quarta-feira, novembro 14, 2007

UMA BOA NOTÍCIA


Pinto Monteiro continua a marcar pontos. Agora, revela o Diário de Notícias, foi a nomeação de Maria José Morgado para investigar os casos mais complexos da corrupção na Madeira que foram recentemente denunciados. A sua escolha, para além de revelar, uma vez mais, que as denúncias credíveis e com um mínimo de fundamento não caem em saco roto, atribui um rosto ao responsável pela investigação e poupa a magistratura local do MP aos sempre desconfortáveis ataques dos poderes locais. Atendendo ao tempo que devem durar os inquéritos, aos apertados prazos do CPP e à coragem e dinamismo da senhora procuradora, espero que os resultados cheguem céleres. Vamos a ver se é desta que acaba o pagode.

O QUE MAOMET NÃO DISSE DO TOUCINHO


Cândida Almeida e Manuel Magalhães e Silva estiveram ontem, ao final da tarde, em Faro, numa Conferência/Debate sobre "Temas do Novo Processo Penal". A expectativa era grande e os convidados não a defraudaram. O legislador, cujo rosto e identidade raramente saem do anonimato, certamente que ficou satisfeito por poder confirmar de viva voz aquilo que já todos sabiam. Em pouco mais de uma hora e meia foi possível ouvir a senhora Procuradora-Geral Adjunta e directora do DCIAP afirmar que, na sua perspectiva, que eu considero ser também a do Ministério Público atenta a qualidade em que lá estava e a ampla participação da sua estrutura local, passámos a ter um "código paroquial", que o "segredo de justiça é uma falácia", que houve alteração de "principíos básicos estruturantes" e que morreu a investigação ao crime de maior complexidade e organização. Magalhães e Silva, por seu turno, com a elevação e eficácia discursiva a que nos habituou ao longo dos anos, considerou as soluções consagradas um desconchavo total, não se coibindo de dizer, e bem, que a reforma consagrou uma justiça para ricos e indigentes e que ela é "tão pobre como o pacto da justiça de que é filha", sem se esquecer, ainda, de sublinhar a forma atabalhoada e incompetente como se deu a sua publicação e entrada em vigor. Enfim, depois deste enormíssimo rombo no porta-aviões, eu se fosse ao ministro Alberto Costa reformulava toda a equipa da Justiça. Muitos anos fora dos tribunais, desconhecimento da forma como estes funcionam por parte da sua equipa, ignorância crassa dos parlamentares que aprovaram as soluções, muita cultura livresca e pouco mundo, é no que dão. Ainda estou para perceber por que razão se continua a ouvir toda a gente, e depois encaixa-se tudo, nem que seja a martelo, para seguidamente se publicar sob a forma de um código. Se isto é uma reforma, então o melhor era deixar tudo como estava. Da próxima vez é melhor o Estado lançar concursos para elaboração dos novos códigos. Privatize-se a sua elaboração e a seguir aprovem-nos. O resultado será bem melhor do que aquele que agora se viu. Antevêem-se, pois, momentos quentes para a dupla jornada de 15 e 16 de Novembro na Aula Magna. A não perder.

segunda-feira, novembro 12, 2007

O QUE ELE NÃO EXPLICOU

1. Quantos funcionários e durante quanto tempo estes estiveram a fotocopiar os documentos "pessoais" do ex-ministro da Defesa Nacional?

2. Quanto custa a utilização de funcionários pagos pelos Estado para fotocopiar esse volume de documentos "pessoais" de um ex-ministro?

3. Quantos volumes representam mais de 60 mil páginas de documentos "pessoais"? Se cada volume tiver 250 páginas isso dá qualquer coisa como mais de 250 volumes.


4. Será que Paulo Portas tem a noção de quantos metros cúbicos isso ocupa?

5. Quando e a quem pagou Paulo Portas o custo de fotocopiar os tais documentos "pessoais"?

6. Qual a tabela usada? Tem recibo? Pagou IVA? Onde está o comprovativo?

7. Que diferença existe entre utilizar os funcionários de uma Câmara ou de um corpo policial para fazer mudanças ou utilizar os meios materiais e humanos ao serviço de um ministério para os colocar a fotocopiar documentos "pessoais"?

8. Paulo Portas tem a noção do que é peculato de uso?

9. Se eram documentos "pessoais" que necessidade tinha Paulo Portas de fotocopiá-los no ministério? Bastava-lhe levar os originais.

