segunda-feira, outubro 23, 2006
ESTÃO A MATAR A MAGIA DO FUTEBOL
sexta-feira, outubro 20, 2006
O SERVIÇO EXPRESSO DA DECO

A DECO, uma associação que é suposto defender os consumidores, agora deu em inundar-me regularmente a caixa do correio com a sua propaganda, embora lá esteja um aviso apedir para não me meterem publicidade.
É claro que não se trata de publicidade igual à do Lidl, do Jumbo ou do Continente. Estes ainda não obtiveram o meu nome nem a minha morada. Mas a DECO obteve. E eu que até sou daqueles que quando me pedem os dados em qualquer lado ponho logo a cruzinha a dizer que não autorizo o fornecimento dos meus dados a terceiros nem quero receber ofertas promocionais das empresas do grupo.
Ainda por cima as coisas lá para casa vêm sempre a dobrar.
Que a DECO precise de se promover e de aumentar o número de associados é uma coisa. Que nos queira impingir as suas revistas é outra coisa. E que agora também contribua para nos atulhar a caixa do correio ainda outra.
Além do mais, nunca gostei do estilo "Selecções do Readers" que a DECO agora cultiva: "Abra rapidamente, Exmº Sr. Correia para descobrir como receber o seu leitor de mp 3". Mas quem é que lhes disse que eu estou interessado em receber um leitor de Mp3? Ou um original despertador com projecção da hora? E passar a andar com "dezenas de canções no meu bolso"? Ou receber cheques-brinde de desconto? Para começarem a gastar o que gastam em publicidade, ofertas, papel e tintas, que no fim só serve para ir para o lixo, isso só pode significar que estão ricos à custa do consumidor.
Pior do que isso: das poucas vezes que tentei contactar essa prestimosa associação para expor situações do seu interesse e dos seus associados, e não exclusivamente do meu, fui invariavelmente atendido por um gravador de chamadas que me dava música, ao estilo Portugal Telecom. E da única vez que conseguiu falar com alguém veio uma senhora dizer-me que eu tinha que me fazer sócio para apresentar qualquer queixa ou sugestão. É claro que fiquei elucidado.
Não sei quem lhes deu o meu nome. Acho um abuso que agora me enviem correspondência, mas desde já agradeço que não voltem a contactar-me.
NÃO HÁ COINCIDÊNCIAS

Confesso que, ontem, fiquei estupefacto com as reportagens que vi sobre a futura "Clínica Dois Arcos", que a conhecida casa de Badajoz pretende abrir no centro de Lisboa para a realização de abortos com todo o profissionalismo.
quarta-feira, outubro 18, 2006
INSTITUIÇÕES QUE FUNCIONAM

O ministro Alberto Costa foi confrontado com a pergunta de um repórter, não me perguntem qual, sobre o chumbo do Conselho Superior do Ministério Público à escolha pelo novo PGR do seu vice.
UM PAÍS DE AGENTES CULTURAIS!
POIS, A CULPA É SEMPRE DO OUTRO!

Eu não sei quem é o infeliz que diz uma boutade destas numa altura como aquela que atravessamos, com o orçamento no parlamento à espera de ser discutido e em que se pede aos portugueses, uma vez mais, para apertarem o cinto e colaborarem no esforço de contenção do governo.
terça-feira, outubro 17, 2006
FORÇA BENFICA!
DIÁLOGO DE SURDOS

Se dúvidas houvesse sobre as limitações e os constrangimentos do poder autárquico em Portugal, elas ficaram dissipadas no último Prós e Contras (RTP1, 16/10/06).
Se a Associação Nacional de Municípios Portugueses e o conjunto dos autarcas se revêem nas intervenções de Fernando Ruas e Ribau Esteves, então estas tiveram o indiscutível mérito de revelar, para além da demagogia óbvia do respectivo discurso, que a grande maioria dos autarcas tem uma concepção errada da natureza e extensão dos poderes que lhes estão atribuídos. Este défice torna-se mais evidente quando se vê que aqueles responsáveis da ANMP demonstram uma tremenda incapacidade para compreender os discursos de António Costa e Saldanha Sanches.
Não é o facto de serem excelentes pessoas, empenhadas, conhecedoras das suas regiões e militantes das estruturas locais dos partidos, que os habilita e autoriza a falarem, à boca cheia, em nome das suas populações quando se trata de confrontar as mais do que discutíveis opções autárquicas com uma política global para as autarquias, vertida numa lei que pretende ser um modelo de rigor, de transparência e um factor acrescido de coesão nacional.
Foi confrangedor ver a forma como Fernando Ruas pretendia atacar Saldanha Sanches e António Costa, depois de todos termos visto que aquele não percebeu, ou fez que não percebeu, embora eu me incline mais para a primeira hipótese, as claríssimas intervenções dos seus oponentes e a justeza dos argumentos carreados para o debate. Incapaz de falar a mesma linguagem, a ANMP refugia-se no discurso fácil, redondo, enganador, desprovido de factos e de soluções.
Os autarcas insistem em falar uma linguagem exclusiva, virada para dentro e para o seu próprio umbigo, diferente daquela que o país fala e os portugueses compreendem, convencidos como estão que foram ungidos com o exclusivo da defesa das "suas populações". Pena foi, e isso era importante que tivesse sido esclarecido, que não se ficasse a saber por que razão algumas das Câmaras mais ricas do país apresentam endividamentos astronómicos não se vendo nessas terras obra que se veja. Faro é uma dessas evidências e um dos casos mais gritantes. Bem sei que em matéria de Direito das Sucessões os herdeiros só aceitam as heranças que querem, e podem fazê-lo a benefício de inventário, coisa que não se passa quando se assume a direcção de um município. Mas este é um dos ónus da actividade política e a contrapartida do poder que exercem e das responsabilidades que é suposto assumirem.
E quando Ribau Esteves vem falar nos custos das Scut's apenas está a disparar contra si e os seus associados, dando de bandeja toda a razão ao Governo. Porque se o custo das Scut´s pode servir de moeda de troca ou de justificação para tentarem exigir mais dinheiro da Administração Central e menos responsabilidades - aquela de quererem a tutela do Tribunal de Contas a toda a hora dentro das autarquias a fiscalizar os disparates que fazem foi de antologia -, então o melhor talvez seja começar por aí e, nessa altura, eu quero ver se os autarcas do Algarve vão aceitar a renovação do piso e a melhoria das condições de circulação da A22 contra o pagamento de portagens (ainda que diferenciadas para residentes e não residentes) que façam face aos custos de manutenção desta via estruturante do Algarve.
A democracia é uma operação aritmética mais complexa do que aquilo que imaginam a maioria dos nossos autarcas, não se esgotando na preparação de campanhas eleitorais ou na distribuição a eito de almoços, jantares, convites para o teatro ou para a bola, empregos para os amigos, contratos para os empreiteiros da região e outras benesses avulsas.
E por esse motivo é que enquanto muitos dos nossos autarcas persistirem em querer confundir a legitimidade autárquica com a que vem de eleições nacionais, misturando alhos com bugalhos para melhor confundirem os eleitores e esconderem a sua impreparação, eles e os dirigentes da ANMP continuarão a dar trunfos a todos os que os criticam. Ou eu me engano muito ou muitos deles vão acabar a falar sozinhos.
segunda-feira, outubro 16, 2006
ALMEIDA SANTOS E AS QUASE MEMÓRIAS

