Os casos sucedem-se. Seja por causa do preço da electricidade ou da água, do acesso à Internet, do valor das tarifas telefónicas, do serviço de correios, do gangsterismo fiscal que antecipa prazos de pagamento do IRS e procede a reavalições de secretaria dos imóveis que implicam aumentos de IMI de 400%, do preço dos combustíveis ou da nova saga do Pingo Doce e dos cartões Multibanco, a única certeza é que somos cada vez mais um povo de enganados. De infelizes trastes que rezam. Com excepção de uns tipos que se plantam à porta das casas de férias das nossas luminárias, ninguém se manifesta, ninguém se antecipa, todos esperam pacientemente o fim da crise ou os fardos de palha que lhes darão lá mais para o Inverno. Talvez, quem sabe, a chegada de D. Sebastião. Do genuíno. Este caso mais recente com o Multibanco revela, aliás, a fibra de que somos feitos. Todos pagam para ter o cartão, os estabelecimentos pagam para ter o serviço, quem emite fixa o valor das taxas e limita-se a cobrar uma comissão aos palermas. No dia em que alguém de boa fé queira fazer alguma coisa por este país não conseguirá fazê-lo com esta gente. Vão ter de mudar o povo primeiro. E com ele os banqueiros, os empresários e a elite política. Os únicos que se lixam somos nós. Um país habitado por cornos mansos e governado por chicos-espertos não pode ser uma república. É um estábulo.
quarta-feira, agosto 22, 2012
"Una soberbia vaselina sobre el portero"
"¡Qué calidad ha demostrado el delantero del Depor!" - Marca
Ele teria feito toda a diferença no último campeonato europeu de futebol na Polónia e na Ucrânia, mas houve quem assim não entendesse. Penso que depois da exibição e golo contra o Panamá, no meio de quatro defesas, e desta estreia pelo Deportivo, que mereceu honras do exigente Marca, até o meu amigo Pedro Correia se terá rendido à sua categoria. Jorge Jesus deve estar arrependido de não lhe ter dado mais minutos a época passada, pois está na cara por que razão ele é muito melhor que Hugo e deixa o Hélder a anos-luz. Só Paulo Bento teve dificuldade em ver isso. Se há neste momento algum ponta-de-lança português que faça jus ao lugar é o Nélson Oliveira: velocidade, classe e uma técnica irrepreensível. Um puro sangue. Vão continuar a ouvir falar dele.
segunda-feira, agosto 20, 2012
Honestidade acima de tudo
"Subitamente, eu, o editor feliz, o escritor sem preocupações, cometi este erro de aceitar um cargo político." - Francisco José Viegas
Antes que seja tarde e resolvam condecorá-lo, o melhor talvez fosse corrigi-lo. Em política, erros destes são como as nódoas na gravata ou na camisa branca de um pêssego carnudo e sumarento. Sabe bem enquanto se come, depois só fica a marca. E com ela o vazio.
Constatação
Este ano ainda tivemos alguns números fora do catálogo como a homilia do pregador Louçã, mas cada ano que passa a silly season é mais comprida, mais chata e sempre com os mesmos figurões.
Não se poderá exterminá-la?
Não se poderá exterminá-la?
sábado, agosto 18, 2012
sexta-feira, agosto 17, 2012
25 anos depois
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, agosto 16, 2012
A ler
Graças a um simpático e oportuno convite do meu amigo JMB, tive o grato prazer de assistir à sua apresentação pública e ouvir as elogiosas palavras que foram dirigidas ao livro e à sua autora, Ana Sofia Barros. Não teria sido necessário o prof. Gomes Canotilho fazê-lo, já que a simples leitura da obra confirma o excelente trabalho de investigação realizado. Mas mais do que a excelência da investigação e o mérito académico, que outros melhor do que eu poderão avaliar, aquilo que aqui me importa sublinhar é o carácter inovador e a importância do tema escolhido, cuja actualidade é óbvia. A dimensão ambiental dos direitos humanos e a problemática dos riscos inerentes à deslocalização das indústrias perigosas, tendo como fundo inspirador a tragédia de Bhopal (Índia), ocorrida em 3 de Dezembro de 1994, numa filial da Union Carbide, motivaram a autora para desenvolver e aprofundar um tema que a todos devia preocupar. Ainda bem que a Ana Sofia Barros o fez, dessa forma contribuindo quer para o avanço do Direito, quer para a generalização de um alerta fundamental para o aprofundamento de uma cidadania empenhada e global. É o que aqui deixo registado, embora com algum atraso em relação ao momento em que o evento ocorreu.
