sexta-feira, abril 27, 2007

GUERNICA

Passou ontem mais um aniversário sobre a fatídica data de 26/4/1937. A imagem da Guernica deveria ter entrado ontem, mas não foi possível. Aqui fica a recordação de umas das obras-primas de Pablo Picasso. Quer quiser vê-la pode ir até Madrid. Ela continuará por lá.

segunda-feira, abril 23, 2007

APRENDER COM QUEM SABE

O Algarve tem de tomar consciência que para criar valor em torno do produto não pode continuar a ter um ambiente do terceiro mundo. A estrada de acesso à Quinta do lago está cheia de “outdoors”, de sapatarias e bares de alterne, e isso tem um custo muito grande. O caminho entre Almancil e Quarteira está pior do que quando aqui cheguei, com obras abandonadas e bermas maltratadas. Não custa muito dinheiro atacar esses problemas. O Algarve também precisa de qualidade médica para fixar o turista residente. Dá-se um fenómeno aqui na Quinta do Lago: quando a pessoa tem problemas de saúde, vende a casa e vai embora. Isso tem sido sistemático” – André Jordan, Única, in Expresso, 21/4/2007.


E não sou daquelas pessoas que estão convencidas de que Portugal para ser um país próspero tem de acabar com as leis laborais. Penso que não é por aí. É pela iniciativa e pelo trabalho que se consegue desenvolvimento. Sempre estive ligado a empresas em crescimento e nunca tive o problema de mandar gente embora. Mesmo em Belas não despedi ninguém, porque não queria perder a equipa que esteve lá durante dez anos” – ibidem.


Este pequeno excerto da entrevista que André Jordan deu à Única é elucidativo sobre o espírito e a categoria do homem. Vale a pena ler a entrevista toda, com eu fiz de supetão, mas essas duas pequenas passagens suscitam-me, também, duas breves e rápidas reflexões.


Em relação à primeira citação, não posso deixar de concordar com o que André Jordan disse e não esquecer que a Câmara de Loulé, onde se integra Almancil e a Quinta do Lago, autarquia que já foi do Dr. Mendes Bota e é agora do Dr. Seruca Emídio, é a mais rica do país. Quem vai todos os dias à Câmara de Loulé ou tem processos naquela autarquia, naturalmente que não estranha o estado das vias de que se queixa o senhor André Jordan. E é bom que esse apelo contra o terceiro mundismo seja transmitido por quem investiu milhões na região, atraiu e criou riqueza e postos de trabalho, em suma, por quem fez pelo Algarve, mesmo com dois “ll” na versão do ministro Manuel Pinho, aquilo que muitos portugueses e locais, designadamente algarvios, como Sousa Cintra, não fazem, não fizeram, nem nunca irão fazer pela região. Por isso mesmo, quando ouço o apelo regionalista de alguns não posso deixar de pensar nas autarquias algarvias e naquilo que por algumas corre. Só visto. Contado ninguém acredita.

Quanto à segunda citação, é bom recordá-la, em especial numa altura em que se começam a conhecer, com algum detalhe, os contornos da gestão do Grupo Prasa em Vilamoura. Os nossos amigos espanhóis, depois de adquirirem a empresa de André Jordan, têm-se dedicado, paulatinamente, a destruí-la. De tudo tem acontecido. Porto de abrigo para acolher infelizes que não tinham lugar noutro lado, nem em Espanha nem em Portugal, despedimentos sumários de pessoal técnico com muitos anos de casa, diminuição de regalias de trabalhadores ao serviço, falta de visão e de estratégia, enfim, tem sido um nunca mais acabar de disparates, petulância, sobranceria e castelhana arrogância. Sou insuspeito para dizê-lo, pois as minhas afinidades com Espanha são públicas e conhecidas - a começar por alguns textos deste blogue - e o meu círculo de amigos conta, há várias décadas, com um bom punhado de espanhóis. O Administrador- Delegado do Grupo Prasa em Portugal devia ler a entrevista de André Jordan. Mas não só ele. Os seus patrões em Espanha também. E mais alguns empresários. Podia ser que aprendessem alguma coisa. Bem sei que nem todos nascem com o mesmo grau de educação, de inteligência ou têm as mesmas oportunidades. Ou assessores à altura. Mas durante a vida sempre se pode aprender alguma coisa com quem sabe. É preciso é querer e ir à procura disso mesmo. O resto virá por arrastamento. Ás vezes até a boa educação. Embora esta, como todos sabem, seja mais volátil quando aprendida na idade adulta e mais difícil de apreender nos manuais ou em aulas de formação.

sexta-feira, abril 20, 2007

JÁ É FIM-DE-SEMANA OUTRA VEZ!


Volto para a semana, com mais tempo e melhor disposição. Ainda estou a recuperar do exame de inglês, da falta de representatividade do Gato Fedorento, do descaminho do livro de termos, da mortandade na Virgínia, dos excelentes resultados do Fernando Santos, das calinadas do Luís Filipe Vieira, da ausência da deputada Odete Santos em futuros debates parlamentares e das últimas manchetes do Público. Até lá, divirtam-se. E leiam muito.

sexta-feira, abril 13, 2007

BOM FIM DE SEMANA!

(Blanca Cuesta, o produto mais explosivo da família Thyssen, aqui fotografada para a GQ)

De preferência com muitos livros, jornais, sol, mar e, se possível, gente interessante!

NÃO É COXO NÃO SENHOR


O senhor da fotografia é conhecido por Mantorras. Já marcou alguns dos golos mais fantásticos que vi. Passou por uma lesão difícil e continua a marcar golos. Cria a oportunidade e galvaniza a equipa. Ontem, depois de uma noite miserável, em que o Benfica caiu aos pés de uma equipa de segundo nível, especializada em jogo faltoso e anti-jogo (seria das riscas azuis e brancas?), Mantorras veio dizer que não é coxo e que treinando duas horas e meia por dia, como todos os outros, não percebe por que não joga. Eu também não. E ainda menos perecebo que com tanto treino se percam infantilmente cantos e livres, se atirem bolas pela linha de fundo e se façam cruzamentos por alto para um ponta-de-lança com 1,69m que joga entre duas torres e com um guarda-redes que é tudo menos inseguro. Mas percebo que seja muito difícil ganhar qualquer coisa quando o engenheiro insiste em pôr a jogar nódoas que ganhando milhares de contos por mês nem um pontapé numa bola sabem dar. É o caso de Derlei. Pedro Mantorras pode ter o passaporte e a carta de condução caducados, mas de certeza que não é coxo. Nem gago. Ainda bem. Nunca é bom deixar os engenheiros a falar sozinhos. Já se sabe no que pode dar. Mesmo quando são do Benfica. Por isso, o melhor mesmo, quando eles começam a querer falar sozinhos, é ajudá-los a encontrar a porta da rua.

P.S. Aqui há uns meses atrás, quando as coisas já ameaçavam, Fernando Santos disse que a actual equipa do SLB iria dar muitas alegrias aos sócios do clube. Hoje, depois da eliminação na Taça de Portugal por um clube da Divisão de Honra, depois do empate com o Porto na Luz, do empate com sabor a derrota com o Beira-Mar, último classificado da Liga, e da eliminação pelo Español, tenho a certeza que as alegrias estarão a caminho. O engenheiro só não disse é que para lá chegarmos teríamos primeiro que enfrentar um mar de tristezas e preparar mais uma série de dispensas das contratações que ele, o senhor Vieira e o senhor Veiga fizeram.

UMA FRASE QUE RESUME TUDO

A propósito da novela do canudo de Sócrates:


"Calculo que o que se passou estava dentro do normal inaceitável."
(Lutz Brückelmann no quase em português)

EFEMÉRIDE


Há 20 anos atrás era assinada em Pequim a Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a questão de Macau. Dos que lá estiveram alguns já nos deixaram, como foi o caso de Deng Xiao Ping, outros foram promovidos, cá e lá, e houve quem entretanto se reformasse. De todos eles apenas tenho saudades da Isabel, a loura da última fila. Perdi-lhe o rasto no início da década de noventa. Uma mulher lindíssima, cheia de charme, filha do então embaixador de Portugal em Pequim. Que será feito dela?

quinta-feira, abril 12, 2007

O BALANÇO


Da entrevista de José Sócrates, ontem à noite à RTP 1, há meia dúzia de coisas a reter, algumas das quais a exigirem novos esclarecimentos. O primeiro-ministro esteve bem, mas outra coisa não seria de esperar de quem sabia ao que ía e teve quase três semanas para se preparar. Por mim, não tenho dúvidas de que José Sócrates não pediu qualquer favor a Luís Arouca ou à Universidade Independente para obter a licenciatura. Que a Universidade e o reitor tenham "facilitado" por saberem quem ele era, já é outra questão.

As explicações quanto às razões de escolha da Universidade foram convincentes e aparentemente normais. O que foge de todo à normalidade é que ele pudesse ter sido admitido a frequentar as cadeiras que lhe faltavam, de acordo com o plano definido, sem que fosse feita qualquer prova do percurso anterior, sem a apresentação dos diplomas ou certificados necessários. Importante seria, pois, saber se em relação a todos os outros que recorreram à UNI para obterem a licenciatura, as equivalências, plano definido e documentos foram os mesmos. Isto é, os outros também foram dispensados da apresentação dos certificados e admitidos a frequentar as aulas e a fazer exames sem prévia apresentação dos certificados? Tenho sérias dúvidas.