P.S. Para quando um "Prós e Contras" sobre a descolonização? Talvez seja altura de começar a pensar nisso.
PERGUNTAS INOCENTES

1. Há alguma razão especial para que a Câmara Municipal de Sintra publique os seus anúncios no Sol? Essa decisão foi objecto de deliberação camarária?
2. Por que razão a partir da página 28 do caderno principal o Sol inicia uma série de páginas dedicadas ao "mundo real"? Até aí era só imaginação?
3. A publicação de anúncios do tipo "ESPANHA tratamos da constituição de empresas tlm 91 6024031" (p. 13 do Sol, edição de 14/10/06) constitui, ou não, uma forma de promoção ilícita de actividades reservadas por lei aos advogados e solicitadores?
E ELE VAI RECEBÊ-LO?

O Sol, semanário que não perde a oportunidade de nos dar a conhecer os grandes do país em que vive o arquitecto Saraiva, brindou-nos (edição de 14/10/06, p. 14) com uma reportagem/entrevista com Hermínio Loureiro, o todo-poderoso deputado do PSD e presidente da Liga de Clubes. Diz esta sumidade, que aos 41 anos ainda não teve tempo para acabar o curso, que pediu uma audiência ao Procurador Geral da República. Parece que o sujeito quer ir falar com o conselheiro Pinto Monteiro da corrupção no desporto.
VINAGRETE MISTÉRIO

Quem será o ilustre articulista que assinou a coluna "Vinagrete", que tem por título "A Salomé de Portas", na página 47, da edição do Sol do passado sábado (14/10/06), com as iniciais "P.B.". É que da ficha técnica do jornal (p. 68) não consta ninguém com essas iniciais.
A GENTE VAI TOMANDO NOTA

Depois de Manuela Ferreira Leite, de Eduardo Catroga, de Luís Nobre Guedes, de Luís Delgado, e de tantos mais que agora não recordo, veio o incansável prof. Marcelo dizer que o Governo Sócrates fez, em matéria de Segurança Social, o que os últimos governos não fizeram: "Reforma importante dos últimos anos da democracia portuguesa" (RTP 1, 15/10/06). Imagino a cara de Marques Mendes, de Bagão Félix e de Luís Pais Antunes a ouvirem semelhante coisa da boca de um prestigiado militante do PSD e ex-líder do partido. Pelo andar da carruagem ainda acabam todos a pregar para os peixinhos.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Manuel Laranjeira

"E não me assusta a morte! Só me assusta
ter tido tanta fé na vida injusta ...
e não saber sequer pra que a vivi!"
Laranjeira, Manuel(1877 - 1912)
"Poeta, dramaturgo e articulista português, médico de profissão, natural de Vergada, Vila da Feira. Amigo e correspondente de Miguel de Unamuno, relacionou-se com alguns dos maiores vultos da cultura portuguesa do princípio do século XX: Amadeo de Souza Cardoso, António Carneiro, António Patrício. Viveu uma existência solitária e dramática, de que a sua poesia e as suas cartas são o reflexo. Sabendo-se consumido por uma sífilis congénita, suicidou-se aos trinta e cinco anos de idade. É autor de um livro de poemas, Comigo – Versos dum Solitário (1912), que, apesar da simplicidade métrica – constituído quase só por hendecassílabos e redondilhas –, do vocabulário incaracterístico e do ritmo pouco musical, vale sobretudo como documento da sensibilidade torturada e complexa de um homem angustiado em busca do sentido da vida. Publicou, ainda, o ensaio A Cartilha Maternal e a Fisiologia (1909).
O melhor da sua erudição e do seu espírito crítico encontra-se nas Cartas (1943, prefaciadas por Unamuno), publicadas postumamente. Publicou também o prólogo dramático Amanhã (1902) e do seu espólio fazem ainda parte três peças de teatro conservadas inéditas: As Feras, Naquele Engano de Alma, e Almas Românticas, esta última inacabada. Postumamente foram também publicados o Diário Íntimo (1957), as Prosas Perdidas (1958) e os Poemas Dispersos (1997). Nos artigos que escreveu para o jornal O Norte (1907-1908), compilados em volume, em 1955, fez uma análise, extremamente lúcida, do que era o «pessimismo nacional», afirmando que o atraso português tinha como causa o fosso existente entre os intelectuais e a restante população."
OS GRANDES PORTUGUESES? NÃO, MAIS UMA GRANDE CHULICE!

