sexta-feira, janeiro 20, 2012

O ANO DO DRAGÃO

Começará à meia-noite de 23 de Janeiro para só terminar no dia 9 de Fevereiro de 2013. Trata-se do quinto signo do zodíaco chinês e significa sorte. E este será um ano do dragão vermelho, o que poderá ser ainda mais auspicioso. É então altura de desejar a todos os leitores e aos meus amigos os melhores votos, e que os deuses lhes tragam tudo aquilo que a troika e Passos Coelho lhes tem tirado. Em especial a esperança num Portugal melhor, numa sociedade que não se envegonhe dos seus cidadãos.

新年愉快! 恭喜發財! 身體健康! 萬事如意
 Kung Hei Fai Choi!  Gong Xi Fa Cai!

Regabofe em sessões contínuas

Enquanto o DN continua à espera que sejam reveladas 192 nomeações que não foram publicitadas, melhor seria dizer que foram omitidas, no portal do Governo, nós deparamo-nos com estas pérolas. Neste caso nem valerá a pena tapar o nome. Porque está tudo no Diário da República. A nomeada não tem culpa, mas não deixa de ser estranha a atribuição de dois abonos suplementares em Junho e Novembro. Uns ficam sem os subsídios, outros ganham abonos suplementares. E, curiosamente, o despacho foi agora publicado com efeitos a 28 de Junho do ano passado. Um aldrabão pode ter várias identidades, apresentar um discurso simpático e até merecer o benefício da dúvida. Mas só os tontos se deixam enganar por um par de "jotinhas" alaranjados.

P.S. Como não passou, corrigiram.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

É por estas e outras ...

Diferenças ideológicas à parte, quase tudo o que Pacheco Pereira diz com a sua habitual frontalidade e eloquência correspondem à verdade. É incómodo? É. Tinha de ser dito? Tinha. Eu próprio já o referi várias vezes, quer aqui, quer no Delito de Opinião, no tempo em que por ali escrevia. Agora Pacheco Pereira vai um pouco mais longe e dá os nomes às coisas. Ainda bem que ele o faz. Não há crise que justifique o adormecimento das consciências, o apagamento da oposição ou que obrigue a tudo engolir como se fossemos, na expressiva linguagem da Clara Ferreira Alves, uns servos da gleba. Se neste país tivéssemos mais meia dúzia, já nem peço mais, de pessoas como ele, à esquerda e à direita, seguramente que não estaríamos no atoleiro em que estamos e entregues a parlapatões. Mas como a frontalidade e a honestidade em política pagam um preço muito elevado, contentemo-nos com a mobília que temos, com os tarecos que nos calharam em sorte.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Às vezes as escolhas dos accionistas dão nisto

(imagem Epa, Enzo Russo)

A explicação que foi dada por Francesco Schettino para abandonar o "Costa Concordia" quando ainda havia centenas ou milhares de passageiros e de tripulantes no navio a aguardarem por auxílio, não fosse dar-se o caso de estarmos perante um tragédia perfeitamente evitável e que acabou por ceifar a vida a uns quantos, deixou outros tantos órfãos e provocou prejuízos de centenas de milhões, para além do susto e da angústia causados em muitos milhares, até nos faria sorrir. Dizer que caiu acidentalmente para um salva-vidas para justificar a fuga é tão absurdo quantas as razões que foram dadas para as escolhas de nomes para o Conselho Geral e de Supervisão da EDP ou as Águas de Portugal. A avaliar pelo nível dos argumentos que quanto a estes últimos foram usados, Schettino tem um padrão de argumentação que, se fosse português, faria dele uma potencial escolha para qualquer uma dessas entidades, para integrar um grupo de trabalho sobre a renovação da marinha mercante ou até ser ministro de um governo de Passos Coelho. O facto da justiça italiana não se comover com a sua sorte, e dele ir agora passar um bom par de anos em velocidade de cruzeiro atrás das grades, no que foi um azar dele, das seguradoras e dos accionistas da empresa armadora, poupa-nos, felizmente, a um cenário desses. Ao menos que por lá se faça justiça, já que aqui isso é coisa de filmes.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Vindo dele deve querer dizer alguma coisa, não?

Quando um analista como João Pereira Coutinho, reconhecidamente situado à direita e inteligente, faz uma análise destas, isso deve querer dizer alguma coisa, não?