Mas esse não é, efectivamente, um problema de José Sócrates, apenas revelando, se tal for verdade, que já nessa altura a Universidade Independente não oferecia garantias em matéria de rigor e de cumprimento das exigências da lei para poder funcionar. Normalmente, quando a esmola é grande o pobre desconfia. Neste caso, o estudante Joaé Sócrates não desconfiou de nada? Mas mesmo que tivesse desconfiado, enquanto estudante, ele "apenas" pretendia obter a licenciatura. O que lhe interessava era fazer os exames necessários e "despachar-se". Deste ponto de vista o estudante não poderá ser criticado. Mas o político pode e deve ser criticado. Exigia-se e impunha-se a este que tivesse dito ao reitor: "agradeço a sua atenção, mas primeiro vou obter os certificados e logo que os tenha na minha posse formalizarei o pedido". Isto é que seria normal.

Outra dúvida que ficou prende-se com o uso do título e o preenchimento da ficha biográfica do deputado no parlamento. É verdade que neste país qualquer borra-botas aceita ser tratado por engenheiro ou doutor mesmo que o não seja. Ainda me lembro de ouvir muita gente tratar Nuno Delerue, o ex-deputado do PSD e antigo secretário-adjunto do Governador de Macau, por "doutor". O que não é normal é que pessoas com formação deixem passar isso em branco sem nada dizer. Ou que um deputado, que à partida não será um ignaro, preencha uma ficha biográfica colocando no local destinada às habilitações "engenharia civil". Isto não é nada. Ou se tem um bacharelato, ou uma licenciatura, ou um mestrado, ou um doutoramento, ou outra coisa qualquer. É certo que depois veio a rasura, o acrescento..., mas concluir daqui por uma falha de carácter parece-me excessivo. O homem terá sido distraído, imponderado, mas isso não faz dele um trafulha nem um intrujão, nem o torna menos habilitado para desempenhar as suas funções, que é aquilo que o dr. Marques Mendes agora quer dizer quando vem pedir um inquérito.

Veja-se, por exemplo, a ficha de Hermínio Loureiro no site da Assembleia da República e o que está lá escrito: "Habilitações: Gestão de Empresas". Mas Hermínio é licenciado, é gestor, é bacharel? A dúvida é maior porque se diz que a profissão dele é "gestor" e na página do PSD de Oliveira de Azeméis, na parte realtiva ao percurso profissional, lê-se que o homem era responsável administrativo e financeiro de uma empresa chamada "Silva Brandão & Filhos, Ldª", depois foi técnico de seguros e coordenador comercial de uma seguradora. Aí se diz que tem como habilitações "gestão de empresas", no ISAG. Gestor? Quando? A dúvida permanece. Na página do Governo que integrou, referia-se apenas que Loureiro tinha a "frequência do curso de gestão de empresas". O que é isto? Frequência? No entanto, sempre ouvi os jornalistas chamarem a Hermínio Loureiro "doutor" e nunca o ouvi dizer que não o era. Até numa recente entrevista com Judite de Sousa isso aconteceu. O caso não é diferente do de Sócrates. Que pensa Marques Mendes disto? Isto torna Loureiro um desqualificado para o seu grupo parlamentar?

Quanto ao mais, a entrevista não trouxe nada de novo. Lugares comuns, chavões e conversa para tolos. O normal na política caseira.

(A fotografia é de André Kosters/Lusa, via site Portugal Diário)

quarta-feira, abril 11, 2007

A NÃO PERDER


Em Faro, no dia 5 de Maio, no Teatro Municipal: Ute Lemper. Bilhetes a € 35 e a € 40.

P.S. Por acaso já alguém reparou no estado de degradação do novo Teatro Municipal de Faro? O piso da entrada principal com as placas de pedra todas partidas, lascadas e levantadas, os estores caídos, papéis colados nos vidros dos gabinetes e nas salas das traseiras, a fazerem de guarda-sol... Para uma obra que custou milhões e deixou o Município empenhado não está nada mal, não senhor. No Algarve são todos ricos! E as Câmaras ainda mais! Nós é que ainda não nos apercebemos.

RIO DO CONTRA


Registo com natural agrado a oposição de Rui Rio à proposta de novo referendo sobre a regionalização protagonizada por alguns caciques locais do PSD. Rio pode ter muitos defeitos, o menor dos quais até nem será o da soberba. Mas pelo menos numa coisa ele tem razão: antes de um novo referendo convirá discutir seriamente o problema. Protagonismos regionais dificilmente colherão consenso nacional. Ou, parafraseando Pacheco Pereira, quem nasceu para lagartixa nunca chegará a jacaré.

SILÊNCIOS QUE DIZEM TUDO


Muita gente tem estranhado o silêncio do primeiro-ministro sobre as dúvidas levantadas pela obtenção da sua licenciatura. Mas eu também estranho o silêncio da oposição, que tirando um fogacho no dia da saída da primeira notícia, nunca mais abriu a boca sobre o assunto. Será que esse silêncio se explica pelo facto de Marques Mendes ter também dado aulas de “Direito da Comunicação” na Universidade Independente no ano lectivo em que Sócrates concluiu o curso? Não sei que especiais qualificações tinha Marques Mendes, nessa altura, que o habilitassem a dar aulas numa Universidade. Possuía um mestrado? Tinha um doutoramento? Tinha obra publicada e reconhecida? Ou o convite à leccionação foi mais um favor político?

Na minha vida profissional e académica registei numerosos exemplos de doutores que não o eram, de agentes técnicos agrícolas promovidos a “senhores engenheiros”, de simples desenhadores tratados como “senhores arquitectos”, de licenciados em Direito que se intitulavam “advogados”, de políticos analfabetos e medíocres rotulados como “estadistas” e até de professores primários que surgiam em listas do protocolo como “professores doutores”. Em Macau, até vi publicado em Boletim Oficial a elevação a licenciado de um tipo que, chegado semanas antes, era detentor de um curso que não conferia licenciatura. Outro, que era conhecido pelos calotes que dava, como fazia parte de uma clique, foi proposto para dar aulas de cidadania. E por aí fora. Nada disso é novo nem me espanta num país como o nosso em que o título na testa, mesmo que ninguém saiba como, onde e quando foi obtido, confere dignidade e honra a qualquer escroque.

Sei, todavia, que há silêncios particularmente incómodos, mas nem por isso menos significativos, e que dizem muito sobre os telhados de vidro da nossa classe política.

segunda-feira, abril 09, 2007

RECOMEÇA A CRUZADA PELO BOM SENSO



O Público noticiou ontem que, no dia 26 de Abril, vai ter lugar em Coimbra a escritura de constituição de um novo movimento destinado a reeditar o processo de referendo à regionalização.
Tal movimento, que se reclama como sendo "independente e apartidário", o que é uma outra forma de dizer que só a conveniência de um melting pot une os seus promotores, visa a recolha de 75 mil assinaturas.
Naturalmente que o problema não estará na recolha das assinaturas, já que qualquer cacique regional consegue facilmente recolher esse número com meia dúzia de bancas nos locais estratégicos de algumas autarquias. O problema está, uma vez mais, na forma subliminar como estas "coisas" se organizam e no estilo encapotado a que se recorre quando se trata de arregimentar alguns, raros, bem intencionados e os incautos e os tolos para uma causa que, a ser levada avante, se sabe já, os únicos beneficiários serão os futuros membros das oligarquias regionais e os militantes nepotistas da praxe.
Todos sabemos que o fenómeno regionalista tem tido como expoentes máximos políticos profissionais, na maioria dos casos mal preparados, cheios de limitações e sem craveira, que não conseguindo guindar-se aos lugares almejados dentro dos seus próprios partidos e do todo nacional, procuram através da regionalização obter o protagonismo a que se julgam com direito para assim se manterem nos cargos e garantirem a sua parcela de poder ad aeternum. Basta ver a forma como as famílias locais se perpetuam nos partidos e nas câmaras e se vão promovendo e assegurando cargos e negócios entre os membros mais afoitos das cliques, para se perceber que por detrás de muitos dos candidatos aos futuros cargos regionais está um fortíssimo complexo de inferioridade e de animosidade contra Lisboa e o poder central, aliás a única desculpa que sempre encontram para justificarem as suas crónicas incapacidades e insuficiências. A tentação centralista sempre foi muito forte em Portugal, é certo, mas essa não é razão para se apanhar boleia do primeiro artista que aparece a propor-nos o paraíso. O PREC regionalista que alguns querem ver terá de ser combatido com bom senso e argumentos sólidos.
Por isso mesmo, reproduzo neste post um antigo cartaz do PSD e, com a devida vénia, faço minhas as palavras de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos:

"De vez em quando aparecem uns "cromos" a querer brincar com a "caixinha de fósforos" chamada Portugal. São os "regionalistas" que têm tido, ao longo dos anos, diversos adeptos. O primeiro governo do eng. Guterres foi um deles e, suspeito, o actual também, mas ainda em surdina não vá o "chefe" maçar-se. Não faltam "regionalistas" entre os autarcas de todos os partidos. Por exemplo, pessoas recomendáveis como Mendes Bota, um poeta algarvio que usa capachinho, está sempre na linha da frente destes "movimentos". Desta vez, parece que a coisa começa para as bandas de algum PSD. Dr. Marques Mendes, apenas um conselho. Nem sequer lhes atenda o telefone."

terça-feira, abril 03, 2007

A LUTA CONTINUA...

