segunda-feira, maio 17, 2010

HABANA DAY

Como depois dos touros virá alguém proibir os charutos, aqui fica o convite para que passem um excelente dia entre charutos, boa comida e bons vinhos.
No próximo dia 22 de Maio terá lugar o Casino Estoril o "Habana Day". O programa começa logo às 9.30 e inclui palestras sobre a "Génese das marcas e da denominação Habanos", "Um olhar sobre as marcas mais importantes na história dos Habanos", "Um olhar sobre a história e cultura de Cuba", workshops com a presença de mestres enroladores cubanos, provas dedicadas ao "Montecristo Petit Edmundo" (emparelhado com uma reserva especial de 2001 da Casa Ferreirinha), ao "Montecristo Open Eagle" (emparelhado com um Ferreira Vintage de 2007) e ao "Montecristo n.º 2" (emparelhado com o soberbo Glenrothes Select Reserve) e um almoço buffet. O melhor estará reservado para o jantar. Na ementa, para além dos aperitivos da praxe (mojitos e daiquiris do Havana Club), haverá sopa de peixe de rio Dona Helena, tornedó de vitela com molho de canela e whisky e delícia fria de chocolate com coração fondante (?) de amêndoa.
Se forem capazes de esquecer que por detrás da iniciativa também estará uma jornada de propaganda (daí a presença do "compañero" Embaixador de Cuba no evento), estou certo de que passarão um dia magnífico.
E não se esqueçam de dizer que vão da parte deste vosso amigo.

DE NOVO A FESTA BRAVA

(foto EPA)
Bem sei que o tema é suficientemente polémico, fracturante como alguns iluminados gostam de dizer, que as posições estão há muito radicalizadas, e que intervenções de organizações como a Associação Animal, em vez de trazerem argumentos inteligentes e ponderados ao debate apenas têm servido para extremá-lo ainda mais.
Mario Vargas Llosa é um homem que dispensa apresentações e não será pelo facto de estar ao lado dos adeptos da festa brava que vai deixar de ser lido ou respeitado, por muito que a aprtir de agora o queiram votar ao ostracismo.
Ninguém poderá ficar indiferente quando se diz que "Chi vuole proibire la tauromachia, in molti casi, e adesso nel caso di Barcellona, lo fa solitamente per ragioni che hanno a che fare più con l’ideologia e la politica che con l’amore verso gli animali".
Proibir a festa brava poderia ser neste momento não menos infame do que proibir o consumo de marisco, mas não é nesse ponto que o debate deverá centrar-se.
Tal como escreve Vargas llosa, pelas restrições à liberdade que uma proibição implica, convirá ter sempre presente que "a imposição autoritária no âmbito do prazer e da paixão, é uma coisa que mina um fundamento essencial da vida democrática: a liberdade de escolha".
Muitos haverá que discordam do ponto de vista do escritor. Eu próprio tenho dúvidas em aceitar determinado tipo de atitudes e a força de certos argumentos, mas confesso que o da liberdade de escolha, enquanto pilar estruturante da nossa vida em comunidade tem muita força e não será fácil encontrar o justo equilíbrio entre posições extremas.
Quem já viveu o silêncio sepulcral da Maestranza e sentiu um fio de suor a escorrer-lhe pelas costas numa tarde quente e solarenga, quem leu Ortega y Gasset, Unamuno ou Hemingway, viu alguns desenhos de Francisco de Goya, percebe do que falo e da importância do tema.
É que, pessoalmente, também tenho muita dificuldade em compreender alguns adeptos da tese proibicionista que depois não se coíbem de levar os seu próprios cães para a praia, deixando-os soltos e a fazerem as necessidades em qualquer lado, indiferentes à falta de higiene e de respeito inerente a tal atitude e ao desconforto que provocam nos demais utentes do espaço público, obrigados a coabitarem com a satisfação canina e o alheamento irresponsável dos seu donos.
Por tudo isso é importante ler o que saiu no Corriere della Sera, depois de já ter sido publicado em Espanha, no El Pais, e trazer de novo o debate para a praça pública.
Somos nós, cidadãos, que temos de decidir até onde queremos que vá a nossa liberdade. Antes que um fundamentalista qualquer decida de hoje para amanhã que estaremos condenados a comer batatas com acelgas, a deixar de tomar banho para não gastarmos água ou a acatar a "decisão" do rafeiro do vizinho que resolveu aliviar-se na priemira toalha de praia que encontrou.

P.S. É bom que se saiba que sou um apaixonado por animais, cães e touros incluidos
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sábado, maio 15, 2010

FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DO FERREIRA FERNANDES

Se a Bruna andasse nos copos, a dar uns chutos, a fumar uns charros à socapa ou a prestar serviços nocturnos ao domicilio, não haveria problema. Como resolveu ganhar umas coroas honestamente e não fez disso segredo, caem-lhe em cima os ayatollahs. Essa pode ter sido a oportunidade da "stôra" para sair do buraco e livrar-se da hipocrisia.

sexta-feira, maio 14, 2010

EM PRIMEIRA MÃO


Este é o Spider 4C, o carro que a Alfa Romeo escolheu para lançar no Ano do Centenário. Podem começar a sonhar.

NEM MAIS

Nestes tempos de crise, faço minhas as palavras de Giovanni Sartori: "Dunque, non dobbiamo spendere soldi che non abbiamo, e al tempo stesso non dobbiamo «spendere male» i soldi che abbiamo". A ler, aqui.

PARTIU UM CIDADÃO

Um dia, em 1982, numa oral de Finanças Públicas, quando me sentei diante dele para prestar provas, olhou para mim, leu o meu nome e disse-me: "De que é que hoje quer falar? Podemos falar sobre tudo menos sobre inflação. Sobre isso já discutimos o suficiente". É claro que depois falámos de muitas outras coisas, tudo correu normalmente e eu sempre recordei a sua memória prodigiosa.
Meses antes tivéramos uma acalorada discussão sobre um trabalho meu. O tema era a inflação e nessa altura eu tinha sido severamente criticado pelas posições que então defendi e que em tudo contrariavam aquilo que ele pensava sobre o assunto.
Numa escola onde ter posições diferentes das dos mestres era muitas vezes meio caminho andado para o chumbo, ele foi um dos poucos que foi capaz de marcar de forma decisiva os meus anos de faculdade. Não só pelo modo como tratava com os alunos, mas em especial pela forma como com eles discutia e os obrigava a defenderem e justificarem as suas próprias posições. Ele obrigava-nos a pensar e mesmo quando discordava era capaz de reconhecer a autonomia do pensamento e a liberdade criativa onde ela existia e merecia ser incentivada. Depois, é evidente que era também preciso saber da matéria, senão nada feito. Não era um daqueles que se deixava enganar com meia dúzia de balelas inconsequentes e coladas com cuspo. Por isso havia quem entre os alunos não gostasse dele. Ele não tolerava a incompetência, nem a falta de honestidade e de rigor intelectual.
Quando esta manhã, ainda meio ensonado, acordei para a triste notícia do seu falecimento, tive alguma dificuldade em acreditar que não voltaria a ouvi-lo, nem a ler novos escritos.
Ainda há dias pensara nele quando o Governo anunciara a tributação retroactiva das mais-valias e estranhava ainda não ter ouvido nenhum comentário dele sobre o assunto. O regime de tributação das mais-valias era mais um dos seus projectos de investigação que ficou a meio.
Hoje, infelizmente, percebi a razão para o silêncio, confirmada há pouco depois de passar pela sua página na Internet.
Morreu José Luís Saldanha Sanches.
Ele, que era pouco dado a lamechices e muito virado para o lado prático das coisas, certamente que encararia este dia como apenas mais um. Eu é que não ficaria de bem com a minha consciência se não deixasse aqui ficar umas breves linhas.
Por muitos que sejam os manuais, as folhas escritas e as palavras gravadas sobre as matérias que ele gostava de tratar e de investigar, mais dia menos dia, com a velocidade de produção legislativa deste país, tudo isso ficará desactualizado.
Porém, há uma coisa que nunca ficará desactualizada nem mudará por mais anos que passem: o exemplo. O exemplo de um homem simples, interessado, senhor de um humor de rara inteligência, de uma extraordinária lucidez e de uma verticalidade e coragem à prova de bala.
O país pode ter perdido um ilustre jurisconsulto, um notável pedagogo e um emérito fiscalista. Não deixará de haver por aí quem tenha capacidade e conhecimentos e esteja disponível para ocupar esse lugar e continuar a notável lição do mestre.
Mas os portugueses, esses, perderam um dos seus. Os portugueses perderam um cidadão. Um dos melhores. E isto é que é dramático. Num país onde são cada vez menos os cidadãos e mais os homens-massa, não há nada nem ninguém que possa fazer esquecê-lo.

