"E, para que não restem dúvidas, Paulo Júlio trata de o confirmar, quando admite que as assembleias de freguesia poderão nomear um conselho social que terá "duas ou três pessoas" de modo a prosseguir "aquilo que pode ser o trabalho de proximidade". Ou seja, deixa-se de pagar ao presidente de junta para se pagar aos membros do conselho. Depois, é difícil conceber por que razão a redução de freguesias ajuda a "planear o teritório" ou a "estruturar investimentos". Talvez essa tese faça sentido para a construção de fontanários, mas para os grandes equipamentos talvez façam falta as regiões administrativas - que no projecto do Governo ficarão a marinar" - Editorial, Público, 16/12/2011
sexta-feira, dezembro 16, 2011
Diário irregular
Não há declaração infeliz, aparte ordinário, dito jocoso ou simples calinada que não dê para justificar horas e horas de tempo de antena. Analisa-se o emissor, o perfil, o currículo, as implicações políticas e, depois, espreme-se tudo muito bem a ver se sai algum sumo. Em matéria de informação televisiva e de espaço de debate, seja político ou desportivo, perdeu-se a noção de tempo em televisão. Já não se trata de informar ou debater mas de apenas escaranfunchar. E alguns houve que se especializaram nisso. O que também revela a dimensão do seu carácter e a sua impreparação para desempenharem as funções que exercem nos mais nobres horários televisivos. O despropósito das questões, a forma como estas são colocadas, tantas vezes sibilinamente, não para que o esclarecimento ou a compreensão dos destinatários aumente mas tão-só para melhorar a audiência, o share, encontrar as respostas que se pretende para condicionar quem ouve e vê, e enaltecer o dislate, dando-lhe dimensão e importância nacional, fazem parte dessa forma de fazer jornalismo. Não admira que ande tudo histérico.
Reiniciou-se o período de produção legislativa acelerada. Os ciclos sucedem-se e de cada vez que muda o Governo é isto. Será que esta gente não entende que a estabilização do tecido legislativo é fundamental para o País se poder concentrar numa série de assuntos igualmente importantes a que urge dar solução? Só deixarão marca positiva aqueles que tiverem uma perspectiva de futuro.
O embaixador da Argentina deu uma excelente entrevista ao jornal i. Para lá do bom futebol, do tango, das mulheres deslumbrantes e de uma literatura de nível quase estratosférico pela qualidade dos seus autores, a Argentina continua a ser um daqueles países com muito para dar ao mundo. E tirando aqueles momentos em que vejo os argentinos demasiado parecidos connosco, o que talvez explique a distância em que os nossos dois povos têm vivido, é um daqueles países em que continua a valer a pena acreditar. A forma como saíram do curralito e do curralón e se desenvencilharam da crise de há uma década devia servir para aprendermos alguma coisa.
Daniel Oliveira disse ontem uma frase, a respeito do nosso servilismo perante o FMI e a Alemanha e a vontade que os nossos dirigentes têm de a tudo dizerem ámen, que tem tanto de simples quanto de magnífica: "a credibilidade do devedor mede-se pelos resultados económicos". Os nosso partidos, e em particular os actores políticos, têm dificuldade em entender isto. Por isso perdem tanto tempo a insultarem-se, a discutirem o sexo dos anjos e a bajularem os agiotas em nome da nação.
A selecção e recrutamento das nossas elites continua a dar bons exemplos do que não devia acontecer. A distorção é tal que até gente com alguma preparação e uma qualidade que se trabalhada poderia dar bons frutos se perde em situações caricatas. Tristes e que dão que pensar. Pessoalmente tenho horror a sessões de doutrinação partidária, mas de vez em quando os partidos, e o PS não foge à regra, mandam os seus dirigentes pelo país fora para, sob o pretexto de explicarem os méritos da acção governativa - quando estão no poder -, ou os desafios da oposição - sempre que perdem o poder -, pregarem aos militantes, manterem o tecido partidário mobilizado e tentarem que este se mantenha em sintonia com as posições das respectivas direcções. O caso que ocorreu com o deputado vice-presidente da bancada parlamentar do PS mostra como o actual sistema de partidos está errado. Aliás, o que sucedeu com Pedro Nuno Santos já aconteceu com outros dirigentes e de outros partidos, caso do PSD, do CDS ou do Bloco de Esquerda, e até com autarcas, em reuniões idênticas. Há sempre um jornalista "infiltrado" que aparece depois a fazer o relato do que por lá se disse. Não raras vezes são desmentidos, mas quando há gravação o desmentido é mais complicado. Invariavelmente, os dirigentes quando são apanhados apressam-se a corrigir o sentido da interpretação das suas declarações - no caso vertente risíveis - quando não há nada para esclarecer ou corrigir. Está dito, toda a gente percebeu, foi clarinho como a água, para quê insistir?