... Contra os pitbull e todas as raças perigosas que por aí pululam com a condescendência das autarquias, das polícias e do Governo. Ontem, um homem foi atacado em Almancil. À porta de sua casa, por mais uma dessas feras desembestadas. Desta vez sobreviveu. Durante cerca de 10 minutos debateu-se sozinho contra a besta, até que os vizinhos lhe acudissem. O crime não pode continuar impune. A semana passada foi em Sintra, hoje aqui, amanhã onde será? Quem será a próxima vítima? Nesta matéria de urgente resolução só há um caminho: abate dos que aí andam e proibição total. O que não pode é continuar tudo como está, como se nada se passasse.

UMA EXCELENTE ENTREVISTA A MERECER CLARIFICAÇÕES ADICIONAIS



O Prof. Adriano Moreira, um homem sabedor que aos 85 anos respira vitalidade e energia por todos os poros, deu uma entrevista ao Público/Renascença, ontem publicada no jornal (2/4/07). Trata-se de uma excelente entrevista, mérito repartido pelos jornalistas e pela elevadíssima craveira do entrevistado. Diz o entrevistado que escreveu uma longa carta a Almeida Santos, a propósito do livro que este editou, recentemente, sobre a descolonização. Seria bom que fosse dado conhecimento público do seu teor, já que, estou certo, conterá algumas objecções aos factos e às teses do autor do livro. Quanto ao mais, retenho duas ou três passagens, que aqui transcrevo mas que não dispensam a sua leitura:

"Se estivesse na política que conselho daria? Ser-se autêntico. Ser fiel a princípios. Isso não é ser imobilista, é ser como o eixo de uma roda: a roda move-se, mas o eixo não sai do lugar. A matriz tem de ser uma escla de valores e é por isso que me tenho entusiasmado com a reedição das obras de Hanna Arendt. Qualquer partido, uma crise, tem de perceber onde está o eixo da sua roda e se reconduz tudo à autenticidade".

" (...) numa altura em que o papel dos Estados é de soberania partilhada, missões como a de assegurar um ensino superior de qualidade é uma missão de soberania que não deve submeter-se ao economicismo. Só uma mobilização da opinião pública fará com que os governos compreendam que esta é mesmo uma função de soberania".

"A respeitabilidade do Parlamento não foi restabelecida e é grave o divórcio entre a população e o aparelho do poder, tratado na terceira pessoa: "eles". Isso está a agravar-se pelas medidas da União Europeia daquilo a que chamo "políticas furtivas", isto é, aquelas que não têm a participação dos Parlamentos nacionais e não são apreendidas pelos cidadãos".

UM GRANDE FILME


Depois de nos últimos meses ter admirado,entre outros, Babel, The Flags of Our Fathers, Letters from Iwojima, The Last King of Scotland e revisitado as montanhas de Guilin nesse magnífico The Painted Veil, eis que surge Il Caimano. Algures entre a sátira, o humor e a genuidade italiana, ante a insólita aparição de Michele Placido e a podridão de um farsante feito político, com uma banda sonora irreprensível - fantástico o número dos miúdos dançando no estúdio - eis mais um grande filme numa sala com forte tradição em matéria de bom cinema. Il Caimano pode não ser uma obra-prima, mas nem por isso deixa de ser um grande filme. Ali, no King Triplex.

OS ANIMAIS FORAM À CAPITAL!



Uma vez mais, um bando de energúmenos e arruaceiros desceu até Lisboa para perturbar um jogo de futebol. Contou com o apoio da SAD do FC Porto, que lhes disponibilizou os bilhetes de acesso ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica e com a complacência das autoridades que deixaram entrar petardos numa zona supostamente segura. Partiram cadeiras, incomodaram e insultaram toda a gente, enfim, comportaram-se como já lhes é habitual. Como animais. Nada mais há a dizer. Faço minhas as palavras do Pacheco Pereira:

"Vendo as imagens da claque do Porto a ser pastoreada pela polícia por detrás das grades, cheia de indivíduos ululantes a dizer obscenidades e com dísticos elegantes e graciosos ("Carolina dá-me o teu soutien", por exemplo), lembrei-me de como o cartaz do PNR era mais bem aplicado aqui.
Eles não querem imigrantes ilegais, que vivem do rendimento mínimo, são violentos, não trabalham e pertencem a umas mafias criminosas. Enganaram-se certamente no destinatário do amável desejo de "boa viagem". Vamos dar-lhes uma oportunidade de se corrigirem."

sexta-feira, março 30, 2007

UM MAU SERVIÇO

O tão aguardado Rallye de Portugal começou ontem. No Estádio Algarve houve um belo espectáculo. Só é pena que não tenha estado cheio e que a GNR tenha prestado tão mau serviço. Logo ao princípio da tarde as estradas de acesso ao estádio foram fechadas, como se em causa estivesse a disputa de uma normal classificativa numa estrada local. Depois mandaram-me para um parque completamente esgotado, em Vale da Venda, de onde tive de sair em marcha-atrás ao fim de 20 minutos. Acabei por deixar o carro a quilómetros do estádio, depois de me terem dado a indicação de que estava tudo cheio. Estranhei. E tinha razões para tal. Era pura mentira. Havia milhares de lugares de estacionamento literalmente às moscas, em especial nos parques norte e poente. Não sei quem foi a luminária que deu ordens à GNR para não deixar passar ninguém para as estradas e parques de estacionamento situados nas imediações do Estádio Algarve. Sei é que os parques de estacionamento são construídos para alguma coisa e que se não servem para que os espectadores estacionem as suas viaturas, então não servem para nada e foram um puro desperdício. Aliás, se durante o EURO 2004 ou no célebre jogo do Benfica com o Estoril de há dois anos atrás isso não aconteceu, e tudo correu bem, por que raio aconteceu agora? Desta vez, a GNR e a Brigada de Trânsito prestaram um mau serviço ao público. Espero que no domingo isso não se repita.

quinta-feira, março 29, 2007

TAPAR O SOL COM A PENEIRA


O presidente da Assembleia da República, um homem culto e um dos raros políticos irrepreensíveis que este país ainda tem, está preocupado com o anquilosamento da casa maior da democracia portuguesa. Vai daí, encomendou, segundo percebi, um estudo ao deputado António José Seguro, que se encarregou de formular um vasto conjunto de propostas visando a modernização da Assembleia da República. Entre essas medidas avulta a da disponiblização pública do registo de interesses financeiros dos deputados na internet. Eu não tenho dúvidas de que esta medida e todas as outras susceptíveis de favorecerem a transparência e de imprimirem um maior rigor ao funcionamento das instituições e daqueles que compõem os seus órgãos e, ao mesmo tempo, reforçarem a confiança dos cidadãos nessas mesmas instituições, mais tarde ou mais cedo acabarão por dar os seus frutos. Só que isso também transformará cada cidadão num coscuvilheiro, que é como quem diz num pequeno pide. Por isso tenho sérias dúvidas sobre a eficácia das medidas propostas, se devidamente adoptadas e levadas à prática.
Penso que antes de se procurar o reforço dos mecanismos da democracia por essa via, seria conveniente que os políticos, e em especial o dr. Jaime Gama e os outros que ainda merecem alguma credibilidade aos olhos da comunidade, se preocupassem em estudar, propor e reformular os mecanismos de formação, recrutamento e selecção do pessoal político. Renovando os partidos e, talvez, começando por introduzir nas escolas, desde tenra idade, programas de formação cívica, que aos poucos fossem mudando as mentalidades.
Ainda há dias, no colóquio internacional que a AR promoveu sobre a corrupção houve quem não se cansasse de repetir que esse cancro se combate desde pequenino, começando logo nas escolas.
Na Política, Aristóteles não se cansou de enunciar as diferenças entre a educação em Esparta e em Atenas e de enfatizar a importância da formação e da educação no desenvolvimento de uma sociedade. Isso continua a ser imperioso fazer, mas não só ao nível da AR.
Olho para as autarquias locais com que diariamente contacto e vejo que muito pouco se evoluiu nessa matéria. São a perder de vista as cartas, faxes ou requerimentos que ficam sem resposta, não obstante as múltiplas insistências que são feitas. Agora, algumas modernizaram os serviços administrativos e então, em vez dos mal educados de antigamente, passámos a ter uma meninas e umas senhoras muito simpáticas e todas solícitas mas que são incapazes de esclarecer coisa alguma. Pergunta-se pelo requerimento, pelo processo, e a resposta vem célere: "está desde no dia x no gabinete do senhor arquitecto y" ou "agora não posso responder porque esse processo está com o zé dos anzóis que foi de férias, telefone amanhã" ou, ainda "está a guardar despacho desde o o dia tal"... Posso dar exemplos até à exaustão aos senhores autarcas.
E para aqueles cidadãos que recorrem às autarquias e que pouco ou nada têm, de nada serve dizer que existe um Código de Procedimento Adminsitrativo e que os pedidos de intimação para alguma coisa existem. A resposta, quando se fala nisso, é invariavelmente a mesma: "não, é melhor não, depois nunca mais me aprovam as obras e eu já gastei muito dinheiro com o arquitecto!".
Reformar-se o parlamento sem se reformar os políticos, acabará por ser mais ou menos o mesmo que aconteceu nas Câmaras Municipais. Muda-se a farda, diz-se ao pessoal para sorrir mais, instalam-se uns contadores com umas senhas e uns painéis digitais nas zonas de atendimento, põe-se música nos telefones e depois fica tudo na mesma. Só para dar um exemplo: fui fazer a entrega de um requerimento a um Câmara Municipal e fi-lo acompanhar de uma fotografia de dimensões razoáveis, dentro de um tubo, emitida por um serviço oficial. Logo me dissseram que não podiam receber a fotografia, imprescindível para a apreciação do requerimento, porque só aceitavam documentos no formato A4 ou dobrados em A4 e que se não entregasse a fotografia dobrada - isto é, se não estragasse a fotografia -, fazendo-a caber no formato A4 e a deixasse tal como estava, iria receber uma carta do "técnico" a quem fosse distribuído o processo para lá ir dobrá-la. É claro que quando perguntei se o requerimento fosse instruído com algo que não tivesse tal formato ou que não pudesse ser dobrado nesse formato (sei lá, uma maquete, um conjunto de meia dúzia de cassettes VHS, um calhau) os funcionários municipais embatucaram. Isso não estava previsto. Passou-se aqui no Algarve, numa câmara das mais modernas e mais ricas. E os exemplos multiplicam-se. Falar com um dos "técnicos" é mais diícil que falar com o Presidente da República. Os pequeninos poderes e a mediocridade ainda são a grande escola. Mas de uma coisa também tenho a certeza. Lisboa pode estar muito longe, mas também não vai ser nenhuma regionalização, com a sua procissão de acomodados, de caciques locais e de clientelas à beira da manjedoura, que vai mudar este estado de coisas. Há coisas que só se mudam fazendo-as implodir.


