sábado, maio 31, 2008

OS DERROTADOS DAS DIRECTAS DO PSD

1. Luís Filipe Menezes: Foi sempre um fantasma que pairou sobre o partido e a campanha. Disse que não falava da campanha e não fez outra coisa durante todo o tempo. Errático, destroçado, incapaz de parar e perceber que ainda poderia ter um lugar no partido. Deitou tudo a perder. Só mesmo num partido como o PSD alguém poderia acreditar nele para primeiro-ministro. Um verdadeiro desastre político. Hoje demonstrou também não ter estatura política nem para presidente de uma comissão de condóminos. Destila fel e rematou o seu número chamando canalha a quem venceu as eleições. Uma verdadeira tragédia.

2. Alberto João Jardim: Uma derrota estrondosa. Depois do flop da candidatura deve estar agora a preparar a defesa da sua gente contra a "Operação Furacão". A vitória de Manuela Ferreira Leite vai ser o fim do jardinismo. Já não era sem tempo. Os "cubanos" vão-se fartar de gozar com ele.

3. Caciques do PSD: Com Mendes Bota e Ângelo Correia à cabeça. Para o primeiro é a certidão de óbito político. Vai ser remetido para os confins da bancada parlamentar e tudo fazer para garantir um lugar (qualquer) nas próximas listas. Macário Correia é o senhor que se segue e aquele que melhor se posiciona para liderar o PSD no Algarve. Para Ângelo Correia é uma meia derrota pois já sabia o que esperava Passos Coelho. Tentou disfarçar, juntar a sua gente, mas não lhe deram ouvidos.

4. Pedro Santana Lopes: Esteve muito mal nos ataques a Manuela Ferreira Leite. Para quem tinha a cagança de dizer que tinha ganho todas as eleições com excepção das legislativas de 2005, a partir de hoje passa a somar mais uma derrota no currículo. E das negras. Perder para Manuela Ferreira Leite não tem nada de estranho. Perder para Passos Coelho, o "puto da jota", é uma humilhação. Não merecia outra coisa, mas teve a elegância de ainda assim não descer ao nível de Menezes. Servir-lhe-á de lição.

5. Paulo Portas, Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa: A vitória de Manuela Ferreira Leite vai tirar-lhes o protagonismo que tinham adquirido devido à inexistência do PSD. Os atauqes a Sócrates vão perder fôlego e tempo de antena. Vão ter de dividir a pantalha com a senhora e estas, como todos os cavalheiros sabem, têm sempre a primazia.

OS VENCEDORES DAS DIRECTAS DO PSD

1. Manuela Ferreira Leite: Mostrou merecer a liderança do partido e os militantes deram-lhe um voto de confiança. Está duplamente de parabéns. Depois da saudosa Maria de Lurdes Pintasilgo, é a primeira mulher portuguesa em condições de liderar uma fatia importante do país. Vamos esperar para ver a sua equipa e aquilo que será capaz de fazer.

2. Pedro Passos Coelho: É jovem, tem algumas ideias, não deitou tudo a perder. Uma incógnita.

3. José Sócrates: Volta a ter um interlocutor sério. Manuela Ferreira Leite poderá ser a candidata mais difícil, mas mesmo contra a vontade dele será a única que poderá favorecê-lo, porque será também a única com capacidade para exigir dele mais do que aquilo que ele tem dado. Mais rigor, mais coerência, mais profundidade no discurso político e nas reformas.

4. Cavaco Silva
: Não manifestou apoio a nenhum dos candidatos mas também ninguém duvidava de quem ele apoiaria se pudesse fazê-lo. Tem razões para estar satisfeito.

5. José Pacheco Pereira
: Está em 5º lugar nesta lista mas podia estar em 1º. É o mais vitorioso. A única oposição interna consistente a Menezes, o único a remar contra a maré do unanimismo serôdio, o único que anteviu o estrondoso fracasso de Menezes e o triste espectáculo da sua equipa de sub-elites. O Paradoxo do Ornitorrinco e a Quadratura do Círculo fizeram mais por Manuela Ferreira Leite do que Santana, Menezes e toda a campanha da candidata. Fica também com especiais responsabilidades porque qualquer fracasso da nova liderança será também um fracasso seu.

COMEÇARAM AS LEGISLATIVAS DE 2009

Espero que José Sócrates tenha percebido que as legislativas de 2009 começaram hoje. A vitória de Manuela Ferreira Leite e a sua eleição para a presidência do PSD são um sério aviso aos últimos tempos da governação socialista. Um sinal de que a partir deste momento são dispensáveis (sempre foram, mas agora ainda mais) os vetos por teimosia, as declarações inflamadas e as proclamações laudatórias. O estilo dos encontros quinzenais no parlamento vai ter de mudar. Erros como o da manifestação dos professores ou as discussões de cariz "animalesco" deixam de ser irrelevantes. Qualquer erro na governação, qualquer medida inconsequente, colocará o partido abaixo da maioria absoluta e o país em situação de ingovernabilidade. O PS não se pode permitir tal coisa. Os portugueses nunca lhe perdoariam um deslize desses.

O SEGUNDO QUE CHEGA À FRENTE

Pedro Passos Coelho ao obter 31,07% de votos nas eleições directas do PSD garantiu um lugar ao sol e pode a partir de agora reclamar, legitimamente, uma quota-parte de responsabilidade no futuro do partido. O seu segundo lugar é nas actuais circunstâncias uma vitória. O PS tem de começar já a marcar-lhe o terreno se não quiser vir a ter surpresas.

O CHEIRO DO PODER

O simpático Vítor Silva, o decano dos deputados municipais do PSD em Faro e uma das incontornáveis figuras locais do partido, braço direito de Mendes Bota na arregimentação algarvia, depois de ter apoiado Luís Filipe Menezes não perdeu tempo e rumou a Lisboa em dia de eleições. Face à perspectiva de vitória de Manuela Ferreira Leite foi direito à sede da candidatura desta. Quando Pacheco Pereira chegou e conversava com Dias Ferreira e Miguel Beleza, lá estava ele, pronto a chegar-se à frente e a apoiar a nova líder. Não há nada como o cheiro a poder para motivar alguns dirigentes locais. Sempre ao lado dele qualquer que seja o líder. Do cheiro é claro.

O SENHOR 29%


"As bases do meu partido nunca me deixaram ficar mal"
Pedro Santana Lopes, 20 de Maio de 2008

Com este resultado, face ao número de equipas em prova, Pedro Santana Lopes nem sequer à UEFA vai. Por uma vez as bases do partido tiveram pena dele e não o deixaram ficar mal. Bem pode agradecer-lhes.

sexta-feira, maio 30, 2008

DIA DE REFLEXÃO

Hoje seria dia de reflexão para as hostes do PSD. Seria, pois quero crer que vai ainda ser de campanha. Além de que todos já deverão ter reflectido o que tinham a reflectir. Alguns, verdade seja dita, também não precisam. Ou porque se habituaram a fazer as contas em cenouras e fardos de aveia ou porque nunca souberam. Contudo, há quem se preocupe e no fim sempre se espera que não haja chapelada, nem mortos a votar. O que aconteceu com a apresentação das listas terá constituído um aviso à navegação para acalmar eventuais tentativas. Oxalá saiam reforçados e com ideias. A política precisa, a democracia exige-o.

DEBATES QUINZENAIS

O rocambolesco espectáculo dos debates quinzenais na Assembleia da República continua. Aquilo que era suposto ser uma manifestação de vitalidade democrática, de informação e debate, acabou por se revelar um circo quinzenal, em que os gladiadores já sabem de antemão o que vai ser discutido e tentam misturar o tema com os fait divers da actualidade política. Já se viu que as oposições são medíocres - ontem percebeu-se que Francisco Louçã devia ir até à Graciosa e ficar lá durante uns meses largos, para se reconciliar com a vida e para ver se perde o seu tom azedo e deselegante, e Paulo Portas devia voltar a dedicar-se ao jornalismo onde se revelou e para o qual tem inegavelmente mais talento do que para a política - mas o Governo não pode entrar nesse jogo. As rábulas de José Sócrates começam a não se distinguir das de Santana Lopes. A política não é um mero jogo de tiro aos patos e lançamento de foguetes de cada vez que acerta num. Ou pelo menos não deveria ser.

UMA LUFADA DE AR FRESCO

Já passaram uns dias desde que Rui Costa apresentou o melhor reforço do Benfica para a próxima época. Foi um jogador de elevada craveira, é técnico com créditos firmados, rigoroso, com espírito de vencedor e pinta de campeão. Se a tudo isto acrescentarmos o facto de não usar bigode, tal como o director desportivo, isso só pode querer dizer que se perspectiva uma época em grande.

segunda-feira, maio 26, 2008

AVISO

Este blogue não fechou, não encerrou para férias nem o editor está zangado com a vida. Bem sei que da última vez disse que voltava logo a seguir, mas desta é que é para valer. Não desesperem que o Santana Lopes ainda não ganhou nada, o barril de crude não foi hoje que atingiu os 200 dólares e o Benfica já tem treinador. Com jeito a coisa compõe-se.

quarta-feira, maio 21, 2008

LINK

Hoje, graças a uma gentileza do Pedro e dos seus amigos do Corta-Fitas, escrevi aqui umas linhas. E como dizia o outro, desculpem qualquer coisinha. Amanhã há mais.