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Boy por boy eu prefiro girls, se possível simpáticas

"O anterior Governo socialista tinha feito o mesmo: colocar naqueles lugares pessoas da sua confiança política, muitas vezes ex-candidatos autárquicos. Algumas dessas pessoas, no passado como hoje, têm ocupado cargos na administração pública e até no universo da segurança social" - Sol

Já muitos o salientaram. De Pacheco Pereira a António Lobo Xavier. De Marques Mendes a Rebelo de Sousa. Mas se não o tivessem feito não seria por essa razão que deixaríamos de ter notado. Em especial as parecenças. Catroga foi escolhido pelos accionistas da mesma forma que anteriormente Vara, na banca, ou Afonso Camões, na Lusa, também tinham sido escolhidos pelos accionistas. Gente estúpida, naturalmente, porque não pensa nas consequências. Na semana passada, numa conferência promovida pelo DN, Passos Coelho em vez de falar do tema do encontro falou de cartões de militantes e de nomeações. Menos de quarenta e oito horas depois, na sequência de vários desmentidos e da risota que a sua intervenção provocou, o site oficial do Governo corrigiu os números do primeiro-ministro: as cento e poucas nomeações como que por milagre passaram a ser 720 novas nomeações. Em sete meses. São menos? Pois são, mas os desempregados também são muitos mais e os que diariamente saem da "zona de conforto" fazem reduzir  o número de candidatos  dos que aqui ficam. É tudo proporcional à crise. O número de canastrões também. Quanto à   inteligência e à vergonha é que seguem agora outra bitola: aumentou a falta de ambas. Os argumentos são os mesmos, já estavam estafados e ainda assim continuam a ser usados. Em vez de se perder tempo a justificar aos portugueses as opções políticas e as escolhas que interessam ao futuro colectivo, discutem-se pastéis de nata e o número de leitões com acesso ao chiqueiro. Nada de novo, portanto. O problema é congénito.

sábado, janeiro 14, 2012

Diário irregular

14 de Janeiro de 2012

I democratici che non vedono la differenza tra una critica amichevole e una critica ostile della democrazia sono anch’essi imbevuti di spirito totalitário. Il totalitarismo, naturalmente, non può considerare come amichevole alcuna critica, perché il principio dell’autorità finisce necessariamente col contestare il principio dell’ autorità stessa” – Karl Popper, La società aperta e i suoi nemici. Platone totalitário, Roma, Armando Editore, 1973, vol. I, pp. 265.


Volta o Diário quando os dias começam timidamente a prolongar-se pela tarde. Ainda quando o céu sobe e se espraia azul, as sombras permanecem seguindo-nos, inexoráveis, como as algemas que tardam em libertar-se. Portugal tem sido assim. Temo que assim continue por mais uns longos anos.

As natas”, diz o fulano. Fala “delas” sem que eu o perceba. Alguém a meu lado traduz e diz-me que se refere a pastéis. Pastéis de nata. Não os imaginava no feminino, mas se calhar o homem até tem razão. Se há quem mude de género porque não gosta ou teve azar naquele que lhe saiu em sorte, por que não também os pastéis? Com tanto videirinho e chico-esperto a ocupar a pantalha só faltava entrar um patusco para dar cor e animação ao enredo.

Atropelam-se nas justificações, tropeçam nas suas próprias palavras. Há uma forma totalitária de olhar para os outros nas palavras e nas acções. Ao totalitarismo estatal que a todos se impõe e que é atrofiante da mais ligeira ousadia sucede-lhe agora o totalitarismo dos gangues. O Estado a gente sabe como combater. Os gangues não. E tudo se torna mais difícil quando não se percebe de onde eles chegam. A percepção é a de que saem do nada. Aparecem na lista e pronto.

Não vale a pena olhar para o que está a acontecer focalizando. Neste caso, a focagem retira a visão de conjunto, tende a estriar a atenção entre sulcos paralelos. Convém perceber a forma como tudo se articula e conjuga na aparência do desconhecimento, da casualidade, da conjugação astral. Felizmente que nem todos são tolos.

Os magistrados queixam-se de que não são respeitados, de que não lhes dão ouvidos. O poder político tem sido medíocre nessa relação mas são cada vez mais os que não se dão ao respeito. Se é verdade o que o JN hoje escreve na primeira página, é incompreensível que alguém, que pelo menos aos olhos da lei e da imprensa é apresentado como sendo do sexo masculino, deponha num tribunal de cabeça tapada, com um barrete de leopardo enfiado até às orelhas. A justiça não devia ser um circo ainda que os palhaços aí sejam ouvidos. Um tribunal não é um bordel.

