"Mas nada explica que a Procuradoria-Geral da República e os tribunais tomem sobre si o encargo de fazer justiça em matéria política: um serviço que obviamente lhes não compete e que, levado ao extremo, pode alterar o equilíbrio constitucional da República".
sexta-feira, março 23, 2012
quarta-feira, março 21, 2012
Evocação
Cada dia que passa percebo um pouco melhor o quanto é difícil chegar aonde chegaste, recordando sempre a tua condução no Mundial de Karting de 1979. E mais te admiro.
Recordar é viver
Dedicada ao Adolfo Mesquita Nunes, de quem espero que recorde isto a Paulo Portas, tanto mais que a gasolina 95, em Faro (nunca percebi porque aqui pagamos mais pelos combustíveis), já está em € 1,729 e competitividade é coisa que o ministro "Álvaro" não consegue devolver, nem às empresas do Algarve nem a nenhumas, preocupado como está com as privatizações que aí vêm e que vão dar dinheiro a ganhar aos amigos angolanos e brasileiros.
Vesgos e mal formados
SLB - 3 FCP - 2
Há três semanas não viram um golo, que lhes deu a vitória, marcado em claríssimo fora-de-jogo, e acharam normal que assim tivesse sido. Ontem, depois de três bolas nos ferros e de terem marcado dois golos com a inequívoca "colaboração" de dois jogadores adversários, numa clara demonstração de que a sorte não estava com os melhores nem com os mais talentosos, foram incapazes de reconhecer a sua pequenez. Que o jogo "não era prioritário", que a Taça da Liga não tinha grande interesse, disseram eles depois do jogo. Mas na hora do apito final vieram logo a correr atirar-se ao árbitro. Estranhos padrões estes em que só são prioritárias as competições em que ainda não foram eliminados e em que os árbitros só são maus quando perdem.
O futebol está cada vez mais parecido com a política. Enquanto o futebol português estiver nas mãos de montanheses vesgos e mal formados será muito difícil sair da cepa torta.
segunda-feira, março 19, 2012
Razão e Liberdade
"Madison aborda a existência dos partidos num sentido moderno, destacando-os como organizações emergentes de um tecido social vivo e aberto, que assim dinamiza a esfera pública. Este labor processar-se-ia num contexto sócio-político orgânico, onde os partidos se integravam como ideias, propostas e tendências, estimulando e revigorando um debate do qual resultariam políticas que agiam directamente sobre a sociedade e a partir dessa mesma sociedade, com a qual os órgãos políticos estão afinal em permanente diálogo. Neste esquema, os partidos ocupariam, por conseguinte, um papel indispensável como impulsionadores da discussão pública e como mediadores entre o indivíduo comum e as cúpulas dirigentes da acção política".
O pequeno excerto que acima transcrevi diz muito sobre aquilo que é e continua a ser uma concepção moderna do papel dos partidos e aquilo que eles hoje não fazem nem se têm mostrado à altura de saber fazer para preservarem e melhorarem a qualidade da democracia.
O prof. José Gomes André, autor do livro que vêem na foto, teve a simpática lembrança de me convidar para a apresentação do seu livro, que hoje terá lugar em Lisboa, na FNAC do Centro Colombo, pelas 18.30. O prof. Viriato Soromenho-Marques fará a apresentação, tendo sido quem também já prefaciou (não confundir com outras coisas sem pés nem cabeça a que chamam "prefácio") obra tão notável quanto invulgar pelo tema, clareza e sentido de oportunidade no panorama da Ciência Política portuguesa.
Como ali se escreveu, Razão e Liberdade constitui o mais importante estudo alguma vez publicado em língua portuguesa sobre o pensamento de James Madison, o 4º presidente dos Estados Unidos da América, e um "dos mais significativos" publicados "na última década em qualquer parte do mundo".