terça-feira, maio 20, 2008

FELGUEIRAS E O ESTADO DO PAÍS

Aquilo que ontem aconteceu no julgamento que está a decorrer em Felgueiras e de que alguns jornais hoje dão conta (Diário de Notícias, Correio da Manhã, Público), em que um juiz-conselheiro jubilado, ao que parece primo de Fátima Felgueiras, fez graves acusações à Polícia Judiciária e a magistrados do Ministério Público, incluindo a um vice-procurador-geral da República, envolvendo a falsificação de documentos, a eliminação de páginas originais de processos judiciais que foram depois substituídas por outras, histórias de lençóis e paixonetas não correspondidas, revela bem o estado em que está a justiça portuguesa e aquilo a que alguns se prestam. O processo de Felgueiras, tal como o da Casa Pia, em cada sessão apresenta novos contornos. Em comum têm o facto de se arrastarem eternamente e de haver declarações bombásticas e inconsequentes. A gente normal fica estarrecida. Não há palavras que descrevam o espanto e a desconfiança que tudo isto gera. Enquanto este estado de coisas se mantiver, bem pode o Dr. António Cluny lamentar a falta de reconhecimento público pelo papel da sua magistratura. Certamente que na judicatura haverá quem diga o mesmo depois de ler os relatos da imprensa. Num país em que são cada vez menos os que se sabem dar ao respeito e honrar a sua cidadania, também são cada vez mais os que, ainda que silenciosamente revoltados, já não se admiram com nada. O Procurador-Geral da República não pode ficar indiferente ao que ontem se passou em Felgueiras. O desconforto que homens como o Luís Eloy e muitos outros anónimos e trabalhadores magistrados sentem por esse país fora vai paulatinamente alastrando e o seu desencanto é igual ao do homem do povo. A refundação da Justiça de que falava o conselheiro Joaquim Carvalho é imperiosa. As coisas não podem manter-se assim sob pena de tudo isto se desagregar. O cheiro bafiento e promíscuo de alguns poderes e seus actores não pode continuar a alastrar e a tudo impregnar. A democracia não é auto-suficiente.

segunda-feira, maio 19, 2008

FINALMENTE A PALMA DE OURO

Posso não gostar de muitos filmes dele. De outros já gostei mais. Mas hoje está de parabéns o decano do cinema português. Esta tarde, em Cannes, Manoel de Oliveira arrecadou a Palma de Ouro 2008. E tem a inegável vantagem de manter o bom humor e não ter a sobranceria de Saramago.

COERENTE

O apoio de Carlos Carreiras à candidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD é, como se alcança, um acto da maior coerência política do vice-presidente da Câmara de Cascais. Pena é que depois de ter sido o primeiro a promover a putativa candidatura do soba da Madeira, não tivesse aproveitado logo para esclarecer quais os pontos de contacto entre Jardim e Passos Coelho que o levaram agora a orientar o apoio para o segundo. Em especial no campo das ideias.

CONTRADIÇÕES DA ALMA IBÉRICA

O El Pais e o Correio da Manhã dão destaque aos resultados de um estudo que coloca lado a lado as preferências futebolísticas e/ou sexuais de vários povos. Em relação aos noruegueses, suecos e alemães, a avaliar pelo proverbial sucesso que os homens do Sul da Europa têm entre as mulheres desses paises, as conclusões não surpreendem. A apetência futebolística desses povos supera largamente o seu apetite sexual, levando mesmo 95% dos suecos a dizer que o futebol é a única coisa que desperta a sua paixão e que 88% deles já beijou ou abraçou um desconhecido durante uma partida de futebol. É, pois, natural que as formosas suecas procurem fora de portas a paixão que não encontram dentro do seu país. Já os espanhóis aparecem como os europeus sexualmente menos activos, visto que 72% deles prefere uma partida de futebol da sua equipa a uma noite de sexo. Este dado ofusca, para não dizer outra coisa, a imagem que os espanhóis têm de si próprios, e a fama de homens como Julio Iglesias, Antonio Banderas ou, mais recentemente, Javier Bardem. No pólo oposto estão os portugueses, verdadeiros machos latinos, dos quais apenas uns míseros 17% eram capazes de trocar uma noitada de sexo por um jogo de futebol. Nesta parte fiquei satisfeito. O estudo fazia-nos justiça. O drama está em que o estudo também revela que os portugueses são os mais chorões, com 4 em cada 5 a admitirem que já choraram num jogo de futebol. Fiquei perplexo. Podia lá ser agora. Não se pode confiar nestes estudos. Os tipos de certeza que se enganaram. Depois de pensar um pouco em tais números acabei por tirar as minhas conclusões. É claro que os estudos nunca podem dizer tudo. Por isso mesmo, perante o número esmagador de 83% de portugueses que preferem o sexo ao futebol, concluí que os chorões que nos envergonham estarão nos outros 17% de choninhas que prefere o futebol ao sexo. Afinal sempre são uma ínfima parte. Como se esses machões que por aí andam aos berros nos estádios fossem capazes de chorar por causa de uma bola de futebol. Pelo Rui Costa ainda podia ser, agora por uma bola...

CONTEMPORÂNEOS?

O novo programa de humor (será mesmo?) da RTP é um desastre. Bruno Nogueira e companheiros não vão a lado nenhum. Os textos são maus, as charlas medíocres e requentadas, o mau gosto é de antologia. Assim se perde o talento e se presta uma péssimo serviço ao público. A propósito: que faz Maria Rueff no meio daquela malta?

UM SÉCULO DE MEMÓRIAS

(Diego Urdiales, San Isidro 08, 13 de Maio, foto ABC)

Aproveitando a feira de San Isidro, está a decorrer em Las Ventas uma exposição de fotografia intitulada "Cien años de toros, un siglo de imágenes". A exposição termina em 8 de Junho e tem mais de 200 fotografias do arquivo histórico do ABC (1907 a 2007). De Manolete a Gallito, de Góngora a Hemingway, passando pelo nosso João Moura, está lá toda uma época.

PAVILHÃO DO ARADE

Graças a um simpático convite, tive oportunidade de acompanhar a 9ª edição do Festival Internacional de Publicidade e Comunicação em Língua Portuguesa que decorreu em Portimão, no Pavilhão do Arade. Para além de constituir uma excelente iniciativa destinada a premiar e a dar a conhecer o que de melhor se faz em matéria de publicidade e comunicação, a edição deste ano permitiu-me conhecer o novo pavilhão de Portimão. Com uma arquitectura moderna e um design funcional, constitui mais uma excelente infra-estrutura para dinamizar a região. Não há dúvida de que em Portimão se está a trabalhar bem e a tirar o melhor partido das potencialidades do concelho. As iniciativas multiplicam-se e os resultados começam a aparecer. Vamos é esperar que as obras da ponte velha não se eternizem.

sexta-feira, maio 16, 2008

CANNES 2008

(Caprice Bourret e Hofit Golan, foto AP no Corriere della Sera)

Com alguns portugueses em destaque, começou a maior festa do cinema (quem disse que era do outro lado do Atlântico mentiu). Todo o esplendor e o glamour da Sétima Arte estão em Cannes. Nunca a mulher foi tão venerada. Definitivamente, tal como Trauffaut, continuo a gostar de admirar les femmes qui aiment les hommes qui aiment les femmes. Na imagem as novas estrelas de Tarantino na apresentação de "Death Proof".

quinta-feira, maio 15, 2008

UNS PÂNDEGOS

A imagem ontem dada por um conjunto de deputados a receberem o arguido Pinto da Costa na Assembleia da República para um jantar de confraternização, comemorativo da conquista do título nacional de futebol pelo Futebol Clube do Porto, é o espelho de uma certa classe política que não tem a noção do seu estatuto, das conveniências e das distâncias. O regionalismo bacoco é tão grave quanto a corrupção de que o convidado é acusado, com a agravante de não perceber o que é a separação de poderes numa democracia. Talvez o presidente da Asssembleia da República possa oferecer aos senhores deputados confraternizantes alguns exemplares da Democracia na América, d' O Espírito das Leis e da Educação de Emílio para eles aprenderem essas coisas tão simples. Demoram mais de 6 minutos a ser lidos, mas não é necessário que o façam na casa de banho, ao contrário do que o seu convidado possa sugerir-lhes. Também poderão fazê-lo no plenário em vez de lerem "A Bola", os que o fazem. Aos que não apareceram ao "repasto" espero que lhes seja feita justiça divulgando-se os seus nomes.

DÚVIDAS

Um primeiro-ministro pode alegar a ignorância da lei? Será admissível que ele manifeste o seu desconhecimento sobre o conteúdo de uma lei que ele próprio aprovou? Um pedido de desculpas e uma promessa iludem a questão? Há nisto alguma polémica? Com quem se aconselha o primeiro-ministro?

quarta-feira, maio 14, 2008

O FLOP

Tal como se esperava, o prometido flop aconteceu às 15 horas. Não foi preciso aguardar pelas 5, pelas cinco em ponto da tarde, ao contrário do que acontecera no poema de Lorca. As bestas sempre têm mais resistência, outra fleuma. E dão o corpo ao manifesto.

A PROPÓSITO DE UM CERTO VOO PARA CARACAS

Do artigo 2º do Decreto-Lei n.º 10/2004, de 9 de Janeiro, que estabelece o regime aplicável às contra-ordenações aeronáuticas civis:

"Salvo tratado ou convenção internacional em contrário, o presente diploma é aplicável aos factos praticados:
a) Em território português, independentemente da nacionalidade do agente;
b) A bordo de aeronave registada no Estado português;
c) A bordo de aeronave alugada, com ou sem tripulação, a um operador que tenha a sua sede em território português"

Do n.º 2 do artigo 4º da Lei 37/2007, de 14 de Agosto:

"2 - É ainda proibido fumar nos veículos afectos aos transportes públicos urbanos, suburbanos e interurbanos de passageiros, bem como nos trasnportes rodoviários, ferroviários, aéreos, marítimos e fluviais, nos serviços expressos, turísticos e de aluguer, nos táxis, ambulâncias, veículos de transporte de doentes e teleféricos".

Pergunta-se:
1 - A TAP - Air Portugal tem sede em território português?
2 - Um avião fretado à TAP - Air Portugal ainda é território nacional?
3 - À TAP - Air Portugal está sujeita às leis do Estado?
4 - José Sócrates é o primeiro-ministro de Portugal ou de uma república das bananas?
5 - José Sócrates é o secretário-geral do Partido Socialista ou de uma associação de bacanos?
6 - A Procuradoria-Geral da República já instaurou os competentes processos aos titulares de cargos políticos que violaram as leis da República?

