"The way you spend Christmas is far more important than how much"
quinta-feira, dezembro 23, 2010
terça-feira, dezembro 21, 2010
JUSTO PRÉMIO PARA UM CAMPEÃO
É ele o escolhido para "Personalidade do Ano de 2010" do WRC. É português e foi o primeiro a renovar o título de campeão do mundo de ralis de carros de produção. Chama-se Armindo Araújo e faz parte da galeria dos meus heróis. Justo prémio ao trabalho, ao talento e à perseverança.MUDANÇAS
Há dois coisas que me deixam completamente sem jeito: a falta de saúde e mudanças. A primeira nem sempre depende de nós. A segunda tento encará-la como algo de positivo, independentemente dos contratempos que nos causa, a começar pela mudança de configurações do computador e do pó que se levanta quando se muda uma estante.
Estas coisas devem ser feitas quando importa fazer balanços. No final de cada ano ou no início de um novo ciclo. Enfim, nestas ocasiões vale sempre a pena citar Kierkegaard: "a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente". É o que vou fazer uma vez mais, com toda a fé do mundo e a utopia de sempre, ainda que não saia do mesmo sítio e as traças voltem sempre aos mesmos livros. E seja o que Deus quiser.
segunda-feira, dezembro 13, 2010
ESTÁ FEITO O MAL
sexta-feira, dezembro 10, 2010
QUEM PAGA?
sexta-feira, dezembro 03, 2010
quinta-feira, dezembro 02, 2010
A MARTA MUDOU-SE
ASSIM VAI O PSD/ALGARVE
Passos Coelho quer uma maioria absoluta. As sondagens dizem que ele caminha para lá. O PSD de Cavaco teve a sua dose. O PS de Sócrates também com resultados que me escuso de comentar.
O Presidente da República e actual candidato presidencial tem defendido a existência de maiorias absolutas como garantia de estabilidade e de governabilidade.
Estabilidade e governabilidade são duas coisas que não têm faltado ao PSD/Algarve. E, de facto, os resultados são tudo menos brilhantes, não obstante a forma mandarinal como durante décadas o Dr. Mendes Bota instruiu a sua tropa. Enquanto em Loulé se assinam protocolos de forma "totalmente transparente" com a IKEA, em Faro um ex-presidente de câmara que lá foi posto com o apoio do PSD e deixou a autarquia muito próximo do estado em que hoje se encontra, acusa Macário Correia de ser um "vendedor de ilusões". Ao mesmo tempo, em Albufeira, um presidente do PSD com maioria absoluta vê chumbadas pelo seu próprio partido as propostas que apresenta.
Não sei se teremos em Albufeira mais um caso que acabará como os de Gondomar ou Oeiras, mas se um primeiro-ministro promovesse a aprovação de um diploma pela Assembleia da República, numa situação de maioria absoluta, diploma que fosse depois rejeitado pelo seu próprio partido, que diriam Passos Coelho e Cavaco Silva?
Se são estes os exemplos que o PSD de Passos Coelho consegue dar ao País nesta fase em que ainda tenta chegar ao poder, imaginem o que será quando o Dr. Miguel Relvas começar a negociar o orçamento com o Dr. Alberto João Jardim e a distribuir os tachos que os "jotinhas" aguardam. Maioria absoluta, pois claro
quarta-feira, novembro 24, 2010
sexta-feira, novembro 19, 2010
UM ESCLARECIMENTO ESCLARECEDOR
TEXTOS NO DELITO DE OPINIÃO
segunda-feira, novembro 15, 2010
CAMPEONATO DE PORTUGAL GT E SPORT PROTÓTIPOS 2010
ÁS DE TRUNFO
"Os conceitos de moral mudam conforme as circunstâncias e se, em teoria, reconhecemos serem as cunhas lesivas da justa justiça, quando sacodem para o lado um pedido nosso dói como um pontapé por baixo. Rodolfo Lucas, o fura-vidas que se abrasileirou levando com ele Eva Teresa, a fogosa Rosália e sua senhora, dona Clotilde, dizia, a respeito: para os amigos não há favores, só a obrigação de puxarmos por eles quanto pudermos. Nessas alturas, eu retorquia, enfatuado, que tráfico de influências, nome fino e grave, era sinal maior da atávica pedinchice portuguesa. Tivesse imaginado os acontecimentos posteriores e, decerto, acrescentaria que há excepções, família é família".