FAZER O PLENO

É o mínimo que se pode dizer das prestações mais recentes de Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes, a avaliar pelos comentários da imprensa deste fim-de-semana. Já nem Dias Loureiro os poupa.

ESTOU ANSIOSO

O senhor da gravata alaranjada é um dos ecos do presidente do Governo Regional da Madeira, o famigerado Alberto João Jardim. Para além disso, consta que é deputado regional e que ocupa um lugar na bancada do PSD-M. Pago pelos contribuintes, é claro, os de cá e os de lá. Não satisfeito com isso, e obviamente para não nos deixar esquecer as inanidades que de quando em vez saem da boca dos cloacários insulares, resolveu dizer, numa entrevista à TSF, entre outras bestialidades, que o Goveno da República "tem um ódio ao povo madeirense", "atenta contra a unidade nacional" e que se o estatuto político-administrativo da Madeira não for alterado em 2009 a Madeira deverá declará unilateralmente a independência. Eu acho muito bem. E penso até que isso deveria ser feito já. Poupavam-nos anos ao desconsolo de ter de continuar a ouvi-los, libertava-se já o orçamento do Estado dos encargos com a insularidade madeirense, que poderia ser melhor canalizada para os Açores, o Algarve o o interior norte do país, e havia até a vantagem de dar aos acólitos do senhor Jardim a possibilidade de organizarem um campeonato de futebol sem "cubanos". Dessa forma poderiam aspirar a jogar na Liga dos Campeões. Sempre eram mais uns cobres para a construção civil e para contratar brasileiros. No lugar de José Sócrates eu começaria já a tratar disto e dava aos madeirenses a possibilidade de se pronunciarem imediatamente, não vão estes cavalheiros querer reformar-se antes da Assembleia Legislativa Regional proclamar a Madeira independente. Estou ansioso por esse momento. E também por ver o Hugo Chavéz desfilar no Funchal, de bombo e cuecas, ao lado de Alberto João.

sexta-feira, novembro 09, 2007

ESCOLHAS DE PEDRO ALMODÓVAR

E minhas também. Da Penélope já todos sabiam. Da Maria só hoje ficámos a conhecer. Pode ser que com sorte elas apareçam este fim-de-semana. No Estoril ou em Cascais, no decurso do European Film Festival. Há cinema a rodos. E do bom. Aproveitem.




ENTÃO E O SOBRINHO?

Carlos Carreiras, que é vice-presidente e vereador da Câmara Muncipal de Cascais e um tipo porreiro, foi eleito presidente da distrital de Lisboa do PSD. Logo nos comunicou que gostaria de ver Isaltino Morais regressar ao partido e recandidatar-se numa lista do PSD. Eu naõ sei se o Carlos estava a falar a sério ou a gozar, mas se era para valer, então é melhor que diga ao Isaltino para trazer também o sobrinho da Suiça. Se não for assim duvido que consiga fazer uma verdadeira renovação. Além de que sendo o sobrinho, e não o tio, um verdadeiro aforrador, ele vai dar muito jeito nos tempos de crise que aí vêm. Pelo menos para financiar a campanha.

MAUZINHO

Não sei de quem foi a ideia do alinhamento do Telejornal de ontem na RTP1, nem se isso faz parte da estratégia de serviço do canal público, mas aquela de enfiarem as declarações de Cavaco Silva no Chile a elogiar, sem rodeios, as reformas de José Sócrates, logo a seguir às declarações de Luís Filipe Menezes, fez mais pelo PS e pelo primeiro-ministro do que qualquer discurso oficial. A não ser que na mente dos responsáveis pela administração da RTP já esteja a pesar a recondução. Só que isto nunca poderemos esclarecer.