Problema não é o facto da lei ser fundamentalista ou aberrante. O problema está na retórica do discurso político, na mensagem que se quer fazer passar, no estilo e na imagem das instituições. Mas é claro que me calarei se o objectivo de José Sócrates for o de hipotecar, a um um ano de vista, a maioria absoluta e transformar este país num país de "antónios nunes". Será que alguém pode emprestar a José Sócrates o Tratado da Argumentação de Chain Perelman?

terça-feira, maio 13, 2008

TEGGY

Quando a vejo a matriarcalmente arengar com o atónito Mário Crespo, ante o sorriso prazenteiro do Prof. Fernando Rosas, sobre a terminologia lúdica do I.D.T., fico a pensar se numa próxima encarnação a Teggy não daria uma boa ministra da Família de um governo de esquerda. Aliás, quem me garante a mim que ela, sob a capa da ingenuidade, não possui a varinha que transforma partidos conservadores e desinteressantes em instrumentos de dissuasão da toxicodependência, em máquinas de combate político, em cavalos de Tróia? E ainda há para aí uns palermas que dizem que a mulher é loura. Louro sou eu que ainda pago a TVCabo.

AUTOGESTÃO

As últimas declarações de António Nunes, o charutoso presidente da ASAE, indiciam que a instituição está em autogestão. Quando há umas semanas atrás foi revelado o caso do Porto, em que uma circular impunha o cumprimento de metas mínimas em matérias de rusgas, abertura de processos e multas, Nunes veio dizer que isso não passava de um documento interno do qual não tinha conhecimento. Duas semanas depois ficamos todos a saber que afinal o documento interno de trabalho foi distribuído por todos os serviços regionais da ASAE para ser devidamente cumprido e não houve uma alma que fosse que questionasse a sua razoabilidade. Quando a bomba rebentou na comunicação social, Nunes, pressuroso, veio dizer que era apenas mais um lapso, mais uma distribuição por engano. E, de novo, ele não tinha conhecimento do que se passava em sua casa. A seguir vieram Paulo Portas e a direcção do CDS/PP pedir a sua cabeça. As razões são conhecidas, tanto mais que Portas também aprecia uma boa ópera. Nunes foi então à televisão mostrar a sua pesporrência e a sua força. O sujeito entende que não pode ser responsabilizado pelas asneiras dos seus subordinados e por isso vai dizendo o que diz da forma como diz. Do lado Governo nem uma palavra. De dentro da ASAE nem um tugido. O medo é mais que muito. E a única razão que encontro, embora não a possa confirmar, é que Nunes deve esconder segredos que levam os seus superiores a temê-lo. Um poder assente no medo é algo terrível e impensável numa democracia consolidada. Pior ainda quando uma promissora coragem acaba por se revelar pífia e se deixa impregnar pela teimosia, pela mentira e pela falta de lucidez. Aí entramos já no campo da loucura.

POR QUE SERÁ?

Quem hoje ouve Álvaro Braga Júnior e vê o que está a acontecer no Boavista quase já nem se lembra do que aconteceu no tempo em que ele esteve no Benfica com Vale e Azevedo. Vamos aguardar mais um tempo para ver se mesmo na 2ª divisão o Boavista não vai ter mais uns salários de 1ª para pagar ao ex-jornalista. Ou, quem sabe, umas letras para honrar.

VALHA-NOS NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Em dia de Nossa Senhora de Fátima, se não for ela a valer-nos também não serão os poderes públicos a fazê-lo. Logo hoje havia de ser publicada a Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira n.º 12/2008/M que tem por título "Congratulação pelos 30 anos de governação do Dr. Alberto João Jardim da Região Autónoma da Madeira". Tratando-se de um verdadeiro monumento à estupidez e de um insulto às instituições democráticas, é, antes de tudo o mais, uma desfeita a Jaime Gama e Cavaco Silva. Se eu estivesse no lugar deles rezava já uma dúzia de orações. Pode ser que dessa forma ainda vão a tempo de evitar a descida ao purgatório antes da inevitável subida aos céus.

sexta-feira, maio 09, 2008

UMA BOA NOTÍCIA NA ÁREA DA SAÚDE

Ben sei que hoje, Dia da Europa, foi assinada por Cavaco Silva a promulgação do Tratado de Lisboa. Mas essa notícia terá muito menos efeito na vida dos portugueses, nos próximos tempos, do que esta outra que hoje se conheceu. A publicação para consulta e discussão pública do novo anteprojecto da Saúde sobre as convenções é a melhor notícia do dia. A D. Fátima Campos Ferreira bem pode ir preparando um Prós e Contras. É que parece que finalmente se vai dar conteúdo a um célebre parecer da Entidade Reguladora da Saúde sobre a matéria. E fazer justiça a Correia de Campos. Podem consultá-lo aqui. Espera-se uma reacção nervosa e atabalhoada dos grandes grupos recheados de gestores, engenheiros e economistas, os mesmos que ultimamente começaram a tomar conta do sector, passeando-se em potentes carros alemães enquanto derretiam milhões para garantirem posições aos patrões e lixarem os médicos pequenos e independentes. É bem feito.

UMA FANTOCHADA

Esta tarde, depois de múltiplas fugas de informação, o que não deixa de ser revelador da forma amadora e pouco séria de actuar daquela gente que tomou conta da Liga de Clubes, o país ficou a saber que o FC Porto vai ser punido com seis pontos de penalização, num campeonato que há muito acabou e que todos sabiam quem ganhou e com que vantagem aproximada mesmo antes do fim. Esta penalização, como é bom de se ver, só é aplicada nesta altura porque não tem qualquer efeito prático. Tivesse a decisão sido tomada há 4 ou 5 meses atrás ou produzisse ela efeitos só na próxima época, então talvez as coisas fossem diferentes e outro galo cantaria. Assim, como foi, não serve para nada, a não ser para desprestigiar ainda mais o pobre, estafado e humilhado futebol português. O mesmo acontece com a sanção de descida de divisão aplicada ao Boavista. A equipa do Bessa sempre estaria condenada a isso devido à sua situação fiscal e às dívidas acumuladas a não iniciar o próximo campeonato. Fazê-la descer agora de divisão é também totalmente irrelevante. Igual coisa sucede com as punições de Pinto da Costa e João Loureiro. O primeiro está à beira da reforma e tem vindo a prepará-la paulatinamente, o segundo retirou-se no momento em que começou a sentir os fundilhos a arder e as gentes do Bessa começaram a ficar incomodadas com a excelência da sua gestão. Também os pontos retirados ao Leiria são irrelevantes e perfeitamente inócuos em relação a uma equipa que já estava despromovida antes da decisão. O único efeito das sanções agora aplicadas vai ser o de ajudar a encher os cofres da Liga e garantir que Hermínio Loureiro, fazendo pouco ou nada, como seria de esperar, engorde a "menina" que lhe garante o poleiro. Infelizmente, esta vergonha não vai ficar por aqui. Há recurso e enquanto o pau vai e vem e vendem-se jornais e enche-se a pantalha com os fatos castanhos dos catedráticos do futebolês. Que Portugal não é a Itália nem a Inglaterra, onde a corrupção é combatida por gente da mais séria que há, independente e com tomates, já todos nós sabíamos. O que desconhecíamos era a dimensão da falta de vergonha. Ficámos hoje a sabê-lo, apesar de continuarmos ainda a ignorar quando terminará.

Monica em Lisboa

Já tem umas semanas, mas é sempre um deleite para os sentidos. A curta metragem que Gabriele Muccino rodou em Lisboa com as mil e uma personagens de Monica Bellucci. A diva continua a encantar, mas desta vez o herói é mesmo il portuguese José Fidalgo. Aqui.

terça-feira, maio 06, 2008

PRESUNÇÃO E ÁGUA BENTA...

Santana Lopes apresentou a sua candidatura à liderança do PSD para, como ele diz, "ousar enriquecer Portugal". Resta agora saber se, depois da magnífica experiência do seu governo, o menino-guerreiro vai conseguir, primeiro, convencer o seu partido, depois convencer o país de que ele é a melhor solução e, no fim, convencer os portugueses a serem ricos... com ele. A avaliar pelo passado vivido e pelo discurso prometido, já não devem ser muitos os que querem enriquecer "à sua custa". Com sorte talvez arranje um madeirense aqui, um algarvio mais além, mas daí ao Euromilhões ainda vai alguma distância. Qualquer pobre honrado e que se preze dispensa a companhia de um vendedor de ilusões, preferindo ser discreto e feliz na pobreza a penhorado na televisão, todos os dias às 20h.

segunda-feira, maio 05, 2008

LEOPOLDO CALVO-SOTELO Y BUSTELO

(Madrid, 14 de Abril de 1926, Pozuelo de Alárcon, 3 de Maio de 2008)
Foi "inginiero de Caminos" e doutorado pela Universidade Politécnica de Madrid em 1960. Depois, procurador das Cortes, ministro do Comércio no 1º Governo pós-franquista presidido por Arias Navarro, ministro das Obras Públicas com Adolfo Suárez e 74º presidente do Governo de Espanha. Foi durante a votação para a sua investidura que Tejero de Molina entrou pelo parlamento adentro tentando derrubar a frágil democracia espanhola. Não conseguiu. O 23-F entrou na História como uma marco na defesa dos valores democráticos e constitucionais. Antes de terminar o seu curto mandato ainda resistiu a mais uma tentativa de golpe em 27/10/82. A ele se deve a adesão da Espanha à NATO, mais tarde confirmada por referendo, e um contributo decisivo para a adesão da Espanha à União Europeia. Merecidamente, em 2002, o Rei Juan Carlos fez dele Marquês de la Ria de Ribadeo e Grande de Espanha. Ultimamente estava afastado da política. Desencantado com os homens que hoje a fazem. Faleceu no sábado. A democracia espanhola e os democratas de todo o mundo, da direita à esquerda, têm para com ele uma dívida de gratidão.

