terça-feira, dezembro 11, 2007

O PROBLEMA DAS SUPOSIÇÕES


Um juiz deste país, sabe-se lá porquê, decidiu levar a julgamento o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais. Da acusação consta, entre outras minudências, a imputação ao ex-magistrado e actual autarca de bagatelas como "branqueamento de capitais", "participação económica em negócio", três crimes de "corrupção passiva", "abuso de poder" e "fraude fiscal". Para quem não andou metido no apito dourado nem com a liga do major Loureiro e se limitava a dar uma mãozinha na gestão das poupanças de um sobrinho taxista em Genebra, tal acusação não pode deixar de constituir um atrevimento. Depois de se ter mostrado "radiante" com a eleição de Menezes para a presidência do PSD, e das efusivas declarações de Carlos Carreiras, o novo presidente da distrial de Lisboa que mostrou estar pronto a estender-lhe a passadeira vermelha, Isaltino, autarca-modelo de Oeiras, ao tomar conhecimento da acusação, esclareceu de imediato que vai a julgamento com base em meras "suposições". Sabendo-se que Isaltino Morais também foi magistrado do Ministério Público, ele lá deverá saber por que o diz. Não posso deixar de registar a perplexidade que me causou tal acusação. Compreendo a revolta de Isaltino e solidarizo-me com ele. Espero que Ribau Esteves e Carlos Carreiras façam o mesmo. Neste país de chico-espertos havia logo de sobrar para ele. Então não é que no meio de tantas suposições e de tantos crimes meteram lá o Isaltino deixando de fora da acusação o sobrinho? Como é possível que este estafermo, salvo seja, depois de ter arranjado estes problemas ao tio e de o ter metido neste imbróglio por causa de umas míseras poupanças acabe por escapar? Eu no lugar do tio não lhe perdoava. Pedia era já uma ajudinha ao engenheiro Ângelo Correia. Quem me garante a mim que este, com todos os seus contactos na Líbia, não saberá de alguém que tenha um sobrinho para a troca? Um tipo menos ingrato e capaz de o desenrascar. E nem precisava de ser um camelo. Logo agora que o PSD tem a sua direcção cheia de autarcas e de ex-autarcas e o Isaltino podia voltar numa boa. Se ele usasse capachinho, como o outro, eu ainda podia perceber. Mas não usa! Há filmes que não merecem os actores que têm. Não deviam acontecer.

domingo, dezembro 09, 2007

AINDA A TEMPO

Por manifesta desatenção e falta de tempo, têm-me passado as referências a alguns novos blogues que surgiram nos últimos meses na blogosfera. De um blogue espera-se, antes de tudo o mais, que seja despretencioso, honesto e que, se possível, nos distraia. Daí que, de entre todos eles, gostaria de aqui referir, para já e em especial, e com a promessa de que voltarei a este tema, O Hálito Azul da Tarde, da minha amiga Ana Isabel, o Pau para toda a obra do João Severino, o Gattopardo e o Estado Civil do Pedro Mexia, e o novo Origem das Espécies do Francisco José Viegas. De caminho, se quiserem, voltem a passar por aqui e por aqui para abrirem o apetite.

A NÃO PERDER

Dia 23 de Fevereiro de 2008. No Pavilhão Atlântico. Oportunidade única de rever um dos últimos grandes senhores da canção francesa: Charles Aznavour. Até lá pode vê-lo e ouvir La Bohéme aqui.

FALTA DE DECORO

Dois ex-bastonários da Ordem dos Advogados andam de candeias às avessas. Rogério Alves e José Miguel Júdice há muito que estão incompatibilizados. Júdice já foi julgado e punido, no mandato do primeiro, por eventualmente se ter excedido na crítica e numas infelizes declarações públicas que fez. Agora voltou à carga durante um debate televisivo na SIC Notícias. Alves, que teve um mandato sofrível - aí Júdice está cheio de razão -, ficou de novo ofendido. Não tinha que ficar. O direito à crítica não pode ser confundido com o insulto baixo, gratuito e soez. Cada um tem o seu estilo e Júdice, como todos nós, terá os seus defeitos. Alves também. Querer transformar uma crítica, mesmo desajustada, numa guerrilha pessoal e abrir processos disciplinares por tudo e por nada parece-me uma perfeita estupidez. De dois bastonários esperava-se mais. Dos órgãos da Ordem recém-eleitos espera-se muito mais. Em especial bom senso. Mas é este que parece estar definitivamente a faltar. Curiosamente, o mal aparenta ser geral. Basta ouvir as discussões no seio da Ordem dos Médicos, entre os actuais candidatos ao bastonato, ou as sempre hilariantes declarações do xerife dos Notários para tal se poder confirmar. Oxalá que os novos órgãos da Ordem dos Advogados ponham as coisas no seu devido lugar e não percam o seu tempo em discussões de sacristia. Todos sairão diminuídos. Os protagonistas e a advocacia portuguesa só têm a perder com estas guerras do alecrim e da manjerona.

