quinta-feira, novembro 23, 2006

A LER

Ainda sobre a entrevista de Cavaco Silva, o artigo de Luciano Amaral no DN de hoje. Sempre há alguém à Direita que consegue libertar-se da espuma e raciocinar em termos normais.

quarta-feira, novembro 22, 2006

A CAMINHO DOS OITAVOS DE FINAL DA CHAMPIONS



Mais uma grande noite de futebol para os lados da Luz. Segue-se o Manchester e aí vamos nós a caminho dos oitavos de final.
Pena é que o treinador não aprenda com o querer de alguns jogadores.

VAMOS POR PARTES


Alguns espíritos menos esclarecidos, ligados à actual liderança do PSD, têm vindo a criticar de forma totalmente desajustada a intervenção televisiva de Cavaco Silva, na semana passada na SIC.

Dizem eles que o Presidente extravasou os seus poderes, intervindo directamente na luta política, ao arrogar-se o direito de opinar sobre factos da vida política, manifestando a sua adesão às posições do Governo, e que ao fazê-lo estaria a funcionar como uma forma de apoio ao Governo do engº Sócrates. Por outro lado, entendem essas pessoas que uma intervenção como a que Cavaco Silva teve reduz o campo de manobra da oposição e coloca em causa a liderança de Marques Mendes. Nada de mais errado.

Antes demais importa sublinhar que é importante que os factos sejam analisados na sua crueza e não sob a cegueira dos apparatchiks.Mas vamos por partes.

O Presidente da República limitou-se a dizer o óbvio. E qualquer pessoa com bom senso será obrigado a confirmar que a direcção política do PSD está farta de cometer erros, que a situação nas duas principais cidades geridas pelo PSD é má, num caso por questões internas, no outro por quebra da coligação com o CDS/PP, que as declarações de Marques Mendes têm sido manifestamente infelizes, que os porta-vozes do partido têm revelado uma grande incapacidade e falta de senso ao criticarem decisões de política governativa que o país há muito exigia. É o caso das SCUT, das reformas da Segurança Social e da Justiça, da rigorosa contenção orçamental rigorosa e do emagrecimento da função pública, de uma nova política educativa, das novas leis das autarquias e das finanças regionais e da aposta no desenvolvimento científico e tecnológico, só para dar alguns exemplos.

O PSD tem insistido em colocar a tónica das suas críticas no facto de ter havido uma hipotética quebra do compromisso eleitoral do Partido Socialista com os eleitores. Mas se houve, o que não me parece, não é ao PSD, nem à sua direcção ou aos seus fundamentalistas, que compete julgar essa eventual quebra, mas sim aos eleitores em futuras eleições. O PSD confunde a sua vontade com a vontade dos eleitores. E a partir daí convenceu-se de que foi com os sofríveis vinte e poucos por cento que o partido obteve nas últimas legislativas que lhe foi conferida legitimidade, não para criticar e fazer uma oposição decente, mas para julgar o Governo e as suas políticas. Os eleitores não são estúpidos e certamente que ponderarão a justeza dessas medidas perante o compromisso eleitoral do PS e as políticas que têm vindo a ser seguidas. Não é por Marques Mendes se pôr a berrar e em bicos dos pés, ou por um qualquer Branquinho vir dizer meia dúzia de patacoadas contra o Presidente da República e o Governo, que as pessoas de bom senso ou os eleitores vão ficar convencidos das suas verdades. Uma liderança que por uma simples entrevista do Presidente da República se sente condicionada e fica toda enxofrada, é uma liderança fraca, uma liderança que demonstra falta de poder de encaixe, impreparação e desnorte.

As mais recentes declarações de gente tão insuspeita como Manuela Ferreira Leite, Dias Loureiro, Duarte Lima, Fernando Negrão, Aguiar Branco, Ângelo Correia, Fernando Seara ou até do independente Daniel Proença de Carvalho, são por demais elucidativas da falta de razão de Marques Mendes e do destrambelhamento em que voga a sua direcção política. Repare-se que não estou a falar em gente como Alberto João Jardim, Luís Filipe Menezes, Mendes Bota, Guilherme Silva, de Patinha Antão ou do complexado Pedro Santana Lopes, que têm derivado ao sabor das marés e das suas conveniências, sendo facilmente reconhecidos pela demagoga ligeireza das suas posições e pela forma avulsa como criticam os opositores e Cavaco Silva sempre que as coisas não lhes correm de feição, ou sempre que os acontecimentos lhes retiram o protagonismo que julgam merecer, sendo, por isso mesmo, incapazes de fazer uma análise desapaixonada dos factos.

