sexta-feira, maio 15, 2009

UMA IMAGEM QUE DEFINE UM HOMEM E UM ESTILO

Não sei quem tirou a fotografia e só por isso não lhe atribuo a paternidade, mas mão amiga fê-la chegar até mim por e-mail e não resisto a publicá-la. Ela diz muito sobre o carácter e o estilo do novo presidente dos Estados Unidos da América. A autenticidade, a discrição do cumprimento e a singeleza do gesto são bem mais do que uma imagem. Não há artificialismo, não há espectáculo. O mesmo gesto feito por Cavaco Silva, Sócrates ou Portas nunca teria o mesmo significado, a mesma profundidade. Há muito que entre nós os nossos políticos se desabituaram de ser assim sem visar a colheita de votos. O comentário de quem me enviou essa fotografia não podia ser mais certeiro: "You won't see this photo on CNN. Everyone is too busy showing the Queen being touched. This was a moment of "touching" that won't be forgotten by this bobby". Não tenho dúvidas, basta ver o sorriso dele.

quarta-feira, maio 13, 2009

HOMENAGEM A UM HOMEM LIVRE E CORAJOSO

A morte a tiro do advogado guatemalteco Rodrigo Rosenberg constitui, paradoxalmente, o mais rude golpe desferido no regime totalitário e clientelar da Guatemala. O silêncio deu-lhe projecção à voz. O resultado a que a corrupção conduz é sempre o mesmo, seja na Guatemala ou em Itália. Pena que seja assim. Mas ainda assim é importante continuar a combatê-la e a denunciá-la em qualquer lugar e quaisquer que sejam as circunstâncias. Hoje o Diário de Notícias fez a sua parte. Eu faço a minha. A advocacia faz-se com homens livres, sabedores, independentes e corajososos. E não com alforrecas acomodadas e ignorantes. Aqui fica a minha homenagem a Rodrigo Rosenberg. Morto aos 47 anos por ousar defender a verdade e a justiça.

IRRITANTE

Começa a ser irritante esta propensão para por tudo e por nada chamar à colação o nome do vizinho, do amigo, do primeiro-ministro. É o tio, é o primo, agora dizem que também o procurador... Há qualquer coisa neste país e nesta gente que não funciona de todo.

segunda-feira, maio 11, 2009

PARA O ANO HÁ MAIS

O FC Porto revalidou o título de campeão do futebol nacional. O desportivismo manda que se felicite o vencedor. E é isso que importa fazer, mesmo sabendo que a Liga nada fez durante esta época para de uma vez por todas elevar o nível do futebol nacional. As arbitragens continuam a ser muito más, mas foram más para todos. O FC Porto foi o menos prejudicado e teve o mérito de não ficar a dormir na forma. Além de não ter culpa que a gestão dos outros seja incompetente. Para o ano resta-nos tentar fazer melhor. No Benfica o único que tem passado de um ano para o outro é o presidente. Sempre a prometer uma melhor equipa, títulos e dimensão europeia. Talvez seja o presidente (e o treinador) a razão para o Benfica terminar a 1ª volta à frente e acabar com um fosso de 13 pontos (vamos ver se fica por aqui) integralmente cavado na 2ª volta do campeonato. Não seria mau aproveitar a mudança de treinador para se pensar em mudar de presidente. Mas não vai ser fácil. Por agora, o melhor mesmo é fazer figas para que o Olhanense suba à 1ª divisão. Está cada vez mais próximo e também têm encarnado nos equipamentos. Já é tempo do Algarve voltar a ter uma equipa na Primeira Liga.

sexta-feira, maio 08, 2009

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS?

