sábado, maio 26, 2007

PIOR A EMENDA QUE O SONETO


Depois da borrada que foram as declarações que proferiu, o ministro Mário Lino desdobrou-se ontem em vários canais televisivos para explicar e tentar justificar aquilo que não tem justificação. É óbvio que não se tratou de nenhuma gaffe, de um mero lapso ou descuido. E desta vez não houve frases retiradas do contexto. Houve, isso sim, teimosia e tentativa de querer fazer dos outros estúpidos. Não há saco para tipos deste jaez. Mesmo quando inscritos na Ordem dos Engenheiros.

TODOS COM A OVARENSE

Depois dos inenarráveis acontecimentos de Matosinhos, em que uma vez mais a claque dos Superdragões, liderada pelo génio Madureira, felizmente já detido, provocou desacatos, agrediu e insultou com a eficiência habitual, obrigando à intervenção policial, a Ovarense e o FC Porto voltam a defrontar-se para decidirem o título nacional de basquetebol. Espera-se que desta vez o FC Porto leve a dobrar. Nem que seja só pelo pão-de-ló!

sexta-feira, maio 25, 2007

INFELIZES? NÃO, ANTES CRETINAS!


Depois de se proclamar, enquanto ministro de um Governo de Portugal e fora de portas, um iberista convicto, de fazer humor com a licenciatura de José Sócrates e de mais uma série de dislates e de boutades infelizes, Mario Lino, à míngua de argumentos técnicos e políticos que consigam justificar a razão para que não se encarem possibilidades alternativas à construção de um aeroporto na OTA, veio do alto da sua pesporrência, a qual naturalmente encobre a ortodoxia e a falta de senso que durante décadas o levou a militar no mais estalinista dos partidos comunistas da Europa ocidental, proclamar a margem sul do Tejo um deserto, que não tem gente, escolas, fábricas nem hóteis. As declarações, ao contrário do que afirmou Paulo Portas não foram meramente infelizes. São declarações que raiam a cretinice, absolutamente inconcebíveis num governo democrático do século XXI.

Esta malta que fugiu do PCP e que se acostou aos partidos do centro político não consegue manter a compostura e quando atacada, politicamente entenda-se, rapidamente deixa estalar o verniz e assume os tiques autoritários e ditatoriais que antes a caracterizava. Lamentável. Mas ainda mais lamentáveis foram as declarações de Almeida Santos. Para quem, apesar a da sua proveta idade, ainda não aparentava sinais de arteriosclerose, não deixa de ser preocupante ouvir o que ele disse. Almeida Santos atingiu o grau zero da argumentação. E para quê? Um homem com o seu prestigío e passado não pode armar-se em Jorge Coelho por dá cá aquela palha. Dizer que o aeroporto não pode ser construído na margem sul do Tejo porque seria preciso atravessar uma ponte e uma ponte pode ser dinamitada, só mesmo na cabeça destes dois senhores. Então Hong Kong não tem o seu novo aeroporto numa ilha ao largo da cidade? E o aeroporto de Kensai em Osaka onde é que fica? E Macau não construiu um aeroporto numa ilha? Os habitantes de Macau, nova capital mundial do jogo, não têm que escolher entre três pontes para decidir qual delas os levará ao aeroporto? Para que servem os sistemas de segurança, alerta e vigilância? Para quem julgam Mário Lino e Almeida Santos que estão a falar? Como cidadão não posso deixar de me sentir profundamente envergonhado.

segunda-feira, maio 21, 2007

DE QUEM FOI A CULPA?

Independentemente do mérito na conquista do título da liga nacional de futebol, eu já sabia que no Porto se convivia mal com a derrota. Pelos vistos, agora, o sucesso também é cada vez mais difícil de gerir. Ontem à noite a festa portista foi exemplo disso mesmo, e do espírito arruaceiro das claques do FC Porto. No último Benfica-Porto, no Estádio da Luz, atiraram petardos, insultaram, partiram, fizeram trinta por uma linha. A PSP e o senhor Pinto da Costa, entre outros, vieram pressurosos dizer que a culpa foi do Benfica que colocou as claques do FC Porto no terceiro anel. Ontem à noite essas mesmas claques fizeram a festa nas ruas do Porto. Foram para os Aliados. E que fizeram eles? Envolveram-se em confrontos, bateram, insultaram, vandalizaram. Enfim, o normal. Ainda bem que isso se passou no Porto e entre eles. Eu só gostava era de saber se desta vez a culpa dos acontecimentos também foi de Luís Filipe Vieira e dos adeptos do SLB? Se as claques do FC Porto foram provocadas ou se tudo não foi, apenas e uma vez mais, o resultado da falta de civismo daquela cambada de energúmenos que o FC Porto apoia e a quem a sua direcção disponibiliza bilhetes para a bola? Miguel Sousa Tavares e a comissária Paula devem ter a resposta.

INDESCRITÍVEL


A cena de cumprimentos entre António Costa e os seus ex-secretários de Estado no dia da tomada de posse de Rui Pereira como novo ministro da Administração Interna foi algo de absolutamente indescritível. Eu já tinha percebido que o secretário de Estado Ascenso Simões era um típico carreirista do partido, que fizera toda a sua ascensão à sombra da interioridade partidária e de meia dúzia de contactos com os meios de Lisboa. Sempre disponível para servir, sempre disponível para subir. Já antes, quando tomara posse como secretário de Estado, fizera uns comentários pouco propositados, umas declarações infelizes, mas que dizem bem do espírito de quem os proferiu. Agora, a sua iniciativa de promover aquele abraço colectivo entre secretários de Estado e ministro cessante diante das câmaras de televisão, é de facto um monumento televisivo que o Gato Fedorento em boa hora repescou no seu episódio de ontem. Não tenho nada contra aqueles que saindo das berças estudam, trabalham e conseguem impôr-se profissionalmente, seja na sua própria terra ou fora de portas, na "capital". Mas não suporto o carreirismo, o servilismo primário e a bajulice. E naquele abraço despropositado, naquela cena digna de comédia italiana dos anos cinquenta, o que eu vi foi isso mesmo, o que não queria ter visto. E também vi muita bacoquice. Para esta também deveria haver um limite. Em especial quando se exercem cargos públicos.

quinta-feira, maio 17, 2007

QUASE ELEITO


Não o senhor da foto, mas o António Costa, que acabou de deixar de ser ministro de Estado e da Administração Interna, e só esta tarde irá anunciar a sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Irá contar com o meu total e incondicional apoio, embora eu discorde da sua canditatura. Não que Lisboa não o mereça, mas porque entendo, por um lado, que ele era mais necessário ao Governo do país do que à Câmara, e porque continuo a pensar que os políticos, ainda mais sendo profissionais, têm compromissos com os eleitores e não apenas para com os partidos em cujas listas são eleitos. Sei que ele não deixaria o Governo se não tivesse a certeza de que a solução encontrada não iria beliscar a eficácia do executivo, mas outras soluções eram possíveis sem necessidade de se investir contra o prestígio das instituições, colocando uma vez mais em causa o contrato eleitoral.

Certo é que António Costa ainda nem sequer proferiu as primeiras declarações à comunicação social e já se prepara para fazer o pleno. Para já, conseguiu que Ana Sara Brito integrasse a comissão administrativa até às eleições, e reuniu o apoio de José Miguel Júdice, de Saldanha Sanches e do arquitecto Manuel Salgado. O meu amigo Orlando da Costa já não está entre nós, mas seguramente que ficaria satisfeito de poder assistir hoje ao anúncio da candidatura do António.