Tenho admiração pelo trabalho e estima pessoal pelo autor, que conheci graças à iniciativa do comum amigo Pedro Correia, que fez o favor de nos juntar no Delito de Opinião, e a quem daqui também envio uma saudação. Mas, infelizmente, o facto de actualmente viver longe de Lisboa e de ser cada vez mais difícil para os independentes a subsidiação dos combustíveis e das portagens do Dr. Gaspar, impedem-me de poder estar presente. Não será, porém, por esse facto, que deixarei de aqui registar o facto e de apelar à leitura e divulgação de tão importante e generosa obra, indispensável num momento de acesos ataques contra o republicanismo, a liberdade e os valores mais fundos de uma cidadania responsável, ataques que vêm de todos os quadrantes e contra os quais os principais partidos políticos portugueses não têm, em razão de lideranças fracas e incultas e de uma absurda coligação de interesses perniciosos, sabido responder.
sexta-feira, março 16, 2012
A ler
"O regime vai caindo diariamente, sem grande sobressalto (e sem grande interesse) do país, como se o seu fim fosse uma conclusão esperada e até bem-vinda. No meio disto, o sr. Presidente da República, sem que nada aparentemente o obrigasse, resolveu publicar a sua autojustificação e o seu auto-elogio, com o propósito ostensivo de provar a sua refulgente virtude e de prometer que seria no futuro tão imparcial e legalista como tinha sido no passado.
Quem leu essa intrigante peça de prosa (que ele obviamente não escreveu) ficou, pelo menos, com duas perguntas. Primeira, por que razão decidiu agora acusar o defunto Sócrates de "uma falta de lealdade", que a pobre "história da nossa democracia" não deixará de "registar"? Segunda, porque lhe pareceu necessária neste particular momento a defesa de cada acto da sua passagem por Belém? Quanto a Sócrates, não há dificuldade em responder: um homem que foi "desleal", com o Presidente, está para sempre fora da politica. Quanto à intempestiva apologia que envolve e completa o assassinato, é uma absolvição plenária de qualquer responsabilidade que lhe possam atribuir na crise."
É já amanhã
Em fim-de-semana de início do Mundial de F1 (Melbourne) e do Campeonato Superstars (Monza), vai correr-se o 1º Grande Prémio de Resistência do Indoor de Olhão. O Cascais South Winds Racing Team vai fazer a sua estreia em competição e esperam-se grandes tempos do bólide que será pilotado pelos experientes Paulo Jorge Vicente e Fernando Fevereiro Mendes, aos quais eu me associarei como 3º piloto. Serei o "rookie" da equipa e espero humildemente aprender alguma coisa e contribuir para o sucesso do CSW (nada de confusões com CSI) antes de Luca di Montezemolo me oferecer um contrato vitalício com os meus amigos da AF Corse. Será a partir das 16h e deverá estar concluído pelas 19 h.
quinta-feira, março 15, 2012
Um texto notável de Stefano Rodotà
Tem por título "Questão moral, último acto" e foi publicado no La Repubblica de segunda-feira passada, dia 12 de Março. Li-o no avião e estava a ver como seria possível digitalizá-lo para o levar até vós quando percebi que o seu impacto foi tão grande na sociedade italiana que é possível lê-lo em vários locais, da resenha de imprensa do Ministério da Defesa italiano até à página do Partido Democrático, passando por inúmeros blogues e páginas de jornalistas. Mais importante, ainda, porque o autor não se esqueceu de sublinhar as palavras do cardeal Tettamanzi ao deixar a importantíssima diocese de Milão: a de que nada se aprendeu com a operação Tangentopoli porque a questão moral continua a ser decisiva.
As semelhanças entre o que aconteceu em Itália e o que de há uns anos a esta parte se vive em Portugal exige que prestemos muita atenção ao que ali se passou e ao que Rodotà escreveu. Basta ver o que sucedeu entre nós com as PPP, com as obras públicas clientelares, que tiveram o tiro de partida com Cavaco Silva, com o que está a acontecer com a Saúde, com o que se passa na Justiça, em que até o partido das becas, corroído pela despeita e o acinte, já acciona ex-ministros, alegadamente por causa de gastos ilegais, esquecendo-se de que dessa forma se está a violar de forma flagrante o princípio basilar da separação de poderes. Enfim, tendo presentes os pagamentos à Lusoponte, as justificações dadas por um impante "chico-esperto" e a ignorância do primeiro-ministro sobre a matéria, até às ligações de alguns ministros aos negócios com Angola, não se poderá deixar de ler e reflectir sobre o que Rodotà escreveu.
