Dados conhecidos aqui, onde se podem ver mais pormenores.
quarta-feira, junho 06, 2012
terça-feira, junho 05, 2012
Brilhante
Ele nunca ouviu responsáveis políticos como Macário Corrreia ou José Apolinário pronunciarem "hângares", como se lá estivesse um acento circunflexo, em vez da palavra "hangares", aguda, no plural como no singular com acento tónico na última sílaba, tal como em francês, "a língua veicular que a recebeu do inglês", mesmo antes de haver Acordo Ortográfico. Se tal lhe tivesse acontecido, como a mim, certamente que ele estaria hoje ainda mais incomodado. Mas não foi por isso que Vasco Graça Moura deixou de dar ontem à noite, na TVI 24, no programa "Olhos nos Olhos", de Judite de Sousa e Medina Carreira, uma valente estocada no Acordo Ortográfico, sob a forma de uma magistral lição que devia trazer à realidade todos os que embarcaram nessa perigosa e pouco esclarecida aventura, a começar pelo Governo português. O actual, mas também o anterior.
Sublinhando, uma vez mais, que até o comunicado final da última reunião de ministros da Cultura dos PALOP, que ocorreu há cerca de um mês e meio, foi escrito em termos pré-acordo, sendo por aqueles sugerida a sua revisão, e que neste momento só interesses económicos podem justificar a adopção do Acordo, o presidente do CCB, de uma forma séria, com factos e argumentos incontornáveis, prestou mais um inestimável serviço à língua portuguesa e aos povos que a falam e escrevem. Sem pedantismo, sem politiquice, sem populismo e sem demagogia, com clareza e elevação q.b.. A todos os títulos brilhante e a rever e divulgar logo que a TVI24 coloque aqui a gravação do programa.
Sublinhando, uma vez mais, que até o comunicado final da última reunião de ministros da Cultura dos PALOP, que ocorreu há cerca de um mês e meio, foi escrito em termos pré-acordo, sendo por aqueles sugerida a sua revisão, e que neste momento só interesses económicos podem justificar a adopção do Acordo, o presidente do CCB, de uma forma séria, com factos e argumentos incontornáveis, prestou mais um inestimável serviço à língua portuguesa e aos povos que a falam e escrevem. Sem pedantismo, sem politiquice, sem populismo e sem demagogia, com clareza e elevação q.b.. A todos os títulos brilhante e a rever e divulgar logo que a TVI24 coloque aqui a gravação do programa.
segunda-feira, junho 04, 2012
Parabéns a Paulo Pinheiro e ao AIA
Nem mesmo a circunstância de estarmos perante uma prova de um campeonato do mundo altamente competitivo, o WTCC, do preço dos bilhetes ser muito acessível, do tempo estar óptimo e do programa se completar com duas corridas do Troféu Maserati, com o Nacional de Clássicos, com uma corrida de fórmulas AutoGP e com a Taça de Portugal de Circuitos, serviu para levar público ao Autódromo Internacional do Algarve. É pena, porque a organização e o empenho de Paulo Pinheiro e da sua equipa mereciam outro reconhecimento por parte dos portugueses, em especial dos que residem na região do Algarve. Para a próxima talvez seja de avisar a miudagem que Michel Vaillant saiu dos livros de Jean Graton para correr na pista de Portimão. Quem sabe se isso não surtiria outro efeito.
A boa disposição foi a nota dominante. Na foto, Pepe Oriola, Gabriele Tarquini e Tiago Monteiro.
Um "Vaillante" vestido a rigor.
Um dos inconfundíveis Sport Coupé do Trofeo Maserati.
O homem da pole position e vencedor da primeira corrida de domingo do WTCC: Gabriele Tarquini.
A confusão habitual das primeiras voltas, aqui na curva VIP.
