quinta-feira, janeiro 04, 2007

COMEÇAR DE NOVO


"A amizade (um conceito, eu sei) é, nestes dias, uma forma de resistência, talvez a mais radical de todas. " - Manuel António Pina, JN, 1/1/2007

Ao Vítor Nogueira o meu obrigado por recordá-lo, através do Manuel António Pina.

domingo, dezembro 31, 2006

VOLTO PARA O ANO

















Até lá, divirtam-se. Um bom Ano Novo. Bebam à-vontade, mas façam o favor de não conduzir. Chega de desgraça.

EPITÁFIO AO CAIR DE 2006



EPITÁFIO

Mais do que senti-lo,
pressinto-o no instante que se imobiliza:
De novo este ruído surdo,
persistente, de areia fina em movimento.
Este eco inaudível de inutilidade
escorrendo sem fim pelas escuras
paredes do tempo.
Esta presença impalpável, porém objectiva,
firmando-se em luminosa interioridade,
agudo ângulo que a noite vai rectificando.

Em essa voz ciciada me consumo,
mas a paixão inútil que sou
arde por amor dos homens.

(Rui Knopfli, in Máquina de Areia, 1964)

TEXTOS DA MINHA VIDA (9)

Meu querido …..

Num primeiro impulso, pensei “escrever-te” logo após o teu telefonema, cuidando saber do resultado da minha consulta em ……..

De seguida, porém, pareceu-me melhor deixar arrefecer uma notícia que, tal como eu esperava, não podia ser boa.

Sei como estou e a minha formação profissional persiste em subtrair-me ao engano das miragens.

Não tenho mais, portanto, do que continuar a viver (ou a existir) num mundo paralelo ao da maioria das pessoas e esperar que o meu tempo se esgote.

De resto, ao longo da minha vida – que se vai tornando estupidamente longa – eu fui um homem que, quase sempre, viajou sozinho.

Dizendo de outra maneira: a solidão que há perto de trinta anos montou cerco à minha volta é uma velha conhecida, embora nestes últimos tempos de muito difícil e, por vezes, mesmo penosa convivência, mas não vou erguer mais o muro das lamúrias!

Volto a agradecer os recortes de jornais que enviaste.

Com o Rui Knopfli relacionei-me amistosamente, mercê de sentimentos, ideias e gostos que, em grande parte, partilhávamos.

Colaborei, episodicamente, no suplemento literário de “A Tribuna”, jornal que ele muito impulsionou e veio a dirigir por altura da “abrilada moçambicana”.

Por outro lado, num dos seus livros publicados no começo dos anos 60, dedicou-me um pequeno poema a que deu nome de “…………”.

Do texto em si, já não me recordo, mas o título ficou como um sinal de presságio. Não sei se ele tinha os olhos perfurantes e longos dos videntes. Já chega de falar de mim.

(...)

Quanto ao que escreves para os jornais, já te mandei dizer, talvez de forma arredondada aquilo que penso. Tenho para mim que não é quixotismo denunciar toda e qualquer forma de injustiça, mas é minha convicção também que os valores e interesses instalados, seja qual for o poder que os suporte, são como moinhos de vento, contra os quais quase sempre é inútil arremeter.

De quanto me foi possível deduzir, as barricadas parisienses de Maio de 68, foram erguidas contra alguns desses interesses e valores – só que o foram pelas mãos de um revolucionarismo inconsequente – por romântico, por demagógico e por outras razões mais que eu não sei. Passadas três décadas, os “moinhos” lá continuam no seu afã e, varridas as ruas do entulho revolucionário, já nada deve restar nos vazadouros municipais.

A velha máxima latina “primum vivere deinde filosofare” podia servir de epitáfio (ideia minha) para certos acontecimentos e situações. Sem dúvida, viver está sempre primeiro!

Longe de mim, com estas palavras, pretender desviar-te do que tu sintas como imperativo.

Penso que conheces minimamente o chão que pisas e o meio que te rodeia.

Assim sendo, “sem te queimares” aproveita o teu “sol de Primavera”, porquanto como tantas outras coisas nesta vida, também o sonho é fugidio.

Pegando nesse “sem te queimares” veio-me à lembrança o diálogo havido nas vésperas de Alcácer, entre D. Sebastião e um velho fidalgo que desaprovava a empresa africana. Ao reticente conselheiro, terá o Rei perguntado qual era a cor do medo. A resposta terá sido, mais ou menos esta: “Senhor, o medo, por vezes, tem a cor da prudência”.