P.S. Consta que a Comissão de Ética mandou instaurar um processo de inquérito à actuação do deputado Jorge Neto, no caso da OPA da PT, na sequência da participação efectuada pelo presidente da CMVM, Carlos Tavares. Fico ansioso por conhecer as conclusões.

FINALMENTE, ALGUÉM DEU UM MURRO NA MESA!


Parece que o triste episódio da Universidade Independente vai ter um epílogo a breve trecho. Estas histórias das universidades privadas já começa a entediar. Impunha-se que os responsáveis pelo sector assumissem as suas responsabilidades. De preferência sem grande alarido, que este fica para a Judiciária e as câmaras da televisão. Durante dias a fio, nos diversos serviços noticiosos, tivémos aqueles senhores da Independente a insultarem-se em directo. Ladrão para aqui, ladrão para ali, ora roubo eu, ora roubas tu, desta vez vendo eu, tu compras amanhã, se não tiveres dinheiro chama-se os angolanos, o teu canudo não vale nada, o meu é que é verdadeiro, essa assinatura não é a minha, a culpa é da mulher dele, e por aí fora. Mariano Gago, com a discrição habitual, entendeu que era chegada a hora de acabar com o circo. Ou os senhores se entendem ou dentro de uma semana vai tudo para o olho da rua e acaba-se com o negócio. Só tenho pena que alguns dos nossos políticos tenha canudos de "Independentes" e de outras coisas do género. Para a próxima, em vez de andarem a colar cartazes, pode ser que resolvam estudar a horas e em estabelecimentos mais recomendáveis.

É HOJE!


Depois de um longo e interminável interregno, o Mundial de Ralis volta às estradas de Portugal. Desta vez no Algarve e com uma prova super especial no elefante branco do Parque das Cidades. Não, é esse que estão a pensar. Este dá prejuízo e não tem nada a ver com o da Luciano Cordeiro. Refiro-me ao Estádio Algarve que foi transformado numa classificativa de asfalto para receber as máquinas do WRC. Hoje às 18 horas. O tempo já disse que colaborava. E desta vez nenhum dos pilotos vai ter ao seu lado o José Apolinário a dizer "cuidado com essa curva". Espera-se que o público colabore, mantendo a sua segurança e a dos pilotos e não deixando muito lixo na serra algarvia. E que a GNR esteja atenta. Por causa dos aceleras que temos por cá.

quarta-feira, março 28, 2007

AFINAL HAVIA OUTRA!



Depois de tanta celeuma sobre a nova marca do ministro Pinho, verifica-se que o termo Allgarve já existe pelo menos desde 2004 e tem servido de suporte a um guia de informação turística sobre o Algarve. Em www.allgarve.biz é possível encontrar o site em causa, o qual, segundo me disseram, embora esteja activo apenas em língua inglesa, é propriedade de um holandês. Grave é que uma agência de publicidade tenha resolvido criar a campanha, à qual o Governo, através do ministério da Economia, e a Região Turística do Algarve, se associaram, dando o respectivo aval e suportando os custos milionários, convencidos de que a campanha era inovadora e que a descoberta do termo "Allgarve" tinha sido um verdadeiro ovo de colombo. Vê-se agora que não foi, o que, depois de tanta polémica, de tanto espírito exaltado e de tanto "interviu" só pode querer dizer uma coisa: foram todos enganados!

terça-feira, março 27, 2007

AEROPORTO DA OTA: UM IMBRÓGLIO!



O Prós e Contras de ontem, sobre o projecto do Aeroporto da Ota, programa que aliás se seguiu a um outro de idêntico cariz promovido há dias pela SIC Noticias e o Ricardo Costa, começou a tornar perceptível a dificuldade da escolha efectuada e a gravidade de algumas opções.

Que Lisboa e o país precisam de um novo aeroporto a curto/médio prazo é um facto. Que desde 1969 se andava a pensar no assunto e que se levou uma eternidade a avançar, é outro facto. Que 30 anos para escolher a localização de um aeroporto que se sabe ir precisar a médio prazo é uma eternidade, também é um facto. Que de há uma dezena de anos para cá se gastaram rios de dinheiro a fazer estudos sobre a melhor localização para um novo aeroporto ainda é um facto. Que tais estudos, vê-se agora, foram apenas preliminares e inclonclusivos, é mais um facto. Que a engenharia portuguesa tem capacidade para fazer um aeroporto na Ota ou noutro lado qualquer, também é um facto. Que o tempo para a construção do novo aeroporto vai escasseando é ainda umn facto a juntar aos anteriores. Que as preocupações ambientais estão a condicionar para lá do aceitável algumas opções, também é um facto a considerar e que tem de ser devidamente ponderado. Que qualquer que seja a opção, quem vai pagar o aeroporto seremos nós, contribuintes, e os nossos filhos, futuros contribuintes, e que isso nos vai custar os olhos da cara, são mais três factos pertinentes. Que os técnicos não se conseguem entender, além de ser também um facto é normal em Portugal. Que alguns vão ficar ricos com os estudos e as obras de edificação, sejam elas na OTA ou noutro sítio qualquer, também já todos sabemos que isso é ainda um facto incontornável. Que a construção do aeroporto na OTA seja um compromisso pessoal do senhor ministro, já não é um facto. É um disparate e uma teimosia típica de quem passou anos a militar no mais estalinista dos partidos comunistas da Europa ocidental e que nos pode sair muito cara.

segunda-feira, março 26, 2007

"SURCLASSÉS, BALAYÉS ET ENTERRÉS À LISBONNE"



"Après le 4-0 au Portugal, les Diables Rouges ont fait l'objet de bon nombre de blagues, tellement la situation est alarmante. Après 45 minutes raisonnables, les Belges ont été balayés et ridiculisés dans le stade Alvalade de Lisbonne, face à un Ronaldo et un Quaresma (quel joueur !) déchaînés. Les occasions de Van Buyten et de Sterchele auraient dû terminer au fond ? Oui, mais alors, un 9-2 aurait été le score logique." - aqui no La Dernière Heure


Não há nada como fazê-los descer à terra!

QUANDO É QUE FECHAM A COISA?


Outro folhetim que continua é o da "Universidade Independente". Os casos sucedem-se. As acusações entre responsáveis são diárias. Não há dia nenhum que passe sem meter polícia, seguranças, tribunais, discussões, insultos. O nível do discurso dos principais responsáveis pela instituição está ao nível dos carroceiros. Os alunos temem pelo seu futuro e pelo dinheiro que já gastaram. Em qualquer país decente e civilizado aquela coisa já tinha sido encerrada, os seus responsáveis estavam todos presos e já se teria encontrado uma solução para os alunos enganados. O nível de um país também se vê pela qualidade do seu ensino, pela seriedade das suas instituições e pela forma como o poder político lida (ou não lida) com situações como a da Universidade Independente. Os anteriores casos das Universidades Livre e Moderna não serviram de exemplo. Mariano Gago já devia ter falado, e grosso de preferência. Pode ser que de futuro o Estado antes de se propôr atribuir alvarás a eito assuma as suas responsabilidades. Até lá, é fartar vilanagem.

