Embora já o tenha visto há um bom par de semanas, ainda não tinha tido oportunidade de vos recomendar este filme-documentário de Andrei Ujica. Notável pela forma como apresenta o ditador, entregando-o à sua própria propaganda e imagem. O contraste entre a opulência e a miséria e as contradições do regime estão lá todas. Ou de como um homem vazio foi elevado à condição de "estadista". O breve diálogo entre ele e a mulher, por ocasião do seu julgamento, quando o procurador o acusa da morte de uma série de estudantes e Elena se vira para ele perguntando-lhe a que estudantes se referia a acusação, dizem quase tudo sobre a forma como a Roménia foi governada. Uma lição a reter. E um filme que convém ver quando se sabe que os líderes dos dois maiores partidos portugueses saíram das fileiras das organizações juvenis dos partidos que lideram e cultivam a imagem como forma de estar na política.
sexta-feira, setembro 16, 2011
SINAIS (12)
"Governo extingue 137 organismos mas ainda não sabe quantos funcionários saem" - Público, 16/09/2011
"Não se pode saber. A fase seguinte do programa será a aprovação das leis orgânicas de cada ministério e de cada entidade" - Hélder Rosalino, secretário de Estado da Administração Pública
A LER
Nota: Nesta tabanca lê-se sempre o Vasco e qualquer tipo inteligente, de direita, de esquerda ou até do F.C. Porto, desde que quem escreva saiba fazê-lo, não tenha medo das palavras e não seja servil, e não obstante se poder estar em desacordo em relação a muita coisa.
PARABÉNS QUANDO O TALENTO NUNCA É EXCESSIVO
A Eduardo Souto de Moura. Por causa disto.
Se não conhece vá até lá, veja os desconcertantes e geniais trabalhos de Paula Rego e aproveite para tomar um café na acolhedora esplanada interior.
quinta-feira, setembro 15, 2011
FAÇAM O QUE EU DIGO MAS NÃO O QUE EU FAÇO
Em Maio passado o Carmo e a Trindade vieram abaixo porque o ex-ministro Teixeira dos Santos chegou a Bruxelas e acedeu a fazer alguns ajustamentos a um texto previamente negociado e aprovado com a troika, texto que antes dessas alterações era do conhecimento dos partidos políticos.
Na altura, o sempre oportuno Paulo Portas apressou-se, e bem, a pedir explicações ao Governo.
Mas agora, os mesmo que tanto criticaram Teixeira dos Santos resolveram introduzir actualizações - não foram meros ajustamentos - às medidas de austeridade e já ironizam com o facto de ter havido quem tivesse ficado "perplexo" com a desconsideração.
E é esta malta que se especializou a "agilizar" processos, e ganhou a visibilidade mediática que as suas competências nunca lhe deram na política e na vida à custa dos partidos, que depois quer ser levada a sério.
DIÁRIO IRREGULAR
15 de Setembro
O meu primo JC faria hoje anos. Foi um dos que partiu sem se despedir. Ou fizeram-no partir, nunca cheguei a saber. Já lá vai um ror de anos e continuo a recordá-lo. Com os bons rapazes é assim.
Estive umas semanas sem a comprar e penso que vai voltar a ser assim. A Sábado, na linha de um certo jornalismo sensacionalista e sem conteúdo útil, vem hoje com uma capa na qual colocou a foto de uma mulher sorridente de coco na mão ao lado do título "A vida fantástica dos portugueses que foram para o Brasil". O subtítulo refere que estes portugueses saíram de Portugal "para fugir à crise" (sic) e "agora vivem em casas de luxo em frente à praia e chegam a ganhar o dobro". A senhora da foto é Mónica Penaguião. Só não dizem que a senhora da foto podia viver numa casa de luxo em qualquer parte do mundo, incluindo em Lisboa. Dizer que ela foi para o Brasil para "fugir à crise" é um insulto para aqueles que cá têm de ficar para serem esfolados pelo senhor que confunde aumento de impostos com redução de despesa pública.
Estava uma noite fantástica, a temperatura amena, a casa cheia, em suma, um ambiente fabuloso. Cânticos, muita cor, muita luz, o voo da águia e o verde húmido do relvado. Depois, durante noventa minutos, uma exibição de grande classe. Vale a pena ver as televisões europeias e ouvir os comentários ao golo de Cardozo. Uma obra de arte. E não foi preciso entoar cânticos a insultar o adversário. É assim que naquela casa se recebem as grandes equipas.
