domingo, maio 19, 2013

Qualquer que seja o resultado de logo à tarde



Qualquer que seja o resultado de mais logo e da injustiça que foi o resultado de Amesterdão, no dia 15 de Maio pp., quero desde já agradecer-vos o prazer que foi ver-vos jogar durante toda esta época. A exibição de quarta-feira passada será sempre inesquecível para os amantes do bom futebol, do jogo limpo, da classe à flor da relva sem golpes nem esquemas. E com Jesus ou sem ele voltaremos a Amesterdão, ou a qualquer outro grande palco onde se dispute uma final europeia. Para ouvir "Cheira a Lisboa" ou o hino. Por vós, voltaria a levantar-me às 3 da manhã, para ter a certeza de não perder o avião.

Antes que seja tarde

Recebi o simpático convite que o meu amigo Pedro Correia me endereçou para ir à apresentação do seu livro "Vogais e consoantes Politicamente Incorrectas do acordo ortográfico", que melhor deveria ser chamado de acordo trágico pela forma como desmantela o nosso património.
O Acordo Ortográfico constitui assunto que a todos diz respeito, que a todos compromete e que pela oportunidade merece evidente destaque e atenção por parte de quem tem um mínimo de apreço pela nossa herança linguística.
Razões de ordem académica impedem-me de estar presente e de não só poder dar pessoalmente um abraço ao autor, como de escutar o Pedro Mexia, também ele autor, cronista, comentador, editor, homem de mil e um ofícios que pela sua qualidade intrínseca, simpatia, humor e lhaneza de trato muito aprecio.
Sei que não haverá repetição, mas nem por isso deixaria de aqui registar a minha satisfação pelo lançamento e de dar os parabéns a quem os merece.

Leituras (10)

Um livro já de 2000, mas indispensável para quem se interessa pelo fenómeno partidário ou quer simplesmente saber mais, seja pela quantidade de informação, oportunas referências e visão global, seja pela forma simples e directa como está redigido, que em nada compromete o rigor da abordagem.

segunda-feira, maio 13, 2013

Verdadeiras e actuais

"A political party which is widely seen as selling policies as private benefits runs the serious danger of losing elections" - Joseph A. Schlesinger, On the Theory of Party Organziation, The Journal of Politics, Vol. 46, No. 2 (May, 1984)  

sexta-feira, maio 10, 2013

Desabafo em português pré-AO


Não há paciência para este discurso redondo de tecnocratas semi-analfabetos que invadiu a comunicação social e as instituições.
O problema é muito simples e de fácil resolução:
1) Vivemos num Estado constitucional de direito democrático;
2) O primeiro-ministro foi eleito para cumprir um programa de governo respeitando a Constituição da República;
3) Se ao fim de quase dois anos não consegue fazer nada porque não consegue mudar a Constituição, nem governar respeitando as leis, é um incapaz, um falhado, um trolha, o que quiserem. E, nesse caso, deverá ser demitido, na eventualidade de não ter a honestidade intelectual e moral de reconhecer a sua própria incompetência.
Para governar sem Constituição e violando sistematicamente as leis da República, por razões económicas e financeiras, ou outras, não precisávamos de Passos Coelho, nem de Cavaco, nem de nenhum dos que está ou esteve em S. Bento ou Belém. Bastava uma besta qualquer com uma caneta na mão e uma polícia às ordens. Saía mais barato e não tínhamos de ouvi-los a dizer "besteiras". Era isto, e só isto, que precisavam de entender.
Tudo o mais, incluindo discursos tipo "convergência das pensões", é conversa para toscos. Em vernáculo "é uma porra". E eu estou cada vez mais farto de fazedores de "porra nenhuma" que falam "redondo". Eu e a maioria dos portugueses.

sexta-feira, abril 26, 2013

Pequena contribuição para o XIX Congresso do PS

"Leaders must have the vision to take their followers to a place they have never seen (in Henry Kissinger's phrase), but they must also be sure their people will follow them there - that the parade will not continue down Broadway when the leader turns onto Main Street. Party leadership is hazardous business, and mistakes can lead to electoral defeat or the choice of new leader (or both). On rare occasions, they can produce the ruination of the party" - Charles S. Mack, When Political Parties Die, Praeger, 2010
 
Tirando isso seria bom que aproveitassem para olhar para os últimos trinta e seis meses. E se não for pedir muito, já agora, também para os próximos vinte e quatro. Quanto ao mais, todos sabem onde moro. E o que penso.