Com todos os defeitos que possa ter, e alguns terá certamente, com todas as críticas que lhe possam ser assacadas, em especial por funcionários públicos descontentes e autarcas ressabiados, certo é que o António é um dos políticos em que ainda se pode confiar em matéria de valores, em especial honestidade e decência. E isto já não é nada pouco nos dias de hoje.

Por isso mesmo também não estranho que tenha escolhido José Miguel Júdice e Saldanha Sanches como seus mandatários. Este último como seu mandatário financeiro e dizendo que aceitava tal encargo por acreditar que é possível fazer uma campanha sem dinheiros sujos. Não tenho dúvidas disso e é bom que assim seja.

Contudo, não posso deixar, desde já, de formular dois votos: primeiro, que a Câmara não seja lugar de acolhimento dos boys e girls, dos conhecidos, filhos e sobrinhos de familiares, amigos e companheiros do partido. É preciso acabar com essa dança e com a multiplicação de assessores e de adjuntos, impondo algum decoro. Em segundo lugar, que o António cumpra os dois anos até às próximas autárquicas e depois que se recandidate, cumprindo o mandato até ao fim. Lisboa não espera outra coisa. A democracia exige que assim seja.

INSÓLITO MAS REAL


A menina que aparece nestes cartazes é Tania Derveaux. Trata-se da líder do NEE, um partido flamengo que, segundo informa hoje a Lusa, é candidata ao senado da Bélgica. O insólito é que a candidata promete sexo oral aos eleitores que se inscreverem na sua lista. Estão prometidas 40.000 «felatio» no âmbito da campanha eleitoral. O Diário Digital dá conta disto mesmo. A menina que diz que não está a brincar, que se for eleita assumirá o lugar no Parlamento e ao que consta a sua popularidade tem vindo a subir em flecha. Enfim, coisas do mundo...


quarta-feira, maio 16, 2007

O DANTAS NÃO ACERTA UMA!



Depois da única nega conhecida que levou, Marques Mendes resolveu ir a Setúbal e à Assembleia da República buscar Fernando Negrão para o candidatar à Câmara Municipal de Lisboa. Tenho Negrão em boa conta, apesar de ser juiz (ainda não é dos totalmente formatados pelo CEJ, sabe Direito, não é arrogante e é educado!) e daquele episódio da saída dele da Polícia Judiciária, mas não o vejo à frente de Lisboa. Em Setúbal não o quiseram a gerir a cidade e deixaram-no como vereador. Marques Mendes, depois de Fernando Seara lhe dizer que a bola já lhe ocupava muito tempo, lá conseguiu desencantar um "independente". Bem sei que em política o que parece não é, e o facto de Negrão ser um perdedor em Setúbal não significa que não possa ganhar Lisboa. Mas daí até ganhar...

Uma vez mais assiste-se a uma troca de cadeiras. Marques Mendes também alinha no jogo. Os partidos não se distinguem. Os cidadãos não estranham estas movimentações. Elas não fazem parte do jogo político. Elas são o jogo político e contribuem para o desprestígio das instituições, para o afunilamento da vida pública, para o aumento do desinteresse pela participação, pela intervenção cívica e pela vida democrática.

Marques Mendes necessitava de algum fôlego para chegar até 2009. Precisava de se diferenciar, de se distanciar, de marcar o terreno. Está visto que não consegue. Noutras circunstâncias Negrão seria uma aposta válida para Lisboa. Neste momento é apenas mais um que vai ser imolado. Qual o preço disto para o PSD? Fazer esquecer Carmona com outro "independente" que garantias dá a Lisboa? Será muito difícil, para não dizer impossível, António Costa não ganhar Lisboa. E depois? Um bom resultado eleitoral em Lisboa dará ao PS uma nova motivação, constituirá um impulso para uma boa presidência da União Europeia e um novo estímulo para avançar com algumas reformas, preparando as próximas campanhas. Os resultados divulgados esta semana pelo INE, relativamente ao 1º trimestre de 2007, demonstram que Portugal deixou de divergir em relação à média europeia e que já está a crescer acima da média. Este era um dos cavalos de batalha do economista Frasquilho e da actual direcção do PSD para justificar a necessidade de uma baixa de impostos. Neste momento, depois de conhecidos esses dados, deixa de fazer sentido o argumento utilizado. Estando a crescer acima da média, basta continuar como até aqui. O efeito multiplicador e a propaganda farão o resto.

Com este pano pano de fundo será impossível Marques Mendes aguentar o balanço. Depois de aqui há uns meses Cavaco matar o Dantas ao dizer que o Governo estava a governar bem e que o Presidente da República estava em consonância com o primeiro-ministro, temos agora a confirmação de que ressuscitar um cadáver não é tarefa fácil. Em política ainda é mais. Para o Dantas nem sequer em sonhos. O Dantas não acerta uma!

A RAZÃO DO FIM DA INDEPENDENTE


O Diário de Notícias revela hoje que "o acesso às carreiras mais altas da função pública vai deixar de exigir licenciatura aos candidatos" e que esta é "uma das novidade do novo regime de vínculos, carreiras e remunerações que se encontra em fase final de negociação e que deverá dar entrada na Assembleia da República até final de Junho de modo a entrar em vigor em Janeiro do próximo ano". Ou seja, se antes havia algum controlo, pelos menos em matéria de habilitações para os cargos técnicos da Administração Pública, agora isso vai alterar-se. Recordo-me que aqui há uns anos o governador de Macau, se não me falha a memória já era Rocha Vieira, alterou uma norma que impedia o acesso de não licenciados aos gabinetes do governador e secretários-adjuntos e que a partir daí qualquer Afonso passou a poder virar assessor e adjunto. O nepotismo nunca teve tanta força como então, com mulheres, filhos, sobrinhos e afilhados a trabalharem nos gabinetes uns dos outros. Não quero agora pensar que em Portugal um governo socialista com exigências de rigor irá fazer o mesmo que se fez naqueles anos terminais da Administração Portuguesa em Macau, mas vendo a forma como alguns jovens continuam a arranjar emprego no Estado e nas autarquias, não deixa de ser curioso o paralelo. Afinal de contas, se o canudo da Independente não serve para nada, o melhor mesmo é nenhum servir para nada, nivelar por baixo e acabar com a exigência de qualificações académicas. Pena é que isso não tenha sido feito mais cedo. Escusava José Sócrates de ter passado pelo enxovalho por que passou, ou Vara ou Seguro ou outro qualquer terem tido o trabalho de acabar os cursos. Qualquer merceeiro, com todo o respeito que estes me merecem, vai fazer uns cursos daqueles que algumas instituições organizam para os amigos e fica tudo resolvido. Depois é só concorrer. Um dos autores do relatório que propõe tal medida chama-lhe "inteligência prática". Eu chamo-lhe "esperteza saloia". Anda um tipo a perder tempo a tirar uma licenciatura, a fazer pós-graduações, mestrados e estágios de anos não remunerados, quando vai ser tão fácil arranjar um emprego como "técnico superior". Todos ignorantes, mas todos com emprego. Assim é que é.

terça-feira, maio 15, 2007

PARA QUE SERVEM OS MANDATOS?


"Rui Pereira, recentemente eleito para o Tribunal Constitucional, irá ocupar o lugar deixado vago por António costa que será o cabeça-de-lista do PS nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa, agendadas para 1 de Julho.
Rui Pereira, de 51 anos, é licenciado em Direito e Mestre em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
O novo ministro foi secretário de Estado da Administração Interna entre 2000 e 2002 e foi coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal, entre 2005 e 2007
.
15-05-2007 18:27:40" - FONTE: DIÁRIO DIGITAL

A ser verdade o que diz o DD, estes senhores passaram-se de vez! Será que ninguém lhes faz ver que estão a pirar?