Encontrei ontem o meu amigo JMB no seminário organizado pela DGPJ e o IAPMEI. Fiquei satifeito de poder revê-lo, ainda que apressadamente, e não menos admirado de vê-lo ali. Depois percebi porquê. Disse-me que acabou o exílio. Sorte a dele. O meu continua e não precisei de sair de Portugal.
O director-geral dos impostos veio falar em ética na actuação do fisco, no dever de pagar impostos, com o que eu concordo e aplaudo, e aproveitou para meter uns quadros com barras e curvas a dizer que a carga fiscal das empresas portuguesas está abaixo da média europeia. Do que ele se foi lembrar para justificar o saque. Esqueceu-se de dizer que não temos a Saúde nem a Segurança Social dos suecos ou dos dinamarqueses e que por lá as autoridades não instauram execuções por € 0,19 (dezanove cêntimos) nem tentam cobrar dívidas prescritas. Vá lá que houve alguém que lhe disse que mesmo que a nossa carga fiscal fosse só de 20% e que se todo o dinheiro fosse para pagar os salários na Direcção-Geral dos Impostos ainda assim seria excessiva. Já não tive tempo de lhe perguntar se essa actuação "ética" a que ele se referia englobava aqueles processos entre o fisco e os contribuintes em que os tribunais, o MP e os próprios serviços do fisco já deram razão ao contribuinte e o processo continua em Tribunal porque a jurista que representa a DGI não leu a informação do processo administrativo e ninguém manda nela, continuando o contribuinte a pagar a garantia bancária até que o relator se digne inscrever o processo em tabela no TCA do Sul para resolver de vez um simples problema de aritmética.
O contraste não podia ser maior. Ouvir no mesmo dia Paula Teixeira da Cruz e Álvaro Santos Pereira permite-nos tirar uma rápida conclusão. Ambos podem ser excelentes pessoas e competentes no seu métier. No caso da ministra nunca tive dúvidas disso. Já o mesmo não posso dizer do "Álvaro", embora me possa fiar no seu impressionante currículo. Mas há uma coisa de que eu tenho a certeza: para fazer o que faz com o rigor e a classe com que o faz, Paula Teixeira da Cruz podia ser ministra de qualquer Governo de Portugal. Ele, pelo estilo, só podia ser ministro de Passos Coelho. Ou do Relvas.
Alguém lhe devia ter dito que normalmente as senhoras precedem os cavalheiros e que é melhor cair em graça do que ser engraçado. Não sei se será alguma coisa contagiosa ou apenas uma consequência de lhe ter sido atribuída a pasta da Economia. O outro também era muito afável mas isso não impediu as bojardas. Nem a cena parlamentar dos corninhos. Ontem também não cheguei a perceber se o homem estava a delirar ou se será sempre assim. Por três vezes o "Álvaro" garantiu que no "final de 2012", "muito em breve", Portugal estará em situação de "retoma". E acrescentou que não só tinha a certeza como acreditava "piamente" (sic) nisso. Ficou gravado. Verdade que não explicou como (também não estava ali para isso), mas oxalá que tenha razão. Se eu cá estiver nessa altura não deixarei de recordá-lo. E, sendo verdade, de dar a mão à palmatória.
SINAIS (11)
"Estava escrito nas estrelas que a descida da Taxa Social Única (TSU) daria asneira. Desde a conferência de imprensa da ‘troika’ em Lisboa a 12 de Agosto que ficou claro que existia uma cisma à volta desta medida" - Bruno Proença, Diário Económico
TEMOS EQUIPA
SLB 1 - MANCHESTER UNITED 1
Não sei quem o disse mas há momentos em que é bem verdade: "Deus perdoa, Tacuara não". Grande jogo de futebol, grande exibição, uma noite fantástica. Houve muita classe e emoção no relvado da catedral. O resultado é que soube a pouco. De qualquer modo, fica a certeza de que "o Benfica não é o Bolton". Mesmo quando deixa Saviola no banco. Contem connosco.
terça-feira, setembro 13, 2011
DIÁRIO IRREGULAR
13 de Setembro
E lá me meti no avião para o Porto, na jornada que me conduziu até Braga. É reconfortante ver a diversidade deste território tão pequeno onde os nossos antepassados se acantonaram, descobrir novos falares, novas formas de estar, outros sorrisos, paisagens tão diferentes.