ISABEL JONET

(foto Público)
Desta mulher costuma-se falar uma ou duas vezes por ano quando o Banco Alimentar Contra a Fome vem para as ruas recolher meios para ajuda aos mais desfavorecidos. Desde há vários anos que o faz de forma exemplar, congregando meios e vontades em prol dos menos afortunados. É um trabalho devotado e silencioso para o qual contribuem muitos milhares de anónimos, jovens e menos jovens, gente com meios e remediados, em torno de uma ideia que a todos devia motivar. Quando no próximo ano se lembrarem da atribuição do Prémio Pessoa não se esqueçam dela e da sua obra. Estou certo que o próprio Pessoa não desdenharia atribui-lo.

DE TANGA

O Público revelava ontem, a propósito do pagamento de uma multa de € 233.415 ao Tribunal Constitucional, que a situação económia e financeira do Partido Social-Democrata (PSD) é catastrófica, a ponto do seu secretário-geral se ter visto na contingência de escrever uma carta ao juiz-presidente daquele órgão pedindo o pagamento da dívida em prestações. Entre outras coisas, o impagável Ribau Esteves escreveu que "dada a muito delicada situação financeira que o PSD atravessa de momento e a indisponibilidade de crédito, revela-se-lhe da maior dificuldade - sob pena de afectar seriamente o desempenho de funções democráticas que constitucional e legalmente lhe estão cometidas - assegurar o cumprimento imediato das sanções". Em termos gerais, o PSD tem um "passivo de 13,5 milhões de euros, a que se deveriam somar 15 milhões de dívidas a terceiros". O anterior secretário-geral diz que não percebe de onde veio uma dívida dessa ordem de grandeza. Eu também não. Mas ao ler o que Ribau Esteves escreveu não posso deixar de me interrogar como é possível que este partido, o maior da oposição, com centenas ou milhares de economistas e gestores nas suas fileiras, incluindo ex-ministros das Finanças, que recebe uma avultada subvenção estatal para desempenhar as suas funções e esteve no governo até 2005, se permite criticar a política económica e financeira do Governo de José Sócrates quando é certo que nem sequer para si consegue crédito bancário. É, pois, natural, que num partido neste estado seja difícil à sua direcção vislumbrar os disparates de Jardim e se fale em coisas como "choque fiscal". Não me levem a mal, mas talvez seja melhor o PSD contratar alguém externamente que lhe permita endireitar as contas antes de se abalançar a outros voos. Que tal pedir ajuda ao Francisco Louçã?

SERÁ SÓ INGENUIDADE?

O ar espantado e assustado não augurava nada de bom, mas a fala pausada e aparentemente reflectida deixava antever alguma contenção e aprumo. Aos poucos foi-se revelando um verdadeiro desastre político. Alberto Costa poderá não ter a sorte pelo seu lado, mas há erros que custam muito caro. A última entrevista do director da PJ ao Diário Económico fala por si. A falta de sintonia com o ministério e o Governo é total. De que estão à espera para fazê-lo regressar aonde ele faz mais falta e é mais útil?

quarta-feira, abril 30, 2008

COMPLEXOS DE INFERIORIDADE

Continua a cruzada em torno do PSD. O líder da Madeira veio dizer que perante a multiplicidade de candidaturas, o futuro presidente do partido arriscava-se a ser eleito com 21% dos votos e que, nessas circunstâncias, a Madeira não o reconhecerá. Para ele, um presidente eleito com menos de 50% dos votos, numa eleição democrática e participada, não gozará da legitimidade suficiente para se impor. Pelo meio, Jardim, sem explicar como é que Menezes se afundou com a legitimidade que tinha, lançou mais um descabelado ataque contra uma "certa burguesia dos salões de Lisboa e do Porto" que tenta "desvirtuar um partido popular e social-democrata como é o PSD"(sic). Gosto em especial da última parte. Quando ele diz "popular" e "social-democrata" faz por ignorar que essa burguesia foi a base para a formação do partido, a começar por Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, Miller Guerra ou Miguel Veiga, e constituiu o respaldo ao longo dos anos para que o PSD se cimentasse como um dos dois maiores partidos democráticos e garante da democracia portuguesa. Em especial quando, como ainda muito recentemente, a deriva populista se quis apossar do partido. Jardim esquece mesmo que ele próprio e a sua malta ilhoa são hoje a burguesia madeirense, embora ordinarote no estilo e nos modos, e que a única diferença entre a "burguesia dos salões de Lisboa e do Porto" e a que ele representa está em que a primeira não possui uma rede clientelar de apoio ao seu serviço, ao contrário da segunda que a tem sempre pronta a satisfazer os interesses, egoísmos e aventuras dos seus caciques. O que acontece na Madeira acontece também no Algarve, em Viana do Castelo, em Viseu ou em Castelo Branco. A fragmentação do PSD é fruto da coexistência de diversas sensibilidades. Não há qualquer artificialismo nisso e muito menos drama. Por isso mesmo é que a distinção não deverá ser feita entre "burguesias", ou entre "burguesia" e "povo", como quer Jardim, mas entre líderes competentes e líderes incompetentes, entre líderes corajosos e líderes cobardes. O que distingue um líder competente e corajoso de um medíocre é a capacidade, com as regras do jogo, de congregar forças e dar ao partido a coesão necessária aos combates futuros, de forma a poder levá-lo até esses combates em posição de aspirar à vitória. Manuela Ferreira Leite ou Passos Coelho perceberam isso. Jardim ainda não o percebeu. Mas tem agora uma oportunidade única de pulverizar os seus adversários, de esmagar essa "burguesia dos salões de Lisboa e do Porto" contra a qual ele quixotescamente pretende lutar, obtendo um resultado que o catapulte para as legislativas e unifique o partido. Bastaria que se apresentasse aos eleitores. O problema de Jardim é ter medo dos eleitores. Medo e complexo de inferioridade. Ele sabe que só com um aparelho totalitário e clientelar, como o que criou na Madeira, e com a subversão das regras do jogo - criação de uma 2ª volta -, depois de marcada a data do jogo, é que eventualmente conseguiria triunfar. E sabe que não o conseguirá fazer a tempo das directas. Esse é o seu drama e o de quem o apoia. Daí o apelo à desistência dos candidatos que se apresentaram e o seu indecente estrebuchar.

P.S. Não posso deixar de estranhar o apoio de Carlos Carreiras a Jardim. Custa-me perceber como é que um cavalheiro educado e responsável se mete no mesmo "pacote" de Jardim. E não acredito que o facto de ter trabalhado durante algum tempo com alguém que ficou famoso por atirar garrafas de água pela janela do carro o obrigue agora a colocar-se desse lado da barricada. Como em tudo na vida pode ser que haja razões que a razão desconheça.

terça-feira, abril 29, 2008

E QUE TAL PRIVATIZAR A SEGURANÇA NAS ESQUADRAS?

A notícia, humorística na essência dir-se-ia, de que um grupo de vândalos entrou pela esquadra de Moscavide da PSP, no domingo passado, em perseguição de um desgraçado que ali se refugiara e acabou sovado ante a impotência do único polícia de serviço, diz bem do estado em que está a política de proximidade e dos seus efeitos quando no terreno não há homens nem meios que a garantam. Desta vez não houve mortos, nem partiram a esquadra toda, mas noutras circunstâncias os efeitos poderiam ter sido bem mais graves. Basta pensarmos no que aconteceria se o fugitivo e o grupo perseguidor fossem membros dessas claques de futebol que enchem de "colorido" as bancadas de alguns estádios, as estações de serviço das auto-estradas ou o metro e os comboios nos dias de jogo. É óbvio que aquilo que aconteceu é consequência da falta de meios e de um inexplicável economicismo numa das áreas da intervenção do Estado que não pode ser gerida à maneira de um qualquer supermercado. A não ser que o objectivo seja também privatizar a segurança das esquadras, entregando-a a uma qualquer empresa do ramo para satisfação da bolsa de um desses tropas na reforma que se especializaram no negócio. Quem sabe se Paulo Portas, ao falar como fala, não se lembrou já disto e apenas aguardava a melhor oportunidade para concretizar mais uma "privatização"?