quinta-feira, abril 25, 2013

O discurso de 25 de Abril do Presidente da República


"Nothing is more likely to generate a sense of cynicism about party elites than the feeling that politicians are narrowly utilitarian and prepared to exploit their situations for partisan or personal gain" - Paul Webb, Political Parties and Democracy: the ambiguous crisis, 2005 
 
Faço minhas as palavras de Paul Webb. Nada mais a acrescentar. 

terça-feira, abril 23, 2013

Mentes cativas

"Mas o 'mercado' - tal como o 'materialismo dialéctico - é apenas uma abstracção: simultaneamente ultrarracional (a sua argumentação supera tudo) e o apogeu do absurdo (não pode ser questionado). Tem os seus verdadeiros crentes - pensadores medíocres quando comparados com os pais fundadores, mas ainda assim influentes; os seus compagnons de route - que em privado podem duvidar dos princípios do dogma, mas não vêem alternativa a pregá-lo; e as suas vítimas, muitas das quais nos EUA, em especial, engoliram pressurosamente o seu comprimido e proclamam aos quatro ventos as virtudes de uma doutrina cujos benefícios nunca verão.
 
Acima de tudo, a servidão em que uma ideologia mantém a sua gente mede-se melhor pela sua incapacidade colectiva para imaginar alternativas. Sabemos muito bem que a fé ilimitada nos mercados desregulados mata: a aplicação estrita do que há até pouco tempo, em países em desenvolvimento vulneráveis, se chamava o 'consenso de Washington' - que punha a tónica numa política fiscal rigorosa, privatizações, tarifas baixas e desregulamentação - destruiu milhões de meios de subsistência. Entretanto, os 'termos comerciais' rígidos em que estes remédios são disponibilizados reduziram drasticamente a esperança de vida em muitos locais. Mas, na expressão de Margaret Tatcher, 'não há alternativa'.
 
Foi precisamente nestes termos que o comunismo foi apresentado aos seus beneficiários após a II Guerra Mundial; e foi por a História não apresentar alternativa aparente ao comunismo que muitos dos admiradores estrangeiros de Estaline foram arrebatados para um cativeiro intelectual." - Tony Judt, Mentes Cativas, em O Chalet da Memória

sexta-feira, abril 12, 2013

Leituras (9)

Depois de uma tarde magnificamente passada no aconchego da biblioteca do ICS, um verdadeiro oásis na cidade de Lisboa, e da autora simpaticamente me ter agradecido o interesse pela sua obra facultando-me um texto que ainda nem sequer foi publicado, prova de que a verdadeira genialidade não esconde o conhecimento mas aspira à sua divulgação, o mínimo que poderia fazer seria mandar vir o último livro que foi publicado e que com o anteriormente editado - "Adhérer à un parti - Aux sources de la participation politique" - me vão ser de grande utilidade. Acabado de chegar, fará as delícias do fim-de-semana que se adivinha. Este ano os carros vão ter que aguardar. 

Brandos costumes

 
"O senhor ministro das Finanças erra constantemente as previsões: sobre o PIB, sobre o défice, sobre a economia da Europa. O que aparentemente não obsta a que seja considerado um homem de suprema competência e um menino querido da UE. Suponho que o tencionam beatificar, se por acaso ele não se enganar mais de 15 dias e apresentar um orçamento que o Tribunal Constitucional aceite. Este ano, pela segunda vez, não aceitou; e Passos Coelho com a criatura à trela resolveu ir a Belém para se queixar ao Presidente. Porquê? Porque provavelmente o génio das Finanças ameaçou emigrar para um país civilizado em que os números concordassem com os dele e não houvesse leis que interferissem com o seu superior serviço. Mas, para nossa futura felicidade, o episódio acabou bem. A pedido pessoal da República, este novo salvador da Pátria prometeu continuar." - Vasco Pulido Valente, Público, 12/04/2013

segunda-feira, abril 08, 2013

Falta de imaginação

Deve haver alguma razão especial. Comunicações aos portugueses às 18:30. Até nisto são parecidos.

Leituras (8)

 
"A crise orçamental e da dívida pode, e deve, ser o pretexto para repensarmos o nosso contrato social e melhorá-lo. A pior coisa que podemos fazer é tomar as medidas que nos são impostas pela troika e nada mudar de essencial no funcionamento da nossa democracia. Porque, à semelhança do que aconteceu no passado (com as anteriores intervenções do Fundo Monetário Internacional), melhoraríamos temporariamente a situação das finanças públicas, para mais tarde cairmos no mesmo."
 