Evidentemente que não pretendo que sejas medroso; mas é evidente, também que te peço que sejas prudente. Eu, nem sempre o fui, e hoje em dia não posso vangloriar-me de não ter sido.

É que paguei sempre por alto preço os meus erros maiores. Ao percorrê-los, mentalmente, não estou certo de ter feito bem ditando parte destas linhas, porquanto me parece que deixei transparecer algum do meu cansaço. Não era esse, no entanto, o meu propósito. Para outra vez será melhor.

Um beijo para ……….. e outro para ti com um grande e saudoso abraço do teu muito amigo

………………..
Esta é a minha prenda de Natal, atrasada, eu sei, para os leitores deste blogue. A todos desejo um fabuloso Ano de 2007. Eu voltarei para o ano, se Deus quiser, com ideias mais frescas e uma esperança renovada no futuro.

TEXTOS DA MINHA VIDA (8)




















Quand on n’a que l’amour
A s’offrir en partage
Au jour du grand voyage
Qu’est notre grand amour
Quand on n’a que l’amour
Mon amour toi et moi
Pour qu’éclatent de joie
Chaque heure et chaque jour
Quand on n’a que l’amour
Pour vivre nos promesses
Sans nulle autre richesse
Que d’y croire toujours
Quand on n’a que l’amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs
Quand on n’a que l’amour
Pour unique raison
Pour unique chanson
Et unique secours

Quand on n’a que l’amour
Pour habiller le matin
Pauvres et malandrins
De manteaux de velours
Quand on n’a que l’amour
A offrit en prière
Pour les maux de la terre
En simple troubadour

Quand on n’a que l’amour
A offrir à ceux-là
Dont l’unique combat
Est de chercher le jour
Quand on n’a que l’amour
Pour tracer un chemin
Et forcer le destin
A chaque carrefour
Quand on n’a que l’amour
Pour parler aux canons
Et rien qu’une chanson
Pour convaincre un tambour

Alors sans avoir rien
Que la force d’aimer
Nous aurons dans nos mains,
Amis le monde entier

(Jacques Brel)

O PREÇO DE VIVER EM FARO E NÃO SER CAPAZ DE ESTAR CALADO!



Idálio Revez, jornalista do Público, revela na edição de hoje, que numa das duas cidades que cobra os preços mais altos de água, esgotos e lixo de todo o Algarve (a outra é Tavira), “os preços da água, do saneamento básico e da recolha de resíduos sólidos vão aumentar significativamente em Faro, mas ainda não se sabe quanto”. Esclarece o referido jornalista que “o aumento depende de uma auditoria que está a ser feita à empresa municipal Fagar”, empresa que foi constituída em Setembro de 2005 pelo município de Faro, com 51%, e por capitais privados. O vereador Augusto Miranda, número dois do município, profissional aplicado e uma excelente pessoa, esclareceu que o aumento dos preços encontra justificação no financiamento de novos investimentos e na incorrecta avaliação resultante das transformações verificadas no sector com a entrada no negócio das “Águas do Algarve”. Até pode ser que seja mesmo assim.

Mas numa cidade que é, seguramente, uma das mais caras e porcas do país, com ruas pejadas de dejectos caninos, a começar pela porta do meu escritório e da minha casa, em que os contentores de lixo, velhos e imundos, têm as tampas sistematicamente abertas, em que muita gente larga o lixo ao lado do recipiente adequado, onde não existe uma política de cidadania que aplique multas a quem suje os passeios, urine indiscrimindamente pelas ruas, deixe comida para os gatos na soleira da porta ou atire o lixo para qualquer lado, em que ainda por cima já há quem tenha dificuldade – por razões económicas e de feitio – em tomar um banho higiénico, o aumento de preço que se irá verificar só pode ter um sentido: acentuar o mau cheiro e imputar esse mau cheiro à ria.

Depois do Estádio Algarve, do arrastamento da obra do Mercado de Faro, sabendo-se do estado de degradação da cidade, dos buracos e remendos que aparecem a toda a hora no alcatrão da cidade e da passsadeira vermelha dos dez mil euros, suja, esburacada e remendada com fita isoladora, por toda a zona pedonal, há quem chame a isto incompetência. Outros há, como um amigo meu, por natureza inconveniente e que diz as verdades quando não deve, que me sopra ao ouvido ser este o caminho para a regionalização. Eu chamo-lhe apenas tristeza.
P.S. Será que o Apolinário e o vereador Miranda não podem fazer mais nada do que conformarem-se com este estado de coisas? Já bastou o Vitorino!