Graças a mais uma excelente iniciativa do Pátio das Letras e da sua activa dinamizadora, que me confidenciou ter o nosso António Manuel Venda passado por ali há relativamente pouco tempo, tive o privilégio de ouvir e trocar algumas palavras com Mário Zambujal, no sábado passado, por ocasião da apresentação do seu mais recente romance.
Mantendo a bonomia e simpatia de sempre, o autor lá foi discorrendo com os seus leitores, contando histórias curiosas, e deliciosas, do seu percurso de vida. O Mário Zambujal continua a ter um estilo muito próprio de comunicar, ao mesmo tempo discreto e perspicaz, pontuado pelo humor de quem sabe que o melhor desta vida são as pessoas.
E se é certo que no diálogo travado foi possível ficar a saber da relação distante que ele mantém com as máquinas, muito em particular com os computadores, não foi todavia conseguido que nos desvendasse quem era a dama de espadas.
Não foi grave. Nem o será enquanto pudermos contar com a escrita do Mário Zambujal e o conforto que a sua presença sempre transmite. Um verdadeiro ás de trunfo de uma geração do jornalismo que marcou a literatura portuguesa contemporânea e que vai continuar a marcar, a avaliar por mais este livro que agora nos trouxe.
domingo, novembro 14, 2010
BICAMPEÃO DO MUNDO
Portugal volta a estar de parabéns: Armindo Araújo acabou de revalidar o título de campeão mundial, na classe de produção, com o 18º lugar que conseguiu no Rali de Gales.sexta-feira, novembro 12, 2010
quinta-feira, novembro 11, 2010
3 VEZES A
A de Angola - Hoje é dia 11 de Novembro. Passa mais um aniversário da independência de Angola. A data não podia passar despercebida, em especial entre nós, depois da magnífica entrevista dada à TSF por Rafael Marques, um homem livre e corajoso que não hesita em dar a cara e o nome em defesa de uma cidadania justa e livre no seu país. Passado o tempo da guerra civil, iniciada a recuperação dos estropiados, e aberta uma nova página na sua história, é tempo de Angola se reabilitar. Em democracia. Não apenas na vertente externa, seja no âmbito da CPLP, das Nações Unidas ou no seio das demais nações africanas. Angola necessita urgentemente de se reabilitar internamente, muito em particular precisa de reabilitar as suas elites dirigentes. Para que o combate à fome e a erradicação da probreza, das doenças e do analfabetismo possa ter um sentido útil e não seja apenas mais uma fachada polida de um regime avesso à crítica e mais dado aos jogos de bastidores da sua diplomacia. Jamais se construirá um Estado justo e equilibrado enquanto a corrupção e o nepotismo continuarem a medrar em cada esquina, no bolso dos generais ou dos antigos combatentes que se aburguesaram protegidos pelas luzes do Futungo de Belas. Angola tem tudo para ser feliz: imenso capital humano, riquezas naturais e alegria. E se assim é, então seria bom que as suas elites dirigentes, a começar pelo seu Presidente, mostrassem que mais importantes do que as palavras são os actos genuínos e sinceros. Talvez que um bom sinal fosse começar por dar uma resposta franca e de rosto humano à carta que a Associação 27 de Maio lhe escreveu. Há gente que continua a sofrer e se o povo de Angola não é insensível a isso, então que os seus dirigentes dêem o sinal. Pode ser já hoje.