sábado, julho 28, 2012
sexta-feira, julho 27, 2012
Um esclarecimento tardio
Quem nos conhece sabe que politicamente estamos distantes um do outro, embora nas questões essenciais que dizem respeito à cidadania, à participação e à forma de estar na vida estejamos bem mais próximos do que as pessoas podem pensar. Não posso, por isso mesmo, deixar de assinalar neste espaço o esclarecimento que foi prestado por Vieira da Silva sobre as acusações, injustas e quanto a mim infundadas, que recorrentemente Paulo Morais fez ao deputado Adolfo Mesquita Nunes. Saber que foi o próprio presidente da Comissão Eventual, pessoa cuja probidade e seriedade é por todos reconhecida, a dizer que não existe qualquer risco de conflito de interesses entre os deputados que a integram e as privatizações, é particularmente reconfortante, embora eu nunca tivesse duvidado desde o princípio da falta de sentido das imputações quanto ao que pelo menos ao AMN dizia respeito. Espero agora que Paulo Morais possa fazer o seu mea culpa. Todos nos enganamos, nem que seja por uma vez, nos julgamentos que fazemos dos outros. Mas a grandeza está em saber reconhecer o erro perante as evidências. Oxalá que Paulo Morais consiga fazê-lo. Só lhe ficaria bem. E todos teríamos a ganhar porque o país precisa de ambos, cada um nas suas funções e sem ressentimentos.
segunda-feira, julho 23, 2012
Ontem, em Cascais, foi assim, durante mais de 2 h e 1/4
"La vida es una tombola...
de noche y de dia ...
la vida es una tombola
y arriba y arriba"
sexta-feira, julho 20, 2012
A ler
“O “caso Relvas” começa a morrer. Na Internet ainda aprecem comentários (sem uma especial irritação) e os jornais continuam a dizer que ele se tornou “insustentável”. Mas, de facto, o furor abranda e ele já é praticamente um “não-assunto”, como Passos Coelho previu e, de resto, a miséria do nosso ensino “superior”, público e privado, no fundo justifica. Tirando um incidente num obscuro canto da província, o ministro “Álvaro”, que não poria o pé em nenhum Governo normal, passeia como de costume por aí perante a completa indiferença indígena. Mesmo questões graves como a decisão do Tribunal Constitucional, rumores de uma divergência séria entre o PSD e o CDS e o manifesto fracasso do programa de “reformas” não comovem ninguém. Houve uma mudança de maré na política portuguesa.
Não seria de esperar outra coisa. O país sofre (e sofreu) o “memorando” e a tutela da troika como um castigo do Céu, imerecido e incompreensível. Muito pouca gente percebe o significado do défice e da dívida ou as discussões labirínticas com que um bando de peritos, subitamente saídos de um cano, deu em se entreter na televisão ou em artigos maciços que a boa imprensa publica em letra miudinha. O próprio Governo, fora o optimismo oficial (que evidentemente não há quem leve a sério), não explica nada e, sobretudo, não informa a pequena parte do público em princípio capaz de o compreender. O cidadão comum desistiu de se interessar pelo que se passa nas regiões do poder. Aguenta o desastre como quem aguenta uma seca ou uma tempestade, sem uma palavra: e sabendo que as palavras são inúteis.
A esquerda, depois de um período vociferante e ameaçador, caiu numa apatia geral. O dr. Mário Soares com uma energia admirável conseguiu transitoriamente espicaçar o PS e convencer as tropas que a eleição de Hollande e, a seguir, de Obama iriam meter na ordem a sra. Merkel e salvar o mundo, Hollande só precisou de uns meses para mostrar a sua vacuidade e a sua fraqueza. Obama, se for eleito, precisará de menos. Do que sobra: o PC persiste em viver em 1930 e o Bloco arranjou agora uma nova causa, a legalização de “clubes” para cultivo de cannabis e autoconsumo (uma maneira original de aliviar as dores do país). Pedro Passos Coelho ignora esta oposição em derrocada. E Portugal, apavorado, desliza para uma espécie de coma colectivo, de que lhe será difícil sair tão cedo.” – Vasco Pulido Valente, Público, 20/07/2012
Lido
“Relvas passa por ser um dos políticos que neste governo têm de lidar com as facções quando ele próprio é associado a uma ou a várias. Não admira que seja um político simultaneamente de grande poder e vulnerabilidade. A sua ascensão e queda prova que quem conhece e manipula o poder partidário pode nunca ter apreendido bem o fenómeno do poder.” – Pedro Lomba, Público, 19/07/2012
“Quando um país precisa de se desenvolver, um primeiro-ministro não pode promover e proteger ao mais alto nível pessoas que na sua vida demonstraram o contrário desses valores. Ao fazê-lo, esse primeiro-ministro incorre num dos mais graves comportamentos que um governante pode ter: coloca os seus interesses pessoais (as suas amizades, por exemplo) acima do interesse público.” – João Nogueira dos Santos e Carlos Macedo e Cunha, Público, 19/07/2012
“A Universidade Moderna ou a Independente estão, para o ensino superior, como o BPN e o BPP estão para a banca” – Manuel Loff, Público, 19/07/2012
segunda-feira, julho 16, 2012
Um prodígio na esteira do chefe
Ouvi e li este fim-de-semana as declarações de um jovem deputado da nação, actualmente presidente da JSD, que saiu em defesa do "canudo" de Miguel Relvas, apontando as críticas relativamente à obtenção da licenciatura não a quem recorreu a esse expediente "insólito" para obter a certificação do conhecimento que não tinha, mas ao ex-ministro Mariano Gago. Confesso que ainda não me tinha ocorrido essa, mas não deixa de ser brilhante.
