quarta-feira, janeiro 11, 2012

Aplauso

Esteve bem, muito bem, o Prof. José Adelino Maltez, ontem na SIC-Notícias, com Mário Crespo, e depois na TVI24, com José Alberto Carvalho, Vera Jardim e Marques Mendes. É com intervenções como a dele que se desmistifica o fenómeno maçónico, se combate a ignorância, o atavismo, o populismo fácil e o preconceito.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Sinais (50)

"Por esta lógica, ainda veremos Ângelo Correia ou José Luis Arnaut assomarem numa das próximas nomeações (a próxima é já a Portugal Telecom). O problema é que, enquanto isso, milhões de portugueses estão a perder salários, empregos, a pagar mais impostos, mais pelas rendas ou pela saúde. Estas nomeações são uma provocação social. Porque enquanto muitos tratam da sua vida, alguns tratam da sua vidinha.

As nomeações da EDP, como antes as da Caixa, são um mau sinal dentro da EDP e da Caixa, e são um mau sinal do País. Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica
." - Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios 

domingo, janeiro 08, 2012

Uma nomeação que é um insulto à China e aos portugueses

A escolha pelo Governo das personalidades que irão integrar o Conselho de Supervisão da EDP é a prova de como ao fim de seis meses Passos Coelho já perdeu todo o controlo do Executivo. Já não bastava o caso das Secretas e das suas inacreditáveis ligações à Ongoing e aos falhados da Loja Mozart49. Faltava a cereja no topo do bolo com a escolha de seis acólitos da sua área política e governativa, alguns dos quais sem quaisquer indicações que aconselhassem a sua nomeação para tão importante órgão numa altura crucial em que era fundamental dar ao País sinais de mudança. Mas chegar ao ponto de escolher Vasco Rocha Vieira, o último governador de Macau,  para tal Conselho, é a prova acabada de que Passos Coelho perdeu o norte. E o tino. Um homem que foi desconsiderado, insultado e humilhado pelos chineses em múltiplas ocasiões, e que deixou o seu nome indelevelmente ligado a uma fundação constituída da mais forma mais vergonhosa de que há memória, a Fundação Jorge Álvares, ser nomeado para o Conselho de Supervisão da EDP só demonstra a inexperiência, incompetência e ignorância de quem o nomeou. Há gente no gabinete de Miguel Relvas que deve estar varada com a nomeação. Afinal a evidência de que seis meses bastaram para que Passos Coelho e a sua trupe de videirinhos se rendessem a quem fez do nepotismo e da distribuição de benesses com o dinheiro dos contribuintes a sua imagem de marca. Uma nomeação que define quem o nomeou. Os chineses devem estar a rir-se. A coisa começa bem. E promete.

Em tempo: Há para aí uns espertalhões que dizem que as escolhas não são da responsabilidade do Governo ou de Passos Coelho mas sim dos accionistas da EDP. Formalmente até têm razão, mas o argumento de tão medíocre nem resposta merece. Com os filmes reais mas de péssima realização que temos andado a ver desde 21 de Junho pp., só um mentecapto poderá estar em condições de acreditar que as propostas desses nomes partiram livremente dos accionistas da empresa e que não foram "sopradas" com toda a força e mais alguma por um dos gangues que agora manda.

sábado, janeiro 07, 2012

A LER

"«Tipo esquisito...», pensou Jasselin quando ele saiu, e, como acontecera anteriormente muitas vezes, pensou em todas aquelas pessoas que coexistem no coração de uma mesma cidade sem razão especial, sem interesses nem preocupações comuns, seguindo trajectórias incomensuráveis e separadas, por vezes reunidas (cada vez mais raramente) pelo sexo ou (cada vez mais frequentemente) pelo crime. Mas pela primeira vez este pensamento - que no princípio da sua carreira de polícia o fascinava, que lhe dava vontade de averiguar, de saber mais, de penetrar ao fundo nessas relações humanas - já só provocaca nele obscuro cansaço" - Michel Houellebecq

Recebeu o Goncourt, foi traduzido por Pedro Tamen e a 1ª edição data de Outubro de 2011. Os encómios são mais que muitos e foi aclamado por essa Europa fora. Pela que sabe ler e pensar. A sociedade contemporânea com olhos de ver. 

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Chegaram os ouriços

Já chegou há alguns dias mas confesso que só hoje tive tempo para andar por lá. E para já gostei. Espero que nos proporcione bons momentos e não nos pique em demasia. Chama-se O Ouriço e pela amostra promete. Um Bom Ano, uma longa vida, é o que vos desejo.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Diz-me com quem andas


Bem que gostaria de poder corresponder a tão amável e generoso convite, mas por cada dia que passa menos vontade tenho. Enquanto não houver uma limpeza que separe as águas, nada feito. Isto anda tudo ligado porque são sempre os mesmos e os critérios de selecção e recrutamento foram idênticos. Diz-se que tudo tem que ver com princípios e valores porque, em boa verdade, nada tem que ver com princípios e valores. E é pena, porque eu acredito em ambos. A políticos de treta correspondem hoje maçons da tanga. E isto aplica-se a todos indistintamente. O resultado só poderia ser aquele que se vê.