Começo a achar verdadeiramente abomináveis estes pseudo-concursos e sondagens com votações via sms ou pelo telefone em que os promotores, além de se utilizarem da ignorância, falta de senso e atraso cultural de quase dez milhões de portugueses, ainda por cima lhes cobram o valor da sua participação a preços de agiota. Eu recuso-me a participar neste tipo de operações, agora muito na moda e a que a televisão pública, mas cada vez mais púbica, se associa com regularidade. A moda pegou e pelos vistos é como rezava aquele anúncio: veio para ficar.
AFINAL A ANACOM EXISTE!

DÉFICE DE PRESIDÊNCIA?

quinta-feira, outubro 12, 2006
JÁ FIZ OS TRABALHOS DE CASA!

O dr. Marques Mendes, o excelso líder que comanda a oposição ao engº Sócrates, agora deu em apresentar-nos os trabalhos de casa de cada vez que o presidente Cavaco fala.
POBRES RICOS OU RICOS POBRES?

O Correio da Manhã publicou hoje uma lista contendo a relação das 27 câmaras mais ricas per capita, com indicação dos respectivos valores. Essa lista contém algumas curiosidades e merece uma pequena reflexão.
Em primeiro lugar, verificamos que dos 27 municípios aí referidos, 12 se situam no Algarve (Loulé, Lagos, Albufeira, Lagoa, Vila do Bispo, Castro Marim, Portimão, Tavira, Aljezur, Vila Real de Santo António, Faro e Silves). Isto poderá levar muito boa gente, ou nem tão boa como isso, a querer dizer que o Algarve tem todas as condições para ser a primeira região do país. Não tem, como eu terei oportunidade de defender noutra ocasião. Só que isso não impedirá os demagogos do costume de virem para a praça pública procurar tentar acelerar o processo de regionalização.
Depois, verificamos que desses 27 municípios os cinco mais ricos per capita são todos do Algarve (Loulé, Lagos, Albufeira, Lagoa e Vila do Bispo) e que o sexto mais rico é o de Lisboa.
Se olharmos agora para o lado do endividamento desses 27 mais ricos, então vamos verificar que nessa relação estão alguns dos mais endividados do país e daqueles em que houve um maior aumento do endividamento e uma maior pressão para o agravamento das respectivas situações financeiras (cfr. a este propósito a notícia publicada no DN, em 20/4/2006 da jornalista Paula Sanchez). Neste rol incluem-se Lisboa, Tavira, o Porto, Sesimbra, Faro, Setúbal.
O ministro e o secretário de Estado esclareceram que serão aqueles 27 municípios que irão passar a ser contribuintes líquidos para o Fundo de Coesão. A atender pura e simplesmente no valor per capita não tenho dúvidas.
A minha dúvida reside apenas em saber como é que municípios como Lisboa, Faro ou Setúbal, que, não obstante possuirem uma capitação de impostos locais superiores em 1,25 à média nacional, estão completamente enterrados em dívidas, irão financiar o Fundo de Coesão.
No caso de Faro, uma bela cidade que chegou ao ponto de não haver rua que não tenha buracos, que tem contentores de recolha de lixo pré-históricos, em que há ruas bem próximo da zona central que estão pejadas de dejectos caninos, em que junto a algumas esquinas se nota um forte cheiro a urina, que herdou um elefante branco como o Estádio Algarve e onde nem sequer havia dinheiro para acabar o mercado municipal, se irá arranjar mais dinheiro para satisfazer as necessidades básicas da sua população, pagar aos fornecedores, ir aliviando o passivo do senhor Vitorino e ainda sustentar o Fundo de Coesão.
Já todos terão percebido que eu não estou contra a nova lei, nem sou dos que embasbaca com a demagogia dos topo gigios que por aí pululam, do tipo Marques Mendes. Porém, isso não invalida a necessidade de se explicar melhor algumas coisas. O povo não é burro. Gosta é de ter tudo explicadinho.
À atenção do Diogo Lacerda Machado