AINDA EM CONSTRUÇÃO E JÁ A DAR CARTAS

O espectáculo miserável e xenófobo que tem vindo a ser dado pelos media britânicos em relação a Portugal, aos portugueses e, em especial, à Polícia Judiciária, já há muito que merecia aqui umas linhas. É certo que a baixeza da imprensa britânica, mesmo da mais recomendável, contrasta com as tomadas de posição públicas por parte do embaixador do Reino Unido e dos familiares da pequena Madeleine McCann. Mas tais factos não escamoteiam a natureza dos comentários que têm vindo a ser feitos. Que os ingleses, e em especial a sua imprensa escrita e a televisão, sejam ignorantes em matéria de sistemas jurídicos, leis e de geografia - a Inglaterra não fica no centro do mundo - não constitui um facto novo. Nova é a pretensão de quererem dar lições de investigação e de ética policial e jornalística. Para quem até hoje, como já alguém lembrou, foi incapaz de desvendar quem era "Jack, o Estripador", e é mundialmente famoso pelo envolvimento de muitos dos seus nacionais em actividades de turismo sexual (Brasil, Jamaica, Filipnas, Tailândia), em redes, sites e revistas pedófilas, não deixa de ser curiosa tanta jactância. Durante horas e horas a fio, a Sky News e a BBC, acompanhadas de uns quantos curiosos armados em "especialistas", têm vindo a debitar um número impressionante de alarvidades.

O jornalista Paulo Reis, um velho conhecido de outras lides (e também de Carlos Melancia e do general Rocha Vieira), titular da carteira profissional n.º 734, como ele faz questão de frisar, iniciou um novo blogue, chamado Gazeta Digital, que embora esteja ainda "em construção" já começou a dar cartas. E não o faz por pouco, já que pegou logo no caso da pequena Madeleine para defender a sua dama. Por via das eventuais dúvidas sobre a mensagem e os respectivos destinatários, fá-lo mesmo em inglês.

Aqui fica um extracto:

"(...) Sky News journalist compared the two situations and the conclusion was that the track record of Portuguese Police was a bad one. This is sheer manipulation. Comparing two singles cases and taking conclusions like Sky News did, is going against basic principles from the Code of Practice enforced by the Press Complaints Office, like the obligation of the Press “not to publish inaccurate, misleading or distorted information, including pictures” and the need to correct it, with due prominence.
I’ll remind you that in UK, according to the
UK National Police Missing Persons Bureau, there was an average of 124 unsolved cases of missing children under 14, on the last four years. In Portugal, from the 80 cases of missing persons still open, from a legal point of view [missing for more than one year] only nine are children and one of them is Madeleine.In 2006, the Instituto de Apoio à Criança (IAC, a government department in charge of monitoring child abuse) registered 31 cases of missing underage (-18 years) persons. 24 of them were found by the police. This is a rate of 77, 43 % of success in finding missing children. Two of them were found to be dead. So let’s put these figures very clear: Portuguese Police has a track record of finding 77, 43 % of missing children, even if 6,45 % of those children were found dead, and 22,58 % are still missing [mainly adolescents running from home]. From those 31 missing children, only 5 [6.45] were between one and five years old.
I challenge Sky News, the all British Media and every of those British citizens that have been posting, in blogs, sites and forums so many insulting, offensive, slanderous, racists and defamatory comments about the Portuguese police, to produce the same statistical data about British Police. Than, we can see which one has a bad track record, has Sky News concluded, after a carefully planned manipulation of facts, disguised as “journalism
”.


P.S. O nível dos correspondentes da Sky News pode, aliás, ser avaliado por este naco de prosa de Martin Brunt, publicado no seu próprio site: "One paper seems to have good contacts. The rest of the stuff is best described as "culhoes". In neighbouring Spain that would be "cojones." Se eu mandasse na PJ mandava-os a todos para um certo sítio que eu cá sei. Acabava-se a conversa, que esta malta só com uma marreta em cima é que vai ao lugar. Um nojo.

sábado, maio 12, 2007

A BALDA DESAGRAVADA


O Expresso relata que Carmona Rodrigues, qual diabrete numa loja de rebuçados, resolveu revogar um despacho proferido por ele próprio há um mês atrás pelo qual exonerara a directora de Acção Social da CML, Lurdes Rabaça. Disse-o num "jantar de desagravo" à exonerada, que só o foi por proposta do vereador Lipari Pinto. Como não pode haver duas galinhas no mesmo poleiro, a nomeada Ivone Ferreira terá de fazer a mala e zarpar. Mas como estas coisas não são uma brincadeira, ou não deviam ser, esta última pondera agora processar o município e o seu presidente. E ainda há quem pergunte em que parte do filme é que entra o grande gautama Marques Mendes.

ESTE FIM-DE-SEMANA HÁ


Grande Prémio de Espanha. A Fórmula 1 de volta às pistas do velho continente.

DEPOIS DO ANTÓNIO COSTA É A VEZ DO SEARA

Os telejornais de ontem à noite atiravam com o nome de Fernando Seara como candidato do PSD à Câmara de Lisboa. Também este nome não me suscita grandes dúvidas. Mais quanto à sua integridade do que quanto à sua capacidade para gerir a autarquia lisboeta. Seara tem ainda a seu favor o facto de ser um benfiquista. Todos sabemos que Lisboa tem sido dominada pela lagartagem, e que a avaliar pelo estado de sítio que impera para as bandas de Alvalade, a cidade não pode ser confiada a tais "gestores". O imbróglio em que andam os loteamentos é a prova inequívoca de que se os sportinguistas não se sabem entender entre eles, menos ainda se pode esperar que sirvam para conciliar os interesses de um milhão de pessoas. Mas o que me faz mais espécie é esta sina de não se deixar ninguém acabar o mandato, de se desvirtuar o sentido do voto e os prazos dos mandatos dos eleitos, interrompendo-os por dá cá aquela palha para logo a seguir se apresentar os mesmos como candidatos a outro cargo. Tão depresssa são eleitos como logo a seguir saem. Os actos eleitorais tornaram-se meras rampas de lançamento. Servem apenas para cumprir calendário. Os partidos têm culpa no estado a que isto chegou. Só que não são os únicos. Os candidatos não podem aligeirar as suas responsabilidades: deviam ser os primeiros a recusar esta dança de cadeiras permanente. Por eles e por nós que ainda acreditamos ser a democracia o menos mau dos sistemas.

COMO QUERIA ELA SER TRATADA?


Segundo reza o Diário de Notícias desta manhã, a jovem portuguesa que dá pelo nome de Sabrina e que esteve em Helsinquia a representar a RTP no Festival da Eurovisão, diz que apesar da derrota, irá recordar a sua passagem pelo evento como "uma sorte enorme e um grande privilégio". Mas deve ter pensado que isso é o que dizem todos, acrescentou que "ninguém imagina o que é participar num evento destes. Trataram-me como uma verdadeira artista". Bem sei que a rapariga não é propriamente um coirão, e até tem um par de pernas decente, mas não deixo de pasmar com tais declarações. Como queria ela ser tratada na Finlândia pela equipa da Eurovisão? Como meretriz? Aquilo ainda não é a Serra Leoa, nem Helsinquia passou a Patpong.

sexta-feira, maio 11, 2007

BOM FIM-DE-SEMANA

(foto GQ)
Para quem puder, na companhia da Veronica Echegui e da Laya Mati.

UM PRIMEIRO-MINISTRO, UM LÍDER, UM ESTADISTA


Não será o desastre iraquiano que irá obnubilar os dez anos de governo de Tony Blair. Quando daqui a uns anos já ninguém se lembrar do Iraque, certamente que o milagre irlandês continuará bem vivo. A cimeira dos Açores? Quem nunca errou que atire a primeira pedra.