Podia ter corrido melhor. Muito melhor. Mas não sei se estando sequestrado como está alguma vez será possível que corra melhor. Também não sei se o sentido da palavra renovação terá para todos o mesmo significado. Pelo que ouvi das intervenções e das conversas de bastidores, e, em especial, já que isso é decisivo para se fazer um juízo, a avaliar pelos nomes que saíram das listas de Seguro e Assis para os órgãos nacionais, renovação deve ser coisa para as calendas. E o sentido que eu, muitos outros militantes e portugueses lhe dão não é o mesmo que eles lhe dão. Tenho pena que assim seja.
Os actuais figurinos de escolha do secretário-geral e do congresso não fazem qualquer sentido. Escolher o líder em directas, dois meses antes do congresso, para de seguida entronizá-lo numa missa, ao mesmo tempo que se vota para os órgãos nacionais, é desmotivante. A eleição do secretário-geral deverá voltar a ser feita em congresso, através dos delegados, por voto secreto, e na sequência de um debate no próprio congresso entre os candidatos e os subscritores das moções que se apresentem. Na sexta-feira cada um dos candidatos à liderança apresentava as suas ideias. No sa´bado discutiam-se as moções e depois votava-se. Isso traria outra motivação à participação e seria mais estimulante para os portugueses que em casa acompanham estes conclaves. Bater-me-ei por isso. Um Congresso, como também me dizia o JMM, não pode ser uma missa, apesar de haver muitos lá dentro com jeito para sacristães. E para seminaristas, digo eu.
Também terá de ser encontrado um outro formato para as intervenções dos delegados. Três minutos não chegam para nada, em particular se as pessoas gastarem o primeiro minuto a saudar a presidente, o secretário-geral, a comissão organizadora e por aí fora, numa ladainha que somadas todas as intervenções deve representar ao final do dia umas três horas de encómios e salamaleques. Basta fazer as contas a cerca de cento e oitenta discursantes. Era preferível que se pré-fixasse um período para as intervenções e depois se aceitasse um número limitado de inscrições, por exemplo quarenta ou cinquenta. Se esse número fosse excedido haveria lugar a sorteio ou, então, já que as novas tecnologias estão na berra, só se aceitariam inscrições feitas por via electrónica até ao número limite admitido. Se possível com o sumário escrito da intervenção. Isto levaria a que só subisse à tribuna quem tem alguma coisa para dizer, ao contrário do que hoje acontece em que muitos há que vão lá só para dizer que lá estiveram, além de que se evitariam eventuais manobras de bastidores e os atropelos aos que querendo intervir e podendo, penso eu, intervir a horas de maior audiência, são atirados para períodos mortos ou, como aconteceu, para uma hora em que as moções já tinham sido votadas, depois de jantar, quando praticamente ninguém estava na sala. Aliás, que sentido faz continuarem as intervenções depois da votação das moções? Não foi o meu caso, que tive a sorte de poder intervir a horas decentes, durante a tarde de sábado, mas outros houve que bem se podem queixar. É certo que o tempo dado só me permitiu sumariar o que nos preocupa e quanto a isso talvez tenha conseguido lá chegar. Explicar porquê seria impossível. E poucos deviam estar interessados em conhecer as minhas razões.
Pode-se criticar a presidente do partido pela gestão que fez de alguns tempos, mas admiro-lhe a paciência, a educação e a simpatia, mesmo quando depois de ter pedido às pessoas que não se atrasassem no regresso depois das refeições, e de ter anunciado os nomes dos primeiros a serem chamados, se viu sozinha na mesa de honra esperando os atrasados e dando minutos para a sala se compor. Infelizmente, esta parece ser a regra em qualquer reunião mais alargada que se faça. Há sempre tempo para mais um café e dois dedos de conversa, os outros que esperem que a gente logo há-de aparecer. Falta de educação é o que é.
As negociações para a finalização das listas continuam a ser uma operação semi-clandestina e tenebrosa a que os líderes e os apparatchiks se dedicam. Não sei se nos outros partidos, posto que não os conheço, será assim. No meu não gosto que assim seja. Este ano, com as duas listas, o ideal era Seguro e Assis depois de as terem ordenado terem escolhido duas pessoas da sua confiança, uma por cada uma das listas, para que cortassem na lista do adversário as que lá não deviam figurar. Estou certo que dessa forma se faria uma verdadeira renovação, talvez mesmo uma limpeza, sendo então possível começar tudo de novo. Os compadres e as comadres é que eram capazes de me crucificar, mas isso seria o menos.