Sugiro, aliás, ao primeiro-ministro que promova o jovem deputado a ministro, pois que a inteligência do argumento poderá libertá-lo, também ao ministro Gaspar, de uma série de preocupações. Com efeito, a aplicação de igual argumento levar-nos-ia a considerar que a culpa da austeridade que hoje vivemos também não é nossa, nem deste Governo nem dos anteriores, mas dos "palermas" da troika que nos disponibilizaram fundos para honrarmos os nossos compromissos. Claro que se aqueles não tivessem mostrado abertura para nos financiarmos também nunca teríamos recorridos a tais créditos, mais, nunca teríamos assinado o Memorando e Portugal continuaria alegre e serenamente a caminhar para o fundo elegendo mais um punhado de Duartes para brilharem nas bancadas de S. Bento e aos microfones da TSF.
Depois de ouvir essas declarações, imaginei que o dito deputado tivesse um currículo imaculado e tratei de aprofundar. E de facto assim é.
O que está disponível na página da Assembleia da República permite-nos saber que para além de uma licenciatura em Relações Internacionais, o deputado tem "frequência" de um mestrado, o que, como se sabe, pode querer dizer que se inscreveu num curso onde nunca pôs os pés ou estar inscrito e não fazer nenhuma cadeira, ou, ainda, numa hipótese mais benigna, fazer uma cadeira com 10 valores, o que seria suficiente para, como fez o ministro Relvas, depois dizer que frequenta o 2º ano desse mesmo curso.
Profissionalmente o jovem deputado assume-se como consultor, embora não se saiba bem de quê ou em quê, visto que em matéria de interesses só lá aparece uma "ONG" para o desenvolvimento sem fins lucrativos. Presumo que seja esta entidade que lhe permita pôr no currículo "consultor", apesar de na minha modesta opinião fizesse mais sentido lá colocar "político" ou "consultor político".
De facto, vê-se que o rapaz tem singrado "profissionalmente" como político e já é senhor de um currículo que certamente lhe valerá uma equivalência a um diploma de mestrado na Universidade Lusófona, tão depressa ele o requeira. Ou de doutoramento.
Nem tudo consta da sua biografia oficial, é verdade, mas ter sido chefe de gabinete do grupo parlamentar do PSD no Parlamento Europeu durante cinco anos, cargo a que naturalmente ascendeu por concurso e em função da sua experiência profissional e mérito anteriores como coordenador "do Programa de Voluntariado Jovem nas Florestas, organizado pelo Instituto Português da Juventude em cooperação com a Federação dos Produtores Florestais de Portugal", "Assessor do Ministro de Estado, da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Dr. Nuno Morais Sarmento, durante o XVI Governo Constitucional", "Assessor do Ministro da Presidência, Dr. Nuno Morais Sarmento durante o XV Governo Constitucional", sem esquecer os cargos que coleccionou na JSD, talvez seja mesmo equiparável a um doutoramento. Não me peçam é para dizer em quê, tantas poderão ser as áreas. Em todo o caso, isso não passará de um pormenor absolutamente irrelevante num currículo de excelência.
Com este invejável lastro, o deputado Duarte Marques só podia estar na linha da frente da defesa da licenciatura do ministro Relvas. Para isso é que foi incluído na lista por Santarém.