Os anos que passei com os chineses, trabalhando entre, com chineses e não raras vezes em exclusivo para eles, convivendo com empresários, militares, artistas e simples batoteiros ou vigaristas, permitiram-me perceber a lógica deles melhor do que o prof. Catroga. Este diz que ficou “agradado com a lista”. Para ele foi tudo claro, simples, linear. Tudo se resumiu a uma questão de caras conhecidas. A um ex-ministro com o seu currículo devia ser proibido fazer figuras tristes. O homem parece não se importar. Antes não se importou de fazer de bibelot para dar a ideia de que o Governo de José Sócrates não nomeava só os da sua cor para as empresas públicas. Agora esqueceu-se de dizer que foi por um triz que Jaime Pacheco, o treinador de futebol do ano no Beijing Goan, não foi parar ao Conselho de Supervisão da EDP. Imagine-se o que seria, segundo a sua percepção do critério dos chineses, se Júlia Pinheiro, Teresa Guilherme ou uma daquelas aventesmas que regularmente passa pelos seus programas fossem conhecidas na China? Estariam agora sentadas entre o ex-patrão do primeiro-ministro e o general reformado Rocha Vieira a tratar dos “pintelhos” das eólicas.

A nomeação de Catroga, Rocha Vieira, Paulo Teixeira Pinto, Ilídio Pinho ou Celeste Cardona – esta senhora devia estar presa por ser a responsável pela pior e mais maléfica reforma que alguma vez se fez na Justiça, a da acção executiva, e que em muito foi responsável pela chegada da troika – é escabrosa.

Mas mais escabroso é que tipos com a situação financeira de Catroga –  a receber uma reforma de quase uma dezena de milhar de euros –, de Rocha Vieira – que embolsou milhões em Macau, mais um subsídio de integração no final do mandato e agora goza os prazeres de uma reforma de muitos milhares na Quinta Patiño –, de Ilídio Pinho – milionário – ou de Paulo Teixeira Pinto – ex-presidente do BCP reformado por doença e a receber uma pensão vitalícia de centenas de milhares de euros – ainda vão receber mais uns milhares para o tal Conselho de Supervisão. Se Cristo descesse à terra mandava-os crucificar no alto de um monte alentejano. Por falta de solidariedade cristã para com o seu semelhante. Por ainda não terem dito uma palavra de renúncia em relação àquilo que vão receber, sem que precisem ou lhes faça falta para viverem confortavelmente, a favor de instituições de apoio à pobreza. É nestes momentos que se vê quem enche a boca com a doutrina social da Igreja e quem a pratica. Os portugueses que sofrem com as actuais condições do País precisam de gestos simples, de palavras oportunas, em especial de exemplos decentes.  
   
A ministra da Justiça está preocupada com a Maçonaria. Se um dia fizer parte dessa ou de outra organização congénere serei o primeiro a referi-lo na minha declaração de interesses. Quanto a isso podem ficar tranquilos. Mas a senhora ministra, que é uma pessoa estimável, ao contrário do que pensa o meu bastonário, está equivocada quanto à essência do problema. Bastar-lhe-ia ter passado por Macau para ter percebido que há uma diferença entre a fidelidade a princípios e a valores e a fidelidade a grupos. A destes é irracional, canina, mais dificilmente perceptível porque mascara a realidade. Pergunte ao seu chefe de gabinete como foi Macau no “último terço da transição”. Estou certo de que o meu amigo João Miguel Barros lhe explicará com toda a paciência, como é seu timbre, que há ligações transparentes bem mais perigosas e menos higiénicas para uma democracia do que a falta de escrutínio de algumas consciências de que se desconfia.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Sinais (51)

"Nós precisamos de "despartidarizar" a nossa a administração" - gritava então o Dom Sebastião de Massamá , corria o bonito dia 12 de Maio de 2011. Com os ventos de mudança a soprarem a favor, tudo o que saía daquela boca parecia ser sincero, habituados a ser aldrabados todo o santo dia - de há seis anos aquela parte - era sopinha no mel .  Outra pérola do senhor Primeiro Ministro, na altura ainda candidato ao cargo e em data que não me recordo, rezava assim: "eu não quero ser primeiro ministro para dar empregos ao PSD" e  "não vamos andar a nomear os boys do PSD". - Tiago Mesquita, no Expresso


Nem tanto à terra...

