quarta-feira, novembro 25, 2009

O DESFILE DOS ANJOS

(imagem do portal MSN)
Chamaram-lhe desfile dos anjos. Para o caso até nem será o mais importante, mas felizmente que estes têm sexo. Por momentos ficam todos autorizados/as a esquecerem-se da crise, do desemprego, do défice, das escutas, das promoções na Presidência da República ou do desastre que está a ser para a Justiça o caso "Casa Pia". O resto está aqui. Deliciem-se.

segunda-feira, novembro 23, 2009

AS OUTRAS TAMBÉM NÃO DETECTARAM NADA

Quando for grande também vou querer ser auditor.

A TIRO ERA MAIS FÁCIL

O Zé Povinho já está habituado a que assim seja, mas quer-me parecer que há aqui uma grande desfaçatez do senhor governador do Banco de Portugal. Bem sei que o aumento de impostos é o caminho mais fácil, mas se em causa está estimular a economia, não percebo como tal será feito tirando mais dinheiro a quem já pouco tem e mais não tem feito do aguentar crises e, ultimamente, também pagar os erros da supervisão. As nossas crises e as dos outros e os erros dele e dos seus homens.

UM (L)AZARETTI DOS DIABOS

Com um palco destes e tantos diabos à solta, só mesmo um (L)azaretti dos diabos é que podia trazer os rapazes à Terra. A eles e ao respectivo treinador. Ainda bem que assim foi. Pelo menos, por agora, as coisas começam a ficar mais claras quanto a algumas opções (?) tácticas (Júlio César, Maxi Pereira, Weldon, Filipe Menezes e Nuno Gomes no banco, Ruben Amorim a lateral, Ramires na asa esquerda, Di Maria à direita, e um tal de Keirrisson a ver se percebia de onde é que as bolas vinham). E a certeza de que para inventar já bastava o iluminado Quique Flores. Venha o próximo.

quinta-feira, novembro 19, 2009

LA MAIN DE LA DUPERIE

Se houvesse justiça no mundo, a selecção francesa de futebol e Domenech ficariam em casa a ver o Mundial de 2010 pela televisão. A FIFA tinha a obrigação de tomar medidas. Michel Platini devia ser o primeiro a mostrar-se envergonhado. Quem jogou como ele jogou, com a classe e o fairplay que esta selecção francesa e o seu treinador não têm, quem diz defender a verdade desportiva e lutar contra a corrupção no futebol não pode ficar indiferente. O afastamento da República da Irlanda é uma mancha num campeonato cuja fase final ainda nem começou.

NORMAL

Quem leia esta notícia é capaz de pensar que certamente se tratou de um caso pontual. Mas se foi não resiste a uma análise um pouco mais profunda. A forma como todas essas coisas se processam na nossa Administração Pública, muito particularmente na área em causa, é que deixa qualquer contribuinte varado. Não sei quanto casos como esse estarão escondidos nos subterrâneos do Fisco, casos que nunca chegarão a conhecer a luz do dia. Porém, não deixo de me arrepiar por saber que enquanto alguns esperam "a vida toda" por uma resposta a um simples requerimento, outros há que são "tu cá, tu lá" com a malta do fisco. Intimidades e nada de chatices. Quando se sabe alguma coisa é quando alguém recebe menos do que estava à espera. Ou quando há uma escutazinha a lixar o pessoal. Por estas e por outras é que todos os funcionários dos impostos e das autarquias deviam ser anualmente rodados entre os diversos serviços e departamentos. Era meio caminho para a limpeza e para acabar com muito técnico que anda de Jaguar, compra "rolexes", recebe televisões e "despacha" quando lhe apetece. E talvez fosse a única forma dos justos, sérios e trabalhadores não terem de se queixar da imagem.

quarta-feira, novembro 18, 2009

AGORA DEU-LHE PARA ISTO

Depois da fase terrorista e das extravagâncias com as tendas e os camelos, já só lhe faltava mesmo converter as "pecadoras" ao Islão. As fotos estão aqui, mas o vídeo dá conta da animação que continua a rodear as deslocações do líder líbio.

A LONGA MARCHA DE OBAMA

(Reuters, via Corriere della Sera)

Esta foto de Obama tirada na Grande Muralha pode bem simbolizar o caminho que o novo prémio Nobel tem pela frente: solitário, frio e exigente. O "yes, we can" da campanha que o levou até à Casa Branca, longe de estar esgotado, vai dando provas de vitalidade, como ainda agora voltou a suceder na visita à China. O simples facto de ter havido quem no coração económico da Ásia, numa Xangai cada vez mais cosmopolita e moderna, tivesse tido a ousadia de falar abertamente de direitos humanos, internet e liberdade de expressão, apelando a uma maior abertura do governo de Pequim e a uma renovação das mentalidades da nova oligarquia chinesa, constitui um marco, tanto mais indelével quanto às suas declarações não se seguiu a habitual reprimenda chinesa. Se a este sinal pudermos juntar o apelo ao diálogo com o Dalai Lama, independentemente dos resultados económicos alcançados e das perspectivas em matéria de protecção do ambiente, sempre se poderá dizer que o caminho vai ser longo e difícil, mas continua a haver esperança. E este será sempre um bom sintoma na hora de enfrentar os próximos obstáculos.

