quinta-feira, novembro 26, 2009

ACONTECE A TODOS

Aqui há uns anos, um ex-ministro da Justiça foi severamente criticado por o Presidente da República ter indultado um célebre empresário da noite que tinha sido condenado a seis anos de cadeia. Nessa altura a oposição malhou forte e feio em Alberto Costa. Desta vez, como o mar volta sempre à areia, eis que ficámos a saber que Cavaco Silva condecorou um cadastrado chinês com a Ordem do Infante D. Henrique. Um tipo ser hoje condecorado com a Ordem do Infante é quase como levantar a suspeita na opinião pública de que se é ou cadastrado ou trafulha. Confesso que não sei o que será pior. Mas de uma coisa tenho eu a certeza: a quantidade de condecorações que têm sido por aí oferecidas, à laia de caramelos, a juntar às que eu vi serem atribuídas em Macau a gente que por lá fez igual ou pior àquilo de que hoje acusam um sucateiro que está preso preventivamente, aconselha qualquer cidadão que se preze a não aceitar tamanha afronta. Por respeito ao Infante e aos valores da cidadania.

quarta-feira, novembro 25, 2009

25 DE NOVEMBRO

Aqui neste blogue comemora-se o 25 de Novembro. Porque Portugal é maior do que os homens, porque a democracia não pode ser atraiçoada por uma classe política estruturalmente mal formada e demasiado preocupada consigo mesma, porque é imperioso mudar os partidos por dentro, porque a corrupção esmaga o sentido da participação, porque a justiça e os seus mecanismos devem ser claros, céleres e acessíveis a todos, mas acima de tudo porque os portugueses merecem e devem ser capazes de fazer e de exigir mais do que aquilo que têm, com liberdade, mas acima de tudo com mais responsabilidade, mais coragem e melhor espírito de intervenção cívica, movidos pelos valores que fazem deles uma Nação, pela cidadania e pelo exemplo de homens como Jaime Neves, que tudo deram e nada pediram.

O DESFILE DOS ANJOS

(imagem do portal MSN)
Chamaram-lhe desfile dos anjos. Para o caso até nem será o mais importante, mas felizmente que estes têm sexo. Por momentos ficam todos autorizados/as a esquecerem-se da crise, do desemprego, do défice, das escutas, das promoções na Presidência da República ou do desastre que está a ser para a Justiça o caso "Casa Pia". O resto está aqui. Deliciem-se.

segunda-feira, novembro 23, 2009

AS OUTRAS TAMBÉM NÃO DETECTARAM NADA

Quando for grande também vou querer ser auditor.

A TIRO ERA MAIS FÁCIL

O Zé Povinho já está habituado a que assim seja, mas quer-me parecer que há aqui uma grande desfaçatez do senhor governador do Banco de Portugal. Bem sei que o aumento de impostos é o caminho mais fácil, mas se em causa está estimular a economia, não percebo como tal será feito tirando mais dinheiro a quem já pouco tem e mais não tem feito do aguentar crises e, ultimamente, também pagar os erros da supervisão. As nossas crises e as dos outros e os erros dele e dos seus homens.

UM (L)AZARETTI DOS DIABOS

Com um palco destes e tantos diabos à solta, só mesmo um (L)azaretti dos diabos é que podia trazer os rapazes à Terra. A eles e ao respectivo treinador. Ainda bem que assim foi. Pelo menos, por agora, as coisas começam a ficar mais claras quanto a algumas opções (?) tácticas (Júlio César, Maxi Pereira, Weldon, Filipe Menezes e Nuno Gomes no banco, Ruben Amorim a lateral, Ramires na asa esquerda, Di Maria à direita, e um tal de Keirrisson a ver se percebia de onde é que as bolas vinham). E a certeza de que para inventar já bastava o iluminado Quique Flores. Venha o próximo.

sexta-feira, novembro 20, 2009

ESCRITA DE BANQUEIRO

Assim fica tudo mais claro. Graças ao Expresso e ao autor deste blogue.

quinta-feira, novembro 19, 2009

LA MAIN DE LA DUPERIE

Se houvesse justiça no mundo, a selecção francesa de futebol e Domenech ficariam em casa a ver o Mundial de 2010 pela televisão. A FIFA tinha a obrigação de tomar medidas. Michel Platini devia ser o primeiro a mostrar-se envergonhado. Quem jogou como ele jogou, com a classe e o fairplay que esta selecção francesa e o seu treinador não têm, quem diz defender a verdade desportiva e lutar contra a corrupção no futebol não pode ficar indiferente. O afastamento da República da Irlanda é uma mancha num campeonato cuja fase final ainda nem começou.