[também no Delito de Opinião]

quarta-feira, maio 12, 2010

EXCESSOS POUCO REDENTORES

Tenho acompanhado com um misto de curiosidade e espanto a viagem de Bento XVI a Portugal.
Ainda com a imagem bem fresca na minha memória de João Paulo II e da viagem que fiz a Roma e ao Vaticano no ano que antecedeu o seu desaparecimento, confesso que tenho olhado para o pontificado de Ratzinger com uma grande desconfiança. O seu papel enquanto guardião da doutrina oficial e a forma como tem conduzido a Igreja desde que assumiu o seu comando, em nada contribuíram para afastar esse estado de espírito.
A imagem do Papa, para além daquilo que é transmitido pelo próprio nas suas fugazes aparições, textos e discursos, é muitas vezes a que resulta do que é transmitido pelos seus adjuntos e secretários e da forma como as suas mensagens são filtradas até chegarem ao exterior. E é exactamente por aqui que as coisas têm claudicado. Sucessivos escândalos, declarações evasivas e pouco esclarecedoras sobre os mesmos, uma certa complacência com os poderosos e um perdão sempre pronto em relação a situações de extrema gravidade, deram alimento às vozes que fazem do ataque às religiões e, em especial, ao catolicismo, uma bandeira de afirmação no contexto mundial.
A Igreja perdeu força e protagonismo com Bento XVI mas parece que aos poucos começa de novo a recuperar a sua influência e a resgatar uma credibilidade que tão mal tratada tem sido.
A melhor prova dessa recuperação é dada pelas corajosas palavras que proferiu no voo que o trouxe até Lisboa. Ao condenar de forma tão clara e directa os erros cometidos, ao afirmar e reconhecer que os maiores inimigos da Igreja estão dentro dela, Bento XVI assume de novo o protagonismo e garante que está atento ao que se passou e está a passar. Essa é a maior e melhor mensagem de esperança e de confiança no futuro que poderia transmitir.
Como católico e cidadão esse é um estímulo poderoso para o trabalho futuro. A fortificação do espírito numa muralha ética, a coragem de enfrentar os desafios, o ser capaz de olhar para dentro e de ajuizar qual o melhor caminho a seguir, percebendo que é a Igreja que terá de se adaptar aos novos tempos e não o contrário, é o papel e o que se espera de um líder com a dimensão religiosa e política do sucessor de S. Pedro.
Mas o conforto que isso me dá não me descansa o espírito noutras vertentes.
Percebo e reconheço a importância e o interesse para todos da viagem a Portugal de Bento XVI, numa altura de crise internacional e interna, num momento em que todos os esforços serão sempre insuficientes e ficarão aquém do necessário para minorar o sofrimento de muitos milhões, mas tenho muita dificuldade em aceitar alguns excessos, venham eles de onde vierem.
Dou de barato as complicações estradais, a tolerância de ponto decretada pelo Governo ou os milhares que foram gastos na preparação da visita e no alindamento de Lisboa. Estou certo de que os católicos portugueses não chorarão a contribuição que os seus impostos irão dar para as despesas da visita, embora qualquer pessoa de bom senso e no seu perfeito juízo possa pensar que setenta e cinco milhões de euros para serem "derretidos" em três dias é uma verba excessiva para com a contenção, e a discrição, que a fé também reclama e de que a Igreja deveria ser a primeira a dar exemplo.
Incomoda-me a ostentação excessiva, a forma bajuladora e até certo ponto subserviente como as instituições da República e os seus titulares se comportam nalgumas cerimónias públicas; o tempo dado pelos canais públicos de rádio e de televisão à visita, e, em especial, determinado tipo de manifestações que apenas servem para rebaixar o evento, o seu interesse ecuménico e político e conferir natureza folclórica àquilo que era suposto ser sério. A oferta de camisolas de equipas de futebol em pleno Terreiro do Paço é um exemplo disso mesmo.
Seria bom que momentos como esse, e que eu sinceramente espero não ver repetidos, não servissem para desvalorizar a importância desta visita e que, naquilo que ainda falta cumprir, as instituições da República e os seus titulares não se comportassem como meros serventuários da Santa Sé ou dos secretários de Bento XVI. Tudo o que é excessivo é contraproducente. Tudo o que é forçado é ridículo. A Igreja e a República não podem em momento algum ser confundidas e seria bom que isso não passasse despercebido. Para bem de uma e de outra instituição.

segunda-feira, maio 10, 2010

OPORTUNA LEMBRANÇA


FOTO DEL GIORNO

É a imagem que corre mundo. A fotografia é da ANSA, mas a notícia veio de Itália. É assim o Benfica: grande cá dentro e lá fora.

CAMPEÃO É QUEM CHEGA NO FIM À FRENTE

Trinta jogos depois, com mais de cem golos marcados, setenta e seis pontos amealhados, o melhor marcador do campeonato e cinco pontos de diferença em relação ao segundo classificado. Ali ao lado dediquei o título a quem gostava de futebol. Agora é hora de celebrar cá em casa, com a minha gente, serenamente, em paz. Campeões, pois claro. E não é que desta vez o campeão da pré-época foi o mesmo que ganhou a Liga Sagres?

sexta-feira, maio 07, 2010

CADA VEZ MAIS LATINOS

Para quem aqui há uns anos advogava a alteração do nosso sistema de representação proporcional para um sistema maioritário do tipo britânico, com o argumento de que dessa forma seriam geradas maiorias fortes e governos estáveis, o resultado das eleições legislativas de ontem no Reino Unido não deixa de ser uma lição para quem sempre se preocupou mais do que devia com a estabilidade. O problema, como se vê, não está no sistema eleitoral. Só há bons ou maus governos e normalmente os maus é que criam problemas, qualquer que seja o sistema. Acontece por lá do mesmo modo que acontece por cá. O povo é que sabe.

quarta-feira, maio 05, 2010

QUALQUER COISA

Duas linhas aqui a anunciar outras duas no Delito de Opinião, que hoje bateu todos os recordes e se tornou no primeiro blogue nacional em termos de audiência. É só para vos dizer que estou vivo e de boa saúde. Não tarda estarei de volta.

quinta-feira, abril 29, 2010

EXEMPLAR

A imagem é do Guardian (Andres Kudacki/AP), mas podia ser de qualquer outro jornal europeu. Em Inglaterra, em França, em Espanha, em Itália (Corriere dello Sport, Gazzetta dello Sport), onde é recebido como um herói, por toda a Europa, o nome de José Mourinho é hoje idolatrado. Só um grande treinador, com uma equipa de dispensados de outras equipas, de jogadores em final de carreira e de alguns que se querem finalmente afirmar, se poderia dar ao luxo de eliminar o Barcelona, campeão europeu e mundial, em sua própria casa. Depois de um super Inter de ataque em Milão, tivemos um super Inter a defender. A 2ª Taça da Liga dos Campeões está mesmo ali ao lado, em Madrid. Um exemplo de profissionalismo, inteligência e mestria táctica. É bom saber que há portugueses assim.

quinta-feira, abril 15, 2010

IMPRESSIONANTES

As impressionantes imagens da actividade de um vulcão, aparentemente adormecido há décadas, vêm de novo alertar para as mudanças que a Terra está a sofrer e que diariamente se manifestam, quer nas alterações climáticas e fenómenos metereológicos associados, quer na agitação que se verifica no seu centro e de que constituem notícia os mais recentes e devastadores terramotos do Chile à China, da Califórnia à Itália.

VOLTAR AO TOPO

Não é por acaso, nem à custa de milagres, que se chega . Tudo tem um caminho.
Aguardemos por Coimbra para ver se a cidade mantém o mesmo encanto na hora da partida.