Há uma voz, no entanto, que também criticou a entrevista de Cavaco Silva, mas fê-lo com um outro tipo de registo e colocando-se num patamar claramente superior àquele em que Marques Mendes e a sua direcção se colocaram. Como, aliás, é seu timbre. Estou a referir-me a Pacheco Pereira. Só que neste caso, Pacheco Pereira esqueceu-se de que o regime português é um regime semi-presidencial, de que o presidente da República não é a rainha de Inglaterra e que para intervenções insonsas e sensaboronas já chegaram as de Jorge Sampaio, que nem mesmo em áreas sobre as quais tinha responsabilidades directas na governação foi incapaz de intervir de um modo consistente. Caso de Macau e dos desmandos de Rocha Vieira. Agora, a águia de duas cabeças voltou a mostrar que está viva, coisa a que já nos tínhamos desabituado, e o PSD entrou em pânico.

O país, com excepção de Soares no segundo mandato e de Sampaio na crise de Santana Lopes, habitou-se a ter presidentes que se mantinham impávidos e serenos a ver passar a procissão, limitando-se a fazer discursos de circunstância. Isso não significa que todos eles não tivessem procurado desempenhar o seu mandato nos termos constitucionais. E tenho para mim que todos eles o fizeram em termos aceitáveis, embora com estilos diferentes. Cavaco não tem de ficar amarrado ao estilo dos que o antecederam. Apenas se lhe exige que seja isento e que respeite os seus poderes. Só que isenção não é sinónimo de apatia. O Presidente não sofre de uma nenhuma capitis diminutio que o iniba de intervir quando acha adequado e de concluir o óbvio, sujeitando-se, naturalmente, às críticas que lhe possam ser assacadas pelos outros actores do sistema político.

Que Marques Mendes e a sua direcção política entendam, por força das circunstâncias e conveniência de quem já mostrou que nada tem a oferecer ao país, que o principal partido da oposição deve intervir como um mero ventríloquo, apostando em intervenções desgarradas, avulsas, inconsistentes e a destempo, isso é lá com eles. Que a oposição ao Governo do PS se resuma só a isso e a algumas intervenções que raiam a desonestidade política, é que já é mais grave.


P.S. Recomendo vivamente a leitura do artigo de hoje no DIÁRIO DE NOTÍCIAS, de Francisco Almeida e Paula Sá. Dir-se-ia que aos poucos os exemplos começam a reproduzir-se.

segunda-feira, novembro 20, 2006

VEIGA NO TIC

"José Veiga detido (act.)

O ex-director desportivo do Benfica, José Veiga, foi detido e está actualmente a ser ouvido no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa (TIC), avançou a SIC Notícias.

Em causa está a transferência de João Pinto do Benfica para o Sporting há seis anos, um negócio que poderá ter beneficiado o ex-director geral do Benfica em um milhão de contos.

Mais pormenores dentro de momentos.

20-11-2006 14:53:55" (in Diário Digital)


Será que ele vai logo à noite à TVI?

domingo, novembro 19, 2006

PRÓXIMO ACTO: A DEFENESTRAÇÃO DE MARQUES MENDES



Estava eu ainda a acabar o post anterior, quando ouvi o líder da concelhia de Gaia do PSD, o crónico e putativo candidato à liderança do PSD, Luís Filipe Menezes, a desancar no seu próprio líder. Em directo na RTPN.