O Diogo, que além de excelente colega é um tipo que sabe pensar e ouvir, escreve hoje no DN ("Em auxílio dos juízes") que "está por entender melhor como o poder judicial reagiu à revolução democrática e como se comportou desde então" e sugere ao senhor conselheiro Noronha do Nascimento, certamente com a elegância a que já nos habituou, que ajude o poder judicial a transportar-se para o tempo presente.
Eu partilho inteiramente dessa ideia e, sem querer aconselhar ninguém, muito menos o Diogo, que por sem quem é e como é não precisa dos conselhos de um modestíssimo advogado de província, não posso deixar de sugerir, não tanto a ele, que provavelmente já o conhece, mas mais aos leitores, o pequeno livro do nosso ex-colega, hoje ilustre procurador e lagarto como ele, Luís Eloy, que tem por título "Magistratura Portuguesa - Retrato de uma mentalidade colectiva" (Edições Cosmos, Lisboa, 2001).
A sua leitura poderá ajudar a compreender, aos menos familiarizados com estas coisas da Justiça, a razão por que já então o Luís escrevia, referindo-se aos senhores juízes, que "isolados na torre de marfim da sua importância social, numa vertente de auto-exclusão, perde-se mais facilmente a noção de que julgar é uma actividade exercida numa relação entre homens, no centro dos embates do mundo".
Lamentavelmente, é isto que muitas vezes escapa a quem tem de julgar. Mas enquanto houver por aí Diogos e Luíses que o lembrem, sempre me sinto um pouco mais confortado de cada vez que passo horas sentado num banco de tribunal à espera que chegue a minha vez.
NA MOUCHE
terça-feira, outubro 10, 2006
O TEMPO? ORA BOLAS!
TROPA FANDANGA
NÃO SOU UMA BESTA!

O "nosso" inefável Alberto João Jardim parece que anda muito zangado com a nova Lei das Finanças Locais. Acontece que eu também. Não é que eu seja autarca ou que vá ser, ainda mais, prejudicado com os "IMIs" e coisas quejandas. Nada disso. Lixado ando eu há muitos anos.
TELEJORNAIS

sexta-feira, outubro 06, 2006
UM MAU EXEMPLO

António Costa vs. Jorge Coelho ou o combate entre um PS moderno e um PS caceteiro

Este candidato a blogue começou com a pretensão de fazer textos curtos, de preferência pouco maçudos e, se possível, com algum humor. Aos poucos ele vai-se afastando da montanha e do mar, os seus pais geradores no sentido freudiano da coisa, e começa a assumir um tom de almanaque. E ainda por cima elogioso. Vou procurar moderá-lo, embora não desconheça a tendência natural que os filhos têm para se emanciparem, libertarem-se da tutela dos progenitores. Como seu pai natural não quero castrá-lo e nesse ínterim lá terei que aqui deixar mais alguma coisa.
O ministro da Administração Interna do XVII Governo constitucional merece um lugar de destaque na galeria de hoje. Ainda há pouco dissertava eu sobre o discurso de Cavaco Silva no 5 de Outubro e o seu apelo à luta contra a corrupção. Seria injusto se depois daquilo que escrevi ignorasse a nova proposta de lei sobre as finanças locais e a discussão que a mesma tem gerado.
Por natureza e feitio desconfio das propostas do Governo. De qualquer um e de nenhum em particular (confesso que desconfiava ainda mais quando era primeiro-ministro Santana Lopes, altura em que cheguei a duvidar da razão humana e a acreditar piamente que o céu me ia cair em cima). Quando ouço o feudal Jardim vociferar contra a nova lei dos cubanos apetece-me sorrir sem lhe ligar peva. A vida política portuguesa tem estado infestada de bokassas, de petits le pen, de haiders compulsivos. Por isso mesmo também não constitui novidade nenhuma ouvir o maioral da paróquia do Funchal mandar vir contra a proposta de lei, ameaçando com o Carmo e a Trindade com a mesma sem vergonha com que criticava o “senhor Silva”. Se depois dele começo a ouvir o Ruas, aquele senhor da Associação Nacional dos Municípios Portugueses que queria correr com os fiscais do Ambiente à pedrada, também a berrar contra o pacote que ai vem, contra o ministro das Finanças e contra tudo o que está na forja, porque lhe querem fechar a torneira dos gastos, ainda sou capaz de prestar alguma atenção às notícias. Um senhor de bigode a falar à hora das notícias tanto pode ser um programa de humor como um anúncio do Gato Fedorento. Se a seguir a estes a rádio vier anunciar que “os autarcas do PS” estão contra a nova lei, contra o ministro António Costa e o minitro das Finanças e, ainda por cima, nesse mesmo dia, sair a terreiro o camarada Jorge Coelho a mandar as bocas da praxe para as bases do partido (só de ouvir falar nelas entro em pânico), então começo a rir a bandeiras despregadas. Querem ver que esta “malta está toda à rasca”?
É claro que enquanto João Cravinho falou ninguém se preocupou. O homem tem fama de louco e de cada vez que um deputado prepara alguma coisa aquilo leva uma eternidade a conhecer, se conhecer, a luz do dia. Mas no curto espaço de uma semana, depois dele, vieram António Costa e Teixeira dos Santos. E logo a seguir Cavaco. E curiosamente todos falaram nos autarcas. O major Loureiro dirá que é uma cabala, no que será secundado pelo Moita Flores. Muitos ficaram ofendidos. É natural. Eu também fico quando ouço dizer que os advogados são uns vigaristas e que os do Algarve ainda são piores. Ninguém gosta que chamem nomes à família. E enterrar a cabeça na areia nunca foi solução.
O ministro António Costa tem tido uma paciência de job. Não é fácil aturar aquela gente que, salvo cada vez mais raras excepções, se tem imposto na vida política por fazer a escola do partido, favorecer o emprego local de uma meia dúzia de eleitos, estimular o compadrio, o clientelismo, a política do pequeno favor, quando não do grande escambo, ao mesmo tempo que apadrinham equipas de futebol falidas e construtores civis ávidos de novos terrenos. Pode ser injusta mas essa é a imagem que cola à maioria dos autarcas deste país. Alguns há que nela não encaixam. Esses poucos são aqueles de quem ninguém fala, os que não fazem escola fazendo obra e que na primeira oportunidade são jogados fora a favor de um qualquer arrivista ou de um intelectual da moda. Quanto aos outros não há quem por esse país fora não os conheça e não fale deles, justa ou injustamente, das negociatas que promovem, das mordomias de que gozam, das contas dos sobrinhos, das férias no Brasil, das casas no Algarve, dos carros topo de gama, das noitadas...
Num país como o nosso, em que quem se tem safo têm sido os judas e os isaltinos, é sinal de esperança saber que há quem se preocupe connosco, quem ature os autarcas, os bons, os maus e os inqualificáveis e pacientemente vá reunindo com eles, até com os bem intencionados, que também os há, e lhes vá explicando que entre as virtudes da democracia existe uma que é a de saber gerir o dinheiro dos contribuintes e prestar contas de uma forma clara e transparente. Como qualquer advogado que se preze.
Saber que Jorge Coelho está ao lado dos autarcas socialistas – e a sua posição sobre a política do ministro Correia de Campos não pode ter segunda leitura – que estão ao lado do inexistente Fernando Ruas (Mao chamar-lhe-ia a campanha dos gatos pardos), que por sua vez está ao lado do inqualificável Alberto João Jardim, contra a nova proposta de lei das finanças locais pelo simples facto esta vir moralizar aquilo que não deveria ser necessário moralizar – o escrutínio dos gastos das autarquias – só pode ser motivo de grande satisfação.
Saber que o António Costa é um dos esteios dessa unanimidade e da ansiedade que se gerou, é motivo de tripla satisfação. Pelo trabalho que está a fazer, por ele ser do PS e por gostar do SLB.
Agora só é preciso esperar que a lei seja aprovada, que a Inspecção Geral da Administração Interna comece a actuar e que o novo Procurador Geral da República não fique a dormir na forma. E, se possível, que varram este país de norte a sul. Se começarem pela Madeira não será mau. Depois é só continuar. Essas coisas quando entram no automático já não param. O Nunes da ASAE que o diga. E já agora, se puderem, que isto vai a talhe de foice, digam também ao João Adelino Faria (sic da SIC!) que “faria-lhe” não é coisa que se diga. Ainda menos em televisão.
APLAUSO

