sábado, janeiro 28, 2012

Sinais (56)

"Uma outra ‘poll' da Reuters junto de 20 economistas mostra que a economia portuguesa deverá registar uma quebra de 3,2% este ano - pior do que a contracção de 3,1% prevista pelo Banco de Portugal e do que a quebra de 3% antecipada pelo Governo e pela troika - e estagnar em 2013. Na última sondagem realizada em Novembro, os economistas esperavam, em média, uma contracção de 0,9% do PIB no próximo ano." - Diário Económico

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Manuel Carvalho da Silva

Durante mais de duas décadas foi o rosto da contestação sindical permanente. Percorreu o país de norte a sul, sozinho, com os seus, às vezes também com os outros. Foi para muitos, durante todo o tempo em que liderou a CGTP, o rosto da desgraça, o mentor da revolta. Irritou muita gente. Outros estar-lhe-ão agradecidos. No intervalo das lutas sindicais aproveitou para crescer como homem. Estudou, doutorou-se. Enquanto liderou falou com todos, com os mais fortes, com os mais fracos, com os mais ricos, com os mais pobres, e também com os outros, com os que vivem abaixo da linha de água. Nunca tive por ele outra  admiração que não fosse a de reconhecer nele um lutador, muitas vezes mesmo pensando que ele estava fora do seu tempo. Ainda hoje creio que assim será em muita coisa. Mas não posso deixar de registar aqui o percurso político e humano de Manuel Carvalho da Silva. Outros enriqueceram no sindicalismo e à custa das lutas sindicais. Ele sai como entrou. Com as convicções de sempre, de mãos e peito aberto, sem medo. Como sempre esteve. Só isso já seria suficiente para merecer duas linhas. Mas numa terra de gente medrosa e onde muitos continuam a ter receio de expor as suas convicções com medo que lhes falte o pão ou que sofram represálias de quem tem a faca e o queijo na mão, é duplamente reconfortante saber que ainda há homens desta têmpera, com carácter. Ainda que quase sempre ele tenha estado num azimute muito diferente do meu. Convém não confundir as coisas. É isso, e só isso, que quero sublinhar aqui.   

Sinais (55)

"PSD e CDS-PP dividem poder na Direcção Regional de Agricultura - Partidos do Governo acedem a lugares-chave à frente das principais instituições da região" - Postal, Semanário Regional, 27/01/2012

Ó Relvas! Então este não era dos vossos?

"Não esperava ter razão tão depressa. Melhor: não esperava que o diagnóstico realizado pelo grupo de trabalho para o serviço público de comunicação social se revelasse tão certeiro tão depressa: é que foi há apenas dois meses que dissemos temer o "modelo de informação que o Governo aparenta defender, por considerarmos que permitirá perpetuar a influência, quando não a interferência, do poder político" na televisão e na rádio públicas. Ora, aí está: por mais justificações pífias que se procurem, não restam muitas dúvidas sobre a relação directa entre um lamentável programa emitido pela RTP a partir de Angola e o fim das crónicas de Pedro Rosa Mendes nas manhãs da Antena 1.

A primeira vergonha começou com a emissão, a partir de Luanda, de um Prós e Contras rebaptizado como Reencontro. Quando conheci o objectivo da produção luandense coreografada por Fátima Campos Ferreira temi o pior - quando assisti à emissão, o pior foi ainda pior. Não fiquei apenas pessoalmente incomodado, senti que a democracia portuguesa saía dali enxovalhada.

Pedro Rosa Mendes, um profundo conhecedor de Angola, foi magistral na sua crítica àquela vergonha. (...)

Por isso não duvido de que Pedro Rosa Mendes não falta à verdade quando revela que lhe foi dito que 'a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola'. (...)

Tenho por hábito ser frontal e inconveniente, pelo que não posso fingir que não vejo. E quem, na RTP, deu a cara pelo fim da série de crónicas Este Tempo, que incluía a contribuição de Pedro Rosa Mendes, não foi a administração, pois esta sacudiu rapidamente a água do capote."

"(...) Isso é tanto mais verdade quanto os tempos são de crise e, no país, como disse Rosa Mendes, se instalou "uma noção puramente alimentar da dignidade individual". Ora se isso se traduz em "está caladinho para guardares o trabalhinho", se no país os governos já têm poder a mais, então que não tenham também tanto poder numa área tão sensível como a rádio e a televisão. (...)

"(...) Portugal, infelizmente, não se tem dado ao respeito na sua relação com Angola e com as autoridades de Luanda. O preço que pagamos são humilhações constantes e endoutrinações sobre as virtudes de caminhar de espinha vergada".  