Um dos pontos mais espectaculares do circuito de Portimão foi a nossa escolha para a 2ª corrida do WTCC, aqui já com Michel "Alain" Vaillant "Menu" no comando, a caminho da vitória.
quinta-feira, maio 31, 2012
A descambar
O debate parlamentar de ontem com o primeiro-ministro e a audição do ministro Miguel Relvas revelam que a situação está a descambar. A posição de Passos Coelho é incómoda. A do ministro Miguel Relvas não é menos, mas os membros da Comissão e as notícias que saem a toda a hora para os jornais também não ajudam. Os papéis desempenhados, quer pelos deputados da oposição quer pelos da maioria, têm sido deprimentes. Uns mal preparados e com dificuldade em colocarem as questões adequadas, outros procurando tapar o sol com a peneira para safarem o ministro a qualquer preço. As pessoas parece que se estão a esquecer que o que está em causa não é o simples envio ou recepção de e-mails. Essa é uma forma simplista de ver o problema. Em causa está o acesso a informação secreta, a violação da privacidade, o uso indevido de meios legais, a existência de pressões ilegítimas, enfim, um ror de situações pouco claras e que não podem ficar no limbo apenas porque isso dá jeito a alguém, seja ele o primeiro-ministro, o ministro ou a oposição. O ministro colocou-se a jeito e não esteve à altura das responsabilidades pela forma displicente e omissiva como foi respondendo às dúvidas que surgiram ante a catadupa de factos. Fez mal porque só adensou as dúvidas. Continua a haver muita coisa por explicar e por perceber. Para o filme ser completo só falta o primeiro-ministro libertar os ex-espiões do segredo de Estado para que estes se possam defender. Essa talvez seja a melhor solução, já que aquela coisa que dá pelo nome de serviço de informações está de rastos e não virá mal maior ao mundo se deixarem Silva Carvalho e o compincha defenderem-se antes de os crucificarem. Por vezes tenho a sensação de que uns desviam as questões porque não lhes convêm e os outros não querem esclarecer as que importa esclarecer, preferindo ambos andarem às cambalhotas na espuma e enrolados na areia. Em qualquer caso estão a prestar, uma vez mais, um mau serviço à democracia.
quarta-feira, maio 30, 2012
Uma frase que diz tudo
"Eu não tinha funções públicas, por isso precisava de trabalhar para ganhar a vida" - ministro Miguel Relvas, esta tarde, no Parlamento, depreendendo-se do que hoje disse que sendo de novo ministro e tendo voltado a exercer funções públicas, concluo eu, voltou a deixar de precisar de trabalhar para ganhar a vida. Em duas palavras, sentido de Estado.
Até quando?
Enquanto vai verificando a que velocidade cresce o seu nariz, seria bom que Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, esclarecesse durante quanto tempo e até quando estará disposto a "torrar" o interesse nacional para proteger quem mentiu, omitiu e disfarçou. É a minha convicção pela análise dos factos, pelas respostas dadas e nebulosas existentes.
Continua a saga
"Miguel Relvas não disse toda a verdade quando foi ouvido no Parlamento. Na audição do passado dia 15 de maio, na primeira comissão, o ministro-adjunto de Pedro Passos Coelho foi assertivo: encontrou-se com Jorge Silva Carvalho, mas "sempre em locais públicos" e apenas assume terem conversado sobre "matérias de actualidade e política externa".
Mas Relvas, enquanto administrador da consultora Finertec, reuniu-se, pelo menos duas vezes, com Silva Carvalho para falarem de negócios. Uma das vezes na própria sede da Ongoing, na companhia de Nuno Vasconcellos, chairman da empresa, e de Braz da Silva, presidente da empresa de Relvas.
Os contactos entre as duas empresas resultaram num "memorando de entendimento" para "prospecção de mercado em várias áreas de negócio". Objectivos: Angola e Brasil.
A assinatura deste acordo, que Silva Carvalho e Relvas negociaram pessoalmente, foi feita no dia 21 de junho de 2011, no mesmo dia em que Relvas tomou posse como ministro. Já não era, há um mês, administrador da Finertec." - Visão
"Quando foi ao Parlamento para falar pela primeira vez sobre o seu envolvimento no caso das secretas, há duas semanas, Miguel Relvas foi taxativo: nenhum dos nomes que constavam de um SMS enviado por Jorge Silva Carvalho com sugestões para chefiar os serviços secretos estava abrangido pelo segredo de Estado.
"Não eram agentes, eram pessoas para responsabilidades, para lugares de topo que não eram agentes, aqui não há segredos de Estado", respondeu então o ministro dos Assuntos Parlamentares a uma pergunta da deputada socialista Isabel Oneto.
Mas de acordo com o que um antigo responsável dos serviços explicou ao Expresso, dois dos nomes que constavam no SMS estavam abrangidos pelo segredo de Estado e a sua identidade não podia ser revelada.