INDUZIR EM ERRO

A manchete de ontem do Expresso referia que o empréstimo aprovado pela Câmara e pela Assembleia Municipal de Lisboa era "ilegal". E justificava tão espampanante título com um parecer ou opinião veiculado pelo administrativista Fausto Quadros e uma fotografia de dimensões muito razoáveis do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Depois, quando se lia a notícia na página 4 do 1º Caderno, verificava-se que, afinal, o problema, segundo Fausto Quadros, é apenas de votação. Isto é: tem a ver com a formação da maioria necessária para a sua regularidade formal. O Expresso acaba depois por esclarecer que o problema se resolve com uma nova votação. Quer isto dizer que a manchete não tinha qualquer fundamento. Confundir a necessidade de uma segunda votação por eventual insuficiência de votos com uma pura e simples ilegalidade não é ingénuo. As consequências de uma ilegalidade substancial, por violação da lei das autarquias locais, são bem diferentes de uma mera irregularidade formal atinente à votação. A manchete do Expresso não é, pois, ingénua nem inócua. E não sendo mera incompetência, tanto mais que a escolha e os títulos das primeiras páginas não são decididos por um qualquer servente, a única coisa que se pode pensar é que ali há má fé. E isso é muito grave numa imprensa que se quer respeitada e respeitável. Por isso mesmo, aconselha-se a direcção do Expresso a rever, com urgência, esse magnífico filme de Marco Bellochio "Sbatti il mostro in prima", de 1972, com Gian Maria Volonté e música de Ennio Morricone. O filme passou aqui em Portugal no final dos anos 70 sob o título "O Monstro da Primeira Página", integrado num ciclo da Cinemateca sobre jornalismo, no velhinho Palácio Foz. Há lições que um jornalista nunca devia esquecer.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

VENCEDORES

Muito trabalho, muita perseverança e muita coragem no meio dos centrais ucranianos saldaram-se em dois golos e a continuidade na Europa do futebol.


"Ficou provado que os autarcas de Cascais, Ílhavo e Gaia não percebem nada da Câmara de Lisboa" e que "os autarcas de Lisboa do PSD não foram atrás do aventureirismo irresponsável do senhor Menezes". Nem mais!

terça-feira, dezembro 04, 2007

TRÊS INSUSPEITOS A LER

O comentário do meu amigo Pedro Correia no Corta-Fitas, a prosa do Atlântico e as linhas que o João Gonçalves escreveu, todos sobre a crise camarária de Lisboa.