segunda-feira, abril 28, 2008

EQUÍVOCOS

Alberto João Jardim quer deixar o Governo Regional da Madeira. Mas continua com vontade de permanecer na política. Na Madeira não poderia prosseguir a sua carreira num lugar subalterno. Logo pensou em mudar-se para o continente. Assim, como quem não quer a coisa, começou a mostrar-se disponível para liderar o PSD. Quis colocar-se à margem das disputas internas para dar um ar respeitável à coisa. No seu partido, gente incapaz de apreciar um bom filme dos Monty Python sem se rever nos estafermos que nos fazem rir, logo saiu a terreiro para dizer que já via em Jardim o líder do partido e o candidato do PSD a primeiro-ministro. Veio então Jardim ao Conselho Nacional, anseando pela entronização, só que como não lhe fizeram a vontade foi-se embora amuado. No Algarve, Mendes Bota e o seu exército de infelizes, com excepção de Macário Correia, apressaram-se a manifestar-lhe apoio, convencidos de que o homem iria dar-lhes a mão. Esqueceram-se foi de que Pedro Santana Lopes já perguntara ao seu espelho se havia alguém mais habilitado do que ele para dirigir o partido. Como é homem de antes quebrar que torcer, este fim-de-semana Alberto João Jardim voltou a concretizar a sua disponibilidade, mas fê-lo com um pequeno "mas". Numa primeira fase deu a entender que queria concorrer sozinho. Depois bastava-lhe que Santana Lopes e os outros se retirassem para ele poder defrontar sozinho Manuela Ferreira Leite, "a candidata do regime". Regime que só na sua cabeça existe e que ele inventa para justificar a sua própria existência e os dislates que vai proferindo. Diz ele que não quer ser mais um "metido num saco de gatos de candidaturas que não merecem sequer confiança". O problema de Jardim é que as "regras" da Madeira não podem ser transpostas para o lado de cá e quem diz se as candidaturas merecem confiança ou não são os eleitores do PSD e não o directório do partido ou os caciques que pagam as quotas e fazem as listas. Para quem tem tanta confiança nessa coisa indefinida e inexplicável que são as "bases" do PSD, não se percebe a exigência de Jardim. A não ser que ele tema que outros sejam mais capazes de "orientá-las" na hora do voto. Jardim sabe perfeitamente que em democracia ele tem tantas hipóteses de ser líder do PSD ou primeiro-ministro como tem Mendes Bota. Ou seja: nenhumas. Porque os medíocres clientelismos regionais que ele estimulou e que ao longo do anos regou com o dinheiro dos contribuintes nacionais para ganhar eleições na Madeira, não têm qualquer hipótese de sobrevivência deste lado. Por saber disso quis fazer mais um número de circo. Ao sofisma da falta de tropas, rapidamente resolvido pelas tropas que lhe disponibilizaram, ele quis contrapor o da multiplicidade de candidaturas. A insularidade tem-no protegido, mas não chega para disfarçar a falta de coragem, a ausência de estratégia, a falta de ousadia, a duplicidade de comportamentos, a incapacidade para liderar e a falta de força congregadora. O problema a final não era de falta de tropas. Era, como se vê agora, um problema de generais. Jardim não suporta que haja outros como ele, em especial mais capazes do que ele a arregimentarem as "bases", e o resultado é o que se vê: toda a jactância de que deu mostras acaba por morrer, ingloriamente, arranhada e mal tratada num saco de gatos. É bem feito.

FIM-DE-SEMANA DE LUXO

Em Itália, com uma prova espectacular e a arte de um sobre-humano, Pedro Lamy trouxe para Portugal mais uma vitória nas Le Mans Series, vencendo de forma categórica os 1000km e Monza. A Peugeot bem pode agradecer-lhe a ousadia e começar a preparar as 24H de Le Mans. Um dia antes, o jovem Álvaro Parente, dando seguimento aos bons resultados do ano passado, dominou da 1ª à última volta a 1ª corrida de GP2 disputada no Circuito da Catalunha. A única nota negativa vai para a ausência de uma bandeira portuguesa no circuito espanhol. Aquele pano encarnado e vermelho a imitar a bandeira devia merecer um protesto formal do Automóvel Clube de Portugal junto dos responsáveis internacionais e do RACE (Real Automóvil Club de España). Uma vergonha.

sexta-feira, abril 25, 2008

25 DE ABRIL

O Presidente da República aproveitou as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República par alertar o país e os responsáveis políticos para a ignorância dos jovens. De facto, não saber quem foi o primeiro presidente da República após a revolução dos cravos, desconhecer quantos países tem a União Europeia ou se o Governo tem uma maioria absoluta são exemplos de ignorância extrema. O problema é que Cavaco Silva se esquece que a ignorância dos jovens é reflexo da ignorância dos seus pais, na maior parte dos casos gente que obteve os seus canudos, ou como agora se diz as suas qualificações, nos tempos gloriosos da revolução, muitos deles entre um charro e uma "rga" (reunião geral de alunos para os neófitos) ao mesmo tempo que faziam a sua aprendizagem política e procuravam inserir-se profissionalmente. Depois da conquista da liberdade era a barriga, o conforto imediato e o desejo de ascensão social que primeiro falavam, o que era natural e normal. Só que alguns idiotas mais qualificados acharam que o resto viria sozinho e o resultado está à vista. Estou certo de que o inquérito que foi feito aos jovens se se tivesse sido realizado à geração dos 40/50 anos provavelmente daria um resultado muito parecido. Aliás, o melhor reflexo dessa ignorância está numa boa parte das nossas classes políticas e autárquicas e nas lideranças dos partidos. Basta ouvi-los. Já não sou do tempo da célebre disciplina de "OPAN" (Organização Política e Administrativa da Nação), leccionada nos liceus antes do 25 de Abril e que, servindo de mera propaganda para o regime que caiu, sempre dava umas luzes sobre a organização e o funcionamento do Estado. Mas apanhei uma coisa parecida chamada "Introdução à Política", que embora não me tenha servido para muito, sempre ajudou a cimentar as minhas escolhas e a minha visão do mundo graças a um ou outro professor que conseguia imprimir algum interesse às aulas. Há muito que me apercebi dos níveis de ignorância e de iliteracia. Basta olhar para o meu meio profissional. Quando há tempos uma jovem magistrada perguntava por que razão se escrevera "dia do aniversário natalício do requerente", quando, dizia a sujeita, o requerente não fazia anos no dia de Natal, percebi definitivamente o estado em que estamos. Partilho, pois, das preocupações de Cavaco Silva nesta matéria e creio que elas fazem todo o sentido no dia de hoje. Porém, convirá não esquecer as responsabilidades da geração que tomou o poder após o 25 de Abril. Se hoje a ignorância atingiu tais foros foi porque alguém o permitiu e esse alguém numa democracia consolidada tem nome. Ou tem vários nomes e estes podem ir da irresponsaibilidade ao compadrio, do clientelismo à corrupção, do oportunismo ao carreirismo político e à política do betão. Ignorância, falta de educação, ausência de sentido cívico e de cidadania normalmente caminham de braço dado. Quando hoje olhamos para os novos estados que integraram a União Europeia, cujas democracias começaram a dar os primeiros passos quase 20 anos depois do 25 de Abril, e nos apercebemos do avanço cultural, e em especial cívico, de algumas dessas democracias, designadamente da República Checa ou dos países bálticos, devíamos envergonhar-nos com o que nesta matéria conseguimos em 34 anos de democracia. O falecido Sottomayor Cardia apercebeu-se bem de tudo isso e por isso mesmo, mas não só por isso, chegou a falar do "atrofiamento da democracia". Fê-lo a tempo e horas, com a liberdade, a inteligência e a grandeza de espírito e de carácter que fizeram dele uma referência incontornável da democracia portuguesa. Por isso mesmo, neste dia, em que passa mais um ano sobre a revolução de Abril, aproveito as palavras de Cavaco Silva para o recordar. O melhor que este regime poderia fazer seria a introdução de uma disciplina obrigatória de cultura, ética e cidadania ao nível do ensino secundário, a partir do actual 9º ano e até ao 12º, dando-lhe a mesma relevância que se dá à matemática ou ao português e sem a qual não seria possível passar de ano. Tenho a certeza de que ao fim de uns anos os resultados se começariam a fazer sentir. Essa seria a melhor mensagem que este Governo poderia transmitir às novas gerações. Há obrigações e responsabilidades numa sociedade democrática para com as gerações vindouras que só podem ser cumpridas pela escola pública. Seria bom que se pensasse nisso, em especial nesta altura, quando se torna cada vez mais evidente que as famílias e a sociedade não conseguem cumprir decentemente o seu papel na formação das novas gerações e a escola pública continua a ser muito mal tratada. O caminho da cidadania é sempre o mais difícil de trilhar. Mas é exactamente por aí que tudo deve começar. Sem isso nunca será possível construir uma democracia mais participada, um país mais justo e socialmente mais equilibrado e ter, um dia, uma classe política e autárquica respeitada e respeitável. Nesse dia, quem sabe, poderemos não ter atingido o patamar da excelência, mas seguramente que teremos atingido o da decência. E este seria uma irreversível conquista de Abril.

quinta-feira, abril 24, 2008

VÃO SER DE ESTALO!

(foto A.Cotrim/Lusa reproduzida no Expresso)
As reuniões do Conselho Nacional do PSD, e os seus congressos, são sempre momentos de grande mediatismo, balbúrdia e encantamento.É impossível ficar insensível ao que ali se passa com a entrada e saída de dirigentes, as estratégias, os candidatos, as listas, tudo é negociado até à última hora e ao mais ínfimo pormenor, como se de uma bolsa se tratasse com os corretores correndo de um lado para o outro, aos berros, de telefone na mão, gritando, uivando, enfim, num corrupio interminável. Desta vez veio Alberto João Jardim. Mas ao que parece saiu zangado. Deram-lhe o exército mas o tipo queria ter a certeza de que não havia outro galo para o mesmo poleiro. Nesse cenário nada feito. Os apelos que tornavam irresistível a sua candidatura, de Carreiras, de Marco António e de Mendes Bota, caíram em saco roto. Logo os repórteres e as câmaras correram atrás de Santana Lopes. Até houve um canal de televisão que entrou em directo e acabou a anunciar que afinal o homem ia apenas satisfazer as suas necessidades fisiológicas. Pela amostra que ontem tivemos ainda nos vamos divertir. E muito. Motivos não faltam. As directas vão ser de estalo. Esperemos que não no sentido literal.

GENERACIÓN Y

O título deste post é o nome do blogue de Yoani Sánchez, uma cubana que acabou de ganhar o Prémio Ortega y Gasset 2008 de jornalismo digital. Hoje, o El Pais publicou uma entrevista com ela cuja leitura se recomenda. A ela e ao blogue. Este último, escrito a partir de Cuba, é uma boa forma de ir acompanhando o que por lá se passa, em especial agora que estamos em tempo de mudanças. Aqui fica uma amostra do que ali se escreveu, antes da partida de Yoani para Espanha, onde foi receber o merecido prémio que lhe foi atribuído.