Normal seria assumirem o erro, mas não é o que acontece. Em regra, a emenda é pior do que o soneto. Uma vez mais assim foi. E o mais grave nem é a forma tão liminar como a si próprios se desqualificam, aumentando a desconfiança que já existe em relação à classe política. Não há nisso qualquer coragem ou gesto que mereça ser enaltecido. Manuel Alegre equivocou-se quanto a este ponto ainda que lhe fique bem a defesa. O que deve ser sublinhado e condenado não são as declarações infelizes, inócuas e infantis do autor, irrelevantes até pelo número de vice-presidentes da bancada do PS, mas sim que há dirigentes políticos que cândida e publicamente assumem possuir um discurso para dentro do partido e outro para fora. Como se isso fosse normal, politicamente aconselhado ou servisse para alguma coisa.
A duplicidade discursiva, a admissão de diferentes registos consoante as conveniências, um para comensais e crentes e outro para "infiltrados", agnósticos e ateus, constitui uma marca da forma como os partidos são hoje geridos. Do seu fechamento e da pouca conta em que têm os seus militantes ou os destinatários da mensagem. E, a avaliar pela idade desta última "vítima" da comunicação social, mais um sinal de pouca esperança na mudança de mentalidades.
O problema, em rigor, releva mais do foro da ética e da moral. E vem de trás, de muito lá para trás. Ou, se quisermos, mais do exercício da cidadania do que propriamente da politica, que acaba por ser uma extensão daquela onde tudo se reflecte e tem consequências,para nós e para os outros, se não estivermos preparados para a exercermos em bases sãs.
De qualquer modo, não será por isso que deixarei de resistir. E de lutar pela mudança de mentalidades. Dentro e fora das agremiações a que pertenço. Privado é só o que penso, guardo para mim e não exteriorizo. Ou o que se passa para lá da porta da minha casa e que não tem interesse, relevância nem repercussão pública. Tudo o mais é público. E transparente. Dos afectos aos discursos, da crítica ao elogio. Porque só assim nos poderemos conhecer melhor. E reciprocamente nos respeitarmos no consenso e na dissensão.
Normal seria assumirem o erro, mas não é o que acontece. Em regra, a emenda é pior do que o soneto. Uma vez mais assim foi. E o mais grave nem é a forma tão liminar como a si próprios se desqualificam, aumentando a desconfiança que já existe em relação à classe política. Não há nisso qualquer coragem ou gesto que mereça ser enaltecido. Manuel Alegre equivocou-se quanto a este ponto ainda que lhe fique bem a defesa. O que deve ser sublinhado e condenado não são as declarações infelizes, inócuas e infantis do autor, irrelevantes até pelo número de vice-presidentes da bancada do PS, mas sim que há dirigentes políticos que cândida e publicamente assumem possuir um discurso para dentro do partido e outro para fora. Como se isso fosse normal, politicamente aconselhado ou servisse para alguma coisa.
A duplicidade discursiva, a admissão de diferentes registos consoante as conveniências, um para comensais e crentes e outro para "infiltrados", agnósticos e ateus, constitui uma marca da forma como os partidos são hoje geridos. Do seu fechamento e da pouca conta em que têm os seus militantes ou os destinatários da mensagem. E, a avaliar pela idade desta última "vítima" da comunicação social, mais um sinal de pouca esperança na mudança de mentalidades.
O problema, em rigor, releva mais do foro da ética e da moral. E vem de trás, de muito lá para trás. Ou, se quisermos, mais do exercício da cidadania do que propriamente da politica, que acaba por ser uma extensão daquela onde tudo se reflecte e tem consequências,para nós e para os outros, se não estivermos preparados para a exercermos em bases sãs.
De qualquer modo, não será por isso que deixarei de resistir. E de lutar pela mudança de mentalidades. Dentro e fora das agremiações a que pertenço. Privado é só o que penso, guardo para mim e não exteriorizo. Ou o que se passa para lá da porta da minha casa e que não tem interesse, relevância nem repercussão pública. Tudo o mais é público. E transparente. Dos afectos aos discursos, da crítica ao elogio. Porque só assim nos poderemos conhecer melhor. E reciprocamente nos respeitarmos no consenso e na dissensão.
Um nível muito crespo
"Até podemos passar outra vez o homem" - Mário Crespo, SIC-N, ontem pelas 22h e 25m, quando "moderava" um debate entre Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira, ao referir-se às declarações de um deputado.