ENÉSIMO SALPICANÇO

Uma imagem que cada vez mais se cola à pele. Cada vez mais um país de opereta.

sexta-feira, novembro 13, 2009

ASSIM SE AUMENTA A RECEITA

Imaginação não falta, mas esta medida é compreensível. Falta-lhe é a adequada fundamentação jurídica. Mas isso já era de esperar, não?

A LER

Com a clareza habitual, o artigo de Paulo Pinto de Albuquerque na edição do Diário de Notícias.

TUDO A NU

A confirmação da veracidade desta notícia do Sol deixa a nu a fraude que constitui o nosso sistema de justiça. Independência, inamovibilidade e irresponsabilidade. Este cocktail começa a tornar-se demasiado explosivo.

quarta-feira, novembro 11, 2009

RUA DA SAUDADE

Graças ao blog de Pedro Rolo Duarte, uma justíssima homenagem ao poeta e uma oportuna chamada de atenção para uma voz magnífica. E já agora, também, para uma figura que não lhe fica atrás. O Ary havia de ficar satisfeito com este cavalo à solta.

ROBERT ENKE

Vou recordá-lo assim, entre os postes, sempre alerta, sem vacilar, nos melhores e nos piores momentos da equipa. As estrelas nunca partem. E protegem-nos. Que Deus lhe dê lá em cima a paz que não teve entre nós. E também os títulos que merecia.

CODORNIZES

Está visto que já não se pode "oferecer" aos amigos as codornizes há muito prometidas. Um tipo é logo fotografado com o saco das ditas e depois, enquanto o diabo esfrega um olho, vem tudo escarrapachado nos jornais. Triste país.

terça-feira, novembro 10, 2009

HOJE FIQUEI ASSIM

Este interessante texto de Alberoni, que termina com um pedido à ministra italiana da Educação, Mariastella Gelmini, cuja reforma tem motivado os mais veementes protestos entre professores e estudantes, podia ter sido escrito para a nossa ministra da Educação. A actual ou a anterior ou para qualquer um dos seus antecessores. Efectivamente, a desordem do pensamento de que fala Alberoni tem hoje reflexos incontornáveis na língua que se fala e escreve. Quando ele nos diz que a escola "já não ensina gramática, análise cronológica ou consecutio temporum" e que "há quem não distinga o passado próximo do passado remoto, quem não perceba a lógica do conjuntivo e do condicional" e que "alguns confundem até o presente com o futuro", mais não faz do que constatar uma realidade. Deprimente mas nem por isso menos real. Esta realidade não será, seguramente, muito diferente daquela que levou o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a colocar em causa a presença de crucifixos nas escolas italianas e que leva um semanário prestigiado como o L'Espresso a questionar e a lançar o debate sobre a laicidade do próprio Estado italiano. Ou, ainda, que num país aparentemente pacato e sereno, que tanto contribuiu para a formação da nossa maneira de pensar pela influência que exerceu no espírito de um homem como Jean-Jacques Rousseau, se discuta a altura dos minaretes e não haja, nem de um lado nem do outro da mesa, um pouco de discernimento. Tudo se passa longe e ao mesmo tempo perto, como ainda hoje se percebe pelas evocações e a memória da queda do Muro de Berlim. Mas quando tudo isto é transportado para dentro de nossa casa e se assiste a um jogo de pingue-pongue como este que está a ser jogado pelos nossos mais altos magistrados, fica muito pouco para a deprimência. Não sei até que ponto a cronologia histórica de Alberoni ainda fará aqui sentido, mas que a nossa Justiça caminha a passos largos para a desagregação e a demência parece já ser irreversível. Não sei o que leva pessoas com o seu brilho intelectual e jurídico a debates tão improdutivos, a tomadas de posição públicas tão indignificantes para tudo aquilo que representam. Pior nem mesmo a triste história do subsídio de reintegração do ex-deputado Casaca, que funciona para o beneficiário como uma espécie de rendimento máximo garantido. No momento em que se discute e tenta perceber a dimensão do polvo que tomou conta deste país e o número de tentáculos activos que medram na sombra dos partidos, da administração pública e das empresas, para ver se ainda vamos a tempo de poder neutralizá-los, não sei se algum dos meus concidadãos alguma vez o compreenderá. Mas ao menos espero que os protagonistas saibam o porquê. Mesmo que não o divulguem e resolvam guardá-lo para as suas memórias. Ou, talvez melhor, levar com eles para a tumba na hora da partida, poupando-nos às suas revelações. Ao contrário do que dizia a canção, a revolução não está a passar por aqui. Ela passou e foi-se embora sem querer nada connosco. Agora é o caos que passa por nós. E isto já deixa de ser deprimente para se tornar uma fatalidade. Falar hoje do caos é falar de nós. Palavras para quê?