REFÉNS DAS PRESIDENCIAIS

As notícias desencontradas, como esta, que todos os dias inundam as redacções dos jornais sobre o eventual apoio do PS a Manuel Alegre já fedem e começam a dar do PS, dos seus dirigentes e dos seus múltiplos, e alguns putativos, porta-vozes a imagem de um partido refém.
É evidente que a situação económica e financeira do país aconselhava alguma cautela no "ataque" às presidenciais. O atraso na preparação do Orçamento, as negociações relativas ao PEC e a necessidade de estabilização parlamentar, aconselhavam moderação no discurso e em especial a contenção dos apparatchiks.
Manuel Alegre, como cidadão estimado e respeitado por portugueses de todos os quadrantes, entendeu iniciar movimentações junto dos seus apoiantes e avançar com a sua candidatura presidencial. Outros também o fizeram sem que por isso fossem criticados. Não há aí nada de mal, de grave, de ilegal ou de ilegítimo. Alegre não sofre de qualquer capitis deminutio que o impeça de ter vida pública, de se pronunciar sobre os temas de actualidade quando muito bem entende ou de apresentar a sua candidatura presidencial no momento que considere mais oportuno.
De igual modo, o facto de haver quem se precipite no apoio a um candidato para daí retirar dividendos políticos imediatos, cavalgando a onda do descontentamento enquanto pode, tirando partido da ambiguidade do discurso e da indecisão política de terceiros, pode ser criticável, mas é algo com que em democracia e em política se tem de contar.
Tenho ouvido dizer que cada um tem o seu tempo e que o tempo dos candidatos não é necessariamente o tempo dos partidos. Até aí estamos todos de acordo. Cada um gere o seu tempo como melhor lhe convém. Convirá também é que o faça, enquanto dirigente político e responsável partidário, de acordo não com a suas conveniências pessoais mas em função do interesse nacional e do interesse do partido, que não sendo obrigatoriamente coincidentes aconselham a que seja dada prevalência ao primeiro em todas as circunstâncias.
A multiplicação de intervenções contraditórias sobre as presidenciais, a insistência e o à-vontade com que alguns dirigentes menores, sem currículo e sem história, se têm revezado nas críticas a um eventual apoio à candidatura de Manuel Alegre, e as ignóbeis tentativas de silenciamento e refreamento nas manifestações de apoio ao candidato por parte de um núcleo conhecido da elite dirigente do PS, que não esconde a soberba nem a diletância, tão querida dos medíocres, quando critica a agenda de Manuel Alegre, tentando condicionar o apoio do PS ao seu candidato natural; o que vão fazendo com ameaças veladas de futuro não apoio - como se o seu eventual apoio enobrecesse o PS, alguém ou alguma causa -, indicam que o tempo para a direcção do partido se pronunciar está a chegar ao fim.
A chegar ao fim, bem entendido, se essa mesma direcção ainda quiser evitar uma nova dêbacle eleitoral, uma humilhação de cariz idêntico à que, há quatro anos, quando alheia ao país e ao partido, promoveu a candidatura de Mário Soares. Se for este o sentido do silêncio da direcção do partido então fica compreendido qual o seu tempo e qual a razão para que militantes como José Lello, Capoulas Santos ou Renato Sampaio se permitam fazer afirmações desconsiderantes e que roçam o insulto ao candidato e à inteligência dos militantes, sem que ninguém com responsabilidades, alguém que não dependa do "aparelho" e das gentes do "aparelho" para ter um lugar em S. Bento, à frente de uma concelhia ou de um instituto público para poder ser reconhecido na rua, se pronuncie.
Não será por quererem encostar Manuel Alegre ao Bloco de Esquerda que este deixará de ter a estatura e a dimensão que tem. Ou que o PS deixará de ser o partido que sempre foi, ainda que por circunstâncias conjunturais possa dar a ideia de estar refém das presidenciais e sob sequestro dos seus apparatchiks, sem que a sua classe dirigente mostre ter a força e a coragem, porque é disso mesmo que se trata, de acabar com a vozearia insensata, que até nos assuntos mais prementes se manifesta, em razão de uma tremenda falta de decisão e inabilidade na condução dos processos mais sensíveis, que, em rigor, só serve para desprestigiar o partido, dar cartas às oposições, desvalorizar as presidenciais e enaltecer o papel do actual Presidente da República.
A miopia em política paga-se caro. E com juros muito altos. E normalmente saem ambos a perder: o país e o partido.

quarta-feira, abril 14, 2010

A MAGIA DO TANGO

Por esta magnífica foto de Nacho Doce (Reuters) se percebe a inclinação do Estádio da Luz. E a inclinação, como resulta da posição dos jogadores, é para sul. Houve até quem tivesse que se deitar dentro da baliza para não sair borda fora.
Gente fraca tem sempre que ter alguma coisa a que se agarrar para justificar a sua própria incompetência. Quantos são, quantos são? 26!

domingo, abril 11, 2010

SALVAGUARDAR O REGIME

O caso que aí está é de outra natureza. E é um caso porque reforça a suspeita de que em qualquer negócio do Estado há sempre quem aproveite para meter dinheiro ao bolso. Essa miséria moral endémica, aliada a uma Justiça incapaz de cumprir o seu papel e que alastra a todos os níveis de decisão, comprometendo muitas vezes decisores políticos, é a doença mais grave deste regime que se desacredita processo após processo, sem que ninguém pague por eles” – Fernando Madrinha, Expresso, p. 9

O que Fernando Madrinha lucidamente escreve, mais do que uma simples constatação é, pela força do meio em que o faz e com a acutilância e o desassombro que marcam a diferença entre um espírito acomodado e um homem livre, mais um pungente alerta para a situação em que estamos.
Para o caso, é absolutamente inócuo saber se essa miséria moral endémica de que ele fala é ela própria uma consequência dessa confrangedora incapacidade do poder judicial para se fazer ouvir em termos tais que possa ser reconhecido, respeitado e querido pelos seus destinatários, ou se o poder judicial é o reverso de uma moeda que tem na outra face o rosto dessa miséria moral.
Sabemos que são os homens que fazem as leis e, entre nós, também sabemos que elas são muitas, más, confusas e que obedecem a uma lógica de “motorização da produção legislativa”, para fazer uso da feliz expressão de Carla Amado Gomes, que em nada contribui para contrariar tal incapacidade.
Como escrevia Aristóteles, “de nada aproveitará uma legislação, por muito útil que seja e aprovada unanimemente por todos os cidadãos, se estes não adquirirem os hábitos nem forem educados segundo o espírito do regime estabelecido”.
É que tal miséria moral endémica, ainda para voltar a pegar na obra recuperada por Sula de uma velha cave de Scepsis em 80 a.C., será o resultado de nas democracias os homens se conduzirem de acordo com aquilo que pretendem e, dizia ele citando Eurípides, “para onde o impulso os conduz”, o que será também uma das manifestações da liberdade. Aristóteles dizia ser esta uma situação iníqua, porque “viver de acordo com o estabelecido pelo regime não deve ser considerado uma servidão”.
Mas basta olhar para as nossas elites políticas e judiciais e perguntar ao cidadão comum como as vê para se compreender que hoje o regime vive no limbo. Não no limbo da liberdade ou do caos. Mas num limbo ético e moral que subsiste e fervilha nas secções dos partidos, nos gabinetes técnicos das autarquias, em muitas das sentenças e despachos proferidos no seio das magistraturas, na forma como se fazem e desfazem comissões parlamentares e no seio delas se depõe, no modo como se veicula para o exterior a simples informação do que por lá se passa ou, ainda num outro patamar, no estilo como os visados mais proeminentes comentam as críticas que a seu respeito se ouvem no espaço público.
Enquanto a maioria dos cidadãos deste país considerar que viver de acordo com o estabelecido pelo regime, isto é, de acordo com as suas leis, constitui uma servidão, uma canga que diariamente se suporta nas repartições, nas escolas, nos serviços ou até em frente de uma televisão, canga que anualmente se espelha nas declarações do IRS da maioria dos cidadãos, a salvaguarda do regime terá falhado, terá sido posta em xeque.
E assim continuará até ao dia em que os indigentes éticos sejam expulsos do regime, tarefa que terá de ser feita por todos os homens de bem – porque ainda os há –, que dentro dos partidos, em todos os ambientes e corporações onde essa miséria moral endémica se instalou e minou os alicerces do regime, ainda acreditam que não existem fatalismos.
Não o fazer será tornarmo-nos coniventes com os coveiros do regime e dizermos às gerações mais novas, singelamente, que não há presente porque nos limitámos a matar o futuro.

[também no Delito de Opinião]

sexta-feira, abril 09, 2010

UMA ALEGRIA

Foi hoje publicada a portaria que vai corrigir o défice educacional e civilizacional dos portugueses, ensinar-lhes a comprar submarinos, eliminar a corrupção nas câmaras, e fazer a alegria dos petizes, dos papás e das mamãs. Agora é que vai valer a pena a malta ir à escola.

ISTO É RELEVANTE

Saber que este fulano é sócio do FC Porto não é relevante. Deve haver lá muitos como ele, do mesmo modo como nos outros clubes também há.Marques Guedes fez o que pôde para atalhar a mais este desconchavo, só que já não foi a tempo. E também por isso não retiro uma vírgula ao que antes escrevi sobre o seu papel à frente dessa comissão. Mas é relevante saber que em Portugal uma comissão parlamentar perde tempo a ouvir um tipo dizer estas inanidades. Isso é relevante. E é bom que os portugueses o saibam. Pelo menos para que isto não volte a acontecer.