"Principalmente por um antigo diretor dos serviços que está obrigado a respeitar o segredo de Estado", precisa o mesmo responsável. Os nomes em questão eram os de Paula Morais, diretora da escola do SIS, e Filomena Teixeira, diretora do departamento no SIED." - Expresso
terça-feira, maio 29, 2012
Não, o burro não foi ele
Bastou-lhe chegar a Portugal e garantir uns milhões para começar logo a comportar-se como alguns "locais". Na entrevista que esta noite irá passar na RTP, o ex-seleccionador nacional vem, entre outras coisas, justificar a não convocação de Vítor Baía para a selecção nacional com as indicações que lhe foram dadas da primeira vez que se encontrou com Pinto da Costa e Mourinho num jogo Belenenses-Porto. Diz Scolari que nesse dia jogou Nuno Espírito Santo e que Pinto da Costa e Mourinho lhe transmitiram que não deveria convocar Baía. Perante esta afirmação, o que depois acrescentou sobre o poder dos ditos senhores é irrelevante. Bom foi que os portugueses, os que ainda não sabiam, possam ficar a saber, por confissão tardia na primeira pessoa, quais os critérios que ditaram as suas escolhas. Primeiro começou por se deixar manipular, depois mostrou ser um medroso interesseiro que só se preocupou em segurar o lugar e não desagradar aos senhores da bola nacional. As derrotas com a Grécia no Euro de 2004 foram afinal obra de Pinto da Costa e Mourinho. E deselegância deve ter sido uma herança recebida dos labregos que lhe deram a possibilidade de aprender a comer peixe nos restaurantes de Cascais.
Quem dera que fosse só nas secretas
É claro que Francisco Pinto Balsemão tem toda a razão quando refere a necessidade de ser feita uma "limpeza" nos serviços de informações. Mas o problema é que a "miséria moral" de que ele fala e justifica essa limpeza não existe só nos serviços secretos. Desde há um ror de anos que essa mesma miséria moral, promovida nos anos de ouro do cavaquismo à sombra de personagens tão intrigantes quanto obscuras, que se elevaram aos mais altos cargos da nação, depois continuada no guterrismo e no barrosismo e que atingiu todo o seu esplendor nos últimos governos, faz parte da vida política nacional. Faz parte do código genético de muitas das empresas do regime, da actividade bancária e bolsista das últimas décadas, está neste Governo, nos partidos políticos, no parlamento, na justiça, nas universidades e nas autarquias, nas polícias, no futebol, nos estádios do Euro 2004, nas notícias dos jornais e até nos programas televisivos, aos quais não escapa nesse quadro deprimente e avassalador a amada SIC do dr. Balsemão. A bem dizer, a miséria moral tornou-se numa marca distintiva das grandes obras do regime e são poucas as ilhas de decência que não foram atingidas por ela. Desta vez tocou-lhe a ele como podia ter tocado a qualquer outro. Eu também gostava que essa limpeza se fizesse. Há anos que me bato por ela sem que o dr. Balsemão e outros como ele liguem peva. Mas não sei, aliás duvido, que algum dia essa limpeza se faça, e que sendo feita tenha algum resultado. Como Francisco Pinto Balsemão também sabe, o que não falta neste país são clones e candidatos a clones. Só que o drama, quanto a estes, é que os modelos escolhidos são normalmente o espelho dessa miséria moral. E neste país o que não falta são candidatos a espelho. Para a maior parte, nesse percurso, tudo serve: comentários anónimos, cartas em cacifos, relatórios de coscuvilhice, oferecimento de serviços vários, sugestões, palmadinhas nas costas, atropelos vários e, se necessário, umas voltas num qualquer green. O desgosto do dr. Balsemão não será diferente do meu. Ou do de qualquer outro cidadão. A única diferença é que ele pode dar-se ao luxo de viver fora do regime. Fora desta miséria moral. Eu não. Também gostaria de poder pensar assim, mas acontece que não posso. Sou obrigado a conviver com eles: com o regime e com a sua miséria moral. Cada dia que passa tenho mais dificuldade em emigrar e a falta de trabalho só para alguns é que funciona como uma oportunidade. Nem todos podemos aspirar a ser ex-primeiros-ministros. Eu e mais dez milhões de portugueses estamos prisioneiros do regime. São os meus impostos, os nossos, que sustentam esta miséria moral, que nos agrilhoa ao passado e ao presente e torna incerto o nosso futuro. Se o dr. Balsemão quiser dar uma ajuda à minha, nossa, libertação e fazer alguma coisa para se proceder à limpeza, para se acabar com essa miséria moral, é só dizer. E não é preciso que nos seja mostrado um cherne. Hoje em dia basta uma sardinha.