UM NOJO



Deitei-me ontem à noite com a notícia da execução de Saddam Hussein. Acordei esta manhã com a imagem dele, de baraço à volta do pescoço.

Se ao erro da guerra sucedeu o erro de um julgamento fantoche, seguido de enforcamento “ao vivo e a cores”, isso não significa que haja necessidade de se persistir no erro. E o erro, neste caso, mete nojo. Não sei a quem possa interessar a repetição ad nauseam das imagens da execução de Saddam. Como se não fosse já suficiente termos tido acesso aos actos preparatórios da execução, logo apareceu alguém com essa praga dos anos modernos chamada telemóvel a gravar em directo e na íntegra as imagens da execução, que logo as televisões se apressaram a reproduzir. Estas últimas definem bem o que tem sido o desastre iraquiano e reflectem a insânia, o servilismo e a falta de pudor que se apoderou do Ocidente e da sua comunicação social.

As imagens da execução de Saddam marcam o regresso à idade das trevas. Não das trevas tecnológicas, mas ao abismo ético e moral, aquele em que hoje irresponsavelmente medramos.

Depois de ter feito ontem uma visita particularmente sensibilizadora ao Refúgio Aboim Ascensão (Faro), onde durante mais de duas horas vi o esforço que gente modesta, empenhada e anónima faz pela construção de uma sociedade mais decente, onde pude ver o sorriso terno, doce e ingénuo de centenas de crianças vítimas de uma sociedade que as abandona e continua a ignorar os velhos, não podia deixar de manifestar aqui, na única tribuna que me resta, a minha repulsa, o meu asco, pela dupla barbárie que constituiu a execução do ex-ditador e a divulgação das imagens daquela.

Não sei se será com exemplos destes que se conseguirá a pacificação do Iraque, o progresso da Europa, a diminuição da sinistralidade nas nossas estradas ou a melhoria da qualidade de vida das nossas crianças. Mas de uma coisa estou certo: são exemplos e imagens como as que vi que me continuarão a enojar e me obrigarão a gritar, até que a voz me doa, e a escrever, até que a electricidade falte ou o computador pife, que não é esta a democracia por que luto, não é esta a minha liberdade, não é esta a sociedade que quero construir. A violência gratuita e sem sentido não pode continuar a fazer escola num mundo minado pela guerra, pela fome, pela doença, pelo abandono infantil, pela miséria moral. Poderá não servir para nada, e disso me perdoarão os mais sensíveis, mas nesta altura só me apetece perguntar se não há ninguém que possa mandá-los para a p...* que os pariu.

Oxalá que 2007, mesmo que não traga mais nada, possa emprestar alguma inteligência à sua alma e lucidez aos seus espíritos.
* - censurado num rebate de consciência

RUI MACHETE NO DN

O eterno problema do recrutamento da classe política volta a dar que falar neste final de ano. Embora sem trazer nada de novo, convém ler o que Rui Machete escreveu no Diário de Notícias de hoje (31/12/2006). Gostava que ele nos tivesse esclarecido em que medida o nível medíocre da classe política está presente no seu próprio partido (PSD). Mas num país em que tudo tem de ser politicamente correcto, até mesmo a crítica, o melhor mesmo é não fazer ondas e ir dizendo de mansinho o que se quer. Pode ser que o novo ano nos traga novidades nesta matéria.