AO SABOR DO VENTO



Há pouco tempo também ouvi que outro Costa, o António, poderá ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Não tenho dúvidas de que seria um bom candidato, mas começo a pensar seriamente se um partido como o PS não tem mais ninguém. Não é por nada, mas de cada vez que é preciso alguém são sempre os mesmos nomes que vêm à baila. Antigamente era o António Vitorino. Depois, como dali não levavam nada e o homem recusava tudo, passou a ser o Jorge Coelho. Agora lembraram-se do ministro da Administração Interna, da Ana Paula Vitorino e da Idália Moniz. Quando se quer queimar um nome logo alguém aparece a atirá-lo para a fogueira. Bem sei que o António anda com os bombeiros e as autarquias às costas, e às vezes ao colo, mas isso não faz dele um sapador. Chega de confusão entre o Governo e as autarquias. O homem ainda tem mais dois anos de mandato para cumprir e falta-lhe fazer muita coisa. Vejam lá se arranjam outro.

OPERAÇÃO FURACÃO



Li hoje no Público, e também algures na Internet, que o Presidente Cavaco Silva utilizou durante a sua campanha para a presidência uma sede cedida por um empresário português preso no Brasil, no âmbito da chamada "Operação Furacão", alegadamente envolvido na chamada "máfia dos bingos". Ou seja, Cavaco Silva foi enganado porque ninguém lhe disse quem era o benemérito. Para quem há meses atrás fez tanto alarido por causa de um indulto, posteriormente revogado, no qual terá sido induzido em erro pelo senhor ministro da Justiça, é caso para pensar que "chega a todos". É a vida!

quinta-feira, maio 10, 2007

POLÍTICA COM M GRANDE

(foto Expresso Clix)


Há mais de quarenta anos que esta mulher faz intervenção cívica. Todos os dias. A qualquer hora do dia ou da noite. Dentro e fora dos partidos políticos. Há décadas que dá um exemplo de combatividade e de participação pautadas por convicções e princípios de rigor. Esteve com Francisco Sá Carneiro no PSD, quando o PSD era um partido social-democrata e não um albergue espanhol, pejado de oportunistas. arrivistas e regionalistas sedentos de poder e mordomias. Travou combates fundamentais pela defesa da liberdade e da democracia neste país. Antes, durante e depois do PREC. Lutou pela igualdade de géneros, pela dignificação da mulher, pela democracia dentro e fora de portas. Foi autarca quando muitos autarcas ainda nem sonhavam em sê-lo. Nunca precisou de se pôr em bicos dos pés. E ao mesmo tempo conseguiu ser mulher, mãe e companheira, amiga dos seus amigos. Ultimamente também se passou a dedicar à Ordem dos Arquitectos, à defesa de uma verdadeira política do urbanismo. manifestando-se contra a fealdade e o pato-bravismo que marca as nossas cidades e vilas. Tem dado à política, a Portugal e aos portugueses o melhor de si. Lisboa faz parte do seu roteiro de combate. Entregou o cartão do PS para pode candidatar-se como independente à Câmara de Lisboa. Muito poucos podem ousar tais gestos. Ela fê-lo, uma vez mais, porque não tem telhados de vidro e, mais do que tudo, tem uma coragem, um desprendimento e uma vontade indomável. Merecia um PS melhor do que aquele que hoje existe. A política faz-se com gente assim. Faz-se de homens e de mulheres. Como a Helena Roseta. Mas há alturas em que só se faz com M. Como agora em Lisboa. Faz-se com um M maiúsculo. Com um M de mulher.

terça-feira, maio 08, 2007

PORTUGUESES QUE TRABALHAM E DÃO CARTAS LÁ FORA ...

... sem o dinheiro dos nossos impostos e sem o apoio do Alberto João Jardim!
(foto Motorsport.blog.it)

PEDRO LAMY venceu os 1000km de Valência e comanda a Le Mans Series do Mundial de GT. Ao seu lado esteve o francês Sarrazin.


(foto Eurosport)

TIAGO MONTEIRO impressionou na sua estreia no Mundial de carros de turismo (WTCC), ao volante de um Seat, rodando entre os primeiros na prova de Zandvoort (Holanda). Foi 4º classificado na primeira corrida e 9º na segunda. Esperemos pelas próximas etapas.

PARA QUE QUER JARDIM QUE UM FASCISTA FALE COM ELE?


Gastou milhões numa eleição perfeitamente escusada. Mesmo que obtivesse um resultado de 100%, já sabia que a Lei das Finanças Regionais e a Lei das Finanças Locais não seriam alteradas pelo Governo da República. Teve um resultado histórico, quase 70%, com uma abstenção de quase 40%. Sabe-se que o deve à obra, mas também ao analfabetismo, à iliteracia, à manipulação, ao caciquismo, ao compadrio, ao atropelo da legalidade e ao nepotismo. Insulta tudo e todos em qualquer lugar e a qualquer hora do dia ou da noite. Durante a campanha, entre outros mimos em que se especializou e para os quais conta com o beneplácito do Dr. Marques Mendes, chamou "fascistas" aos opositores políticos, entre os quais o secretário-geral do Partido Socialista e primeiro-ministro de Portugal. Indirectamente insultou milhões de portugueses. Ontem queixou-se perante os jornalistas de que o primeiro-ministro não fala com ele. Eu não percebo por que raio há-de ele querer falar com um tipo de quem disse ter obtido uma licenciatura em engenharia civil na Universidade Independente por meios pouco claros e que ainda por cima é "fascista". Para quê? Só podia estar ébrio!

E NINGUÉM PRENDE OS PAIS?


Esta pobre e inocente criança desapareceu de um aldeamento turístico na Praia da Luz, em Lagos, há alguns dias atrás. Desde então, temos assitido a um tabloidismo noticioso que ciclicamente se repete. São declarações extemporâneas da Polícia Judiciária, são declarações infelizes de familiares e amigos, são declarações contritas dos pais. Neste momento todos sofrem, todos procuram a infeliz Madeleine McCann e espera-se que ela apareça rapidamente, com vida e sem ter sofrido maior desgraça do que o abandono a que foi votada pelos seus próprios pais. Os pais desta desgraçada se estivessem em Inglaterra e tivessem feito o que fizeram, abandonar um criança de 4 anos sozinha em casa com dois irmãos de dois anos, à noite, num local desconhecido, sem vigilância permanente de um adulto, num rés-dochão e deixando uma janela ou uma porta de casa aberta, teriam, seguramente, um processo na segurança social. Mais grave ainda quando se sabe por um vizinho que era normal abandonarem as crianças para irem comer e beber. Não tenho dúvidas de que agora estarão arrependidos e tristes com o que fizeram. Mas pais destes além de não merecerem ter filhos, deviam era estar presos. Não há arrependimento que lhes valha. Oxalá que Deus a proteja, já que os pais não o souberam fazer.

sábado, maio 05, 2007

BOM FIM-DE-SEMANA

(foto GQ)
Volto para a semana. Até lá aproveitem para ver bom cinema, ler bons livros e ouvir coisas boas.