Vale a pena ler os dois textos de José Manuel Fernandes, no Público, de hoje, intitulados, respectivamente, "RTP, episódios de uma eterna servidão" e "Não ganhamos nada com a vassalagem a Angola" . Seis meses bastaram, seis delirantes meses com Miguel Relvas a baralhar e a dar jogo. Foi o suficiente para se acabar o stock de Haze e a pocilga começar a feder. Quem não os conheça que os compre. E falavam eles dos outros...
(imagem "surripiada" no Alto Hama)

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sete décadas gloriosas

Podia ter sido maior do que o mundo. Podia ter sido presidente da República, rei, princípe, administrador de empresas, maçon, banqueiro, político, sei lá, o que ele quisesse. Mas não foi nada disso. Foi apenas tudo e mais alguma coisa. Para além das botas de ouro, das taças dos campeões europeus, dos campeonatos e das taças de Portugal, foi um excelente professor de geografia e homem como poucos: nas lições de vida, no exemplo, no profissionalismo, na sinceridade, na humildade, nos grandes e nos pequenos momentos da vida. Dele será pouco provável que o ouçamos queixar-se de alguma coisa, menos ainda do valor da sua reforma. Por isso é que setenta anos depois temos todos o dever e também a sorte de podermos festejar os seus setenta anos. O seu nome marcou uma era. Em Portugal há um futebol a.E. e um d.E. Há um antes de Eusébio e um depois de Eusébio. Depois dele nada ficou igual. Por isso podia ter sido tudo. Não quis. Preferiu continuar a ser apenas o Eusébio. E isso, no caso dele, é tudo. O suficiente para fazer dele um imortal. Parabéns, patrício. Que Deus e a Luz te continuem a iluminar.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Sem emenda

Já perdi a conta ao número de vezes que o PR teve de vir esclarecer o que tinha dito antes. Uma vez mais escusava ter-se dado ao trabalho. Para dizer o que disse não valia a pena. Porque todos percebemos muito bem o sentido das suas pausadas e ponderadas palavras. Admito que o PR não queira ficar à margem dos sacrifícios exigidos a todos os portugueses. Ninguém quer ficar mal visto aos olhos dos seus concidadãos. Ele não é diferente destes. Mas o ideal seria que quem tem de fazê-lo o fizesse de modo a que não fosse necessário mexer nas suas próprias pensões. Foi o que eu percebi do esclarecimento. Não é por nada, mas creio que isso já tinha ficado bem claro. Isso e mais algumas coisas que não foi preciso esclarecer.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

A ler

O artigo de Pedro Marques Lopes no Diário de Notícias. É a queda de um mito. De latão.

Sinais (54)

"O rigor de sempre deu lugar a uma frase demagógica que podia ter sido dita por qualquer membro do governo de Sócrates. Há cerca de um ano, mais precisamente no dia 12 de Janeiro de 2011, o governo português acordou a tremer com uma notícia do "Financial Times Deutschland" que garantia que Bruxelas tinha preparado um pacote de resgate para Portugal. Mas, nessa mesma manhã, Portugal conseguiu emitir 1200 milhões de euros de dívida pública e o gabinete de Sócrates garantiu que aquela emissão era um momento de viragem. Viu-se..."

"Espero, e acredito, que numa segunda fase promovam crescimento, igualdade de oportunidades, e justiça. Mas até lá, por favor, não falem em sinais que não existem." - Ricardo Costa, Expresso, 21/01/2012  

domingo, janeiro 22, 2012

Orquídea de aço

Gosto de cinema. Gosto de uma história bem contada. O filme de Luc Besson é uma história sem pretensões mas que nos vem recordar a luta dessa flor de aço que é Aung San Suu Kyi e o drama que foram os últimos anos da sua vida, dilacerada entre o amor ao seu povo e a fidelidade ao marido. Michael Aris acabaria por falecer vitimado por um cancro, longe da mulher que sempre amou e que ele ajudou a conquistar o Nobel. Vi "The Lady" numa sala em que eramos apenas dois, longe do barulho e do cheiro das pipocas. O filme de Besson e a excelente interpretação da malaia Michelle Yeoh são um grito contra o esquecimento, um alerta para que não nos esqueçamos do drama daquele povo. Visionar "The Lady" é uma forma de censurarmos os crimes dos militares birmaneses e uma justa homenagem ao estoicismo e à beleza da incansável lutadora.  