Aplaudindo o papel do Presidente da República e a sua recente entrevista, Menezes veio com o seu habitual discurso populista lembrar que ainda ontem teve 1500 militantes a jantar com ele (presume-se que quereria dizer que Marques Mendes já janta sozinho), que o líder do partido não faz oposição em Portugal e vai fazê-la para fora de portas, que foi fazer política – ou turismo, depende das perspectivas – para a Baía, Pernambuco e a Guanabara, sabendo que os eleitores dessas regiões ainda não votam nas legislativas portuguesas. Acrescentou que Marques Mendes devia ter apresentado uma moção de censura no parlamento logo a seguir à aprovação do orçamento, porque não fez oposição a este e o comunicado do Banco de Portugal aconselhava uma interpelação ao Governo sobre matéria económica e que o seu discurso não é regionalista mas descentralizador, para rematar com a afirmação assassina de que tinha orgulho dos governos do PSD a que não pertenceu. Ao contrário do Dr. Marques Mendes, para ele mais um estrangeirado, que neles tinha estado a exercer funções. Mais eloquente não era possível.

Bastaram três dias com o líder fora e o PSD ficou imediatamente de pantanas. O espectáculo que o PSD de Marques Mendes dá neste momento faz lembrar aquelas famílias numerosas dos filmes italianos da década de 50, que apareciam nos filmes neo-realistas, viviam em bairros problemáticos dos arredores de Nápoles ou de Roma, com numerosos filhos, que tinham a mãe a berrar na cozinha enquanto fazia a pasta e se benzia, o pai a bater na filha casadoira e bonitona porque andava a fazer olhos para o carteiro, enquanto os mais novos se guerreavam e saltavam por cima das mesas e dos sofás, ao mesmo tempo que a vizinha do andar de cima batia à porta para avisar do roubo da Vespa que estava à porta do prédio. Pior do que este cenário, só mesmo a imagem do líder que em cada declaração que faz se desqualifica a si próprio.

Nem a santa trindade do Benfica, agora amputada do senhor Veiga, que convenientemente apresentou a demissão antes da miserável derrota de Braga e da enésima vez em que Fernando Santos veio à televisão dizer que a equipa cometeu erros e que “vamos ter de conversar no balneário”, seria capaz de fazer pior.

A avaliar pelos sinais deste fim-de-semana, o próximo passo que será dado pelos militantes do PSD deverá ser a defenestração de Marques Mendes. Tal como com Fernando Santos no Benfica, está visto que só boa vontade e amor à camisola não chegam. Convém, para além de saber jogar á sueca, ter também um pouco de jeito e saber o que se anda a fazer.

O DESTRAMBELHAMENTO É TOTAL

O comandante Azevedo Soares, na ausência do dr. Marques Mendes, algures sambando, veio mostrar a sua indignação pelo facto do Procurador-Geral da República ter ido almoçar a São Bento com o primeiro-ministro e com os ministros da Justiça e das Finanças.

Azevedo Soares, com o à-vontade que caracteriza os militares que têm a mania que sabem fazer política, veio colocar em causa, com tal almoço, o carácter, a isenção, o rigor e a independência de um dos mais brilhantes magistrados portugueses. Por sinal o mesmo que tomou posse há pouco mais de um mês e que foi indicado com o apoio do seu partido.

Para esse eminente dirigente do PSD – Azevedo Soares é, tanto quanto sei vice-presidente do partido – um simples almoço de trabalho, entre titulares de órgãos do Estado com altas responsabilidades, para tentar resolver problemas e encontrar soluções, é um sinal de menorização do estatuto da Procuradoria, do seu titular, e uma prova de falta de isenção e de autonomia desse órgão. Esqueceu o dirigente do PSD que não só é a Procuradoria a entidade que assegura a defesa dos interesses do Estado em juízo, como que o conselheiro Pinto Monteiro é um homem que tem uma carreira que fala por si. E esqueceu que ao atacá-lo estava a desqualificar o homem em quem, há algumas semanas, o PSD reconhecia qualidades que o recomendavam para exercer o cargo.

O comunicado resposta da Procuradoria, divulgado logo a seguir à espúria notícia do Sol, recordando que o gesto não era inédito e já teve lugar anteriormente com outros procuradores e outros governos, e, bem assim, as declarações dos demais líderes dos partidos da oposição, com especial relevo para Ribeiro e Castro e Jerónimo de Sousa, bastaram para desqualificar as declarações de Azevedo Soares e cobri-lo de ridículo.