O FOLHETIM DE LISBOA

O presidente da distrital de Lisboa do PSD resolveu tentar obter na capital o protagonismo que a vice-presidência da Câmara Municipal de Cascais e o bom senso de António Capucho não lhe têm permitido conseguir ali. As declarações ontem proferidas por Carlos Carreiras, voltam a colocar em cima da mesa a necessidade de clarificação dos objectivos que movem o PSD na autarquia de Lisboa. Se quando tiveram lugar as eleições intercalares para a Câmara, depois de toda a bagunça gerada por Carmona e a rapaziada do PSD, já não era compreensível que fossem feitas eleições para um órgão deixando-se o outro de fora, solução contra a qual o PS se bateu, menos se compreende agora que tendo o PSD viabilizado o plano de saneamento financeiro de António Costa, ao abster-se nessa votação, queira num segundo momento chumbar o empréstimo na Assembleia Municipal. Por um lado, não se vê o que o PSD poderá ganhar com tal atitude. Sabendo-se à partida que os isboetas não são palermas e que o dinheiro não iria cair do céu, melhor seria que antes de se ter abstido na aprovação do plano o PSD tivesse votado contra ou solicitado os esclarecimentos adicionais, que tarde e a más horas se lembrou de pedir, antecipando as consequências da sua abstenção. É evidente que neste momento não há rigorosamente nada a esclarecer. Todos já perceberam o buraco em que a Câmara está e que as condições de saneamento da autarquia passam pelo pagamento das dívidas. Vir dizer que o empréstimo irá onerar durante mais um bom punhado de anos a autarquia e os seus municípes soa a blague, em especial vindo de quem não fez mais nada do que acumular dívidas e permitir a delapidação do orçamento camário em negociatas mal esclarecidas e campanhas de muito duvidoso mau gosto. Ainda todos nos lembramos dos cartazes de Santana espalhados por Lisboa e de perguntas do género "já reparou no que estamos a fazer em Lisboa?". Naturalmente que os lisboetas não imaginavam o que Santana, Carmona e a malta por eles liderada iriam fazer em Lisboa e o estado em que a capital seria entregue a António Costa. Por isso mesmo se torna neste momento bem compreensível a posição de Paula Teixeira da Cruz. Sendo uma mulher de bom senso, conhecendo António Costa e sabendo qual o prejuízo que pode resultar para a cidade do chumbo do empréstimo, por sinal e ao que todos dizem, negociado com termos altamente favoráveis, com a consequente convocação de novas eleições, a presidente da Assembleia Municipal não irá fazer o papel do irresponsável, mesmo que isso a transforme no patinho feio de Andersen. E se o problema de Carreiras é o eventual chumbo do empréstimo por parte do Tribunal de Contas, menos se compreende a razão pela qual o PSD não há-de permitir a viabilização do mesmo na Assembleia. De um ponto de vista político o PSD e Carreiras só teriam a capitalizar com tal chumbo. Mas como aos poucos se vai percebendo, há muito que não é o interesse de Lisboa que move a distrital do PSD. São antes os interesses. Os mesmos que levaram Durão Barroso a sair a meio de uma legislatura e a entregar o governo do país a Santana Lopes, os mesmos que levaram este a abandonar a Câmara de Lisboa e depois a regressar, e ainda os mesmos que levaram Carmona, Gabriela e Fontão a naufragarem com o barco a que se agarraram que nem umas lapas. Neste momento, por mais sério que seja o ar que Carreiras coloque nas suas declarações, já todos perceberam que é apenas a ânsia de protagonismo que o move. Carreiras segue atrás de Luís Filipe Menezes. E com essa ânsia vai também a tentativa, obstinada e irresponsável, de evitar que António Costa faça em Lisboa aquilo que os lisboetas esperam e que o PSD e a sua gente nunca foram capazes de fazer. Nem sequer mal. Governar a cidade é tão-só o que está em causa. Nada mais.

sexta-feira, novembro 30, 2007

A VOLTAR À NORMALIDADE

Diversos órgãos de comunicação social revelaram esta manhã os resultados da última sondagem realizada pelo Barómetro Marktest/TSF/DN. Depois das oscilações ocorridas no mês passado, verifica-se agora que o PS volta a recuperar, subindo dos 36,8% para os actuais 43,8 %, ou seja, de novo para o limiar da maioria absoluta, deixando o PSD a uns confortáveis 12 pontos de distância. Quer isto dizer que a ascensão de Luís Filipe Menezes e a intervenção da bancada do PSD no discurso do orçamento de Estado para 2008 não trouxeram, pelo menos por agora, alterações significativas. Passada a euforia da novidade, o país volta a cair em si. Este resultado não deixa de ser preocupante pelo que também revela de ausência de oposição e inexistência de uma força suficientemente forte e mobilizadora para ocupar esse espaço. Mesmo para quem governa em maioria absoluta, o desencanto e a falta de uma oposição credível tem custos a médio e longo prazo. A abstenção e o desencanto da participação são apenas dois deles. A sondagem revela ainda que a subida do PS ficou a dever-se quer ao PSD quer ao PCP, sendon que quanto a este as recentes disputas em torno da saída de Luísa Mesquita e o discurso do seu líder também terão contribuído para a queda. A outra nota é a pequena recuperação do CDS e a descida do Bloco de Esquerda. Vamos então aguardar por Janeiro para ver no que deu a greve geral.