NORMAL

Quem leia esta notícia é capaz de pensar que certamente se tratou de um caso pontual. Mas se foi não resiste a uma análise um pouco mais profunda. A forma como todas essas coisas se processam na nossa Administração Pública, muito particularmente na área em causa, é que deixa qualquer contribuinte varado. Não sei quanto casos como esse estarão escondidos nos subterrâneos do Fisco, casos que nunca chegarão a conhecer a luz do dia. Porém, não deixo de me arrepiar por saber que enquanto alguns esperam "a vida toda" por uma resposta a um simples requerimento, outros há que são "tu cá, tu lá" com a malta do fisco. Intimidades e nada de chatices. Quando se sabe alguma coisa é quando alguém recebe menos do que estava à espera. Ou quando há uma escutazinha a lixar o pessoal. Por estas e por outras é que todos os funcionários dos impostos e das autarquias deviam ser anualmente rodados entre os diversos serviços e departamentos. Era meio caminho para a limpeza e para acabar com muito técnico que anda de Jaguar, compra "rolexes", recebe televisões e "despacha" quando lhe apetece. E talvez fosse a única forma dos justos, sérios e trabalhadores não terem de se queixar da imagem.

quarta-feira, novembro 18, 2009

AGORA DEU-LHE PARA ISTO

Depois da fase terrorista e das extravagâncias com as tendas e os camelos, já só lhe faltava mesmo converter as "pecadoras" ao Islão. As fotos estão aqui, mas o vídeo dá conta da animação que continua a rodear as deslocações do líder líbio.

A LONGA MARCHA DE OBAMA

(Reuters, via Corriere della Sera)

Esta foto de Obama tirada na Grande Muralha pode bem simbolizar o caminho que o novo prémio Nobel tem pela frente: solitário, frio e exigente. O "yes, we can" da campanha que o levou até à Casa Branca, longe de estar esgotado, vai dando provas de vitalidade, como ainda agora voltou a suceder na visita à China. O simples facto de ter havido quem no coração económico da Ásia, numa Xangai cada vez mais cosmopolita e moderna, tivesse tido a ousadia de falar abertamente de direitos humanos, internet e liberdade de expressão, apelando a uma maior abertura do governo de Pequim e a uma renovação das mentalidades da nova oligarquia chinesa, constitui um marco, tanto mais indelével quanto às suas declarações não se seguiu a habitual reprimenda chinesa. Se a este sinal pudermos juntar o apelo ao diálogo com o Dalai Lama, independentemente dos resultados económicos alcançados e das perspectivas em matéria de protecção do ambiente, sempre se poderá dizer que o caminho vai ser longo e difícil, mas continua a haver esperança. E este será sempre um bom sintoma na hora de enfrentar os próximos obstáculos.

ENÉSIMO SALPICANÇO

Uma imagem que cada vez mais se cola à pele. Cada vez mais um país de opereta.

sexta-feira, novembro 13, 2009

ASSIM SE AUMENTA A RECEITA

Imaginação não falta, mas esta medida é compreensível. Falta-lhe é a adequada fundamentação jurídica. Mas isso já era de esperar, não?

A LER

Com a clareza habitual, o artigo de Paulo Pinto de Albuquerque na edição do Diário de Notícias.

TUDO A NU

A confirmação da veracidade desta notícia do Sol deixa a nu a fraude que constitui o nosso sistema de justiça. Independência, inamovibilidade e irresponsabilidade. Este cocktail começa a tornar-se demasiado explosivo.

quarta-feira, novembro 11, 2009

RUA DA SAUDADE

Graças ao blog de Pedro Rolo Duarte, uma justíssima homenagem ao poeta e uma oportuna chamada de atenção para uma voz magnífica. E já agora, também, para uma figura que não lhe fica atrás. O Ary havia de ficar satisfeito com este cavalo à solta.