O estado da direcção do PSD é de total destrambelhamento. O PS nem sequer precisa de responder. Por este andar ainda vamos ter o impagável Miguel Frasquilho como candidato a primeiro-ministro.

sábado, novembro 18, 2006

SAUDADES DE MACAU

O Costa Antunes e o Luís Barral à minha espera em Kai Tak. Estávamos nós em 1986. Os primeiros carros que vi chegar a Macau, ali, na Doca D. Carlos, da janela do meu gabinete. As visitas ao circuito, o Mandarim, as corridas de Lamy e Couto, os recordes de Patrese. Anos mais tarde, o ritual dos treinos na curva do Hotel Lisboa, com o Rui Cernadas, à hora do almoço. A Rita Coolidge no Hyatt a cantar só para mim. E veio a construção do museu, chegaram os karts, primeiro no NAPE e depois em Coloane, as corridas com o Gonçalo Pinheiro Torres, o Ricardo Sá Carneiro e todos os outros. Os jantares na Toscana, a sopinha tailandesa no Kruatec. Será que ainda existe? Ah, Macau...
Este fim de semana há Grande Prémio de Macau. O André fez a pole position com o Seat mas falhou a pesagem e vai sair da última linha da grelha. A ver se é desta. O puto Ávila também está cheio de gás. Quem não puder ter o privilégio de estar no Circuito da Guia o melhor mesmo é ligar-se à SIC Notícias. Esta noite ninguém dorme lá em casa.
Aí está a minha velha e actual máquina, em plena aceleração na subida de São Francisco. Espero que a Alfa Romeo vença em Macau. E já agora que Augusto Farfus seja o novo Campeão do Mundo de Turismos.
Para meu deleite e glória da casa de Arese.

Sempre a mesma boa disposição, faça chuva ou faça sol.

Macau sã assi!


Para não variar: sempre à frente no Ramal dos Mouros.

PEQUENA NOTÍCIA, GRANDES NEGÓCIOS

Esta pequeníssima notícia, ontem publicada numa página interior e escondida do Público, pode ter passado despercebida a muita gente. A mim não passou. Adivinham-se grandes negócios. Depois da venda da Lusotur aos espanhóis, continuem atentos ao que se passa no Algarve. E mais não vos digo.

E TU? ATÉ TU, RIO!?



O PSD continua a sua louca corrida em direcção ao abismo. Depois de tudo o que sucedeu na semana que agora finda, só faltava mesmo vir Rui Rio dar uma entrevista ao Sol a elogiar o estilo de José Sócrates e a cultivar as parecenças entre ambos. O espaço político de Marques Mendes é cada vez mais reduzido. O DN também se encarregou de confirmar isso mesmo. Se o PSD mantiver o actual rumo e o clima de guerrilha interna em que as actuais estruturas do partido medram, quer-me parecer que o actual líder, se é que ainda existirá nesssa altura, vai chegar muito desgastado ao próximo acto eleitoral. E em política, depois de um desastre, o tempo de recuperação é sempre muito longo porque acompanha os ciclos eleitorais. A manutenção do actual estado de coisas não serve a ninguém. Quanto mais tarde pior para o partido e pior para Marques Mendes. Resta é saber se as alternativas se vão chamar Rio ou Menezes. Ou, como diria Cavaco, se a má moeda (Menezes e a sua pandilha de populistas, demagogos e regionalistas com complexo de inferioridade) se vai impor à boa moeda (Rio e os tecnocratas anti-Rivoli). A procissão ainda vai no adro.

sexta-feira, novembro 17, 2006

FESTA (RECORDANDO O RUI KNOPFLI)











Quando romper a manhã…

Não,
nada de estandartes desfraldados,
bandeiras a baloiçar-se ao vento.
Nem gritos, nem manifestações,
nem meetings no bulício da praça.
Tão-pouco a embriaguez desvairada,
a louca conquista da rua.

Quando romper a manhã,
saibamos erguer a fronte
ao sol puro.
Em silêncio olhar de frente,
na curva do horizonte,
o novo sol nascente.
Saibamos recolher-nos
E, por um largo momento,
pesar,
respirar,
captar as múltiplas vivências
da tranquila alegria que irá brotar ininterrupta,

quando romper a manhã.

(Rui Knopfly, in O País dos Outros, 1959)

Quand pointera le jour…

Non,
pas d’étendards déployés,
de bannières se balançant au vent.
Ni de cris, ni de manifestations,
ni de meetings dans l’effervescence de la place.
Pas non plus l’ébriété éperdue,
la folle conquête de la rue.