quinta-feira, novembro 29, 2007

A NÃO PERDER


Só de o ouvir algumas vezes, eu já tinha desconfiado do novo secretário-geral do PSD. Lá no fundo, bem no fundo, eu tinha as minhas razões, embora não soubesse ainda ao certo quais. Também é verdade que desconfiei da entourage da nova direcção e do presidente do PSD, ou seja do próprio Luís Filipe Menezes, mas aí havia alguns que eu já conhecia de outras andanças. Disso dei conta oportunamente neste espaço. Mas hoje a revista Sábado fez o favor - bendita Sábado! - de publicar uma curiosíssima entrevista com o "Bacalhau Seco", alcunha pela qual é conhecido Ribau Esteves. Assim, ficamos a saber, se ainda houvesse dúvidas, que estamos na presença de um sobredotado. De especialista em rações, o que dá sempre jeito quando se tem controlar o apetite dos candidatos à manjedoura, sonha em chegar a primeiro-ministro. Não lê porque prefere "os romances da vida" e é acusado pelos correligionários de ter chegado ao poder na sua distrital depois de uma chapelada, numas eleições disputadas contra esse outro exemplo do PSD que se chama Hermínio Loureiro. Para além de ter sido condenado por difamação, facto menor e irrelevante no seu percurso político, ainda arranjou tempo e coragem para condecorar a própria mãe! Nem o general Rocha Vieira, que sozinho deve ter atribuído mais condecorações e louvores nos anos em que esteve em Macau do que todos os generais e presidentes de Portugal juntos desde a implantação da República, se atreveria a tal. Mas há tipos levados da breca. Ribau é um deles. Faça-se justiça. Não posso deixar de admirar o alto nível e de lhe gabar a coragem, tanto mais que eu seria incapaz de condecorar qualquer familiar, ainda menos a minha própria mãe. Temo é que, atento o percurso e o estadão do autarca, ele se torne num émulo dos demais autarcas deste país e estes sejam levados a seguir-lhe o exemplo. Óbvio é que para chegar a esta entrevista Ribau Esteves já contou com a preciosa ajuda da agência de comunicação e imagem de António Cunha Vaz. Imaginem, por isso mesmo, o trabalho que esta ainda terá de fazer para tornar o personagem numa figura à imagem e dimensão do respectivo umbigo. De caminho, não posso deixar de elogiar a paciência e o profissionalismo de Cunha Vaz. Quanto não deverá custar e valer trabalhar com figuras desta dimensão? Apenas para abrir o apetite dos leitores deste blogue, em especial para aqueles que algures em Angola, na África do Sul ou em Macau, não podem ter acesso à revista, aqui deixo algumas frases, reproduzidas com a devida vénia, e com o conselho de que será melhor pedirem a alguém que a compre para o vosso sapatinho antes que os figurões do Gato Fedorento ou do Inimigo Público açambarquem todos os exemplares para os oferecer pelo Natal. Este número da Sábado ainda vai valer muito dinheiro.


"Se queremos uma gaja boa como o milho temos de a namorar" - frase respigada de um discurso numa inauguração;

"Sim, filha, há por aí mais algum granel?" - frase dita ao telefone com a sua adjunta na Câmara de Ílhavo;

"Ser populista é ter uma relação próxima com as pessoas. Qual é o bom populista? Aquele a quem os cidadãos entregam a gestão dos seus interesses" - a sua definição de populista;

"Os meus hobbies são a Câmara e o PSD".

quarta-feira, novembro 28, 2007

É PRECISO TER TOPETE...