A renovação da classe política
(Rui Machete, Advogado)
O 25 de Abril foi, a um tempo, um golpe de Estado feito por militares por razões basicamente corporativas, libertando-se de um regime caduco, e uma manifestação revolucionária de quem sonhava implantar colectivismos marxistas - uma minoria - e dos que pretendiam apenas que Portugal fosse um país normal do Ocidente europeu, com instituições democráticas pluralistas - a grande maioria dos portugueses. Constituiu também ocasião para uma profunda renovação da classe política, substituindo os defensores ou acomodados à dita- dura por quem lhe era contrário. O primado da política que então se viveu levou a que se dedicassem à causa pública muitos dos melhores das gerações mais jovens. As camadas dirigentes e, de modo particularmente nítido, a Assembleia Constituinte e os deputados das primeira e segunda legislaturas são disso prova clara.Pouco a pouco a normalização da vida política permitiu que as actividades económicas e profissionais retomassem o seu lugar habitual. Tem-se vindo, porém, a assistir a uma preocupante degradação na qualidade dos que se dedicam à política e à vida pública em geral, uma vez mais evidenciada nas actividades parlamentares, nos dirigentes partidários e nos autarcas.A opinião pública faz eco da falta de qualificação da classe política, contribuindo ainda mais para o seu desprestígio. Pareceria até que se trata apenas de matéria risível, sem qualquer importância; e, no entanto, a qualidade da governação é, tal como a qualificação dos gestores nas empresas, decisiva para o progresso das nações. O êxito do desenvolvimento económico e social conseguido pela Irlanda entre os membros da União Europeia, tal como o insucesso de muitos países africanos, deve-se em grande medida à qualidade dos seus governantes. Não pode assim deixar de surpreender a leveza com que em Portugal, não apenas em pasquins mas em jornais responsáveis, se discute e admite a possibilidade de esta ou aquela pessoa, sobretudo se situada na oposição, poder ser um candidato credível a primeiro-ministro ou a um outro posto político importante apenas porque é um presidente de uma câmara, um dirigente partidário regional, um economista ou professor universitário mais ou menos competentes. O modo infeliz como se resolveu a sucessão do primeiro- -ministro Durão Barroso constituiu um mau precedente, que ajudou ainda mais a este facilitismo. Seria bom que os critérios de escolha dos candidatos se tornassem bem mais exigentes e sobretudo que apenas alguma experiência nos cargos públicos de certa relevância autorizasse as extrapolações que se pretende fazer.A resolução das dificuldades no recrutamento de uma classe política competente constitui uma questão difícil que se insere, aliás, no problema mais amplo das disfuncionalidades do sistema político português.As causas dessas dificuldades são múltiplas e não se eliminam por decreto. Existem razões profundas e de longo prazo. Citemos apenas uma: a ausência de programas educativos no nível secundário e também no universitário, preocupados em ensinar as metodologias adequadas à abordagem e compreensão das questões públicas, de modo a permitir uma valoração mais informada e objectiva das políticas e dos comportamentos dos políticos. A actual posição marginal que o ensino da ciência política de orientação empírica, anglo-saxónica, com estudo dos casos é demonstrativo do nosso atraso neste domínio. Sem eleitores capazes de formu- lar juízos críticos fundamentados e exigentes é muito difícil conseguir elevar os critérios de selecção dos políticos, quer dos que façam da política profissão quer dos que a ela se dediquem só em certo momento da sua vida.Há também causas próximas de efeitos convergentes mas mais limitados. Indiquemos também apenas uma: a pouca relevância da Assembleia da República na vida do País, derivada da diminuta capacidade legislativa que na realidade possui face à competência do Governo, da agenda das questões que debate, que passam muitas vezes ao lado dos problemas reais mais sentidos pela população, e ainda do pouco nível e do modo retórico como habitualmente são discutidas as matérias de que se ocupa. No sistema político português uma coisa é o normativo constitucional e a posição atribuída ao órgão de soberania Assembleia da República, outra coisa é o seu real papel no domínio dos factos. As interpretações e as teorias explicativas podem certamente variar. Mas duas coisas parecem certas nesta questão crucial: é que sem maior exigência no recrutamento e na valoração dos comportamentos dos políticos dificilmente a qualidade da governação do País registará substanciais melhorias; e que sem melhor educação política e cívica não se conseguirão os juízos críticos do eleitorado com o grau de exigência requerido e necessário.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

E NÃO É QUE O SÓCRATES TINHA OUTRA VEZ RAZÃO!


É, e desta vez a maioria nem sequer foi tangencial. Por 10 votos contra 3, o Tribunal Constitucional deu razão ao Governo do Engº Sócrates na questão da Lei das Finanças Locais. Cavaco Silva fez o que tinha a fazer e não ganhou nem perdeu nada. Apenas reafirmou a sua posição no quadro constitucional e institucional português. Ganharam José Sócrates, António Costa, Teixeira dos Santos e Eduardo Cabrita. Perderam todos os do costume, a saber: Marques Mendes e seus acólitos, a começar pelo inenarrável Miguel Frasquilho, mas também Fernando Ruas e a ANMP, Alberto João Jardim e os comunistas dos amigos Jerónimo e Bernardino. Ah, e já me esquecia, também perdeu a Drª Ana Gomes, que nestas coisas e com o seu radicalismo vai remando sempre para onde não deve e levando por tabela. Só fica por apurar se para além da imediata transparência e rigoroso controlo que a nova lei vai impor, os portugueses ganharam alguma coisa mais. Saberemos isso dentro de dois anos e meio. Até lá é beber o champagne. O malfadado ano de 2006 não podia ter fechado melhor para o Governo.

TEXTOS DA MINHA VIDA (7)


Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.

A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con las letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías.

De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.

Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.

Tú estás aquí. Ah tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos

Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.