A de Algarve - Os noticiários e os jornais de hoje sublinham o despedimento colectivo de 336 pessoas na empresa Groundforce. Todas essas pessoas estavam ao serviço no Aeroporto de Faro. Algumas há mais de duas décadas. E sendo compreensíveis as razões avançadas pela administração da empresa, não deixa de ser estranho que só agora se tenha dado pelo colapso iminente e não se tenha anteriormente tomado as medidas que podiam ter evitado este fim. Não conheço o problema da Groundforce em particular. Sei o que todos lêem e ouvem. Mas conheço e tenho a noção da situação extremamente difícil que o Algarve atravessa. Não é só um problema de má gestão crónica de alguns dos seus empresários ou de dificuldades económicas e financeiras de conjuntura. O tecido social da região entrou, há mais de cinco anos, em desagregação, sem que ninguém em Lisboa se tenha dado conta do que se estava a passar. Foi logo a seguir ao Euro. Mesmo aqueles que se arrogam porta-vozes da região e que mais não têm feito do que se promoverem à custa desta, foram incapazes de perceber o que qualquer pessoa que andasse na rua sabia que iria acontecer. O agravamento das condições de segurança foi apenas um primeiro aviso. De nada serviu. Agora que a ministra do Trabalho, confrontada com a verdadeira dimensão da crise laboral e social que o Algarve atravessa, veio dizer que a situação ocorrida na Groundforce vai ser devidamente investigada, seria bom que também se investigassem todas aquelas situações em que as empresas recorreram a outros métodos, mais discretos, para se irem livrando do pessoal efectivo ao seu serviço. Refiro-me a extinções encapotadas de postos de trabalho e a acordos negociados individualmente com os trabalhadores, que os empurraram para o subsídio de desemprego, sendo que em muitos casos esses foram substituídos por outros, contratados a prazo ou a recibos verdes, menos qualificados para as mesmas funções. E, senhora Ministra, se ler estas linhas, há uma coisa que lhe digo: não é aceitável que uma empresa faça um acordo de rescisão amigável com um trabalhador, lhe passe os documentos para que ele se candidate ao subsídio de desemprego, com fundamento na extinção do posto de trabalho, e depois contrate um substituto. E se a ACT sabe que esse foi um expediente usado pelo patrão, não é aceitável que o Estado feche os olhos e faça de conta que a fraude a lei é um expediente legal para alguns continuarem a andar de Porsche enquanto outros não têm dinheiro para pagar a escola dos filhos. Se for necessário mexer na lei, então que se mexa de uma vez por todas e de forma clara, de maneira a que não seja depois necessário fazer um resumo em "português claro" no Diário da República. O português é por natureza claro. As sumidades é que o escurecem.
A de Advogado - O debate que teve lugar no Casino da Figueira da Foz mostrou claramente as clivagens hoje existentes na advocacia portuguesa. O limbo em que a profissão se encontra, algures entre o cobrador de fraque e o paquete para todo o serviço, limbo na qual se tem desprestigiado, desvalorizado e desestruturado, muito por força dos lobbies que coexistem no seu seio e da actuação de um Estado irresponsável, aconselha uma mudança. Faço, pois, aqui e desde já, a minha declaração de interesses. Vou apoiar Fernando Fragoso Marques porque acredito que uma advocacia serena, firme, empenhada, séria e esclarecida vale mais do que mil discursos. Porque continuo a pensar que a advocacia é uma profissão de homens livres e não de assalariados de empresas ou de colegas, actuem eles a título individual ou protegidos por esses empórios especializados na publicação de brochuras coloridas e que de autarquia em autarquia vão angariando clientela, tecendo verdadeiras redes e cimentando o seu poder. Os portugueses merecem uma advocacia à altura das suas tradições de luta e intervenção cívica. E é nos momentos difíceis, nas alturas de maior crise ética e moral, nos momentos em que são desferidos os ataques mais cegos de que há memória à cidadania, ao papel do advogado numa sociedade moderna, à justiça e às magistraturas, ataques que só servem para corroer ainda mais o sistema de justiça, que se vê a fibra de um advogado. É fundamental que haja alguém que seja capaz de olhar na distância, de projectar o futuro. Depois do encontro de ontem na Figueira da Foz dissiparam-se todas as dúvidas. Fragoso Marques chegou-se à frente. É o homem com quem os advogados contam para os liderar num combate que não é apenas pela advocacia e que é cada vez mais um combate pela decência. Porque, como ele diz, a Ordem não pode continuar a perder.
[também no Delito de Opinião]
quarta-feira, novembro 10, 2010
E QUE TAL UMA REMODELAÇÃO?
Vital Moreira avançou ontem no Público com a ideia do primeiro-ministro efectuar uma remodelação. Vindo de quem vem não se pode dizer que a proposta seja inocente. Confesso que não poderia estar mais de acordo.
Como ainda ontem Helena Matos referia, o Governo é hoje e cada vez mais um órgão unipessoal. O que não será certamente sinónimo de uma boa liderança. Seja por efeito da personalidade de José Sócrates, seja pelos erros tremendos nas escolhas que foram efectuadas - a inclusão num governo minoritário e numa situação de crise de nomes de segunda linha, sem traquejo nem experiência política, rapidamente os transformou em autómatos das decisões do Conselho de Ministros -, o certo é que para além de uma crise económica e financeira grave, estamos a atravessar uma crise de liderança e de autoridade da qual, aliás, Cavaco Silva rapidamente se apercebeu e que lhe tem servido para obter dividendos a tempo da sua reeleição. Eu no lugar dele faria o mesmo, em especial se no horizonte estiver, como acredito que esteja num homem bem intencionado, o interesse nacional.