E se é certo, como ele diz, que nenhum político pode hoje invocar falta de informação, não é menos certo que "a ética pública não tem o seu fundamento apenas no Código Penal". O dever da politica, como ele refere, passa pela reconstrução da moral pública e ela deverá ser inflexível consigo própria se quiser reconquistar a confiança dos cidadãos. Tão simples quanto isto.
As semelhanças entre o que aconteceu em Itália e o que de há uns anos a esta parte se vive em Portugal exige que prestemos muita atenção ao que ali se passou e ao que Rodotà escreveu. Basta ver o que sucedeu entre nós com as PPP, com as obras públicas clientelares, que tiveram o tiro de partida com Cavaco Silva, com o que está a acontecer com a Saúde, com o que se passa na Justiça, em que até o partido das becas, corroído pela despeita e o acinte, já acciona ex-ministros, alegadamente por causa de gastos ilegais, esquecendo-se de que dessa forma se está a violar de forma flagrante o princípio basilar da separação de poderes. Enfim, tendo presentes os pagamentos à Lusoponte, as justificações dadas por um impante "chico-esperto" e a ignorância do primeiro-ministro sobre a matéria, até às ligações de alguns ministros aos negócios com Angola, não se poderá deixar de ler e reflectir sobre o que Rodotà escreveu.
E se é certo, como ele diz, que nenhum político pode hoje invocar falta de informação, não é menos certo que "a ética pública não tem o seu fundamento apenas no Código Penal". O dever da politica, como ele refere, passa pela reconstrução da moral pública e ela deverá ser inflexível consigo própria se quiser reconquistar a confiança dos cidadãos. Tão simples quanto isto.
Um museu de luxo
A inauguração no passado domingo do novíssimo Museo Ferrari, em Modena, é motivo de satisfação para todos os apaixonados dos automóveis, do desporto automóvel e das obras de arte contemporânea. No meu caso, como "ferrarista", "alfista" e, já agora, também "maseratista" militante, é ainda maior o prazer por saber e ver que a Ferrari no museu dedicado ao comendador Enzo Ferrari não se esqueceu das suas origens e conferiu lugar de destaque à Alfa Romeo. Para quem não sabe, foi na Alfa Romeo que Enzo Ferrari começou por brilhar como líder da sua equipa de mecânicos e depois de ter saído, durante alguns anos, esteve impedido de usar a marca com o seu nome em virtude de um compromisso anteriormente assumido com a casa de Arese. Constitui, assim, uma justa homenagem à Alfa e o reconhecimento a quem tanto contribuiu para o reconhecimento da Ferrari.
Na imagem, o volante de um Fórmula 1 campeão do mundo.
Tudo na mesma
"Essa é a grande pergunta: porquê? O Governo queria. A troika exigiu. O Ministério da Economia avançou com um imposto especial para tirar de um lado o que os subsídios davam por outro. Adiou-se tudo por causa da privatização. Perdeu-se o tempo certo. A secretária de Estado do Tesouro anunciou no dia da venda aos chineses que o Governo continuava livre para decidir tarifas. Não continuou nada: os chineses enfureceram-se. O Governo, se os queria enganar, enganou-se. E calou-se.
Não foi só um secretário de Estado que se demitiu de um cargo, foi um Governo que se demitiu da sua função, tornando-se perigosamente parecido com quem criticara violentamente no passado.
O encaixe brutal da privatização tem contrapartidas, como se viu nas nomeações de políticos para a administração, como se vê agora nesta postura obediente aos chineses. No fundo, percebe-se agora, parte desse encaixe da privatização será pago por nós, consumidores e indústrias. É por isso que este é o país "até já": Santos Pereira diz até já a Henrique Gomes, Passos diz até já a Sócrates, todos dizemos até já aos lóbis, mudamos para que tudo fique na mesma, neste até já Portugal, até já sectores não transaccionáveis, até já cepa torta, sempre "até" e sempre "já" e sempre "nunca", nunca, nunca mais saímos disto." - Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios, 14/03/2012
Não foi só um secretário de Estado que se demitiu de um cargo, foi um Governo que se demitiu da sua função, tornando-se perigosamente parecido com quem criticara violentamente no passado.