O deputado Duarte Marques será a melhor garantia que os portugueses podem ter de que quando o ministro Relvas se reformar para se dedicar, sei lá, ao folclore, a tempo inteiro evidentemente, deixará na política um continuador à altura dos seus pergaminhos. E não apenas pela inteligência.
Convém é que não volte a dizer nas entrevistas que concede que "temos uma classe dirigente que anda a gozar connosco". É que se isso acontecer ainda aparece por aí alguém que o leve a sério, o que não deixaria de ser um contratempo. O ministro Relvas poderia não gostar e o caldo entornaria.
Seria uma pena e uma perda inqualificável para o País que por causa de uma frase anódina o ministro o recambiasse para a origem. É que enquanto o deputado Duarte Marques estiver em S. Bento sempre teremos a garantia de que não será autarca. E poderemos continuar a ouvi-lo, sem perigo de maior, na TSF.
Adenda: É evidente que nada do que José Pacheco Pereira aqui escreve se aplica ao deputado Duarte Marques. Este é de outra cepa, nada de confusões.
O que está disponível na página da Assembleia da República permite-nos saber que para além de uma licenciatura em Relações Internacionais, o deputado tem "frequência" de um mestrado, o que, como se sabe, pode querer dizer que se inscreveu num curso onde nunca pôs os pés ou estar inscrito e não fazer nenhuma cadeira, ou, ainda, numa hipótese mais benigna, fazer uma cadeira com 10 valores, o que seria suficiente para, como fez o ministro Relvas, depois dizer que frequenta o 2º ano desse mesmo curso.
Profissionalmente o jovem deputado assume-se como consultor, embora não se saiba bem de quê ou em quê, visto que em matéria de interesses só lá aparece uma "ONG" para o desenvolvimento sem fins lucrativos. Presumo que seja esta entidade que lhe permita pôr no currículo "consultor", apesar de na minha modesta opinião fizesse mais sentido lá colocar "político" ou "consultor político".
De facto, vê-se que o rapaz tem singrado "profissionalmente" como político e já é senhor de um currículo que certamente lhe valerá uma equivalência a um diploma de mestrado na Universidade Lusófona, tão depressa ele o requeira. Ou de doutoramento.
Nem tudo consta da sua biografia oficial, é verdade, mas ter sido chefe de gabinete do grupo parlamentar do PSD no Parlamento Europeu durante cinco anos, cargo a que naturalmente ascendeu por concurso e em função da sua experiência profissional e mérito anteriores como coordenador "do Programa de Voluntariado Jovem nas Florestas, organizado pelo Instituto Português da Juventude em cooperação com a Federação dos Produtores Florestais de Portugal", "Assessor do Ministro de Estado, da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Dr. Nuno Morais Sarmento, durante o XVI Governo Constitucional", "Assessor do Ministro da Presidência, Dr. Nuno Morais Sarmento durante o XV Governo Constitucional", sem esquecer os cargos que coleccionou na JSD, talvez seja mesmo equiparável a um doutoramento. Não me peçam é para dizer em quê, tantas poderão ser as áreas. Em todo o caso, isso não passará de um pormenor absolutamente irrelevante num currículo de excelência.
Com este invejável lastro, o deputado Duarte Marques só podia estar na linha da frente da defesa da licenciatura do ministro Relvas. Para isso é que foi incluído na lista por Santarém.
O deputado Duarte Marques será a melhor garantia que os portugueses podem ter de que quando o ministro Relvas se reformar para se dedicar, sei lá, ao folclore, a tempo inteiro evidentemente, deixará na política um continuador à altura dos seus pergaminhos. E não apenas pela inteligência.
Convém é que não volte a dizer nas entrevistas que concede que "temos uma classe dirigente que anda a gozar connosco". É que se isso acontecer ainda aparece por aí alguém que o leve a sério, o que não deixaria de ser um contratempo. O ministro Relvas poderia não gostar e o caldo entornaria.
Seria uma pena e uma perda inqualificável para o País que por causa de uma frase anódina o ministro o recambiasse para a origem. É que enquanto o deputado Duarte Marques estiver em S. Bento sempre teremos a garantia de que não será autarca. E poderemos continuar a ouvi-lo, sem perigo de maior, na TSF.