"Estoy haciendo una nueva carrera universitaria. No está relacionada con alguna especialidad, pero podré obtener un diploma de “licenciada en sortear la burocracia”. Los temas de estudio son los trámites y papeles para viajar fuera de Cuba y, las asignaturas, llevan una buena dosis de paciencia, mansedumbre e incógnita. A este curso intensivo en “papeleo” no he llegado en cero, sino que arrastro una década ejercitándome en el fragor de la tramitología. Hay que agregar los múltiples estrellones contra los funcionarios y una lenta resignación ante el tufillo de las oficinas.
La experiencia de hablar con burócratas –para los que siempre falta algún documento, un cuño o una firma- me permitirá agenciarme la máxima calificación en algunas materias. No obstante, tendré que superar cierta predisposición al arrebato, una furia inconveniente cuando me dicen “su papel no ha llegado a tiempo” o “eso tienen que aprobarlo más arriba”.
El resultado final de este ejercicio será una pequeña tarjeta blanca donde se me autoriza a salir de Cuba para recoger el premio Ortega y Gasset. Insisto que no se trata de “viajar”, ya que ningún cubano usa ese verbo para la acción de ir al extranjero. Nosotros saltamos, cruzamos, salimos o nos vamos; pero viajar es demasiado poco cuando de brincar la insularidad se trata. Incluso, la ansiada autorización que necesito es conocida como “permiso de salida” y lleva en sí el sonido de cerrojos que se abren.
No sé si sirvan de mucho las horas acumuladas en las colas, las certificaciones de nacimiento legalizadas, el hábito de llevar hasta los documentos que no hacen falta -como la tarjeta de vacunación o el último recibo de la electricidad-. No sé, pero intuyo, que la respuesta a mi solicitud de viaje ya está tomada y espera por mí en una gaveta. Nada de lo que haga podrá evitar que la llave abra o cierre la puerta.
Mientras, llego a creerme que “salir” es posible
".

A FRIVOLIDADE AO PODER

(foto publicada no blogue de Claudio Caprara)

Foi candidata a Miss Itália, modelo e estrela televisiva. Dela disse Berlusconi um dia, em plena televisão, que se casaria com ela se não fosse já casado. Depois a rapariga integrou as listas da Forza Italia na Campânia. Agora que Berlusconi voltou ao Governo de Itália, dizem as crónicas, prepara-se para nomeá-la ministra da Família! É por estas e outras que eu adoro a Itália. Desconheço, e parece que também os italianos, as qualificações da jovem, mas aos 32 anos é obra.

OPORTUNIDADE

Não lhe admiro o estilo nem o verbo. Mas reconheço-lhe a coragem, a inteligência, a dedicação à causa pública e o sentido de oportunidade. E oportunidade é o mínimo que se pode dizer do que escreve Ana Gomes a propósito das declarações de Paulo Portas sobre a irresponsabilidade e os erros da Administração Fiscal. Portas não é ingénuo, mas gosta de se fazer e de tomar os outros por pacóvios. Haja ao menos alguém que lhe ponha os pontos nos ii.

quarta-feira, abril 23, 2008

SENTIDO DE HUMOR (2)

O de Luís Filipe Vieira. Quando confrontado com as declarações de Manuel Damásio sobre a crise no meu clube, entre outras pérolas menores registei uma: a de que "a estratégia" e as "grandes ideias" durante todos estes anos saíram da cabeça dele. E depois não há-de um tipo convencer-se de que do bigode para cima aquilo é só massa cinzenta. Nem o Paulo Bento se atreveu a tanto. E com os 5-3 sempre poderia tê-lo dito. Com o risco ao meio todos o compreenderiam. A começar pelo Vieira.

SENTIDO DE HUMOR

O do Presidente do PSD-Algarve. Mal Luís Filipe Menezes se demitiu fez logo aprovar uma moção apelando à recandidatura do líder. Não houve votos contra. Só uma abstenção. Foi por pouco. Mais um bocadinho e era bingo. Mas a política tem destas coisas. Um tipo esforça-se que nem um camelo para ser gente na política nacional, passa a vida no Alfa para cima e para baixo e estes gajos nem isso reconhecem. Não querem saber. E anda um homem a trabalhar para isto.

PAULO TEIXEIRA PINTO

Registo sóbrio e ponderado. Autenticidade. Parcimónia nas palavras e na adjectivação. Elevação e nobreza de carácter, mas acima de tudo inteligência, argúcia e humildade. Foi assim que eu vi a entrevista de Paulo Teixeira Pinto ao "Dia D". Foi impressão minha ou a Ana Lourenço ficou sem palavras? Deve ser bom trabalhar com um tipo assim. A todos os títulos notável.


P.S. Mas quem é que disse ao Mário Crespo que ele tem jeito para declamar? Por momentos pensei que estavam a enfiar-lhe algum supositório.

EXÉRCITO EM LEASING

Se bem ouvi, e ouvi mais do que uma vez, Carlos Carreiras, líder da distrital de Lisboa do PSD, avançou esta manhã aos microfones da TSF com a proposta de que Alberto João Jardim se devia candidatar à liderança do PSD. Não sei se a ideia de Carreiras se ficou a dever ao facto de ter levado com alguma bolada de Roger Federer durante um dos seus serviços na final do Estoril Open, mas depois de Jardim dizer há dias que tinha uma estratégia para tomar conta do partido e que só lhe faltavam as tropas, seguramente que Santana Lopes e Luís Filipe Menezes estarão dispostos a rentabilizar os seus exércitos ao serviço de Alberto João Jardim. Se eu fosse a eles fazia-lhe um leasing com opção de compra no final. Quem sabe se no fim das directas ele não os quererá levar a todos para a Madeira. Aos generais e às tropas. Era meio caminho para declarar a independência do arquipélago. Já não lhe faltaria tudo. Tropa já tem. E para munição servem as bananas.

terça-feira, abril 22, 2008

JÁ É CERTO

Manuela Ferreira Leite vai ser candidata à liderança do PSD. É uma boa notícia para a democracia e para os portugueses. Sócrates que se vá preparando. É previsível que volte a haver mobilização e debate político no país. Já basta de asnos.

BASTARAM 5 MINUTOS

No Prós e Contras de ontem à noite, lá estavam entre os habituais convivas Ângelo Correia e Zita Seabra, figuras gradas da D. Fátima e que botam discurso sobre tudo e mais alguma coisa, Pedro Passos Coelho, Patinha Antão e os politólogos Joaquim Aguiar e André Freire. Os dois primeiros por serem candidatos à liderança do PSD, os dois últimos por saberem mais sobre o PSD de olhos fechados que os outros todos juntos. O debate lá correu, morno, prolongado, fastidioso. Tirando uma ou outra intervenção foi o habitual. Mas o que marcou a noite foi definitivamente o discurso non sense de Patinha Antão e a complacência da jornalista para com a descarada campanha eleitoral interna que aquele protagonizou no programa. O PSD de Menezes tinha de facto uma direcção de gritos. Até um maneta assumido lá tinha. Se Menezes podia aspirar por um sucessor à sua altura tem-no ali. Dizia o homem ao país que é professor catedrático, mas o que todos viram foi prosápia de cátedra. A amostra dada prepara-nos para o que ainda vamos ver. Por isso, não será de admirar que amanhã Patinha Antão apareça a dizer aos militantes do PSD que Manuela Ferreira Leite não poderá ser uma boa líder do partido porque nunca teve tantos berlindes como ele.

sexta-feira, abril 18, 2008

A NÃO PERDER: ESTORIL OPEN

(foto EPA, no SIC online, reproduzida com a devida vénia)
Pela primeira vez um jogador português vai defrontar o n.º 1 mundial numa prova a contar para o circuito mundial. É esta tarde no Jamor. Frederico Gil irá defrontar Roger Federer nos quartos-de-final do Estoril Open.

NOTÁVEL!

"O Pedro tem particularidades de respeitabilidade" - Ângelo Correia, na SIC Notícias, às 21.50, quando ontem se pronunciava sobre as alternativas a Menezes.

O FIM DA PICADA?

Ao apresentar ontem a sua demissão, Luís Filipe Menezes foi saudado por muitos militantes do PSD como tendo feito o que era inevitável. Aparentemente terá sido mesmo assim. Mas eu duvido. Cheira-me mais a esperteza saloia de uma daquelas sumidades que o catapultou para a liderança e o convenceu das suas capacidades "inatas". De novo deixou o caminho a meio e não levou a carta a Garcia. A dúvida permanece, pois, naturalmente instalada, face à dubiedade, habitual, do seu discurso e ao facto, como sabiamente notou Luciano Alvarez no Público, de depois do que disse ter ido jantar para Sintra e discursar aos militantes, dando a ideia de que está a iniciar uma nova campanha. Se Menezes não pretende recandidatar-se, se o objectivo não é permitir a manipulação do aparelho partidário por um dos seus homens de mão, então devia ter sido mais claro e ter marcado as eleições para mais tarde. Além do mais, não parece muito inteligente marcar as directas para um fim-de-semana de Maio que é antecedido de uma ponte (dia 22 é feriado). A não ser que o objectivo seja mesmo fazer directas com os militantes de papo para o ar no Algarve e matar de vez o PSD. Mas a verdade é que em matéria de inteligência os seis meses que Menezes e a sua direcção passaram no PSD também não ficarão para a História. Infelizmente ainda há muitos militantes que não conseguiram ver isso e, talvez também por isso mesmo, Ângelo Correia ainda hesite. Ontem à noite, na SIC-N, quando a demissão já estava consumada, Ângelo Correia ainda dizia que "em princípio" apoiará Menezes numa eventual recandidatura. Em "princípio"? E falou ele em lealdade.