O encaixe brutal da privatização tem contrapartidas, como se viu nas nomeações de políticos para a administração, como se vê agora nesta postura obediente aos chineses. No fundo, percebe-se agora, parte desse encaixe da privatização será pago por nós, consumidores e indústrias. É por isso que este é o país "até já": Santos Pereira diz até já a Henrique Gomes, Passos diz até já a Sócrates, todos dizemos até já aos lóbis, mudamos para que tudo fique na mesma, neste até já Portugal, até já sectores não transaccionáveis, até já cepa torta, sempre "até" e sempre "já" e sempre "nunca", nunca, nunca mais saímos disto." - Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios, 14/03/2012
Igualdade social-democrata
"Salários dos gestores das empresas públicas só sofrem cortes em Abril" - título da primeira página do Público, 15/03/2012
"Os portugueses percebem que os cortes não são para todos" - Medina Carreira na primeira página do i, 15/03/2012
"Eu não conheço precedentes disto. E a gravidade está aí." - Pedro Santana Lopes ao Público, sobre um certo prefácio do Presidente da República, Público, 14/03/2012
Dias de sol (4)
Durante um par de horas percorremos o caminho que nos leva da Piazza Venezzia ao velho mercado do peixe, junto do Templo de Ottaviano, nas cercanias do Museo Ebraico e do Teatro de Marcello, até ao popular bairro, agora muito na moda entre intelectuais e artistas, de Trastevere. Tirando partindo da luz magnífica e de um céu tão azul e tão alto que nos sentíamos transportados em balão, lá percorremos ruas e vielas, apreciando a cor e o movimento, os rostos apressados e as paredes que a história ergueu. Por momentos detenho-me junto à Casa de Dante. E prosseguimos, calmamente, como se não houvesse amanhã, até à Piazza di S. Cosimato e à Igreja de Santa Maria in Trastevere. Depois passamos por S. Egidio, onde o Museo di Roma in Trastevere nos acolhe o tempo necessário para visitarmos mais duas exposições, uma acabada de inaugurar, a outra a aproximar-se do fim. Quando ao cair da tarde cruzámos o Ponte Sisto a caminho da Piazza Farnese e do Campo de Fiori, onde alguns homens procediam às indispensáveis limpezas, e me deparei com a sempre presente e solitária estátua do filósofo Giordano Bruno, cujos originais dos autos que o sentenciaram pudera ver há alguns dias em Capimdoglio, não pude deixar de pensar nas contradições da vida, nas voltas que ela dá até voltar a compôr-se. Não sei se Bruno alguma vez, mesmo em sonhos, terá podido imaginar-se num pedestal do Campo de Fiori. Duvido. Mas naquele momento sonhei que ele teria gostado de me ver ali. E de nele reparar nu bulíçio do local. Depois de ter posto em causa o mundo e os dogmas que o rodearam antes de acabar condenado por pensar de maneira diferente, ei-lo ali reabilitado. Em toda a sua grandeza. Perante Roma e o mundo. Perante Deus e os homens. Não há nada como a defesa de uma ideia, com convicção, apoiada no saber, na inteligência e na coragem. Ainda quando todos os céus nos caem sobre a cabeça.
A estátua de Giordano Bruno
As flores que nunca faltam na sua praça.
quarta-feira, março 14, 2012
Um livro a não perder
"A oligarquia política italiana alimenta-se sem limites de enormes quantidades de dinheiro público que recebe e gere sem controlo, com efeitos destrutivos para as finanças públicas e a dinâmica democrática: este é hoje o financiamento público dos partidos, sob diversas formas".