Não o conheço de lado nenhum. Nunca falei com ele. Eu não sou do CDS. Não temos a mesma idade nem frequentamos os mesmos círculos. Temos em comum apenas o facto de sermos ambos advogados e de Cascais (por mais anos que passem e por mais longe que esteja nunca deixarei de pertencer a essa terra de adopção) . Todavia, isso não tem qualquer interesse.
O que importa frisar é que sendo ele quem é, tendo a vida profissional que se lhe conhece (e quem anda na advocacia a sério sabe disso) e o passado que tem no CDS/PP, incluindo no Governo do “defunto” Santana Lopes, Luís Nobre Guedes não perdeu nem as convicções nem a verticalidade.
A entrevista que Luís Nobre Guedes deu a Judite de Sousa foi verdadeiro serviço público que ambos e a RTP prestaram ao país.
Nobre Guedes é um homem sério. É um homem decente. É um homem frontal. É um homem vertical.
Reconhecer isso não me obriga a partilhar as suas convicções, a aplaudir-lhe as ideias ou as suas manifestações públicas em relação ao aborto.
E apesar de poder nutrir alguma simpatia por aquilo que ele disse em relação ao Governo do eng.º Sócrates (“Nós temos um bom Governo” ou “Quando se tem um bom Governo só tem de se actuar em conformidade, reconhecer os méritos”), há, porém, uma coisa que não posso deixar de aplaudir. De pé de preferência. É, para além da sua educação e temperança, a sua enorme clarividência.
A sua tentativa de querer acabar com a fulanização, num partido que deu campelos e avelinos em barda, de querer abrir o partido à sociedade, reposicionando-o no espaço político nacional, de querer ser simpático para com Ribeiro e Castro, pode não levar a lado algum. Até pode ser que ele consiga chegar à liderança do partido e o volte a colocar dentro de um táxi a caminho de São Bento. Mas nada disso é importante quando se é confrontado com a dimensão política do homem. Com o seu sentido táctico e estratégico. O seu sentido de cidadania chega a assumir, num partido como o CDS, que tem na bancada parlamentar Nuno Melo e João Almeida, foros shakespearianos, uma dimensão trágica.
Só que como português e amante da política, no sentido nobre da palavra, também tenho que confessar que é por aí que passa a cidadania. Mas que seria dele sem a dimensão abissal da sua clarividência? Como dizia o Lobo Xavier “as pessoas sérias não gostam de vender ilusões”. Portugal precisa de gente assim. Precisa de políticos assim. E os partidos que não perceberem isto não percebem nada de política.
SINAIS PROMISSORES