Cuándo te habrá dolido acostumbrarte a mí,
A mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.

Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.

Quiero hacer contigo
Lo que la primavera hace con los cerezos.


(Pablo Neruda)

NOVO CARTÃO DE SÓCIO DO FCP


Os meus agradecimento vão direitinhos para o meu amigo Rui Afonso, que de Macau me fez chegar esta "preciosidade". Não lembraria nem ao Gato Fedorento!

AMADEO


A exposição de Amadeo de Souza-Cardoso na Fundação Gulbenkian é uma excelente prenda de Natal para quem ainda não a viu. Pena é que a iluminação fique muito a desejar. Em todo o caso a não perder. Em dois pisos. Só até dia 14 de Janeiro. E se não quiser ficar horas na bicha, o melhor mesmo é entrar entre as 13h e as 14h, quando o povo está a almoçar.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

NATAL


Cristo na Cruz de Diego Velázquez (1631-2)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinicius de Moraes)

Volto depois do Natal. Com as prendas.

Até lá, aproveitem para pensar um pouco. É gratuito.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

UM BOM DISCO PARA ESTE NATAL

Trata-se de um gravação excepcional da Harmonia Mundi, de um compositor de quem Corot disse "Celui qui, le premier, joua des oeuvres de Locatelli fut l'apôtre de la nouvelle musique". A prestação da Freiburger Barockorchester e de Gottfried von der Goltz é irrepreensível. Se eu não tivesse já o disco gostaria que mo oferecessem este Natal. Mas quem não tem e tiver bom gosto irá adorá-lo.

FRASES QUE ME FAZEM TER SIMPATIA POR QUEM NÃO CONHEÇO


A procuradora-geral adjunta escolhida pelo Procurador-Geral da República para coordenar o processo do “Apito Azul”, perdão, “do “Apito Dourado”, Maria José Morgado, deu uma entrevista à Sábado. Depois da efémera passagem da senhora pela PJ, de quando em vez ouvia falar nela, lia umas linhas aqui outras ali e ouvia-a perorar de tempos a tempos sobre o fenómeno desportivo, a corrupção e o crime de colarinho branco. Embora não tivesse gostado de ler o bilhete que enviou a Adelino Salvado, entendi que lhe devia ser dado o benefício da dúvida. Não é todos os dias que se vêm neste país de brandos costumes e inefável vida, magistrados tesos, incómodos, a falar de forma livre e responsável, sem que com isso puxem os galões das suas corporações.

Com a breve entrevista que deu à Sábado, Maria José Morgado, mostrou que merece bem mais do que o benefício da dúvida. Já não estamos no campo do mero voluntarismo ou da ingenuidade, mas perante uma mulher de corpo e alma entregue ao seu munus. E isso é bom.

Deixo aqui algumas das frases que foram por ela proferidas e que, sinceramente, espero que não venham a ser corrigidas:

O meu tempo é nenhum e para tal vou ser muito exigente

Todos os processos têm alguma solução. A justiça tem de explicar as coisas num tempo definido.”

O mal do Ministério Público é não haver competição, parecermos todos muito, muito bons e muito, muito iguais.”

O sindicalismo em Portugal foi pernicioso, porque apresentou uma magistratura a olhar para o umbigo e preocupada com meios que são instrumentais, e nunca apresentou uma estrutura preocupada em estar ao serviço do cidadão. É contrário à natureza do sindicalismo, é aquilo a que chamo o espírito sindicaleiro

É, pois, reconfortante saber, como cidadão e advogado, que no meu país também há magistrados a pensar assim. Por estas e por outras é que eu, neste país cheio de bananas armados em homens, recordando o Cinatti, continuo a gostar muito de “mulheres ao alto, ao lado, ao fundo e, adormecido, sonhar fora do mundo”.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

TEXTOS DA MINHA VIDA (6)

Le miroir d’un moment

Il dissipe le jour,
Il montre aux hommes les images déliées de l’apparence;
Il enlève aux hommes la possibilité de se distraire.
Il est dur comme la pierre;
La pierre informe,
La pierre du mouvement et de la vue ;
Et son éclat est telle que toutes les armures, tous les masques en sont faussés.
Ce que la main a pris dédaigne même de prendre la forme de la main,
Ce qui a été compris n’existe plus,
L’oiseau s’est confondu avec le vent,
Le ciel avec sa vérité,
L’homme avec sa réalité.