segunda-feira, maio 28, 2012
domingo, maio 27, 2012
Marcelo dixit
“Miguel Relvas é o berbicacho número 1 do Governo. As expectativas eram mais elevadas do que a realidade veio a ser. Não só não conseguiu gerir politicamente o que era preciso gerir – a coordenação e o discurso do Governo – como se viu enredado numa série de problemas que são objectivamente negativos para o primeiro-ministro." - Marcelo Rebelo de Sousa, TVI
Em suma, uma nódoa política...
sexta-feira, maio 25, 2012
A ler
Quadro que acompanha o artigo de Paulo Trigo Pereira e que tem por título "Défice de 2012: a entrar na zona vermelha?", no Público
Editorial de hoje sobre "as eurobonds"
Em cada declaração duas mentiras
Que espera Passos Coelho para pôr o seu apoderado a vender seguros? Um mentia para se safar, o outro fá-lo compulsivamente. Com que então no Gigi, com o gordinho? Em 5 de Agosto de 2011? Deviam ter ido para uma tasca em Massamá, sempre teria dado menos nas vistas.
E ainda havia quem acreditasse que tinha sido só numa festa de aniversário. Sim, sim, num "aniversário de conveniência", entre uma sangria de champagne e um peixinho do mar.
Os portugueses que vão pagando agora a conta dos anos de "aprendizagem" na JSD, da protecção de Ângelo Correia e das intimidades "d' o Relvas".
E ainda havia quem acreditasse que tinha sido só numa festa de aniversário. Sim, sim, num "aniversário de conveniência", entre uma sangria de champagne e um peixinho do mar.
Os portugueses que vão pagando agora a conta dos anos de "aprendizagem" na JSD, da protecção de Ângelo Correia e das intimidades "d' o Relvas".
Por mim estou esclarecido
(foto Mário Cruz, Lusa)
Bastou-me ouvir ontem o ministro Miguel Relvas na conferência de imprensa que improvisou, após ter sido ouvido na ERC, para que eventuais dúvidas sobre a sua actuação e as queixas das jornalistas e da direcção do Público se dissipassem. A forma como Miguel Relvas tentou disfarçar o incómodo e contornar aquilo que efectivamente disse na Assembleia da República não será muito diferente do que diria um troca-tintas que se dedica a construir versões das histórias que confabula de acordo com as situações em que é apanhado. Disse ontem o senhor ministro que a referência ao clipping sobre a viagem de Bush ao México fora apenas "um exemplo" do tipo de informação que Silva Carvalho lhe fazia chegar. Mas a passagem das imagens televisivas com a gravação daquilo que disse aos deputados é esclarecedora e não corrobora as suas declarações de ontem. Ele não deu um exemplo, ele afirmou taxativamente que o clipping com a notíca de Bush fora o primeiro que se recebera do ex-espião e que do mesmo se lembrava perfeitamente. Aqui não há segundos sentidos. De igual modo, o dizer que telefonou ao Público a pedir desculpa pelo tom que usara, e não pelo conteúdo do que afirmara antes, não cola. O tom, estando ele irado pelas conteúdo das perguntas e "pressão" que sobre ele fizera a jornalista, seria perfeitamente compreensível para a quem o escutava do outro lado da linha, atento o contexto. E se fosse por isso tê-lo logo afirmado para que ao seu destinatário não restassem dúvidas. Ninguém telefona a pedir desculpa só pelo tom, isto é, se não tiver sido malcriado e tiver a razão do seu lado. Pode-se ser contundente sem deixar de cumprir as regras da boa educação. A história, mais uma, que ontem inventou para se justificar à ERC do que fez, é mais um sinal da falta de estatura política do ministro. E, muito em particular, do seu carácter e falta de perfil para desempenhar funções de tanta responsabilidade. O ministro não é confiável. Fez-me lembrar aqueles meninos que quando são apanhados a fazer asneiras na escola ou que se querem impôr aos colegas, à falta de melhor argumento, dizem que se vão queixar ao pai, ou que este é polícia. Depois do que aconteceu com o anterior governo, os portugueses mereciam melhor. Muito melhor.