quinta-feira, dezembro 15, 2011
Sinais (43)
"Pelo menos uma pessoa do PSD: José Biscaia, antigo presidente da Câmara de Manteigas (já aposentado), não demorou a vir a público assumir que ele próprio já fora «indigitado» para aquele posto. «O ministro escolheu-me. Não quero admitir que houve manobras de corredor que tenham influenciado o senhor ministro», lamentou o atual vereador da mesma autarquia" - Visão, 15/12/2011
Paradoxos
Foi, indiscutivelmente, uma das mulheres mais atraentes, caprichosas e belas da história do cinema. Por ela muitos se perderam, outros perderam-se e reencontraram-se. Teve quase tudo aquilo, entre alegrias e desgostos, que se pode ter em vida. Mas nada justifica que num período como aquele que atravessamos, com uma crise económica e financeira de proporções dantescas, com refugiados espalhados um pouco por todo o mundo e milhões que não têm um tecto para se abrigarem ou meios para comer ou vestir, haja alguém no seu perfeito juízo que gaste quantias como as que foram despendidas num leilão de jóias em segunda ou terceira mão. Ou que deixe fortunas de dezenas de milhões a gatos (os gatos depois, com o que lhes sobrar, fazem testamento a favor de quem?). Não sei quantas pessoas podiam ser alimentadas, quantas escolas construídas ou empregos criados com tantos milhões, mas sei que o sofrimento de muita gente poderia ter sido minorado. E também sei que gastar quatro, cinco ou nove milhões de euros numa jóia ou legar quantias dessas a favor de gatos e cães pode dar imenso gozo a quem os tem sem deixar, todavia, de ser um acto abjecto e profundamente obsceno.
E que tal segurá-lo?
Será que alguém pode fazer o favor de dizer a este jovem que está na altura de "pôr-se fino" e de "piar mais fino" antes que a coisa piore?
quarta-feira, dezembro 14, 2011
Não vai ser fácil
Face a tudo aquilo que já foi dito em relação à privatização da EDP, com os concorrentes apurados e em plena corrida, e tendo presentes as ofertas de cada grupo e as declarações dos concorrentes, isto é, as promessas quanto ao futuro, penso que não vai ser fácil arranjar argumentos para afastar os chineses da corrida. Conhecendo o excelente entendimento entre portugueses e chineses noutras circunstâncias, confesso que a minha preferência pende para o lado chinês. Além de serem fiáveis, normalmente não têm pressa, predispondo-se a limar as arestas que forem necessárias até que tudo esteja a contento de todas as partes. E isso é bom quando se trata de pensar no futuro, de salvaguardar os interesses nacionais e de querer fazer bons negócios. Samba e sambistas já cá temos que baste e para meter água chegaram os submarinos.
terça-feira, dezembro 13, 2011
Aguardo explicações adicionais
Bem sei que quem saiu gostava de lançar primeiras pedras e de anunciar projectos grandiosos. O que não invalida que tenham sido feitas algumas coisas que não nos envergonham. A aposta nos automóveis eléctricos pareceu-me ter pernas para andar. Mais convencido fiquei depois de ver alguns membros do anterior Governo deslocarem-se em carros eléctricos. A desistência do projecto de Cacia, nos termos em que foi feita pelos seus responsáveis, um português incluído, deixa muitas perguntas no ar. Atenta a dimensão e importância do investimento que antes foi propagandeado, quer pelo Governo, quer pela Renault/Nissan que a tal se associou, seria bom que este assunto fosse investigado e se percebessem as verdadeiras razões que estiveram na base da decisão. Não acredito que os custos de produção nas restantes unidades do Reino Unido, de França, dos EUA ou do Japão sejam inferiores aos nossos. Espero, por isso mesmo, uma explicação decente por parte do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que não só traga alguma luz ao assunto como esclareça que fez o Ministério para evitar este desfecho. Se é que houve oportunidade para fazer alguma coisa. E espero que algum jornalista se interesse pelo caso. Um projecto daquela dimensão está muito para além da simples propaganda ou de uma opção ideológica e diz respeito a todos nós. Sob pena de se isto não for devidamente clarificado o Governo português, qualquer que ele seja, andar a fazer figura de otário. Antes, durante e depois. E isso seria inaceitável numa perspectiva nacional.
segunda-feira, dezembro 12, 2011
A LER
O facto deste livro ser prefaciado por Gian Antonio Stella, um dos autores do famoso "La Casta", obra que lamentavelmente ainda aguarda publicação em Portugal, já seria uma garantia de interesse e de qualidade.
O seu título constitui a porta de entrada para um mundo que não é de todo desconhecido dos portugueses e que teima em fazer parte do nosso quotidiano, como ainda agora o deputado Hélder Amaral e o prof. Marcelo Rebelo de Sousa sublinharam a propósito das nomeações dos novos administradores hospitalares. "Scurriculum - Viaggio nell'Italia della demeritocrazia" é, como se sublinhou no influente La Republica, um retrato impiedoso da "deméritocracia", isto é, de um "sistema que selecciona e promove cientifcamente uma classe dirigente de baixo perfil que não é funcional ao País mas ao partido".
Aliás, o interesse da obra é que tal que aquilo que Stella escreveu no prefácio teria plena aplicação em Portugal: "da noi vige un sistema, ignobile e suicida, che mortifica i più bravi costringendoli spesso a regalare la loro intelligenza ai Paesi stranieri e premia al contrario quanti hanno in tasca la tessera giusta o il telefono del deputato giusto" [tradução livre: "entre nós vigora um sistema, ignóbil e suicida, que mortifica os melhores, constrangendo-os muitas vezes a oferecer a sua inteligência aos países estrangeiros, e premeia, ao invés, os que têm no bolso o cartão adequado ou o número de telefone do deputado que interessa"].