Dois bons discursos, a abrir e a fechar, uma excelente intervenção do Assis no sábado e mais uma ou duas notas, como as palavras do António Costa ou do Manuel dos Santos. Mas o fundamental ficou por dizer. Se o Congresso não é o lugar adequado para se discutir o que importa, então onde fazê-lo? Os debates de sexta-feira foram uma nota positiva, talvez mesmo a melhor, pela natureza dos temas e as intervenções a que deram lugar. Porém, pareceu-me que foi escasso e com pouco eco.
Espero que o Seguro seja capaz de mostrar rapidamente mais do que aquilo que foi prometido. Tirando um ou outro emplastro que vai sempre parar aos órgãos nacionais por amiguismo e compadrio - aí nunca há renovação - há lá gente capaz de pensar por si, de dar um contributo efectivo à mudança se lhe for dado espaço de intervenção.
Estas coisas são lentas, demasiado lentas para o meu gosto. Restar-me-á ter paciência, acreditar, se conseguir, esperar que o actual Governo dure todo o período da legislatura sem fazer disparates que antecipem eleições e nos coloquem num patamar ainda mais baixo do que aquele em que já estamos. Se tal acontecesse seria dantesco, uma tragédia para a nossa sobrevivência. Vamos ter esperança.
sexta-feira, setembro 09, 2011
SINAIS (10)
"O ministro das Finanças recordou em Castelo de Vide que Portugal aceitou voluntariamente as muito severas condições da troika. Mas devia ter acrescentado que a maioria dos portugueses acreditou no que diziam o PSD e o CDS na campanha eleitoral e por isso votou neles.
O Governo tem agora de confrontar-se com recapitulações assassinas daquilo que foi tantas vezes afirmado pelas cúpulas partidárias, o que é muito desconfortável para quem o apoia. Mas quem apoia este Governo tem de ser muito exigente e dizer as coisas com a maior clareza.
Torna-se evidente que as políticas de agressão fiscal directa ou indirecta a uma classe média que é muito mais média baixa do que média alta ou mesmo "média média", vão ao arrepio de tudo o que tinha sido garantido.
O assalto à mão fiscal agora anunciado à queima-roupa acarreta para os portugueses uma situação de escravatura intolerável pela apropriação abusiva dos proventos do trabalho pela voracidade do Estado." - Vasco Graça Moura, Diário de Notícias
NÃO HÁ NADA QUE NÃO LHES ACONTEÇA
Eu no lugar destes ficava em casa e dedicava-me ao bilhar. Isso talvez reduzisse as hipóteses de se espetarem de cada vez que saem à rua.
SINAIS (9)
"Transplantes ninguém os faz por moda ou capricho. Não é o mesmo que meter implantes mamários. Se os hospitais públicos estão a fazer transplantes a mais face à média dos países evoluídos com os quais se devem comparar; ou se o estão a fazer a um preço mais alto e alguém está a aproveitar-se disso - então que o ministro o quantifique e explique. Nem todos vão entender, mas muitos vão compreender. O SNS depende desse bom senso.
Correia de Campos, o ex-ministro da Saúde de Sócrates, fez parte do trabalho difícil. Macedo que faça a outra. Para começar, perceba que fazer uma lipoaspiração ao Estado não equivale a prescindir dos órgãos vitais - é por isso que se chamam vitais." - André Macedo, Diário de Notícias
quinta-feira, setembro 08, 2011
FICA QUASE TUDO DITO
Quando um partido e um governo ficam dependentes de um deputado como Mendes Bota para enaltecerem os seus méritos e atacarem as vozes mais escutadas da sua agremiação fica quase tudo dito. A cara com que Carlos Abreu Amorim escutou a intervenção do deputado da, agora, sua bancada, dir-se-ia temer uma tirada "à Pontal".
DUAS BOAS NOTÍCIAS
A candidatura de Maria de Belém à presidência do PS e a escolha de Carlos Zorrinho para dirigir a bancada parlamentar do PS são duas boas noticias. É o que se chama uma renovação pelo seguro: limpa e sem telhados de vidro.
SINAIS (8)
"O primeiro-ministro cometeu o pecado capital dos políticos: disse uma coisa para ganhar eleições e faz outra quando está no poder. No caso concreto, prometeu atacar o problema do défice com base no corte da despesa e, para já, os portugueses estão a pagar três aumentos de impostos, dos quais apenas um foi acordado com a ‘troika'. Quanto aos gastos, só metas genéricas e mais promessas de medidas no Orçamento do Estado para 2012.