[Publicado em simultâneo no Delito de Opinião]

ESTORIL FILM FESTIVAL 2009

O Estoril Film Festival prossegue a sua caminhada triunfal até dia 14. Hoje às 21h com um encontro de David Cronenberg com o público e a exibição de dois dos seus filmes ("The Italian machine" e "Crash") no Centro de Congressos. Mais à noite, pelas 0h.15m, ali mesmo ao lado no Casino Estoril será a vez de ser exibido "Paris" de Cédric Klapisch, com a incontornável e justamente homenageada Juliette Binoche. Quem não puder ir ao Estoril ver o filme e a musa sempre pode procurar contentar-se com a edição francesa da Playboy de Outubro de 2007.

III FESTIVAL DE ÓRGÃO

Começou no passado sábado com um concerto na Sé de Faro do organista Filipe Veríssimo, que interpretou peças de José da Madre de Deus, Bach, Carlos Seixas, Stanley e uma notável obra do padre António Cartageno denominada "15 Variações para órgão sobre um tema de Domenico Bartolucci". Prosseguirá no dia 14 de Novembro, na Igreja do Carmo, tendo como intérprete Gianpaolo di Rosa, com um programa de improvisações em diferentes estilos e formas. Depois, a 21 de Novembro será vez de António da Mota, também na Igreja do Carmo, com um programa de Hayes, António Carreira, Juan Cabanilles. J.S. Bach, Stanley e Boyce. O festival termina em 28 de Novembro, de nova na Sé Catedral de Faro, com a Capella Patriarchal e João Vaz que interpretarão um programa composto exclusivamente por obras de Carlos Seixas e Francisco António de Almeida. A entrada é gratuita e os concertos começam todos às 21.30.

FINALMENTE


"Antarctica shall be used for peaceful purposes only. There shall be prohibited, inter alia, any measure of a military nature, such as the establishment of military bases and fortifications, the carrying out of military maneuvers, as well as the testing of any type of weapon."

Já não era sem tempo que era aprovado e ratificado o Tratado de 1 de Dezembro de 1959.

segunda-feira, novembro 09, 2009

20 ANOS

Foi há 20 anos. Vinte anos depois continuam a pairar as mesmas sombras e os mesmos anseios. Por cada muro que se derruba logo surge um novo. A Europa mudou. O mundo mudou. Mas nem um nem outro mudaram o suficiente. A luta de ontem pela democracia, pela dignidade humana, pela defesa dos valores em que acreditamos, é a mesma de hoje. E vai continuar amanhã na luta contra a corrupção, na luta contra a prepotência, contra o abuso e a intolerância, pela defesa de uma cidadania mais responsável, de um ambiente mais saudável e mais limpo, pela luta contra a pobreza e pela defesa de uma imprensa séria e independente do poder. Pela defesa dos sonhos. Estamos condenados à liberdade.

quarta-feira, novembro 04, 2009

EPISÓDIOS DA MISÉRIA HUMANA

O título deste post foi surripiado a uma crónica do Baptista Bastos. Depois daqueles episódios "canalhas" da casa, da renda e da Câmara Municipal de Lisboa, como todo o céptico fiquei desconfiado, mas confesso que continuo a apreciar a sua escrita, o estilo e a dimensão do raciocínio. E penso que continua a valer a pena lê-lo, bem para lá da espuma dos dias. Há coisas que nunca mudam. A miséria humana é uma delas. Quando muito aprofunda-se.

SOBRE DEBATES E REFERENDOS

Aqui, um texto sobre o tema em epígrafe e o desconchavo que por aí grassa.

terça-feira, novembro 03, 2009

DIRECTO AO ASSUNTO

"A primeira avaliação é a de que a autarquia de Tavira tem problemas financeiros. Ainda não fizemos uma avaliação profunda, mas a situação financeira não é propriamente confortável e requer cuidados." - Jorge Botelho, Presidente recém-eleito da Câmara Municipal de Tavira

segunda-feira, novembro 02, 2009

MAIS CINEMA EM FARO

Enquanto se preparam as objectivas para o Estoril Film Festival, e passa mais um aniversário sobre a queda do Muro, nada melhor do que ver curtas-metragens de jovens realizadores que estão a viver em Berlim. Ao todo são nove e daqueles vão estar presentes presentes três alemães, uma irlandesa e a "nossa" Rita Macedo. A entrada é gratuita. Tal como já aconteceu com o ciclo de cinema francês que ontem terminou. Não será pelo preço que os cidadãos de Faro deixarão de ver bom cinema. Haja vontade que as iniciativas não têm faltado.