Esta manhã fiquei satisfeito por ouvir na rádio que havia uma divergência entre a posição do Governo e a bancada do PS quanto às questões relativas ao sigilo bancário. É um bom princípio, tendo em atenção aquilo que neste mesmo espaço escrevi há alguns dias atrás. Mas, entretanto, os responsáveis pelo Ministério das Finanças vieram anunciar que os contribuintes, já a partir de 2010, iriam ser obrigados a declarar todas as contas bancárias de que sejam titulares no estrangeiro sob pena de sofrerem as consequências criminais da omissão dessa declaração. Sabendo que contribuintes somos todos os que residem e são colectados em Portugal, nacionais ou estrangeiros, gostava que alguém responsável desse mesmo Ministério das Finanças, de preferência uma dessas sumidades que não olha a meios para aumentar a receita, me esclarecesse se essa obrigação vai ser extensiva aos contribuintes que residam em Portugal e sejam nacionais de outros países, ou se tal encargo será aplicável apenas aos contribuintes que sejam nacionais portugueses e possuam contas no exterior. É que das duas uma: ou a luminária que o disse não pensou no alcance do que afirmou ou então alguém deve estar a querer gozar com os contribuintes. Será que alguém de bom senso acredita que os estrangeiros residentes em Portugal 365 dias por ano, por exemplo os que aqui vivem e trabalham e se passeiam pela Quinta do Lago ou Vale do Lobo, incluindo profissionais liberais, médicos e arquitectos, por exemplo, vão declarar as contas de que sejam titulares nos seus países de origem? Já nem falo em Jersey, nas Cayman ou noutro paraíso qualquer, mas das contas numa respeitável instituição bancária de Londres, Madrid ou Paris. Já estou a ver os holandeses, ingleses ou russos que por aí andam a fazerem fila para declararem as suas contas no estrangeiro. E o fisco vai instaurar processos por atacado aos contribuintes não nacionais que residam em Portugal e que não declarem essas contas? É que se a obrigação for só para contribuintes que sejam cidadãos nacionais quer-me parecer que estaremos na presença de mais uma discriminação em relação aos estrangeiros residentes, incluindo-se nestes outros cidadãos comunitários e quanto a este ponto tenho sérias dúvidas de que Bruxelas o aceitasse de ânimo leve. Confesso que não percebo quem é que se quer enganar ou o que se quer mostrar com uma decisão desta natureza se não houver igualdade de tratamento entre todos os contribuintes e meios do Estado controlar a verdade do declarado por cada contribuinte.

AINDA O FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS

Se há coisa que o exercício de funções na Câmara Municipal de Lisboa esteja a dar a António Costa é o distanciamento da actividade governativa e parlamentar, o que lhe permite ter uma visão ainda mais clara do que se vai passando nos meandros parlamentares e governativos. Por isso mesmo, não posso deixar de saudar a posição por ele manifestada relativamente às alterações recentemente aprovadas pelo Parlamento quanto ao financiamento dos partidos. António José Seguro já anteriormente e em diversas ocasiões manifestara a sua coerência sobre esta matéria, aliás corajosamente reflectida na posição assumida na hora da votação e constante de artigos, entrevistas e diversas declarações avulsas. Salvaguardados os óbvios e compreensíveis exageros de linguagem de João Cravinho e de Saldanha Sanches, é fácil perceber que as alterações aprovadas, bem como a anterior inserção de uma estranha norma na proposta do Orçamento de Estado, não constituiram um mero lapso. Só o conluio e o conúbio parlamentar, naquilo a que alguém já chamou a berlusconização da política, é que permitiram que se chegasse à aprovação de uma alteração legislativa que prima pela indecência e que demonstra com toda a evidência até que ponto a partidocracia dominante está disposta a penalizar e sacrificar o regime para garantir privilégios que são a qualquer luz injustificáveis. Não sei se um golpe destes na seriedade do regime será recuperável nos anos mais próximos. Numa altura de crise como a que atravessamos, quando se apela à participação das pessoas e se proferem declarações enfáticas sobre a moralização da vida política, não deixa de ser estranho que líderes partidários e parlamentares que convocam um ar sério e grave para dizer banalidades sobre a transparência e para criticar os adversários políticos sobre dá cá aquela palha, se remetam ao silêncio num assunto desta dimensão e gravidade, em especial quando o aumento de receita não é acompanhado, como muito bem salientou António José Seguro, por uma diminuição correspondente da subvenção que sai do bolso dos contribuintes. Não podia, pois, nesta hora do regime, hora bem mais grave do que aquilo que se possa imaginar por aquilo que de nefasto representa para a nossa democracia, deixar de estar ao lado dos meus camaradas António José Seguro, cuja coragem continua a dar cartas internamente, e do António Costa. Na política, como na vida, o parecer e o ser têm de andar sempre lado a lado e nesta matéria não podia estar mais de acordo com eles. Tenho pena que o Manuel Alegre também se tenha esquivado numa questão como esta a assumir uma posição mais transparente e menos dúbia, mas parece que a ambiguidade é cada vez mais a sua imagem de marca. Por nestas alturas ele se equivocar é que o seu "capital de influência" vai ficando cada vez mais depauperado. Pode ser que o Presidente da República, do qual em muitas matérias estou cada vez mais distante, a começar pela do bloco central, tenha arte para perceber o que aqui se joga em termos de saúde do regime.