A minha primeira palavra de hoje vai inteirinha para Aníbal Cavaco Silva.
Quem me conhece sabe que nunca gostei do estilo que ele cultivou. Nunca gostei da pose nem daquela gente de quem ele se rodeou enquanto primeiro-ministro (os “Costa Freire”, os “Cardoso e Cunha”, os “Santos Martins”, os “Deus Pinheiro”, os “Mira Amaral” e mais um ror de gente que é, em matéria de política, leia-se bem, tudo menos recomendável, independentemente do facto de poderem ser excelentes pessoas).
Por isso mesmo, fui dele feroz opositor e abandonei a simpatia pelo partido pelo qual travei importantes batalhas no meu tempo de faculdade, ainda antes de nele entrar. Por causa dele nunca me filiei no partido. E se entre o congresso da Figueira da Foz e o de Braga ainda pensei que seria possível construir um PSD melhor e capaz de governar decentemente o país, com aquela gente que lá ficou depois da morte de Francisco Sá Carneiro rapidamente desertei e vi fenecer o sonho.
Em Macau, já no extinto “Futuro de Macau”, apelei ao voto em Sampaio nas primeiras presidenciais que este ganhou. Mas estando em Macau era-me difícil dissociar o mau desempenho de Rocha Vieira do compromisso sampaísta, daquele permanente fingir que vou fazer para depois tudo acabar, sem ironia nem rasgo, tratado pelos jornais como conversas de sacristia.
Mais recentemente, não convencido do mito sebastiânico e ainda recordado do fiasco que foram aquelas eleições para o parlamento europeu, a que Mário Soares só concorreu porque alguém lhe fez crer que poderia ser presidente de tão nobre instituição (sempre a adoração pelo penacho), fui um dos que não o apoiando, contra aquela que era a vontade dos apparatchiks do partido, pensou que Alegre era mais genuíno, mais são, mais capaz.
Foi, pois, com um misto de amargura (com a Inês Pedrosa ao lado o Alegre nunca chegaria parte alguma) e receio (o Fernando Lima era um mau prenúncio) que vi Cavaco Silva ser eleito. Desde logo porque o imaginei rodeado daquela gente que diz amém a tudo para garantir a tença, o tacho ou a sopinha, como lhe queiram chamar. Depois porque já estava escaldado de uma dezena de anos de cavaquismo.
Ao ouvir ontem o discurso do 5 de Outubro, embora ainda não convencido, não posso deixar de subscrever na íntegra o apelo de Cavaco Silva. Pela primeira na história da democracia portuguesa do pós-25 de Abril vejo um Presidente da República, um alto dirigente do Estado, pegar o touro pelos cornos. Finalmente, haja alguém com bom senso e inegável prestígio que coloque o dedo na ferida.
Depois das preocupações com a Educação, do apelo ao entendimento nacional nas questões da Justiça e da forma, no mínimo sábia, como tem gerido estes primeiros meses de mandato, não posso deixar de dizer que os sinais são prometedores.
O homem pode ser de Boliqueime, a mulher pode não ser vistosa, o genro até pode ser um arrivista sempre à procura de uma oportunidade. Mas o certo é que com a educação que lhe deram, com aquilo que aprendeu, com a humildade de quem fez um caminho na vida (coisa de que Marques Mendes não se pode gabar) e soube trilhá-lo à medida das suas ambições e dos anseios do país em que acredita, é evidente que aprendeu muito nos últimos anos. Nesse aspecto temos de estar agradecidos a Paulo Portas.
Isso ainda não será suficiente para que se possa dizer que tem um pensamento político estruturado e consistente. Porém, nos tempos que correm não deixará nunca de ser uma tentativa lúcida e corajosa. Em matéria de combate à corrupção e de coragem política, Cavaco Silva não é Maria José Morgado. Nem se quer que seja. Chega uma de cada vez em cada geração. Todavia, é indiscutível que está a deixar os sinais de que os portugueses precisam. E isso, por muito que se lhe critique, por muitos defeitos que se lhe apontem, não deixa de ser significativo. Oxalá continue. Chega de demagogos e de presidentes meias tintas. A ética republicana vale bem um presidente.
P.S. Sendo Cavaco algarvio e conhecendo ele, com a distância que York e Lisboa conferem, as autarquias e “os partidos do Algarve”, interrogo-me se o Presidente não começou por enviar os recados a uns moços que para aí andam cada vez mais gordos, cada vez mais caciques e cada vez mais complexados. A melhor limpeza é a que começa na nossa casa!
quarta-feira, outubro 04, 2006
Notável: Vicente Jorge Silva no DN, 4/10/06
O cândido que não quis ser Sísifo