HOSPITALIDADE

É o nome que se dá a isto. Mas é favor não confundir com a hospitalidade minhota. Esta é mais do tipo "braguista".

sábado, outubro 31, 2009

PREGAR AOS CHICOS

António pregou aos peixes. Este senhor prega aos chicos. O primeiro chegou a Santo. O segundo não aspira a tal, mas tem tudo para isso. A única diferença entre um e o outro é que enquanto o primeiro pregou para os peixes, que o escutaram, o segundo prega para chicos que não percebem o que ele diz porque sofrem de iliteracia. É que apenas aprenderam a conjugar dois verbos na perfeição: sacar e safar. Em mais de trinta anos de democracia este país não viu outra coisa que não fosse uma cultura de chico-espertismo. Uma criança não vai para a escola para aprender. Vai para sacar uma notas que depois lhe permitam safar-se lá fora e assim continuar a sacar outras notas que depois lhe permitam continuar a safar-se. E é assim pela vida fora até à hora da reforma. Alguns há que conjugam esses verbos tão bem que mesmo depois da reforma continuam a conjugá-los: a sacar e a safar-se. De caminho também sacam algum para os filhos e para a família e ajudam os amigos a safarem-se. Na actividade privada ou em empresas públicas, na tropa ou na banca, com os subsídios à agricultura ou os fundos europeus. Sem esquecer a política, onde uma multidão de chicos entra e sai para sacar e safar-se. Do general ao trolha, do banqueiro ao arrumador, do taberneiro ao escritor. É certo que há um tratado que continua por escrever, mas escrever para quê se já todos o leram. Nas entrelinhas. No recato de um gabinete, numa chamada telefónica, num piscar de olhos cúmplice. E alguns há que dominam esse tratado na perfeição. Pouparam o tempo da leitura e safaram-se. Na política houve quem atravessasse todo o arco a safar-se. Da esquerda à direita, de Lisboa a Bruxelas. Um discurso aqui, uns votos ali, um saquezito aqui, uma safadeza ali, uma peúgas para mim, uns bilhetinhos para ti. Ernâni Lopes é um homem bom. António também era. Os homens bons são homens decentes. Pena é que na casa dos chicos ninguém os aponte como exemplo. Se este país fosse educado na seriedade, no trabalho e na honestidade não existiria. Seria um país de homens bons, um país decente. Um país de Ernânis. Não teríamos espertalhões. Não haveria chico-esperto que se safasse, que conseguisse sacar alguma coisa. Os tribunais não serviriam para nada. Nenhum magistrado se safaria. Na carreira, evidentemente. O Conselho Superior de Magistratura seria um corpo espúrio do regime. O Millennium não pagaria dividendos. O Porto nunca teria sido campeão. O Colégio Militar não existiria. Portugal, muito provavelmente, também não existiria como país. Como Camões, Sena ou Cardoso Pires também nunca teriam existido. Eles ainda são hoje, para os sucateiros deste país, para os árbitros, para os senhores que mandam na bola e nos bares de alterne, o exemplo do fracasso. Já de Saramago não dizem o mesmo. Do Diário de Notícias ao Nobel, lá se foi safando: safou-se do PREC, de Cunhal, do PCP, do Ribatejo, das portuguesas e de Portugal. Até chegar a Estocolmo. Escrevendo, ora com vírgulas, ora sem vírgulas, lá se foi safando e sacando os respectivos direitos de autor. Medina Carreira também nunca teria existido, embora haja quem diga que este senhor não existe de todo e que não passa de um fantasma da República. E Cavaco Silva também não seria Presidente da República. Nem José Sócrates primeiro-ministro. Nem eu estaria onde estou. Nem este blogue (nem muitos outros mais) teria conhecido as luzes da blogosfera. Ernâni Lopes, que sabe de economia como poucos, devia meditar nisto. Ele faz-me lembrar alguns juízes, alguns advogados e alguns políticos que vivem fora do mundo. Os gatos fedorentos não existem por acaso. Sacando e safando-se. A mim ninguém me ensinou a conjugar o verbo sacar. E o safar ainda menos. Tenho pena. Por mais que tente nunca conseguirei aspirar a ser um sucateiro respeitável. Ou um "advogado de sucesso". A mim limitaram-se a dizer-me que a decência não pode ser cabulada. A decência não se ensina. Transmite-se. E para isso é preciso tê-la. Como aos tomates. Ernâni Lopes devia ter percebido isto.

sexta-feira, outubro 30, 2009

O SONHO DOS GULOSOS

Heidi Klum. Que dizem eles? A caminho do quarto filho? E sotto il cioccolato niente! E então se for o da Cadbury's é um banquete. Vou ali e já volto. Para ver as fotos e o vídeo.

NOVOS TEXTOS

Estão ambos no Delito de Opinião: O perigo do timing e Uma polícia com paredes de vidro. Para quem quiser lá fazer uma visita.

VAMOS LÁ DAR UM EMPURRÃO

A perspectiva de Portugal vir a ocupar a vaga em aberto no Mundial de F1, questão que será decidida no próximo dia 11 de Dezembro na reunião do Conselho Mundial da FIA (Federação Mundial de Automobilismo), deverá mobilizar todos os portugueses, a começar pelo primeiro-ministro e os responsáveis pelo desporto, de hoje até esse dia. Impõe-se uma operação de promoção em larga escala ao Autódromo Internacional do Algarve, dentro e fora de portas, nomeadamente em Monte Carlo onde terá lugar a reunião da FIA, muito em especial porque nesta altura já podemos contar com a simpatia do actual presidente, Jean Todt, e o apoio do cessante. Portugal e o Algarve não poderão desperdiçar esta oportunidade única de voltarem a ter uma corrida no Mundial de F1. Sempre sai mais barato do que organizar 3 jogos de futebol e tem retorno garantido.