UMA SOLUÇÃO RÁPIDA

É o que se espera das elites do SLB. Os número começam a ser incontornáveis: mais de 80 contratações em 7 anos e 7 treinadores, entre os efectivos e os temporários, dizem tudo sobre o descalabro. Depois das últimas derrotas, do artigo de Domingos Amaral no Diário Económico, da carta de Jaime Antunes no Público de hoje e de tudo o mais que por aí se diz e escreve, é tempo de Luís Filipe Vieira demonstrar o seu benfiquismo e convocar eleições antecipadas de maneira a que a nova época possa ser preparada com lucidez e tempo. Já chega de disparates, de declarações arrebatadoras e inconsequentes e de artes de carroceiro. Não há clube com a dimensão do SLB que sobreviva sem resultados desportivos. O clube ficar-lhe-á eternamente grato.

quarta-feira, abril 16, 2008

"PARTIDOS POLÍTICOS - PERSPECTIVAS FUTURAS"

O site do Jornal Região Sul, de onde a foto que ilustra este post foi retirada, anuncia que Pacheco Pereira estará em Tavira, no dia 24 de Abril, para dar uma palestra sobre o tema "Partidos Políticos - Perspectivas Futuras". A iniciativa, excelente nestes tempos de crise e erosão do maior partido da oposição, é do PSD/Tavira, terá lugar no Hotel Vila Galé e visa comemorar o 34º aniversário do 25 de Abril. Macário Correia mostra assim a sua irreverência e independência em relação à direcção nacional e regional. Neste momento, a grande dúvida de muita gente é a de saber se o presidente do PSD/Algarve, homem de mão de Menezes e que ainda há dias mimoseava o politólogo com o epíteto de "cavalgadura do círculo", também irá estar presente. É que talvez fosse uma boa oportunidade para ele poder aprender alguma coisa de útil, perceber que um partido político não deverá ser uma agremiação visando a promoção pessoal, profissional e empresarial dos seus dirigentes e um repositório de gente rastejante e mal formada.

O REGRESSO

Enquanto se aguarda a segunda volta em Roma, onde Francesco Rutelli ainda arrisca a derrota a favor de Gianni Alemanno, candidato do centro-direita, depois de nas últimas eleições o agora derrotado Veltroni ter obtido um resultado sensacional, a única consolação da esquerda italiana pela terceira vitória de Berlusconi deverá residir nos meios cinéfilos. É que depois de "Il Caimano", se aguarda agora a continuação e o aprofundamento da obra de Moretti. Motivos não irão faltar.

SIGILO FISCAL

O Correio da Manhã revela hoje que um jovem empresário luso-americano, que ontem deu uma conferência de imprensa prometendo dar mais de 38 milhões de euros ao Boavista a troco de nada, desde 2004 que não apresenta declarações de IRS e "consta nas Finanças como contribuinte ‘faltoso’ e ‘moroso’". Desconheço quais as fontes que o jornal tem dentro do fisco para furar o sigilo fiscal e poder dar uma informação destas, mas já agora, se não fosse muito trabalho, gostaria que os jornalistas Sérgio Pereira Cardoso e Tânia Laranjo, que assinam a notícia, me dessem uma ajuda para saber o que lá se diz a meu respeito. Talvez qualquer coisa como "pagador ingénuo" e "tanso", que é o que continuam a ser todos os que pagam impostos neste país.

terça-feira, abril 15, 2008

A MEMÓRIA É CURTA

(foto DN)

Quando se pensava que o PSD iria deixar de dar tiros nos pés, eis que voltou tudo à estaca zero. Agostinho Branquinho meteu a argolada, depois ficou envergonhado e quase pediu desculpa. Logo veio o guerrilheiro Gomes da Silva, em mais um canhestro exemplo de miopia política e falta de nível, atirar-se de novo à jornalista do DN. A seguir foi o coro de críticas que culminou com Marcelo Rebelo de Sousa a considerar "abaixo de cão" o ataque pessoal contra Fernanda Câncio. Finalmente, o inefável Ribau Esteves, arquétipo do provincianismo bacoco da política portuguesa, lembrou-se de vir dizer que a jornalista em causa "na sua coluna semanal no DN, faz um jornalismo de intervenção, defendendo e elogiando permanentemente o PS e o seu Governo, criticando o PSD e os seus dirigentes". A memória do PSD e dos seus dirigentes está, pois, ao nível da sua qualidade política e da natureza das intervenções que fazem. Dir-se-ia que desconhecem o caso do "comissário" Luís Delgado. Este, tanto quanto recordo, tinha uma coluna diária, não semanal, no DN, de onde atacava tudo o que cheirasse a oposição a Durão Barroso e a Santana Lopes. Durante anos seguidos Delgado não fez outra coisa senão atacar o PS e elogiar Durão Barroso, o amigo Pedro Santana Lopes, Morais Sarmento e toda a pandilha que sucedeu a António Guterres. Antes da reunião que entronizou Santana Lopes, dir-se-ia mesmo que Delgado seria um dos participantes. Depois, como se sabe, Delgado acabou como administrador da Agência Lusa, ao mesmo tempo que continuava fazendo "comentário" político nos canais televisivos. Ribau, que nesse tempo conspirava em Ílhavo com os seus conterrâneos, talvez desconhecesse que a Lusa não era uma empresa privada e que se Fernanda Câncio faz "jornalismo de intervenção", então Luís Delgado devia ser uma agência de comunicação do PSD dentro do Diário de Notícias e da Lusa. Que me recorde, nunca ouvi nesse tempo Ribau Esteves, nem Branquinho, nem Menezes, nem ninguém do PSD, queixar-se da escrita panfletária e canina, no duplo sentido de fidelidade ao PSD e dilacerante em relação ao PS, de Luís Delgado. A memória tem destas coisas.

segunda-feira, abril 14, 2008

ESTA É A ALTURA IDEAL


Há alguns dias, Jaime Gama considerou Jardim um esteio da democracia e do desenvolvimento na Região Autónoma da Madeira. Ontem (sábado, segundo o Público), o elogiado, à laia de antevisão da visita do Presidente da República ao arquipélago, e em jeito de agradecimento pelo elogio, chamou "fascista" a um deputado regional, "bando de loucos" à oposição no parlamento regional, disse que não apresentava "aquela gente a ninguém" e esclareceu que uma visita de Cavaco Silva à Assembleia Legislativa Regional iria dar "uma imagem péssima da Madeira" e "ter repercussões negativas no Turismo e na própria qualidade do Ambiente". Quanto à repercussão negativa para o turismo e o ambiente, ela dificilmente seria pior do que os efeitos provocados pela divulgação à escala mundial, há alguns anos atrás, das imagens de um tipo barrigudo, com ar seboso, de tanga e de tambor, a desfilar no Carnaval da Madeira e que alguns tomaram pelo presidente do Governo Regional. Mas independentemente do desrespeito que as declarações agora proferidas demonstram pela própria esssência da democracia, da grosseria e da má-educação patenteadas, mais ao nível de uma besta de que de um líder regional eleito democraticamente, Jardim confirma não ter estatuto nem classe e que só o atraso, a vergonhosa complacência do poder político de Lisboa e o caciquismo tradicional da Madeira, é que o mantêm no poder há tantos anos. É claro que uma visita do Presidente da República ao órgão legislativo regional apenas iria enobrecê-lo e, nessa medida, sabendo-se da forma como por ali a democracia se exerce, entre insultos à oposição e contas aos gastos em sanitas, talvez isso até fosse contraproducente. Dentro do PSD já se percebeu que Menezes, como líder fraco e medíocre, não tem força para o levar à razão e prefere perder o seu tempo a falar para dentro, discutindo, como qualquer bisbilhoteira provinciana, a vida privada de terceiros. Mas seria bom que o presidente da Assembleia da República aproveitasse este momento para rectificar as inacreditáveis declarações que proferiu no congresso da Associação Nacional de Freguesias. Esta seria a altura ideal para Jaime Gama se demarcar das abjectas alarvidades saídas da boca de Alberto João Jardim.

sexta-feira, abril 11, 2008

ANTECIPANDO A PÚBLICA

No próximo domingo a revista "Pública" vai trazer uma reportagem sobre Claudia Cardinale, uma das grandes senhoras do cinema italiano. Antecipando a revista, aqui fica a lembrança. Bom fim-de-semana.

PEDROSA NA FRENTE

Para já segue na frente, Rossi vem logo a seguir. A corrida de domingo é a não perder.

FRUTOS DA DIPLOMACIA ECONÓMICA

No Salão Internacional do Automóvel de Leipzig, actualmente em curso, um dos construtores presentes, a Hyunday, por sinal uma empresa com representação em Portugal, resolveu apresentar um veículo decorado com as bandeiras dos países que estarão presentes em Junho no Campeonato da Europa de Futebol, que irá decorrer na Suiça e na Áustria. O resultado, como se poderá ver pelas fotos não foi animador, em especial no que diz respeito à bandeira portuguesa. No Euro 2004 foram as bandeiras com pagodes chineses em vez de castelos que povoaram as varandas e os estádios, agora passamos a ter uma mini-bandeira finlandesa no meio da esfera armilar. Será que os representantes diplomáticos portugueses na Alemanha já deram por alguma coisa ou continuam a dormir na forma?

(fotos do meu amigo Zé "Pombex", correspondente d' O Bacteriófago na Auto Mobil International 2008)

PEQUIM 2008

Diz que já tinha outro compromisso em agenda. Ficamos sem saber qual era. Quem sabe, talvez os anos do gato.

CONVERGÊNCIA DE OPINIÕES

O artigo de Vasco Pulido Valente na edição de hoje do Público, não está disponível on-line devido à cada vez mais abstrusa política de acesso a conteúdos da sua direcção. O Público já devia ter percebido, ao fim de todo este tempo, que os resultados alcançados até agora não justificam a lei da rolha em relação aos artigos de opinião. Para quem gosta de ler e de jornais, para quem compra regularmente o Público, muitas vezes o problema está apenas em não se chegar à banca dos jornais a horas. Desta vez não foi o caso. Por isso mesmo, não será por causa dessa política do jornal, fomentadora da iliteracia, do analfabetismo militante e da ignorância, que o artigo deixará de estar acessível a mais leitores. Aqui também se faz serviço público. E sem subsídios.