P.S. Também não me parece bem que o Benfica ande a escrever cartas aos sócios do FC Porto.

quarta-feira, abril 07, 2010

COMEÇAR A PAGAR

Para quem ainda, praticamente, não deu sinal de liderança e tem um congresso pela frente dentro de alguns dias, não deixa de ser curiosa a rápida resposta de Passos Coelho ao convite do deputado Mendes Bota.
Marcar a diferença em relação à liderança anterior é evidentemente importante, tanto mais que a senhora que está de saída não pôs os pés em tão afamada e suarenta festarola. Que isso seja feito neste momento com tamanha prontidão aparenta ser mais de bombeiro do que de líder.
Confesso que tenho muita dificuldade em alcançar como pretende impor-se um líder cujo primeiro acto de liderança, anunciado aos quatro ventos, é garantir a presença no "evento mais carismático e tradicional do PSD no continente de Portugal", como afirma exuberante e palavroso o magnânimo chefe do PSD/Algarve, certamente para gáudio do meu amigo João Carvalho que com esta notícia poderá "rever em alta" as suas perspectivas para o Verão.
Desde Weber que eu sabia da existência de líderes carismáticos. Pela confirmação da aceitação do convite ficamos a saber que o carisma é extensivo a eventos no "continente de Portugal", o que por si só dá uma ideia da incontinência que aí vem.
Dirão alguns que com a chuva que caiu as barragens algarvias estão cheias e que se trata de uma antecipação da silly season. Eu penso que não.
Sabendo dos resultados de Passos Coelho no Algarve, e dos apoios que cada um dos candidatos tinha na região, não custa perceber por onde é que passa o rumo da nova liderança.
Como pôde comprovar Aguiar Branco pelos resultados alcançados, nem sempre o que parece é, e há passeatas, como a que ele fez no Verão passado à Quarteira, que de tão "carismáticas" se podem transformar rapidamente em "asnáticas".
A falta de controlo da verborreia dos acólitos regionalistas poderá não ser um primeiro sinal do carisma que aí vem. Porém, é uma certeza quanto ao local por onde vai começar a ser paga a factura das laranjas.

terça-feira, abril 06, 2010

PARA QUEM PUDER


Está aí mesmo a chegar o 5º Festival de Jazz de Casablanca. Começará a 11 de Abril e durará uma semana. Quem puder ir até ao lado de lá do estreito, o melhor é começar por ver o programa e comprar os bilhetes antes que esgotem.

quinta-feira, abril 01, 2010

TEMPO PASCAL

Não sei se é por ser dia 1 de Abril, mas como penso que há algumas coisas com as quais não se deve brincar, nem no dia 1 de Abril nem nunca, escrevi este post no Delito de Opinião. Para que conste. Espero que passem uma boa Páscoa e que as amêndoas não vos amarguem. Eu voltarei um destes dias.

quarta-feira, março 31, 2010

NOVELA SEM FIM À VISTA?

É o título do pequeno texto que deixei esta manhã no Delito de Opinião sobre o pagamento das viagens da deputada Inês de Medeiros.

CONSELHEIRA REGIONAL DA LOMBARDIA

Chama-se Nicole Minetti, tem 25 anos, e é uma das vencedoras das eleições regionais italianas. Candidata nas listas do partido de Silvio Berlusconi, depois de lhe ter tratado da boca enquanto higienista oral, nem o facto de ser uma adepta do Inter de Milão a impediu de ser eleita.

Quando o Inter ganhou o ano passado o título fez questão de se deixar pintar com as cores da equipa de Mourinho. A Itália pode não ficar mais bem representada, mas ficará certamente mais colorida.

segunda-feira, março 29, 2010

A CARTILHA DAS ANTAS

Domingos Paciência, que foi um atacante mediano e é hoje um belíssimo treinador, quando questionado no final do passado sábado sobre o resultado do jogo Benfica - Braga, para além de não ter visto as oportunidades de golo desperdiçadas por Saviola e Cardozo, veio dizer que o golo de Luisão foi meramente fortuito. Como se houvesse golos fortuitos quando se está no meio da pequena área da equipa adversária, a cinco metros de uma baliza e se remata à procura de um golo. Pior do que isso foi que se tivesse vindo queixar de um golo marcado no final da 1ª parte, bem dentro do tempo de desconto, esquecendo-se que o jogo só termina quando o árbitro apita. Mas mais grave é que tenha considerado ser essa a razão da derrota quando depois o Braga teve mais 45 minutos para recuperar. E que não tenha falado no golo de Alan que deu a vitória ao Braga no jogo com o Olhanense, golo que foi marcado aos 94 minutos. Na altura ninguém ouviu o treinador do Braga queixar-se de que já passavam 4 minutos da hora.

[também no Delito de Opinião]

sexta-feira, março 26, 2010

O DR.PÔNCIO É QUE DEVE TER TIDO A IDEIA

"As penalizações a Hulk e Sapunaru também teriam sido substancialmente mais curtas, caso o FC Porto não tivesse introduzido nos regulamentos no último defeso a regra da suspensão automática. Nesse cenário, os dois jogadores ficariam suspensos por um prazo máximo de 12 dias e, se o inquérito se prolongasse para além dessa data, poderiam continuar a jogar até conhecerem as penas efectivas" - Público, 26 de Março de 2010.

ONDE ISTO JÁ VAI

Se este fulano chegar a presidente da Liga de Clubes, Pinto da Costa já poderá aspirar a ser primeiro-ministro deste país.

PROMETE

Se a capa de uma revista ou a primeira página de um jornal são uma pequena amostra do que virá lá dentro, a edição da GQ que tem na capa Soraia Chaves promete bastante. A GQ já é uma excelente revista. Mas se ao lado dos textos de Miguel Sousa Tavares, Miguel Esteves Cardoso e Maria Filomena Mónica tivermos a Soraia Chaves, o melhor mesmo é o ministro Teixeira dos Santos começar a oferecê-la nas repartições de finanças. Haviam de ver a corrida que era para pagar o IRS e regularizar os atrasos ao fisco.

NOTAS BREVES NO DELITO

Acordei a pensar no Rui Knopfli, no Paulo Portas e em Carlos Drummond de Andrade. Dei conta disso mesmo na minha outra casa, no Delito de Opinião.

quarta-feira, março 24, 2010

MAIS INSÓLITO É DIFÍCIL

Um ganês dá ao seu filho o nome de Silvio Berlusconi, a quem, segundo crê, deve a autorização de residência em Itália. O miúdo tem 5 anos, é adepto do Milan, está convencido que o outro Sílvio é seu avô. O pai, na sua ingenuidade, espera que ele, o filho, venha a fazer política. Daqui a uns anos saberemos se o partido de Berlusconi, il vero, o aceitou nas suas fileiras. Até lá, o Silvio Berlusconi Boahene continuará a brincar e a jogar à bola nas ruas de Modena.

segunda-feira, março 22, 2010

NUNCA SE ESQUECE UM CAMPEÃO

Para mim será sempre o modelo da exigência, do rigor, da responsabilidade, da capacidade introspectiva, da coragem. Foi o único capaz de se superar, capaz de superar os limites do imaginável e voltar depois ao convívio de todos nós com a mesma humildade e a mesma simplicidade. Faria hoje 50 anos. Conheci-o ainda ele andava nos karts e eu sonhava ser também um campeão. Os anos passaram e habituei-me a vê-lo pelas pistas do mundo, na fórmula ford, depois na fórmula 3, em Inglaterra e em Macau, a seguir na fórmula 1, até atingir o firmamento. O Luís Vaconcelos e o Autosport, de onde saiu a imagem que ilustra este post, prestam-lhe uma bonita homenagem. Eu não poderia ficar indiferente. Nunca se esquece um campeão.

[também no Delito de Opinião]

PROVINCIANISMO

O João Carvalho já tinha feito o favor de sublinhar. Mas eu confesso que é algo que ultrapassa a minha capacidade de compreensão.

Jesualdo Ferreira sempre me pareceu um homem sério e razoável, que via futebol com alguma distância e suficiente capacidade de análise para perceber quando é que a sua equipa jogava bem ou jogava mal. Saiu do Benfica da forma que nenhum treinador gosta, mas depois disso fez um bom trabalho em Braga, antes de ingressar no FC Porto.