Quem sabe se não era isto que o actual secretário de Estado da Juventude, Alexandre Mestre, tinha em mente quando convidou os jovens desempregados qualificados a saírem de Portugal? A partida dos mais capazes diminuiria as estatísticas do desemprego e facilitaria o aprofundamento da deméritocracia com a colocação dos mais medíocres que tivessem o cartão do PSD ou do CS/PP ou o telefone de um dos influentes ex-jotinhas que mandam no País.
APLAUSO
O recente episódio da nomeação dos administradores hospitalares é apenas mais um a juntar a tantos outros, em tão pouco tempo, que permitem confirmar a teoria de que continuamos nas mãos de gente indigna de exercer o poder. Conquistar o poder não custa, difícil é saber exercê-lo. Por isso, quero também aqui deixar uma palavra de apreço pela atitude pronta e responsável do deputado do CDS/PP Hélder Amaral que, não obstante integrar um dos partidos da coligação, prontamente denunciou e criticou a situação.
Em cada dia que passa o "primeiro-ministro" Miguel Relvas e o seu "assessor" Passos Coelho, com toda a transparência, mostram a sua verdadeira face e demonstram não terem esquecido as lições aprendidas durante os anos de militância na JSD. Bastaram seis meses e já está quase tudo visto em matéria de satisfação de clientelas.
Razão tinha José Adelino Maltez quando há dias escrevia que seria bom as pessoas fazerem as contas para se saber quantos dos que estavam na primeira fila, no dia do lançamento do livro de Passos Coelho, escrito por Felícia Cabrita, é que ainda não foram nomeados para alguma coisa.
domingo, dezembro 11, 2011
Subscrevo
“Contudo, ele e as suas ideias estão aí. Nesta época de desnorte e incerteza em que o chão parece fugir-nos debaixo dos pés, precisamos como nunca de reconhecer e valorizar as nossas melhores referências: Gonçalo Ribeiro Telles é uma delas.” – Fernando Madrinha, Expresso, 10/12/2011
Regresso ao sol (encoberto)
“Ele passara por aquele período de idealismo em que por vezes preludia também a formação dos tiranos, e de tal período não restava nele maior vestígio do que o da larva no insecto alado. Poder-se-ia triturar tudo e depois analisar, sem descobrirmos no seu organismo uma só célula forjada para servir outra coisa que não fazer bons negócios.” – Italo Svevo, Una burla riuscita (tradução de Vasco Gato)
No seu poema “Ressurreição”, de “Máquina de areia”, o imortal Rui Knopfli escreveu nos idos do primeiro semestre de 1963 que
“o regresso ao sol é o regresso
ao princípio, porque o sol tem
o brilho novo do princípio
e as coisas têm o ar estranhamente
fresco do primeiro dia da criação.”
Knopfli foi um génio.
Quem conheça Knopfli e o pequeno texto de Italo Svevo acima transcrito e a seguir leia a entrevista que o ministro Miguel Relvas deu ao Expresso dificilmente não concluirá estar na presença do herói falhado de Svevo. Num novo regresso ao sol.
Quem, com distanciamento, sem falsidade, e um módico de atenção, se der ao trabalho de ler a entrevista será obrigado a nela ver um tremendo exercício de cinismo, de hipocrisia em estado puro, de umbigismo. A entrevista do ministro Relvas não foge daquele que tem sido o modelo seguido desde que há alguns anos se guindou a posições de poder, se tornou influente na estrutura maçónica e se julgou no dever de dar entrevistas para manifestar o seu “pensamento”.
Com a atenção que o assunto merece – o ministro é um modelo do abrilismo pós-revolucionário de vocação mediática e a entrevista uma pequena “maldade” do jornal que toda sua inteligência desprezou –, vale a pena perceber algumas das suas palavras, em especial porque o ministro Relvas tropeça na sua própria sombra e “percurso”. Normalmente, quando assim acontece, não é preciso ler nas entrelinhas. Basta ler o vertido nas folhas do jornal.
Cinismo porque dificilmente alguém que não estivesse subjugado pela imagem e odor do seu poder actual se predisporia a dizer, tendo ascendido às posições que ascendeu da forma que é por de todos conhecida, em resposta a uma pergunta sobre este Governo, que tem dois slogans – “austeridade e reformas” – que foram bandeira de um anterior governo do PSD chefiado por Durão Barroso, e que o próprio Miguel Relvas e Manuela Ferreira Leite integraram, que a diferença entre os dois está em que este, o actual, “tem uma estratégia”. Tão sibilina frase conduz-nos inevitavelmente a secamente concluir que o Executivo que ele antes integrou, chefiado por Durão Barroso, não tinha estratégia. Foi um equívoco. Bom, mas um equívoco, repare-se, dirigido por “um dos políticos mais notáveis da sua geração”. Sim, ele mesmo, Durão Barroso. Imagine-se agora o que teria sido se não tivesse esse estatuto.