O BORREGO DE SÓCRATES

Perante uma plateia de ilustres, o ministro Mário Lino resolveu fazer humor. Até aí tudo bem, já que o humor é um sinal de inteligência. O problema é que resolveu fazer humor com o seu próprio chefe, à boa maneira do Gato Fedorento. E que disse ele? Qualquer coisa como isto: tem estudado o problema da OTA e formou a sua opinião com a autoridade que lhe advém de ser engenheiro civil inscrito na respectiva Ordem dos Engenheiros. As televisões registaram, a plateia riu-se. O ministro também. Não sei se dele próprio se do primeiro-ministro. Se só por falta de senso ou por não reconhecer competência ao seu próprio chefe. Sócrates já tinha um desbocado na pasta da Economia. Agora passou a ter um borrego nos Transportes. E este não se chama Carlos. Com amigos destes, não há dúvidas de que os inimigos são dispensáveis. A oposição agradece.

sexta-feira, maio 04, 2007

MEMÓRIAS DE QUEM TEVE MEMÓRIA



Durante muitos anos li os seus artigos no L'Express e apaixonei-me por alguns textos. Raymond Aron foi um homem acima do mundo e deixou uma obra ímpar como filósofo, politólogo, sociólogo e jornalista. Há dias descobri que a Guerra e Paz resolveu editar as suas memórias, vinte anos depois da primeira aparição da obra em França sob a chancela das Éditions Julliard. É a minha sugestão de leitura para o fim-de-semana que aí vem. Para a semana prometo ser mais assíduo neste blogue.

quarta-feira, maio 02, 2007

PANEBIANCO em português



A primeira edição italiana já data de 1982. Eu descobri-o graças ao Prof. Farelo Lopes e ao André Freire, aqui há uns anos atrás, durante o mestrado, na sua edição em espanhol. Agora dei de caras com uma versão em língua portuguesa. Português do Brasil é certo, mas ainda assim português. É uma edição da Martins Fontes, em São Paulo, e data de 2005. Poderá não ser ainda um clássico, mas é imprescindível para quem queira saber algo mais sobre partidos políticos do que aquilo que Weber, Michels ou Duverger escreveram. A não perder.

DIA DO TRABALHADOR, EM MACAU




Um país, dois sistemas.

sexta-feira, abril 27, 2007

CALOU-SE O VIOLONCELO DA LIBERDADE


Nos olhos e nos ouvidos de quem acompanhou a queda do império soviético e a luta que foi travada durante anos a fio pela liberdade, contra os gulags e a ditadura moscovita, por homens como Rostropovich ou Soljenitsin, que com a sua coragem desfizeram a arrogância da nomenclatura autocrática e cleptocrática do Kremlin, ainda está a queda do Muro de Berlim. Um momento inolvidável nesse já longínquo mês de Novembro de 1989. Recordo-o como se fosse hoje. A melhor homenagem que lhe podemos prestar é escutar a sua obra. É que o vou fazer este fim-de-semana. É a única homenagem que lhe posso fazer e a minha maneira de agradecer a Deus por me ter dado a conhecer homens da craveira de Rostropovich. O mundo ficará mais pobre e mais triste, mas a nossa alma permanecerá rica e luminosa. Até mesmo quando ouvirmos o celo chorar.

Pequena biografia extraída do site da Sony Music:
"Born on 27 March 1927 in Baku, a city on the west shore of the Caspian Sea, Mstislav Rostropovich began musical studies in early childhood with his parents. His mother was an accomplished pianist, and his father a distinguished cellist who had studied with Pablo Casals. At the age of sixteen he entered the Moscow Conservatory where he studied composition with Prokofiev and Shostakovich. In 1945 he came to prominence overnight as a cellist when he won the gold medal in the first ever Soviet Union competition for young musicians. Thereafter, despite his continued battle with the communist authorities, he became one of the central figures of the music life there, for twenty five years inspiring Soviet cellists, composers and audiences alike.
Due to international recording contracts and foreign tours, Mstislav Rostropovich also came to the attention of the West. He recorded nearly the entire cello literature during this time and attracted an unprecedented large quantity of new repertoire for the instrument through his personal contact to composers such as Benjamin Britten, who wrote his Cello Symphony, his Sonata for Cello and Piano and the three Suites for Solo Cello especially with Rostropovich in mind. Other composers who have written for Rostropovich include Prokofiev, Shostakovich, Khachaturian, Boulez, Berio, Messiaen, Schnittke, Bernstein, Dutilleux and Lutoslawski.
Mstislav Rostropovich and his family departed from the Soviet Union in 1974 in the midst of a controversy that attracted international attention.
From 1969 until then Mr. Rostropovich and his wife the soprano Galina Vishnevskaya had supported the banned novelist Alexander Solzhenitsyn not only by allowing him to live in their dacha outside Moscow but by writing an open letter to Brezhnev protesting against Soviet restrictions on cultural freedom in 1970. These actions resulted in the cancellation of concerts and foreign tours for Rostropovich and Vishnevskaya, a Soviet media black-out and the cessation of all recording projects. In 1974 they were finally granted exit visas, effectively allowing them to go into exile. Four years later they were stripped of their Soviet citizenship, a decree which held until 1990.
Since 1974 Rostropovich has become one of the leading conductors in the West. He is Music Director of the National Symphony Orchestra, Washington and is a regular guest conductor of the Berlin Philharmonic, the Boston Symphony Orchestra, the
London Symphony Orchestra and the London Philharmonic. His recent recordings for Sony Classical include Schnittke´s Cello Concerto no. 2 and In Memoriam, and "Return to Russia", a unique audio and video documentation of Rostropovich´s tour of Russia in 1990 with the National Symphony Orchestra, Washington, his first visit there since his exile Other composers who have written for Rostropovich include Bernstein, Messiaen, Lutoslawski, Dutilleux, Ginastera and Benjamin Britten."

IBÉRIA




(fotos GQ)

Marta Nieto, Ariadne Artiles e Vanessa Lorenzo. Três estrelas que provam que a Península continua linda.

MADEIRA EM FESTA


A Madeira tem "um centro de saúde com médico em cada junta de freguesia", diz o incansável Alberto João, o homem que lidera a charanga insular. Só não diz quem paga a qualidade de vida dos madeirenses, nem como uma ilha com aquela dimensão faz o que faz e ainda lhe sobra para apoiar duas equipas recheadas de jogadores estrangeiros no campeonato de futebol da 1ª divisão. Agora que o deputado Bota anda por aí em grande alvoroço, "a liderar" um novo e "grande" movimento pela regionalização, eu sugiro que os partidários dessa ideia comecem por propor um referendo na Madeira. Não sobre a regionalização, mas sobre a sua independência. Estou farto da Madeira e de Alberto João e não vejo por que raio havemos de ser nós, "os cubanos", a continuar a pagar os charutos desta cambada de mal agradecidos.

É UMA FESTA PORTUGUESA COM CERTEZA

De cada vez que Marques Mendes e os seus acólitos falham nas falhas de carácter do primeiro-ministro não posso deixar de sorrir e de olhar com enlevo para a Câmara de Lisboa. Aquilo, meus senhores, não é uma autarquia, é uma escola de virtudes e os exemplos repetem-se. A grande dúvida neste momento já não é saber quando serão as eleições intercalares ou até se haverá eleições. A dúvida é mesmo saber quem será o próximo a ser constituído arguido. E a seguirmos a tese da actual presidente da Câmara de Setúbal, tudo é normal porque todos fazem. Da esquerda à direita é o poder local em força a mostrar os seus podres e a má qualidade do pessoal político. Regionalização? É para já! É que é mesmo mesmo para já!