O problema é que à medida que os anos foram passando, Jesualdo foi-se tornando mais num adepto dos Superdragões do que num treinador de futebol com estatuto e currículo. Começou a não fazer as digestões e de cada que a sua equipa não rendia queixava-se da arbitragem e de tudo e mais alguma coisa. As entradas violentas e à margem das leis do jogo de Bruno Alves, de Meireles e de muitos outros, incluindo Rodriguez, passaram a ser sempre perdoadas. A culpa era dos outros.

Esta época, depois de perder com o Sporting, de ter feito um jogo miserável com o Olhanense e de ter levado 5 do Arsenal, veio dizer que a culpa era do cansaço.

Ontem o FC Porto encaixou mais 3 de um Benfica que vinha de duas deslocações difíceis à Madeira e a Marselha, onde despachou um dos grandes de França com toda a limpeza na 5ª feira passada. Se alguém se podia queixar de cansaço nesta altura era o Benfica.

No Estádio Algarve, a equipa de Jesualdo Ferreira levou um verdadeiro banho de futebol, não conseguiu construir uma jogada que se visse de bom futebol, beneficiou da escandalosa complacência do árbitro, árbitro do Porto, convém não esquecê-lo, que abusou da dualidade de critérios, sempre em prejuízo do Benfica, manteve em campo Bruno Alves - tenho vergonha como português de ter um tipo destes na selecção nacional - depois das violentíssimas entradas sobre os jogadores do Benfica, e ainda mostrou cartões amarelos com o maior despropósito, como aconteceu com Aimar.

No fim, Jesualdo Ferreira veio dizer que "nenhuma equipa se superiorizou à outra". Pois não, mais 3 ou menos 3 é exactamente a mesma coisa. A isto chama-se provincianismo, pequenez, mediocridade. As gentes do Porto mereciam melhor.

sexta-feira, março 19, 2010

APLAUSOS, MUITOS APLAUSOS

Para Isabel Alçada e Jaime Gama. A primeira pela volta que pretende dar ao regime das faltas dos alunos, pelo seu empenho em querer restaurar a autoridade onde ela faz mais falta, dentro da escola, e reforçar a intervenção preventiva da escola e dos seus responsáveis nos casos de violência. O segundo porque ao contrário do que alguns pensam não acordou mal disposto e fez aquilo que se espera de um presidente da Assembleia da República. Quem nasceu e foi criado na liberdade, na responsabilidade e no respeito, e não necessariamente por esta ordem, não pode deixar de entender e de aplaudi-los.

[também aqui, no Delito de Opinião]

CADERNO DE MEMÓRIAS COLONIAIS

Francisco José Viegas, Eduardo Pitta, Gustavo Rubim e muitos mais, em termos que eu nunca serei capaz de dizer, já enalteceram a obra. Eu só agora a consegui ler. Podia ter sido o meu caderno se eu fosse mulher, se eu tivesse vivido em Lourenço Marques e se fosse filho do pai dela. Mas eu, que por mero acaso saí da Beira antes do 25 de Abril e fui apanhado pela revolução, encontrei sempre aí, nesse destino, o motivo para responder quando alguém, sabendo as minhas origens, pretendia catalogar-me de "retornado". Nessa altura eu andava no liceu Camões e ia ouvindo os relatos do que por lá se passava com outros do meu sangue. Apesar de tudo, a Beira foi sempre diferente. Mesmo com a eufemística DGS, o ambiente sempre foi mais aberto, mais tolerante, menos violento. A oposição democrática tinha aí outra força, outro saber. As pessoas tinham outra maneira de estar. E talvez até de dizer.
A linguagem é crua, por vezes mesmo violenta, convém dizê-lo. Não há paninhos quentes nem lamechiche. Mas está lá tudo. O cheiro das pessoas, a cor da terra, o hálito do ar, as brincadeiras de criança. Numa prosa esamgadora, que se quer lida e relida. Com muita atenção. Em especial por todos aqueles que nunca conheceram África. E nunca a hão-de conhecer.

"A metrópole era suja, feia, pálida, gelada. Os portugueses da metrópole eram pequeninos de ideias, tão pequeninos e estúpidos e atrasados e alcoviteiros. Feios, cheios de cieiro, e pele de galinha, as extremidades do corpo rebentadas de frio e excesso de toucinho com couves. Que triste gente! Divertiam-se a mofar connosco, atirando-nos à cara que estava difícil, pois estava, que aqui não havia pretinhos para nos lavarem os pés e o rabinho, tínhamos de trabalhar, os preguiçosos de merda, que nunca fizeram a ponta de um corno pela vida, que nunca souberam o que era construir uma vida e perdê-la, os tristes, os pequeninos, os conformados. Sabiam lá eles o que eram os pretos, e o que éramos nós e o que tínhamos acabado de viver, cobardes filhos de uma puta brava. Insignificantes cabrõezinhos, se eu havia de dizer a verdade, se eu havia alguma vez de dizer a verdade. Os lerdos das ideias, lentos, com conta no Montepio, doentes dos olhos por olhar de viés para esses gajos que vêm cá roubar o pouco que é da gente, que a gente cá tem, esses retornados, tão altivos como príncipes que perderam o trono, e que hão-de recuperá-lo, julgam eles, oh, se não!, porque nada atiça as ganas como perder, e perder bem, à americana. Tão feios, tão pobres de espírito esses portugueses que ficaram, esses portugueses de Portugal, curtidos de vinho do garrafão. Feios, sombrios, pobres, sem luz no rosto nem nas mãos. Pequenos".

Infelizmente, ainda há muitos assim. Mas um dia isto muda.

DROIT AU BUT

L'Olympique de Marseille a finalement obtenu son droit au but.

OLYMPIQUE MARSEILLE -1 BENFICA - 2

Um ambiente de sonho, uma pressão incrível, uma exibição fantástica. Exibição de classe, diz a UEFA, "L'OM s'est écroulé", escreve o La Provence. Nada disso. Foi apenas uma derradeira e justíssima homenagem ao Julinho, o herói da Taça Latina. Ele merecia um jogo assim. E nós também.

quarta-feira, março 10, 2010

LEITURAS

Um dos novos que sabe escrever português de gente e merece ser lido.

O ANTES E O DEPOIS

O regresso de Londres pela pena magnífica do Henrique Monteiro e aqui reproduzido com a devida vénia.
A caminho do Emirates Stadium com a serôdia cagança dos Supermorcões.

sexta-feira, março 05, 2010

DE FACTO, ELE TEM RAZÃO

Sim, na verdade, muitos há que extravasam largamente aquilo que é o desempenho da sua actividade profissional, fazendo mais do que papéis para o fisco. Não são os únicos. De actas de sociedades a contratos de trabalho e de arrendamento, mediação imobiliária, contratos de sociedade, partilhas, aconselhamento jurídico e por aí fora, há quem faça de tudo e sem qualquer controlo. Mas só o fazem porque vivemos num país de brandos costumes. E quando a coisa dá para o torto mandam os clientes para o advogado. Pode ser que com a Ordem as coisas melhorem e haja menos gente a queixar-se.

INSÓLITO

(foto Correio da Manhã)

Graças a este vídeo da Lusa, mesmo quem não esteve lá pôde ter acesso às imagens desta baleia-de-barbas que hoje deu à costa em Quarteira. É mais uma a juntar às demais baleias, lontras e focas, das mais diversas origens, formas e feitios, que de fio dental infestam aquelas águas e areias durante os meses de Verão. Por essas e outras é que aquela outrora simpática vila piscatória está cada vez mais parecida com o Entroncamento, outra terra de fenómenos.

FANTÁSTICA EDIÇÃO

A edição de hoje do Público, que me foi graciosamente oferecida no quiosque onde habitualmente compro os meus jornais, é para guardar. Não só porque assinala os 20 anos do jornal, mas porque foi excepcionalmente dirigida por António Barreto e contém um conjunto de textos e de números absolutamente imprescindíveis. No entanto, como não posso aqui colocar todo o jornal, escolhi para aqui vos deixar a coluna de Vasco Pulido Valente. VPV é de todos os que escrevem no jornal aquele que melhor reflecte o seu espírito. Goste-se ou odeie-se a sua opinião, a sua escrita limpa, depurada e cristalina e a actualidade dos temas escolhidos fazem dele um dos incontornáveis da nossa democracia. Vinte anos depois é impossível pensar o Público sem VPV. É impossível discutir e pensar a actualidade da nossa vida pública sem conhecer os textos do VPV. A crónica de hoje é a melhor homenagem que ele poderia prestar ao jornal, ao país e, por estranho que possa parecer, ao PSD.