Se Relvas fala verdade quando diz que Durão Barroso, “um dos políticos mais notáveis da sua geração”, conseguiu ser presidente do PSD, vencer eleições, formar governo e a seguir ser escolhido como presidente da Comissão Europeia, sem ter sequer uma estratégia de governo, imagine-se o que seria de Portugal neste momento se o homem não tivesse o currículo que tinha.
Incompreensível é que Miguel Relvas, um espírito superior, não se tenha então importado de fazer parte de um Governo que não tinha estratégia. Que hão-de os portugueses pensar de tal atitude? Serviço público? Só pode ser isso, porque o actual ministro, que ao tempo já o era, poderia ter aproveitado esse tempo para prosseguir os estudo, como fez agora José Sócrates, ou incrementar as relações entre Portugal e o Brasil, com as qualificações que já tinha, mas preferiu servir o País num Governo sem estratégia, atrasando as inadiáveis reformas e permitindo a ascensão de José Sócrates. Quem sabe se não foi por isso que estamos como estamos?
Temo ser mal interpretado, mas o entrevistado foi o mesmo que logo a seguir referiu que as declarações que o Presidente da República tem feito são uma ajuda para Portugal e representam o lado “modular do nosso sistema político”, complementando o discurso do Governo. O Presidente da República a esta hora já deve estar a pensar entregar as suas poupanças ao mesmo banco com o qual o ministro Relvas fez um “contrato de gestão discricionária” (?) da sua conta bancária.
Esse tipo de discurso deve ser ainda um resquício do lado “facilitador da realidade” que Miguel Relvas atribui a António José Seguro e que o entrevistado, sem rodeios, reconhece ser a o papel da oposição. Da oposição, senhor ministro? E o senhor está de acordo?
Não quero ser provocador, mas se é esse o papel que o senhor ministro Relvas atribui à oposição, como conciliar esse “discurso facilitador da realidade” com o discurso da transparência e da verdade que Passos Coelho reivindicou como seu? O mesmo que, segundo ele, justificou uma vitória eleitoral e a chamada de Miguel Relvas ao Governo?
Compreendo tal atitude por parte de quem humildemente confessou ter “uma vida para além da política”. Não tenho dúvidas. A avaliar pelos amigos que ainda recentemente um semanário refere como sendo os do ministro do outro lado do Atlântico. O que o jornalista do Expresso se esqueceu foi de perguntar ao entrevistado que teria sido dele, sem profissão, emprego ou qualificações relevantes, sem a JSD e a política. Ele que em tempos confessou numa outra entrevista ter saído do Parlamento, homem feito, para ir trabalhar, fazer-se à vida, estudar, ganhar dinheiro. Verdade se diga que o fez muito bem. E com rapidez. Reconheçamos-lhe o “mérito”. De quem já foi “convidado para tanta coisa na vida”, outra forma de, digamos, desenrascanço não seria de esperar.
Quem me dera poder falar assim. Perceberão que não possa fazê-lo. Nem todos se podem dar ao luxo de ser referenciados nos jornais e revistas como sendo membros influentes de uma poderosa loja maçónica e, ao mesmo tempo, com igual transparência afirmar quando questionado sobre a sua eventual filiação maçónica, que “a vida privada de cada um, a cada um diz respeito”, com a displicência de quem logo a seguir e na mesma entrevista, ao ser perguntado sobre se acha bem “figuras públicas pertencerem a sociedades secretas”, asserção que todos os mais recentes grão-mestres contestam, se permite dizer que “hoje em dia tudo é público”. É? Quem diria? Então por que razão não assumiu sem rodeios a sua filiação maçónica? Ser maçónico diz respeito à vida privada? Há alguma coisa que o envergonhe ou lhe impeça numa sociedade livre e democrática de assumir a sua condição maçónica?
Eu, ao contrário dele, nunca fui convidado para muita coisa. Diria mesmo que, tirando algumas festas de amigos e conhecidos, nunca fui convidado para nada. Vá-se lá saber porquê. Mas, curiosamente, para a Maçonaria, tal como a Assunção, também fui convidado. Logo eu, um pelintra, fora da política, sem ligações a Angola, ao Brasil, à Zona Franca da Madeira ou a Ângelo Correia e com cada vez menos amigos. É verdade que se posso dizer que se (ainda) não aceitei o convite foi por continuar ingénuo e temer encontrar lá um Relvas. E outros como ele. Todos de avental e sorriso acolhedor para avaliarem as minhas “pranchas”. Manias.
Maria Filomena Mónica, com a elegância que se lhe colou à pele e à escrita, escreveu na sua crónica do Expresso: “a reportagem sobre os empenhos que o “Público” publicou, a 27 de Novembro último, é deprimente. Os portugueses aceitam a cunha como natural, o que corrói a alma, mina o esforço e prejudica a economia. Infelizmente, Portugal nunca foi, nem é, um país meritocrático”. De facto, há coisas terríveis.
Olhei para mim, vi-me reflectido no espelho que estava ao meu lado. Estranhamente, não foi a minha imagem que apareceu. Por momentos vi-me dentro do fato – terno ou paletó - do ministro Miguel Relvas. Ao lado de Passos Coelho e do seu olhar severo, enquanto lia o embuste perfeito de Italo Svevo. Senti-me transparente, incapaz de dissimular o espanto. Há amizades como a do texto de Svevo, entre Mario e o caixeiro-viajante, que nunca deviam conhecer a luz do dia. Para não nos traírem.