Se Mozart imaginasse que à sombra do seu nome, em vez de se albergar o génio e o talento, se iriam reunir uns tipos obscuros à procura de ascensão social, de poder, formal e informal, do vil metal e de honrarias várias, teria proposto a Salieri trocarem de nome.

Sinais (49)

terça-feira, janeiro 03, 2012

Acabadinho de sair

Com a publicação deste "ensaio" ficam respondidas as minhas dúvidas abaixo colocadas. Espero conseguir comprar um exemplar antes da edição se esgotar.

Estas coisas não podem passar despercebidas

Tratando-se de números oficiais (vale a pena "clicar" na imagem para se ver melhor), é evidente que estas "barrinhas" tinham de ter aqui eco. Já basta os "irmãos" do ministro da propaganda mandarem emendar os relatórios dos senhores deputados para se proteger a "organização".

P.S. O valor atribuído a Durão Barroso/Santana Lopes, atendendo ao curto período em que estiveram em funções, permite imaginar o que teria sido se lá tivessem ficado até ao final da legislatura.

Mais uma contribuição para o empobrecimento nacional

É legítimo mudar a sede fiscal de uma empresa para uma jurisdição onde a carga fiscal é inferior por razões de mera conjuntura política, financeira e fiscal quando se tem responsabilidades empresariais e sociais? É legítimo fazê-lo quando no passado por diversas vezes se foi contundente nas críticas à ineficiência e incompetência do poder político? É legítimo fazê-lo quando se institui uma fundação que, entre outras coisas, se dedica à publicação de pequenos ensaios destinados a estimularem o conhecimento, a cidadadania, a participação e uma intervenção cívica responsável? E é legítimo concretizá-lo numa altura de profunda crise económica e de valores quando seria mais importante dar sinais de solidariedade, de esperança e de conforto a quem não goza dos mesmos meios e prerrogativas? E se essa deslocalização não tem por base razões fiscais, admitindo-se que outras há, será que estas são suficientes para justificarem a bondade de tal atitude?
Quando exemplos como o da deslocalização da sede fiscal são dados por uma entidade e um grupo empresarial com a responsabilidade social da Jerónimo Martins, pouco poderá ser exigido a quem convida e empurra os portugueses para os braços da emigração.
Gostava de ouvir o que António Barreto pensa sobre isto, ele que dirige a Fundação Manuel dos Santos, a mesma onde foi publicado "Justiça Fiscal", do meu saudoso mestre Saldanha Sanches. Afinal, tal como este ali escreveu, citando as conclusões de Miguel Poiares Maduro no caso "Halifax" (C-255/02), "o direito fiscal não deve tornar-se numa espécie de faroeste jurídico, em que praticamente todo o tipo de comportamento oportunista tem de ser tolerado desde que seja conforme com uma interpretação formalista estrita das disposições fiscais relevantes e que o legislador não tenha expressamente tomado medidas para impedir esse comportamento".
O grupo Jerónimo Martins acabou de dar uma valiosa contribuição a Passos Coelho e a Vítor Gaspar para o empobrecimento nacional. E um exemplo daquele tipo de atitudes que o responsável máximo desse grupo tanto criticava em José Sócrates. O sr. Soares dos Santos acabou de perder toda a autoridade ética e moral para se insurgir contra todos aqueles que de uma forma ou de outra e usando de expedientes vários deixam de contribuir para a satisfação das responsabilidades do Estado.

Cícero desdenharia comprar nas lojas do grupo Jerónimo Martins. Eu também. Não suporto hipócritas.

sábado, dezembro 31, 2011

I am glad I spent it with you

Nem de propósito

Ao rever algumas imagens retrospectivas de 2011, dei comigo a ouvir o discurso do "Sr. Pritzker", Souto Moura, perante Obama, quando recebeu o prémio que o consagrou com um dos melhores entre os génios da arquitectura mundial. Curiosamente, ele que tinha todas as razões para discursar em inglês fê-lo em português.
Por cá, como ali abaixo sublinhei, o ministro das Finanças, que tinha todas as razões e mais algumas para discursar em português, até por razões institucionais, resolveu discursar em inglês numa cerimónia de uma empresa privada. Ante o olhar condescendente e subserviente dos ministros da Economia e dos Negócios Estrangeiros. E logo do MNE que tem a mania que é mais patriota que os outros.
Aos poucos se percebe a natureza do silicone de que se fez a coluna dos "Álvaros" que nos governam. O bom ainda é impermeável, mas o que ali usaram é demasiado poroso e permeável. Por dinheiro até o pino fazem. 2011 não deixa mesmo grandes recordações para Portugal.

