quinta-feira, março 10, 2011

TRANSPARÊNCIAS

O processo foi tão transparente que agora deu nisto. Quando a transparência é só para os amigos o resultado só podia ser esse. Mas quanto a isso o PSD/Algarve não pia. A subserviência que têm aos "poderosos" e "importantes" remete-os ao silêncio.

quarta-feira, março 09, 2011

PALAVRAS TARDIAS TAMBÉM SÃO PALAVRAS TRISTES. E HIPÓCRITAS.

Jaime Gama ainda tentou atalhar ao que se seguiu, mas já não foi a tempo. Quis lembrar que o Presidente da República não é o Governo, nem o líder da oposição, e aconselhou uma "magistratura arbitral" e uma "cooperação tranquila". Era tarde. O discurso já estava escrito.

Num remake do seu discurso de vitória em 23 de Janeiro, Cavaco Silva mostrou que além de ser hoje um homem amargo e amargurado, numa perspectiva simpática, é um presidente sem memória. Palavras tardias são palavras fora do tempo, desenquadradas. Palavras sem memória. É mau que assim seja.

Lamento, mas depois de tudo o que se passou no último ano e meio do seu mandato, e da campanha que fez, era previsível que as coisas se passassem desta forma.

Apelar a medidas conjunturais de combate ao desemprego não custa se não se disser quais. Apelar aos jovens e a um sobressalto cívico depois de ter enxameado o país de universidades de vão de escada quando foi primeiro-ministro, instituindo a cultura do salve-se quem puder e se puder tente salvar-se à sombra de um partido com um diploma obtido sabe-se lá como, não é bonito. Falar em reformas depois de ter estado mais de uma década no poder como primeiro-ministro e após cinco anos em Belém, falhando as reformas de que o país nessa altura, como hoje, carecia, deixando-o envolto em sombras, escândalos e entregue aos BMW do bloco central dos interesses que geraram os BPN e BPP da nossa desgraça recente, para vir agora fazer um discurso como o que produziu, deixa antever o pior. Ignorar o que aconteceu em Wall Street, na Irlanda ou na Grécia, revela a existência de uma agenda própria. E falar em transparência do Estado e das instituições é de quem já se esqueceu do caso das escutas, da protecção aos amigos e da falta de esclarecimentos sobre os negócios em que andou metido com Oliveira e Costa e o clã da Coelha. Pagar impostos todos pagamos, mas nem todos o conseguem fazer pelas razões que ele o fez, mesmo que o quisessem.

A um longo silêncio seguiu-se uma ainda mais longa recriminação e a desculpabilização de toda a sua geração. Tanto tempo em silêncio para isto.

Na sua ancestral sabedoria Lao Tse dizia "sincere words are not elegant; elegant words are not sincere".

O discurso de posse do Presidente da República podia ter sido uma coisa ou outra. Mas não foi. O Presidente da República conseguiu ficar a meio caminho entre a verdade e a sinceridade, sendo sempre profundamente deselegante. Era a última coisa que os portugueses necessitava para enfrentar os tempos difíceis que atravessamos. Um Presidente desmemoriado e azedo a trocar os papéis só pode deixar os portugueses mais inquietos. E tristes.  

sexta-feira, março 04, 2011

CARNAVAL EM CASA

Uma obra-prima de Antonello Grimaldi e Nanni Moretti vai estar amanhã à noite, depois das 0.30 h, em exibição na RTP2. É a oportunidade de rever um grande filme e duas fabulosas actrizes: Isabella Ferrari e Valeria Golino.


DIÁRIO IRREGULAR

4 de Março de 2011

Dentro de uma semana, e Vasco Pulido Valente recorda-o na sua crónica do Público, vai ter lugar uma manifestação, um desfile, talvez um happening, de uma autodenominada “geração à rasca”. Eu já me tinha apercebido de que vinha aí coisa grossa. No outro dia ouvi uns moços a apregoarem o evento no “Prós e Prós” de Fátima Campos Ferreira. Fiquei elucidado sobre a natureza do movimento e as motivações deles. Aquilo de que eles hoje se queixam já eu me queixava há 25 anos quando acabei o curso. À rasca viveram sempre todos os que não se tendo filiado em partidos, integrado nas organizações maçónicas ou religiosas ou não beneficiando de cunhas e compadrios vários, uns herdados da outra senhora, outros adquiridos com os vícios trazidos pela revolução de Abril ou transmitidos pelos papás que se safaram no pós-25 de Abril, acabaram por se fazer à vida. Alguns foram mesmo condenados à liberdade e ainda hoje vivem à rasca. Uns dias melhor, outros pior.