(Paul Eluard, in Capitale de la douleur, Gallimard, 1966)

A COZINHA DA JOANA


Descobri-o hoje, graças a um post de Eduardo Pitta no seu blogue. Chama-se A Cozinha da Joana e vai passar a ser de consulta quase diária. Sugestões, receitas e crítica gastronómica. E a Joana ainda nos dá os endereços de mais cinco (5!) blogues para gourmets (O Avental do Gourmet, Cinco Quartos de Laranja, Elvira's Bistrot, Chucrute com Salsicha e Momentos da Minha Vida).

terça-feira, dezembro 19, 2006

TEXTOS DA MINHA VIDA (5)


"Meu caro jovem poeta
Pedem-me que lhe escreva, como se o amigo tivesse começado por enviar-me poemas seus, solicitando a minha opinião. Pedem-me também que o considere o jovem poeta ideal, aquele que imaginamos o certo para escutar-nos. Pedem-me enfim — embora isso não seja dito — que eu me suponha o Rilke escrevendo a um jovem que não seja o medíocre a quem ele dizia tão belas coisas. Creio que é pedir demasiado.
De um modo geral, os poetas de reputação firmada, ou que se julgam ou são julgados tais (ninguém tem a sua reputação firmada em literatura, nem depois de séculos de ninguém nos ler e de todos repetirem que somos génios, a não ser que isso importe aos interesses ou desinteresses de alguns professores e críticos), costumam receber poemas ou poetas jovens que solicitam opinião. O poeta "velho" toma tal facto como uma vénia, um reconhecimento, que ele teme perder, por parte da juventude. Mas o que o poeta jovem na verdade procura não é bem uma opinião de alguém mais experiente (qual o poeta jovem que, no fundo, se não sente superior a qualquer mesmo admirado poeta "velho"?), mas sim uma oportunidade de entrar, pela mão de alguém, naquele mundo maravilhoso dos poetas vivos, da poesia pessoalmente, etc., que ele descobrirá ser um sórdido e torpe mundo, inteiramente igual, se não pior (porque se sustenta de uma importância que realmente não tem), àquele, tão comum e familiar, que, nas suas frustrações juvenis, o poeta jovem julga que detesta. Instintivamente, ele sabe que, se não pedir a bênção de alguém, dificilmente fará sem amarguras o seu caminho. Porque a vida literária é uma maçonaria como qualquer outra, onde é escusado imaginar-se que alguém entra forçando as portas. Tudo, na vida, funciona por camarilhas que oferecem a seus membros a tranquilidade de se imaginarem importantes ou, mais ainda, a ilusão de que estão vivos.
Se um conselho, ab initio, se pode e deve dar a um jovem poeta, é o de que perca a inocência juvenil, se venda, se prostitua (o próprio corpo, se necessário for, porque às vezes lho cobiçarão), se dedique à adulação da mediocridade triunfante, ouça respeitosamente as opiniões dos críticos mais influentes porque mais cretinos, e receba em troca a paz triunfal dos sucessos mundanos e literários. Se, depois disto, puder continuar a ser o poeta que havia nele ou que ele sonhava que seria, é um outro caso — mas, por esse segredo, poderá estar certo que ninguém perguntará. Forçar as portas, com um livro, dois livros, uma crítica, duas, muitas, dirigidas contra a infecta pesporrância dos estabelecidos; pedir justiça, em vez de amabilidade; exigir inteligência, em lugar de um comércio de retribuições; procurar a camaradagem limpa, e não aceitar os gestos dúbios; enfim, tudo o que diz respeito à dignidade humana e da poesia, em vez da complacência com tudo e todos — não rende. Nem em vida, nem na morte. Porque as histórias literárias, com raras excepções arquivo de tudo o que a mediocridade alguma vez disse sem ter lido, guardarão longamente, em benefício da posteridade, todo o veneno que os contemporâneos lançaram sobre aquele que, por pretender ser uma pessoa, e um poeta, lhes ameaçava, só por isso, a segurança. Ao jovem poeta, é preciso dizer-se que desconfie do grande poeta vivo que receba consagração geral. Se a recebe, é porque algo está podre naquele reino da Dinamarca.
Quanto aos seus poemas, meu caro poeta, como V. é um poeta inexistente, cujos poemas são imaginários, e como eu não acredito na Poesia, com maiúscula, preexistente aos poemas em que ela exista, que lhe direi? Eu não faço ideia alguma da espécie de poeta que o meu amigo é. Cultiva as imagens e as metáforas, no seu anseio juvenil de seguir uma das modas, e de parecer que diz coisas extremamente profundas, sem na verdade dizer nada? Ou prefere as palavras despedaçadas, uma letra para cada canto, ou os graciosos joguinhos do pata, peta, pita, pota, etc? Isso também se usa muito, e granjeia grande prestígio. Acaso faz ou não faz sonetos, pelo melhor modelo (que é o que funda a tradição parnasiana, um pouco erótica, para a masturbação em família, com os ornamentos do mais safado mas sempre brilhante gongorismo)? Ou está preocupado com os destinos do mundo ou os da pátria, e confunde-os com aquela inacabável tradição que manda os poetas imitar os Nerudas & C.a? Ou a sua poesia é extremamente vaga e diáfana, confortavelmente distante de qualquer afirmação excessiva, neste duvidoso mundo? Ou, pelo contrário, é amplamente discursiva, transbordante de riqueza (termo este muito usado pelos críticos em petição de matéria substantiva)? Como vê, meu amigo, não posso mais que aventar hipóteses, segundo as linhagens mais ilustres do momento. Oh, mas esquecia-me de outra: acaso será herdeiro do surrealismo, com alguma tintura de beatniks e de psiquedélicos da Califórnia e arredores, e compraz-se em insultar o mundo, insinuando perversões horríveis, e despejando sobre ele