VINTE ANOS

Associo-me hoje aos 20 anos do Público e a tudo aquilo que o jornal nos tem proporcionado nestas duas décadas. Com todos os defeitos que se lhe possam apontar, é inegável que o jornal se impôs pela qualidade da análise, pela profundidade dos seus textos, pelo nível da maioria dos seus textos e excelente nível dos seus articulistas. Habituei-me a ver no Público uma opinião plural e mesmo quando alguns textos revelavam falta de objectividade e de isenção, não confundi a posição e o mau trabalho desse jornalista com o jornal. Vinte anos depois, como leitor atento e interessado, tenho de agradecer ao Eng. Belmiro e aos accionistas do jornal os excelentes momentos de leitura que me deram, a oportunidade da informação e o contributo que deram para a consolidação democrática e aprofundamento do espírito de cidadania e intervenção da uma opinião pública mais consciente. De tudo, lamento apenas a posição assumida pela sua direcção aquando da declaração de guerra ao Iraque, pelos efeitos nefastos que isso teve para todos nós. Mas seguramente que não será esse pecadilho, que acredito tenha sido gerado por pura convicção, com tudo o mais de bom que aos portugueses foi oferecido. O Público está por isso mesmo de parabéns e espero que dentro de vinte anos possamos comemorar a sua entrada na meia idade. O facto de ser hoje dirigido por uma mulher significa que o jornal já passou o Rubicão, amadureceu e tornou irreversível o seu compromisso com a liberdade e a modernidade.

quinta-feira, março 04, 2010

A LENDA

Aproveitando a lembrança do João Carvalho e a magnífica foto do 8C, bem como o lançamento do novo Spider, aqui fica mais alguma coisa sobre uma das minhas favoritas. Nasce-se alfista e ferrarista como se nasce benfiquista. O resto é conversa.

quarta-feira, março 03, 2010

FOI PARA O DELITO

A ficção foi para o Delito de Opinião. Aqui, como já devem ter reparado, começa a só haver lugar para a realidade e o sonho.

SEM PALAVRAS

É assim, lindíssimo, fulgurante, com curvas únicas e duplamente confortáveis. É a magia do novo Spider da Alfa Romeo. Aqui na casa já se pensa no dia em que ele chegará ao stand. Quem quiser saber mais sobre esta nova máquina de Pininfarina é só clicar aqui.

terça-feira, março 02, 2010

LEITURAS

"O epicentro do terramoto está no Norte ou está no Sul? Mas eu oiço a terra tremer. Às vezes, enjoo. Às vezes, o tremor dura mais do que o normal e as pessoas põem-se debaixo das portas ou das escadas ou saem a correr para a rua. Isto tem solução? Vejo as pessoas a correr pelas ruas. Vejo as pessoas a entrar no metro e nos cinemas. Vejo as pessoas a comprar o jornal. E às vezes estremece e tudo fica parado por instantes. E então pergunto-me: onde está o jovem envelhecido?, porque se foi embora? e, pouco a pouco, a verdade começa a emergir como um cadáver. Um cadáver que sobe do fundo do mar ou do fundo de um barranco"
"Pela minha cabeça passaram imagens absurdas que faziam mal. Pensei propor a Ingeborg partimos para o Sul, até Andaluzia, ou que fôssemos a Portugal, ou que, sem traçarmos qualquer rota, nos perdêssemos pelas estradas do interior de Espanha, ou dar um salto até Marrocos..."Agora que saiu "O Terceiro Reich", na esteira do aclamado 2666, nada melhor do que antes recordar o "Nocturno Chileno", primeira obra de Bolaño editada entre nós, que data de 2000 (Gótica) e pela qual melhor se compreende a razão para a vida ser "uma sucessão de equívocos que nos conduzem à verdade final, a única verdade".

domingo, fevereiro 28, 2010

FUERZA, CHILE

Quando uma coisa destas acontece, quando tudo rui, a fé deve ser mesmo a única coisa a que uma pessoa se pode agarrar. Esta foto vale mais que mil palavras e a única coisa que aqui posso dizer é Fuerza, Chile.

CINCO PERGUNTAS APENAS

Como perguntar não ofende, deixei aqui ficar cinco perguntazinhas, a ver se alguém me dá uma resposta satisfatória. É nestas alturas que a minha militância e a admiração por Cícero me impedem de ficar em silêncio.

CONTINUA A CRISE

Para os lados da EDP. Pelo que vi hoje na televisão, só lá para cima é quase um milhão de consumidores a queixar-se. Bastam meia dúzia de rajadas e um pouco de chuva para a rede vir por aí abaixo. E é esta uma empresa de referência. E de excelência, dizem eles. O que seria se não fosse.

P.S. O que está hoje a acontecer só reforça o que aqui escrevi.

DIA DE ANIVERSÁRIO

(A Bola)
É aqui que se celebra, com uma prenda a condizer (SLB-4 Leixões-0), mais um aniversário do glorioso Sport Lisboa e Benfica. Mas não podia deixar de ser recordado também aqui. Para quem não seja muito dado à estatística, numa semana foram só 8 (oito) golos sem sofrer nenhum. Não há granizo nem chuva que pare o Benfica. E hoje vamos todos estar de taça na mão a ver os outros esgadanharem-se.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

BOA FÉ

É um dos princípios basilares do nosso Direito.
A pedra de toque de qualquer negociação para gente séria e honrada, para gente com uma ética acima de qualquer suspeita.
Mas se isto que aqui está entre aspas for verdade ("A ideia", explica, "era que Figo gravasse um vídeo publicitário no primeiro ano - e as principais coisas da campanha - e depois denunciava-se o contrato para não lhe pagar o acordado, nos restantes anos.") isso ainda desqualifica mais quem um dia o PS permitiu que fosse gente.

MEMÓRIA CURTA

Ele sofre do mesmo mal que sofre o País.
Ainda não foi eleito líder do partido e aos poucos vão-se sabendo as verdades que queria esconder. Porquê? Será que sente vergonha do facto de ter sido militante do CDS/PP durante cerca de 3 anos? Que diabo, não foi propriamente uma inscrição feita na adolescência, quando a barba começava a despontar, mas uma opção numa idade em que já era presumível alguma maturidade. A não ser que Rangel considere que aos 28 anos ainda não tinha acordado para a política.
Depois de ter enganado os eleitores e ter criticado outros candidatos, dizendo que estaria de pedra e cal em Bruxelas; depois de há 3 meses ter reafirmado que queria ficar em Bruxelas e de assegurar a todos que estava empenhado nesse projecto; depois de muito ter criticado o primeiro-ministro e de lhe ter apontado falhas de carácter; depois de ter dito que não se recordava se tinha chegado a estar inscrito no CDS, eis mais dois factos que abonam muito pouco o carácter (já que é este um dos pontos essenciais em que ele quer fazer assentar as diferenças em relação a José Sócrates) do candidato a líder do PSD.
Paulo Rangel não só esteve inscrito no CDS/PP como depois formalizou a sua renúncia e reafirmou essa decisão em 2002. Como é possível que se tenha esquecido disto?
Eu já tinha percebido que o estilo cantinfleiro por ele cultivado não augurava nada de bom. Quem ainda não tinha certezas pode começar a tê-las. Rangel é apenas mais um disposto a tudo para chegar onde sonha, nem que para isso tenha que mentir e enganar os portugueses.
Quem mente por tão pouco, que por tão pouco procura esconder a verdade dos factos, até onde poderá chegar?
Pacheco Pereira, que tanto tem atacado o carácter de José Sócrates, poderá sair a terreiro para justificar estas "falhas de carácter" de Paulo Rangel, poderá vir desvalorizá-las. Mas os militantes do PSD que dentro de dias escolherão um novo líder não poderão depois vir dizer que não foram avisados. Pela boca morre o peixe.

[também no Delito de Opinião]

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

QUE NINGUÉM FALTE À CHAMADA

No próximo dia 23 de Fevereiro, pelas 17 horas, a UEFA e Michel Platini vão homenagear Eusébio. Eu não faltarei à chamada e espero que a casa esteja cheia e vestida de gala, como convém quando se recebem os reis que são eternos.

ESTES TIPOS SÃO DOIDOS

É ESTRANHO?

O melhor é ele ir-se habituando à estranheza. Agora com todos os planos que aí estão a ser preparados de combate à corrupção e pela transparência, deverá ser mais difícil aos senhores do apito irem de férias para o Brasil com tudo pago ou frequentarem os bordéis galegos com a impunidade de outrora.

UMA PERGUNTA PERTINENTE

Poder-se-á não concordar com a conclusão, mas sendo a pergunta pertinente eu estaria tentado a dizer que estamos no final de mais um ciclo. O tempo vai correr célere até às presidenciais e depois novos dias chegarão.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

PARA PRESIDENTE NÃO ESTÁ MAL...