Sinais (48)

"Não pode haver  confiança quando alguém, com dolo ou por ignorância, se compromete com uma coisa na oposição e faz o contrário no poder. (...) não pode haver confiança quando, estando o Governo a eliminar dias de férias e a exigir mais meia hora de trabalho diário, ou tendo decidido, muito acertadamente, não conceder tolerâncias de ponto no Natal e Ano Novo, os deputados da nação ignoram alegremente tudo isso e partem para umas longas férias iguais às que sempre fizeram. Não pode haver confiança quando o Governo corta metade do subsídio de Natal e depois se verifica que em empresas públicas e serviços do estado com regimes especiais, essa regra não é aplicada. Não pode haver confiança quando se atacam em todas as frentes os mais fracos e sem poder reivindicativo, mas se cede aos aparelhos partidários instalados nas autarquias, autorizando-os a mais endividamento e contratações, depois de se ter anunciado que isso lhes estaria vedado. (...)" - Fernando Madrinha, Expresso, 30/12/2011  

Leitura

Um livro para ler junto ao aconchego da lareira, para antecipar um final de ano distante, frio e imensamente triste. Como nenhum de que me lembre.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

A ler

"Vale a pena pensar, com melancolia, no fim deste ano de 2011, que o Portugal da democracia não aprendeu nada".

Sinais (47)

"Hospital de Faro com novo conselho de administração

"Presidido pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos Pedro Nunes e tendo como vogais executivos Graça Pereira e Luís Miguel Costa Cunha Martins, ligados respectivamente ao PSD de Alcoutim e Portimão, tomou posse na quarta-feira.
Graça Pereira é licenciada em Economia (...). Integrou a última lista do PSD Algarve para a Asembleia da República. Por sua vez Luís Miguel Costa Cunha Martins, advogado, é membro da bancada do PSD da Assembleia Municipal de Portimão" - O Algarve, 30/12/2011   

Confundir cortesia com servilismo

A assinatura do acordo que selou a entrada da Three Gorges no capital da EDP teve lugar esta manhã. Já aqui tinha anteriormente defendido a escolha do Governo português; por isso mesmo fiquei satisfeito por ver a operação chegar a bom porto antes do final de 2011.
Do que não gostei mesmo for de ver o inglês erigido em língua oficial do Estado português. Que em reuniões internacionais se fale em inglês ou noutra língua que faça a ponte com o outro lado, tudo bem. Que o presidente da EDP se dirija em inglês aos visitantes e seus futuros patrões que não falam português, também compreendo. O que já eu não entendo de todo é que um ministro das Finanças, que é institucionalmente o número dois do Governo da República, entenda também discursar em inglês numa cerimónia privada a que entendeu emprestar o brilho da sua presença e em que também estão outros ministros do mesmo Governo e secretários de Estado.
Ao contrário do que se disse, não se tratou de um acto de cortesia para com o presidente da empresa chinesa, mas de um acto de aviltante servilismo por parte do Estado português. Não me recordo de alguma vez, em Macau, ter ouvido ministros de Portugal ou os Governadores, em cerimónias oficiais ou privadas a que entendessem associar-se, a discursarem em inglês.
Habituados a vergarem a cerviz perante quaisquer empresários, banqueiros e o capital financeiro, os tecnocratas do Governo não distinguem o Estado de uma simples empresa, mesmo muito rica. E deram assim, tristemente, mais uma prova da sua inexperiência política, falta de sentido de Estado e, ainda mais, incontornável provincianismo. 
Quem ficou mal na fotografia não foi Vítor Gaspar. Nem foi "o Álvaro". Foi o Estado português. Fomos nós.   

O regresso da musa

A Gentlemens Quarterly Portugal, vulgo edição nacional da GQ, encerra 2011 e começa 2012 com o número 100. Para quem se tinha habituado a ler as edições de outros países, 2011 confirmou a qualidade da produção nacional. Este é um número para ler e guardar. Para além das rubricas habituais e dos textos que algumas mulheres escrevem para homens, a revista que foi considerada a "Melhor Revista Masculina do Ano", comemora o momento trazendo para as suas páginas aquela que já deve ser a portuguesa, depois de Mariza, mais conhecida do mundo. Luísa Beirão, um dos novos rostos da Triumph, enche as páginas com os seus olhos, que dão vida às geniais fotografias de Pedro Ferreira e aos nossos próprios olhos. Prova de que mesmo após a intervenção da troika a mulher portuguesa, sem  necessidade de uma embalagem extra, continua a dispensar silicone francês, photoshop alemão, estilista italiano ou qualquer outra ajuda externa para se impor, bastando-lhe continuar a exalar sedução e beleza por todos os poros.   

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Subtilezas

Há uma pequenina diferença entre emigrar voluntariamente, solteiro e sem responsabildiades, para aquisição de uma experiência de vida, melhores competências, novos horizontes e alargamento dos que existem, com um bom contrato à saída de Lisboa e boas condições de recepção à chegada ao destino, e emigrar obrigado, por empurrão, saindo à procura de qualquer coisa apenas para tentar sobreviver, sem perspectiva de regresso no curto prazo ou médio prazo e de nesse dia, se um dia a perspectiva se tornar no regresso que acontece, já não se encontrar quem aqui se deixou. É isto, só isto, que alguns são incapazes de ver. E que fazem de conta que não percebem. Além de que uma coisa é emigrar aos vinte ou aos trinta anos e outra, bem diferente, emigrar aos cinquenta porque este País os descartou.