... para ver bloguistas militantes, que aos costumes sempre dizem nada, a opinarem sobre as eleições para a Ordem dos Advogados. A Ordem é uma muito respeitável e vetusta agremiação que vai a votos no dia 30 de Novembro e que devia ser merecedora de mais respeito do que aquele que tem merecido. Pese embora o facto de nos últimos anos ter levado tratos de polé - a começar pela revisão de alguns dos artigos do próprio Estatuto que aligeiraram deveres e legalizaram práticas reprováveis - por parte de muitos daqueles daqueles que deviam ter sido os primeiros a garantir elevação, ponderação e discrição na intervenção e no discurso, é bom que os advogados não se coloquem à margem do acto eleitoral. Não sei quem vai ser o novo bastonário, nem se ele se irá empenhar na dignificação da advocacia portuguesa, combatendo os excessos de protagonismo e de visibilidade mediática de alguns dos seus membros, reomendando-lhes contenção e elevando o discurso a um patamar mais consentâneo com as tradições, a honra e a dignidade da advocacia portuguesa. É tempo de elevar os padrões de exigência e rigor da advocacia, tão mal tratados que foram nos tempos mais recentes, impor o escrupuloso respeito pelas regras deontológicas, quantas vezes esquecidas e ignoradas de acordo com as conveniências do momento, para que de outras fossem aplicadas sem qualquer critério ou bom senso. Espero, pelo menos, que não haja chapelada nem defenestrações, que seja possível voltar a abrir as janelas e deixar sair o bafiento corporativismo que empesta o ar. Quero, ainda, que aquele que vencer, seja capaz de proteger a advocacia em prática solitária, e imponha limites ao crescimento das sociedades de advogados e à proletarização ignorante da advocacia. Que independência pode ter um advogado numa sociedade que lhe impõe o cumprimento de patamares mínimos de facturação e o obriga a fazer lançamentos diários em complicados programas informáticos, como se ele fosse um qualquer amanuense? Bem sei que há quem usando o título seja sócio, gerente e administrador de sociedades comerciais, e que a maior parte evite olhar para algumas tabuletas que por aí há do tipo "Consultadoria Fiscal e Financeira" ou "Domiciliação de sociedades", enterrando a cabeça na areia, mas a Ordem não pode continuar a conviver alegremente com este estado de coisas. Sociedade que se preze tem de ter uma advocacia forte, insubmissa aos ditames do mercado, às clientelas empresariais, ao ferrete do Estado ou dos partidos políticos e capaz de rejeitar o promíscuo convívio com algumas autarquias. Uma advocacia forte tem de ser capaz de recusar liminarmente o cambão e todas as formas encapotadas de exercício da advocacia, a começar por aquelas que são hoje praticadas por alguns membros da classe notarial, muitas das quais ao abrigo de protocolos de legalidade mais do que duvidosa celebrados com bancos e mediadoras imobiliárias, que apenas serviram para transformar antigos servidores do Estado em serventuários, mais bem pagos é certo, de empresas comerciais. Que os notários privados se tenham querido converter em moços de fretes dos bancos e das mediadoras imobiliárias a troco de meia dúzia de euros é lá com eles. Que a Ordem conviva alegremente com isso e continue a fechar os olhos ao exercício descarado de procuradoria ilícita é que me parece mal. Posto isto, gostava que os candidatos a bastonário se pronunciassem, por exemplo sobre as questões que aqui refiro e que até hoje não vi ninguém abordar, a não ser em tese generalíssima, ainda antes do acto eleitoral de sexta-feira. Certamente que isso ajudaria a esclarecer muita coisa, a separar águas e a mobilizar indecisos e abstencionistas, pese embora a obrigatoriedade do voto consagrada nos estatutos. Mas como duvido que o apelo vá a tempo, ao menos aqui fica o recado. Perante um Estado cada vez mais prepotente e abusador, perante tribunais ineficientes, caros e morosos, a única garantia do cidadão reside na capacidade de intervenção da advocacia, na seriedade e honradez dos homens que lhe dão corpo e rosto aos que anonimamente cumprem o seu múnus. O último baluarte da liberdade, mais ainda em democracia, reside na Ordem dos Advogados, na sua capacidade de mobilização e na decência das escolhas que os seus membros, e não outros por eles, sejam capazes de fazer. Haja tino.

terça-feira, novembro 27, 2007

SEGUNDO A VANITATIS...


... esta é a futura substituta de Cécile Sarkozy. Nasceu em Sarajevo, na actual Bósnia-Herzegovina, é cantora de ópera, mas ficou famosa por cantar na Eurovisão canções festivaleiras. Tem 34 anos e chama-se Tinka Milinovic. Confirma-se que o presidente de França pode não ser simpático com jornalistas bisbilhoteiros, mas definitivamente não tem mau gosto.

quinta-feira, novembro 22, 2007

ESTE POST É DEDICADO A STEVE McCLAREN...