os palavrões sagrados, por extenso? Não? Não?! Então, meu caro amigo, das duas uma: ou a sua poesia é um regresso aos velhos padrões arcádico-românticos, e sem dúvida terá êxito ainda nos salões de uma profunda província, ou, na verdade, o senhor é um poeta. E, sendo poeta, é-o de tal modo, que a sua poesia não pode ser reconhecida, nem o senhor tem o direito de esperar que ela o seja. Daqui a vinte ou trinta anos, quando estiver alquebrado, exausto, esgotado, descrente da poesia a que sacrificou a sua vida e a de quantos tiveram a desgraça de depender de si, talvez então comecem a reconhecer que o senhor existe. Claro que muito a contragosto, muito de má vontade, com muita reticência... Eles, meu caro, serão sempre os génios; o senhor será também um génio, um génio imenso, um génio enorme, mas um génio mas, um génio adversativo. E pode ter a certeza de que assim ficará nas histórias literárias: sempre com um mas tanto maior, quanto pior seja o génio que não possam negar-lhe.
A poesia, querido amigo, não é o que pensa, não. Ela não lhe pode trazer, se verdadeira for, essa satisfação que transparece da sua tão trémula confiança em si mesmo. Isso, se me permite que lhe diga, é uma ilusão da sua juventude. A poesia não é essa alegria de fazer alguma coisa que nem todos os outros fazem, e que eles aliás desprezam. Não é também esse prazer enganoso de que possui com palavras o amor que lhe escapa, as coisas que não consegue, as ideias que perpassam na sua cabeça, antes ou depois da solidão. A poesia, caríssimo, é a solidão mesma: não a que vivemos, não a que sofremos, não a que possamos imaginar, mas a solidão em si, vivendo-se à sua custa. Já pensou no que isso é? Por ela, o senhor será egoísta, sendo altruísta; será mesquinho, sendo nobre; trairá tudo, para ser fiel a si mesmo. Por ela, o senhor ficará completamente só. E, quando, de horror, penetrar lá onde supõe que o "si mesmo" está para lhe fazer companhia, verificará, em pânico, a que ponto ele não existe, ou já não existe, ou nunca existiu senão como uma miragem, ou existiu, sim, mas também ele o senhor vendeu à poesia, a isso que não tem qualquer realidade senão como abstracção do que o senhor pensa e escreve, e que, por sua vez, é já uma abstracção do que o senhor viveu ou não. Medite um pouco no significado terrível deste ou não, e nunca mais escreva versos ou prosa poética, ou lá que é que escreve para se julgar poeta.
Se for um poeta de verdade, meu caro, o melhor é com efeito não escrevê-los, e deixar de o ser. Porque a única alternativa é pavorosa: ou prostituta, dando à cauda, entre as madamas; ou monstro solitário, rangendo os dentes na treva, ainda quando só tenha visões de anjos tocando flauta, numa apoteose (ou epifania, que é mais elegante, e era o que o Joyce dizia). Guarde os versos, rasgue os versos, esmague os versos, arrase com eles. É isso o que pretende: ranger os dentes, mesmo postiços, pelo resto da vida? Se é, meu caro amigo, então não mande os seus versos a ninguém, não peça opiniões que ninguém pode dar-lhe, não espere conselhos de uma experiência que é pessoal e intransmissível, não solicite uma atenção que não haverá quem lha conceda. A menos que, para fim de festa, pretenda tirar, para seu uso, a contraprova de que a humanidade como humanidade, os povos como povos, as nações como nações, as classes como classes, os grupos como grupos são sempre colecções mais ou menos numerosas de infames bestas. Ou a contraprova de que, individualmente, ninguém vale para além do orgasmo, ou do olhar de simpatia, ou do gesto de ternura. Ainda quando sejam poetas, meu caro, ainda quando o sejam.
Não lhe estou dizendo que não publique os versos, uma vez que tenha ânimo e força para aguentar-se no equilíbrio instável entre a condição de prostituta e a condição de mons­tro. Na verdade, se a tentação que sente é irresistível de escrevê-los, se não procura a fama ou o proveito, se a dor de escrevê-los só se cura com a dor maior de escrever outros, se se sente vazio e triste quando eles estão escritos, e sofre de sentir-se vazio quando vai escrevê-los, e não sabe nunca o que vai escrever, e acha horrível tudo o que escreveu mas não é capaz de destruí-lo, então publique-os, publique-os sempre. E mande-os a toda a gente. Toda. Mas não peça opiniões ou conselhos a ninguém. Deixe que eles todos fiquem amarrados, para sempre, à culpa de o não terem lido, de o não terem sentido, de o não terem admirado. Dê-lhes, se a glória tiver de ser sua, o castigo da sua glória, implacavelmente. No fim das contas, lá onde nas trevas os dentes lhe rangem furiosamente, que isto lhe sirva de alguma consolação: todos eles passarão, como os ratos passam. Mas alguma coisa não passará, por mais que na morte, no silêncio, na paz dos túmulos ou das histórias literárias, se desfaçam em tranquila cinza: essa culpa que, dentro de alguns anos, será tudo o que se recordará deles todos tão poetas, tão aplaudidos, tão queridos das damas e/ou dos efebos, e tão estudados, tão bibliografados, tão comemorados, tão tudo o que lhe terão recusado entre dois abraços e dois sorrisos. Outros ratos virão — mas a culpa fica. Bem sei, meu caro, que não adianta muito, sobretudo se a gente não acredita na imortalidade, ou mesmo que acredite. Consola porém alguma coisa. E dá coragem à gente até ao poema seguinte. É quanto basta. Ou tem de bastar, porque não há mais nada.
Sempre seu (que o manda para o Inferno que é nossa província)
Jorge de Sena"