ACABOU A FARSA


Chegou ao fim aquela espécie de concurso mais imbecil de sempre, promovida pela RTP e por Maria Elisa, destinada a escolher o melhor português de sempre. O resultado foi o esperado. A malta do ex-MIRN, dos movimentos ditos nacionalistas e os ex-pides que por aí andam, resolveram gastar umas coroas em chamadas telefónicas e votaram num esqueleto. O resultado não oferece surpresas. A não ser para os organizadores do programa e para os que resolveram colaborar na farsa. Quanto mais importância derem ao esqueleto mais o pagode vai gozar.

APLAUSOS


Para a Selecção Nacional de Rugby, vulgo "Os Lobos", que com sangue, suor e lágrimas conseguiu o apuramento para o Mundial de Rugby, em França. Agora que venham os Kiwis!

E também um aplauso para a Câmara Municipal de Faro pela excelente iniciativa que constitui o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa.

sábado, março 24, 2007

BOM FIM-DE-SEMANA



E se possível com bom cinema. Do Caimão a Pequenas Flores Vermelhas, propostas não faltam.

A FLOR QUE FALTAVA

Os portugueses já habituaram a ver aparecer Luís Filipe Menezes sempre que surge uma oportunidade de "esfolar" o líder do seu partido. Agora, o pretexto foi a ideia de Marques Mendes de patrocinar essa brilhante ideia do seu guru Frasquilho de baixar os impostos. Numa entrevista ao DN e à TSF, Menezes veio dizer que não se pode apresentar uma proposta de baixa de impostos a meio da legislatura, numa altura em que apenas 3 meses passaram sobre a data de aprovação do orçamento, e que o correcto teria sido fazer essa proposta então , na altura do debate. E disse mais, disse que fazê-lo agora poderia dar uma imagem de oportunismo político e de laxismo .

É claro que logo a seguir Menezes veio dar livre curso à sua megalomania "lidero uma pequena comunidade que é equivalente a um pequeno país da Europa, com mais de 300.000 habitantes...". Enfim, pela mesma bitola Carmona diria em relação a Lisboa que lidera uma comunidade de média dimensão equivalente a um país médio da Europa, sei lá, talvez uma Bélgica ou uma Dinamarca...

sexta-feira, março 23, 2007

AO QUE UMA JORNALISTA SE PRESTA


A jornalista Judite de Sousa resolveu entrevistar o arguido de um processo-crime. Esse arguido é (ou era?) militante do PSD, presidente da Câmara de Gondomar, administrador do Metro do Porto. Já foi presidente do Boavista e presidente da Liga de Clubes. Não é um arguido qualquer. E não sendo um arguido qualquer foi acusado de dezenas de crimes de corrupção pelo Ministério Público.

Ontem, a jornalista em causa deu-lhe tempo de antena, do muito que o sujeito tem gozado, para que ele pudesse desancar no Ministério Público e no juiz de instrução que mandou o processo para julgamento. A este último chamou-lhe "ficcionista"!
Não sei o que tal juiz de instrução irá fazer, mas um colega meu, advogado em Faro, por ter escrito, quando interpôs recurso de uma sentença, em seu entender injusta, que aquela era "infeliz", mereceu uma participação para a Ordem dos Advogados do ilustre magistrado de Silves que admitiu o recurso, que o acusou de com tal expressão ter sido violado pelo advogado o dever de urbanidade para consigo. Este é apenas mais um pequeno exemplo da forma como alguns exercem o poder. Fico, pois curioso, para ver como reage esse juiz. Se é que vai reagir.

É claro que não ponho em causa, quanto mais não fosse por formação, que um arguido tenha o direito de exprimir livremente o seu pensamento e de se defender em público, tanto mais que tem sido atacado, julgado e condenado em diversos órgãos de comunicação social. O que questiono é que numa fase destas do processo a televisão pública lhe faculte o exercício de um direito de defesa que não faculta a mais nenhum arguido.
E não deixou de ser penoso ver a forma como a entrevista foi conduzida. Antes seria de dizer monólogo, já que, em rigor, foi o entrevistado quem conduziu a entrevista, dizendo tudo o que lhe veio à cabeça, vangloriando-se do seu poder autárquico, dando-se ao luxo de achincalhar quem o entrevistava.

Ao longo da entrevista a jornalista foi tratada por Judite, D. Judite e Drª Judite, consoante os humores do entrevistado. Em dada altura até lhe chamou "primeira dama de Sintra". A jornalista, subservientemente, tudo permitiu e excaixou com um sorriso nos lábios.

O público não ganhou nada com a entrevista, o arguido não saiu ilibado, a mulher saiu aviltada, o jornalismo televisivo não saiu prestigiado. Enfim, mais um triste espectáculo.
Mas quando há jornalistas que se prestam a exercícios como o de Judite de Sousa, com arguidos como o que estava em estúdio, num canal da televisão pública, está tudo dito sobre o país que temos.

AINDA O DÉFICE



De Sérgio Figueiredo na Sábado (22/3/07):

"Ao reconhecer que há margem para baixar os impostos, ao reafirmar que o crescimento do PIB continua débil, não há outra via possível: o PSD está a passar um atestado de qualidade à consolidação orçamental dos socialistas, porque esta só pode estar a ser conseguida através do corte na despesa. Isso significa apenas que o dr. Marques Mendes e o seu economista de serviço decidiram deitar para o caixote do lixo todo o argumentário que utilizaram nos últimos 24 meses para desacreditar as Finanças de Sócrates."

quinta-feira, março 22, 2007

REGIONALISMOS CANHESTROS


Foi de ir às lágrimas a intervenção hoje feita pelo deputado Mendes Bota na Assembleia da República. Então não é que o senhor deputado fez uma intervenção a criticar a campanha "Allgarve" e a utilização de tal anglicismo e depois veio falar em "interviu"? Felizmente, houve logo quem lhe ensinasse que em Português tal termo não existe e que no falar escorreito e correcto da nossa terra se diz "interveio". Para deputado não está mal, não senhor. Anda o PSD a pedir esclarecimentos à licenciatura do primeiro-ministro e depois os seus deputados licenciados fazem figuras destas. Lapsos todos têm, é certo, mas quando se tem a pretensão de que se sabe falar e escrever em bom português e se tem aspirações a líder regional...

50 REASONS TO LOVE THE EU


Quem diria? E mais a mais vindo de um jornal inglês, como diria o meu amigo Vítor Nogueira, que me chamou a atenção para esta capa do The Independent.


50 reasons to love the European Union As the EU celebrates its anniversary, The Independent looks at 50 benefits it has brought, and asks: "What has Europe done for us?" (Published: 21 March 2007)

1 The end of war between European nations
2 Democracy is now flourishing in 27 countries
3 Once-poor countries, such as Ireland, Greece and Portugal, are prospering
4 The creation of the world's largest internal trading market
5 Unparalleled rights for European consumers
6 Co-operation on continent-wide immigration policy
7 Co-operation on crime, through Europol
8 Laws that make it easier for British people to buy property in Europe
9 Cleaner beaches and rivers throughout Europe
10 Four weeks statutory paid holiday a year for workers in Europe
11 No death penalty (it is incompatible with EU membership)
12 Competition from privatised companies means cheaper phone calls
13 Small EU bureaucracy (24,000 employees, fewer than the BBC)
14 Making the French eat British beef again
15 Minority languages, such as Irish, Welsh and Catalan recognised and protected
16 Europe is helping to save the planet with regulatory cuts in CO2
17 One currency from Bantry to Berlin (but not Britain)
18 Europe-wide travel bans on tyrants such as Zimbabwe's Robert Mugabe
19 The EU gives twice as much aid to developing countries as the United States
20 Strict safety standards for cars, buses and aircraft
21 Free medical help for tourists
22 EU peacekeepers operate in trouble spots throughout the world
23 Europe's single market has brought cheap flights to the masses, and new prosperity for forgotten cities
24 Introduction of pet passports
25 It now takes only 2 hrs 35 mins from London to Paris by Eurostar
26 Prospect of EU membership has forced modernisation on Turkey
27 Shopping without frontiers gives consumers more power to shape markets
28 Cheap travel and study programmes means greater mobility for Europe's youth
29 Food labelling is much clearer
30 No tiresome border checks (apart from in the UK)
31 Compensation for passengers suffering air delays
32 Strict ban on animal testing for the cosmetic industry
33 Greater protection for Europe's wildlife
34 Regional development fund has aided the deprived parts of Britain
35 European driving licences recognised across the EU
36 Britons now feel a lot less insular
37 Europe's bananas remain bent, despite sceptics' fears
38 Strong economic growth - greater than the United States last year
39 Single market has brought the best continental footballers to Britain
40 Human rights legislation has protected the rights of the individual
41 European Parliament provides democratic checks on all EU laws
42 EU gives more, not less, sovereignty to nation states
43 Maturing EU is a proper counterweight to the power of US and China
44 European immigration has boosted the British economy
45 Europeans are increasingly multilingual - except Britons, who are less so
46 Europe has set Britain an example how properly to fund a national health service
47 British restaurants now much more cosmopolitan
48 Total mobility for career professionals in Europe
49 Europe has revolutionised British attitudes to food and cooking
50 Lists like this drive the Eurosceptics mad

PATÉTICO SE NÃO FOSSE GRAVE


Ontem de manhã uma mulher foi morta por quatro cães quando seguia para o seu trabalho. Tinha 59 anos. Era ucraniana. Veio para Portugal para procurar uma vida melhor, para contribuir para o desenvolvimento deste país, fazendo aquilo que muitos portugueses deviam fazer e não fazem. Era uma mulher simples e indefesa. Acabou numa rua de São Pedro de Sintra, entregue aos dentes de quatro cães.