POUR UN INSTANT LA LIBERTÉ

Alguém escreveu que se tratava de um filme "bouleversant". E é. Se ainda não o viu, tente encontrá-lo num clube de vídeo e aproveite para ver esta obra-prima do realizador Arash T. Riahi, baseada em factos reais e que já foi amplamente reconhecida nos festivais por onde passou. Para além dos fantásticos planos, Pour un instant la liberté ajuda-nos a compreender um pouco melhor o drama de viver sem democracia e dá-nos uma razão, se outras não houvesse, para que transformemos cada dia numa vitória. Uma realização notável, uma história arrepiante. Definitivamente um filme a não perder. Para ver e rever numa próxima oportunidade.

quinta-feira, outubro 29, 2009

BREVE EVOCAÇÃO

"Whatever you do will be insignificant, but it is very important that you do it" - M. Gandhi

Ontem, no mesmo dia em que era divulgado um relatório sobre a banalização da violência entre os jovens, do qual a edição de hoje do Público faz eco, vi a minha tarde abruptamente cortada pela notícia, esmagadora, avassaladora, da morte às mãos de um pretenso esquizofrénico de uma pessoa amiga e do seu irmão. Mais do que a morte em si, que a todos um dia nos alcança sem aviso prévio, foi a brutalidade do acto, a sua frieza, que me deixou desconcertado. Que pode levar um homem a degolar um seu semelhante, a desferir repetidos golpes de arma branca contra quem não tinha outro meio de defesa do que as próprias mãos, e depois seguir calmamente o seu caminho deixando as vítimas a esvaírem-se em sangue? Conheci o Pedro há quase três décadas, namorava ele com a mulher com quem veio a casar e que lhe deu dois filhos. Depois, com o correr dos anos, fomos perdendo contacto e, ultimamente, tirando uma das últimas vezes em que ele estivera pelo Algarve, raramente nos encontrávamos. Ia sabendo dele por amigos comuns e alguns familiares que amiúde com ele se cruzavam. Quando ontem soube o que tinha acontecido, senti desabar sobre os mais indefesos toda a injustiça do mundo. Dir-me-ão que se tratou de um acto isolado, de um gesto tresloucado. Mas eu não acredito que haja loucura que justifique a violência. As mãos que lhe permitiam cuidar das flores com o mesmo desvelo e a prazenteira amabilidade com que falava a todos os que encontrava nada puderam fazer perante tamanha violência. Sei que de nada servirá, que não haverá conforto que possa valer a quem perdeu os seus em circunstâncias tão inauditas, mas lá, onde estiverem, o Pedro e o irmão podem ter a certeza de que por aqui continuará a haver quem faça da luta contra a violência uma bandeira. Para que ainda que por breves instantes continue a valer a pena tomar um café com um amigo ou fazer uma onda no Guincho. Para que as estrelícias, as margaridas, as gerbérias, as rosas, em suma, para que todas as flores de que eles tanto cuidaram nos últimos anos possam continuar a nascer, a florir e a morrer. Em Cascais ou em qualquer outro lugar. Livres e ternas.

quarta-feira, outubro 28, 2009

TARDOU MAS CHEGOU

A sentença do Tribunal de Paris de 27 de Outubro pp., que julgou o chamado Angolagate, não deixou margem para dúvidas relativamente à culpabilidade dos condenados e à forma como o tráfico de influências levado à acção por figuras proeminentes da política e dos negócios corrói as estruturas do Estado. Esta página do Le Monde, com vários links interessantes, é uma boa porta de entrada para se começar a perceber a teia de negócios e cumplicidades. Como já seria de esperar a reacção angolana foi de estupefacção perante a condenação de Pierre Falcone.

TRÊS NOTAS

1 - Certamente que alguém já o disse ou escreveu. Muitos terão visto. Mas creio que nunca será demais sublinhar a presença e a postura assumida por Manuela Ferreira Leite na tomada de posse do XVIII Governo Constitucional (que tomou posse num dia cuja soma dá 8 e onde 8 ministros experientes se juntaram a outros 8 mais novatos, sublinhando os muitos e auspiciosos oitos que rodearam o seu aparecimento num ano 9, como diriam os meus amigos chineses). Ao contrário de outros dirigentes, cuja ausência não passou despercebida, a actual líder do PSD fez questão de estar presente e de deixar comentários adequados à ocasião. A democracia é um exercício constante, a procura de um equilíbrio muitas vezes difícil de manter no vaivém dos debates e da guerrilha política, mas há alturas em que é fundamental que venham à superfície os valores que distinguem um exercício puramente formal de uma verdadeira democracia. O sucesso de um governo saído de eleições livres e democráticas virado para a resolução dos problemas do país será também o sucesso do país. Ferreira Leite percebeu-o e fez questão de assinalá-lo. Outros, mesmo do seu próprio partido, têm mais dificuldade em assimilá-lo.