Só no fim-de-semana que findou tive oportunidade de acabar de ler o pedagógico ensaio de Paulo Trigo Pereira publicado na colecção dos cadernos da FFMS com o n.º 24. À semelhança do que aconteceu com outros livros da mesma colecção, este também não foge à regra: é claro, conciso e oportuno.
Sem pretensões académicas, dirigido ao grande público, mas não sendo por isso menos rigoroso, e com sugestões de leitura no final para quem queira aprofundar conhecimentos, o Prof. Trigo Pereira dá-nos uma visão desapaixonada da crise que atravessamos. Mas mais do que isso, há todo um conjunto de propostas tendentes à melhoria da nossa democracia, ao aprofundamento da cultura cívica e elevação dos padrões de decência em que a nossa sociedade e o Estado vivem, que importaria ver discutidas e, se possível consagradas. 
Autor e editor estão,pois, ambos de parabéns por este serviço à comunidade. 
  

sexta-feira, abril 05, 2013

Falta de vergonha

(clique na imagem para ampliar e ver com os seus olhos)
 
Será normal nomear jovens de 21 e 22 anos, que acabaram os cursos em 2012 e 2011, respectivamente, como "especialistas" para exercerem "funções de acompanhamento da execução de medidas do memorando conjunto com a União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu" e cuja única experiência profissional foram estágios não remunerados realizados com este Governo que se encontra en funções? Que pensarão disto as centenas de milhares de desempregados com qualificações e experiência profissional? Que pensarão disto as pessoas sérias? Que pensar desta gente que os nomeia?    

quinta-feira, abril 04, 2013

Até ao fim


É escusado dizer muito mais porque a declaração fala por si: "falta de condições anímicas" (sic). Nem na hora da despedida o sujeito tem um mínimo de humildade, de sensatez, um pingo de dignidade institucional? E era preciso chegar até aqui, acabar assim? Está tudo dito.
 
Passos Coelho teve do seu capanga a despedida merecida.  

quarta-feira, abril 03, 2013

Hoje escreve o José Gomes André

Com a devida vénia, tomo por empréstimo para aqui vos deixar as geniais e incontornáveis palavras que José Gomes André deixou numa casa onde já morei e continuo a ter bons amigos.
Na hora crítica que o País atravessa, com uma crise económica, financeira e social nunca vista em democracia, com um Governo à deriva e perfeitamente esfrangalhado, errando por aí como um náufrago sem tábua onde se agarrar e com um primeiro-ministro que quer transformar o Tribunal Constitucional numa filial do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças, ainda há mainatos sem o mínimo tino a organizarem números de circo. Felizmente que também ainda há quem sem estar comprometido com o passado nem depender do presente continue a ter os olhos no futuro.  

"Nasceu uma nova estrela. Um tal de Miguel Gonçalves, que Miguel Relvas (e quem mais?!) viu no Youtube e convidou para "embaixador" do "Impulso Jovem" (só esta frase já provoca um asco de morte). À semelhança de outros fenómenos da nossa praça, distingue-se pela "irreverência", pelo discurso "positivo" e por outras coisas que vêm sempre juntas neste tipo de pacote ("dinâmico", "criativo", "pró-activo", etc. - é ouvir o dito cujo).
O problema de Miguel Gonçalves não é a referida "personagem", mas o facto de os seus dislates reproduzirem um discurso público cada vez mais difundido e aceite acriticamente pelos media, pelos governantes, pelas elites e pela população em geral. Discurso esse que mistura o pior do "darwinismo social" (o elogio do conflito social e a glorificação da lei do mais forte), um moralismo pseudo-científico de pacotilha (que condena os que sucumbem, imputando-lhes a culpa do seu "insucesso") e os elementos mais abjectos do novo totalitarismo linguístico "made in Wall Street" (que apela ao "empreendedorismo", à "reinvenção pessoal", ao "acreditar em si próprio" e ao "tornar-se senhor do seu destino").
Em suma, estamos perante um discurso político, social e económico que combina as inanidades de livros como "O Segredo" ("tu podes ser quem quiseres") com a profundidade da reflexão filosófica de um Zézé Camarinha. O pior de tudo isto? É que este discurso tem tanto de disparatado quanto de perigoso. Denunciá-lo já não é uma simples questão de bom-senso; é um dever de todos os homens civilizados."