Não, caro Pedro Santana Lopes, lamento desiludi-lo mas vossemecê, além de já não ter idade para ser um boy, já experimentou quase tudo. Quando muito diria que é um dandy. Todos os governos têm os seus.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Aplauso

Esteve bem, muito bem, o Prof. José Adelino Maltez, ontem na SIC-Notícias, com Mário Crespo, e depois na TVI24, com José Alberto Carvalho, Vera Jardim e Marques Mendes. É com intervenções como a dele que se desmistifica o fenómeno maçónico, se combate a ignorância, o atavismo, o populismo fácil e o preconceito.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Sinais (50)

"Por esta lógica, ainda veremos Ângelo Correia ou José Luis Arnaut assomarem numa das próximas nomeações (a próxima é já a Portugal Telecom). O problema é que, enquanto isso, milhões de portugueses estão a perder salários, empregos, a pagar mais impostos, mais pelas rendas ou pela saúde. Estas nomeações são uma provocação social. Porque enquanto muitos tratam da sua vida, alguns tratam da sua vidinha.

As nomeações da EDP, como antes as da Caixa, são um mau sinal dentro da EDP e da Caixa, e são um mau sinal do País. Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica
." - Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios 

domingo, janeiro 08, 2012

Uma nomeação que é um insulto à China e aos portugueses

A escolha pelo Governo das personalidades que irão integrar o Conselho de Supervisão da EDP é a prova de como ao fim de seis meses Passos Coelho já perdeu todo o controlo do Executivo. Já não bastava o caso das Secretas e das suas inacreditáveis ligações à Ongoing e aos falhados da Loja Mozart49. Faltava a cereja no topo do bolo com a escolha de seis acólitos da sua área política e governativa, alguns dos quais sem quaisquer indicações que aconselhassem a sua nomeação para tão importante órgão numa altura crucial em que era fundamental dar ao País sinais de mudança. Mas chegar ao ponto de escolher Vasco Rocha Vieira, o último governador de Macau,  para tal Conselho, é a prova acabada de que Passos Coelho perdeu o norte. E o tino. Um homem que foi desconsiderado, insultado e humilhado pelos chineses em múltiplas ocasiões, e que deixou o seu nome indelevelmente ligado a uma fundação constituída da mais forma mais vergonhosa de que há memória, a Fundação Jorge Álvares, ser nomeado para o Conselho de Supervisão da EDP só demonstra a inexperiência, incompetência e ignorância de quem o nomeou. Há gente no gabinete de Miguel Relvas que deve estar varada com a nomeação. Afinal a evidência de que seis meses bastaram para que Passos Coelho e a sua trupe de videirinhos se rendessem a quem fez do nepotismo e da distribuição de benesses com o dinheiro dos contribuintes a sua imagem de marca. Uma nomeação que define quem o nomeou. Os chineses devem estar a rir-se. A coisa começa bem. E promete.

Em tempo: Há para aí uns espertalhões que dizem que as escolhas não são da responsabilidade do Governo ou de Passos Coelho mas sim dos accionistas da EDP. Formalmente até têm razão, mas o argumento de tão medíocre nem resposta merece. Com os filmes reais mas de péssima realização que temos andado a ver desde 21 de Junho pp., só um mentecapto poderá estar em condições de acreditar que as propostas desses nomes partiram livremente dos accionistas da empresa e que não foram "sopradas" com toda a força e mais alguma por um dos gangues que agora manda.

sábado, janeiro 07, 2012

A LER

"«Tipo esquisito...», pensou Jasselin quando ele saiu, e, como acontecera anteriormente muitas vezes, pensou em todas aquelas pessoas que coexistem no coração de uma mesma cidade sem razão especial, sem interesses nem preocupações comuns, seguindo trajectórias incomensuráveis e separadas, por vezes reunidas (cada vez mais raramente) pelo sexo ou (cada vez mais frequentemente) pelo crime. Mas pela primeira vez este pensamento - que no princípio da sua carreira de polícia o fascinava, que lhe dava vontade de averiguar, de saber mais, de penetrar ao fundo nessas relações humanas - já só provocaca nele obscuro cansaço" - Michel Houellebecq

Recebeu o Goncourt, foi traduzido por Pedro Tamen e a 1ª edição data de Outubro de 2011. Os encómios são mais que muitos e foi aclamado por essa Europa fora. Pela que sabe ler e pensar. A sociedade contemporânea com olhos de ver. 