Entre a fantasia e a realidade sempre escolhi a liberdade.
A liberdade, como escreveu o Knopfli, “é a ressurreição”. E eu, se um dia fosse membro de um qualquer executivo, não me atreveria a dizer que “se um dia sair do Governo, sei o que vou fazer”. Não saberia. Não me vejo capaz de ressuscitar. Eu nunca teria a lata de dizer que em 2011 “a figura do ano são os portugueses”. Não entrei na política para agilizar negócios, desdenhar dela ou gozar com os portugueses. E até hoje, embora desconte ininterruptamente para ter uma reforma decente há 22 anos, nunca consegui entregar as minhas “poupanças” à “gestão discricionária de um banco”. Nem sequer uma parte. Quem me dera poder fazê-lo. É que sem o respaldo de uma irmandade, laranja ou outra, a mim, os “irmãos”, cidadãos como eu, dentro ou fora da política, pedem-me contas.
Quem tem uma carreira fora da política, e da função pública, quando sai não consegue recuperá-la. Em particular se der uma entrevista como a do ministro Relvas e não gozar da ajuda de uma “irmandade”, da compreensão de um partido ou das amizades que a política ajudou a criar e cimentar.
Ninguém, em Portugal, que fez da política a sua vida quando ainda usava “cueiros” inicia uma carreira fora da política, à beira dos 40 anos, sem qualificações nem habilitações, no mundo dos negócios, sem tudo o que a política lhe deu. Ter tirado partido disso, enriquecer com isso e não ter a humildade de reconhecê-lo é profundamente aviltante. E pouco sério.
sexta-feira, dezembro 09, 2011
Os palhaços somos nós
Disse do programa o que Maomé não disse do toucinho. Chamou-lhe um "escândalo" e prometeu reformulá-lo porque não passava de uma fraude e de uma "credenciação da ignorância". Entretanto, o rapaz ganhou as eleições neste país desvairado e farto das manigâncias do "socratismo". Os portugueses, palermas e sem alternativa credível, deram-lhe a maioria.
Seis meses volvidos, e depois do actual primeiro-ministro nomear um novo responsável pelo programa que tão desacreditado foi, um tal de Xufre veio dizer que não tem dúvidas de que "o processo deve e vai continuar" e que "um país, por muitas dificuldades que tenha, só começa a sair delas se apostar no seu bem mais precioso, que são as pessoas".
Esta última frase podia ter sido dita por Guterres. Ou por José Sócrates. Mas foi dita pelo tal Xufre, de nome próprio Gonçalo, o homem que Passos Coelho nomeou para presidente da Agência Nacional para a Qualificação. Xufre não só "faz uma avaliação genericamente positiva do programa Novas Oportunidades" como, acrescenta o Público, "da análise que está a ser feita ao Novas Oportunidades já é consensual a ideia de que são necessários novos passos, porque o objectivo foi recuperar para o ensino pessoas e aprendizagens que importava reconhecer". Novos passos? De coelho?
Desconfiado, reli a notícia da página 14 e ainda consegui vislumbrar uma citação, entre aspas, de mais uma frase do homem que Passos Coelho nomeou para acabar com a "credenciação da ignorância": "Esse processo já atingiu o seu pico, o programa é um sucesso, somos vistos como um exemplo por essa Europa fora". Caramba, será que li bem? Parece que sim. O Público refere serem as declarações públicas e terem sido proferidas "no decorrer da cerimónia de entrega de diplomas a cerca de 70 formandos do centro Novas Oportunidades da Secundária Alves Redol, de Vila Franca de Xira". E Gonçalo Xufre ainda esclareceu, para acabar com dúvidas, que "ficou 'convencido' da importância deste processo quando foi convidado por um grupo económico para a entrega de diplomas a cerca de 500 funcionários".
Grupo económico? Quinhentos? Já sabia que há grupos económicos que têm o condão de fazer algumas pessoas ver com outros olhos quando as convidam para qualquer coisa. Também sei que houve quem atribuísse ao PS, por causa desse programa das Novas Oportunidades, o prémio "fraude da década". E até homens sérios e sensatos como os meus amigos do Delito de Opinião, Rui Rocha e João Carvalho, alinharam pelo diapasão de Passos Coelho, criticando e gozando duramente as Novas Oportunidades.
Eu, que sou incréu, desconfiei da excelência e dos defeitos do programa. Antes, durante e depois.
Hoje, após ler as declarações de Gonçalo Xufre, sabendo que estamos a 9 de Dezembro, e não a 1 de Abril, senti remorsos por não ter acreditado logo no que Sócrates dizia. Se gente da confiança de Passos Coelho, nomeada por ele para desmantelar o "escândalo" e acabar com a "credenciação da ignorância", vem dizer, seis meses depois das eleições, que as Novas Oportunidades são "um sucesso", que hei-de pensar dela? E do programa?