... e também a Tony Parsons, a Roger Knapman e a todos os articulistas da imprensa de Sua Majestade, em especial do Daily Mirror e do Sun. Volta Sven, estás perdoado!

MAL EDUCADO E SEM NÍVEL



De uma personagem como Luís Filipe Scolari já tudo se espera. Depois de ter falhado de forma tão inglória a conquista do Europeu em 2004, conseguindo o feito de perder duas vezes em casa com a Grécia, num torneio para o qual nem sequer teve de lutar pela qualificação, depois de ter terminado o Mundial de 2006 jogando miseravelmente e com uma copiosa derrota frente à Alemanha, depois de ter conduzido uma sofrível campanha para o Euro 2008, durante a qual se mostrou incapaz de vencer qualquer jogo contra a Polónia, a Sérvia e a Finlândia, ainda teve o descaramento de abandonar a conferência de imprensa de ontem, deixando, uma vez mais, os jornalistas a falar sozinhos e o país sem resposta para as questões que gostaria de colocar. Scolari fala como se Portugal lhe devesse alguma coisa e não tivesse feito mais do que a sua obrigação ao qualificar Portugal para o Euro 2008. Esquece-se que ganha aquilo que nunca nenhum outro treinador ganhou para treinar a selecção, que mereceu condições - e ainda bem - que mais ninguém teve anteriormente, e considera que andar a ganhar e empatar jogos com selecções do terceiro escalão europeu é um sucesso e um favor que ele nos presta. Contudo, só ele é responsável pelo mau futebol jogado em campo, só ele tem de responder pelos 40 jogadores que teve de chamar à selecção. Talvez se não fosse tão teimoso e tão beato e não insistisse em convocar jogadores notoriamente fora de forma não tivesse tido que convocar tantos. Mas Scolari não vê isso. Como também não vê que os portugueses têm obrigação de exigir mais a quem pediu tudo e mais alguma coisa para apresentar resultados e que agora, qualificando-se mal e porcamente, não sem antes ter envergonhado o país com a sua má educação, ainda vem tirar satisfações junto de quem o crítica. Scolari ignora que muitas das perguntas que os jornalistas lhe colocam nas conferências de imprensa são as perguntas que os portugeses gostariam de lhe poder colocar. Uma cultura de exigência passa também por aí e por um pouco de humildade. Scolari não sabe o que é uma coisa nem a outra. Limita-se a cumprir os mínimos e acha que isso é o suficiente. Desconhece o que é exigência e não tem humildade para enfrentar a crítica com um mínimo de fairplay. Por muito menos do que ele fez, e apresentando resultados, foi Mourinho corrido do Chelsea e, já há mais tempo, Eriksson da selecção inglesa. Porque insiste Scolari em querer comparar Portugal com os outros que não se qualificaram? Porque será que insiste em comparar-se aos piores. Será que isso serve de justificação para as más exibições? É óbvio que não serve. A Arménia corre muito? E depois? Que querem os portugueses?, perguntava ele. Eu respondo por mim: quero que Scolari se vá embora e quanto mais depressa melhor. Não troco títulos - onde estão eles? - por insultos, nem baixeza ou faltas de carácter por qualificações. Há coisas que o dinheiro não compra. A dignidade e a boa educação são duas delas. Pelo menos entre gente séria. Scolari revelou não saber o que é a primeira e demonstrou já por diversas vezes não ter educação. Não serve de exemplo. Mas o senhor Madaíl e a sua pandilha não vêem nada disso. Um país de bimbos é o que é.