2 - A primeira e mais comum reacção da maior parte dos comentadores políticos à composição do novo Governo foi a de realçar a experiência e o bom desempenho dos que transitaram, questionando as novas escolhas. Antes de os verem fazer qualquer coisa, inclementes, apontaram aos novos ministros a pecha da falta de experiência política, a falta de "peso político", os perfis "demasiado técnicos", a inexperiência governativa. Se fossem todos velhos e experientes correligionários do partido, certamente que esses mesmos críticos não se cansariam de destacar a falta de renovação. Como entrou gente nova, as cassandras vieram logo falar na falta de experiência. Como se o exercício da política não fosse ele próprio um exercício permanente de intervenção cívica e de aprendizagem, de gestão e execução de um programa, e um governo não fosse um conjunto de pessoas com diferentes origens, formações e apetências, trabalhando para um objectivo comum, partilhando saberes e cultivando a entreajuda entre os seus membros.

3 - A escolha de Pierluigi Bersani para a liderança do Partido Democrático italiano, em especial depois de um inédito processo de escolha que mobilizou mais de 2 milhões de italianos, entre militantes, simples simpatizantes e estrangeiros residentes em Itália, dando-lhe uma confortável vitória, pode representar o vento de mudança e de esperança de que a Europa necessita. A forma como a sua eleição ocorreu é uma achega importante para a renovação da participação política e uma efectiva escolha dos melhores fora dos estreitos e usurpadores canais do caciquismo partidário.

CINEMA FRANCÊS EM FARO

Começa hoje em Faro a 10ª Festa do Cinema Francês. É no Teatro das Figuras e arranca com "Le plaisir de chanter" de Ilan Duran Cohen, às 21h 30m. Continuará amanhã, dia 29 de Outubro, às 19h e 30m com "Le bal des atrices" de Maïwenn Le Besco e às 21h 45 com "Pour un instant la liberté" de Arash T. Riahi. Seguir-se-ão "La premiére étoile" de Lucien Jean-Baptiste e "Demain dès l'aube..." de Denis Dercourt. No sábado, o programa começa logo às 11h com "Mia et le Migou", filme para jovens de Jacques-Rémy Girard, prosseguindo às 19h com "Cliente" de Josiane Balasko e às 21h e 45m com "Le premier jour du reste de ta vie", de Rémi Bezançon. O ciclo encerra-se no domingo, dia 1 de Novembro, com uma sessão às 19h de "Bellamy", um filme de Claude Chabrol e outra às 21h e 45m com o filme "Coco Chanel e Igor Stravinsky" de Jan Kounen. A entrada é livre, mas os bilhetes deverão ser levantados no Teatro. O programa tem o apoio do Instituto Franco-Português e da Alliance Française do Algarve.

EVIDÊNCIAS

"E acontece ainda (a verdade é para ser dita) que o Benfica está a jogar um grande futebol, que dá gosto ver. Não é apenas a impressionante média de 3,5 golos por jogo, ou a cadência de jogo ofensivo do quarteto sul-americano do ataque (Di Maria, Aimar, Saviola, Cardoso). É também uma coisa que há muito tempo, muito tempo, não se via ao Benfica: o prazer de jogar, o respeito pelo público, a vontade de fazer cada vez mais e melhor e a sensação de que ali está a nascer uma grande equipa e não apenas um lote de jogadores momentâneamente inspirados. Confesso que estava longe de esperar tanto do Benfica de Jorge Jesus. Não sei se isto é para durar e se continuará assim quando chegarem os jogos a doer - já no próximo fim-de-semana, em Braga. Mas, para já e por enquanto, caramba, que diferença para o Benfica dos últimos anos, que tanto reclamava e apregoava e tão pouco jogava". - Miguel Sousa Tavares, A Bola, 27/10/09, p. 46

sexta-feira, outubro 23, 2009

UMA BOA NOTÍCIA

Ora aqui está uma daquelas notícias que pode fazer por Portugal aquilo que milhões de euros de publicidade do Turismo de Portugal não conseguem fazer. Creio que até o António Costa ficará satisfeito. Carlos Barbosa sempre passará a ter menos tempo para falar do Terreiro do Paço.