quinta-feira, maio 24, 2012
EN 125 vs portagens da Via do Infante
Espero que quando o Governo proceder à reanálise da questão das portagens nas SCUT, designadamente na Via do Infante, não se esqueça de levar em conta os números da sinistralidade rodoviária desde que aquelas foram introduzidas. Para além da EN 125 não ser "alternativa" a coisa alguma e de estar cada vez mais engarrafada, os elevados custos materiais e humanos dos acidentes deviam ajudar as pessoas a pensar antes de decidirem.
quarta-feira, maio 23, 2012
O que mudou?
Com esta notícia e o entendimento a que os partidos chegaram, fica-se sem perceber o que mudou, o que fez CDS e PSD mudarem de posição. O iluminado Catroga diz que se trata de uma mera questão "semântica", talvez para não recorrer a um outro termo que o tornou famoso no período pré-eleitoral. Mas se assim era, por que razão não o disseram logo? Por aqui se vêem as tristes figuras que os jovens Menezes, as esganiçadas Franciscas e os discretos Montenegros andam a fazer pelos canais televisivos de cada vez que saem a terreiro para defender as posições do seu partido. O carreirismo, a irracionalidade na defesa dos disparates e a subserviência são cada vez mais as imagens de marca dos pontas-de-lança deste PSD "jotinha". Fazem-me lembrar um certo PS de má memória.
terça-feira, maio 22, 2012
A ler
"A embrulhada em que Miguel Relvas se enfiou no episódio das secretas e de Silva Carvalho, que entretanto atingiu também uma jornalista deste jornal em termos por esclarecer, mostra mais uma vez uma das debilidades deste governo. Não é, para já, a relação obcecada com a imprensa, embora como se viu na era Sócrates os caminhos tortuosos comecem assim. (...)
Desde o início que a presença de Relvas no governo gerou controvérisa e surpresa. Marcelo Rebelo de Sousa chamou-lhe um "erro de casting". Outras vozes afirmaram que era uma questão de tempo até as consequências sobrarem para Passos Coelho. (...)
Ninguém pode ficar tranquilo por saber que Relvas recebia mensagens abusivas de Silva Carvalho com listas de nomeas para as secretas, as quais diz ele que apagava de imediato sem apurar por que obscuro motivo estaria na lista dos destinatários (o regime tem esta faceta sinistra, que por sinal pede uma "vassourada"). E ficamos ainda menos tranquilos por saber que um ministro considera aceitável usar a vida pessoal - se é da vida pessoal que estamos a faalr - como restaliação contra uma jornalista. (E se não foi por isso que no dia seguinte apresentou desculpas, por que motivo se desculpou?). As contradições de Relvas nesta saga são patentes. (...)" - Pedro Lomba, Público, 22/05/2012
Um primeiro-ministro sob sequestro político
Durante anos vociferaram contra a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Basta fazer uma pesquisa na Internet e recuperar meia-dúzia de notícias e declarações para recordar o que eles pensavam sobre essa instituição.