A LER

A notícia de que o PSD/Porto pretende avançar com a regionalização mesmo à revelia do seu líder e o artigo de Pedro Lomba, ambos na edição de hoje do Diário de Notícias. Quanto à primeira, ela vem na linha do regionalismo radical e paroquial do líder do PSD/Algarve e é demonstrativa da falta de sustentabilidade do líder recém-eleito do partido para defender qualquer outra posição que contrarie os interesses dos caciques regionais. Quanto ao segundo, vindo de quem vem e com a procissão ainda no adro, bem pode Luís Filipe Menezes perguntar que mais lhe irá acontecer. E 2009 ainda vem tão longe...

segunda-feira, novembro 19, 2007

JUAN CARLOS Y ZAPATERO VS. HUGO CHAVÉZ Y SUS MUCHACHOS

Adivinha-se animado confronto esta noite no programa da D. Fátima. Ao que dizem nos mentideros, o debate vai ter por tema o "por qué no te callas?" que o Rei Juan Carlos atirou a Chavéz na Cimeira de Santiago. Fazer um programa sobre isto na televisão pública portuguesa diz tudo sobre o paroquialismo reinante em tal casa. Não lembraria nem ao Saramago. Espero que quando a coisa descambar seja depois das criancinhas estarem deitadas.

VÍCIOS DO PASSADO

Carvalho da Silva, que é um homem inteligente, já devia ter dito aos seus homens na Valorsul que os tempos do PREC já acabaram. Mas não, ao invés disso, resolveu sair em defesa dos piquetes de greve que teimavam em bloquear as entradas e saídas das instalações da empresa. Eu bem vi as imagens, hoje no Jornal da Tarde da RTP1, do cordão de grevistas à porta da empresa impedindo a passagem de quem quer que fosse. A intervenção policial foi perfeitamente aceitável e não extravasou os limites do razoável, pois que, além de tudo o mais, os grevistas também não opuseram grande resistência. A polícia limitou-se a meia dúzia de empurrões sem consequências num grupo de teimosos renitentes que insistia em obstruir a passagem. Confundir isto com uma carga policial sobre os trabalhadores já nem sequer pode ser confundido com má fé. Por isso mesmo, é que enquanto os sindicalistas teimarem em ignorar as leis do Estado de Direito democrático sempre que tal não lhes convenha - persuadir os outros a aderirem ou a respeitarem uma greve não pode ser visto como direito do piquete a impedir os outros de trabalharem ou direito a limitar a liberdade de entradas e de saídas das instalações da empresa -, as tiradas de Carvalho da Silva tornam-se confrangedoras nos casos em que não roçam o caricato. Aos poucos vai-se perdendo a razão e a lucidez. E também a imagem de seriedade de um sindicalista responsável.

sexta-feira, novembro 16, 2007

54º GRANDE PRÉMIO DE MACAU



É já este fim-de-semana que os bólides voltam a correr em Macau. Para além da corrida de Fórmula 3, importa seguir com atenção a última prova do Campeonato do Mundo de Carros de Turismos (WTCC), na qual se vai discutir o título. Para já, a pole position da Corrida da Guia foi para um Chevrolet. André Couto fez o 3º tempo ao volante do velhinho mas ainda fantástico Alfa 156. Será a partir das 3.45 na madrugada de sábado para domingo, no Eurosport.

quinta-feira, novembro 15, 2007

UM LOBBY PODEROSO

A recente divulgação por parte do Daily Mirror de uma carta redigida por Piers Merchant, um ajudante de Roger Knapman, eurodeputado e um dos líderes do Independence Party, um partido inglês de extrema-direita que tem assento em Estrasburgo, aliás na sequência da publicação no mesmo jornal de um artigo assinado há dias pelo seu colaborador Tony Parsons, é reveladora da dimensão, poder e sórdido nível de alguma gente que tem aparecido na imprensa inglesa a defender o casal McCann e a atacar a PJ, Portugal e as suas instituições. Com efeito, se Tony Parsons não passa de um medíocre articulista de tablóide e de um especialista em gossip, ou seja, de um reles bisbilhoteiro, e ainda por cima abichanado, cujas insultuosas palavras que escreveu em relação a Portugal, aos portugueses e ao embaixador Santana Carlos, acabaram por não ter a importância que lhe quiseram atribuir, já a carta de Merchant, que Knapman implicitamente subscreveu ao confirmar a justeza da actuação do seu colaborador, é reveladora do nível dos interlocutores do casal McCann. As coisas até poderiam passar despercebidas não fosse dar-se o caso da vetusta Inglaterra ser um país de fortíssima tradição cívica e democrática. E pese embora tal facto, o "Team McCann", como alguém já lhes chamou, conseguiu rodear-se de um conjunto de pessoas do meio político e empresarial que se têm afadigado, mais do que na busca da menina desaparecida, na defesa da inocência do casal, o que não deixa de ser muito estranho. Se a esta estranheza juntarmos o facto de Piers ter sido obrigado a demitir-se do Parlamento inglês por se ter envolvido com uma hospedeira de cabaret, de 17 anos, num banco de South East London, em 1997, enquanto a sua mulher Helen fazia campanha a seu favor, e de, por seu turno, Knapman ser um reconhecido xenófobo, anti-emigrantes e racista, que votou contra o alargamento da União Europeia em 2004, ao mesmo tempo que recorria a trabalhadores polacos para fazer obras na sua casa de Devon, com o argumento de que não havia locais para o fazerem, no que foi logo desmentido pelos empreiteiros da terra e constituiu motivo de risada geral, começa a ser patente que a gente de quem o casal se rodeou não será seguramente a mais aconselhável para se ter por companhia. Em especial se se quiser dar um ar sério "à coisa". Desconheço se os que jantaram com o casal na Praia da Luz no fatídico dia do desaparecimento de Maddie eram da laia destes do Daily Mirror, porque se eram, então estará tudo dito. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