Via Albergue Espanhol e Carlos Abreu Amorim, cheguei aqui. Depois do interviu do Dr. Mendes Bota, faltava o "façarei" do Prof. de Economia. O Manuel Alegre deve ter ficado pasmado ao ouvir o Presidente conjugar o verbo desta forma.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

DISPONIBILIDADE

Só espero que esta inusitada disponibilidade demonstrada por Joe Berardo para adquirir a golden share do Estado na PT não seja parte do enredo. Não é por nada, mas a gente já não sabe quando é que se trata de vontade empresarial genuína, de um jeito, de um verdadeiro negócio ou do simples pagamento de favores. A coisa começa a tresandar.

E NÃO É POR SER CARNAVAL

Algumas considerações sobre o polvo e o regime estão no Delito de Opinião.

domingo, fevereiro 14, 2010

PASSAR PELO DELITO

Publiquei mais dois textos no Delito de Opinião. Quem o quer tramar? e Ele desta vez tem razão são os títulos respectivos. Para quem estiver interessado.

SEM COMENTÁRIOS

"Para começo de conversa: a liberdade de imprensa não está em perigo em Portugal. Obviamente. Quem o diz, quem organiza petições online e mnifs, nunca antes, quando o perigo real existiu, se fez ouvir. Não há um único grande jornalista português que ande por aí aos gritos em defesa da liberdade pretensamente ameaçada. Não conheço ninguém que não diga e não escreva o que quer e que não tenha tribuna para ser escutado. Sim, há, como haverá sempre, os que têm medo, os que hesitam e os que medem as consequências: mas a cobradia individual não é defeito público. Convém, pois, não confundir liberdade com irresponsabilidade, não confundir vaidades individuais, desejos de protagonismo e aproveitamentos políticos com a situação real, como um todo";

"Mal, muito mal, andou, pois, Paulo Rangel, com aquele seu infeliz, quase ridículo, discurso no Parlamento Europeu, querendo justificar num minuto a ditadura que se viveria em Portugal. (...) exagerou, generalizou, mentiu. Fiquei a pensar que, se é este o amigo da liberdade de imprensa, que avancem os inimigos";

"Nada, jamais, me fará deixar de lado o nojo que me causa a revelação destas 'verdade' arrancadas à custa da divulgação de conversas telefónicas ou presenciais privadas, do atropelo sem vergonha do segredo de justiça";

"Já faltou mais para que, qualquer dia, tenhamos os dirigentes sindicais dos magistrados a ditarem sentenças que devem ser aplicadas";

"E, preto no branco: no lugar do director do 'JN', José Leite Pereira, eu também não teria consentido a publicação da crónica de Mário Crespo. Porque não aceito como regra deontológica do jornalismo, a publicação de notícias fundadas numa fonte anónima que escutou conversas privadas, mesmo em local público. E porque também não o aceito como regra de educação. Nunca o fiz e nunca o farei - e também o poderia fazer abunddantemente. E sinto asco quando vejo o director do 'Sol' vir agora revelar o suposto teor de uma conversa com Sócrates, num almoço em que foi como convidado a S. Bento e onde o PM lhe teria feito confidências gravíssimas. Com gente desta não quero almoçar. (Não deixo, aliás, de achar extraordinário que o mesmo 'Sol' ande aí a gritar aos quatro ventos que o Governo português quis comprar a sua liberdade, aproveitando as dificuldades financeiras do jornal, quando, tanto quanto sei, eles se abriram, directa ou indirectamente, aos dinheiros do mais corrupto Governo do planeta)".

Miguel Sousa Tavares
, no Expresso de 13 de Fevereiro de 2010, "Oito passos em direcção ao fim".

ANTÁRCTIDA 2010

Continuam a chegar imagens fantásticas da expedição do Miguel Lacerda à Antárctida. Quem quiser ver as fotos é vir até aqui.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

KUNG HEI FAT CHOI

Um Próspero Ano do Tigre é o que desejo a todos os leitores deste blogue e ao meu país, que bem precisa.

COM QUE ENTÃO O CARÁCTER?

(graças ao Blasfémias)

Para quem tanto criticou o carácter dos outros, o excesso de protagonismo, o populismo, o arraial, não deixa de ser curioso vê-lo agora a apelar à desistência de Aguiar-Branco. Rangel quebrou uma promessa eleitoral três meses depois de ter garantido a Judite de Sousa, peremptoriamente, que não seria candidato e que estava interessado em cumprir o contrato que celebrara com os eleitores por ocasião das eleições europeias. Fê-lo depois de uma espaventosa declaração em Bruxelas, para inglês ver, com a qual não se importou de denegrir, miseravelmente, a imagem internacional de Portugal, colocando-a ao nível do Burundi, para dois dias depois, em plena discussão do Orçamento de Estado na Assembleia da República, vir anunciar a sua candidatura à liderança do PSD, única forma para tentar tirar o tapete a Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado e que há muito preparava a sua própria candidatura. Se estes são os métodos que JPP aprova, percebe-se hoje melhor a energia com que criticava o carácter dos outros. Mentiroso? Não, apenas mais um chico-esperto.

MAIS UMA D' IL CAVALIERI

O primeiro-ministro albanês está de visita a Itália e foi recebido por Berlusconi no Palazzo Chigi. Como já vem sendo habitual, depois de dizer que o seu homólogo falava italiano porque o tinha aprendido pela televisão, quando aquele se referiu ao problema dos albaneses que saíam clandestinamente do seu país em frágeis barcaças, à procura de uma vida melhor, sublinhando ser seu objectivo acabar com as mortes no canal de Otranto e pôr termo aos fluxos criminais em direcção a Itália, cometeu o lapso de falar em "moratória" no masculino, quando em italiano a palavra é feminina. Logo Berlusconi o corrigiu, esclarecendo que a palavra era feminina mas que Berisha era um macho e pouco depois acrescentava que em matéria de clandestinos seria aberta uma excepção para as embarcações onde viessem albanesas, porque são umas "belas mulheres". Assim, sem mais nem menos, rematando com um "si sa chi sono single". O Carnaval chegou em força. Quem quiser saber o resto poderá fazê-lo aqui.

LIBERDADE DE IMPRENSA

Foi para aqui. Mas também está neste blogue. Como sempre, aliás, mas sem comentários.

LOGO VI...

... que este gajo tinha de ser do Porto. E logo dragão de ouro! Está explicada a razão para tanta desgraça: continuam a ser escolhidos a dedo. Razão tem a Ana Gomes: "Com bóis destes, para que servem ao PS os boys?".

NÃO HÁ NADA COMO A LIBERDADE DE IMPRENSA

Desta vez é que eles ultrapassam o Expresso. Não há nada como encontrar um filão para salvar a mediocridade da falência. Bem podem agradecer a José Sócrates e a todos os incompetentes que já enterraram o PSD e estão agora a enterrar o PS e a democracia portuguesa.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

COERÊNCIAS

Estão aqui e aqui.

POSE

Foi assim em Alvalade, logo depois do apito inicial. Eram verdes mas marcharam. No final, como sempre, a culpa foi do outro.

ATÉ QUE ENFIM

Já Pedro Passos Coelho o tinha defendido. Depois veio o inefável Paulo Portas falar no mesmo. Finalmente, uma voz respeitável e respeitada veio dizer o óbvio, pondo os pontos nos "is". Querer baixar os ordenados dos políticos num país que na sua grande maioria tem políticos pouco qualificados, significa apostar num empobrecimento ainda maior da classe política. Se os salários dos titulares dos cargos políticos já são notoriamente baixos, atentas as respectivas responsabilidades e se comparados com os salários de administradores e gestores de empresas e institutos públicos ou privados, querer baixá-los apenas para satisfazer a ira da populaça contra a miséria que grassa, é perfeitamente hipócrita. Hipócrita, cretino e demagógico. Se queremos mais e melhores políticos, se queremos gente mais competente, mais profissional, mais qualificada e que não seja permeável ao tráfico de influências e à corrupção, então temos é de aumentar-lhes os salários, de lhes dar condições mais atractivas. E se for preciso reduzir o número de políticos profissionais, passando os deputados a metade, que seja feito. Já chega de ter em S. Bento dirigentes desportivos, políticos carreiristas das "jotas" e licenciados em relações internacionais, semi-ignorantes, formados em universidades privadas como quem faz pipocas para depois passarem a ser tratados por "dr" e se darem ares de gente importante.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

AGORA PERCEBEMOS MELHOR

Quando ouvi o presidente do SCP aqui há uns tempos dizer em plena conferência de imprensa que não se sentia "corno", confesso que não percebi. Mas hoje ao ler esta notícia começou a fazer-se luz. Pois é, ele não se sente, mas provavelmente preferiria. Se assim fosse já não teria de dizer que "infelizmente" estava ao corrente.