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Chegaram os ouriços

Já chegou há alguns dias mas confesso que só hoje tive tempo para andar por lá. E para já gostei. Espero que nos proporcione bons momentos e não nos pique em demasia. Chama-se O Ouriço e pela amostra promete. Um Bom Ano, uma longa vida, é o que vos desejo.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Diz-me com quem andas


Bem que gostaria de poder corresponder a tão amável e generoso convite, mas por cada dia que passa menos vontade tenho. Enquanto não houver uma limpeza que separe as águas, nada feito. Isto anda tudo ligado porque são sempre os mesmos e os critérios de selecção e recrutamento foram idênticos. Diz-se que tudo tem que ver com princípios e valores porque, em boa verdade, nada tem que ver com princípios e valores. E é pena, porque eu acredito em ambos. A políticos de treta correspondem hoje maçons da tanga. E isto aplica-se a todos indistintamente. O resultado só poderia ser aquele que se vê.

Se Mozart imaginasse que à sombra do seu nome, em vez de se albergar o génio e o talento, se iriam reunir uns tipos obscuros à procura de ascensão social, de poder, formal e informal, do vil metal e de honrarias várias, teria proposto a Salieri trocarem de nome.

Sinais (49)

terça-feira, janeiro 03, 2012

Acabadinho de sair

Com a publicação deste "ensaio" ficam respondidas as minhas dúvidas abaixo colocadas. Espero conseguir comprar um exemplar antes da edição se esgotar.

Estas coisas não podem passar despercebidas

Tratando-se de números oficiais (vale a pena "clicar" na imagem para se ver melhor), é evidente que estas "barrinhas" tinham de ter aqui eco. Já basta os "irmãos" do ministro da propaganda mandarem emendar os relatórios dos senhores deputados para se proteger a "organização".

P.S. O valor atribuído a Durão Barroso/Santana Lopes, atendendo ao curto período em que estiveram em funções, permite imaginar o que teria sido se lá tivessem ficado até ao final da legislatura.

Mais uma contribuição para o empobrecimento nacional

É legítimo mudar a sede fiscal de uma empresa para uma jurisdição onde a carga fiscal é inferior por razões de mera conjuntura política, financeira e fiscal quando se tem responsabilidades empresariais e sociais? É legítimo fazê-lo quando no passado por diversas vezes se foi contundente nas críticas à ineficiência e incompetência do poder político? É legítimo fazê-lo quando se institui uma fundação que, entre outras coisas, se dedica à publicação de pequenos ensaios destinados a estimularem o conhecimento, a cidadadania, a participação e uma intervenção cívica responsável? E é legítimo concretizá-lo numa altura de profunda crise económica e de valores quando seria mais importante dar sinais de solidariedade, de esperança e de conforto a quem não goza dos mesmos meios e prerrogativas? E se essa deslocalização não tem por base razões fiscais, admitindo-se que outras há, será que estas são suficientes para justificarem a bondade de tal atitude?
Quando exemplos como o da deslocalização da sede fiscal são dados por uma entidade e um grupo empresarial com a responsabilidade social da Jerónimo Martins, pouco poderá ser exigido a quem convida e empurra os portugueses para os braços da emigração.
Gostava de ouvir o que António Barreto pensa sobre isto, ele que dirige a Fundação Manuel dos Santos, a mesma onde foi publicado "Justiça Fiscal", do meu saudoso mestre Saldanha Sanches. Afinal, tal como este ali escreveu, citando as conclusões de Miguel Poiares Maduro no caso "Halifax" (C-255/02), "o direito fiscal não deve tornar-se numa espécie de faroeste jurídico, em que praticamente todo o tipo de comportamento oportunista tem de ser tolerado desde que seja conforme com uma interpretação formalista estrita das disposições fiscais relevantes e que o legislador não tenha expressamente tomado medidas para impedir esse comportamento".
O grupo Jerónimo Martins acabou de dar uma valiosa contribuição a Passos Coelho e a Vítor Gaspar para o empobrecimento nacional. E um exemplo daquele tipo de atitudes que o responsável máximo desse grupo tanto criticava em José Sócrates. O sr. Soares dos Santos acabou de perder toda a autoridade ética e moral para se insurgir contra todos aqueles que de uma forma ou de outra e usando de expedientes vários deixam de contribuir para a satisfação das responsabilidades do Estado.

Cícero desdenharia comprar nas lojas do grupo Jerónimo Martins. Eu também. Não suporto hipócritas.