quarta-feira, maio 06, 2009

PALAVRAS PARA QUÊ?

(Reuters)
Fez o que tinha a fazer. Correu milhas e milhas a uma velocidade estonteante, jogou e fez jogar, marcou um golo de antologia, construiu outro com o calcanhar numa jogada soberba em que quatro toques bastaram para que a bola percorresse 3/4 do campo e entrasse imparável nas redes de Almunia. No fim, voltou a encher as páginas de todos os jornais e os ecrãs de todas as televisões. O rapaz cresce a olhos vistos e fá-lo com talento e rigor. Sir Alex Ferguson sabe como tratá-lo. Em Old Trafford já ninguém dá pela falta de Queirós. Nada de mariquices, nada de flores. Os resultados estão à vista.

NÃO HÁ ÁGUA MAS HÁ DEBATE

Ora aqui está uma iniciativa que se saúda numa altura em que cada vez menos se discute política e há quem denotando uma tremenda falta de nível a queira misturar com farinhas e papas. À partida existem todas as condições para se ter um debate esclarecedor. Os candidatos, a cidade e os seus munícipes só têm a ganhar.

terça-feira, maio 05, 2009

NÃO PODE, MAS É

Pode uma terra que não tem câmara municipal, tribunal, indústria, comércio de qualidade e dimensão, estacionamento automóvel, quase total ausência de espaços verdes, prédios horríveis e montes de marquises, ser uma cidade? Como seguramente diria um certo gato fedorento, não pode mas é, graças a uma magnânima Assembleia da República. Foi pela Lei n.º 52/99 de 24 de Junho e a cidade vai agora festejar os 10 anos da sua elevação com o Tony Carreira. Espero que lugares como Alte ou Estoi nunca se lembrem de querer ser cidade, pois que talvez dessa forma ainda reste alguma coisa do melhor Algarve para se mostrar às gerações vindouras. Há erros que se pagam muito caro.

ESTÁ TUDO ESCLARECIDO!

Depois do confrangedor depoimento prestado na Assembleia da República, em que todos os seus lapsos se revelaram inócuos, nas suas próprias palavras, fica para a história a tirada de Dias Loureiro de considerar que o negócio de Porto Rico estava avalizado pelo facto de não ter havido um não peremptório a rejeitá-lo, de ser privado (!) e de nenhuma das partes envolvidas ter promovido a sua anulação. O Dr. Jorge Coelho, como homem prático que é e não sendo jurista até é capaz de perceber a sua teoria. Mas, salvo o devido respeito, a argumentação não parece digna de um jurista que se preze e menos ainda de um conselheiro de Estado. Então, Senhor Conselheiro, se num negócio simulado entre os representantes das partes nele envolvidas nenhuma daquelas promover a sua declaração de nulidade isso retira ao negócio o carácter simulado e passa a conferir-lhe validade? E seriedade? Então e a responsabilidade dos administradores esgota-se na assinatura? Francamente!