Não tenho dúvidas de que entre esta gente haverá pessoas bem intencionadas. E não tenho (ainda) Passos Coelho na conta de um refinado mentiroso ou de um perfeito trafulha (não conto aqui com aquelas cenas, que são mais da categoria do sádico, dos aumentos de impostos e da rejeição do "PEC 4" devido à excessividade dos sacríficios que os "estafermos" dos socialistas queriam impor ao povo português). Mas declarações como as de Gonçalo Xufre ou as do inqualificável Álvaro Santos Pereira, no Parlamento, fazem-me duvidar, ainda mais, da seriedade de quem disse das Novas Oportunidades o que foi dito.
Da competência deles, ou melhor, da sua incompetência, nunca duvidei. Bastava-me saber que os "ex-jotinhas" eram a locomotiva da mudança para perceber qual seria o caminho que nos esperava. Prova-se em cada dia que passa que não era eu quem estava equivocado. Para mal dos nossos pecados. Os palhaços somos nós.
Seis meses volvidos, e depois do actual primeiro-ministro nomear um novo responsável pelo programa que tão desacreditado foi, um tal de Xufre veio dizer que não tem dúvidas de que "o processo deve e vai continuar" e que "um país, por muitas dificuldades que tenha, só começa a sair delas se apostar no seu bem mais precioso, que são as pessoas".
Esta última frase podia ter sido dita por Guterres. Ou por José Sócrates. Mas foi dita pelo tal Xufre, de nome próprio Gonçalo, o homem que Passos Coelho nomeou para presidente da Agência Nacional para a Qualificação. Xufre não só "faz uma avaliação genericamente positiva do programa Novas Oportunidades" como, acrescenta o Público, "da análise que está a ser feita ao Novas Oportunidades já é consensual a ideia de que são necessários novos passos, porque o objectivo foi recuperar para o ensino pessoas e aprendizagens que importava reconhecer". Novos passos? De coelho?
Desconfiado, reli a notícia da página 14 e ainda consegui vislumbrar uma citação, entre aspas, de mais uma frase do homem que Passos Coelho nomeou para acabar com a "credenciação da ignorância": "Esse processo já atingiu o seu pico, o programa é um sucesso, somos vistos como um exemplo por essa Europa fora". Caramba, será que li bem? Parece que sim. O Público refere serem as declarações públicas e terem sido proferidas "no decorrer da cerimónia de entrega de diplomas a cerca de 70 formandos do centro Novas Oportunidades da Secundária Alves Redol, de Vila Franca de Xira". E Gonçalo Xufre ainda esclareceu, para acabar com dúvidas, que "ficou 'convencido' da importância deste processo quando foi convidado por um grupo económico para a entrega de diplomas a cerca de 500 funcionários".
Grupo económico? Quinhentos? Já sabia que há grupos económicos que têm o condão de fazer algumas pessoas ver com outros olhos quando as convidam para qualquer coisa. Também sei que houve quem atribuísse ao PS, por causa desse programa das Novas Oportunidades, o prémio "fraude da década". E até homens sérios e sensatos como os meus amigos do Delito de Opinião, Rui Rocha e João Carvalho, alinharam pelo diapasão de Passos Coelho, criticando e gozando duramente as Novas Oportunidades.
Eu, que sou incréu, desconfiei da excelência e dos defeitos do programa. Antes, durante e depois.
Hoje, após ler as declarações de Gonçalo Xufre, sabendo que estamos a 9 de Dezembro, e não a 1 de Abril, senti remorsos por não ter acreditado logo no que Sócrates dizia. Se gente da confiança de Passos Coelho, nomeada por ele para desmantelar o "escândalo" e acabar com a "credenciação da ignorância", vem dizer, seis meses depois das eleições, que as Novas Oportunidades são "um sucesso", que hei-de pensar dela? E do programa?
Não tenho dúvidas de que entre esta gente haverá pessoas bem intencionadas. E não tenho (ainda) Passos Coelho na conta de um refinado mentiroso ou de um perfeito trafulha (não conto aqui com aquelas cenas, que são mais da categoria do sádico, dos aumentos de impostos e da rejeição do "PEC 4" devido à excessividade dos sacríficios que os "estafermos" dos socialistas queriam impor ao povo português). Mas declarações como as de Gonçalo Xufre ou as do inqualificável Álvaro Santos Pereira, no Parlamento, fazem-me duvidar, ainda mais, da seriedade de quem disse das Novas Oportunidades o que foi dito.
Da competência deles, ou melhor, da sua incompetência, nunca duvidei. Bastava-me saber que os "ex-jotinhas" eram a locomotiva da mudança para perceber qual seria o caminho que nos esperava. Prova-se em cada dia que passa que não era eu quem estava equivocado. Para mal dos nossos pecados. Os palhaços somos nós.