O ministro é que sabe como elas se fazem

Uma desgraça nunca vem só

Há momentos em que valeria a pena ser cego, surdo e mudo. Na segurança da sua casa um cidadão pode imaginar o que seria esse luxo mantendo todas as suas capacidades. Um Presidente da República não.

Na sexta-feira passada, o País foi abalado por uma declaração de Aníbal Cavaco Silva. Não foi o cidadão quem falou, foi o Presidente da República. O PR aproveitou um encontro com jornalistas, no meio de uma das muitas visitas que faz, para se queixar do valor da sua reforma. É natural que quem não está satisfeito se queixe, que proteste, que vá para as ruas de megafone. E tire partido daqueles que lhe põem à frente. Já não é normal que um Presidente da República em exercício o faça como se fosse um cidadão qualquer, um contestatário anónimo.

Mas, afinal, o que disse o PR? Queixou-se, qual Calimero, do valor da “sua reforma”. A “sua reforma” que, afinal, são três: uma da Caixa Nacional de Pensões, outra do Banco de Portugal e, ainda, uma subvenção vitalícia pelo tempo em que exerceu cargos políticos. Quem em casa o ouviu ficou a pensar que o PR não recebe o salário inerente à função que desempenha, mas apenas uma reforma da Caixa Nacional de Pensões de € 1300,00 (mil e trezentos euros). Só que a dado passo, certamente traído pelo número de microfones, Aníbal Cavaco Silva disse que “tudo somado, o que irei receber do fundo de pensões do Banco de Portugal e da CGA quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas”.   

Eu não sei quais serão as despesas do Presidente da República. Também não sei quais serão as despesas do reformado Aníbal Cavaco Silva. Mas todos os portugueses sabem que, fiando-se no que diz, não será homem de vícios. Não bebe, não fuma, não se droga, não consta que frequente lupanares. E qualquer cidadão perceberá facilmente que, enquanto PR, o cidadão Aníbal não paga renda de casa, água, luz, gás, a maior parte das refeições, gasolina, estacionamento ou empregada doméstica. E no dia em que o cidadão Aníbal deixar de ser PR passará a auferir de uma pensão que, “tudo somado”, andará, não pelos € 1.300 que ele insinuou, mas pelos € 9.000,00 (nove mil euros).

Custa perceber o que pode levar o PR, o cidadão Aníbal Cavaco Silva – o mesmo que trepava coqueiros em São Tomé como se fosse um símio, que ajudou a promover gente como Oliveira e Costa, Duarte Lima ou Dias Loureiro, e que mantém como assessor um fulano que depois de andar metido num obsceno caso envolvendo um jornalista do Público acabou há dias a explicar num jornal brasileiro que a sua concepção da democracia, em matéria de liberdade de imprensa, não será muito diferente da de um general birmanês –, a fazer afirmações do jaez da que produziu.

Também não sei se o PR tem a exacta noção do que disse. Sei, todavia, que omitiu aos portugueses uma parte substancial dos seus rendimentos. Induziu-os em erro. Porque quem fala como ele falou sabia do que estava a falar. E se formos a analisar os casos em que este PR andou metido, verificaremos que, para além dos episódios relativamente recentes das escutas e da protecção ao seu assessor Fernando Lima, omitiu aos portugueses, numa outra declaração pública, os seus ganhos em Bolsa por via do BPN e das ligações a Oliveira e Costa ou os dados relevantes sobre a forma como adquiriu uma casa na Urbanização da Coelha. Bastará recordar a forma como fez de conta, enquanto pôde, dos problemas em que Dias Loureiro estava envolvido, disfarçando ser este um homem da sua máxima confiança, para acabar desvirtuando o sentido da sua vitória eleitoral com um discurso que destilou acinte. Era pouco. Por isso, esta semana veio queixar-se dos trocos que tem no bolso. Ou melhor, da sua falta.

Já todos tínhamos desconfiado da sua posição quanto ao corte dos subsídios imposto por um governo da sua cor e confiança. E foi patente a sua falta de nível quando referiu, em plena campanha eleitoral, o valor da reforma da sua mulher. Como se esta fosse uma desgraçadinha enjeitada acolhida por ele. Agora, Cavaco Silva, o PR, desceu a um nível nunca visto. Fê-lo sem decoro. Pior, sem a noção do ridículo.

Não se espera de um PR que faça discursos miserabilistas. Que assuma o papel do desgraçadinho ou que omita deliberadamente factos públicos e notórios relacionados com a sua pessoa só para se proteger. Menos ainda que assuma o papel de um merceeiro avarento para se queixar do valor das reformas que recebe.