A este propósito, será bom ler o que escreveu no seu blogue um agora adjunto de Miguel Relvas. Em 28/05/2009, João Gonçalves esclarecia-nos que a ERC era "um corpo esquisito criado pelo governo e pelo dr. Santos Silva" e que "esta ERC é a ASAE dos jornalistas, uma coisa asséptica destinada a "purificar" a mensagem e a punir o mensageiro. O presidente da dita, aliás, podia perfeitamente ter servido o Estado Novo. Tiques como aquele de rejeitar um determinado profissional para lhe fazer uma entrevista suponho que nem ao Dutra Faria devia ocorrer. A ERC não tem autoridade moral para fazer recomendações éticas. É uma excrescência política do PS escondida sob a capa de "entidade reguladora"". Eduardo Cintra Torres, cronista do Público, em 21/08/2007, escrevia, por seu lado, que "a ERC podia perfeitamente chamar-se OMO". O mesmo Cintra Torres, em 04/09/2009, no Público, escrevia que o "PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros" e que "criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas, intervém nas empresas de comunicação social", "fez da ERC um braço armado contra a liberdade". Manuela Moura Guedes, uma das visadas pelo Governo Sócrates, em comentário a um post do referido João Gonçalves também se queixou da ERC (19/03/2009). No dia seguinte, João Gonçalves publicava no seu blogue um texto de Manuela Moura Guedes em que esta jornalista afirmava, e transcrevo, que "o jornalista tem de ser desconfiado, meter o nariz em tudo, fazer sempre de advogado do diabo, morder as canelas, não ter temor reverencial (tão cultivado neste país), eles estão ali para servir o povo e não para que o povo os sirva a eles ... o jornalista deve descodificar a mensagem política que vende gato por lebre, deve chamar as coisas pelos nomes, sem estar com rodriguinhos que só confundem quem nos vê, deve ter, sim, uma atitude 'contrapoder'". O tal adjunto do ministro Relvas acrescentava, em 08/08/2009, que a "ERC é muito ciosa do respeitinho e do silêncio enquanto bálsamo protector dos cidadãos. Uma protecção equivalente ao nível 63 dos cremes da Ambre Solaire". Já em 30/7/2010, ao transcrever um artigo de Eduardo Cintra Torres, o mesmo João Gonçalves, reafirmava que "a ERC é uma aberração que deve, à semelhança de tantas outras, ser pura e simplesmente removida (como um tumor maligno) da constituição porque, pelos vistos, nem sequer se preocupa excessivamente em a cumprir". Em Junho de 2011, mais exactamente no dia 24, também Paulo Pinto Mascarenhas, num blogue que todos sabem ser alinhado com a maioria e o Governo de Passos Coelho (Cachimbo de Magritte), defendia "a extinção imediata da ERC, que não serve para coisa alguma". Mais tarde, em 14/11/2011, umas das recomendações do Grupo de Trabalho constituído por ordem de Miguel Relvas e que analisou o conceito de serviço público de comunicação social, do qual, entre outros, também Cintra Torres e José Manuel Fernandes faziam parte, foi a de que a ERC devia "ser extinta" e que "as tarefas administrativas e burocráticas igualmente atribuídas à ERC, bem como o seu considerável orçamento de funcionamento, podem e devem ser transferidas para outras entidades do Estado com competências semelhantes".
Pois bem, foi a esta "excrescência", como elegantemente lhe chamaram os seus críticos, entre os quais também pontificava Pinto Balsemão, e que se habituou a fazer favores ao poder, em especial ao eng.º Sócrates e ao PS, que o ministro Miguel Relvas resolveu atribuir a análise do conflito que o opõe ao Público e a uma jornalista que se queixou de ter sido por ele ameaçada se continuasse, porque é disso que se trata, a exercer as suas funções com independência e autonomia em relação ao poder político.
É a essa entidade que o pressuroso, subserviente apparatchik e "envergonhado" (quem não se lembra da forma vergonhosa como se furtou a responder no Parlamento a um jornalista sobre a sua condição de maçon) Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, entende que deve ser remetida a análise do problema pois que, segundo ele, "é importante não desvalorizar o cumprimento das capacidades e competências da ERC sob pena de estarmos a desvirtuar o sistema". Homessa! Então só agora é que lhes deu para valorizar o trabalho da ERC?
É claro que as pessoas não andam a dormir e já todas perceberam que bastou mudar o Governo e nomear para a dita ERC outros nomes para que este órgão ganhasse logo uma série de virtudes antes desconhecidas.
Creio que os portugueses a seu tempo avaliarão, se é que não o fizeram já, o carácter desta gente que em nada, repito, nada, se distingue, daqueles que mais criticaram no passado, e que muda de posições como quem muda de camisa.
Por isso mesmo, eu que já no tempo de José Sócrates critiquei algumas posições da ERC, e hoje continuo a criticar, gostaria de aqui enfatizar as posições de quem estando do outro lado da "barricada" não se comporta como um vulgar troca-tintas e mantém a lucidez suficiente para ver que aquilo que o ministro Relvas e o PSD estão a fazer para se "limparem" e fugirem à responsabilização política no Parlamento é um nojo. Refiro-me a Pedro Lomba, com um texto notável hoje publicado nesse mesmo Público e que aqui reproduzirei mais tarde, e a Henrique Raposo, no Expresso.
