmente incómodos, mas nem por isso menos significativos, e que dizem muito sobre os telhados de vidro da nossa classe política.

segunda-feira, abril 09, 2007

RECOMEÇA A CRUZADA PELO BOM SENSO



O Público noticiou ontem que, no dia 26 de Abril, vai ter lugar em Coimbra a escritura de constituição de um novo movimento destinado a reeditar o processo de referendo à regionalização.
Tal movimento, que se reclama como sendo "independente e apartidário", o que é uma outra forma de dizer que só a conveniência de um melting pot une os seus promotores, visa a recolha de 75 mil assinaturas.
Naturalmente que o problema não estará na recolha das assinaturas, já que qualquer cacique regional consegue facilmente recolher esse número com meia dúzia de bancas nos locais estratégicos de algumas autarquias. O problema está, uma vez mais, na forma subliminar como estas "coisas" se organizam e no estilo encapotado a que se recorre quando se trata de arregimentar alguns, raros, bem intencionados e os incautos e os tolos para uma causa que, a ser levada avante, se sabe já, os únicos beneficiários serão os futuros membros das oligarquias regionais e os militantes nepotistas da praxe.
Todos sabemos que o fenómeno regionalista tem tido como expoentes máximos políticos profissionais, na maioria dos casos mal preparados, cheios de limitações e sem craveira, que não conseguindo guindar-se aos lugares almejados dentro dos seus próprios partidos e do todo nacional, procuram através da regionalização obter o protagonismo a que se julgam com direito para assim se manterem nos cargos e garantirem a sua parcela de poder ad aeternum. Basta ver a forma como as famílias locais se perpetuam nos partidos e nas câmaras e se vão promovendo e assegurando cargos e negócios entre os membros mais afoitos das cliques, para se perceber que por detrás de muitos dos candidatos aos futuros cargos regionais está um fortíssimo complexo de inferioridade e de animosidade contra Lisboa e o poder central, aliás a única desculpa que sempre encontram para justificarem as suas crónicas incapacidades e insuficiências. A tentação centralista sempre foi muito forte em Portugal, é certo, mas essa não é razão para se apanhar boleia do primeiro artista que aparece a propor-nos o paraíso. O PREC regionalista que alguns querem ver terá de ser combatido com bom senso e argumentos sólidos.
Por isso mesmo, reproduzo neste post um antigo cartaz do PSD e, com a devida vénia, faço minhas as palavras de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos:

"De vez em quando aparecem uns "cromos" a querer brincar com a "caixinha de fósforos" chamada Portugal. São os "regionalistas" que têm tido, ao longo dos anos, diversos adeptos. O primeiro governo do eng. Guterres foi um deles e, suspeito, o actual também, mas ainda em surdina não vá o "chefe" maçar-se. Não faltam "regionalistas" entre os autarcas de todos os partidos. Por exemplo, pessoas recomendáveis como Mendes Bota, um poeta algarvio que usa capachinho, está sempre na linha da frente destes "movimentos". Desta vez, parece que a coisa começa para as bandas de algum PSD. Dr. Marques Mendes, apenas um conselho. Nem sequer lhes atenda o telefone."

terça-feira, abril 03, 2007

A LUTA CONTINUA...

... Contra os pitbull e todas as raças perigosas que por aí pululam com a condescendência das autarquias, das polícias e do Governo. Ontem, um homem foi atacado em Almancil. À porta de sua casa, por mais uma dessas feras desembestadas. Desta vez sobreviveu. Durante cerca de 10 minutos debateu-se sozinho contra a besta, até que os vizinhos lhe acudissem. O crime não pode continuar impune. A semana passada foi em Sintra, hoje aqui, amanhã onde será? Quem será a próxima vítima? Nesta matéria de urgente resolução só há um caminho: abate dos que aí andam e proibição total. O que não pode é continuar tudo como está, como se nada se passasse.

UMA EXCELENTE ENTREVISTA A MERECER CLARIFICAÇÕES ADICIONAIS



O Prof. Adriano Moreira, um homem sabedor que aos 85 anos respira vitalidade e energia por todos os poros, deu uma entrevista ao Público/Renascença, ontem publicada no jornal (2/4/07). Trata-se de uma excelente entrevista, mérito repartido pelos jornalistas e pela elevadíssima craveira do entrevistado. Diz o entrevistado que escreveu uma longa carta a Almeida Santos, a propósito do livro que este editou, recentemente, sobre a descolonização. Seria bom que fosse dado conhecimento público do seu teor, já que, estou certo, conterá algumas objecções aos factos e às teses do autor do livro. Quanto ao mais, retenho duas ou três passagens, que aqui transcrevo mas que não dispensam a sua leitura:

"Se estivesse na política que conselho daria? Ser-se autêntico. Ser fiel a princípios. Isso não é ser imobilista, é ser como o eixo de uma roda: a roda move-se, mas o eixo não sai do lugar. A matriz tem de ser uma escla de valores e é por isso que me tenho entusiasmado com a reedição das obras de Hanna Arendt. Qualquer partido, uma crise, tem de perceber onde está o eixo da sua roda e se reconduz tudo à autenticidade".

" (...) numa altura em que o papel dos Estados é de soberania partilhada, missões como a de assegurar um ensino superior de qualidade é uma missão de soberania que não deve submeter-se ao economicismo. Só uma mobilização da opinião pública fará com que os governos compreendam que esta é mesmo uma função de soberania".

"A respeitabilidade do Parlamento não foi restabelecida e é grave o divórcio entre a população e o aparelho do poder, tratado na terceira pessoa: "eles". Isso está a agravar-se pelas medidas da União Europeia daquilo a que chamo "políticas furtivas", isto é, aquelas que não têm a participação dos Parlamentos nacionais e não são apreendidas pelos cidadãos".

UM GRANDE FILME


Depois de nos últimos meses ter admirado,entre outros, Babel, The Flags of Our Fathers, Letters from Iwojima, The Last King of Scotland e revisitado as montanhas de Guilin nesse magnífico The Painted Veil, eis que surge Il Caimano. Algures entre a sátira, o humor e a genuidade italiana, ante a insólita aparição de Michele Placido e a podridão de um farsante feito político, com uma banda sonora irreprensível - fantástico o número dos miúdos dançando no estúdio - eis mais um grande filme numa sala com forte tradição em matéria de bom cinema. Il Caimano pode não ser uma obra-prima, mas nem por isso deixa de ser um grande filme. Ali, no King Triplex.

OS ANIMAIS FORAM À CAPITAL!



Uma vez mais, um bando de energúmenos e arruaceiros desceu até Lisboa para perturbar um jogo de futebol. Contou com o apoio da SAD do FC Porto, que lhes disponibilizou os bilhetes de acesso ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica e com a complacência das autoridades que deixaram entrar petardos numa zona supostamente segura. Partiram cadeiras, incomodaram e insultaram toda a gente, enfim, comportaram-se como já lhes é habitual. Como animais. Nada mais há a dizer. Faço minhas as palavras do Pacheco Pereira:

"Vendo as imagens da claque do Porto a ser pastoreada pela polícia por detrás das grades, cheia de indivíduos ululantes a dizer obscenidades e com dísticos elegantes e graciosos ("Carolina dá-me o teu soutien", por exemplo), lembrei-me de como o cartaz do PNR era mais bem aplicado aqui.
Eles não querem imigrantes ilegais, que vivem do rendimento mínimo, são violentos, não trabalham e pertencem a umas mafias criminosas. Enganaram-se certamente no destinatário do amável desejo de "boa viagem". Vamos dar-lhes uma oportunidade de se corrigirem."