Adenda: É evidente que nada do que José Pacheco Pereira aqui escreve se aplica ao deputado Duarte Marques. Este é de outra cepa, nada de confusões.
sexta-feira, julho 13, 2012
A ler
"O assunto é realmente grave. Não tanto pelo personagem que, por esta hora, já revelou ser bastante básico e está politicamente moribundo. Mas pelo comportamento da Universidade. Uma escola não é somente um lugar onde se aprendem algumas coisas. É sobretudo um meio de formação individual e cívica. Da maneira como se divulgou os documentos fica a imagem de uma instituição fechada, discricionária, onde a ética é facilmente substituída pelo argumento da legalidade. Nem tudo o que é legal é correto e uma escola, mais do que outras instituições, tem obrigação de saber e ensinar isso mesmo." - Leonel Moura, no Jornal de Negócios
"Não recuso o título de "doutor" a Miguel Relvas. Cabe a ele aceitá-lo ou recusá-lo. Mas não faz grande diferença ao mundo o ministro ouvir-se chamar: dr. Miguel Relvas. E esta pequena aldrabice, porque de aldrabice se trata, põe em causa a permanência dele no Governo? A decência, aqui, não é uninominal: Pedro Passos Coelho tem uma palavra a dizer. Assim como, noutro campo, o ministro Nuno Crato não pode continuar calado. Que tem a dizer acerca do caso pessoal e do caso mais delicado que envolve uma universidade? Crato, sorridente, julgou despejar o problema para o caixote do lixo, alegando que não comenta matéria dos seus colegas de Governo." - Baptista Bastos, no Jornal de Negócios
quinta-feira, julho 12, 2012
Uma reportagem que a todos envergonha
A reportagem que a SIC passou ao início da tarde, dando conta das condições de vida de um conjunto de 60 pessoas que trabalha nas obras de um novo "Data Center" da PT - Portugal Telecom, na Covilhã, parece saída de um filme de terror. Não sei o que pode levar os empregadores ou as autoridades que as contrataram a permitirem que seres humanos, porque é disso que se trata, vivam nas condições que a SIC em boa hora nos deu a conhecer. De acordo com o que foi referido, as autoridades inspectivas já tinham conhecimento, mas se tinham conhecimento porque não se tratou logo de fechar aquela espelunca e notificar os empregadores e a PT, que alegou desconhecimento sobre a situação, para aquilo que se estava a passar? Aquilo que ali se viu e, em especial, se ouviu, vindo de gente humilde que leva a vida a trabalhar, que fugiu da miséria para encontrar neste país um porto de abrigo menos mau que a ajudasse a ultrapassar as agruras de uma vida que é tudo menos justa, aconselha a que ninguém fique indiferente. E que sejam pedidas responsabilidades à dona da obra, em primeiro lugar, mas também aos seus empreiteiros e subempreiteiros. A PT e os seus accionistas não podem enterrar a cabeça na areia. Responsabilidade social é impedir que situações destas aconteçam e se há alguém na PT que tenha culpa na situação relatada, o mínimo que se pode esperar é que seja alvo de um processo disciplinar. Em último caso, os seus accionistas, sendo gente de bem, terão de pedir responsabilidades a Zeinal Bava. Porque a velocidade do Sapo e do Meo, os lucros que a empresa gera e distribui, os salários que paga aos seus administradores e quadros superiores e o mecenato que proclama não podem (não deviam) conviver com este escândalo que abala os fundamentos da nossa sociedade e questiona a nossa consciência civilizacional.
Confesso que não compreendo
As falhas do processo burocrático já tinham sido apontadas por Estrela Serrano. Àquelas juntou-se esta notícia do JN, pelo que importa perguntar: então se é tudo legal, irrepreensível, tudo feito dentro dos cânones da mais rígida ortodoxia de Bolonha (não confundir com o modo de confeccionar um famoso tipo de massas alimentícias que é normalmente polvilhado no topo com parmesão ralado), que poderá ter levado o autor do parecer e director do departamento de Ciência Política da Lusófona, que foi até ontem à noite o reitor da universidade no Porto, a pedir a demissão? Há coisas que a Ética não consegue explicar mas que talvez a frequência (para os que têm estofo para tal) de alguns templos, ou antros, ajude a perceber.
Uma grande revista
Ainda não tinha tido oportunidade de deixar aqui uma palavra de apreço pela renovação da Autosport. Para além da excelente imagem conseguida e do acesso às novas plataformas, o que se obteve por preços muito razoáveis e de acordo com os parcos salários dos portugueses, a Autosport mantém a qualidade de sempre e um grafismo de altíssimo nível. Aconselho, apenas, uma mais apurada renovação de alguns textos e da respectiva virgulação. De qualquer modo, é bom saber que ainda há quem seja capaz em Portugal de melhorar o que já era reconhecidamente bom e chegar a um público ainda mais vasto.
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