Souto Moura deixa por estes dias as funções de procurador-geral da República e escolheu o semanário Sol para fazer as suas confidências de fim de mandato. Os entrevistadores evitaram perguntas incómodas e rodearam o procurador cessante de um comovente desvelo, quais jardineiros carinhosos tratando uma delicada flor de estufa. Vítor Rainho, subdirector do Sol e um dos entrevistadores, é definitivo: "Afinal, quantos procuradores deram seguimento a tantos processos envolvendo figuras públicas? Quantos tiveram a coragem de não ceder em momento algum? Se cometeu erros? É óbvio que sim, mas Souto Moura faz-nos acreditar que em Portugal nada será como dantes. Os poderosos do futebol, da política, do espectáculo ou das finanças sabem que, aos poucos, está a desaparecer o conceito de justiça para ricos e para pobres."Diga-se que o subdirector do Sol não está sozinho nesta avaliação. Outros comentadores têm manifestado idêntica benevolência com a acção do procurador, apenas porque Souto Moura foi supostamente incómodo para os poderes instalados, em especial o poder político. Pouco importa que a credibilidade do Ministério Público tenha sido literalmente arrasada por uma sucessão imparável de casos de incompetência e arbitrariedade judicial ou de condescendência corporativa, nos quais o procurador parecia ser sempre apanhado em falso, como um alienígena acabado de chegar à Terra. Em Portugal, o horror aos "poderosos" serve de caução às derivas da Justiça. E se, no fim, a Justiça não funcionar por culpa própria, deixando os culpados sem castigo e as vítimas sem reparação, logo se encontrará uma sibilina teoria conspirativa para o fracasso. A entrevista ao Sol nada traz de novo sobre as (in)decisões controversas do procurador. Nenhuma revelação, mas muitas justificações - algumas delas embrulhadíssimas, em particular sobre o caso Casa Pia ou o "Envelope 9". Os acidentes incompreensíveis são explicados com uma candura absolutamente desconcertante e quase inverosímil, porventura o traço principal da personalidade de Souto Moura. Daí a confissão: "Se há lição que tiro é que não tive na devida consideração a força que a comunicação social tem."O procurador acredita piamente no que diz, com a doce ingenuidade de um neófito, mesmo quando o que diz parece simplesmente... incrível. Porque é que no "Envelope 9" a culpa foi, afinal, do "mensageiro", dos jornalistas - e não de quem recolheu a mensagem no envelope? Resposta: "Obviamente, porque só em relação a eles o magistrado titular do processo entendeu que havia indícios suficientes. Pelo que tenho ouvido, muito cómodo seria não acusar ninguém." Assim pagou o "mensageiro" os custos da incomodidade da "mensagem".Onde podemos encontrar algumas pistas para perceber a imponderável candura de Souto Moura é nos episódios biográficos evocados na entrevista. Este homem, nascido numa família burguesa do Porto, que tem como hobbies construir modelos de barcos e desenhar folhetos para seminários de Direito, descobriu a religião aos trinta anos (diz-se próximo dos jesuítas) depois de ter lido O Mito de Sísifo de Camus. Por temer ser Sísifo, tornou-se cândido. E foi candidamente que furou a greve académica de Coimbra, em 69, porque ao regressar de um internamento hospitalar a sua "preocupação principal era não chumbar o ano". Reconhece que a greve foi "das coisas mais importantes que se fez contra o regime em Portugal", embora considere que "era tudo menos uma manifestação puramente espontânea", uma "coisa completamente limpa". "Mas se calhar", admite "era ingenuidade minha, pois essas coisas nunca se fazem com rigores desse género."Souto Moura começa como delegado do MP em Ponte da Barca e, enternecidamente, recorda: " Não havia casa de magistrados e fiquei na pensão da Fininha. Era uma coisa adorável, onde me aqueciam a água para o banho - província pura, portanto. Comia-se excepcionalmente, a Fininha adorava a minha presença, porque, para ela, ter o delegado a viver lá era como eu a receber aqui a rainha de Inglaterra." Trinta e tal anos depois, reencontramos a mesma candura pequenina: "Ainda há um mês, em Moscovo, houve uma reunião de procuradores-gerais da Europa, sobre o tema "Direitos Humanos e MP". E vieram pedir-me para falar uns minutos sobre o tema na presença do presidente Putin que estava a chegar. Enfim, nem deu para ficar aflito! Improvisei e lá falei. Ninguém soube disto cá." A candid conversation de Souto Moura ao Sol mostra, enfim, porque é que o procurador da República que esta semana cessa funções se equivocou sobre o "melhor dos mundos possíveis" do Cândido de Voltaire: "A imagem que me colaram foi a de que sou um indivíduo que de vez em quando diz uns disparates num vão de escada". Ele rejeita obviamente a caricatura, mas o auto-retrato é perfeito. (Vicente Jorge Silva, Diário de Notícias, 4/10/2006)
quarta-feira, setembro 27, 2006
ELE NÃO MERECIA UMA NOITE ASSIM