ROBERT ENKE

Vou recordá-lo assim, entre os postes, sempre alerta, sem vacilar, nos melhores e nos piores momentos da equipa. As estrelas nunca partem. E protegem-nos. Que Deus lhe dê lá em cima a paz que não teve entre nós. E também os títulos que merecia.

CODORNIZES

Está visto que já não se pode "oferecer" aos amigos as codornizes há muito prometidas. Um tipo é logo fotografado com o saco das ditas e depois, enquanto o diabo esfrega um olho, vem tudo escarrapachado nos jornais. Triste país.

terça-feira, novembro 10, 2009

HOJE FIQUEI ASSIM

Este interessante texto de Alberoni, que termina com um pedido à ministra italiana da Educação, Mariastella Gelmini, cuja reforma tem motivado os mais veementes protestos entre professores e estudantes, podia ter sido escrito para a nossa ministra da Educação. A actual ou a anterior ou para qualquer um dos seus antecessores. Efectivamente, a desordem do pensamento de que fala Alberoni tem hoje reflexos incontornáveis na língua que se fala e escreve. Quando ele nos diz que a escola "já não ensina gramática, análise cronológica ou consecutio temporum" e que "há quem não distinga o passado próximo do passado remoto, quem não perceba a lógica do conjuntivo e do condicional" e que "alguns confundem até o presente com o futuro", mais não faz do que constatar uma realidade. Deprimente mas nem por isso menos real. Esta realidade não será, seguramente, muito diferente daquela que levou o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a colocar em causa a presença de crucifixos nas escolas italianas e que leva um semanário prestigiado como o L'Espresso a questionar e a lançar o debate sobre a laicidade do próprio Estado italiano. Ou, ainda, que num país aparentemente pacato e sereno, que tanto contribuiu para a formação da nossa maneira de pensar pela influência que exerceu no espírito de um homem como Jean-Jacques Rousseau, se discuta a altura dos minaretes e não haja, nem de um lado nem do outro da mesa, um pouco de discernimento. Tudo se passa longe e ao mesmo tempo perto, como ainda hoje se percebe pelas evocações e a memória da queda do Muro de Berlim. Mas quando tudo isto é transportado para dentro de nossa casa e se assiste a um jogo de pingue-pongue como este que está a ser jogado pelos nossos mais altos magistrados, fica muito pouco para a deprimência. Não sei até que ponto a cronologia histórica de Alberoni ainda fará aqui sentido, mas que a nossa Justiça caminha a passos largos para a desagregação e a demência parece já ser irreversível. Não sei o que leva pessoas com o seu brilho intelectual e jurídico a debates tão improdutivos, a tomadas de posição públicas tão indignificantes para tudo aquilo que representam. Pior nem mesmo a triste história do subsídio de reintegração do ex-deputado Casaca, que funciona para o beneficiário como uma espécie de rendimento máximo garantido. No momento em que se discute e tenta perceber a dimensão do polvo que tomou conta deste país e o número de tentáculos activos que medram na sombra dos partidos, da administração pública e das empresas, para ver se ainda vamos a tempo de poder neutralizá-los, não sei se algum dos meus concidadãos alguma vez o compreenderá. Mas ao menos espero que os protagonistas saibam o porquê. Mesmo que não o divulguem e resolvam guardá-lo para as suas memórias. Ou, talvez melhor, levar com eles para a tumba na hora da partida, poupando-nos às suas revelações. Ao contrário do que dizia a canção, a revolução não está a passar por aqui. Ela passou e foi-se embora sem querer nada connosco. Agora é o caos que passa por nós. E isto já deixa de ser deprimente para se tornar uma fatalidade. Falar hoje do caos é falar de nós. Palavras para quê?

[Publicado em simultâneo no Delito de Opinião]

ESTORIL FILM FESTIVAL 2009

O Estoril Film Festival prossegue a sua caminhada triunfal até dia 14. Hoje às 21h com um encontro de David Cronenberg com o público e a exibição de dois dos seus filmes ("The Italian machine" e "Crash") no Centro de Congressos. Mais à noite, pelas 0h.15m, ali mesmo ao lado no Casino Estoril será a vez de ser exibido "Paris" de Cédric Klapisch, com a incontornável e justamente homenageada Juliette Binoche. Quem não puder ir ao Estoril ver o filme e a musa sempre pode procurar contentar-se com a edição francesa da Playboy de Outubro de 2007.