A nossa democracia trouxe liberdade, mais mobilidade social, permitiu uma melhor repartição da cultura e do conhecimento, nem sempre devidamente aproveitada pelos seus destinatários, mas continuou a menosprezar os que sempre viveram à rasca. E o problema não foi de parvoeira. Foi de seriedade.

A menina dos “Deolinda” sabe que é parva mas não apresenta alternativas. Limita-se a cantar, bate palmas, e agora, também, quer desfilar na Avenida. É compreensível. Esta manhã já vi desfilar os filhos das meninas e dos meninos dos “Deolinda”, os filhos da “geração à rasca”, todos de bibe e serpentinas. E os seus professores e educadores. A partir de amanhã e até terça-feira vamos ver desfilar os seus pais e avós por esse País de foliões de mau gosto em que nos tornámos. Uns de bigode farfalhudo, mamas postiças e saltos altos. Outros de fio dental e silicone. Depois virá o desfile da "geração à rasca", que será como que uma espécie de baile da Pinhata. O tempo é de Carnaval. A “geração à rasca” e a canção dos “Deolinda” coincidem no tempo.

Ontem, em Faro, ao final da tarde, houve um debate sobre corrupção promovido pelo Correio da Manhã. Os debates prosseguirão pelo País. A corrupção também.

Algumas vozes mais sensatas já perceberam que eleições neste momento não servirão para nada. O problema, como já muitos estudaram, não está na maior ou menor oportunidade da sua realização. Está no sistema político e no sistema eleitoral. Rui Rio marcou pontos apesar de ter confundido o regime com o sistema, mas todos perceberam o que quis dizer. O PS precisava de ter alguém que pudesse responder-lhe com a mesma desenvoltura. Se necessário, um dia, entender-se com ele e que entendesse a sua linguagem. Desenvoltura até há quem a tenha. Credibilidade é que é mais difícil. E ainda assim restará sempre o problema de com o PSD nem o Sporting ser capaz de se entender.

De Cavaco Silva é que não se vê a sombra. Desapareceu atrás da sua marquise numa manhã de nevoeiro. Dizem-me que está a preparar o discurso da tomada de posse. Faz muito bem. Até agora limitou-se, qual Benfica, a dar algum avanço aos mercados que nos andam a lixar. A partir de dia 9 acaba-se a brincadeira. Oxalá não apareça mascarado. E que saiba aproveitar essa oportunidade para referir os reflexos positivos que a sua reeleição já trouxe ao País. Há coisas que podem passar despercebidas. E devem ser lembradas amiúde. Os portugueses precisam de estímulos.

Je ne compte pas mes emprunts, je les pèse”, escreveu nos seus Ensaios. E que bem que ele escreveu. Se os nossos políticos lessem Montaigne nunca teríamos chegado ao estado a que chegámos. Montaigne não sabia de nós. Teve sorte. Não conheceu Cavaco Silva, José Sócrates ou Passos Coelho. Ainda bem que assim foi. Foi poupado. Se os tivesse conhecido ou sabido da nossa existência teria desistido de pensar e de escrever. Seria gestor. Ou inspector do fisco.

[também no Delito de Opinião]

terça-feira, fevereiro 22, 2011

AGORA DÁ-ME PARA ISTO

Nas páginas do Delito de Opinião: o diário irregular.
Quem não tiver paciência pode ir ver as meninas do Miss Reef 2011. É Verão em Viña del Mar, ninguém leva a mal!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

A RENÚNCIA

Comentei aqui a renúncia de D. José Policarpo. Para quem queira ler.

FERRARI FF

Esá quase a chegar o novo Ferrari FF. Será no dia 23 de Fevereiro a apresnetação mundial, em Maranello. Quem não puder ir pode seguir pela Internet. Estão todos convidados.

sábado, janeiro 29, 2011

AGORA RIEM-SE, AMANHÃ CHORAM

Pelo ar satisfeito dos senhores dir-se-ia que tudo lhes corre bem. A eles talvez, mas não ao futebol português, que a avaliar pela noticia de "A Bola" se prepara para ser chutado para a categoria das repúblicas das bananas.