Ele não merecia uma noite como aquela que tivemos ontem. Ele não merecia ver a equipa a jogar para trás. Ele não merecia ver o Karagounis ser substituído numa altura crucial do jogo. Ele não merecia ter visto o Nuno falhar daquela maneira. Ele não merecia ver o Luisão a fazer de extremo esquerdo e de número 10 a colocar bolas fora das linhas laterais. E nós não merecíamos ter um treinador daqueles. Não merecíamos continuar a ver o Nuno Assis a jogar e ainda merecíamos menos ter o Fernando Santos como treinador. Um Benfica que joga para trás quando está empatado e tem 60.000 gargantas a puxar por ele é um Benfica irreconhecível, sem ambição, medroso. Detesto treinadores medrosos. A sorte nunca protegerá os medrosos. Hoje é um dia triste. Amanhã há mais.
segunda-feira, setembro 25, 2006
A propósito de rir: Hermínio Loureiro
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O senhor Hermínio Loureiro é um cidadão deste país interessado em ser presidente da Liga de Clubes. Nada de mais legítimo. O poder sempre foi uma fonte de inspiração e desde que se respeitem os pressupostos de natureza formal que condicionam a eleição e o acesso ao poder nada há a apontar.
Bem sei que ele já desempenhou numerosos cargos partidários e políticos, que ele se assume como gestor, que é presidente da assembleia municipal de Oliveira de Azeméis...
Porém, o simples facto dele ter andado a pedinchar ao senhor Luís Filipe Vieira e a muitos mais presidentes de clubes de futebol que integram a Liga que o recebessem, para que ele pudesse promover a sua candidatura e ser notícia nos jornais e nas televisões, seria mais do que suficiente para me deixar de pé atrás.
Mas nada seria grave se o senhor Hermínio Loureiro tivesse o perfil, a formação e o currículo que o recomendassem para presidente da Liga de Clubes.
Ora, aqui é que, como diz o povo, a porca torce o rabo.
Para que não se pense que falo de cor, convirá repescar o currículo vitae (vd infra) do senhor Hermínio Loureiro, publicado quando ele foi nomeado Secretário de Estado da Juventude e Desportos do XVI Governo Constitucional.
O senhor Hermínio Loureiro tem sido ultimamente apresentado pelos órgãos de comunicação social como “Dr. Hermínio Loureiro” ou simplesmente “gestor” (como o engenheiro Carlos Melancia), mas olhando para o seu CV a primeira dúvida que me assalta é a de saber se, entretanto, ele já acabou o curso de gestão do qual, em 2004, quando pela 4ª vez foi nomeado secretário de Estado, apenas tinha a “frequência” (sic).
E se só tinha “a frequência” convirá saber até que ano frequentou o curso, já que não é o mesmo não ter passado de caloiro ou ter chegado a finalista do curso (ou quase-doutor).
A pergunta não é de resposta múltipla nem indiferente, já que nas legislativas de 2005 o referido senhor ocupava o 2º lugar na lista de Aveiro do Partido Social Democrata, logo atrás dessa sumidade que é o Dr. Marques Mendes, sendo aí apresentado como “técnico de seguros” (sic). Pessoalmente, não acredito que o Dr. Mendes fosse colocar na sua lista uma pessoa pouco qualificada.
É claro que de quem tem o percurso político e profissional do senhor Hermínio Loureiro, de quem fez toda a escada da “Jota”, andou pela área comercial de diversas companhias de seguros, ocupou 16 (dezasseis!!!) cargos em estruturas políticas e associativas, foi director de marketing da Liga de Basquetebol, teve 4 pastas em dois governos nacionais e é presidente da assembleia municipal de Oliveira de Azeméis e membro da “Fundação La Salette”, a única coisa que se poderia agora esperar era que fosse presidente da Liga de Clubes. Ao que parece, o senhor Luís Filipe Vieira, que apesar de não ter grandes estudos ainda não foi membro do governo e é presidente do “Maior Clube do Mundo”, é que não foi na conversa.
Eu não sei que outras competências, para além das óbvias e que constam do seu riquíssimo currículo, terá o senhor Hermínio Loureiro, a ponto de ser neste momento candidato único à presidência da Liga de Clubes. Neste país tudo é possível.
Mas há uma coisa, pelo menos, que eu estou convencido que ele sabe fazer. E, talvez, também por isso mesmo é que o próprio Dr. Marques Mendes o tenha integrado na lista de deputados por Aveiro. O senhor Hermínio Loureiro poderá não ter tido tempo para acabar o curso de gestão até 2005, tantos foram os cargos que ocupou e as funções que desempenhou, mas ao menos já terá aprendido a jogar à lerpa e à sueca. É que se não o soubesse também não se candidatava.
O major Valentim que o diga, já que se não fossem essas actividades lúdicas a preencherem-lhe os tempos livres, ele também nunca teria dado a presidência do Boavista ao ex-vocalista de um grupo rock. Mesmo que fosse da família. Da dele é claro.
Currículo do Secretário de Estado da Juventude e Desportos
Hermínio José Sobral Loureiro Gonçalves
Nascido em Oliveira de Azeméis, em 30 de Dezembro de 1965, Casado, uma filha
Formação Académica
Frequência do curso de Gestão de Empresas no Instituto Superior de Administração e Gestão
Actividade profissional
Responsável administrativo/financeiro da empresa Silva Brandão & Filhos Lda
Serviços comerciais da Aliança Seguradora, SA
Serviços comerciais da Aliança/UAP SA
Coordenador comercial da Global Companhia de Seguros SA
Actividade política e associativa
Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Ferreira de Castro
Vice-presidente da Comissão Política Distrital da JSD/Aveiro
Presidente da Comissão Política Distrital da JSD de Aveiro
Conselheiro Nacional da JSD
Vice-presidente da Mesa do Congresso da JSD
Conselheiro Nacional do PSD
Secretário-geral adjunto do PSD
Membro da Comissão Política Nacional do PSD
Membro da Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis
Candidato a deputado à Assembleia da República em 1991
Deputado à Assembleia da República - VII Legislatura
Vice-coordenador do PSD na Comissão parlamentar de Juventude
Deputado à Assembleia da República - VIII Legislatura
Coordenador do PSD na Comissão parlamentar de Juventude e Desporto
Presidente da Comissão parlamentar de acompanhamento do Euro-2004
Presidente da Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis
Actividade desportiva
Director de marketing do Basquetebol da União Desportiva Oliveirense
Membro da Comissão Directiva da Liga de Clubes de Basquetebol
Funções governamentais exercidas
De 2004-12-02 até 2005-03-12Secretário de Estado do Desporto e Reabilitação do XVI Governo Constitucional
De 2004-11-24 até 2004-12-02Secretário de Estado do Desporto do XVI Governo Constitucional
De 2004-07-21 até 2004-11-24Secretário de Estado do Desporto do XVI Governo Constitucional
De 2002-04-08 até 2004-07-17Secretário de Estado da Juventude e Desportos do XV Governo Constitucional
Sugestão: alcunhas para os rapazinhos do CDS/PP
AS TAREFAS HÉRCULEAS DE PINTO MONTEIRO
sexta-feira, setembro 22, 2006
COMPROMISSO PORTUGAL
quinta-feira, setembro 21, 2006
O SÍMBOLO DE UMA NAÇÃO

Não sei se essa nação tem os tais seis milhões de que alguns falam. Isso também não é importante. Importante não é só fazer da águia "o símbolo de uma nação". Importante é fazer do desporto e do futebol em particular aquilo que nunca deveria ter deixado de ser: uma escola de valores com princípios e regras indiscutíveis e intemporais. No dia em que o senhor Madaíl perceber isto e for capaz de transmiti-lo aos miúdos, então poderemos aspirar à honra de ter um futebol são em corpos sãos. E para isso não precisamos do senhor Scolari nem da Senhora de Caravaggio.