"Em menos de 15 dias, Luís Filipe Menezes propôs para espanto e abatimento dos poucos portugueses, que persistem em o levar a sério: 1º Um debate de fundo sobre a "qualidade" da democracia sob o Governo socialista; 2º A "harmonização" fiscal com a Espanha; 3º A "autonomia sem limites" da Madeira e dos Açores; 4º E uma nova Constituição. Como se isto não chegasse, algumas personagens menores do PSD tentaram arranjar um "escândalo" que envolvia a vida privada do primeiro-ministro. Para guia do cidadão comum, devia existir um registo oficial e diário do que Luís Filipe Menezes anda por aí a dizer. Já começa a ser difícil seguir o delírio político do "chefe" e do partido, sem uma ajuda organizada. A trapalhada atingiu proporções que ultrapassam a inteligência média. As sondagens, de resto, provam isso mesmo: 26,5 por cento do eleitorado não confia em Menezes para dirigir o país. Pior: só 26 por cento tenciona votar PSD (menos do que na pior época de Marques Mendes). Não tarda muito nem esse último grupo de fiéis resiste. Terça-feira, por exemplo, Ângelo Correia saltou do barco. Não por interesse com certeza, porque não tem nada a perder. Porvavelmente, por vergonha. É preciso, explicou ele, que o PSD recupere a "capacidade de pensar". Mas quem lá pela casa pensa? Pedro Passos Coelho, um bom amigo de Ângelo, ofereceu a sua pessoa, aumentou a confusão, que, por outra parte, lamenta. O PSD adquiriu um novo, presuntivo chefe (para o seu longo cemitério da espécie) e ficou mais dividido do que estava. O pânico nunca é racional.
Se esta tragédia ou esta farsa, como quiserem, fosse um episódio interno do PSD, não vinha grande mal ao mundo. Infelizmente, nenhum regime sobrevive à degradação do sistema partidário em que assenta e o regime vigente assentou sempre, e até agora, em dois partidos: no PS e no PSD. Sem o PSD (e com Paulo Portas cercado), não há direita e, sem direita, não há "alternância". Pode haver, em 2009, uma segunda maioria absoluta e um Partido Socialista Institucional, como dantes no México, que tornará Cavaco irrelevante. Ou, se a esquerda (o PC e o Bloco) conseguir o milagre de reduzir o PS à maioria relativa, pode haver um corpo-a-corpo geral, no meio de uma crise económica sem conserto. As duas coisas serão um desastre para toda a gente. O dr. Menezes, que nos faz rir, ainda acaba por nos fazer chorar".


quinta-feira, abril 10, 2008

MALDITAS SONDAGENS!

"O PSD está em queda livre nas intenções de voto. Luís Filipe Menezes não conseguiu inverter a tendência e o partido registou o resultado mais baixo desde que assumiu a liderança, ao obter apenas 26 por cento. Um valor inferior até ao pior resultado do PSD – que aconteceu na presidência de Marques Mendes, que em Junho de 2007 atingiu 26,2 por cento."
"(...) o PSD está desde Janeiro a descer nas intenções de voto e obteve este mês menos 2,4 pontos percentuais do que em Março, de acordo com uma sondagem CM/Aximage. O PS, pelo contrário, subiu 1,9 pontos percentuais ao passar de 33,8 por cento para 35,7 por cento nas intenções de voto. Poderá mesmo existir uma transferência das intenções de voto do PSD para o PS". - in Correio da Manhã

Se isto continuar assim, Menezes poder-se-á orgulhar, dentro de meia dúzia de meses, de ter transformado o PSD de partido sulista, elitista e liberal - que nunca foi - num partido populista, autárcico (não confundir com autárquico) e regionalista. Não façam nada que não é preciso. Com sorte Menezes ainda abdica a favor de Ribau Esteves ou de Mendes Bota. Tristeza? Não. É preciso continuar a dar tempo para "esta liderança se afirmar"!

NÃO GOSTEI

Não gostei, com todo o respeito e estima que me merece, da despedida de Jorge Coelho na Quadratura do Círculo. Tudo me pareceu demasiado piegas, por vezes mesmo um pouco desconchavado. Coelho, sendo um homem do partido, no pior sentido da expressão, é também um homem sério, generoso, empenhado e de convicções. Por isso balançou sempre entre a liberdade crítica e o seguidismo partidário. As suas intervenções foram não poucas vezes pontuadas por um certo facciosismo, que entrava pelos olhos dentro. Percebo agora que muitas vezes não terá sido tão voluntário nem desejado quanto ele quis fazer parecer. Se na altura isso o diminuiu, agora, na hora da despedida, regista-se a sua confissão ao dizer que muitas vezes, ao defender determinadas posições esteve no limite das suas convicções. O papel de ponto nunca fica bem a um homem inteligente. Ali falhou a liberdade, faltou o juízo crítico distanciado e rigoroso, indispensável a quem participa num programa com o formato da Quadratura. Fica-lhe bem que o tenha dito. Mas, talvez mesmo por isso, então não deva voltar a participar em programas do mesmo tipo. Sob pena de se isso não acontecer passarmos a ficar sempre reféns da dúvida quanto à autenticidade da intervenção. Os telespectadores compreenderão. E isso não o irá desvalorizar.

A LER

Na Sábado, de hoje, o artigo de Pacheco Pereira com o título "Um exemplo das coisas que daqui nascem" que com a devida vénia aqui se reproduz:

"O que leva um partido como o PSD a considerar como matéria de iniciativa pública, com envolvimento parlamentar, o facto de a RTP ter feito uma encomenda em 2007 a uma produtora externa (o que é prática habitual de todas as televisões) de um programa sobre bairros sociais e de essa empresa ter encomendado um trabalho a uma jornalista profissional do Diário de Notícias que já tinha escrito sobre a matéria e tinha experiência de televisão? Não se percebe qual a razão de interesse público para um partido levantar a questão. Produtoras externas na televisão pública quando "deveria ter optado por um profissional da casa"? Esta foi a explicação de recuo, por quem pelos vistos nunca vê a RTP, que floresce de produtoras externas. Nunca viram os Gatos Fedorentos das Produções Fictícias? A Contra-Informação da Mandala? Tudo coisas em que "se deveria ter optado por um profissional da casa"?
Mas a razão percebe-se quando se está atento às palavras. Diz Branquinho: "Trata-se de uma decisão escandalosa, pornográfica até". Diz Rui Gomes da Silva no Congresso do PSD da Madeira que "questionou as competências profissionais da jornalista e levantou suspeitas sobre eventuais relacionamentos pessoais que terão favorecido a escolha" (sublinhados meus).
Eu sei a "razão" e é a pior. A jornalista em causa é tida como próxima do primeiro-ministro, o tipo de matérias que floresce como bolor nas conversinhas que referi acima, entre o machismo e a maledicência. Só isso. Não há nada de interesse público no caso. Apenas uma política que voa muito, muito baixo. E é assim que se mata um partido".

PREPARANDO O MOTOGP

Só hoje me chegaram algumas fotos tiradas no Estoril, no passado fim-de-semana, relativas à 1ª prova do Campeonato Nacional de Velocidade - Troféu Promocup, onde pontuam os meus amigos Fernando Fevereiro Mendes (mota 63) e Paulo Vicente (mota 62). Os resultados não podiam deixar de ser animadores.

Quanto à prestação da Suzuki do Paulo aqui fica o testemunho na primeira pessoa: "fiz o 6º tempo da geral (4º da P1) com 1:54,730 que me colocou na segunda linha da grelha de partida ao lado do Bernardo que fez o mesmo tempo (+ 8 milésimas!). No arranque, para variar, não saí bem, e à primeira volta era o 11º a passar. Mas as coisas foram-se compondo e cheguei a rodar em 6º da geral, tendo no final sido passado e acabado em 7º da geral (5º da classe)... Para estreia da nova moto não foi mau, pois foi a minha melhor classificação de sempre (no ano passado o melhor foi um 6º da classe em Braga), e com o meu melhor tempo na corrida (1:53,061) baixei 2,4 segundos ao meu tempo no Estoril e bati em quase 1/2 segundo o melhor tempo do vencedor do ano passado".

Para o nosso rookie Fernando Fevereiro Mendes, o mínimo que se pode dizer é que foi uma estreia auspiciosa: 30º tempo nos treinos, 13º na classe e 24º na geral. O campeonato continua nos dias 3 e 4 de Maio em Braga. Até lá, o melhor mesmo é ir já a partir de amanhã ao Estoril para ver as estrelas do MOTOGP: Pedroso, Elias, Lorenzo, Rossi, Melandri, Stoner, Dovizioso, Hayden, Capirossi, Nakano, enfim, a galeria de notáveis vai lá estar em peso. Oxalá a chuva não estrague a festa, que é com sol que se vêem (aqui não se ratifica o Acordo Ortográfico) as flores.

quarta-feira, abril 09, 2008

ENTÃO E POR CÁ?

O El Pais, um dos melhores jornais do mundo, relata que uma juíza de Motril foi condenada pelo Tribunal Superior da Andaluzia, por negligência, na pena de um ano de suspensão de emprego ou cargo público que implique o exercício de funções judiciais e a pagar 103.000 euros a um desgraçado, de nome José Campoy que, tendo sido por ela absolvido, passou 437 dias na prisão. O Ministério Público de lá, mais conhecido como a Fiscalía, pedia um ano e três meses e cerca de 75 mil euros de indemnização. Em Junho, essa magistrada já fora expulsa da carreira pelo Conselho Geral do Poder Judicial. Disse em sua defesa que se esqueceu de enviar para o centro penintenciário o mandado de libertação do detido; que isso não era culpa sua, mas sim dos obsoletos livros de registo do juízo, uma vez que não podia rever o trabalho dos seus subordinados. Os seus pares não foram sensíveis a estes argumentos. Sabendo isto, neste país chamado Portugal onde os advogados se sentam no banco dos réus ao lado dos seus constituintes e são julgados por se limitarem a exercer o mandato, dentro dos termos legais, embora depois absolvidos mas ainda assim condenados nas alcavalas processuais, é de perguntar se os conselhos que regem a magistratura portuguesa aplicariam penas de expulsão num caso como o descrito. Quer-me bem parecer que não. O caminho a percorrer continua a ser longo.