LIDERAR PELO EXEMPLO

Aquilo que nos últimos dias se tem dito e escrito, e em especial transcrito, não pode deixar de ser visto e devidamente enquadrado à luz dos exemplos que ao longo dos anos nos têm chegado.
A utilização que tem sido feita do aparelho de Estado, das maiores e melhores empresas do país e dos partidos para a promoção de interesses privados, vaidades pessoais e distribuição de caramelos, não pode ser dissociada de tudo o que está a acontecer.
A transcrição das escutas à revelia do poder judicial, o relato escabroso de conversas privadas, a manipulação e utilização da comunicação social como meio para se atingir fins que de outra forma dificilmente seriam alcançados, não são nada de novo neste país e não começaram com nem por causa do actual primeiro-ministro.
A descredibilização do poder político é, também ela, indissociável do abastardamento da função legislativa, de um nepotismo disfarçado que invadiu todos as sectores da nossa vida pública, do recrutamento político ao empresarial, que tomou conta de vastas áreas da actividade bancária e que só não minou de vez a credibilização e o prestígio das Forças Armadas porque esta instituição, com todos os seus defeitos e apesar do conúbio de algumas das suas elites com as negociatas privadas, soube manter-se de certa forma impermeável ao que em seu redor ia acontecendo.
O que hoje acontece em Portugal não é diferente do que aconteceu, numa escala mais reduzida, na Macau dos anos oitenta e noventa do século passado. A interferência do poder político na comunicação social sempre foi uma constante. A aquisição e venda de jornais, a detenção de jornais por membros da classe política afecta ao poder, a instrumentalização da rádio e das televisões, o silenciamento dos opositores ou das simples vozes discordantes, sempre foram normais. Ainda esta semana José Pedro Castanheira o recordava nas páginas da Revista Única. Nomes como os de Fernando Lima ou Afonso Camões fizeram parte desse universo logístico de que o poder se serviu para fazer passar a sua mensagem. Por vezes sem qualquer suor, mas com muito sangue e algumas lágrimas.
E o que se passou na comunicação social, que inclusivamente envolveu a instrumentalização e contratação de jornalistas e a realização de vultuosos investimentos, sob a forma disfarçada de publicidade e de cadernos promocionais em jornais nacionais fora do território, bem como o financiamento da produção de programas televisivos, aconteceu também com empresas públicas, participadas e nalgumas privadas.
Muitos do que hoje falam contra o controlo da comunicação social em Portugal foram então instrumentos do poder político em Macau e mantiveram-se silenciosos quando a Amnistia Internacional chamava a atenção para o que se estava a passar.
Como tudo o que é ruim, essa mesma gente, e outra do mesmo jaez, tendo conquistado posições de poder e influência, metastizou-se em Portugal, penetrou a sua sociedade civil, tomou conta dos partidos e das instituições, apoderou-se do aparelho do Estado, e nele vão medrando independentemente de quem transitoriamente está no poder.
Falar alto em restaurantes não é pior do que ter o telemóvel a tocar nesse mesmo restaurante, em cerimónias públicas ou no cinema, e nesses locais atendê-lo permitindo que o vizinho do lado ouça o que se está a dizer, incomodando tudo e todos com tais modos e displicência.
Quando se olha para as notícias e se recorda, por exemplo, as agressões de um jogador de futebol a um seleccionador nacional, ou as agressões destes, verbais e físicas, a jogadores, jornalistas e até simples comentadores televisivos e a forma como depois a hierarquia reage, desculpando, ignorando, tolerando e protegendo, não há que estranhar a publicação de escutas, o arquivamento de processos, o ror de anos que demora a instrução de alguns até atingir a prescrição ou que haja membros da magistratura ou das forças armadas metidos nos negócios da bola, da comunicação social ou na aquisição de equipamentos. O "comissionismo" e a cobrança de favores são desde há muitos anos as actividades mais rentáveis deste país, e com profissionais em todas as áreas da nossa vida pública.
Por tudo isto é que quando há dias vi o último filme de Clint Eastwood, dei comigo a pensar no quão fácil seria mudar este país. Portugal não tem um Nelson Mandela, não tem um François Pineaar, e muito embora tenhamos os Lobos e Tomás Morais, a nossa tradição na oval não nos permite sonhar que eles tenham a capacidade aglutinadora dos Springboks, por muito grande que fosse a sua vontade.
Clint Eastwood, que não perde uma oportunidade para nos continuar a dar com a mestria só ao alcance dos génios verdadeiras lições de vida, voltou com Invictus a colocar o dedo na ferida.
A única liderança capaz de se afirmar e de poder levar um povo a lutar contra a adversidade, a contrariá-la, a rasgar novos caminhos contra a razão que outros quiseram dar ao seu próprio destino, forçando-o, como cantava o poeta, em cada esquina, em cada cruzamento, é aquela que se impõe por si, a que se impõe pelo exemplo, pelo trabalho, pela coragem, pela perseverança, mas também pela sua liberdade, independência, espírito crítico e capacidade de introspecção. É verdade aqui como é verdade em Carmel, em Itália, em França ou noutro lugar qualquer.
Enquanto não tivermos a humildade de reconhecermos isto, de nos convencermos, e aos que nos rodeiam, que não existe outro caminho; enquanto não tivermos elites que assim pensem e gente a comandar os destinos das instituições deste país com esse espírito, não servirá de nada andarmos para aqui a escrever, votarmos de quatro em quatro anos ou desfilarmos pela Avenida da Liberdade em defesa da liberdade de expressão e pelo direito à livre opinião. Porque os que hoje clamam por esses inalienáveis direitos, tirando os bem intencionados que sempre aparecem nestas ocasiões, são os mesmos que ontem silenciaram e ignoraram quando os mandaram como correspondentes para Nova York ou Bruxelas ou lhes deram um contrato em Macau; são os mesmos que confundem tolerância com subserviência; são os que hoje bajulam para amanhã recriminarem quando lhes tirarem o prato de lentilhas. Não sejamos hipócritas: Crespo, Moniz ou Moura Guedes não são melhores do que o José Saramago que foi director do DN ou do que o Fernando Lima que foi director do Centro de Informação e Turismo do Governo de Macau, chefe de gabinete de Martins da Cruz, director do mesmo DN ou é assessor político do Presidente da República. Da mesma maneira que o Carlos Queirós que em Moçambique apoiou a Frelimo e criticou os que fugiam ao regime no tempo de Samora Machel não é melhor do que o Scolari que agredia jogadores ou daquele outro que ainda agora ofendeu um comentador televisivo em pleno espaço público e à vista de todos para depois se desculpar dizendo que tudo não passou de uns empurrões, aparentemente "normais" porque o agredido era seu conhecido há mais de vinte anos.
Em causa não está uma qualquer cultura de tolerância. Nem a democracia ou a liberdade é posta em risco porque meia dúzia de atabalhoados, cretinos e almas servis a isso se predispõem.
Em causa continua a estar, como sempre esteve, o haver gente capaz de liderar pelo exemplo, o de haver gente capaz de dizer "sou senhor do meu destino, capitão da minha alma", sem para isso ter de descer a Avenida da Liberdade, ir para a rua defender o República ou a Rádio Renascença, assinar manifestos, dar palmadinhas nas costas do primeiro que lhe aparece ou ter de se esforçar para ser entrevistado durante o primetime teelvisivo para se poder afirmar entre os seus. E de haver dentro dos partidos quem esteja disponível a ser escolhido pelo exemplo, não iludindo o passado ou as fraquezas; e quem esteja disposto a escolher pelo exemplo. E não pela manjedoura ou pelo clã.
As coisas são bem mais simples e muito menos maquiavélicas do que aquilo que possam parecer.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A AVENTURA COMEÇOU

Tal como prometido, aqui estão notícias da grande aventura austral. Quem quiser ir vendo as fotos do Miguel Lacerda no Quebramar Dive in Antarctica 2010 pode ir até aqui. O dia-a-dia está na página da Quebramar no Facebook. Essa foto já é dele e assinala a sua embarcação no porto de Ushuaia. Força, Miguel!

PASSA POR AQUI

A solução para a crise continua aqui, ao semear da mão. Não há ainda petróleo, mas é já como se houvesse.

NEM MAIS

"O que está em causa não é a aversão a Jardim. No actual estado do país, mudar a lei é abdicar de princípios básicos de rigor fiscal e de equidade territorial. Mais importante do que as finanças da Madeira é a agonia do interior. Mas aí não há um Jardim para causar alvoroço" - Manuel Carvalho, in Público.