segunda-feira, abril 01, 2013

Chegar, ver e vencer sem a ajuda da troika

Na corrida inaugural do Campeontato FIA GT, Álvaro Parente e Sebastien Löeb conseguiram um resultado histórico para as cores "luso-franco-britânicas". A vitória em Nogaro com o McLaren será seguramente umas das mais recordadas. Esperemos que seja a primeira de muitas, já que Parente não só venceu sem a ajuda da troika como cilindrou a concorrência alemã. Mais notícias no site da FIA

quinta-feira, março 28, 2013

José Sócrates na RTP1

O homem não era um santo, nunca o foi, bem pelo contrário. Não terá o background académico e profissional exigível a qualquer homem que se abalance a ser primeiro-ministro. E, apesar disso, depois de ter sido corrido da forma que foi, justa ou injustamente, o que ontem se viu na RTP1 foi uma lição de comunicação política.
Sócrates mantém os defeitos e as qualidades. Foi igual a si mesmo. E divertiu-se. Percebe-se agora melhor o temor que PSD e CDS/PP tinham em ver o homem a ser entrevistado no horário nobre da televisão pública. 
O que ontem se viu foi de facto uma lição de comunicação política, provavelmente a primeira de várias que se seguirão, por parte de um político profissional que quis ajustar contas com o passado recente. Mas será que depois de tudo aquilo que o acusaram esperavam que o "animal feroz "viesse "mansinho"? 
Não tenho saudades dele como primeiro-ministro, nem como líder do PS. Menos ainda de muitos dos que o rodeavam e que Seguro herdou no grupo parlamentar, nuns casos, ou que, noutros, acabou por colocar nos órgãos nacionais do seu partido. Porém, o que se viu deve ter chegado para muitos portugueses que assistiram ao descalabro dos últimos vinte meses compreenderem o grau de incapacidade política, incompetência comunicacional e má-fé de quem actualmente nos governa.
Espero que Passos Coelho, Gaspar, Santos Pereira e Miguel Relvas tenham visto, pois tiveram uma boa oportunidade de aprender alguma coisa sobre comunicação política. 
Quanto ao Presidente da República, lamento dizê-lo, no seguimento da "esperteza" (não tem outro nome mas está ao nível daquilo a que ele nos habituou) do prefácio, da história das acções da SLN/BCP, das "andanças" de alguns assessores que foram por si protegidos, e da forma como não tem sabido gerir nem a crise nem os silêncios, teve o tratamento que merecia. Não foi bonito, pois não. Mas tendo-se  colocado várias vezes a jeito, algum dia acabaria por levar como levou. Perderam-se algumas, mas a seu tempo virão.
Quanto ao mais, algumas coisas foram esclarecidas, os entrevistadores mostraram pouco à-vontade para contraditarem a avalanche de números e de factos, e o tempo de emissão pareceu-me excessivo.
De qualquer modo, valeu a pena. Depois de tantos meses a ouvir um líder de oposição com estratégia e estilo de seminarista, enquanto "o Relvas" se pavoneia e goza com a Grândola, já fazia falta alguém que desse uma bordoada "nessa gente". Pena que tenha tido que ser José Sócrates a fazê-lo. Os portugueses também não mereciam isso, embora hoje lhe devam estar agradecidos.        

quarta-feira, março 27, 2013

Absolutamente genial


Se há livro que vale o preço, e não me refiro ao papel, é este. Está lá praticamente tudo, tudo, o que de mais e de menos básico se deve saber sobre este período da história europeia. O resto, o que não está neste magnífico livro, está nas restantes obras que Tony Judt nos deixou e que em boa hora foram editadas entre nós. O editor que se abalança a uma obras destas merece uma palavra de apreço. E de estímulo.
Uma escrita clara, simples, cativante. Uma simplicidade desarmante na forma como aborda as questões, a medida exacta do tempo e da importância dos factos.
Tony Judt partiu numa altura em que ainda tinha imenso para nos dar, mas o que deixou acompanhar-nos-á, a todos os que tivemos o privilégio de lê-lo, e saboreá-lo, pela vida fora. Deus não dorme.   

terça-feira, março 26, 2013

Reavivar a memória


A foto é do "The Guardian" e ilusta um texto sobre a ajuda grega e espanhola à Alemanha do pós-Guerra. A chanceler Merkel, que além do mais vivia na zona leste da Alemanha, sob domínio russo, pode ignorar o que então aconteceu, mas é bom que alguém lhe diga o que se passou.