GUERNICA

Passou ontem mais um aniversário sobre a fatídica data de 26/4/1937. A imagem da Guernica deveria ter entrado ontem, mas não foi possível. Aqui fica a recordação de umas das obras-primas de Pablo Picasso. Quer quiser vê-la pode ir até Madrid. Ela continuará por lá.

terça-feira, abril 24, 2007

NO DOMINGO CONTAMOS COM ELE


Daqui mando um abraço para o grande Eusébio da Silva Ferreira e votos de boas melhoras.

segunda-feira, abril 23, 2007

APRENDER COM QUEM SABE

O Algarve tem de tomar consciência que para criar valor em torno do produto não pode continuar a ter um ambiente do terceiro mundo. A estrada de acesso à Quinta do lago está cheia de “outdoors”, de sapatarias e bares de alterne, e isso tem um custo muito grande. O caminho entre Almancil e Quarteira está pior do que quando aqui cheguei, com obras abandonadas e bermas maltratadas. Não custa muito dinheiro atacar esses problemas. O Algarve também precisa de qualidade médica para fixar o turista residente. Dá-se um fenómeno aqui na Quinta do Lago: quando a pessoa tem problemas de saúde, vende a casa e vai embora. Isso tem sido sistemático” – André Jordan, Única, in Expresso, 21/4/2007.


E não sou daquelas pessoas que estão convencidas de que Portugal para ser um país próspero tem de acabar com as leis laborais. Penso que não é por aí. É pela iniciativa e pelo trabalho que se consegue desenvolvimento. Sempre estive ligado a empresas em crescimento e nunca tive o problema de mandar gente embora. Mesmo em Belas não despedi ninguém, porque não queria perder a equipa que esteve lá durante dez anos” – ibidem.


Este pequeno excerto da entrevista que André Jordan deu à Única é elucidativo sobre o espírito e a categoria do homem. Vale a pena ler a entrevista toda, com eu fiz de supetão, mas essas duas pequenas passagens suscitam-me, também, duas breves e rápidas reflexões.


Em relação à primeira citação, não posso deixar de concordar com o que André Jordan disse e não esquecer que a Câmara de Loulé, onde se integra Almancil e a Quinta do Lago, autarquia que já foi do Dr. Mendes Bota e é agora do Dr. Seruca Emídio, é a mais rica do país. Quem vai todos os dias à Câmara de Loulé ou tem processos naquela autarquia, naturalmente que não estranha o estado das vias de que se queixa o senhor André Jordan. E é bom que esse apelo contra o terceiro mundismo seja transmitido por quem investiu milhões na região, atraiu e criou riqueza e postos de trabalho, em suma, por quem fez pelo Algarve, mesmo com dois “ll” na versão do ministro Manuel Pinho, aquilo que muitos portugueses e locais, designadamente algarvios, como Sousa Cintra, não fazem, não fizeram, nem nunca irão fazer pela região. Por isso mesmo, quando ouço o apelo regionalista de alguns não posso deixar de pensar nas autarquias algarvias e naquilo que por algumas corre. Só visto. Contado ninguém acredita.

Quanto à segunda citação, é bom recordá-la, em especial numa altura em que se começam a conhecer, com algum detalhe, os contornos da gestão do Grupo Prasa em Vilamoura. Os nossos amigos espanhóis, depois de adquirirem a empresa de André Jordan, têm-se dedicado, paulatinamente, a destruí-la. De tudo tem acontecido. Porto de abrigo para acolher infelizes que não tinham lugar noutro lado, nem em Espanha nem em Portugal, despedimentos sumários de pessoal técnico com muitos anos de casa, diminuição de regalias de trabalhadores ao serviço, falta de visão e de estratégia, enfim, tem sido um nunca mais acabar de disparates, petulância, sobranceria e castelhana arrogância. Sou insuspeito para dizê-lo, pois as minhas afinidades com Espanha são públicas e conhecidas - a começar por alguns textos deste blogue - e o meu círculo de amigos conta, há várias décadas, com um bom punhado de espanhóis. O Administrador- Delegado do Grupo Prasa em Portugal devia ler a entrevista de André Jordan. Mas não só ele. Os seus patrões em Espanha também. E mais alguns empresários. Podia ser que aprendessem alguma coisa. Bem sei que nem todos nascem com o mesmo grau de educação, de inteligência ou têm as mesmas oportunidades. Ou assessores à altura. Mas durante a vida sempre se pode aprender alguma coisa com quem sabe. É preciso é querer e ir à procura disso mesmo. O resto virá por arrastamento. Ás vezes até a boa educação. Embora esta, como todos sabem, seja mais volátil quando aprendida na idade adulta e mais difícil de apreender nos manuais ou em aulas de formação.

sexta-feira, abril 20, 2007

JÁ É FIM-DE-SEMANA OUTRA VEZ!


Volto para a semana, com mais tempo e melhor disposição. Ainda estou a recuperar do exame de inglês, da falta de representatividade do Gato Fedorento, do descaminho do livro de termos, da mortandade na Virgínia, dos excelentes resultados do Fernando Santos, das calinadas do Luís Filipe Vieira, da ausência da deputada Odete Santos em futuros debates parlamentares e das últimas manchetes do Público. Até lá, divirtam-se. E leiam muito.

sexta-feira, abril 13, 2007

BOM FIM DE SEMANA!

(Blanca Cuesta, o produto mais explosivo da família Thyssen, aqui fotografada para a GQ)

De preferência com muitos livros, jornais, sol, mar e, se possível, gente interessante!

NÃO É COXO NÃO SENHOR


O senhor da fotografia é conhecido por Mantorras. Já marcou alguns dos golos mais fantásticos que vi. Passou por uma lesão difícil e continua a marcar golos. Cria a oportunidade e galvaniza a equipa. Ontem, depois de uma noite miserável, em que o Benfica caiu aos pés de uma equipa de segundo nível, especializada em jogo faltoso e anti-jogo (seria das riscas azuis e brancas?), Mantorras veio dizer que não é coxo e que treinando duas horas e meia por dia, como todos os outros, não percebe por que não joga. Eu também não. E ainda menos perecebo que com tanto treino se percam infantilmente cantos e livres, se atirem bolas pela linha de fundo e se façam cruzamentos por alto para um ponta-de-lança com 1,69m que joga entre duas torres e com um guarda-redes que é tudo menos inseguro. Mas percebo que seja muito difícil ganhar qualquer coisa quando o engenheiro insiste em pôr a jogar nódoas que ganhando milhares de contos por mês nem um pontapé numa bola sabem dar. É o caso de Derlei. Pedro Mantorras pode ter o passaporte e a carta de condução caducados, mas de certeza que não é coxo. Nem gago. Ainda bem. Nunca é bom deixar os engenheiros a falar sozinhos. Já se sabe no que pode dar. Mesmo quando são do Benfica. Por isso, o melhor mesmo, quando eles começam a querer falar sozinhos, é ajudá-los a encontrar a porta da rua.

P.S. Aqui há uns meses atrás, quando as coisas já ameaçavam, Fernando Santos disse que a actual equipa do SLB iria dar muitas alegrias aos sócios do clube. Hoje, depois da eliminação na Taça de Portugal por um clube da Divisão de Honra, depois do empate com o Porto na Luz, do empate com sabor a derrota com o Beira-Mar, último classificado da Liga, e da eliminação pelo Español, tenho a certeza que as alegrias estarão a caminho. O engenheiro só não disse é que para lá chegarmos teríamos primeiro que enfrentar um mar de tristezas e preparar mais uma série de dispensas das contratações que ele, o senhor Vieira e o senhor Veiga fizeram.

