segunda-feira, janeiro 19, 2009

DUAS PEDRADAS NO CHARCO

O Expresso tornou-se num jornal maçudo e chato. As mais recentes alterações, em especial na Revista "Única", tornaram-no numa coisa sem qualquer interesse, à excepção dos artigos de Pereira Coutinho, Clara Ferreira Alves e, por vezes, do Comendador Marques de Correia e de Inês Pedrosa. Quanto ao mais, verifica-se que as reportagens são de interesse nulo. Luís Pedro Nunes deve ser um óptimo entertainer mas não escreve nada que se se deixe ler e a organização gráfica e temática da revista dificulta a leitura. Mas de quando em vez o jornal que teimosamente vou comprando, lá vem com um ou outro naco de prosa decente. Foi o que aconteceu este fim-de-semana com o artigo de Nicolau Santos, no caderno de Economia, a propósito das "convicções" de Miguel Cadilhe, que este considera verdades únicas e imutáveis, e com a reportagem do 1º caderno sobre os negócios da Gebalis com a Hidrauliconcept, a Duolínea e a Cotefis. Quanto a estes últimos, a imagem que se vai desvendando da teia de relações entre os negócios e a política e a forma como tais relações se consolidaram ao longo dos anos, confere um amargo gosto napolitano a tudo isto. E isto não tem qualquer relação com o apelido do empresário e militante do PSD que aparece nessas estranhas relações comerciais. A verdade é que a forma como a facturação se fazia, as fiscalizações recíprocas, em claro conflito de interesses, e a notícia dos trabalhos de muitos milhares que foram encomendados e pagos sem concurso e nunca realizados, deixam-me com a sensação de que a Camorra não saberia fazer melhor. Quantos dos que contribuíram para que a Gebalis chegasse a tamanha promiscuidade e bandalheira, mesmo não tendo cometido ilícitos de natureza criminal, continuam a militar no PSD e aparecerão nas suas listas prontos para assumirem cargos de responsabilidade nas autarquias ou no parlamento?