Quand pointera le jour,
sachons lever le front
vers le soleil pur.
En silence regarder de face,
sur la courbe de l’horizon,
le nouveau soleil levant.
Sachons nous recueillir
et, pendant un long moment,
peser,
respirer,
capter les multiples facettes
de la tranquille joie
qui va germer sans interruption,

quand pointera le jour.

(traduction de Marie-Claire Vromans)

Boas leituras. Bom fim de semana.

VAMOS AJUDAR O PSD




Com o Governo do engenheiro Sócrates a fazer tudo o que a oposição não quer, contando para tal com o apoio do Presidente da República; com um PSD amuado, com um CDS em semi-autogestão, com um PCP a tentar ressuscitar os mortos marxistas e estalinistas, com um Bloco de Esquerda em estado de hibernação e, ainda, com o presidente do Governo Regional da Madeira a entrar em colapso acelerado, a situação política começa a dar ares de uma União Nacional contestada nas ruas por alunos relapsos do ensino secundário, maus polícias, funcionários públicos preguiçosos e sindicalistas mandriões.

É por isso urgente dar corpo a um novo imperativo nacional. O de ajudar a oposição a encontrar um líder. A certidão de óbito político de Marques Mendes há muito que foi emitida, mas só ontem foi carimbada por Belém. Uma democracia sem oposição e com tanta malta nas ruas a vociferar não passa de um circo.

A situação no PSD é insustentável. O partido deriva. A direcção política do partido é completamente medíocre e nem mesmo ao nível parlamentar consegue conferir um mínimo de seriedade à sua intervenção. O pacto da Justiça e a discussão sobre a Segurança Social foi o balão de oxigénio de que Marques Mendes necessitava. Mas o seu tempo esgotou-se. No Porto, Pedro Duarte entrou em rota de colisão com Rui Rio e acabou demitindo-se. Luís Filipe Menezes promete cortar dedos mindinhos. Em Lisboa, a coligação está em cacos. Santana Lopes vai fazendo das suas e até já escreve livros a repor a “verdade” sobre a sua governação.

O PSD é um partido com um capital de prestígio que não pode continuar a ser delapidado por uma meia dúzia de arrivistas, de comissários políticos e de ineptos profundamente ignorantes e incompetentes. É urgente ajudar o PSD a encontrar um líder credível, que seja capaz de se rodear de um escol de pessoas politicamente preparadas, astutas e tecnicamente competentes. Um partido como o PSD não pode continuar a definhar lentamente. Francisco Sá Carneiro não o permitiria.

MATARAM O DANTAS!


Cavaco Silva arrumou com a questão.

Se ainda houvesse quem à direita do espectro político-partidário duvidasse do espírito reformista do Governo de José Sócrates e o acusasse de populismo e demagogia, ontem deve ter ficado com as orelhas a arder ao ouvir as declarações do Presidente da República à jornalista Maria João Avillez.

Para quem teve a paciência de escutá-lo, Cavaco disse preto no branco que a crispação nos meios judiciários desapareceu, que o caminho que está a ser seguido em matéria de finanças públicas é o correcto, que a lei das finanças regionais foi por ele acompanhada, recebeu ajustes e merece o seu acordo, e, para rematar, esclareceu que estava a fazer aquilo que sempre disse que faria e não o que outros disseram que ele faria.

Cavaco não esclareceu quem seriam os outros, mas eu posso dar uma ajudinha: Marques Mendes, Alberto João Jardim, Guilherme Silva, Marques Guedes, Alexandre Relvas, enfim toda a direcção política do PSD e uma parte substancial da base de apoio que o elegeu.

Depois dos sinais deixados no discurso do 5 de Outubro, o Presidente da República não podia ser mais eloquente. Que interessa agora saber se o Governo é de esquerda ou de direita, se a política que está a ser seguida é a que merece o apoio de uma vastíssima maioria do eleitorado e a que corresponde às necessidades reformistas do país e do Estado?

Estou ansioso por ouvir as reacções do régulo regional madeirense e dos seus acólitos. Se estavam a pensar que “o senhor Silva” lhes iria aparar o jogo do faz-de-conta em que se especializaram, bem podem começar a tirar o cavalinho da chuva.