NOVO GOVERNO, NOVA VIDA

Finalmente, temos governo. Para quem esperava uma salada russa à direita e à esquerda, saiu um governo de acção. Nada mau. Em tempo de crise é o melhor que se podia desejar. O primeiro-ministro mandou descansar quem estava cansado, quem perdeu o norte, quem já se sentia mal na sua pele. Livrou-se de fantasmas e zombies. Para já, foi uma aposta na consistência e na graça. Consistência técnica e política. Graça feminina. Equilíbrio, bom senso e trabalho parecem-me ter sido as determinantes das escolhas. Excelentes notícias foram a continuação de Teixeira dos Santos nas Finanças e as idas de Vieira da Silva para a Economia e de Alberto Martins para a Justiça. O tridente por onde vai passar todo o sucesso ou insucesso da governação na hora de fazer o balanço. Sólidas as opções pela manutenção de Pedro Silva Pereira na Presidência, de Ana Jorge na Saúde e de Mariano Gago na Ciência e Ensino Superior. A continuação de Luís Amado nos Negócios Estrangeiros é uma opção pela segurança numa área cujo rumo tem tido algumas opções discutíveis. A escolha de Santos Silva para a Defesa (méritos políticos à parte) é um enigma. Espero que compreensível pelas chefias militares. Eu teria preferido ver alguém como Maria Carrilho ou Medeiros Ferreira nesse lugar. Quanto aos estreantes nada a dizer. Tirando Rodrigo Moita de Deus, com menos informação do que a que seria esperada pelas tiradas que debita, toda a gente que anda nos meios respectivos sabe quem são os novos, o que fizeram e o que valem tecnicamente. E merecem o seu período de graça. Menos expectável, sem pôr em causa bons desempenhos anteriores e a sua capacidade de trabalho, é a escolha de Lacão. Para mim seria mais óbvia a escolha de António José Seguro, atendendo ao período que atravessamos e à composição da Assembleia. Por agora não encontro razão para a continuidade de Rui Pereira na Administração Interna. Espero ainda vir a encontrá-la e que não venha a ser esse o elo mais fraco. Por mim, basta-me que governem bem, que é como quem diz, democraticamente, com senso, sentido das realidades e do interesse nacional. Sem tiques nem complexos. Já bastam os que geneticamente herdámos e os que o salazarismo deixou.

[também no Delito de Opinião]

A SAGA CONTINUA

(Reuters/JMRibeiro/Público)

BENFICA - 5 EVERTON - 0

E vão 42 golos em 13 jogos oficiais. Ontem, o Everton sofreu a sua maior humilhação na UEFA. Desde 1964 que uma equipa portuguesa não marcava cinco golos a uma equipa inglesa. Só foi pena o remate à barra de Di Maria. Máquina afinada é máquina que faz sonhar. Oxalá continue assim.

segunda-feira, outubro 19, 2009

PARA O ANO HÁ MAIS

Este venceu logo na primeira corrida em que participou no Mundial de F1.
Mas que raio, para que quer ele tantos volantes? Manias.

Em 1958, no Mundial de F1, este Maserati foi sublimemente conduzido por uma mulher chamada Maria Teresa (de Filippi). Deve ser do nome. Talvez daí as paixões.

As estrelas fizeram-se para brilhar.

A vencer até morrer.

UMA JORNADA INESQUECÍVEL (5)

Mesmo de pernas para o ar o tridente é o mesmo.

E que tal? Impressionante.

Em Le Mans estiveram sempre à frente do seu tempo.

Peter Revson. Será que este nome não vos diz nada?

A "bomba" do João Mira Gomes. Sempre simpático, um Secretário de Estado que faz a diferença e que continua apaixonado pelas velhas glórias. Foi pena a falta de combustível. E o emblema do Sporting na rectaguarda. Dá mau aspecto.

UMA JORNADA INESQUECÍVEL (4)

Continua cheio de sede. E de pica!

Será que estes nomes vos dizem alguma coisa? A mim muito. Até nos livros de Michel Vaillant.

O Lola de um campeoníssimo: Bobby Rahal.

Ainda se lembram do Chevron BMW de Kevin Jones?

Este carro espalhou o "pânico" às mãos de Bonnier.

UMA JORNADA INESQUECÍVEL (3)

Um velhor Ford GT 40

Temos quase a mesma idade. Só que este venceu no Mónaco.

Faz parte das minhas memórias. Um grande carro que foi genialmente conduzido por Ronnie Peterson.

Lotus quê? Em Portugal havia muitos mas eram da Scalectrix.

Inconfundível. O azul que faz sonhar de um mítico Alfa Romeo. O Giulia TZ. Só para apreciadores.

UMA JORNADA INESQUECÍVEL (2)

Animação a rodos

Até arrepia vê-los a reduzir no final da recta. Um tipo pensa que eles se vão desconjuntar.

Os Ford continuam a curvar com estilo.

Há sempre uns tipos que só sabem andar à frente.

Matar saudades de Le Mans num circuito onde todas as curvas têm excelente visibilidade.

UMA JORNADA INESQUECÍVEL (1)

Correu mundo nas mãos de Patrick Depailler até se reformar.

Recordações de um grande campeão.

O velho Fórmula 1 de Chris Amon.

Quem não se lembra de ver Brambilla e Pescarolo com esta máquina?

De volta a casa. Para o ano há mais.

sexta-feira, outubro 16, 2009

UM EXPOSIÇÃO DIFERENTE

É amanhã inaugurada em Faro uma exposição cujo tema é "Homenagem à Vagina". Depois do aclamado Monólogo da Vagina, eis uma exposição que se pretende diferente e com um título no mínimo fora do comum. Vão estar patentes obras de pintura e de escultura de Bual, João Moniz, Luísa Nogueira, Ricardo Passos, Maria João Franco, Chichorro, Rico Sequeira, António Inverno, Silvestre Raposo e mais alguns. A Galeria ARC-16 fica no Largo da Estação, n.º 3.