À noite, na SIC Notícias, ouvi o meu colega Luís Filipe Carvalho e um senhor que dizia ser criador de cães de raça "Rottweiller", responderem a meia dúzia de questões da apresentadora de serviço. Ao ouvir o dito senhor que se afirmava criador de cães, eu fiquei a pensar como seria possível levar um fulano daqueles à televisão e pôr-lhe um microfone à frente para debitar tantas alarvidades sem nexo. O meu colega deve ter ficado zonzo com o seu parceiro de debate, mas manteve uma compostura irrepreensível.

Pela minha parte também fiquei perfeitamente esclarecido.

Enquanto o Governo, as Câmaras, as polícias e os tribunais não puserem termo a esta vaga de cretinos que de boné virado ao contrário se passeiam por aí com rottweillers e cães de fila, sem açaime nem trela, enquanto não se acabar com os ditos "criadores" de cães perigosos e com o comércio indiscriminado destes bichos, enquanto não se controlar o uso que dos bichos é feito em zonas degradadas e socialmente problemáticas e a lei não for severamente aplicada, continuaremos literalmente entregues aos bichos. Hoje foi a emigrante ucraniana. Amanhã quem será?

RESPONDA QUEM SOUBER



De um homem que é executado por ter mais de 300.000 euros de dívidas a uma sala de jogo pode dizer-se, com toda a propriedade, que tem todos os traços de um jogador. Porque um cidadão normal ou quem entra esporadicamente numa sala de jogo para se divertir não joga acima das suas possibilidades, nem pede dinheiro emprestado a casinos para poder jogar. E estes, sabe-se isso, também não emprestam dinheiro a qualquer pessoa. E se assim é, eu só pergunto como é que um homem com este currículo pode ser administrador da SAD de um dos principais clubes de futebol do país?

O PARTIDO DO WALT DISNEY E AINDA O ALLGARVE



Vale a pena ler o artigo de hoje de Mário Bettencourt Resendes no DN, que com a devida vénia se transcreve com sublinhados do editor deste blogue:

O roteiro errado de uma história de Disney Nota 1

"Já foi o partido de Walt Disney. Invocava-se o rato Mickey como capaz de derrotar Paulo Portas, subentendia-se que haveria também uma Minnie, que era, recorde-se, a eterna namorada do simpático e inteligente ratinho das histórias de banda desenhada que animaram a infância e a adolescência de várias gerações pré-televisivas.
A referência a Disney foi profética. É que havia, no restante elenco, vilões, como os diabólicos irmãos Metralha e o pérfido João Bafo de Onça. E também outras figuras, como o milionário Patacôncio, símbolo de uma inveja amarga, o professor Pardal, cuja criatividade, supostamente genial, acabava, por norma, em catástrofe, o desastrado pato Peninha, o sortudo e elegante Gastão, que nunca entendeu que as mulheres (pelo menos na ficção infantil...) preferem os desafortunados.
Ora, toda essa troupe reapareceu, em força, no último domingo, num hotel perto de Óbidos. Mas, ao contrário dos seriados assinados pela equipa de Walt Disney, não houve um final feliz. Porquê? Fundamentalmente, porque, enquanto na banda desenhada o bom senso e a perspicácia cabiam aos jovens - por exemplo, os sobrinhos de Donald -, e daí o êxito que as histórias tinham entre os mais novos, no CDS a rapaziada porta-se mal. Mesmo muito mal... Por sinal, com a idade, parecem ter perdido aquele ar de adultos precoces e entregam-se agora às travessuras que não cometeram no tempo apropriado.
Ou seja, subverteram o guião, que tinha uma receita de êxito, e transformaram-no numa espécie de mistura de telenovela venezuela com um filme de terceira categoria sobre a mafia nova-iorquina. Diga-se que há sempre público para esses subprodutos - quebram a rotina de um quotidiano cinzento -, mas ninguém comprará, nos tempos mais próximos, um automóvel em segunda mão a nenhum dos figurantes.
Tentando, com algum esforço, alinhavar alguma análise séria sobre aquelas fatídicas 13 horas - e tudo o mais a que se tem assistido nos últimos dias -, dir-se-á que Paulo Portas bem poderia ter reconquistado o CDS num percurso formal e tranquilo, ou seja, num congresso tradicional. José Ribeiro e Castro é um homem simpático e cordial, mas a sua liderança de matiz europeia, no estilo e na distância para o quartel-general, tinha já o destino escrito nas estrelas.
Só que Portas não resistiu aos seus conhecidos impulsos de originalidade e inventou um caminho que, mesmo permitido pelos estatutos, lhe deixará apenas os restos do partido.
Com tudo isto, Portas corre o risco de alcançar o indesejável "mérito" de substituir Pirro nos livros de História.
No meio da balbúrdia, ouviu-se uma voz de bom senso, a de António Lobo Xavier, a propor a Portas que deixe cair, por agora, as directas, e aceite um congresso organizado por uma comissão de independência indiscutível. Bem sei que, em política, nasce-se e morre-se muitas vezes, mas suspeito, mesmo assim, que, no seu íntimo, Lobo Xavier sabe que se trata, nas actuais circunstâncias, apenas de garantir um enterro com alguma dignidade.
Não quero incorrer em "abuso de posição dominante" (neste caso os meus quatro mil caracteres contra os dois mil da coluna de opinião da última página) e obrigar Ruben de Carvalho a consumir mais espaço com quem assina estas linhas. Tem, por certo, temas bem mais interessantes com que se ocupar. Surpreendeu-me, apenas, a sua preocupação, que partilho, com um eventual regresso do latim às missas católicas. Espero bem que Ruben possa continuar a rezar, nos templos e em voz alta, na nossa língua materna... No resto, fico na minha, Ruben na dele, e nós, obviamente, amigos como sempre.
Impressiona-me o provincianismo bacoco de alguns autarcas e responsáveis hoteleiros algarvios a propósito de uma campanha publicitária que pretende promover um conjunto de eventos de animação previstos para os próximos meses. Meu Deus, é assim tão difícil entender que não se trata de "roubar" o nome à terra e apenas de utilizar a criatividade para melhor chamar a atenção de um determinado segmento de mercado?
Basta recordar alguns dos crimes de urbanização que têm assassinado muito Algarve para lembrar a esses senhores que têm outras coisas, essas, sim, sérias, com que se preocupar...
"

terça-feira, março 20, 2007

MULHERES NA POLÍTICA


Continuo a pensar que fazem falta mais mulheres na política. Mais na política do que nos tribunais. Maria José Nogueira Pinto veio, uma vez mais, dar-me razão. A coragem que demonstrou perante os arrivistas do PP no último Conselho Nacional, logo depois da posição que tomou na Câmara de Lisboa perante o seu presidente e o relatório sobre a Gebalis, recomendam a sua mantuenção durante muitos anos na vida pública. Não partilho das suas ideias, não comungo das suas opiniões e raramente concordo com ela. Mas isso não invalida que admire a verticalidade da mulher, o bom senso e a coragem que tem demonstrado na forma como anda na política portuguesa.

VOLTOU TUDO AO PRINCÍPIO


Depois de pela primeira vez, ao fim de muitos meses, as claques do FC Porto não terem tido vontade de insultar os ausentes, um magnífico golo de Petit fez o campeonato voltar ao princípio. Agora é que o campeonato vai começar a sério. Os próximos desenvolvimentos terão lugar ali para os lados da Luz, no dia 1 de Abril, às 20.15.

ALLGARAVIADA DO COSTUME!