Para quem descontou durante os mesmos trinta ou quarenta anos que o PR e recebe uma pensão de 500, 600 ou 1000 euros por mês, será fácil perceber que com valores dessa ordem de grandeza seja difícil pagar as todas as despesas do mês. Para qualquer cidadão será muito mais complicado compreender como é possível receber cerca de € 9.000,00 por mês, não gastar um cêntimo com o exercício ou por causa das suas funções, e no final encontrar justificação para ainda assim se queixar.

O cidadão Aníbal Cavaco Silva não merece ser Presidente da República. Não tem atitudes dignas da função que desempenha. É o meu juízo objectivo. O cidadão em causa, pela forma como exerce as suas competências, pelas declarações miserabilistas que profere, revela não ter, nunca ter tido, estatura para desempenhar o cargo. A vitimização não faz parte da nossa herança histórica. Quem diz o que o PR disse esta semana, da forma como o disse, sem gaguejar, desvirtuando os factos para ganhar a compaixão dos seus concidadãos, ofendendo de forma gratuita e insultuosa a maioria dos portugueses que nem em sonhos terão uma reforma como a dele, demonstra não ser digno da História de Portugal. Os cidadãos que diariamente fazem fila na Segurança Social e no Centro de Emprego de Faro para tentarem obter os meios que lhes permitam pagar a água, a luz ou a escola dos filhos, não percebem o que disse o cidadão Aníbal Cavaco Silva. Nunca perceberão. Ninguém no seu perfeito juízo, à direita ou à esquerda, lavrador ou administrador de empresa, alcança as declarações do PR.

Limito-me a confirmar o que sempre pensei dele. Do cidadão e do político. O que foi dito não constituiu um lapso. É um traço do seu carácter. O seu discurso, mesmo que não pudesse ser visto à luz do seu passado político, é mais do que um simples complexo. Ou uma confissão. É a prova do fracasso da educação na formação do carácter. Os conhecimentos, a mobilidade e a ascensão social que a formação académica lhe proporcionou, foram incapazes de lhe moldar ou alterar o carácter. O seu discurso denota a existência de falhas graves na formação da sua personalidade, com reflexo cada vez mais evidente no desempenho das suas funções políticas. No discurso de Estado. É triste, pois é. Mas como escreveu o insuspeito António Ribeiro Ferreira, “as crises servem para muitas coisas, até para descobrir as pessoas, o seu carácter e a forma como estão na vida. A natureza humana revela-se sempre nestas alturas, no pior e no melhor”. Lamentavelmente, esta crise tem revelado, além de um Presidente da República incapaz de corresponder às exigências do momento, o pior do cidadão Aníbal Cavaco Silva.

Sinto-me envergonhado. Estou triste. E revoltado. Ser um mau Presidente da República é um azar. Pode acontecer a qualquer um que exerça as funções. Na pior das hipóteses dura dois mandatos. É um custo da democracia para o qual todos estão preparados. Já um cidadão com uma personalidade mal formada é para sempre. É um vírus que afecta toda a nação. Um cidadão perdido. Uma alma penada. Nunca se está preparado para uma tragédia.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Já me falta a paciência

Mas este tipo não se enxerga? Olhe, Senhor Presidente, aperte o cinto, mude de hábitos. É o que nós também fazemos. Em vez de ir ao Sueste comer um robalinho, agarre na sua madame e nos netos e vá ao McDonald's comer uns douradinhos. Talvez assim a reforma já lhe chegue. Enxergue-se, homem, tenha vergonha.

Este também foi indicado pelos accionistas?

Não está em causa o mérito do nomeado, de quem aliás sou admirador da escrita e da superior valia cultural e intelectual. Mas politicamente, depois de tudo o que tem acontecido nos últimos dias, será sensato continuar a nomear desta forma? Não há ninguém competente fora da área do Governo? Nem um para a amostra? Só os fundamentalistas ligados ao PSD têm currículo para aceder à manjedoura? A lista de favores nunca mais acaba de ser paga? Lucidez já se viu que é coisa inexistente, mas vergonha também não há? Como é possível pôr o País a tresandar em tão pouco tempo? 