UMA EXPOSIÇÃO DE EXCEPÇÃO

Começou no dia 30 de Abril e vai até 27 de Setembro, a exposição de Monet com o título "O tempo das ninfas". É no Palazzo Reale, junto à Piazza Duomo, bem no centro de Milão. O período em causa é o que cobre a última década de Oitocentos e vai até 1926. Agora que a Primavera parece que veio para ficar e que as ninfas começam a andar por aí, apelando aos seus encantos, nada como apanhar um avião e ir até ao coração da Lombardia. Aqui fica aqui um cheirinho.

CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS

É hoje que Dias Loureiro vai à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o BPN esclarecer os seus lapsos de memória. Ao fim destes meses todos certamente que teve tempo para vasculhar papéis e reconstituir o filme dos acontecimentos. Já estou a imaginar a excitação de Nuno Melo e dos camaradas do Bloco de Esquerda e do PCP contabilizando as vezes em que o depoente irá corrigir a versão anterior. Mas no meio do frenesim quer-me parecer que alguns espíritos do PSD começam a recuperar a lucidez quando convidam o senhor conselheiro a deixar vago o lugar que ocupa no Conselho de Estado. Não há nada como um par de eleições à porta e de sondagens para os começar a fazer descer à terra.

MAU SINAL

O único problema verdadeiramente grave que esta questão levanta não tem a ver com a redução das coimas sob o pretexto do aumento da sua amplitude, mas o de perceber até que ponto o papel do parlamento em governos de maioria absoluta é ainda útil. A partir do momento em que as maiorias se transformam em chancela do executivo, desvaloriza-se a componente substancial da sua internvenção em prol de formalismos de fachada. Sabe-se hoje que o acefalismo faz escola. É que os mesmos que entenderam há três anos atrás que as soluções consagradas legalmente eram as melhores são exactamente os mesmos que agora a querem mudar, sob os mesmos pretextos - a protecção ambiental - e sem que nada nem ninguém seja responsabilizado. Já chega de experiências e de condescendências em matéria ambiental.

ATÉ ONDE CHEGA A IGNORÂNCIA



Já não sei se será ignorância ou apenas mais um efeito do aquecimento global!

segunda-feira, maio 04, 2009

PRIMAVERA EM SEVILHA



(20minutos.es)


PARA QUEM SE INTERESSA POR ESTATÍSTICAS

O quadro reporta-se a 2005 e diz respeito às remunerações brutas anuais dos parlamentares europeus. Consta de "Il Costo della Democrazia" de Cesare Salvi e Massimo Villone e já foi aqui citado (edição de Oscar Mondadori de Agosto de 2007). Nalguma coisa havíamos de estar à frente dos espanhóis!

ASSINO POR BAIXO

Estas declarações só pecam por tardias. Eu assino por baixo o que ele diz e se tivesse de acrescentar alguma coisa era apenas para dizer que se Quique percebesse alguma coisa nunca teria dispensado o Léo.

sexta-feira, maio 01, 2009

REGIONALIZAÇÃO EM MARCHA

Ora aqui está mais uma notícia digna de registo. E se começassem já as obras? Hoje é dia do trabalhador mas parece mais o 1º de Abril. O melhor é ir-me embora antes que me dê a solipanta.

INCOMPREENSÕES

É claro que é provincianismo para não dizer outra coisa. Mas já em Macau havia membros do Governo que inauguravam coberturas de paragens de autocarro, como foi o caso de uma junto ao defunto Hyatt Hotel, na Taipa, oferecida por alguém que não recordo. O que eu não percebo é como é que escrevendo estas coisas e o mais que se sabe (e se lê com gosto), se vai depois de férias (presumo, é certo) para Varadero. A franqueza às vezes é chata.

SELVAGENS À SOLTA

Custa reconhecê-lo, mas quando se vê que 35 anos depois do 25 de Abril, num 1º de Maio em liberdade, "trabalhadores" afectos à CGTP insultam e cospem num dos homens que mais fez para que eles, os energúmenos que o insultaram e cuspiram, pudessem fazê-lo numa democracia consolidada, a única coisa que apetece dizer é que continuamos a viver num país de selvagens. Mesmo não gostando do timbre vocálico de Vital Moreira não há nada que o justifique. Espero que a democracia continue a saber resistir a esta cambada de débeis mentais que querem acabar com ela.