Sinais (42)
"Com o passar do tempo e o confronto com as medidas tomadas, clarifica-se o conteúdo ideológico de Passos Coelho e a sua intenção política de desarticular o Estado e entregar à plutocracia o que resta. Os exemplos abundam e são diários. Uns, finaceiramente irrelevantes, esmagam moralmente. É o caso do ministro da Economia, que veio voluntariamente para Lisboa mas obteve um subsídio de renda de casa. É legal, mas imoral. Porque ele próprio censurou e acabou com a possibilidade dos velhos viajarem em comboios vazios, pagando apenas metade do bilhete. Porque os funcionários públicos deslocados para trabalharem no país e os mais de 300 mil emigrantes forçados, recentes, não o têm. Porque apra viver bem melhor que os mais de 700 mil desempregados, cujo sofrimento deveria combater com medidas que não toma, não precisa desse subsídio. (...) Passos Coelho ainda não entendeu que a sua estrita visão contabilística poderá proteger o país do aguaceiro presente, mas vai deixá-lo bem mais vulnerável à tempestade do futuro. Nem a escola onde estudou nem a curta experiência de gestão que teve lhe ensinaram que há uma diferença entre o importante e o urgente. Centrou-se no imediato. Abriu-se à plutocracia. É um utilitarista irracional. E não só nos empurra para a penúria, como afirma que esse é o nosso futuro. Se o regime não estivesse podre e a sociedade abúlica, o seu provir seria curto." - Santana Castilho, Público, 07/12/2011
Sinais (41)
"Quem foi responsável pela concessão da barragem à EDP e quem autorizou a sua construção não foi Passos Coelho nem o seu ministro da Economia, mas há no comportamento dos dois executivos uma mesma mentalidade obreirista e economicista que reduz a riqueza do país a gigawatts ou, no caso a receitas antecipadas que haveremos de pagar com altos juros. (...) O que importou foi concessionar a barragem para obter receitas extraordinárias para o défice. Mesmo que em causa estivesse um aproveitamento que produzirá menos energia do que o simples reforço de potência das barragens do Douro Internacional. À custa do natural interesse da EDP, da irresponsabilidade de José Sócrates e da cumplicidade de alguns autarcas (excepção apra José Silvano, de Mirandela) o Douro Património Mundial corre o risco de perder um dos seus maiores activos" - Editorial, Público, 07/12/2011.
Finou-se
A notícia de uma cisão no Bloco de Esquerda já era aguardada há algum tempo. Tal como eu previra, o resultado de 5 de Junho constituiu a certidão de óbito de um suicídio anunciado e promovido ao longo de meses nos horários mais nobres. A inteligência e a seriedade sempre conviveram mal com o oportunismo serôdio, o apelo mediático e a sobranceria de alguns dirigentes. As coroas deverão ser enviadas ao cuidado de Francisco Louçã e Luís Fazenda.
terça-feira, dezembro 06, 2011
Sinais (40)
"Desde o "congresso da unidade" de Braga que os socialistas, que José Sócrates secara e quase silenciara, mostraram que realmente são os calados os mais perigosos, os que "mordem". A votação do Orçamento esta semana - em que uma cadeia de mails que alguns fizeram chegar aos media mostrava não só a divisão mas sobretudo o poder de pressão que os deputados têm sobre o seu líder - e o movimento - perdão, o manifesto - com que Mário Soares voltou a agitar as águas são apenas os últimos exemplos de que a serapilheira que sustém os gatos do PS estará constantemente a rebentar pelas costuras. E que por mais reuniões para desabafar que mande fazer ou por mais eventos das várias correntes rosa a que vá, como tem feito, António José Seguro não evitará arranhões sucessivos dos muitos que estão com as unhas de fora." - Filomena Martins, Diário de Notícias, 03/12/2011
segunda-feira, dezembro 05, 2011
Sinais (39)
"A razão por que os deputados da Madeira votaram a favor do Orçamento [do Estado para 2012], embora com a declaração de voto que os senhores conhecem, é que antes da votação o primeiro-ministro lhes disse - aos deputados do PSD e ao deputado do CDS - que a Zona Franca ia para a frente", afirmou Alberto João Jardim" - Jornal de Notícias, 05/12/2011.
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Sinais (38)
"O OE 2012, que acaba de ser aprovado, tem um erro de consolidação de 297,4 milhões de euros num importante quadro-síntese de apuramento do défice público, quadro esse que resulta, em grande parte, dos mapas orçamentais. Algo está errado e o Ministério das Finanças deverá esclarecer onde. Ou nas transferências, e aí é necessário saber qual o valor que necessita de ser corrigido e porquê, ou, se estão certas as transferências, o défice público será agravado nesse montante. Errar é humano, mas este erro é importante não só pelo que pode implicar, mas pelo que revela". - Paulo Trigo Pereira, professor do ISEG, Público, 01/12/2011
"Questionado pelo Público, o Ministério das Finanças diz que não está em causa nenhum 'erro', mas sim uma 'discrepância', que 'resulta de diferenças de consolidação entre os diversos sectores da administração pública' e que deveria ter sido imputada à linha de transferências entre as administrações públicas". - Rita Faria, Público, 01/12/2011
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