É este, numa tradução por cujas falhas só eu respondo, o primeiro parágrafo do livro que acabou de sair e que aqui dou a conhecer aos leitores deste blogue que se interessam por estas coisas da liberdade, da democracia e dos partidos. Tive a sorte de conseguir um exemplar da 1ª edição, mas acredito que tal como aconteceu com La Casta, ainda a aguardar uma tradução para português, também este baterá recordes tal a importância e actualidade do tema e o vasto manancial de factos e documentos que os autores publicam. Os autores são desconhecidos em Portugal mas sobejamente conhecidos em Itália. Um é Elio Veltri, médico, professor da Universidade de Pavia, político e jornalista, que foi um dos fundadores da "Itália dos Valores". O outro é Francesco Paola, conhecido advogado e especialista em direito penal, co-autor do livro "Il governo dei conflitti". A similitude entre o que por lá se passa e entre nós vai acontecendo torna este livro de leitura obrigatória. Enquanto não discutirmos estas questões a sério entre nós nunca compreenderemos as demissões de alguns membros do Governo ou a petulância de outros e de mais uns quantos parlamantares e comentadores "vitalícios" do nosso regime. Isto está a precisar de uma boa fronda. Ou de várias, se necessário. Mas antes convém ler este livrinho para que depois não aconteça o mesmo de sempre: que a emenda não seja pior do que o soneto.
Dias de sol (3)
Há sempre uma primeira vez. E posso garantir-vos que não é preciso ser primeiro-ministro ou "escrevinhador de prefácios" para ir ao Quirinale. Numa notável iniciativa das instituições da República Italiana, a comemorarem os 150 anos da Unificação, o Palácio do Quirinale, actual residência do Presidente da República, abriu as suas portas a todos os que queiram lá ir. De interessante, para além de uma exibição de carruagens, carros e motas que foram usados por reis e presidentes, saliento a interessantíssima exposição de documentos, quadros, gravuras e esculturas guardados no Quirinale. Na imagem de cima podem ver o texto original da Constituição italiana assinada pelos parlamentares que a votaram.
O pátio interior do Palácio do Quirinale num momento do render da guarda.
Um magnífico Lancia que em tempos esteve ao serviço dos presidentes.
E depois de fazermos uma viagem pelos segredos, não do Vaticano mas da presidência italiana, nada como ler os últimos textos de Giorgio Napolitano, incluindo, este sim a merecer leitura, o respectivo prefácio. Para quem viu o que se passou antes em Itália, com os governos de Berlusconi, assistiu ao que se passou em Portugal com José Sócrates e está agora a pasmar com os erros grosseiros do governo de Passos Coelho, ante a total secura, manifesta falta de capacidade para o exercício das funções e um mínimo de senso político por parte do mais alto magistrado da Nação, vale a pena recordar algumas das palavras escritas por Napolitano: "Il prezzo che si paga per il prevalere - nella sfera della politica - di calcoli di parte e di logiche di scontro sta diventando insostenible. Una coza è credere nella democrazia dell'alternanza; altra cosa è lasciarla degenerare in modo sterile e dirompente dal punto di vista del comune interesse nazionale". Os nossos governantes também deviam perceber isto. Não seria pedir-lhes muito, penso eu, mas admito que para quem escolheu viver e enriquecer com e à custa da política, aproveitando as horas vagas para andar a tirar cursos que pudessem conferir um título na hora da tomada de posse, seja naturalmente difícil compreender coisas tão simples.
Dias de sol (2)
Roma e Pavia não se fizeram num dia. E uma exposição como esta não foi coisa fácil de conseguir. Pelo valor das obras que se conseguiu reunir, pela quantidade de entidades que foi preciso convencer a autorizar a saída dos quadros das suas bases, pela segurança exigida e pelo valor astronómico dos seguros. Convenhamos que juntar na Scuderie del Quirinale a maior exibição jamais vista de obras de um senhor chamado Jacopo Robusti, que passou à história como Tintoretto, não está ao alcance de muita gente. Vittorio Sgarbii foi o responsável por esta explosão de génio e de cor, assente em três temas fulcrais da obra de Tintoretto: a religião, a mitologia e o retrato. Com obras que vieram de museus de Viena, de Londres, de Milão, de Paris, de Munique, de Veneza ou de Modena, e onde é possível ver os dois mais famosos auto-retratos do pintor, a abrir e a fechar a mostra, para além de obras como Apollo e Dafne, Deucalione e Pirra, O Milagre dos Escravos, S. Jorge e o Dragão, Jesus entre os Doutores, A Última Ceia, A Criação dos Animais, a esplêndida Susanna entre os Velhos, Santa Maria do Egipto e Santa Maria Madalena, a exposição tem ainda o atractivo de juntar a Tintoretto - a verdadeira cereja no topo do bolo - artistas com quem aquele mestre interagiu. Quem? Apenas gente como Tiziano, Bonifacio Veronese, Giovanni Demio, Lambert Sustris, Parmigianino, El Greco, Schiavone e Paolo Veronese. Às quartas-feiras, até 4 de Abril e aproveitando a exposição, que só terminará em 10 de Junho, decorrem também os "Encontros" (I Mercoledí di Tintoretto - Incontri) sobre a sua obra (com entrada livre na Sala Cinema do Palazzo delle Esposizioni, na Via Milano, 9), às 18.30. Na semana passada esteve lá Giovanni Carlo Federico Villa, hoje estará Antonio Paolucci. Garanto-vos que não darão o vosso tempo por mal empregue.