A nova campanha promocional do Algarve, lançada no final da semana passada pelo ministro Manuel Pinho tem vindo a gerar protestos por parte de alguns dirigentes políticos e responsáveis algarvios. O Correio da Manhã, o Público e os jornais regionais (interessantes o artigo de Pedro Maia no Observatório do Algarve e as notas de António Boronha) fizeram eco desses protestos. Os fundamentalistas do costume falaram logo em atentado contra os valores históricos do Algarve e pediram a demissão do ministro. Sem razão quanto a mim. Não tanto pela expressão escolhida, mas pelo jogo que é feito com o nome da região designada por Algarve (também já houve quem falasse no reino dos Algarves). Que os homens do marketing têm por hábito jogar com as palavras, criar novas expressões e fazer trocadilhos fáceis, já todos sabemos. Que o ministro da Economia, sendo um homem de boa fé e bem intencionado, tem sido infeliz em muitas intervenções, também não é novidade. Mas todos sabemos que os que agora protestam são os mesmos que mandando no Algarve há dezenas de anos foram até hoje incapzes de fazer algo que se visse e são os mesmos que habitualmente protestam por tudo e por nada. De alguns se dirá mesmo que sofrem de "regionalite aguda". José Vitorino ou Mendes Bota outra coisa não querem do que promoção e tempo de antena. Aliás, precisam destes fait-divers para darem nas vistas. Um há muito que mostrou não ter dimensão que o recomendasse. Ao outro já ninguém leva a sério. O responsável pela Região de Turismo do Algarve, Hélder Martins, que é tão algarvio quanto os demais e não consta que seja socialista, não se manifestou contra a campanha. Bem pelo contrário. E até diz mais: diz que as Câmaras de Faro e de Loulé, esta última do PSD e bem próxima de Mendes Bota, foram ouvidas sobre a campanha e sobre o nome escolhido e nada disseram em tempo oportuno. Agora resolveram fazer uma tempestade num copo de água. Por mim, considero que se em vez de "Allgarve" tivesse sido escolhido "Al(l)garve" já nada disto acontecia. A expressão pode não ser a melhor, embora se perceba perfeitamente o sentido e alcance do que se pretende. Mas não vale a berraria que para aí vai. Será que já alguém ouviu esses mesmos senhores queixarem-se pelo facto de no final da A2, no sentido Lisboa/Algarve, haver, há anos, uma menção no pavimento a dizer "Mão Porti" em vez de "Portimão" e de não haver ninguém que proceda à correcção dessa barbaridade? Ou queixarem-se pela falta de limpeza das ruas de Faro, pelo lixo amontoado junto aos contentores e ecopontos, pelos dejectos caninos em zonas pedonais, pelo cheiro a urina junto às escadas do principal parque de estacionamento automóvel de Faro ou pelos restos de comida para cães e gatos à porta de muitas casas? Enquanto alguns algarvios com responsabilidade no estado actual do Algarve não perceberem que a mistura de alhos e de bugalhos não beneficia em nada a região e que a dimensão do seu umbigo é incompatível com o desenvolvimento por que se anseia, será muito difiícil mobilizar gente capaz, competente e trabalhadora para os desafios importantes. E isso só servirá para se continuar a prejudicar a região. Os principais prejudicados serão sempre os algarvios e todos os que escolheram o Algarve para viver e trabalhar.



Em tempo: Atente-se na seguinte passagem do que António Eduardo Ferreira escreveu no Diário Digital:

"(...)Contando que o termo cumprirá os objectivos da acção de promoção, daí não resultará grande dano patrimonial (na língua e cultura). Mas, parece que a ideia não agradou mesmo nada a figuras da administração pública e sectorial da região (Mendes Bota, Macário Correia e Elidérico Viegas).

Ainda que isto baste para que a ideia se considere vendida, não deixa de ser questionável que o Instituto de Turismo (e o ministério que o tutela) tenha – aparentemente - contratado e aprovado sem consultar ou envolver agentes locais nos briefings.

Pudor topónimo à parte, o exercício criativo até resulta imaginativo e inspirador. O conceito, explicam os promotores, pretende significar alegria, diversidade, glamour etc. Tanto All-garve pode até favorecer a região que até já merecia um nome assim (diz-se que há restaurantes que já só disponibilizam ementas em língua estrangeira, mesmo a fregueses residentes).(...)
"

sexta-feira, março 16, 2007

AU REVOIR, PARIS!


Enquanto, à falta de melhores argumentos, o site oficial do Paris Saint Germain se queixa, sem razão, da arbitragem, o Figaro, compreensivelmente critica os jogadores do PSG por terem passado mais tempo a discutir com o árbitro do que a jogar futebol. Mas o que lá vai, lá vai. Espera-se que até agora tenham sido apenas os treinos e que de hoje em diante a fabulosa máquina da Luz volte a mostrar o seu valor durante 90 rápidos e irrepreensíveis minutos. A comçar já na Reboleira com o Estrela e com continuação com o Porto. Lisboa ontem teve o privilégio de ver exibições de alto nível de Simão, Petit e Léo, e teve a confirmação da ascensão de uma jovem estrela ao firmamento encarnado: David Luís vem na peugada da Toyota, veio para ficar. Segue-se o Espanhol de Barcelona.

quarta-feira, março 14, 2007

ULTRAJANTE



Acabei de ver as imagens do estado deplorável em que ficou o líder da oposição do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, depois de uma curta passsagem pelas mãos dos torcionários ao serviço do senhor Robert Mugabe. Ainda assim, ele teve forças para falar e mostrar ao mundo as marcas que lhe deixaram no rosto e no corpo. Inchado, com um olho descomunal, com parte da cabeça rapada, ele chamou "sádicos" aos seus agressores, o que não deixa de ser um acto de extrema coragem e um convite a um novo fim-de-semana junto da polícia política de Mugabe.

A Rodésia de Ian Smith era um estado fantoche. O Zimbabwe de Mugabe é uma ditadura feroz, violenta e corrupta. Um estado entregue a um louco tão louco como era Idi Amin Dada ou ainda é o todo poderoso Kim da Coreia do Norte. Um ultraje à consciência humana e aos valores da civilização.

Até agora ainda não ouvi uma palavra de Francisco Louçã ou de Bernardino Soares. Mas ainda não perdi a esperança de os ouvir. Em especial ao segundo, cujos padrões "democráticos" ainda estão em fase de consolidação e que, por isso mesmo, tem sempre uma justificação para tudo. Até para o injustificável.

OPA AO DEPUTADO NETO

Do deputado Jorge Neto comecei a ouvir falar, aqui há uns tempos, por participar nuns truculentos debates televisivos com mais alguns parceiros da Assembleia. Nunca lhe apreciei o estilo. Ainda menos o verbo.

Mais recentemente ele voltou a aparecer, a propósito da OPA lançada pela Sonae sobre a PT. Não na qualidade de deputado, mas no papel de advogado e representante de um grupo de pequenos accionistas da PT. A mim sempre me fez confusão esta confusão de estatutos entre os que exercem profissionalmente a advocacia e os deputados e membros da classe política. Sempre fui avesso à promiscuidade na política, na profissão e na vida.

Hoje, à hora do almoço, ouvi um extracto da passagem de Carlos Tavares, presidente da CMVM, pela Assembleia da República. Lá estava de novo o deputado Jorge Neto. Desta vez, não como advogado, presumo, mas como deputado, a falar sobre a OPA e a criticar a "falta de imparcialidade e de isenção" do presidente da CMVM.

Há alguns que são simplesmente rudes. Outros há que são ordinários e mal educados. Mas há ainda outros que podendo ser tudo isso também não se enxergam. Com que então falta de imparcialidade e de isenção? Será que o deputado Jorge Neto já faz parte do governo sombra do PSD? Será que é com esta gente que o PSD quer ser governo? Eu se fosse a Marques Mendes, pelo sim pelo não, convidava-o já para garantir o seu concurso. A quem vai nu uma flor na orelha sempre dá um ar mais garrido.


P.S. Para quem não percebeu eu esclareço que não critico o advogado. Critico apenas o deputado e o político.

LEVAR BORDOADA E CONTINUAR A SORRIR



Cada dia que passa a direcção política do PSD fica mais e mais desfeita.

Primeiro foi o Presidente da República a responder a uma pergunta sobre a construção do futuro aeroporto da OTA. Quando os jornalistas esperavam que ele viesse criticar a decisão do Governo, ele entendeu dizer que esse é um problema para os técnicos resolverem, assim antecipando a resposta que na próxima sexta-feira Marques Mendes poderá receber quando for visitar o Presidente a Belém. Isto para o caso de ainda ter coragem de voltar a falar no assunto.

Ainda não refeito de mais essa farpa no líder do PSD, ouvi o dr. Marques Mendes, do alto da sua demagogia, pedir ao Governo uma redução de impostos, começando já pelo IVA.

A resposta não se fez esperar. E ao contrário do que se possa pensar não veio do Governo nem de nenhum dos esforçados parlamentares ao seu serviço. Veio de dentro do próprio PSD, da ministra da Finanças de Durão Barroso, de uma das mulheres mais sérias, competentes e prestigiadas que está na arena política. Manuela Ferreira Leite referiu-se à proposta de descida dos impostos como mera "propaganda de bastidores" e considerou tal proposta totalmente impensável e irresponsável. Marques Mendes deve ter ficado com as orelhas a arder.

Eu, quando ouvi Marques Mendes, fiquei logo convencido de que essa proposta, de tão brilhante, só poderia ter partido de Miguel Frasquilho ou de Azevedo Soares. Infelizmente não pude confirmá-lo. No entanto, já fiquei com uma certeza: Marques Mendes quis antecipar-se a Luís Filipe Menezes e antes que este começasse a propor descidas de impostos, acolitado pelo dr. Bota, na sua corrida à liderança, ele resolveu tomar a dianteira. No PSD o espectáculo vai continuar. E José Sócrates a assistir a tudo do camarote. PSD, quem te viu e quem te vê!

AGITAÇÃO BLOGOSFÉRICA



Uma das coisas que a blogosfera tem é de transformar em notícia simples bolhas de sabão. O motivo agora foi a criação do pomposamente denominado Serviço Integrado de Segurança Interna, colocando-o ao lado do cartão do cidadão e do cruzamento de dados fiscais como uma grave evasão da esfera dos direitos, liberdades e garantias de cada cidadão. Chega-se mesmo ao ponto de comparar a decisão política do actual Governo quanto à criação daquela estrutura para afirmar coisas tão eloquentes como que dessa forma fica arrumada a hipótese de um novo processo Casa Pia!