quarta-feira, novembro 14, 2007

PÉSSIMO JORNALISMO


Ontem, diversos órgãos de comunicação social fizeram eco da aquisição de "veículos de luxo" para o Ministério da Justiça, num período de contenção orçamental e à revelia do Ministério das Finanças. À tarde, o ministério emitiu um comunicado esclarecendo que "a referida aquisição de veículos pelo Ministério da Justiça deu-se no estrito cumprimento do enquadramento legal" e que a aquisição de seu com "a autorização do Ministério das Finanças". Com efeito, refere o comunicado "pelo despacho 46/AC/07 do Director-Geral do Património em 3/4/2007, “proferido no uso dos poderes delegados/subdelegados pelo despacho n.º 10 874/2006 (2ª Série), de 2 de Maio de 2006, de S. Exª. o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, publicado no DR II Série n.º 95 /2006, de 17 de Maio de 2006, foi autorizada a aquisição de quatro viaturas da marca Volkswagen pelo valor total de 135.717,60€, c/IVA incluído. Pelo despacho 47/AC/07, na mesma data, ”foi autorizada a aquisição de uma viatura marca Audi, pelo valor de 35.784,46€, c/IVA incluído”.

Mais esclareceu o Ministério da Justiça que "esta aquisição de veículos realizou-se através da Central de Compras do Estado ao abrigo de um contrato público de aprovisionamento celebrado pela Direcção-Geral do Património" e que "os serviços centrais do Ministério da Justiça perderam recentemente 14 viaturas, tendo 6 sido abatidas e 8 devolvidas, por ordem do Tribunal, à Polícia Judiciária e à Direcção-Geral do Património".

Eu esperava que hoje tivesse sido dado igual destaque a este comunicado pelo Diário de Notícias, tanto mais que havia sido dada a primeira página à notícia da aquisição dos veículos, quer online quer no papel. Mas não. Hoje não encontrei nada a destacar o esclarecimento do Ministério da Justiça. Pelo menos na edição online. Pelos vistos isso não era importante. Nem isso nem dizer que a anterior aquisição de viaturas (2 Peugeot 406) pelo Ministério da Justiça ocorrera já em 2001. Nada disto foi dito ou esclarecido. Como também não foi dito, nem na altura nem depois, por que razão o jornalista, mesmo em período de contenção, considera carros da Volkswagem, da gama média, como viaturas de luxo. Ignorância ou má fé? Eu inclino-me mais para a segunda, visto que há imensos jornais e revistas dedicadas ao automóvel, onde o jornalista poderia ter adquirido alguma informação sobre os critérios para se poder considerar um carro como sendo da gama baixa, familiar, da gama média, um topo de gama ou um carro de luxo. Há critérios! Aqui houve ainda a agravante de até se querer confundir a economia de meios ou a sua exiguidade com a pelintrice. Esta, não sendo aceitável na imagem dos órgãos do Estado, é sempre insuportável. Mesmo entre os pobres. E isto, ao menos, o jornalista devia saber. Seria o mínimo.


P.S. Não tenho procuração do Ministério da Justiça.