UMA FRASE QUE RESUME TUDO

A propósito da novela do canudo de Sócrates:


"Calculo que o que se passou estava dentro do normal inaceitável."
(Lutz Brückelmann no quase em português)

EFEMÉRIDE


Há 20 anos atrás era assinada em Pequim a Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a questão de Macau. Dos que lá estiveram alguns já nos deixaram, como foi o caso de Deng Xiao Ping, outros foram promovidos, cá e lá, e houve quem entretanto se reformasse. De todos eles apenas tenho saudades da Isabel, a loura da última fila. Perdi-lhe o rasto no início da década de noventa. Uma mulher lindíssima, cheia de charme, filha do então embaixador de Portugal em Pequim. Que será feito dela?

quinta-feira, abril 12, 2007

O BALANÇO


Da entrevista de José Sócrates, ontem à noite à RTP 1, há meia dúzia de coisas a reter, algumas das quais a exigirem novos esclarecimentos. O primeiro-ministro esteve bem, mas outra coisa não seria de esperar de quem sabia ao que ía e teve quase três semanas para se preparar. Por mim, não tenho dúvidas de que José Sócrates não pediu qualquer favor a Luís Arouca ou à Universidade Independente para obter a licenciatura. Que a Universidade e o reitor tenham "facilitado" por saberem quem ele era, já é outra questão.

As explicações quanto às razões de escolha da Universidade foram convincentes e aparentemente normais. O que foge de todo à normalidade é que ele pudesse ter sido admitido a frequentar as cadeiras que lhe faltavam, de acordo com o plano definido, sem que fosse feita qualquer prova do percurso anterior, sem a apresentação dos diplomas ou certificados necessários. Importante seria, pois, saber se em relação a todos os outros que recorreram à UNI para obterem a licenciatura, as equivalências, plano definido e documentos foram os mesmos. Isto é, os outros também foram dispensados da apresentação dos certificados e admitidos a frequentar as aulas e a fazer exames sem prévia apresentação dos certificados? Tenho sérias dúvidas.

Mas esse não é, efectivamente, um problema de José Sócrates, apenas revelando, se tal for verdade, que já nessa altura a Universidade Independente não oferecia garantias em matéria de rigor e de cumprimento das exigências da lei para poder funcionar. Normalmente, quando a esmola é grande o pobre desconfia. Neste caso, o estudante Joaé Sócrates não desconfiou de nada? Mas mesmo que tivesse desconfiado, enquanto estudante, ele "apenas" pretendia obter a licenciatura. O que lhe interessava era fazer os exames necessários e "despachar-se". Deste ponto de vista o estudante não poderá ser criticado. Mas o político pode e deve ser criticado. Exigia-se e impunha-se a este que tivesse dito ao reitor: "agradeço a sua atenção, mas primeiro vou obter os certificados e logo que os tenha na minha posse formalizarei o pedido". Isto é que seria normal.

Outra dúvida que ficou prende-se com o uso do título e o preenchimento da ficha biográfica do deputado no parlamento. É verdade que neste país qualquer borra-botas aceita ser tratado por engenheiro ou doutor mesmo que o não seja. Ainda me lembro de ouvir muita gente tratar Nuno Delerue, o ex-deputado do PSD e antigo secretário-adjunto do Governador de Macau, por "doutor". O que não é normal é que pessoas com formação deixem passar isso em branco sem nada dizer. Ou que um deputado, que à partida não será um ignaro, preencha uma ficha biográfica colocando no local destinada às habilitações "engenharia civil". Isto não é nada. Ou se tem um bacharelato, ou uma licenciatura, ou um mestrado, ou um doutoramento, ou outra coisa qualquer. É certo que depois veio a rasura, o acrescento..., mas concluir daqui por uma falha de carácter parece-me excessivo. O homem terá sido distraído, imponderado, mas isso não faz dele um trafulha nem um intrujão, nem o torna menos habilitado para desempenhar as suas funções, que é aquilo que o dr. Marques Mendes agora quer dizer quando vem pedir um inquérito.

Veja-se, por exemplo, a ficha de Hermínio Loureiro no site da Assembleia da República e o que está lá escrito: "Habilitações: Gestão de Empresas". Mas Hermínio é licenciado, é gestor, é bacharel? A dúvida é maior porque se diz que a profissão dele é "gestor" e na página do PSD de Oliveira de Azeméis, na parte realtiva ao percurso profissional, lê-se que o homem era responsável administrativo e financeiro de uma empresa chamada "Silva Brandão & Filhos, Ldª", depois foi técnico de seguros e coordenador comercial de uma seguradora. Aí se diz que tem como habilitações "gestão de empresas", no ISAG. Gestor? Quando? A dúvida permanece. Na página do Governo que integrou, referia-se apenas que Loureiro tinha a "frequência do curso de gestão de empresas". O que é isto? Frequência? No entanto, sempre ouvi os jornalistas chamarem a Hermínio Loureiro "doutor" e nunca o ouvi dizer que não o era. Até numa recente entrevista com Judite de Sousa isso aconteceu. O caso não é diferente do de Sócrates. Que pensa Marques Mendes disto? Isto torna Loureiro um desqualificado para o seu grupo parlamentar?

Quanto ao mais, a entrevista não trouxe nada de novo. Lugares comuns, chavões e conversa para tolos. O normal na política caseira.

(A fotografia é de André Kosters/Lusa, via site Portugal Diário)

quarta-feira, abril 11, 2007

A NÃO PERDER


Em Faro, no dia 5 de Maio, no Teatro Municipal: Ute Lemper. Bilhetes a € 35 e a € 40.

P.S. Por acaso já alguém reparou no estado de degradação do novo Teatro Municipal de Faro? O piso da entrada principal com as placas de pedra todas partidas, lascadas e levantadas, os estores caídos, papéis colados nos vidros dos gabinetes e nas salas das traseiras, a fazerem de guarda-sol... Para uma obra que custou milhões e deixou o Município empenhado não está nada mal, não senhor. No Algarve são todos ricos! E as Câmaras ainda mais! Nós é que ainda não nos apercebemos.

RIO DO CONTRA


Registo com natural agrado a oposição de Rui Rio à proposta de novo referendo sobre a regionalização protagonizada por alguns caciques locais do PSD. Rio pode ter muitos defeitos, o menor dos quais até nem será o da soberba. Mas pelo menos numa coisa ele tem razão: antes de um novo referendo convirá discutir seriamente o problema. Protagonismos regionais dificilmente colherão consenso nacional. Ou, parafraseando Pacheco Pereira, quem nasceu para lagartixa nunca chegará a jacaré.

SILÊNCIOS QUE DIZEM TUDO


Muita gente tem estranhado o silêncio do primeiro-ministro sobre as dúvidas levantadas pela obtenção da sua licenciatura. Mas eu também estranho o silêncio da oposição, que tirando um fogacho no dia da saída da primeira notícia, nunca mais abriu a boca sobre o assunto. Será que esse silêncio se explica pelo facto de Marques Mendes ter também dado aulas de “Direito da Comunicação” na Universidade Independente no ano lectivo em que Sócrates concluiu o curso? Não sei que especiais qualificações tinha Marques Mendes, nessa altura, que o habilitassem a dar aulas numa Universidade. Possuía um mestrado? Tinha um doutoramento? Tinha obra publicada e reconhecida? Ou o convite à leccionação foi mais um favor político?

Na minha vida profissional e académica registei numerosos exemplos de doutores que não o eram, de agentes técnicos agrícolas promovidos a “senhores engenheiros”, de simples desenhadores tratados como “senhores arquitectos”, de licenciados em Direito que se intitulavam “advogados”, de políticos analfabetos e medíocres rotulados como “estadistas” e até de professores primários que surgiam em listas do protocolo como “professores doutores”. Em Macau, até vi publicado em Boletim Oficial a elevação a licenciado de um tipo que, chegado semanas antes, era detentor de um curso que não conferia licenciatura. Outro, que era conhecido pelos calotes que dava, como fazia parte de uma clique, foi proposto para dar aulas de cidadania. E por aí fora. Nada disso é novo nem me espanta num país como o nosso em que o título na testa, mesmo que ninguém saiba como, onde e quando foi obtido, confere dignidade e honra a qualquer escroque.