Sinais (53)

"Em Portugal, está visto, não basta privatizar uma empresa para que as mãos do governo se afastem do destino dos negócios, e suspeito que de tal não estava a troika à espera. É por isso que temos de fazer muito mais, se quisermos realmente um Portugal diferente deste Portugal paroquial e nepotista que é, de certa forma, o Portugal de sempre" - José Manuel Fernandes, Público, 20/01/2012

Sinais (52)

"Ministro vê "sinais" e "viragem", mas risco de incumprimento está nos 66%"

"Gaspar vê pontos de viragem onde os mercados vêem default"

"As taxas de juro no mercado secundário voltaram a bater recordes"

Público, 20/01/2012

A LER

"(...) no fundo ninguém parece levar a sério, sabendo que da 'promoção do empreendedorismo' à 'redução dos custos de contexto' ou a outra qualquer política fantasista e misericordiosa nada passará de conversa para iniciados." - Vasco Pulido Valente, Público 

O ANO DO DRAGÃO

Começará à meia-noite de 23 de Janeiro para só terminar no dia 9 de Fevereiro de 2013. Trata-se do quinto signo do zodíaco chinês e significa sorte. E este será um ano do dragão vermelho, o que poderá ser ainda mais auspicioso. É então altura de desejar a todos os leitores e aos meus amigos os melhores votos, e que os deuses lhes tragam tudo aquilo que a troika e Passos Coelho lhes tem tirado. Em especial a esperança num Portugal melhor, numa sociedade que não se envegonhe dos seus cidadãos.

新年愉快! 恭喜發財! 身體健康! 萬事如意
 Kung Hei Fai Choi!  Gong Xi Fa Cai!

Regabofe em sessões contínuas

Enquanto o DN continua à espera que sejam reveladas 192 nomeações que não foram publicitadas, melhor seria dizer que foram omitidas, no portal do Governo, nós deparamo-nos com estas pérolas. Neste caso nem valerá a pena tapar o nome. Porque está tudo no Diário da República. A nomeada não tem culpa, mas não deixa de ser estranha a atribuição de dois abonos suplementares em Junho e Novembro. Uns ficam sem os subsídios, outros ganham abonos suplementares. E, curiosamente, o despacho foi agora publicado com efeitos a 28 de Junho do ano passado. Um aldrabão pode ter várias identidades, apresentar um discurso simpático e até merecer o benefício da dúvida. Mas só os tontos se deixam enganar por um par de "jotinhas" alaranjados.

P.S. Como não passou, corrigiram.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

É por estas e outras ...

Diferenças ideológicas à parte, quase tudo o que Pacheco Pereira diz com a sua habitual frontalidade e eloquência correspondem à verdade. É incómodo? É. Tinha de ser dito? Tinha. Eu próprio já o referi várias vezes, quer aqui, quer no Delito de Opinião, no tempo em que por ali escrevia. Agora Pacheco Pereira vai um pouco mais longe e dá os nomes às coisas. Ainda bem que ele o faz. Não há crise que justifique o adormecimento das consciências, o apagamento da oposição ou que obrigue a tudo engolir como se fossemos, na expressiva linguagem da Clara Ferreira Alves, uns servos da gleba. Se neste país tivéssemos mais meia dúzia, já nem peço mais, de pessoas como ele, à esquerda e à direita, seguramente que não estaríamos no atoleiro em que estamos e entregues a parlapatões. Mas como a frontalidade e a honestidade em política pagam um preço muito elevado, contentemo-nos com a mobília que temos, com os tarecos que nos calharam em sorte.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Às vezes as escolhas dos accionistas dão nisto

(imagem Epa, Enzo Russo)

A explicação que foi dada por Francesco Schettino para abandonar o "Costa Concordia" quando ainda havia centenas ou milhares de passageiros e de tripulantes no navio a aguardarem por auxílio, não fosse dar-se o caso de estarmos perante um tragédia perfeitamente evitável e que acabou por ceifar a vida a uns quantos, deixou outros tantos órfãos e provocou prejuízos de centenas de milhões, para além do susto e da angústia causados em muitos milhares, até nos faria sorrir. Dizer que caiu acidentalmente para um salva-vidas para justificar a fuga é tão absurdo quantas as razões que foram dadas para as escolhas de nomes para o Conselho Geral e de Supervisão da EDP ou as Águas de Portugal. A avaliar pelo nível dos argumentos que quanto a estes últimos foram usados, Schettino tem um padrão de argumentação que, se fosse português, faria dele uma potencial escolha para qualquer uma dessas entidades, para integrar um grupo de trabalho sobre a renovação da marinha mercante ou até ser ministro de um governo de Passos Coelho. O facto da justiça italiana não se comover com a sua sorte, e dele ir agora passar um bom par de anos em velocidade de cruzeiro atrás das grades, no que foi um azar dele, das seguradoras e dos accionistas da empresa armadora, poupa-nos, felizmente, a um cenário desses. Ao menos que por lá se faça justiça, já que aqui isso é coisa de filmes.