quinta-feira, novembro 08, 2007

DEPOIS DO FIASCO VEM O AMUO


A discussão do Orçamento de Estado de 2007, na Assembleia da República, constituiu a primeira prova de fogo para o PSD pós-mendista e o primeiro teste ao Governo de José Sócrates na era de Luís Filipe Menezes. Sabendo que o PSD teve tempo para se preparar para o debate e que em jogo estava a nova estratégia gizada pela tripla Menezes/Ribau Esteves/Santana Lopes, esperava-se muito de um debate que no final se veio a revelar morno, inócuo e até certo ponto prazenteiro. Morno porque se viu que nunca passou de uma trica paroquial, com intervenções que denotaram algum cansaço, caso das de José Sócrates, e falta de arrojo e preparação por parte do líder parlamentar do PSD. Tirando um ou outro momento, onde sobressaiu mais a elevação do tom de voz do que propriamente o debate, o mais que se viu foi uma perfeita desgarrada. Inócuo, visto que tudo vai continuar na mesma: Sócrates governa, a oposição impotente consente enquanto espera por melhores dias. A única nota dissonante, a temperar a monotonia e o monocordismo das intervenções, foi dada pela intervenção de Augusto Santos Silva que logo justificou o abandono do hemiciclo por parte de Santana Lopes. O ex-primeiro-ministro pode tentar justificar a ausência com os telefonemas que tinha para fazer ou que atender no seu gabinete da Assembleia, mas não se livra da crítica. Queixava-se a oposição de uma insuficiente e pouco assídua presença do Governo no parlamento e quando aquele lá está em peso, e a discussão centrada no líder da bancada da oposição, logo este tira uma guia de marcha e assim, como quem não quer a coisa, sorrateiramente, abandona o debate. Para quem se considera um exemplo de boa educação, nada melhor do que deixar o ministro a falar sozinho quando este o coloca em xeque, virando-lhe as costas. É óbvio que a atitude de Santana não passou de mais um amuo, dos muitos a que a opinião pública já se habituou - com a excepção compreensível de Nuno Rogeiro que, como se pode ver hoje na Sábado, continua a ler muitos livros de banda desenhada e acaba a confundi-la com a realidade. Mas para quem se quer afirmar como líder parlamentar do maior partido da oposição e ajudar Menezes a reconquistar o poder para o PSD, o começo não podia ser pior. A dupla agenda de Menezes e de Santana, que só ainda não chegou ao ponto deste falar ao mesmo tempo do primeiro, mostra a forma como o partido voga ao sabor do momento. Se a multiplicação de intervenções de um e do outro visava colmatar um vazio deixado pela anterior liderança do partido, não se vislumbra em que ponto a estratégia agora seguida poderá vir a dar frutos. De momento temos apenas conferências de imprensa de Menezes e declarações avulsas - embora como Pacheco Pereira salientou a que antecedeu o debate do OGE tenha sido a primeira com alguma consistência em termos programáticos -, quer daquele, quer de Pedro Santana Lopes. De quando em vez também surge Ribau Esteves, a apregoar os sucessos que hão-de vir. A visita de ontem à Assembleia e o almoço que Menezes ali tomou com Santana Lopes assumem, pois, um ar surrealista. À falta de lugar na bancada, e não podendo ser colmatada a sua ausência para ali se poder fazer ouvir, Menezes parece querer entrar no parlamento pela porta dos fundos, contando para tal com a ajuda do seu líder parlamentar. Não passou do restaurante. Para quem aspira à governança nacional essa é uma forma atípica de se querer impor. Por agora, limito-me a constatar que muito dificilmente Santana Lopes levará até ao fim o seu mandato à frente da bancada do PSD. E se o fizer lá virá o tempo em que ele irá aparecer a dizer o quanto lhe custou, o quanto sacrificou a sua vida pessoal e profissional em prol do partido. Querem apostar?

segunda-feira, novembro 05, 2007

INCOMPETENTES


Paula Teixeira da Cruz já havia chamado a atenção num artigo saído no Correio da Manhã. Mas eu só hoje é que me pude dar conta das inúmeras rectificações ao Código de Processo Penal (Declaração 100-A/2007, de 26 de Outubro) e do Suplemento ao Diário da República com 114 (!) páginas que procedeu à republicação do diploma na íntegra. Para quem tinha acabado de comprar um código novinho em folha só há uma palavra capaz de explicar a minha frustração: incompetentes! Pode ser que a Almedina tenha pena de nós e nos ofereça uma adenda depois de verificar que a incompetência não tem cor partidária e é transversal a toda a administração pública. Pena é que disto não falem os sindicatos.