terça-feira, março 13, 2012
Dias de sol (1)
Há cidades de onde nunca chegamos a sair. Por tudo aquilo que elas nos dizem e transmitem. E porque sabemos que por nunca termos saído haveremos sempre de voltar. Roma é um daqueles lugares mágicos de onde nunca se sai mesmo quando não se está. A ela voltarei sempre enquanto tiver vida, saúde e meios que mo permitam. E desta vez não foi diferente. Regressar nesta altura do ano a Itália tem algo de ainda mais fascinante porque há muitos acontecimentos que assinalam o fim do Inverno e marcam os dias mais longos e solarengos que anunciam as estações seguintes. Na Piazza de Campidoglio, nas traseiras do monumento a Vittorio Emanuele II, entre o Foro Romano e a Piazza Venezia, ficam os Museus Capitolini e o Palácio dos Conservadores. Independentemente do interesse que os museus sempre têm, nem que seja só para rever a fabulosa estátua de Marco Aurélio, cuja réplica do original que está no interior está agora na Praça exposta aos elementos da natureza, tive desta vez a sorte de visitar uma exposição que vivamente aconselho a quem possa fazê-lo. Chama-se "Lux Arcana - L'Archivio Segreto Vaticano Si Revela". Consiste numa mostra de cerca de 100 documentos do vastíssimo Arquivo Secreto do Vaticano. A exposição assinala os 400 anos da fundação do Arquivo e entre outras relíquias absolutamente fabulosas, como os documentos dos processos contra Galileu e Giordano Bruno, a carta dos membros do parlamento inglês ao papa Clemente VII, a propósito das questões matrimoniais de Henrique VIII, as cartas de Maria Antonieta enquanto aguardava a sua hora e da imperatriz chinesa convertida ao Catolicismo e que tomou o nome cristão de Helena, a carta de Miguel Ângelo a monsenhor Cristoforo Spiritti, bispo de Cesena e futuro patriarca de Jerusalém, a bula de deposição de Frederico II ou a carta de Abraham Lincoln, é possível vermos, imaginem, a bula "Inter Cetera", de 4 de Maio de 1493, pela qual o papa Alexandre VI, Domingo Borja, reconhece a linha de Tordesilhas e os limites dos impérios marítimos de Portugal e de Espanha. A exposição está patente ao público até 9 de Setembro e o bilhete custa € 12,00. Uma ninharia mesmo nos dias de crise e insânia que atravessamos, mais ainda se pensarmos que nas próximas décadas, ou gerações, os vossos olhos e os dos vossos filhos muito provavelmente não terão outra oportunidade de voltar a ver aquilo que ali está patente. Já agora, se puderem, tragam-me o catálogo (€ 15,00), que eu, tão inebriado estava com o que tinha visto, esqueci-me completamente de comprar antes de sair.
quinta-feira, março 08, 2012
quarta-feira, março 07, 2012
Regresso à normalidade
17ª vez entre os 8 melhores da Europa. Sem favor. Como alguém dizia no final, o Benfica já não estava habituado a árbitros que deixassem jogar a equipa, a árbitros que não se deixam condicionar e contaminar pelo ambiente putrefacto do futebol nacional. O Benfica não precisou que o árbitro o favorecesse. Bastou-lhe que Howard Webb não o prejudicasse.
terça-feira, março 06, 2012
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