NÃO É SÓ ENTRE NÓS

Passou-se em Santa Cruz de Tenerife, mas podia ter-se passado aqui onde também acontecem situações semelhantes. Graças ao El Confidencial.

quinta-feira, outubro 15, 2009

LER

É imprescindível ler e ver as imagens deste post do meu amigo Carlos Barbosa de Olveira.

DOMINGO DE ELEIÇÕES NA ILHA DESERTA



É assim o Algarve fora de época, em pleno Outono e com uma água paradisíaca, bem acima dos 20ºC. E ainda há quem insista em fazer férias em Agosto.

terça-feira, outubro 13, 2009

ALGARVE HISTORIC FESTIVAL

É já no próximo fim-de-semana que terá lugar o Algarve Historic Festival, oportunidade única para ver evoluir na magnífica pista do novo autódromo velhas glórias do passado conduzidas por quem aprendeu e nunca mais esqueceu. Para desanuviar de campanhas, de listas e de candidatos não há melhor. A animação e a emoção estão garantidas.

segunda-feira, outubro 12, 2009

ENA TANTOS

Lisboa, Figueira da Foz, Tavira, Vila do Bispo e Ourém. Tenho de confessar que fiquei satisfeito. Com o resultado, é claro. Mas também por saber que o António Costa, o Rui Araújo, o Rui Daniel, o Adelino Soares e o Sérgio Faria, de quem ontem muito especialmente me lembrei quando estávamos a lançar os dados que nos iam chegando e vi fugir Faro para o PSD, por 126 votos, ficando de pantanas a hipótese da vereação de Faro ter mais mulheres do que homens, também ficaram satisfeitos. Cada um pelas suas razões e à sua maneira. Daqui vai um abraço para todos eles. E também para o José Apolinário, por dois simples gestos. O primeiro quando na véspera das eleições e sem saber o que iria acontecer fez questão de se dirigir aos militantes e simpatizantes para agradecer o apoio durante a campanha. O segundo pela forma corajosa e digna como assumiu a derrota. Com uma diferença tão curta e num momento de grande desconforto, apressar-se a acalmar as suas hostes e dizer resignado que "a democracia é isto", para a seguir pegar no telemóvel, felicitar o adversário e combinar a transferência de poderes para o dia seguinte, dizendo aos seus que "não é na secretaria que se vai ganhar o que se perdeu nas urnas", não é para todos. Pode parecer banal, mas diz muito sobre o carácter de um homem. Sem ressentimentos. Com grandeza. É assim que eu gosto da política.

[também aqui]

GANHAR COM UMA MÃO O QUE SE PERDE COM A OUTRA

Os resultados das autárquicas no Algarve espelham bem a divisão política existente entre PS e PSD e a natureza do confronto. Há maiorias esmagadoras (Albufeira, Loulé, Vila Real de Santo António para o PSD, Aljezur, Lagos, Portimão e São Brás de Alportel para o PS), há maiorias fortes (Alcoutim e Castro Marim para o PSD ou Olhão para o PS) e há locais de luta muito acesa (Faro, agora ganha pelo PSD, Tavira, ganha pelo PS, e Lagoa, onde o PSD voltou a vencer pela diferença de 300 votos). Outros há onde nunca se percebe muito bem o que influencia as escolhas (Silves, onde Isabel Soares e o PSD venceram perdendo a maioria, o caso de Monchique, onde Carlos Tuta perdeu ao fim de duas décadas, e Vila do Bispo, espectacularmente ganha ao PSD por Adelino Soares pela margem de 0,5%, mais ou menos cem votos). Com excepção do maior centro urbano, Faro, a região continua a ser profundamente cacical. De tempos a tempos há mudanças. Mas as mudanças nem sempre são perceptíveis. Torna-se por isso mais difícil entender como poderá vir a comportar-se num cenário de regionalização. No deve e haver destas eleições, o PSD manterá a presidência da Associação de Municípios do Algarve. Trocou Tavira e Vila do Bispo por Faro e Monchique. Estes 4 resultados são os que merecem análise mais detalhada. Em Vila do Bispo mandava o PSD há dois mandatos. José Viegas foi uma aposta pessoal de Mendes Bota. Perdeu. Tavira passa para o PS que recupera de 35,39% para 45,99%. É uma derrota do PSD/Algarve e da líder nacional. Ambos aceitaram deixar sair Macário Correia para Faro convencidos de que mantinham Tavira. Perderam em toda a linha. O PS voltou a apostar em Carlos Tuta em Monchique e a aposta falhou. O futuro do PS naquele concelho fica demasiado fragilizado e a exigir uma renovação que se tornou tardia. O caso mais bicudo é Faro. Macário Correia apostou forte e venceu. É indiscutivelmente uma vitória pessoal. Obtém maioria absoluta na câmara, mas a coligação PSD/PP perde a assembleia municipal e não conseguirá formar maiorias. O que os eleitores deram a Macário por um lado, retiraram-lhe pelo outro. Dentro de 4 anos, muito provavelmente com um referendo à regionalização pelo meio, voltar-se-á a fazer as contas.

[Este post e o anterior também estão aqui]