NOVA CAMPANHA DA AMNISTIA INTERNACIONAL



Los Juegos Olímpicos de Pekin 2008 son un escaparate a través del cuál China quiere mostrarse al mundo. Pero, ¿qué es lo que quiere mostrar exactamente?
En Amnistía Internacional estamos seguros de que el gobierno chino no desaprovechará la ocasión para exhibir la pujanza económica de su país, su desarrollo tecnológico, su tremenda capacidad organizativa… y tampoco nos cabe ninguna duda de que hará todo lo posible para ocultar la otra realidad de China.
Allí se producen más ejecuciones que en ningún otro lugar del mundo, y la pena de muerte se aplica sobre 68 delitos —algunos de ellos económicos— con prácticas tan escalofriantes como la extracción inmediata de los órganos de los ejecutados.
También se reprime a los periodistas, se censura Internet, se encarcela y se tortura por delitos de conciencia... Las propias autoridades chinas prometieron mejoras en los derechos humanos si su candidatura olímpica era elegida: ahora deben demostrar al mundo que cumplen esa promesa.
Mucha gente, dentro y fuera de China, espera que los Juegos Olímpicos impulsen una era de cambios en el gigante asiático, pero nosotros creemos que se necesita mucho más para mover a ese gigante.

Quem quiser poderá assinar a petição. Aqui.

AGÊNCIA DE EMPREGOS PARA POLÍTICOS CAÍDOS EM DESGRAÇA?


Depois de ter dado trabalho numa das suas empresas da área do turismo a um ex-secretário de Estado da Saúde do governo de Durão de Barroso, que depois foi secretário de Estado ... do Turismo, no governo de Santana Lopes (curiosa a passagem directa de um lado ao outro), eis que o Grupo Siram volta a arranjar emprego para um político do PSD caído em desgraça e que tendo saído da política activa ficou "pendurado". Desta vez será Luís Marques Mendes a integrar-se no Grupo Siram. Pela facilidade com por ali se integram ex-políticos com irrelevantíssimo currículo profissional ou carreira que se veja fora da política, fico na dúvida se o referido grupo empresarial será mesmo um grupo empresarial ou se não será antes uma dessas agências de empregos para amigos e conhecidos que assim põem ao serviço de terceiros os conhecimentos e influências adquiridos durante a sua passagem pela política activa.

quarta-feira, outubro 31, 2007

UN RÊVE FRANÇAIS


Aos 43 anos, mais bela que nunca, aí está ela no seu melhor para os leitores da Playboy. Juliette Binoche é a estrela de Novembro da edição francesa, acabadinha de sair. Se alguém passar por Paris e quiser ter a gentileza de me enviar um exemplar ficar-lhe-ei agradecido.

AH, SÃO VERDES!


A novela relativa à substituição de Marques Mendes no Conselho de Estado está aí para lavar e durar. Depois de sucessivas notícias, em especial promovidas pelo Diário de Notícias (DN), que davam conta da vontade de Luís Filipe Menezes substituir o anterior líder do PSD naquele órgão de consulta do Presidente da República, e de algumas declarações contraditórias sem que o próprio Menezes ou alguém responsável e com responsabilidade dentro do PSD viesse esclarecer o que se pretendia, ou não, eis que surgiu um dos novos régulos do partido a desvalorizar o papel do Conselho de Estado com o argumento idiota de que só reunia uma vez por ano, em média, para assim dizer que Menezes não é candidato a um lugar nesse órgão. Estranha-se que durante tanto tempo tenha sido alimentada uma novela em torno das notícias publicadas pelo DN e que só ontem e com um argumento tão espúrio Ribau Esteves tenha dito o que disse. O problema da substituição de Marques Mendes no Conselho de Estado não é, afinal, diferente do que decorre da substituição do anterior líder do partido na Assembleia da República, tanto mais que também neste último caso a eleição para este órgão é feita pelo sistema de lista, o mesmo usado para o Conselho de Estado. Estranha-se mesmo que a questão tenha sido levantada pelo DN, posto que se o problema não se levantou no parlamento não se vê por que se haveria de levantar no Conselho de Estado que é um palco de muito menor visibilidade. As declarações de Ribau Esteves, proferidas no estilo contentinho e espertinho do amanuense promovido, pecaram por tardias, visto que podiam ter sido feitas logo que a polémica surgiu evitando-se as indesejáveis especulações. Como isso não aconteceu, o PSD deixou que a polémica se fosse alimentando com declarações de vão de escada de fontes ditas fidedignas, mas sempre anónimas, da nova direcção do partido, que alguma imprensa se encarregou de reproduzir sem identificar a fonte. Enfim, o habitual. Ontem, finalmente, a questão ficou esclarecida e António Capucho, que tem andado a remediar as múltiplas asneiras de José Luís Judas na Câmara de Cascais, ainda teve tempo para ir à SIC Notícias responder ao secretário-geral do PSD. Ribau Esteves mostrou desconhecer António Capucho. Pior, mostrou desconhecer a história do seu próprio partido, a história da democracia portuguesa e o enquadramento constitucional da acção do Conselho de Estado. E sendo um dos muitos que hoje botam discurso em nome do PSD, não teve ninguém que lhe recordasse que ele ainda andava de cueiros quando Capucho já estava empenhado na construção da democracia para que hoje houvesse muitos Ribaus a arribar na vida política. É óbvio que o Conselho de Estado não é um órgão qualquer e que não é pelo facto do secretário-geral do PSD vir desvalorizar a sua acção que ele irá perder a sua função e lugar no sistema político-constitucional. Já Alberto João Jardim, que de quando em vez lá vai tendo os seus amuos e arrufos de má educação, tentou fazer o mesmo, mas sem grande sucesso, o que é, aliás, comprovado pelo facto de só aparecer quando lhe convém. Se Ribau Esteves e Luís Filipe Menezes estão convencidos que é pelo facto das primeiras sondagens apresentarem alguns resultados lisonjeiros para o PSD que poderão embandeirar em arco, é bom que se vão preparando para a bordoada que aí vem. Para a semana virá o primeiro teste. E ou eu me engano muito ou a partir de Dezembro é que elas vão começar a doer. Veremos se nessa altura o secretário-geral do PSD continuará a falar de cátedra.