Com este Governo e este Presidente da República o PSD de Marques Mendes não tem qualquer margem de manobra. Cavaco encarregou-se de reduzi-los à sua dimensão. Por maior que seja a ginástica, já não há volta a dar-lhe. Cavaco matou o Dantas!

quinta-feira, novembro 16, 2006

RENDIDO AO CAPITALISMO


Vi esta manhã um anúncio no Público pelo qual os leitores ficaram a saber que José Saramago comparecerá amanhã no El Corte Inglês. Para uma sessão de autógrafos do seu último livro. Quem diria, aqui há uns anos atrás, que Saramago, empedernido comunista, famoso pelas suas diatribes no tempo em que foi director do DN, amigo de Álvaro Cunhal e visita de Fidel, acabaria em sessões de autógrafos num dos templos do capitalismo ibérico. A ver se vende mais uns livros e se ganha mais umas coroas. Existisse o El Corte Inglés em 1975 e certamente que teria sido intervencionado pelos seus trabalhadores. Saramago teria então aplaudido. Hoje, o El Corte Inglês, que tem sido notícia pelas manifestações à sua porta de activistas ecologistas que combatem o uso de peles naturais – são famosos os visons da Saga Mink vendidos por essa empresa –, vai receber com pompa e circunstância o laureado do Nobel. Não há nada como gozar as benesses do capitalismo selvagem e da sociedade de consumo, enquanto pelo canto do olho se vê a miséria que grassa e se debita à comunicação social meia dúzia de palavras simpáticas. Para os pobres. Para os deserdados do El Corte Inglés. O capitalismo também faz milagres. Saramago que o diga.

ARREMEDOS DE POLÍCIAS

O Eduardo Pitta já tinha perguntado se ninguém comentava o triste espectáculo, dado ontem à noite na TVI, por uns senhores encapuzados que diziam ser polícias e que reclamavam contra o Governo, contra as perseguições na PSP e contra outras iniquidades menores.
Em rigor, não sei se haverá muito para comentar, porque quem se apresenta encapuzado numa conferência de imprensa, mais a mais sendo polícia, além de revelar cobardia e falta de sentido de cidadania, não merece qualquer tempo de antena. Ainda menos que percamos tempo com eles.
Falar do assunto é um pouco como estar a comentar as bocas inseridas em blogues anónimos. O que é apócrifo não existe nem pode como tal ser reconhecido numa sociedade civilizada. Mas infelizmente o nosso Estado de Direito de vez em quando permite espectáculos como aquele. Que a TVI seja o instrumento desse jogo não é de estranhar. Essa estação de televisão tem servido para tudo. Só que não deixa de ser trágico que os senhores encapuzados transmitam a imagem de indignidade que transmitiram. Para a PSP. Mas em especial para a sua classe.
Antes houve quem desse a vida pela liberdade, para que os seus filhos pudessem expressar-se de forma livre e responsável. Hoje, uns arremedos de polícias, numa democracia consolidada, permitem-se dar conferências de imprensa sob a capa do anonimato. Como cidadão apenas posso dizer que fico muito preocupado por saber que as nossas polícias têm gente desse jaez. A revolução civilista da PSP, obra hoje reconhecida como extremamente meritória e que foi iniciada pelo Alberto Costa quando foi ministro da Administração Interna, ainda vai ter muito que penar. Aqueles também não são os meus polícias.

terça-feira, novembro 14, 2006

A SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE

Extracto de uma notícia de hoje do Diário Digital:

"Em relação ao Cazaquistão, Scolari falou que o rival de amanhã tem um sistema que dificulta a equipa adversária, "já que é muito defensiva. É preciso paciência e qualidade para aproveitarmos as oportunidades, que surgem muitas vezes nos espaços curtos. Temos de destruir o sistema fechado do Cazaquistão".

É bom que se saiba, antes do jogo, que Portugal ocupa o nono lugar do ranking da FIFA e que o Cazaquistão é a 135ª equipa dessa mesma classificação. E que de Setembro de 2006 para cá perdeu só mais 15 lugares, estando atrás de países como Moçambique, o Burundi ou as Seychelles.

SEPARAÇÃO DAS ÁGUAS


Mesmo que não tivesse servido para mais nada, o congresso do PS, que terminou no passado domingo, sempre teria servido para separar as águas e clarificar a posição da direcção socialista, em matéria de aborto, face ao referendo que se avizinha.

