quarta-feira, julho 23, 2008

PAULO PORTAS, LOUÇÃ E O BANCO DE PORTUGAL

O líder do CDS/PP, Paulo Portas, à semelhança do que Francisco Louçã também fez, denunciaram nos últimos dias de forma vigorosa e contundente a actuação do Banco de Portugal, quer em relação à actual situação de crédito ao consumo, quer relativamente ao seu papel fiscalizador do sistema bancário. Há muito que eu próprio vinha alertando para esta última situação, já que a forma contemporizadora e conivente da acção do Banco de Portugal em relação aos bancos que era suposto fiscalizar, estava a causar, de há vários anos a esta parte, prejuízos graves ao país e aos seus consumidores. Cheguei mesmo a perguntar por que razão a SEDES e o presidente da Associação de Bancos, o dr. João Salgueiro, nada diziam sobre este assunto, sendo, em contrapartida, tão lestos a fazer comunicados ou a defenderem os indecentes lucros de uma actividade que sistematicamente prejudicava os portugueses que tinham necessidade de recorrer ao crédito, fosse por via dos tão falados arredondamentos ilegais ou de outras práticas pouco saudáveis como a inclusão de cláusulas perfeitamente leoninas nos contratos que impunham aos consumidores. Portas veio agora falar em usura. Não chegarei tão longe, embora por vezes me apetecesse fazê-lo. Mas seria bom que a actuação do Banco de Portugal fosse a de um verdadeiro banco central e não a de um simples espectador que assiste impávido ao descalabro, enquanto vai coleccionando administradores e pagando reformas avultadas aos beneficiários do chamado bloco central de interesses. O Governo tem uma palavra importante sobre este ponto e talvez fosse interessante reequacionar o papel do Banco de Portugal, fazendo uma reforma da instituição. Adaptando-o aos novos tempos, retirando-o do marasmo em que se encontra e do qual só é despertado de tempos a tempos por via dos encontrões que vai levando.

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