Sei, todavia, que há silêncios particularmente incómodos, mas nem por isso menos significativos, e que dizem muito sobre os telhados de vidro da nossa classe política.

segunda-feira, abril 09, 2007

RECOMEÇA A CRUZADA PELO BOM SENSO



O Público noticiou ontem que, no dia 26 de Abril, vai ter lugar em Coimbra a escritura de constituição de um novo movimento destinado a reeditar o processo de referendo à regionalização.
Tal movimento, que se reclama como sendo "independente e apartidário", o que é uma outra forma de dizer que só a conveniência de um melting pot une os seus promotores, visa a recolha de 75 mil assinaturas.
Naturalmente que o problema não estará na recolha das assinaturas, já que qualquer cacique regional consegue facilmente recolher esse número com meia dúzia de bancas nos locais estratégicos de algumas autarquias. O problema está, uma vez mais, na forma subliminar como estas "coisas" se organizam e no estilo encapotado a que se recorre quando se trata de arregimentar alguns, raros, bem intencionados e os incautos e os tolos para uma causa que, a ser levada avante, se sabe já, os únicos beneficiários serão os futuros membros das oligarquias regionais e os militantes nepotistas da praxe.
Todos sabemos que o fenómeno regionalista tem tido como expoentes máximos políticos profissionais, na maioria dos casos mal preparados, cheios de limitações e sem craveira, que não conseguindo guindar-se aos lugares almejados dentro dos seus próprios partidos e do todo nacional, procuram através da regionalização obter o protagonismo a que se julgam com direito para assim se manterem nos cargos e garantirem a sua parcela de poder ad aeternum. Basta ver a forma como as famílias locais se perpetuam nos partidos e nas câmaras e se vão promovendo e assegurando cargos e negócios entre os membros mais afoitos das cliques, para se perceber que por detrás de muitos dos candidatos aos futuros cargos regionais está um fortíssimo complexo de inferioridade e de animosidade contra Lisboa e o poder central, aliás a única desculpa que sempre encontram para justificarem as suas crónicas incapacidades e insuficiências. A tentação centralista sempre foi muito forte em Portugal, é certo, mas essa não é razão para se apanhar boleia do primeiro artista que aparece a propor-nos o paraíso. O PREC regionalista que alguns querem ver terá de ser combatido com bom senso e argumentos sólidos.
Por isso mesmo, reproduzo neste post um antigo cartaz do PSD e, com a devida vénia, faço minhas as palavras de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos:

"De vez em quando aparecem uns "cromos" a querer brincar com a "caixinha de fósforos" chamada Portugal. São os "regionalistas" que têm tido, ao longo dos anos, diversos adeptos. O primeiro governo do eng. Guterres foi um deles e, suspeito, o actual também, mas ainda em surdina não vá o "chefe" maçar-se. Não faltam "regionalistas" entre os autarcas de todos os partidos. Por exemplo, pessoas recomendáveis como Mendes Bota, um poeta algarvio que usa capachinho, está sempre na linha da frente destes "movimentos". Desta vez, parece que a coisa começa para as bandas de algum PSD. Dr. Marques Mendes, apenas um conselho. Nem sequer lhes atenda o telefone."

terça-feira, abril 03, 2007

A LUTA CONTINUA...

... Contra os pitbull e todas as raças perigosas que por aí pululam com a condescendência das autarquias, das polícias e do Governo. Ontem, um homem foi atacado em Almancil. À porta de sua casa, por mais uma dessas feras desembestadas. Desta vez sobreviveu. Durante cerca de 10 minutos debateu-se sozinho contra a besta, até que os vizinhos lhe acudissem. O crime não pode continuar impune. A semana passada foi em Sintra, hoje aqui, amanhã onde será? Quem será a próxima vítima? Nesta matéria de urgente resolução só há um caminho: abate dos que aí andam e proibição total. O que não pode é continuar tudo como está, como se nada se passasse.

UMA EXCELENTE ENTREVISTA A MERECER CLARIFICAÇÕES ADICIONAIS



O Prof. Adriano Moreira, um homem sabedor que aos 85 anos respira vitalidade e energia por todos os poros, deu uma entrevista ao Público/Renascença, ontem publicada no jornal (2/4/07). Trata-se de uma excelente entrevista, mérito repartido pelos jornalistas e pela elevadíssima craveira do entrevistado. Diz o entrevistado que escreveu uma longa carta a Almeida Santos, a propósito do livro que este editou, recentemente, sobre a descolonização. Seria bom que fosse dado conhecimento público do seu teor, já que, estou certo, conterá algumas objecções aos factos e às teses do autor do livro. Quanto ao mais, retenho duas ou três passagens, que aqui transcrevo mas que não dispensam a sua leitura:

"Se estivesse na política que conselho daria? Ser-se autêntico. Ser fiel a princípios. Isso não é ser imobilista, é ser como o eixo de uma roda: a roda move-se, mas o eixo não sai do lugar. A matriz tem de ser uma escla de valores e é por isso que me tenho entusiasmado com a reedição das obras de Hanna Arendt. Qualquer partido, uma crise, tem de perceber onde está o eixo da sua roda e se reconduz tudo à autenticidade".

" (...) numa altura em que o papel dos Estados é de soberania partilhada, missões como a de assegurar um ensino superior de qualidade é uma missão de soberania que não deve submeter-se ao economicismo. Só uma mobilização da opinião pública fará com que os governos compreendam que esta é mesmo uma função de soberania".

"A respeitabilidade do Parlamento não foi restabelecida e é grave o divórcio entre a população e o aparelho do poder, tratado na terceira pessoa: "eles". Isso está a agravar-se pelas medidas da União Europeia daquilo a que chamo "políticas furtivas", isto é, aquelas que não têm a participação dos Parlamentos nacionais e não são apreendidas pelos cidadãos".

UM GRANDE FILME


Depois de nos últimos meses ter admirado,entre outros, Babel, The Flags of Our Fathers, Letters from Iwojima, The Last King of Scotland e revisitado as montanhas de Guilin nesse magnífico The Painted Veil, eis que surge Il Caimano. Algures entre a sátira, o humor e a genuidade italiana, ante a insólita aparição de Michele Placido e a podridão de um farsante feito político, com uma banda sonora irreprensível - fantástico o número dos miúdos dançando no estúdio - eis mais um grande filme numa sala com forte tradição em matéria de bom cinema. Il Caimano pode não ser uma obra-prima, mas nem por isso deixa de ser um grande filme. Ali, no King Triplex.

OS ANIMAIS FORAM À CAPITAL!



Uma vez mais, um bando de energúmenos e arruaceiros desceu até Lisboa para perturbar um jogo de futebol. Contou com o apoio da SAD do FC Porto, que lhes disponibilizou os bilhetes de acesso ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica e com a complacência das autoridades que deixaram entrar petardos numa zona supostamente segura. Partiram cadeiras, incomodaram e insultaram toda a gente, enfim, comportaram-se como já lhes é habitual. Como animais. Nada mais há a dizer. Faço minhas as palavras do Pacheco Pereira:

"Vendo as imagens da claque do Porto a ser pastoreada pela polícia por detrás das grades, cheia de indivíduos ululantes a dizer obscenidades e com dísticos elegantes e graciosos ("Carolina dá-me o teu soutien", por exemplo), lembrei-me de como o cartaz do PNR era mais bem aplicado aqui.
Eles não querem imigrantes ilegais, que vivem do rendimento mínimo, são violentos, não trabalham e pertencem a umas mafias criminosas. Enganaram-se certamente no destinatário do amável desejo de "boa viagem". Vamos dar-lhes uma oportunidade de se corrigirem."