Esta falha é importante porque mina a confiança das pessoas nos políticos. Acaba por ser uma justificação para a mais injusta das frases: "são todos iguais" - António Costa, Diário Económico
SINAIS (7)
"Todas as medidas de corte da despesa tinham que ter sido as primeiras a ser tomadas, para terem efeito neste ano, agora já não há tempo" - Nuno Morais Sarmento
RECORDAÇÕES DE VIAGEM (5)
A ilha de Sveti Stefan, ou de Santo Estevão, faz parte do munícipio de Budva, no Montenegro. Durante muitos anos foi a residência de Verão da rainha sérvia Maria Karadordevic. Depois, no tempo da defunta Jugoslávia, o marechal Tito quis transformá-la numa estância de veraneio apenas acessível aos membros da nomenclatura e aos ocidentais ricos e poderosos que lhe deram nome e prestígio: Orson Welles, Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Carlo Ponti ou Kirk Douglas. Os campeões Boris Sapssky e Bobby Fischer também aqui jogaram algumas partidas de xadrez. Com a desintegração da Jugoslávia, a independência do Montenegro e a chegada das máfias do leste europeu, o local perdeu muito do seu charme. Mais recentemente o local voltou a andar nas bocas do mundo pelo facto de ficar a escassos quilómetros do Casino Royal, que deu nome a um filme de James Bond, mas as filmagens acabaram por ter lugar, tanto quanto me informaram, na Holanda. A ilha é agora propriedade da célebre cadeia de hotéis de luxo "Aman Resorts" e apesar de tudo por que passou continua, graças à sua excelente localização, clima e fabulosas águas, a ser um local suficientemente aprazível e acolhedor para se poder gozar uns dias de férias.
quarta-feira, setembro 07, 2011
RECORDAÇÕES DE VIAGEM (4)
De Dubrovnik à República de Montenegro é um salto rápido e que se faz com gosto. A paisagem é simplesmente impressionante, ao longo de uma costa profundamente recortada. Convém, desde logo, tomar nota de que os croatas têm uma natureza e um espírito totalmente diferentes dos montenegrinos, sendo aqui a influência sérvia e russa muito acentuada. No espírito e, em especial, nas maneiras, mais rudes e grosseiras. Mas descontando esse aspecto, bem como a juventude de um país que não tem meios para emitir moeda e que por isso usa o euro como moeda oficial e em que 1/3 da propriedade da terra pertence a estrangeiros, na sua maioria russos e alguns, poucos, endinheirados ocidentais - Madonna, Michael Douglas ou Sophia Loren -, que escolheram essa parcela da costa adriática como destino de férias, vale a pena atravessar a fronteira para visitar a cidade de Kotor. As suas muralhas, à semelhança do que acontece em Dubrovnik, estão estupendamente conservadas e são o resultado dos tempos áureos da República de Veneza e de todo o seu poderio. Kotor fez parte da República de Veneza entre 1420 e 1797, período interrompido durante os anos da ocupação otomana. Fez parte do Império dos Habsurgos a partir de 1797 e no decurso da I Guerra Mundial foi a base da marinha austro-húngara. Hoje integra merecidamente, como toda a zona da baía de Kotor, o património classificado da Unesco. Lá dentro multiplicam-se os cafés, restaurantes e esplanadas, paredes-meias com algumas belíssimas igrejas como a Catedral Católica, por onde passou João Paulo II, em estilo românico mas com elementos góticos e barrocos, o templo ortodoxo sérvio de São Nicolau ou a belíssima igreja de Santa Maria. De notar são os palácios senhoriais, ao bom estilo veneziano, sinal da opulência e estatuto que algumas das suas famílias gozaram durante os seus tempos mais gloriosos.A sua situação e um porto acolhedor fazem do local destino privilegiado dos mais belos e modernos iates que se podem ver junto à entra principal da cidade, a conhecida Porta Marina.
SINAIS (6)
" (...) há evidentemente um aspecto em que o Governo não tem sido muito feliz: não tem explicado as coisas com suficiente clareza" - Rui Machete, à TSF
terça-feira, setembro 06, 2011
DAR AS BOAS-VINDAS AOS COWBOYS
Tem um nome mítico - Forte Apache - e reúne alguns nomes de peso da blogosfera nacional. Prometem concorrência aos índios e aos acomodados. Pela minha parte, que não sou um "Touro Sentado", dou-lhes as boas-vindas e espero que o avançar da legislatura não lhes faça perder o humor e a garra com que chegam.
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