Dizendo José Sócrates que o resultado do referendo é para respeitar, vença o sim ou vença o não, aos portugueses interessados na questão só lhes resta uma solução: participar na consulta.

E essa participação será importante por três razões:

1. Para se perceber até que ponto essa questão e a forma de resolução proposta pela maioria PS para o problema são sentidos como verdadeiramente importantes, ou não, pelos portugueses. Neste caso será possível extrair conclusões se a participação for elevada e o Sim vencer.

2. Para se verificar se o PS cometeu, ou não, um erro político ao admitir uma nova consulta referendária em vez de resolver o problema na Assembleia da República. Conclusão que será possível extrair se a participação for inferior a 50% e o Não voltar a vencer.

3. Para se poder avaliar se o referendo, enquanto instrumento de participação democrática, é suficientemente mobilizador e continua a ter virtualidades, ou se se tornou num mero pró-forma sem qualquer significado para a generalidade dos eleitores. O que só poderá ser devidamente avaliado se a participação for elevada qualquer que seja o resultado.

Agora é aguardar os desenvolvimentos que se avizinham.

INDECOROSO


Uma reportagem da SIC e uma notícia de jornal permitiram-nos ficar a saber que o último anúncio televisivo da Caixa Geral de Depósitos custou a módica quantia de 16 milhões de euros. Refiro-me, naturalmente, ao filme promocional que contou com a participação do seleccionador nacional de futebol, o senhor Scolari.

Rezam as crónicas que o BPN, que já havia utilizado anteriormente a imagem do senhor Scolari, ficou incomodado com a mudança. Eu só fiquei incomodado com o custo do anúncio. Convenhamos que utilizar 16 milhões de euros na realização de um filme em que o senhor Scolari nos aconselha a sermos fãs da vizinha, com tudo o que isso envolve e sem que ele saiba se a minha vizinha é nova ou velha, se tem um sorriso pepsodent ou se é desdentada, se é parecida com a Penélope Cruz ou se tem um proeminente buço, é de muito mau gosto.

Bem sei que a publicidade e o marketing são hoje em dia componentes fundamentais de qualquer actividade comercial ou industrial. E que até em relação a actividades que se supunha estarem à margem desses negócios, por não serem actividades comerciais stricto sensu, se tem vindo a assistir a uma crescente influência daqueles. É o que sucede com a advocacia. Paulatinamente, e mercê das cada vez mais disseminadas concepções mercantilistas do seu exercício, que querem transformar os escritórios em salsicharias, já se assiste à aceitação e contemporização com práticas que até há relativamente pouco tempo eram inaceitáveis para a maioria dos advogados. Sinais dos tempos. Porém, esta é apenas uma vertente do problema com a qual, melhor ou pior, nos vamos aguentando.

O que já absolutamente indecoroso, é que a CGD se predisponha a gastar, em tempos de crise, 16 milhões de euros, a realizar um filme publicitário. Seja com o senhor Scolari com protagonista ou tivesse sido com qualquer outro figurão, a gravidade do caso é a mesma.

Mesmo que o dr. João Salgueiro não quisesse, esta é a melhor prova de que os bancos não têm qualquer razão quando reclamam contra as políticas do ministro Teixeira dos Santos ou quando o presidente da Associação Portuguesa de Bancos vem dizer que os seus associados não irão devolver aos seus clientes o que cobraram a mais nos arredondamentos.

É que, quer se queira quer não, é à custa dos contribuintes e dos seus clientes, os quais, de cada vez que recorrem a um empréstimo, são esportulados até à medula, que a CGD e os outros bancos do sistema financeiro português, gastam somas indecorosas em campanhas publicitárias. Pode ser que quando começarem a pagar mais impostos também comecem a ser mais criteriosos na gestão e no gasto dos lucros que realizam. A não ser que para o dr. João Salgueiro estes 16 milhões agora gastos pela CGD constituam um investimento produtivo. No bolso do senhor Scolari serão de certeza. E na vizinha dele também!

sexta-feira, novembro 10, 2006

ESQUECERAM-SE DE MIM!