terça-feira, outubro 30, 2007

GABO-LHE A PACIÊNCIA

Acabei de ouvir há pouco a transmissão do debate na Comissão da AR com o Procurador-Geral da República. Como já se adivinhava, não havia mais nada a esclarecer que não tivesse sido já esclarecido. Mas foi bom que Pinto Monteiro lá tivesse ido reafirmar tudo o que antes já dissera. Os senhores deputados escusavam de ter ouvido o PGR dizer-lhes onde podem adquirir aparelhos para realização de escutas ilegais (ali ao Martim Moniz), que nunca ninguém viu operações policiais para recolha desses materiais, que os aparelhos podem ser comprados via internet, e mais um ror de coisas conhecidas. Que "a hierarquia funciona muito mal", que esse mau funcionamento começa logo na base e que não existe poder de coordenação por falta de instrumentos legais, também não era propriamente uma novidade. Os senhores deputados estão fartos de saber disto, mas ainda assim insistem neste tipo de audições a bem do espectáculo parlamentar. Nuno Melo chegou atrasado a uma reunião que ele próprio tomou a iniciativa de convocar e só isso já diz muita coisa. Mas a indigência política e intelectual de alguns é de tal ordem que em vez de fazerem perguntas claras e directas a quem lá está para responder, se põem a dissertar sobre aquilo que demonstram desconhecer, mais com vontade de se fazerem ouvir do que de obterem respostas. Infelizmente, a parcimónia de que que falava o deputado António Filipe na convocação de depoentes como o PGR - fiquei sem perceber que parcimónia era essa, pois o PCP foi um dos que contribuiu para a unanimidade - não é seguida por ele nem pelos colegas de comissão nas intervenções que fazem nem no modo como as questões são colocadas. Dir-se-ia que o objectivo é mesmo o de colocar muitas perguntas, mesmo disparatadas, atirar observações sem nexo para o ar, em suma, fazerem-se ouvir lá em casa em profundíssimas dissertações. O Dr. Negrão quer tudo escrito num manual. Presumo que depois os polícias irão consultando o manual para saber o que podem ou não podem escutar. Aliás, diga-se em abono da verdade que a intervenção da senhora deputada do Bloco de Esquerda resume tudo. E é esta mulher deputada! Tudo espremido, Pinto Monteiro poderia ter respondido às questões que lhe colocaram em não mais de 30 minutos. Os senhores deputados fizeram o favor de esticar as suas intervenções e ele perdeu a tarde. Confesso que ao ouvir o deputado António Filipe, enquanto o António Preto se recostava na cadeira, lembrei-me daquele tempo em que discutíamos na faculdade o futuro da avaliação contínua e outras coisas do género. No plenário ainda vão disfarçando as insuficiências. Em comissão isso não é possível. Ao fim de mais de duas décadas não evoluíram nada. Está tudo na mesma. Basta assistir a uma coisa destas uma vez para se perceber o país que temos. É uma tristeza.

SÃO FONTE DE VIDA...