Após o 25 de Abril criou-se neste país a ideia de que todo e qualquer controlo ao nível da segurança do Estado seria pidesco ou teria carácter fascizante. Por essa mesma razão é que durante anos este país foi um porto de abrigo de terroristas internacionais, de mafiosos que se passeavam por Cascais fumando os seus charutos e divertindo-se noite fora, de burlões e de toda uma cáfila de indesejáveis que eram procurados internacionalmente.

Também, durante anos a fio, criticou-se a descoordenação entre as polícias, gozou-se com a PSP, com a GNR e com a PJ, gozou-se com a ineficiência das investigações, gozou-se com o Ministério Público. As investigações eram normalmente inconsequentes, os ministros da Administração Interna e da Jusitça eram sempre maus, nunca percebiam nada do assunto e tudo o que se fazia nessa área chocava com os interesses das corporações. Foi assim que se chegou às confusões do processo Casa Pia, aos processos da GNR, aos relatórios sobre sevícias nas esquadras, e a todo um conjunto de situações aparentemente inexplicáveis mas reais.

Agora, o ministro António Costa resolveu acabar com o problema da descoordenação e criar o "SISI". Imediatamente a malta se agitou e começou a imaginar o primeiro-ministro a ler relatórios sobre as horas a que cada um se levanta todas as manhãs. Alguns aproveitam a confusão para dar nas vistas, outros para gozar com o pagode. Entre estes útlimos está notoriamente Vasco Pulido Valente. António Costa levou-o a sério e até um blogue oficial foi criado para discutir e afastar as teses do Vasco. Ele deve estar divertidíssimo. O chinfrim é geral. No meio desta algazarra só vejo uma voz verdadeiramente lúcida a equacionar o problema como deve ser. Refiro-me ao Vicente Jorge Silva.

Efectivamente, todos sabemos que a excelência do desempenho de um órgão vai da qualidade do seu titular e da forma como este desempenha o cargo. Mas numa democracia adulta não há que temer. O que está a acontecer na Câmara de Lisboa, no processo do Apito Dourado ou em Felgueiras estão aí para confirmá-lo.

O único ponto verdadeiramente criticável da proposta governativa é a falta, por agora, de adequado controlo parlamentar, já que sem este tudo não passa de um esquema policial sujeito à manipulação de quem tenha o poder. Não me refiro ao António Costa que nessa matéria é insuspeito, por formação, pelo seu carácter e pelo seu passado. O problema reside apenas em saber quem controla, como controla e onde se efectua o controlo do big brother.

A discussão blogosférica desviou-se para o campo da criação da estrutura, sobre a sua necessidade ou desnecessidade, ou para os efeitos perversos que a sua criação poderá gerar, em vez de se preocupar com aquilo que importa. Muito do que se tem dito ou escrito não é certo, não é sério, não é rigoroso, deriva da confabulação fantasmagórica e de preconceitos.

Aquilo que devia preocupar os espíritos situa-se a outro nível, já que é ao nível do controlo e vigilância do "SISI", e só neste, que o problema se coloca. E aqui o que importa saber é se tal estrutura é viável no contexto da nossa democracia, com a classe política que temos. Ou seja: o que importa saber é se a nossa classe política é fiável?; se os nossos parlamentares são fiáveis?; se é admissível uma estrutura como o SISI com a classe política que temos? Eu penso que a resposta a todas esss questões é não. Esse é que é o problema que urge resolver. Numa democracia forte os tigres são todos de papel.

segunda-feira, março 12, 2007

TEXTOS DA MINHA VIDA (12)


"Despedir-se é negar a separação, é dizer: Hoje fingimos que nos separamos, mas ver-nos-emos amanhã. Os homens inventaram o adeus porque se sabem de algum modo imortais, ainda que se julguem contingentes e efémeros". - Jorge Luís Borges, Delia Elena San Marco, in O Fazedor (El Hacedor), Buenos Aires, 1960

A VER SE APARECEM


Ao ler este pequeno texto do Pedro Correia, no Corta-Fitas de 8 de Março pp., versando a amizade, não pude deixar de pensar também nos meus. Daqui vai um abraço para eles. A ver se aparecem. O Algarve não é assim tão longe. E ainda não é como o Porto ou a Madeira. Uma região, quero eu dizer.

TRAFULHAS E PANTOMINEIROS


O senhor Hans Blix, que se bem se recordam foi o homem que investigou a existência no Iraque de arsenais nucleares e químicos, tendo presidido à comissão que elaborou o resepctivo relatório, deu uma estranha entrevista em que veio esclarecer que no dito relatório, o mesmo que George Bush filho, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso invocaram para apoiarem o desencadeamento das hostilidadedes militares contra o falecido Saddam Hussein, os pontos de interrogação foram substituídos por pontos de exclamação, dessa forma transformando em afirmações e certezas o que não passava de dúvidas e conjecturas. Partindo do princípio de que é verdade o que o senhor Blix afirma, estranha-se que só o faça ao fim de tantos anos e muitos milhares de mortos depois. Até agora não ouvi nenhum desmentido de nenhum dos visados que leram o relatório (Barroso e Aznar não leram nada, limitaram-se a engolir acriticamente o que lhes foi posto na manjedoura, pelo que também nada podiam dizer). Perante factos desta gravidade, e já que nenhum dos visados o fez, impunha-se que o Secretário Geral da ONU, que também terá tido acesso a tal relatório, viesse esclarecer o que sabe e eventualmente ordenar um inquérito internacional para apuramento da verdade. Já que dos trafulhas e dos pantomineiros não nos podemos livrar, ao menos que se saiba a verdade dos factos.

REGISTO

As autoridades espanholas divulgaram hoje que o Banco Espírito Santo está totalmente ilibado das suspeitas de fraude fiscal e de colaboração na lavagem de dinheiro sujo, que motivaram uma visita às suas instalações na capital espanhola, aqui há uns meses atrás. O BES fica com a sua imagem limpa. A banca nacional e o país agradecem. Já basta o que não se pode evitar. Antes assim.

sexta-feira, março 09, 2007

BOM FIM-DE-SEMANA


"É claro que uma pessoa renuncia frequentemente àquilo que desejou e se contenta com aquilo que consegue. Aquilo que ele não conseguia, explicou ele a si próprio, era continuar ali, sem fazer nada, a meditar. Lançou o poncho sobre os ombros, apagou a luz, agarrou na aldraba aos apalpões, foi para o vestíbulo e fechou a porta à chave. Sem pressa, desceu a escadaria de ferro. Disse para consigo: Chegou o momento. Vou-me embora" - Adolfo Bioy Casares, Diário da Guerra aos Porcos.

NOTIFIQUE-SE O FALECIDO PARA LEVANTAR A CERTIDÃO



Peço desculpa ao prezado blogger que publicou esta notificação, cujo nome na altura guardei e agora não sei onde pus, para aqui colocar a devida menção, para com a devida vénia reproduzir esta pérola. Espero que o morto tenha ido levantar a certidão.

FÁTIMA FELGUEIRAS


Continuou esta semana o julgamento de Fátima Felgueiras. Depois do ar divertido da senhora nos primeiros dias, aos poucos vamos ficando a conhecer a forma displicente como se organizavam – organizam? – as finanças dos partidos políticos. Naquele caso em concreto estavam em causa as finanças do PS, em Felgueiras. Sim, porque Felgueiras não é o Largo do Rato. O que vai valendo ainda vão sendo as vestimentas da autarca: dos decotes ousados e do ar bronzeado aos corsários – dizem-me que é assim que se chamam aquela espécie de bermudas pelo meio da pernas - com salto alto, é todo um festival de gaiteirice.

A democracia portuguesa e os seus partidos construíram um país de Fátimas decotadas e de Valentins de roupão, uma democracia de construtores civis, de especuladores e de trolhas, de finanças paralelas, de sacos azuis e de tesoureiros medíocres. Não há nada como estar à porta de um tribunal ou ter a televisão ligada para ir vendo a evolução da democracia portuguesa.

APLAUSO



Para o Trio de Ataque. O único programa de comentário futebolístico em que se ouvem coisas acertadas. Registo a unanimidade entre Rui Moreira, António Pedro Vasconcelos e Rui Oliveira e Costa na análise ao deplorável comportamento dos Super Dragões, a forma ordinária como esta gentinha acompanhou o minuto de silêncio em memória de Bento e o silêncio de Pinto da Costa, de Reinaldo Teles e demais dirigentes da SAD do Porto. O FC Porto não devia ser só um clube de bairro com uma claque de energúmenos, mas a Pinto da Costa talvez convenha que continue a ser assim. E enquanto assim for não há muito mais a esperar daquela gente.

CAVACO SILVA


Fez um ano de mandato. Sem sobressaltos, sem grandes ondas, de forma discreta, competente. Podia ter sido um pouco mais interventivo, mas demonstrou equilíbrio e ponderação. Os anos fizeram-lhe bem. Está mais seguro.