É MESMO...


Com as minhas limitações e miopias, (…) procurei sempre, (..), ser um homem independente de espírito. Entre parêntesis, exercício particularmente difícil num país como o nosso onde todos se conhecem, se cumprimentam, se abraçam, se felicitam, se elogiam, se invejam e se recomendam”.

(Marcello Duarte Mathias, in Diário de Paris 2001-2003, p. 180)

PRESSÕES ILEGÍTIMAS OU EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA?


Sobre a notícia, que me foi agora transmitida e que pude confirmar no Diário Digital, de que o primeiro-ministro tinha escrito uma carta para o Tribunal Constitucional a juntar 5 pareceres de diversos constitucionalistas, no que foi encarado por alguns actores políticos como um acto ilegítimo de pressão sobre o tribunal e os seus juízes, transcreve-se o n.º 1 do artº 63º da Lei 28/82, de 15 de Novembro (Lei sobre a Organização, Funcionamento e Processo do Tribunal Constitucional), de acordo com as alterações introduzidas pela Lei 143/85, de 26 de Novembro, pela Lei n.º 85/89, de 7 de Setembro, pela Lei n.º 88/95, de 1 de Setembro, e pela Lei n.º 13-A/98, de 26 de Fevereiro:

Artigo 63º(Debate preliminar e distribuição)
1. Junta a resposta do órgão de que emanou a norma, ou decorrido o prazo fixado para o efeito sem que haja sido recebida, é entregue uma cópia dos autos a cada um dos juízes, acompanhada de um memorando onde são formuladas pelo Presidente do Tribunal as questões prévias e de fundo a que o Tribunal há-de responder, bem como de quaisquer elementos documentais reputados de interesse.

Não me foi passada procuração pelo engenheiro Sócrates, mas quaisquer outros comentários são despiciendos. Se a parte visada não se puder defender perante o tribunal, então perante quem se há-de defender?
Adenda: António José Teixeira lembrou ontem (19/12/06) na SIC Notícias que os pareceres foram pedidos antes da aprovação da lei e que situação idêntica ocorreu durante o governo de Durão Barroso. Tomo por boa essa informação, que aliás não foi desmentida, e fico-me por aqui.