... espelho da sua condição e motivo de satisfação para quem as exibe e para quem tem a sorte de lhes apreciar a beleza. Hoje é o Dia Internacional de Prevenção do Cancro da Mama e é lançada a campanha "Os homens também choram". O cancro da mama já é a principal causa de morte das mulheres entre os 35 e os 59 anos, vitimando em média quatro portuguesas por dia. A nós, homens, mais do que chorar compete-nos colaborar com elas na luta contra este flagelo e ajudá-las naquilo que mais importa: a defesa da sua dignidade de mulheres, de mães e de companheiras. E que ninguém esmoreça. Se há combates que vale a pena travar, este é seguramente um dos mais importantes. Fica aqui a lembrança.

sexta-feira, outubro 26, 2007

BOM FIM-DE-SEMANA


E se quiserem uma boa massagem é só clicar na imagem. Aproveitem que é de borla.

E O RABINHO?

Via Hoje há Conquilhas e Kontratempos descobri esta pérola do presidente da Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal:

"(...) Paulo Nunes de Almeida discursou recentemente no 9.º Fórum da Indústria têxtil e criticou o facto do governo pretender um salário mínimo de 500 euros em 2011. E disse ainda isto:
«(...) as reivindicações não se ficaram por aqui. Além de preconizar a redução do número de feriados, e como forma de contrabalançar a subida do salário mínimo, a ATP reclamou a isenção dos descontos para a Segurança Social das horas suplementares, a limitação dos montantes globais das indemnizações por despedimento, bem como a alteração do pagamento do total do rendimento anual dos trabalhadores de 14 para 12 meses, ou seja, o fim dos subsídios de Natal e de férias."

Só me apetece perguntar-lhe se não quer também o rabinho lavado com água de rosas.

NOVOS E PREOCUPANTES SINAIS

As declarações proferidas por Correia de Campos esta manhã em Viana do Castelo, atribuindo à imprensa, em bloco, as culpas pela cada vez maior rejeição e incompreensão das suas políticas, roçam o inacreditável. O ministro da Saúde, tal como Mário Lino já anteriormente também fizera a propósito da OTA, começa a ter alguma dificuldade em fazer passar a sua mensagem. Este facto, associado a uma pose altiva e sobranceira, que nalguns casos assume laivos de autoritarismo - veja-se o dedo espetado, a vozearia, o desprezo por quem o interroga..., além de irritante, coloca em causa a própria capacidade do Governo de escorar as suas políticas na compreensão e aceitação da mensagem pelos seus destinatários. Correia de Campos parece ignorar aquilo que o seu colega Alberto Costa há muito aprendeu com Niklas Luhmann e que se traduz na chamada legitimação pelo procedimento. Bem sei que querer fazer participar os doentes, os reformados, os trabalhadores e os professores em políticas que lhes afectam a carteira e o bem-estar é uma utopia. Mas talvez não fosse mau que o ministro da Justiça emprestasse alguns dos escritos que possui do sociológo alemão para que Correia de Campos recordasse alguns dos seus ensinamentos. Em especial neste momento e no mesmo dia em que foram conhecidos os resultados da última sondagem da Universidade Católica/Antena 1, que atribui ao PS uns miseráveis 41% das intenções de voto, enquanto o PSD ascende ao 35%. É um resultado mau para o PS, diria mesmo muito mau, para quem tem visto José Sócrates exultante com os êxitos económicos do seu Governo e com os sucessos, até agora, da presidência europeia. Aquilo que sobra a Teixeira dos Santos em humildade, paciência e capacidade de comunicação, falta em Correia de Campos e em Mário Lino em doses idênticas. Seria bom que o primeiro-ministro no intervalo dos almoços e dos jantares europeus começasse a olhar para dentro. Amanhã, poderia mesmo aproveitar o fórum das Novas Fronteiras, onde irão estar António Vitorino e Mariano Gago, para começar a enviar alguns recados. A soma dos sinais começa a ser preocupante para quem até agora se tem limitado a ver apregoar os sucessos. Convirá, pois, não esquecer que há riscos desnecessários e erros que se pagam caro. Em politica, normalmente, estes últimos são irreversíveis. Marques Mendes que o diga.



P.S. Depois de ler o artigo de hoje de Luís Campos e Cunha no Público acho que foi uma benção a sua saída do Governo. O país só ficou a ganhar com a troca por Teixeira dos Santos.

EL MUNDO AL REVÉS


Espera-se que o milagre económico dos 3% do défice não tenha rigorosamente nada que ver com o vídeo divulgado pelo El Confidencial