Num momento em que, não obstante a última sondagem, o PSD continua a dar mostras de uma grande fragilidade interna e de falta de sentido de Estado na sua liderança, José Sócrates não teria nada a perder em fazer rapidamente uma remodelação. O pior erro que um político pode cometer é o de ser capaz de identificar o erro e de não ser capaz de corrigi-lo a tempo de evitar maiores danos para o País e para a sua própria liderança.
Compreendo que José Sócrates esteja cansado, absorvido com as dificuldades imediatas da governação e com a perspectiva, sejamos francos, de ter pela frente, no actual cenário, um resultado menos bom nas presidenciais. São ossos do ofício que não podem servir de desculpa para uma prestação que nalguns domínios da acção governativa já roça o paupérrimo.
Uma remodelação feita já, além de ser prova de atenção e humildade, constituiria uma renovada prova de confiança no País e nas suas potencialidades, um sinal aos mercados da importância que a situação está a merecer e uma forma rápida e indolor de retirar a Cavaco Silva qualquer veleidade de dissolução do Parlamento no pós-presidenciais.
Na verdade, uma remodelação deve ser feita nos momentos de crise, quando importa insuflar sangue novo na corrente e conferir um estímulo acrescido para enfrentar os desafios que se seguem. Uma remodelação feita a tempo e horas, antes das presidenciais, retiraria a Cavaco Silva quaisquer argumentos de dissolver o Parlamento no Verão, tal como é desejo, cada vez menos escondido, da actual liderança do PSD.
É evidente que a remodelação que viesse a ser feita, caso José Sócrates estivesse disposto a correr por essa pista, implicaria um alargamento do campo de recrutamento, trocando figuras apagadas - independentes ou militantes do PS - por gente suficientemente brilhante para, se necessário fosse, ofuscar a sua própria acção, transmitindo ao País a ideia de que ninguém brinca em serviço e que o primeiro-ministro não tem medo da sua própria sombra e da oposição interna.
A valorização da imagem externa do Governo e do País passa também pela capacidade de conferir relevo à crítica oportuna e sagaz, retirando eficácia ao palavroso diz que disse em que a actual liderança do PSD parece estar a especializar-se.
Bem sei que não poder contar com uma oposição credível e decente enfraquece qualquer governo democrático, mas essas também são circunstâncias que escapam à racionalidade e ao controlo dos actores políticos.
A sensação que neste momento se tem de que o País é um barco em dificuldades perante a fúria das vagas, em que a tripulação se reveza a tirar baldes de água das cabines, enquanto o armador (Cavaco Silva) assiste em terra a tudo o que se está a passar fazendo comentários via rádio que são escutados pelas tripulações de todas as embarcações (mercado) que circulam nas redondezas, tem sido altamente contraproducente. José Sócrates pode ter, e seguramente que tem, neste momento uma imagem muito desgastada. E já não falo dos problemas pessoais que o afectaram por causa das guerras da sua licenciatura ou do Freeport. Mas entre a sua tripulação talvez seja possível encontrar gente menos cansada, com experiência de navegação longe da costa e em mares bravios, que seja capaz de lhe dar a mão. Quando está em causa o interesse nacional não se pode ter receio de liderar. Essa seria uma prova de grandeza. Um bom imediato, um chefe de máquinas competente e meia dúzia de tripulantes com provas dadas podem fazer toda a diferença. Acredito que seja essa a forma mais acertada de dar corpo à afirmação feita por Pedro Silva Pereira, na entrevista que recentemente deu ao Acção Socialista, de que os militantes do PS podem estar seguros de que os responsáveis sabem quais são as prioridades. Admito que sim, mas para mim a única prioridade que importa é Portugal e esta é uma prioridade que exige clarividência e coragem. Não há que ter medo de corrigir os erros de navegação e mudar o rumo, sob pena dos êxitos diplomáticos obtidos serem rapidamente desvalorizados externamente pela falta de liderança interna.
Talvez seja tempo, por tudo isso, de José Sócrates aproveitar a quadra que se aproxima para encontrar uma solução que garanta governabilidade nos próximos doze meses e estabilidade e eficácia ao programa de austeridade.
Pelo caminho (este é o meu lado utópico a falar), talvez não fosse má ideia livrar-se da tralha que na confusão da vaga o socratismo trouxe para bordo, evitando situações que sendo na aparência perfeitamente legais, como dizem, são na essência altamente reprováveis e que só servem para aumentar a desconfiança dos cidadãos na seriedade das suas instituições, na dos seus dirigentes e, desde logo, na dos partidos políticos, sem os quais a democracia jamais sobreviverá.