Os jornais, as rádios e as televisões começaram o dia a recordar aos seus destinatários que o congresso do Partido Socialista começa hoje. O grande líder já foi a votos e saiu vitorioso. Agora dizem que vai ser entronizado. Sem oposição interna e sem oposição externa. Vai ser uma festa! E eu sem convite. Logo eu que não faço parte do aparelho. Só se podem ter esquecido de mim.

REGIONALIZAÇÃO POR SONDAGEM


O jornal Região Sul publicou hoje, em grande destaque, uma notícia do seguinte teor: "Se o Governo persistir nas suas propostas relativas ao Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve (PROTAL) e não fizer alterações profundas, a melhor opção, para o actual vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Faro, José Vitorino, será ouvir os algarvios, numa sondagem à população.
O político considera que, sendo a questão "complexa e grave", só a sociedade civil a poderá resolver, uma vez que, na sua opinião, existem, em toda a região, "reservas generalizadas" em relação ao documento, cujo processo de discussão pública termina no final deste mês.
"Se as entidades oficiais persistirem nas suas teses, aceitando apenas pequenas alterações, criar-se-á uma situação de grave conflito ou ruptura entre as entidades oficiais e a sociedade civil", disse Vitorino, hoje, em conferência de imprensa promovida pelo grupo de autarcas "Com Faro no Coração".
A solução passará, então, por pagar a uma empresa especializada para efectuar uma sondagem aos algarvios - precedida da distribuição de mais informação e de debates em todos os concelhos -, dando-lhes três alternativas: se concorda, discorda ou vota em branco. "
Quer isto dizer que o dr. José Vitorino, ex-presidente da Câmara Municipal de Faro, e uma daquelas aves raras que o nosso regionalismo bacoco do pós-25 de Abril se encarregou de pôr cá fora, quer transferir as competências e a legitimidade do Governo nacional para uma empresa de sondagens. Ou seja, como não consegue impor no Protal as alterações que quer, o dr. Vitorino faz um apelo à sociedade civil - será que ele sabe o que significa este conceito da Ciência Política? - para que através de uma empresa de sondagens, nem mais, se pronuncie desfavoravelmente ao Protal e obrigue o Governo a aceitar as suas propostas. Ele só não disse é se estas propostas também incluem as dezenas que foram formuladas há alguns dias atrás pela distrital do dr. Bota.
Depois de ler as declarações do senhor dr. Vitorino, fiquei sem saber se a situação de grave conflito ou ruptura entre as entidades oficiais e a sociedade civil se dará apenas no caso do Governo só introduzir pequenas alterações, que não levem em conta as suas propostas, ou se a realização da dita sondagem resolverá o problema, ainda que a sociedade civil se venha hipoteticamente a pronunciar em sentido oposto ao das suas teses. Repare-se que não se trata de um referendo, mas de uma sondagem.
O dr. Vitorino também não se esqueceu de referir que essa sondagem deverá ser paga e a uma "empresa". Qual e como é que isso irá ser pago também ficou no tinteiro. Mas admito que fazendo ele parte de um grupo de autarcas que tem "Faro no coração", o pagamento saia do bolso dele e da carteira dos seus amigos. Adiantadamente, uma vez que depois da brilhante gestão que fez no Município de Faro, o mínimo que se pode esperar do dr. José Vitorino é que não se comporte como um Alberto João algarvio. É que nem os algarvios são madeirenses, e eles já o provaram nas últimas autárquicas, nem o Algarve é uma república das bananas.
Enfim, quando em política o coração se sobrepõe à razão o resultado só pode ser este. Admira-me é como que a imprensa regional ainda embarca nestes filmes da série C.

quinta-feira, novembro 09, 2006

GREVE GERAL

Eu que vivo agora numa simpática cidade de província, que até é capital de distrito, ouvi dizer que hoje é dia de greve geral. Não aqui onde vivo. Em Portugal. Não dei por nada. E é pena. Há dias em que me sinto tão infeliz por ser profissional liberal que só me apetecia ser trabalhador por conta de outrém. Para ter muito trabalho, poder fazer greve e receber certinho ao fim do mês. E ainda por cima ter tempo para ir ao cinema, para ler e para escrever em blogues. Ai quem me dera ser sindicalista!
P.S. O conselheiro Noronha do Nascimento terá aderido à greve geral? Ou será que trabalha em casa?