O ministro Miguel Relvas já mostrou várias vezes que não merece crédito, que não merece qualquer confiança política. Mas o primeiro-ministro Passos Coelho não "corre" com ele porque depende do ministro para a sua sobrevivência. Para manter a máquina da propaganda activa e bem oleada.
A situação de Miguel Relvas em relação ao primeiro-ministro e a confiança que por este lhe foi manifestada não é muito diferente da que Cavaco Silva deu a um seu ex-conselheiro de Estado numa altura em que este já estava preso por arames. Em cada dia que passa vê-se com mais clareza que Passos Coelho está refém, e de que maneira, dos amigos que o colocaram em S. Bento. Infelizmente, uma vez mais, o que aí vem não augura nada de bom. Este País fede e não há ninguém com tomates para o limpar.
sábado, maio 19, 2012
Complicar o que é simples
A nota editorial do Público complica o que é simples.
O que foi relatado não será muito diferente de outras situações ocorridas no passado recente. Porém, sendo verdade, não deixará de ser igualmente grave. E lamentável.
As "embrulhadas" do ministro Relvas são habituais, e não são novas. Fazem parte de uma certa maneira de estar na política e, por via desta, na vida, reflectindo, aliás, um modelo que Pedro Lomba causticamente definia no passado dia 8 de Maio, num artigo de opinião publicado nesse mesmo jornal, como sendo o do "típico politico gerado na democracia mediática da parlapatice e da vigarice, capaz de dizer e fazer qualquer coisa para se manter no poder. Assim como que uma espécie de "um novo-rico da política" que quando obtém algum poder, acrescento, se permite passar a fazer telefonemas com a arrogância de quem julga que o País é o partido e os cidadãos destinatários dos seus telefonemas e "recados" os militantes do rebanho que se habituaram a pastorear para singrarem na política e nos negócios. E, alguns outros, até nos estudos.
As "embrulhadas" do ministro Relvas são habituais, e não são novas. Fazem parte de uma certa maneira de estar na política e, por via desta, na vida, reflectindo, aliás, um modelo que Pedro Lomba causticamente definia no passado dia 8 de Maio, num artigo de opinião publicado nesse mesmo jornal, como sendo o do "típico politico gerado na democracia mediática da parlapatice e da vigarice, capaz de dizer e fazer qualquer coisa para se manter no poder. Assim como que uma espécie de "um novo-rico da política" que quando obtém algum poder, acrescento, se permite passar a fazer telefonemas com a arrogância de quem julga que o País é o partido e os cidadãos destinatários dos seus telefonemas e "recados" os militantes do rebanho que se habituaram a pastorear para singrarem na política e nos negócios. E, alguns outros, até nos estudos.
O estilo "chiclete" do ministro será o menos relevante numa sórdida história em que só importa apurar dois factos. Em primeiro lugar, saber se o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, este e não qualquer outro, telefonou, ou não, para Maria José Oliveira. Em segundo, se depois, num outro momento, o ministro telefonou para a direcção do jornal. Ou se foi esta que ligou para o ministro.
São estas, e só a estas, perguntas que o Parlamento deverá procurar obter resposta.
Se o ministro confessar, então aproveite-se para se esclarecer a que horas, de que números foram realizadas as chamadas, para que números, e quanto tempo duraram. Creio que os registos da central telefónica do Público ou os registos das operadoras e dos próprios telemóveis, caso tenham sido estes os instrumentos do "crime", poderão confirmar a existência das chamadas, o seu tempo de duração, os dias e as horas em que aconteceram.
Quanto ao mais, como sempre, teremos a palavra da jornalista e a da direcção do jornal, de um lado, e a palavra do ministro Miguel Relvas, do outro. Cada um procurando confirmar as respectivas versões.
Mas isso já será irrelevante. Se pressões e ameaças não deixam sulco, as palavras do ministro Relvas ainda menos. O que importa é saber se o ministro telefonou. Quanto ao resto das conclusões, cada um que as tire.
O Parlamento não pode continuar a perder tempo e a dar tempo de antena a espertalhaços e similares que transformaram a política num chiqueiro. Muito menos a chafurdar nas histórias que aqueles relatam para se irem limpando. Os portugueses, os normais, os sérios, os decentes, que são a maioria, estão enjoados e enojados.
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